HYPERTENSIVE RESPONSE TO A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION IN ELDERLY

Romário Fagner Remígio Fausto1, Jennifer Ariely Sales Suassuna1, Daniele Cristina dos Anjos Dantes1, Luan Carlos Nunes de Oliveira1, Eduardo dos Santos Soares Monteiro1, Ana Cristina Oliveira Marques1, Bruno Teixeira Barbosa1,2

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Introdução: A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é considerada um fator de risco para as patologias cardiovasculares, dentre elas a hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença crônica, multifatorial e de maior prevalência em idosos. Objetivo Avaliar a RHE de idosos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional. Metodologia: Doze idosos (62,4 ± 2,4 anos), nove mulheres e três homens foram submetidos a uma sessão de exercício multifuncional dividida em aquecimento (50% da frequência cardíaca máxima (FCreserva), parte principal (60-80% da FCreserva), onde a parte principal contou com 3 ciclos de 12 estações, com descanso de 2 minutos entres os ciclos e estações com duração de 80 segundos cada, sem intervalo entre elas. Foram realizadas medidas da pressão arterial (PA) nas condições de repouso e durante o exercício (3 vezes em 3 diferentes estações). Resultados: Não foi verificado comportamento hipertensivo da pressão arterial em idosos submetidos a uma sessão de exercícios multifuncional. Conclusão: Uma sessão de exercícios multifuncionais de intensidade moderada não provoca RHE em idosos, sendo assim, essa prática pode ser considerada segura e benéfica para essa população.

Palavras-chave: exercício multifuncional; hipertensão; resposta hipertensiva; idoso.

 

INTRODUÇÃO

A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é comumente definida como uma resposta ao exercício da pressão arterial sistólica (PAS) de exercício ≥ 210 mmHg em homens e ≥ 190 mmHg em mulheres (MORROW et al., 1993); tal resposta fisiológica pode atuar como fator preditor de algumas doenças cardiovasculares, como a hipertensão essencial (MIYAI et al., 2002; SHARABI et al., 2001), a doença coronariana (MCHAM et al., 1999), a hipertrofia do ventrículo esquerdo (GOTTDIENER et al., 1990); e até da morte (KJELDSEN et al., 2001).

A RHE é considerada multifatorial, sendo influenciada por mecanismos que incluem o tônus simpático excessivamente alto durante o exercício, a diminuição da distensibilidade aórtica, bem como disfunção endotelial e diastólica (SCHULTZ et al., 2013). Também contribuem para a RHE a resistência periférica total, que não diminui adequadamente para compensar o aumento do débito cardíaco durante o exercício, e a incapacidade da vasodilatação induzida pelo exercício, assim como de forma crônica o aumento da massa do ventrículo(WILSON et al., 1990).

Estudos demostram que, uma vez acionados tais mecanismos, a RHE apresenta poder prognóstico para o desenvolvimento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) (HOLMQVIST et al., 2011; SINGH et al., 1999), considerada a doença crônica não transmissível mais prevalente na população idosa e que constitui o principal fator de risco cardiovascular modificável causador de morbimortalidade no mundo (OSTCHEGA et al., 2007). A HAS tem origem multifatorial, e é causada por fatores genéticos, sedentarismo, obesidade, ingesta excessiva de sódio e álcool (DICKSON; SIGMUND, 2006; HACKAM et al., 2010; MALACHIAS et al., 2016; WHELTON et al., 2002).

Não é de nosso conhecimento a existência de estudos que tenham avaliado a RHE a uma sessão aguda de exercício multifuncional na população idosa. Deste modo, o objetivo do presente estudo é o de avaliar a RHE de idosos normotensos e hipertensos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Delineamento do Estudo

O presente estudo trata-se de um estudo quase-experimental com amostra definida de forma não probabilística, sendo composta por sujeitos idade entre 60 e 80 anos, de ambos gêneros, recrutados através da mídia e ação em campo nas áreas públicas de lazer na cidade de João Pessoa/PB. Participaram do estudo sujeitos hipertensos até o grau II (MALACHIAS et al., 2016), eutróficos e obesos (18,5 ≤ IMC ≤ 39,9 kg/m²) e aqueles considerados ativos de acordo com o Questionário Internacional de Atividade Física, previamente validado e adaptado para população idosa (BERTOLDO BENEDETTI et al., 2007; MAZO; BENEDETTI, 2010). Não foram incluídos tabagistas e portadores de qualquer doença pulmonar obstrutiva crônica; além de sujeitos que fizessem uso de medicação betabloqueadora ou bloqueadora de canal de cálcio ou acometidos por doenças osteomioarticulares que impossibilitem a prática de atividade física. Para participar das atividades da pesquisa, o voluntário apresentou atestado médico liberando-o para a prática de exercício físico.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CEP) do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) sob nº de registro CAAE: 55901316.1.0000.5176, e atendeu as normas de pesquisa com seres humanos da resolução 466/12 do conselho nacional de saúde (CNS). Os voluntários da pesquisa foram esclarecidos e assinaram ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).

Sessão aguda – Exercício multifuncional

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (MALACHIAS et al., 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (NELSON et al., 2007). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA e a FC.

Depois disso o exercício multifuncional foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada após 10 minutos, e em seguida a cada 5 minutos. A sessão experimental foi realizada da seguinte forma: a atividade foi iniciada com um aquecimento leve (<50% da FCreserva) em torno de 5 minutos com uma corrida leve. Ativação do core com estabilização ventral, dorsal e lateral; Alongamentos dinâmicos: Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco; Rotação de braços e ativação neuromuscular com agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais; Corrida estacionária.

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 ciclos de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre os ciclos, divididas na seguinte sequência: Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; Agachamento Frontal com medicine ball; Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); Flexão de tronco corda; Stiff unipodal;  Deslocamento com mudança de direção (8 cones); Rotação de tronco com elástico; Puxada na fita de suspensão; Deslocamento unipodal em quadrado; Arremesso para baixo com slam ball; Flexão de cotovelo; Deslocamento em T (cones). Com duração de 80 segundos cada estação e intervalo de 30 segundos de descanso entre elas. A verificação da PA foi realizada em 3 estações de cada ciclo, imediatamente após a execução do referido exercício. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático. Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC.

Medidas de Pressão Arterial

Após a chegada ao local da coleta dos dados, os voluntários foram solicitados a permanecer sentados durante 10 minutos, e, em seguida, foi realizada uma medida da pressão arterial (PA). Três novas medidas foram obtidas durante a realização dos exercícios ao longo da sessão A PA foi aferida de acordo com as normas da VII Diretriz Brasileira De Hipertensão Arterial (MALACHIAS et al., 2016) para medidas clinicas da PA. Foi utilizado um esfigmomanômetro aneroide da marca Missouri Mikatos 102-NYL com precisão de dois milímetros de mercúrio previamente calibrado contra um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio para mensuração da PA.

Medidas de Frequência Cardíaca

A intensidade da sessão de exercício funcional foi monitorada pela instrumentação de um monitor de frequência cardíaca (Atrio®, ES055) nos voluntários. Para garantir a permanência do participante na zona da frequência cardíaca, a FCreserva foi monitorada em intervalos de 05 minutos durante o exercício.

 

RESULTADOS

Os sujeitos, em sua maioria do gênero feminino, foram pareados quanto a idade e IMC (p > 0,05). Ambos os grupos iniciaram a sessão de exercício funcional sem diferenças estatisticamente significantes entre as variáveis hemodinâmicas (p > 0,05) garantindo que as respostas encontradas não se devem a condições pré-exercício diferentes (tabela 1).

Tabela 1. Resposta da pressão arterial ao exercício funcional.

PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; PAM, pressão arterial média.

DISCUSSÃO

O principal achado deste estudo sugere que o exercício multifuncional de intensidade moderada não promove resposta hipertensiva em idosos, o que nos permite considerar esse tipo de exercício físico uma prática segura para a população idosa. Outros estudos também se dedicaram a avaliar a resposta hipertensiva aos mais diversos protocolos de exercício físico (MATTHEWS et al., 1998; SINGH et al., 1999; TAKAMURA et al., 2008; WILSON et al., 1990).

Wilson et al. (1990) avaliaram a RHE em cicloergômetro em diferentes intensidades de 35 homens divididos em dois grupos:  alto risco (n = 20) e baixo risco (n = 15) de desenvolver hipertensão arterial, e verificaram que 7 sujeitos do grupo de alto risco apresentaram uma RHE. Um deles apresentou RHE com baixa intensidade e outros 6 com intensidade moderada; além disso, foram percebidos valores de frequência cardíaca maiores no grupo com a resposta exagerada de pressão arterial, devido à baixa capacidade de vasodilatação induzida pelo exercício indicando que o grupo que teve a RHE detectada tem mais risco de se tornarem hipertensos.

Por sua vez, Matthews et. al. (1998) analisaram a RHE de 352 homens normotensos submetidos a uma sessão de exercício em esteira, a fim de investigar a associação entre a resposta da PA ao exercício e o prognóstico de hipertensão. Em seus resultados identificaram que os sujeitos do grupo de caso (identificados por um relatório afirmativo de hipertensão diagnosticado por um médico) estão 2,4 vezes mais propensos a apresentarem resposta exagerada da PA do que o grupo controle, de modo que concluíram que esta resposta exagerada da PA está associada ao risco de hipertensão.

Também, Singh et al. (1999), realizaram um estudo para analisar a RHE de 1026 homens e 1284 mulheres normotensos, através de um teste de esteira com vários estágios de acordo com o protocolo de Bruce. Os resultados mostraram que aproximadamente 80% dos indivíduos atingiram a zona alvo da FC, e que a médias das aferições da PA em todas as fases do teste (repouso, exercício e recuperação) foram significantemente maiores nos homens do que nas mulheres. O estudo também mostrou que a RHE apresenta relação com a probabilidade de desenvolver hipertensão arterial. Os resultados obtidos, em relação a resposta hipertensiva a uma sessão de treinamento multifuncional em idosos, não mostrou significância estatística nas variáveis fisiológicas dos indivíduos.

Takamura et al. (2008), estudaram a RHE após um teste de esteira de 6 minutos usando o protocolo de Bruce. Os indivíduos (n = 129) foram divididos em três grupos: sem RHE e sem HA (grupo controle, n = 30), sem RHE e sem HA (grupo RHE, n = 25) e com RHE e HA (grupo HTN, n = 74). No estudo foi observado que a PA aumentou nos grupos RHE e HTN, em comparação com o grupo controle. Concluíram que independente da HA, os indivíduos com uma RHE tiveram comprometimento das funções fisiológicas, se tornando relativamente perigoso a prática de exercício nessas condições.

 

CONCLUSÃO

Tendo em vista tais dados nesses tipos de teste, uma sessão de exercícios multifuncionais, além de melhorar as capacidades físicas para o dia a dia do idoso, mostrou melhores resultados e com menor risco ao indivíduo praticante. Levando em consideração que a população idosa está mais propensa ao desenvolvimento da hipertensão devido a fatores relacionados, principalmente, a idade o exercício multifuncional de intensidade moderada mostrou-se como uma opção de exercício físico segura no tocante a resposta exagerada da PA.

 

REFERÊNCIAS

BERTOLDO BENEDETTI, T. R. et al. Reprodutibilidade e validade do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) em homens idosos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, n. 1, p. 11–16, 2007.

DICKSON, M. E.; SIGMUND, C. D. Genetic basis of hypertension: Revisiting angiotensinogen. Hypertension, v. 48, n. 1, p. 14–20, 2006.

GOTTDIENER, J. S. et al. Left ventricular hypertrophy in men with normal blood pressure: relation to exaggerated blood pressure response to exercise. Ann Intern Med, v. 112, n. 3, p. 161–166, 1990.

HACKAM, D. G. et al. The 2010 Canadian Hypertension Education Program recommendations for the management of hypertension : Part 2 – therapy. Canadian J Cardiology, v. 26, n. 5, p. 249–259, 2010.

HOLMQVIST, L. et al. Exercise blood pressure and the risk of future hypertension. Journal of Human Hypertension, v. 26, n. July, p. 1–5, 2011.

KJELDSEN, S. E. et al. Supine and exercise systolic blood pressure predict cardiovascular death in middle-aged men. Journal of hypertension, v. 19, n. 8, p. 1343–8, 2001.

MALACHIAS, M. et al. VII Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3, p. 01–22, 2016.

MATTHEWS, C. E. et al. Exaggerated blood pressure response to dynamic exercise and risk of future hypertension. Journal of Clinical Epidemiology, v. 51, n. 1, p. 29–35, 1998.

MAZO, G. Z.; BENEDETTI, T. R. B. Adaptação do questionário internacional de atividade física para idosos. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 12, n. 6, p. 480–484, 2010.

MCHAM, S. A. et al. Delayed systolic blood pressure recovery after graded exercise: An independent correlate of angiographic coronary disease. Journal of the American College of Cardiology, v. 34, n. 3, p. 754–759, 1999.

MIYAI, N. et al. Blood Pressure Response to Heart Rate During Exercise Test and Risk of Future Hypertension. Hypertension, v. 39, n. 3, p. 761–766, 1 mar. 2002.

MORROW, K. et al. Prediction of cardiovascular death in men undergoing noninvasive evaluation for coronary artery disease. Annals of internal medicine, v. 118, n. 9, p. 689–95, 1993.

NELSON, M. E. et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Medicine and science in sports and exercise, v. 39, n. 8, p. 1435–45, ago. 2007.

OSTCHEGA, Y. et al. Trends in hypertension prevalence, awareness, treatment, and control in older U.S. adults: Data from the National Health and Nutrition Examination Survey 1988 to 2004. Journal of the American Geriatrics Society, v. 55, n. 7, p. 1056–1065, 2007.

SCHULTZ, M. G. et al. Exercise-induced hypertension, cardiovascular events, and mortality in patients undergoing exercise stress testing: A systematic review and meta-analysis. American Journal of Hypertension, v. 26, n. 3, p. 357–366, 2013.

SHARABI, Y. et al. The significance of hypertensive response to exercise as a predictor of hypertension and cardiovascular disease. Journal of Human Hypertension, v. 15, n. 2001, p. 353–356, 2001.

SINGH, J. P. et al. Blood Pressure Response During Treadmill Testing as a Risk Factor for New-Onset Hypertension : The Framingham Heart Study. Circulation, v. 99, n. 14, p. 1831–1836, 13 abr. 1999.

TAKAMURA, T. et al. Patients with a hypertensive response to exercise have impaired left ventricular diastolic function. Hypertension research : official journal of the Japanese Society of Hypertension, v. 31, n. 2, p. 257–63, fev. 2008.

WHELTON, P. K. et al. Primary prevention of hypertension: clinical and public health advisory from The National High Blood Pressure Education Program. JAMA, v. 288, n. 15, p. 1882–8, 16 out. 2002.

WILSON, M. F. et al. Exaggerated pressure response to exercise in men at risk for systemic hypertension. The American journal of cardiology, v. 66, n. 7, p. 731–6, 15 set. 1990.

EFFECTS OF 12 WEEKS OF PERIODIZED TRAINING IN ROAD RUNNING PRACTICE

1Matheus Lucena Gouveia de Araújo, 1Andrigo Zaar, 1José Ricardo de Assis Nunes, 1Luís Felipe Gomes Barbosa Pereira Lemos, 1Jonnathan Araruna Braga, 2 Jamilly Evellyn Soares de Sena, 1Vinícius Carlos de Oliveira.

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-Paraíba, Brasil.

2Acadêmica do Curso de  Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-Paraíba. Brasil

 

RESUMO

Objetivo: Verificar o efeito de 12 semanas de treinamento no VO2máx.e na composição corporal de corredores recreacionais. Participaram do estudo 10 praticantes de corrida de rua onde foram submetidos a um treinamento para prova de 21quilômetros (km), do gênero masculino com média de 29,9 anos ± 7,2 e com tempo mínimo de seis meses de treinamento. Método: O estudo foi embasado na metodologia de natureza descritiva com tipologia quantitativa longitudinal onde as medidas são feitas em dois momentos, com período de acompanhamento entre os participantes. Foi utilizado o Inbody720 para análise da composição corporal e Teste de 12 minutos para avaliação do VO2máx. Resultado: Houve aumento da Massa Corporal (pré 85,03kg ±8,7; pós 85,78kg ± 10,3 p<0,575), da Massa Magra (pré 36,93kg ± 3,0; pós 37,64kg ± 3,4 p<0,025), redução da Massa de Gordura (pré 20,18kg ± 7,5; pós 19,80kg ± 8,07 p<0,683), do Percentual de Gordura (pré 23,29% ± 6,6; pós 22,51% ± 7,0 p<0,314) e melhora do Teste de 12 minutos(pré 43,50 ml.kg.min ± 3,3; pós 46,34 ml.kg.min ± 4,7 p<0,028) o período de intervenção.Conclusão: Um programa de treinamento periodizado com duração de 12 semanas foi capaz de promover aumento da Massa Magra e do VO2máx.

Palavras chave: Corrida; Treinamento; Consumo de Oxigênio;Composição Corporal.

 

ABSTRACT

Objective: To analyze the effects of 12 weeks of training on street racing practitioners and their influence on body composition. Participants in the study were 10 street racers, who underwent training for 21 km (km), male race with a mean of 29.9 years ± 7.2 and a minimum of six months of training. Method: The study was based on the methodology of descriptive nature with a quantitative longitudinal typology where the measurements are made in two moments, with period of follow – up between the participants. Inbody720 was used for body composition analysis and a 12-minute test for VO2max evaluation. Results: There was an increase in body mass (pre 85.03kg ± 8.7, post 85.78kg ± 10.3 p <0.575), lean mass (pre 36.93kg ± 3.0, post 37.64kg ± 3, (P <0.05), reduction of fat mass (pre 20,18 kg ± 7,5, post 19,80 kg ± 8,07 p <0,683), fat percentage (pre 23,29 ± 6,6, post 22.51% ± 7.0 p <0.314) and improvement of the 12-minute test (pre 43.50 ml.kg.min ± 3.3; powders 46.34 ml.kg.min ± 4.7 p <0.028 ) the intervention period. Conclusion: A periodized training program lasting 12 weeks was able to promote increase of Lean Mass and VO2max.Keywords: Race; Training; Oxygen Consumption; Body Composition.

 

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, a corrida de rua vem obtendo muitos seguidores, pelo seu baixo custo, sua facilidade e o grande aumento nas organizações de provas na modalidade (Dallari, 2009; Oliveira, 2010; Gonçalves, 2011). Os motivos pela prática regular englobam promoção à saúde, estética, socialização e busca de atividades prazerosas ou competitivas.

A procura por avaliações que possam refletir a condição física vem sendo estudada há alguns anos. Diversos são os sinais que podem ser considerados para caracterizar a condição física, dentre eles, o consumo máximo de oxigênio. Mas a ciência tem verificado que cada vez mais é preciso assemelhar os vários testes físicos específicos da modalidade, nesse caso, na corrida de rua (Moraes et al., 2005).

Um dos princípios essenciais do treinamento é a aplicação otimizada de cargas, respeitando a individualidade do praticante e a especificidade do esporte praticado com a preocupação de saber controlar o volume e a intensidade em seu planejamento. Neste contexto os métodos de treinamento são de fundamental importância no desenvolvimento das capacidades físicas para melhorar a performance (Dantas, 2003).

No programa de treinamento para corredores recreacionais são utilizados diferentes métodos, os mais utilizados são o método contínuo que envolve a aplicação de cargas contínuas diferenciadas pelo predomínio do volume sobre a intensidade e permite o aperfeiçoamento da resistência aeróbica (Dantas, 2003), e o método de treinamento intervalado, utilizado para o aprimoramento da resistência de velocidade e potência anaeróbia (Proença, 1989).

Para praticantes de provas de média e longa distância, a capacidade aeróbia é imprescindível, esta é medida através de protocolos diretos ou indiretos de consumo de oxigênio (VO2máx.), que segundo Robergs e Roberts (2002), é a maior quantidade de oxigênio consumida, absorvida e utilizada pelo organismo em dada tarefa. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo verificar o efeito de 12 semanas de treinamento no VO2máx.e na composição corporal de corredores recreacionais.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Local protocolado pelo CAAE número 67976117.0.0000.5176, foi pautado na metodologia de natureza descritiva com tipologia quantitativa e longitudinal. O estudo descritivo tem como objetivo relatar as características determinada pela população, fenômeno ou experiência de associação entre variáveis (Gomes, Lima e Silva, 2004).

Participaram do estudo 10 corredores recreacionais do gênero masculino com idade entre 18 a 42 anos (Tabela 1). Após o contato e apresentação dos objetivos do presente estudo, os corredores que aceitaram participar da pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram atendidos os seguintes critérios de inclusão: ser corredor recreacional durante no mínimo 6 meses e negativa ao questionário de prontidão para a atividade física.

Tabela 1 – Características dos participantes em média ± DP (N=10).

Para análise da composição corporal, utilizou-se a bioimpedância (InBody 720) onde foi realizado cumprindo os seguintes processos: não se exercitar nas 12 horas antecedem a avaliação; não se alimentar, nem ingerir líquidos por 4 horas antes do teste; manter o ambiente com temperatura entre 20 a 25ºC; não utilizar bijuterias metálicas ou implantes com metal; e realizar a avaliação com vestimenta de banho (Biospace, 2004).

Para avaliação do VO2máx. utilizou-se o teste de Cooper (1972), utilizado para verificar o consumo máximo de oxigênio através de uma corrida máxima na maior distância percorrida em 12 minutos. Para calcular VO2máx. e interpretar os resultados, utilizou-se a fórmula:VO2máx. = distância percorrida – 504,9/44,73. Os testes foram realizados no Centro Universitário de João Pessoa, onde a avaliação de bioimpedância foi realizada no Laboratório de Atividade Física (LAF) no turno da manhã entre 8:00e 11:00 horas, com temperatura ambiente entre 20 e 22ºC e o teste de Cooper na Pista de Atletismo no turno da manhã entre 07:00 e 08:00 horas, com temperatura ambiente entre 27 e 30ºC.

Após o término de todos os testes, as informações foram arquivadas no programa Microsoft Office Excel versão 2007 e analisados no programa estatístico SPSS versão 22.0 para Windows. Para caracterização da amostra e disposição dos resultados todos os dados estão expressos em média e desvio-padrão. Para análise de diferença dos resultados pelo teste de Cooper e Inbody720 foi utilizado o teste dos postos sinalizados de Wilcoxon de amostras relacionadas acatando-se um nível de significância p<0,05.A periodização de 12 semanas foi elaborada e aplicada aos componentes do estudo que foi composta de quatro sessões de treino por semana (Tabela 2).

Tabela 2 – Progressão das cargas de treinamento.

RESULTADOS

Neste estudo, foram analisados os efeitos de 12 semanas de treinamento periodizado em praticantes de corrida de rua e sua influência na composição corporal. Na tabela 3, encontram-se os valores pré e pós-treinamento nos corredores recreacionais. Na tabela 4 apresenta-se a classificação do consumo de oxigênio para homens.

Tabela 3 – Valores pré e pós-treinamento em média ± DP (N=10).

Legenda: MC: Massa corporal; MM: Massa magra; MG: Massa gorda; PG: Percentual de gordura; VO2máx: Consumo máximo de oxigênio expresso em ml.kg.min.

Tabela 4-Consumo de Oxigênio para homens (Cooper, 1972).

DISCUSSÃO

Este estudo investigou os efeitos de 12 semanas de treinamento no VO2máx.e na composição corporal de corredores recreacionais. Entre as variáveis analisadas o aumento da Massa Magra e do VO2máx.foram estatisticamente significativos.

O VO2máx. dos corredores pós treinamento foi classificado como bom e excelente (Cooper, 1972). O aumento do VO2máx. pode estar relacionado pelo aumento da mioglobina com o treino aeróbio, do número e tamanho de mitocôndrias, bem como da atividade das enzimas oxidativas, contribuindo para que se tenha um maior aproveitamento da via aeróbia na produção de energia (Wasserman, 1986).

O Vo2máx. vem sendo considerado um dos fatores de grande importância como preditor da performance, pois a capacidade do indivíduo se exercitar por longa e média duração depende principalmente do metabolismo aeróbio, sendo assim, um índice muito empregado para classificar a capacidade cardiorespiratória, sobretudo em corredores recreacionais (Carazzato, 1999).

O treinamento da potência aeróbia constitui uma variável muito importante no aumento do VO2máx. A combinação entre treinos intervalados de alta intensidade e curta duração com treinos de baixa intensidade e longa duração durante um processo de formação é apontado como melhor estratégia para ganhos dessa variável. (Silva, 2017)

A Economia de Corrida pode ser definida como custo aeróbio necessário para sustentar uma velocidade absoluta de corrida durante um determinado período de tempo (Nummela, Kenaren e Mikkelsson, 2007). Corredores mais econômicos, em função de um maior consumo de Oxigênio (O2) tendem a percorrer distâncias mais rapidamente mantendo a velocidade de deslocamento constante (Guglielmo, Grecco, Denadai, 2009).

A redução do percentual de gordura por parte dos indivíduos é previsto, pois, a realização da corrida é um exercício com predominância aeróbia, consequentemente, auxilia na perda do percentual de gordura dos praticantes (Ferreira et al., 2015). A diminuição de gordura corporal é indispensável para o bom desempenho, pelo fato de haver, na maioria dos estudos, relações negativas entre o percentual de gordura corporal e o desempenho físico (Streicher e Sousa, 2013).

A porcentagem de gordura corporal recomendada para homens desportistas é de 12-15% (ACSM, 2000; CUPARRI, 2002); assim, o valor encontrado (22,5%) mostra que a população estudada apresentou a %GC fora do recomendado. O percentual de gordura é outro fator imprescindível para o sucesso no desempenho esportivo. Os menores valores de gordura corporal podem favorecer o rendimento máximo (Guerra, Soares e Burini, 2001).

Santos et al., (2008), aplicando testes de caminhada e outro para corrida com amostra de 15 indivíduos do gênero masculino, que se exercitavam no mínimo 90 minutos de exercício aeróbio semanais, obteve uma média no VO2máx. de 47,1 ml/kg/min, se contrapondo com os resultados parecidos do presente estudo que se obteve uma média no VO2máx. de 46,3 ml/kg/min.

As necessidades protéicas do praticante de exercício físico são maiores do que de um indivíduo sedentário, devido ao reparo de lesões induzidas pelo exercício nas fibras musculares, uso de pequena quantidade de proteína como fonte de energia durante a atividade e o ganho de massa magra (ACSM, 2000).

A composição corporal apresenta estreita relação com o desempenho em diferentes modalidades esportivas. Assim, a massa magra pode significar vantagem em diferentes esportes, sobretudo nos que requerem deslocamento do corpo, como corridas (Costa et al., 2005).

O aspecto interessante é que o programa promoveu uma melhora significativa na massa muscular. Os autores atribuem este efeito às adaptações associadas a um melhor recrutamento das fibras musculares, melhor relaxamento dos músculos antagonistas aos movimentos e um ganho de propriedades contráteis das fibras, como aumento relativo nas áreas das fibras do tipo I, pelo predomínio da modalidade (Neto Barros, 2001).

 

CONCLUSÃO

Com base nos objetivos e resultados apresentados, conclui-se que 12 semanas de treinamento periodizado foram capazes de promover ganhos significativos no VO2máx.e na composição corporal dos corredores recreacionais.

 

REFERÊNCIAS

  1. American College Of Sports Medicine. American Dietetic Association, Dietitians of Canada. Joint Position Stand: Nutrition & Athletic Períormance. Medicine & Science in Sports & Exercise, 32, n. 2 1 30-2 1 45,2000.

 

  1. Inbody 720, the precision body composition analyzer. User’s Manual. 2004.

 

  1. Carazzato, J.G. Atividade física na criança e no adolescente. In: Ghorayeb N, Barros T, editores. O exercício. São Paulo: Atheneu, 351- 61, 1999.

 

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EFFECT OF A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION ON THE RESPONSE OF BLOOD PRESSURE IN ELDERLY HYPERTENSIVE AND NORMOTENSIVES

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1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Objetivo: Avaliar o efeito de uma sessão de exercício multifuncional na resposta aguda da pressão arterial em idosos hipertensos e normotensos. Métodos: Participaram do estudo 13 idosos hipertensos e normotensos (com idade de 61,8 ± 7,56 anos; Massa corporal 67,15 ± 9,57 Kg; índice de massa corporal – IMC de 26,9 ± 3,2 Kg/cm2). Os voluntários realizaram ambas as sessões de exercício e controle. Foram realizadas medidas pressão arterial (PA), atividade autonômica cardíaca (AAC) e frequência cardíaca (FC) nos momentos de repouso, durante e pós exercício por um período de 60 minutos. Os dados foram analisados quanto a normalidade e homogeneidade, e foi realizada analise de variância para as variáveis estudadas, sendo utilizado o software SPSS 20.0. Resultados: Foi encontrada uma redução significativa da PAS na sessão experimental nos momentos 40 minutos de (p=0,049) e 60 minutos de (p=0,045) após o exercício; quando comparada a PAS entre sessões, a sessão experimental promoveu maior redução nos momentos 40 e 60 minutos (p=0,023); não foram observadas alterações para PAD. Conclusão: Uma sessão de exercício multifuncional é capaz de promover redução da PAS em idosos hipertensos e normotensos. Novos estudos são recomendados para maiores esclarecimentos deste fenômeno.

Palavras Chave: Hipotensão pós exercício; hipertensão; idosos; Exercícios Multifuncionais

INTRODUÇÃO

A redução da pressão arterial, após o exercício físico, a níveis abaixo daqueles encontrados na condição de repouso, é conhecida como Hipotensão Pós Exercício (HPE)  (KENNEY; SEALS, 1993; BRUM; NEGRÃO, 2004; POLITO, 2010; VELOSO et al., 2010). Tal fenômeno, torna o exercício quando praticado regularmente uma intervenção não farmacológica, sendo utilizado como adjuvante no tratamento e controle da hipertensão (KENNEY; SEALS, 1993; PAPPACHAN et al., 2011; LATERZA et al., 2007; PONTES JÚNIOR et al., 2010).

A HPE tem sido analisada a partir de sessões de diversos exercícios físicos em vários grupos: através de corrida aquática (PONTES et al., 2008), esteira ergométrica (TAYLOR-TOLBERT et al., 2000) e cicloergometro (BRANDÃO RONDON et al., 2002). Tanto exercícios aeróbios quanto resistidos são recomendados em busca de uma melhor resposta hipotensiva (ABDELAAL; MOHAMAD, 2014; (DASGUPTA et al., 2014; CHODZKO-ZAJKO et al., 2009; KENNEY; SEALS, 1993; (POLITO, 2010; DIVISÓN, 2016; CARVALHO et al., 2015; BERMUDES et al., 2004). Além disso, a intensidade e a duração do exercício podem influenciar no tempo da HPE (POLITO et al., 2009; HALLIWILL, 2001). Os exercícios moderados, dinâmicos e com utilização de maior massa muscular demostram resultados de HPE satisfatórios (HALLIWILL, 2001; CASONATTO; POLITO, 2009). No entanto, exercícios concorrentes e/ou combinados, podem otimizar tanto a magnitude quanto a duração da HPE quando comparados aos exercícios aeróbios e resistidos (CUNHA et al., 2013).

Diferentemente dos treinamentos resistidos, o treinamento funcional também conhecido como multifuncional ou hibrido trabalha a musculatura de forma mais harmônica e integrada, utilizando grandes grupos musculares (RESENDE-NETO et al., 2016; ELIAS, 2015; LIU et al., 2014). Trazendo características aeróbias, resistidas e cíclicas, gerando melhorias satisfatórias em relação as atividades da vida diária, flexibilidade, fortalecimento e equilíbrio (LIU et al., 2014; (RESENDE-NETO et al., 2016; (EVANGELISTA et al., 2016; EVANGELISTA, 2014; LUSTOSA et al., 2010; ANDERSSEN; LOHNE-SEILER, 2013; LEAL; BORGES; FONSECA, 2009; GAUCHE et al., 2017; MC et al., 2006). Possivelmente devido suas características, os exercícios funcionais podem ser eficazes para uma boa resposta hipotensora, como demonstram estudos (CORREIA LIMA et al., 2017; (BOTELHO; ALKMIM; NUNES, 2012; BOTELHO et al., 2011).

Mesmo diante de algumas evidencias sobre a resposta hipotensora no exercício multifuncional em idosos, a diversidade entre os exercícios utilizados, bem como as capacidades físicas abordadas não nos permitem maiores inferências. Diante disso, o objetivo desse estudo é avaliar o efeito de uma sessão de exercício multifuncional na resposta aguda da pressão arterial em idosos hipertensos e normotensos.

 

MÉTODOS

Participantes

O presente estudo caracteriza-se como ensaio clínico controlado de caráter descritivo, comparativo e transversal (ROUQUARYROL, 1999; (LIMA-COSTA; PEIXOTO; GIATTI, 2004). Participaram da amostra 13 idosos, de ambos os géneros (sendo 9 mulheres), com idade de 62 ± 8 anos; massa corporal 67,2 ± 9,6 Kg; IMC de 26,9 ± 3,2 Kg/m2 selecionados por procedimento não probabilístico por conveniência, e recrutados através de mídias digitais e/ou pessoalmente em espaços públicos. Os participantes não podiam estar fazendo uso de fármacos betaboqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio, não tabagistas, e relataram não possuir doenças osteomioarticulares.

A pesquisa seguiu a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012) e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPE com Nº CAAE 55901316.1.0000.51.76, todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE).

 

Procedimento para coleta de Dados

Os indivíduos foram convidados a comparecer ao Centro Universitário de João Pessoa (UNIPE) para a realização das avaliações e anamnese. Ao chegarem na Instituição foram direcionados ao Laboratório de Avaliação Física (LAF), onde foram esclarecidos quanto aos objetivos, eventuais riscos, benefícios da pesquisa. Assinaram TCLE e responderam ao Questionário de Nível de Atividade Física (IPAQ), realizaram a Análise da Composição Corporal (ACC). após as avaliações os indivíduos foram randomizados quanto aos procedimentos: treinamento funcional e controle.

Antes de serem submetidos ao protocolo experimental, os indivíduos foram direcionados à quadra externa da Instituição, ambiente ao ar livre no período entre 16h às 18h. Para a realização do protocolo controle, os participantes foram direcionados para área externa do LAF, foram posicionados sentados em cadeiras confortáveis, ambiente ao ar livre, coberto e ventilado.

Os dois protocolos foram realizados em dias não consecutivos com intervalo mínimo de 48h entre os protocolos seguindo as recomendações da (CHODZKO-ZAJKO et al., 2009).

 

 

Análise da Composição Corporal

Para a realização da ACC, foi utilizado o InBody 720, com tecnologia Bioimpedância Segmentar Direta, método rápido e não invasivo, que realiza com precisão as medições de cada segmento corporal, quatro membros e o tronco. Todos os participantes foram orientados a permanecerem por no mínimo quatro horas em jejum de água e alimento, seguindo o protocolo estabelecido pelo fabricante. De acordo com as especificações técnicas, podem ser analisados indivíduos com idades entre 6 – 99 anos com peso corpóreo de 10 – 250kg (ANN L GIBSON, JASON C HOLMES, RICHARD L DESAUTELS, LYNDSAY B EDMONDS, 2008).

 

Questionário de Nível de Atividade Física

Foi utilizado o IPAQ para analisar o nível de atividade física dos participantes, questionário que possui sete perguntas, onde classifica o indivíduo como ativo ou não, dependendo das atividades da vida diária que exercem, como caminhada, tarefas domésticas e lazer. As respostas geram um escore, que determina se o indivíduo exerce atividades vigorosas e intensas, leve ou moderadas, bem como a inatividade física do participante (MATSUDO et al., 2001).

 

Medidas de Pressão Arterial

Em ambos os procedimentos, os participantes foram submetidos a um repouso de 10 minutos sentados, antes de qualquer verificação de PA, onde descrevemos como sendo PArepouso. Foi verificada a PA em vários momentos, durante o exercício, imediatamente após o exercício e na recuperação, esse último momento totalizou um período de uma hora.

As Medidas de PA foram verificadas conforme os critérios regulamentados pela (BRASILEIRA; CARDIOLOGIA, 2016) através do método auscultatório, e foi utilizado esfigmomanômetro aneroide (BAIA, 2010).

 

Medidas da Frequência Cardíaca e Percepção Subjetiva de Esforço

A zona da frequência cardíaca foi determinada através da equação proposta por (KARVONEN; KENTALA; MUSTALA, 1957) e monitoramos os participantes com uma cinta cardíaca Atrio, modelo ES055 conectada a um smartphone por bluethooth ligado ao Cardiomood App HRV com precisão de uma sístole por minuto.

Todos os participantes permaneceram sentados por 10 minutos antes da realização do exercício. O menor valor da Frequência Cardíaca registrada neste período foi considerada Frequência Cardíaca de Repouso e a partir daí, foi realizado o calculo.

A FC foi monitorada a cada 10 minutos, garantindo assim que os indivíduos se mantivessem dentro da zona alvo de segurança. Também foi adotada a Escala de Percepção Subjetiva de Esforço – PSE (NOBLE, 1974). Durante o exercício, a PSE era questionada sempre após a medida de FC.

 

Atividade Autonômica Cardíaca

            Foi utilizado o aplicativo CardioMood App HRV para a Análise da AAC, compatível com smartphones conectados por bluetooth a uma cinta Cardíaca Atrio ES055 (FÉLIX et al., 2016). Foram processados dados relativos ao balanço autonômico de Baixa Frequência/Alta Frequência – (BF/AF), esses relativos ao domínio da frequência em relação ao cálculo HRV. O registro foi realizado após os 10 minutos de repouso e a cada 20 minutos no momento da recuperação, sendo o período de recuperação com 60 minutos. Os dados e relatórios foram exportados direto para um arquivo de texto do smartphone, e posteriormente repassados ou computador.

 

Sessão Experimental

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (BRASILEIRA; CARDIOLOGIA, 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (CHODZKO-ZAJKO et al., 2009). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA, a FC e a AAC essa por período de cinco minutos

Depois disso o exercício foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada a cada 5 minutos, juntamente com a PSE. A sessão experimental foi iniciada com um aquecimento: cinco minutos de corrida leve (<50% da FCreserva), seguido da ativação do core (estabilização ventral, dorsal e lateral), dos alongamentos dinâmicos (Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco), e ativação neuromuscular (agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais).

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 series de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre as series, na seguinte sequência: 1) Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; 2) Agachamento Frontal com medicine ball; 3) Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); 4) Flexão de tronco corda; 5) Stiff unipodal; 6) Deslocamento com mudança de direção (8 cones); 7) Rotação de tronco com elástico; 8) Puxada na fita de suspensão; 9) Deslocamento unipodal em quadrado; 10) Arremesso para baixo com slam ball; 11) Flexão de cotovelo; 12) Deslocamento em T (cones). Todas as estações tinham duração de 80 segundos sendo realizadas em sequência. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático.

Figura 1 – Sessão de Exercício Multifuncional – Atividade Autonômica Cardíaca – AAC; Medida de Pressão Arterial – PA; Medida de Frequência Cardíaca – FC; Percepção Subjetiva do Esforço – PSE.

Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC e dado início a AAC por cinco minutos, onde permaneceram por um período de uma hora, sendo verificadas essas medidas durante 20, 40 e 60 minutos.

 

Sessão Controle

Após chegarem ao local os indivíduos foram colocados sentados confortavelmente, permanecendo assim até o final do protocolo. Foi aguardado um período de 10 minutos antes da primeira verificação da PA no mesmo instante que eram coletados os registros da AAC com duração de cinco minutos, e consequentemente a FC, caracterizando assim o período repouso. Em seguida deu-se início a sessão equivalente ao exercício, onde o indivíduo se manteve sentado por 40 minutos, sendo feita uma medida de PA e FC no meio desse tempo; ao final desse tempo, foram feitas medidas de PA, FC e AAC; durante um período de uma hora (a cada 20 minutos).

 

Análise Estatística

Os dados foram analisados quanto a normalidade (Shapiro Wilk) e homogeneidade (Levene) e estão expressos em média e desvio padrão. Foi utilizado o Teste T dependente para as variáveis analisadas interprocedimentos (frequência cardíaca, pressão arterial) e a análise de variância (ANOVA One Way) para a comparação dos dados intraprocedimentos das mesmas variáveis (frequência cardíaca, pressão arterial). Foi adotado um nível de significância para p<0,05 e os dados foram analisados no SPSS versão 20.0.

 

RESULTADOS

As características antropométricas dos participantes e as variáveis hemodinâmicas, estão expressas na tabela 1. Os participantes hipertensos, faziam uso das seguintes classes medicamentosas: inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina – ECA, diuréticos, bloqueadores de AT1.

Tabela 1 – Variáveis antropométricas e hemodinâmicas de idosos hipertensos e normotensos.

IMC – Índice de Massa Corporal; PASR – Pressão Arterial Sistólica Repouso; PADR – Pressão Arterial Diastólica Repouso; FCR – Frequência Cardíaca de Repouso; Kg – Quilograma; Kg/m² – Quilograma por metro quadrado; mmHg – Milímetros de mercúrio; spm – Sístoles por minuto.

 

Verificamos que houve uma elevação significativa durante a sessão experimental quando comparada à sessão controle no momento do exercício (p=0,003). Além disso, na sessão experimental, FC se elevou durante os exercícios quando comparada a FCrepouso (p=0,003). Todos os participantes executaram a sessão experimental nas zonas alvos Figura 1. Além de verificar a FC, utilizamos a PSE, nela os valores médios obtidos durante a sessão experimental, foi de 13,35 ± 0,43.

Figura 1 – Média da Frequência CardíacaFCrepouso – Frequência Cardíaca de Repouso; FCexercício – Frequência Cardíaca no Exercício e FCpós – Frequência Cardíaca Pós Exercício.

 

A figura 2 apresenta a média da PA entre as sessões nos momentos (repouso, pós e recuperação) tanto para PAS (painel A) quanto para PAD (painel B). Foram observadas reduções significativas para os momentos 40’ (p=0,049) e 60’ (p=0,045) da PAS, quando comparadas ao momento de repouso. Na sessão controle foram observadas reduções na PAS nos momentos 20’ (p=0,001), 40’ (p=0,005) e 60’ (p=0,022) quando comparadas a (PASrepouso).

Além disso quando comparamos a PAS entre as sessões, a sessão experimental promoveu maiores reduções nos momentos 40’ (p=0,023) e 60’ (p=0,023). Para PAD por mais que tenha sido observada uma tendência de declínio, não houveram diferenças significativas, nem entre sessões (p> 0,05), nem intra sessão (p> 0,05).

Figura 2. Média do comportamento da PA – Pressão Arterial Sistólica (Painel A) e Diastólica (Painel B).

 

A (figura 3) representa o comportamento do balanço autonômico cardíaco (BF/AF). Podemos observar que, o balanço se manteve similar nos momentos de repouso e pós exercício (p>0,05); Sendo observado um aumento prounciado do balanço na sessão controle no momento 20’ (p=0,354). Por mais que tenha sido observada uma diferença no momento 60’ entre as sessões, não foram encontradas alteração significativas (p=0,075).

Figura 3. Comportamento da AAC – momentos (repouso, pós e período de recuperação).

DISCUSSÃO

O estudo demonstrou que uma sessão de exercícios multifuncionais realizada em intensidade moderada é capaz de promover redução significativa da PAS. É pertinente lembrar da dificuldade em discutir os resultados de HPE no exercício multifuncional, tendo em vista que a literatura dispõe de poucos estudos com características hemodinâmicas com esta temática. Podemos encontrar um estudo piloto demonstrando HPE significativa para ambos os grupos analisados com exercícios funcionais (CORREIA LIMA et al., 2017). Porem, os exercícios utilizados e as características do treino são divergentes.

Evidencias apontam que exercícios multifuncionais são um procedimento seguro para população idosa/hipertensa (RESENDE-NETO et al., 2016); Além disso, sabe-se que o funcional tem características tanto aeróbias quanto anaeróbias (resistidas) (LUSTOSA et al., 2010; ANDERSSEN; LOHNE-SEILER, 2013; RESENDE-NETO et al., 2016; EVANGELISTA et al., 2016; EVANGELISTA, 2014) tornando assim a análise dos dados ainda mais complexa. O mais próximo de sessões de funcional que podemos chegar na literatura evidenciando HPE são estudos com treinamento concorrente devido sua característica de intensidades variadas (CUNHA et al., 2013; CAMPOS et al., 2007).

Como forma de controlar a intensidade do exercício no presente estudo, adotamos zonas de intensidades entre (60% – 80%) da FCreserva, e a PSE (NOBLE, 1974). A PSE apresentou valores de intensidade moderada. Confirmando  que os participantes se mantiveram dentro das zonas propostas, havendo uma elevação na FC durante o exercício, como fisiologicamente esperado .

Com uma única sessão exercícios moderados, o estudo demonstra uma consequente diminuição durante o período de recuperação da PAS e PAD agudamente, corroborando com estudos que apresentam respostas significativas (GERAGE et al., 2015; CIOLAC et al., 2009; REZK et al., 2006; (BRANDÃO RONDON et al., 2002). Essa redução pode se dar pela liberação de substâncias vasodilatadoras através do exercício, facilitando assim a diminuição da resistência vascular periférica (HALLIWILL, 2001; RAO; COLLINS; DICARLO, 2002; MORTENSEN et al., 2009; HALLIWILL et al., 2000; MORAES et al., 2007), porém não avaliamos tal variável para confirmar essa premissa. Nesse sentido as alterações na sensibilidade vascular podem desempenhar um papel dominante na regulação da PA, porém os mecanismos podem ser mais complexos (MACDONALD, 2002).

Várias evidências demonstram a utilização de métodos de treinos de intensidades baixas, leves e moderadas em busca de uma maior magnitude da HPE (SANTIAGO et al., 2013; DA CUNHA et al., 2006; CARVALHO et al., 2015; ALDERMAN et al., 2007). Porém HPE por curto espaços de tempo causam menor impacto para saúde cardiovascular em indivíduos hipertensos (HALLIWILL, 2001). Nosso estudo demonstrou uma HPEsistólica -8,62 ± 12,09mmHg e de -4,62 ± 8,88mmHg para HPEdiastólica aos 60 minutos corroborando assim com os achados de (CORREIA LIMA et al., 2017). Embora esses valores sejam expressivos quando comparados as reduções em potencial (JONES et al., 2007), esses valores não foram significativos. Pode-se inferir que a medicação e a variedade de indivíduos poderia influenciar nessa resposta; porém, estudo demonstra que indivíduos que fizeram uso de (inibidores da ECA) tiveram HPE com duração de 10h (FORJAZ, 2006). A HPE também é evidenciada por até 24h em indivíduos normotensos que realizaram exercícios resistidos e aeróbios (BERMUDES et al., 2004). É pertinente lembrar que o exercício quando praticado constantemente provoca ajustes hemodinâmicos no organismo (SIASOS et al., 2013), (SMART, 2013)). Podendo assim evidenciar uma adaptação crônica tanto nos hipertensos quanto nos normotensos (SMART, 2013; CHODZKO-ZAJKO et al., 2009; HALLIWILL, 2001; CASONATTO; POLITO, 2009).

Na tentativa de explicar com mais clareza o mecanismo pelo qual a pressão reduziu, analisamos o balanço autonômico cardíaco. A diminuição do BF/AF é uma das justificativas pelo qual podemos observar uma hipotensão (SMITH et al., 2004). Através dos seus marcadores sensíveis podemos avaliar o perfil cardiovascular do indivíduo e seus impactos sobre o domínio da frequência (DA SILVA et al., 2014). Embora durante o exercício físico seja observado sempre um aumento da atividade simpática. No presente estudo não foi demonstrada diferença, os valores foram similares no pré, e pós. Foi observado um aumento prounciado do domínio da frequência na recuperação após o momento 20’. A interpretação do BF/AF como modulação simpática do coração pode gerar dados controversos, esse padrão de resposta indica sem dúvida uma grande predominância simpática (REZK et al., 2006). Outros estudos mostram que a atividade simpática pode permanecer aumentada por um período de 60 (minutos) (SMITH et al., 2004; DA SILVA et al., 2014; CARVALHO et al., 2015; BRANDÃO RONDON et al., 2002). Acreditamos que os mesmos fatores que influenciaram o aumento simpático na sessão experimental, pode ter influenciado a sessão controle. Tendo em vista o quanto foi entediante permanecer sentado por um longo período de tempo. Possivelmente a respiração pode ter causado alguma inconsistência, pois tem impacto no domínio da frequência (DA SILVA et al., 2014).

 

CONCLUSÃO

Este estudo demonstrou que uma sessão de exercícios multifuncionais é capaz de promover uma redução da PAS em idosos hipertensos e normotensos. Mesmo não sendo observadas reduções significativas para PAD, podemos evidenciar que é seguro a prescrição de protocolos de exercícios multifuncionais como medida adjuvante não farmacológica no combate a hipertensão arterial; tendo em vista que o estudo não demonstrou aumentos exacerbados da pressão arterial durante o exercício. É necessárias novas pesquisas para maiores esclarecimentos e delineamentos em relação a HPE.

 

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POST-EXERCISE ARTERIAL HYPOTENSION IN WALKERS FROM THE PUBLIC SQUARES OF JOÃO PESSOA

Jonnathan Araruna Braga1, Milena Saavedra Lopes do Amaral1, Matheus Lucena Gouveia de Araújo1, José Thiago Gadelha Cavalcanti2, Rosanne Vieira de Sousa3.

1Departamento de Educação Física, Laboratório de Atividade Física, Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ. João Pessoa-Paraíba. Brasil.

2Graduado em Educação Física pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB. João Pessoa-Paraíba. Brasil.

3Graduada em Enfermagem pela Faculdade Maurício de Nassau. João Pessoa-Paraíba. Brasil.

 

RESUMO

Objetivo: Analisar o fator hipotensivo em praticantes de caminhada nas praças públicas de João Pessoa sobre os agravamentos patológicos, tais como agravos crônicos e degenerativos. Métodos: A análise da amostra foi realizada em 20 idosos com idades entre 60 e 70 anos praticantes de caminhada diariamente do sexo feminino sendo selecionados aleatoriamente. A pesquisa é de caráter experimental em que consiste essencialmente em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis capazes de influenciá-lo e definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto e o instrumento utilizado na coleta foi o aparelho de pressão da marca Littmann, seguindo o protocolo estabelecido naVII Diretriz Brasileira de Hipertensão. Resultados: A média da pressão arterial sistólica (PAS) em repouso foi 12,4 ± 1,7 mmHg, a média PAS pós exercício (PE) com 20 minutos de caminhada foi 15,0 ± 1,1 mmHg, a média da PAS PE com 40 minutos foi 12,7 ± 1,1 mmHg e a média da PAS PE com 60 minutos foi de 12,50 ± 0,9 mmHg. Em relação à média da PAD em repouso foi 7,9 ± 1,0 mmHg, a média da PAD PE com 20 minutos de caminhada foi 11,2 ± 0,7 mmHg, média da PAD PE com 40 minutos foi 8,8 ± 0,9 mmHg e média PAD PE com 60 minutos foi de 8,5 ± 0,8 mmHg, com nível de significância de P<0,05. Conclusão: Com base nos objetivos e resultados, conclui-se que este estudo demonstrou que uma única sessão de exercício físico contínuo reduz significativamente os níveis pressóricos durante o período de recuperação em indivíduos normotensos praticantes de caminhada.

Palavras-chave:Caminhada; Exercício; Hipotensão.

 

ABSTRACT

Objective: To analyze the hypotensive factor in walkers in the public squares of João Pessoa on pathological aggravations, such as chronic and degenerative diseases. Methods: The analysis of the sample was performed in 20 elderly individuals between 60 and 70 years of age who were daily female walkers being randomly selected. The research is experimental in that it essentially consists of determining an object of study, selecting the variables capable of influencing it and defining the ways of controlling and observing the effects that the variable produces on the object and the instrument used in the collection was the Littmann brand pressure device, following the protocol established in the VIII Brazilian Direction of Hypertension. Results: The mean SBP at rest was 12.4 ± 1.7 mmHg, mean SBP post-exercise (PE) with a 20-minute walk was 15.0 ± 1.1 mmHg, mean SBP PE at 40 minutes was 12.7 ± 1.1 mmHg and the mean of the PE PE at 60 minutes was 12.50 ± 0.9 mmHg. Regarding the mean resting DBP was 7.9 ± 1.0 mmHg, the mean PAD PE with a 20 minute walk was 11.2 ± 0.7 mmHg, mean PAD PE with 40 minutes was 8.8 ± 0.9 mmHg and mean PAD PE with 60 minutes was 8.5 ± 0.8 mmHg, with a significance level of P <0.05. Conclusion: Based on the objectives and results, we conclude that this study demonstrated that a single continuous exercise session significantly reduces blood pressure levels during the recovery period in normotensive individuals who practice walking.Keywords: Hypotension; Exercise; Walking

 

INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial aparece hoje como uma das principais doenças no mundo, onde o efeito hipertensivo pode ocasionar várias doenças graves (LESSA, 1998). Uma das doenças mais comum em idosos é a hipertensão arterial sistólica (HAS) que se caracteriza pelo aumento nocivo do fluxo sanguíneo que sai do coração através das artérias para o corpo, com prevalência de 60% a 80% nos indivíduos idosos.

A HAS segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010) é uma condição clínica multifatorial caracterizada pelos níveis elevados e sustentados da pressão arterial, questão diretamente ligados a alterações funcionais dos órgãos alvos (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e as alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais. Pessoas que não tem hábito alimentar apropriado e não praticam exercícios físicos são mais propícios a este problema. Fatores como inatividade física, estresse, dieta e doenças genéticas são apontados como os principais fatores de problemas cardiovasculares (POWERS; HOWLEY,2004).

Alguns estudos epidemiológicos demonstram os benefícios a segurança e o efeito protetor do trabalho de resistência anaeróbio sobre as diversas doenças crônicas-degenerativas sobre o sistema cardiovascular, quando envolve grupos especiais (GOTSHAL, 1999; LAUGLIN, 1999). Tais estudos preocupam-se em monitorar e analisar as principais adaptações provocadas por diversos tipos de treinamento sob o sistema cardiovascular.

A caminhada como exercício aeróbio é um dos exercícios físicos que possui maiores benefícios e qualidades devido a seu fator hipotensivo expressivo sobre a hipertensão arterial. Estudos feitos encontraram evidências sobre as reduções crônicas na pressão arterial (PA) provocadas por exercício físico acontecendo tanto em exercícios de caráter aeróbio como anaeróbio (CUNHA et al., 2012). Uma das principais respostas agudas ao exercício é a hipotensão pós exercício, caracterizada pelo fato da pressão arterial em repouso e após o exercício ser menor ou normal. Fatores como a intensidade do esforço e tempo de duração, como também os níveis iniciais da pressão arterial devem ser estudados para responder as dúvidas existentes sobre os benefícios da pratica de exercício físicos (CHINTANADILOK, LOWENTHAL, 2004).

A resposta do corpo a prática de exercícios físicos é notória quando observados os valores da pressão arterial mais baixos pós exercício, comparando com esta antes da prática da atividade, podendo manter-se por um período prolongado. Contudo alguns fatores influenciam naqueles que realizam a atividade, tais como intensidade do exercício e duração do mesmo. A hipotensão arterial pós exercício é mais evidente em exercícios aeróbios que anaeróbios e está também relacionada ao fato de que quanto maior a pressão arterial inicial maior será o fator hipotensivo (CUNHA et al., 2012).

O presente trabalho visou analisar o fator hipotensivo em praticantes de caminhada em uma praça pública de João Pessoa.

 

MÉTODOS

CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

A pesquisa é de caráter experimental em que consiste essencialmente em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis capazes de influenciá-lo e definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. Trata-se, portanto, de uma pesquisa em que o pesquisador é um agente ativo, e não um observador passivo (Gil, 2004).

 

UNIVERSO E AMOSTRA

O universo do presente estudo foi constituído por idosos praticantes de caminhada na Praça Emerson. A amostra será composta N=20 idosos com idades de 60 a 70 anos do gênero feminino escolhidas de forma aleatória e voluntária de acordo com os critérios de inclusão. Os sujeitos eram praticantes de caminhada e não possuíam doenças cardíacas, circulatórias e diabetes.

 

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Os voluntários foram esclarecidos sobre os procedimentos, objetivos e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. O estudo seguiu as normas para a realização de Pesquisas envolvendo Seres Humanos, atendendo os critérios da Bioética do Conselho Nacional de Saúde na sua Resolução 466/12 e com número do CAAE: 62949516.0.0000.5176.

As intervenções foram realizadas na Praça Emerson Lucena. Inicialmente, foi verificada a pressão arterial em repouso, logo após a caminhada de 40 minutos ininterruptos, foram realizadas as aferições da pressão arterial cada 20 minutos durante uma hora. Para realizar as coletas utilizamos para aferição da pressão arterial (PA) o aparelho de pressão da marca Littmann, seguindo o protocolo estabelecido na VII diretrizes brasileira de hipertensão, onde o aparelho é colocado no braço e insuflado até pressão máxima do indivíduo, após e esvaziado o ar até que se escute a primeira e segunda bulha cardíaca. Os resultados obtidos foram registrados em uma tabela para posterior análise.

 

TRATAMENTO ESTATÍSTICO

A normalidade das medidas foi avaliada através do teste de Shapiro-Wilk.Os dados foram analisados via One Way ANOVA. Quando houve diferença entre as variáveis foi realizado pós-teste de Tukey a significância de 5 % (p < 0,05) utilizando o pacote estatístico SigmaPlot (Systat Software Inc., San Jose, California, USA). Os resultados foram expressos como média e desvio-padrão.

 

RESULTADOS

O gráfico (Figura 1) mostra que a média da pressão arterial sistólica (PAS) em repouso foi 12,4 ± 1,7 mmHg, a média PAS pós exercício (PE) com 20 minutos de caminhada foi 15,0 ± 1,1 mmHg, a média da PAS PE com 40 minutos foi 12,7 ± 1,1 mmHg e a média da PAS PE com 60 minutos foi de 12,50 ± 0,9 mmHg. Em relação à média da PAD em repouso foi 7,9 ± 1,0 mmHg, a média da PAD PE com 20 minutos de caminhada foi 11,2 ± 0,7 mmHg, média da PAD PE com 40 minutos foi 8,8 ± 0,9 mmHg e média PAD PE com 60 minutos foi de 8,5 ± 0,8 mmHg.

Figura 1 – Pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) antes e pós exercício de 20 praticantes de caminhada em praça pública.

Legenda: Letras diferentes na mesma linha significa diferença estatística entre as médias de acordo com o pós-teste de Tukey (p<0,05). p.e. = pós-exercício.

Tabela 1 – Comparação da Pressão Arterial Diastólica (PAD) com Repouso, Pós exercício de 20, 40 e 60 minutos.

DISCUSSÃO

A média das pressões arteriais em repouso encontra-se dentro da normalidade (12.4 x 7.9mmHg) e próximo ao relatado por Santos (2014) que encontrou valores de pressões arteriais em repouso (13.0 x 7.7 mmHg) para 22 indivíduos de ambos os sexos praticantes de caminhada com faixa etária de 66 a 83 anos.

A hipotensão arterial após 60 minutos de exercício foi evidenciada quando a média da pressão arterial (12.5 x 8.5 mmHg) reduziu em relação à média após 20 minutos de exercício (15.0 x11.2 mmHg). Resultado similar foi encontrado por Corazza et al. (2003) que verificou a redução da pressão arterial em mulheres normotensas com idade entre 46 e 68 anos em uma única sessão de exercício físico com intensidade de 75% da frequência máxima.

Comparado com o estudo de Silva et al., (2015) que apresentou pressões arteriais sistólicas de 13.7mmHg e diastólicas de 8.4 mmHg houve uma semelhança nas médias. A hipotensão arterial tanto sistólica como diastólica não mostrou valores de diferença, fator esse que pode ser justificado pela adaptação fisiológica ao exercício com o sugere Brum et al., (2004).

Overton, Joyner e Tripton, (1988) realizando em animais de experimentação, também mostrou que a duração do exercício físico tem papel importante na resposta pressórica pós-exercício. Estudando ratos, observaram queda pressórica significantemente maior após 40min que após 20min de exercício físico na esteira, resultado corroborando com os do presente estudo.

Portanto, a presente investigação amplia esse conhecimento na medida em que verifica essa mesma relação no homem realizando o exercício físico contínuo, que é a forma de exercício normalmente empregada em programas de condicionamento físico voltados à melhora e manutenção da saúde. (Forjaz et al., 1998).

 

CONCLUSÃO

Com base nos objetivos e resultados, conclui-se que este estudo demonstrou que uma única sessão de exercício físico contínuo reduz significativamente os níveis pressóricos durante o período de recuperação em indivíduos normotensos praticantes de caminhada.

 

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CORRELATION BETWEEN STRENGTH AND BODY COMPOSITION IN ELDERLY

1Emily Karoline Bezerra Ribeiro

2Lenilson da Silva dos Santos

3Renata Gouveia Nunes

4Anderson Karlos de Luna Ramalho Santos

1,5Ramon Cunha Montenegro

 

1Laboratório de Cineantropometria e Desempenho Humano (LABOCINE)/Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, Brasil.

2,3,4Physical Evaluation Laboratory – LAF-UNIPÊ/SANNY

1,5Federal Institute of Education, Science and Technology of Paraiba – IFPB.

 

ABSTRACT

OBJECTIVE: Correlate the muscle strength of the upper limbs with the body composition in elderly practice of aerobics. METHODS: It is a question of the one research descriptive, correlation and cross-cut. Constitute to 30 elderly with age between 60 and 70 years of age. The test batch was composed to assessment of the maximum strength of the upper limbs and from the body composition. To Interpretation of the data was applied the statistic inferential with of the subgroups samples who were analyzed between of the correlation from the gripping palm strength by both hands with the body composition. The Analysis of the curve by dispersion identified who the date were no parametric per half by Shapiro Wilk test, with one p<0,05. This mode was utilized the test by Spearman test to verify the relation between the variable of the strength with the body composition. The procedure were executed with level by meaningfulness by p<0,05 with utilized the using from the package Package for the Social Science – SPSS®, version 14.0. RESULTS: The test by gripping palm revealed correlation significantly moderate between the variables mass lean skeletal, length and age. However, not there being correlation with the fat body. CONCLUSION: In conclusion, the strength of elderly women muscles who participated in aerobics shows a weak correlation among the age, the height and body mass. It has been disregarded with body fat mass and total lean body mass.

 

Keywords: Body Composition, Hand grip strength, Elderly woman.

RESUMO

OBJETIVO: Correlacionar à força muscular dos membros superiores com a composição corporal de idosas praticantes de ginástica aeróbica. METODOS: Trata-se de uma pesquisa descritiva, correlacional e transversal. Constituído por 30 idosas com faixa etária entre 60 e 70 anos de idade. A bateria de testes foi composta por avaliação da força máxima dos membros superiores e da composição corporal. Para interpretação dos dados foi aplicada a estatística inferencial com os subgrupos amostrais. A análise da curva de dispersão identificou que os dados foram não paramétricos por meio do teste de Shapiro Wilk, com um p<0,05. Desta forma foi utilizado o teste de correlação Spearman. Os procedimentos foram executados com nível de significância de p<0,05 com a utilização do pacote Statistical Package for the Social Science – SPSS®, Versão 14.0. RESULTADOS: O teste de Preensão Palmar revelou correlação significativa moderada entre as variáveis massa magra esquelética, estatura e idade. Não havendo correlação direta com a massa de gordura corporal. CONCLUSÃO: Conclui-se que a força muscular de idosas praticantes de ginástica aeróbica apresenta fraca correlação com a idade, estatura e massa corporal, sendo desprezível com a massa de gordura corporal e moderada com a massa magra total do corpo.

 

Palavras-chave: Composição Corporal, Preensão Palmar, Idosas.

 

INTRODUCTION

            The maximum strength of the human beings is reached around 30 years old and stays stable until the fifties. During aging, occurs the loss of strength and muscle mass due to sarcopenia, defined as the atrophy of type II muscle fibers, the fast-twitch fibers responsible for the strength.1,2

The decrease of muscle strength and power may influence the autonomy and quality of life of elderly, also it contributes on slowing down the loss of bone density, and in some cases the bone instability. In the beginning of menopause, 25% of women starts a 3 to 4% loss of bone density per year, causing the osteoporosis. However, not only these factors happen with the age advancing, the balance also affects the elderly, provoked by the somatosensorial, visual, vestibular systems and the erector.3,4,5

The main focus of the aerobic training prescription to elderly is the muscle mass increase as an effort against sarcopenia, improvement of the maximum VO2 and posture, reduction of fat percentage, flexibility gain and, consequently, better mobility of elderly practitioners of aerobic gymnastics.6 Elderly women practitioners of regular physical exercise can develop or stabilize the muscle mass, balance, strength, power, contraction speed of type I and II fibers, bone density and, thereafter, improvement of functional capacity. 7

Given the beneficial factors of the aerobic gymnastics on the life of the practitioners, this research aimed to correlate the hand grip strength in elderly women practitioners of aerobic gymnastics.

 

METHODS

            This is a descriptive, correlational and transversal study. The sample was composed by 30 elderly women practitioners of aerobic gymnastics from the city of Cabedelo – PB, aged between 60 and 80 years.8

The rules regarding researches with human beings were strictly followed, the study was approved by the ethics committee under the number CAAE 49897515.4.0000.5176, following the resolution 466/12 of the National Health Council and the Law 10741/2003 of the Elderly Statute.

To be included on the sample, the subjects should be aged 65,19 ±2,81 years; practice 1 hour of aerobic gymnastics three times a week for at least 3 months before the tests; do not have physical issues or not be taking medicine that could influence the tests. All the subjects agreed with the compromise terms of the research.

The battery of tests was composed by the evaluation of the upper limbs isometric strength and body composition. The upper limbs strength was assessed with a Dynamometer (Power Din. Pro® CEFISE Biotecnologia Esportiva). This instrument allowed to evaluate the hand grip maximum strength.

Height was assessed with a stadiometer (Standard Sanny® – ES 2030, with a range from 0.80 to 2.20 m). Resolution in millimeters and tolerance of + / – 2 mm in 2.20 m.

The body composition was evaluated by the InBody system 720 which uses bio impedance technology (BIA). The instrument analyzed the body composition through a very weak electric current that passed through the body of the elderly with a multifrequency segmental direct measurement method, using a tetrapolar electrodes with eight tactile points being two in each foot and two in each hand. The measurement of the impedance values of each body segment (right arm, left arm, trunk, right leg and left leg), used the following frequencies: 1KHz, 5 KHz, 50KHz, 250KHz, 500KHz and 1000KHz. Such instrument can be used in individuals with an age and body mass range from 6 to 99 years and 10 to 250Kg, respectively.7

Were analyzed data from body mass, muscle mass, free-fat mass, fat mass, height and age. Before the bio impedance test, the women went through the following procedures: four hours fasting prior to the test; use the bathroom before the test to reduce the volume of feces and urine; do not perform exercises before the test, stay in orthostatic position five minutes before the test; being barefoot to perform the test; using a lycra short with a small t-shirt.7

For data interpretation was used inferential statistics with the sample subgroups that were analyzed correlating hand grip strength of the right and left hand with the body composition of the elderly. The analysis of dispersion curve identified that the data were non-parametric on the Shapiro-Wilk test, p<0,05. Thus, was used the Spearman correlation test to identify relations between strength and body composition variables.8 The procedures were performed on the Statistical Package for the Social Science- SPSS® 14.0 with a significance level of p<0,05.

 

RESULTS

            Based on the table 1, was verified that 56.6% of the women had bigger hand grip strength on the left hand, 26.6% on the right and 10% in both hands. Given the results, was identified that the left hand was the dominant, presenting very strong tendentious correlational results with the referred hand RHHS (r = .919; sig = .000); LHHS (r = .1; sig = .000).

The study presented weak negative correlation between hand grip strength and age (r = -.035; sig = .108), moderate correlation with Height (r = .535; sig = .003) and weak with the body composition (r = .371; sig = .048).

On the table 2, there was negligible correlation between the hand grip strength and the fat mass (r = -.043; sig = .825), however there were positive and moderate correlations with the muscle mass (r = .596; sig = .001), free-fat mass (r = .605; sig = .001), right arm lean mass (r = .536; sig = .003), left arm lean mass (r = .527; sig = .003), trunk lean mass (r = .554; sig = .002), right leg lean mass (r = .607; sig = .000) and left leg lean mass (r = .631; sig = .000).

Table 1: Descriptive values and correlation between hand grip strength and age, Height and body mass of elderly women practitioners of aerobic gymnastics.

Table 2: Descriptive values and correlation between hand grip strength and body composition of elderly women practitioners of aerobic gymnastics.

DISCUSSION

            This study analyzed the hand grip strength of elderly women practitioners of aerobic gymnastics, which had values considered as “Good” for the left hand (LHHS = 22) according to Bohannon et al. (2006),10 and lower values for the right hand (RHHS = 21,5), but there is no reference. Even presenting reasonable strength, the elderly women from this study showed moderate correlation with the body composition.

Hand grip strength is being used by many authors as a way to calculate upper limbs strength. According Ache Dias (2010)11 and Macedo et al. (2014),12 hand grip strength is a simple clinical measurement to find small functional changes,9 being able to evaluate the total body strength (lower and upper limbs and trunk) and muscle power of the individual, because it is related with the incapacity and dependence of elderly people. The following studies indicate that elderly with low hand grip strength have gait problems, bigger risk of self-care capacity and smaller competence to perform the daily activities. 13,14,15,16

The study proved the negative correlation between age and hand grip strength, thus, older the individual, smaller is the strength. This is justifiable due to the fact that the loss of muscle mass and the increase of body fat are associated to the decrease of hormone levels and resting metabolic rate that diminish nearly 10% each decade, after 30 years old there is a 1% per year loss of the protein synthesis and metabolism.17 Hand grip strength showed weak significant correlation with the body mass index (weight in kilogram). The fall of the muscle strength is a result, mainly, of the substantial loss of muscle mass that follows the aging, or the decrease on the physical activity practice, that promotes the changing of muscle mass for subcutaneous fat. 12, 17, 19

Regarding Height, there were a moderate correlation with the hand grip strength, corroborating the study of Visnapeau and Jurimãe (2007)21 with handball and basketball athletes, where the weight and height were the most important data to precisely determine hand grip maximum strength and that the hand size has influence on grip strength, this fact is sustained by the study of Nicolay and Walker (2005),22 that found strong correlation between maximum hand grip strength and hand width and height. The study of Mendes, Azevedo and Amaral (2013)23 explains that the hand grip strength changes according to height, body mass index (BMI), physical activity level, job and cognitive state of the individual. One study with people with Down syndrome identified that, in women, bigger levels of strength is associated with longer longitudinal length of the hand. 24

According to the Brazilian Obesity Guidelines (2016), 25individuals who have BMI between 18,5-24,9 Kg/m² are considered eutrophic (healthy), while obese have BMI between 30-34,9 Kg/m². A study involving eutrophic, obese and overweight elderly women identified that bigger the BMI, waist circumference, and waist-height relation (waist/height = WHR), lower the strength levels, 26 corroborating with our study that found a negative correlation between body fat and strength in elderly women practitioners of aerobic gymnastics.

Tibana et al. (2012) 27 affirm that body fat is a risk factor to non-transmissible chronic diseases, this study analyzed the body adiposity index (BAI) ((waist circumference)/((height)1.5)-18)), visceral fat (VF) (VF=-130,941+(198,673xWHR)+(1,185xGJ)) and neck circumference (NC), correlated to the hand grip strength, pointing that women with neck circumference ≥35cm (Yang et al., 2010),28 showed bigger cardiovascular factors and significant lower levels of muscular strength when compared to women with NC<35cm. Also, they showed lower body mass, BMI, waist circumference, BAI and visceral fat volume (Tibana et al., 2012).27 Thus, how bigger the adiposity levels, bigger the cardiovascular risks and lower the levels of strength.

Regarding the muscle mass, this study presented moderate significant correlation with the hand grip strength, not only on upper limbs, but also trunk and lower limbs. Bedogni, et al. (2002)28 affirm that on their study, that verified the body composition with the InBody 3.0, that the body is best evaluated when divided into compartments (upper left and right limbs, trunk, and right and left lower limbs) because the human body is anisotropic (a characteristic that a substance possesses, where a certain physical property varies with the direction) then that as just one, as is commonly used in other studies. 27,28;29,30

A previous study reinforced the hypothesis that an elevated level of muscle mass, being responsible for most of the strength of the individual, is associated with a greater physical fitness and smaller potential of having metabolic issues. 27 The loss of muscle mass, known as sarcopenia, is associated to strength and autonomy loss and, consequently, bigger rates of fall and fractures between elderly. 19,30,1,10

 

CONCLUSION

            It is concluded that the muscular strength of elderly women practitioners of aerobic gymnastics has weak correlation with age, height and body mass, negligible with fat mass and moderate of total body lean mass.

Such study can contribute to new ones that aim to assess elderly, active and sedentary, functional capacity and to those which may use it as a reference to future researches with a bigger sample.

 

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THE PRACTICE OF THE BELLY DANCE AND IT’S INFLUENCE ON THE STRENGTHENING OF THE PELVIC FLOOR MUSCLE

Kelly Patrícia Slaviero

Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Campus Erechim, RS.

 

Resumo

Por volta de 7.000 anos antes de Cristo na região leste do Egito, surgia uma dança que encantaria o mundo por sua beleza e magia. Mal sabiam as praticantes daquela época os benefícios que esta prática proporciona, como a melhora do condicionamento físico, fortalecimento muscular, e a diminuição de desconfortos que se dão ao longo da vida da mulher. O objetivo deste estudo foi verificar a mudança de força do assoalho pélvico através da Dança do Ventre. A amostra foi composta por 13 mulheres, com idade média de 27,15 (± 4,43) anos entre 18 e 40 anos, residentes no município de Erechim RS, que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O método utilizado para a avaliação foi o exame de toque que consistiu em verificar o grau de contração e o tempo de permanência desta contração, pré e pós intervenção. Constou de 2 aulas por semana, com duração de uma 1 hora e 30 minutos, por um período de 2 meses, totalizando 17 aulas. Na mensuração dos dados sobre o fortalecimento da musculatura pélvica, observaram-se mudanças positivas estatisticamente significativas.

Palavras-chave: Dança do ventre; Assoalho pélvico; Ciências da saúde; Saúde feminina; Atividade física; Pompoarismo.

 

Abstract

Around 7,000 years before Christ in the eastern region of Egypt, rise a dance that would enchant the world for the beauty and magic. The practitioners had no idea about the benefits, such as improved physical fitness, muscle strengthening, and a decrease in discomforts that occur throughout a woman’s life. The objective of this study was to verify the changes the strength of the pelvic floor through the Belly Dance. The sample has consisted of 13 women, mean age of 27.15 (± 4.43) years between 18 and 40 years old, living in the municipality of Erechim RS, who agreed to a Free and Informed Consent Term. The method used for an evaluation for the touch examination consisted in verifying the degree of contraction and the time of permanence of this contraction, pre and post intervention. It consisted of 2 classes per week, lasting 1 hour and 30 minutes, for a period of 2 months, totaling 17 classes. In the measurement of data on pelvic muscle strengthening, were observed statistically significant positive changes.

Key words: Belly dance; Pelvic floor; Health’s cience; Women’s healyh; Physical exercise; Pompoarism.

 

Introdução

De acordo com Garcia e Haas (2003): “Desde que existe o homem, existe a dança” (p.65). A expressão corporal aconteceu antes mesmo da fala e da escrita, por isso, acredita-se que a maneira de comunicação era através de movimentos que expressavam situações e sentimentos. Por meios de estudos de arqueólogos, através de pinturas rupestres em paredes de cavernas, pode-se crer que a dança na era primitiva era praticada a fim de celebrar a vida, a saúde, a fertilidade, e também o divertimento. Movimentos amplos, como saltos e giros eram característicos de homens, enquanto as mulheres mantinham movimentos pequenos, sempre em contato com o solo (GARCIA; HAAS, 2003). Assim, tais movimentos retratam a fragilidade e submissão da mulher, que desde este tempo, já era possível observar nas danças femininas, como é o caso da Dança do Ventre.

Não há evidências concretas sobre a questão de quando e onde a Dança do Ventre surgiu, assim como as mudanças pelas quais passou pois esta dança faz parte de uma tradição cultural, transmitida por gerações, porém não documentada (LEITE, 2002 apud PEREIRA; HUNGER; SOUZA NETO, 2006). Acredita-se ter surgido em templos, durante festas religiosas, por volta de 7000 anos a.C. no leste do Egito, como um ritual feito à Deusa-Mãe (conhecida como Gaia pelos gregos, e Nut, Ísis ou Hátor pelos egípcios), por meio das sacerdotisas ˗˗ matriarcas que eram mulheres muito respeitadas naquela localidade ˗˗ o que leva a crer que por este motivo, os homens eram excluídos dos cerimoniais (KAHA, 2011a).

Kaha (2011a) conta que movimentos como tremidos, ondulações abdominais e outros realizados no solo eram inspirados em movimentos advindos do trabalho e do parto e que inicialmente seria parte de cerimônias religiosas, mas que com todas as mudanças ocorridas, deixou este caráter para tornar-se uma modalidade de entretenimento e fins terapêuticos: “[…] os músculos abdominais dessas mulheres estariam fortalecidos e bem preparados para o parto, […]” (p. 52).

Como anteriormente citado, pode-se associar os movimentos da Dança do Ventre com o fortalecimento da região abdominal, e consequentemente, da região uterina. Estas ondulações atuam na regulação de hormônios do aparelho reprodutivo aliviando as dores e o desconforto causado pelas cólicas menstruais. Este desconforto se dá por contrações musculares, causadas pelo aumento de uma substância chamada de prostaglandina. Quando a taxa desta substância aumenta, aumenta também a concentração de cálcio dentro da musculatura do útero e estas contrações dificultam a circulação sanguínea e ocorre também, e má oxigenação do mesmo devido ao aumento de vasopressina (KAHA, 2011b).

De acordo com estudos de Abrão e Pedrão (2005), não somente os exercícios de ondulações e alongamento dos músculos abdominais, mas também como os glúteos e músculos adutores, entram em ação no momento da prática desta dança e contribuem para o aumento da flexibilidade dos músculos das mulheres, o que promove diversos benefícios. Também, movimentos circulares e ondulados, dos braços e das mãos com contrações e relaxamentos musculares, quando realizados com o auxílio de músicas de ritmos lentos e suaves, podem diminuir a pressão sanguínea e o ritmo da respiração, e também, trabalha como um massageador dos órgãos femininos. Os exercícios possibilitam o relaxamento do corpo, proporcionando sensação de bem-estar, o que sugere associação com a liberação de serotonina. Outro fato que pode estar associado à prática de Dança do Ventre, mas ainda sem comprovação científica, é que esse tipo de dança está ligado ao sistema imunológico.

Muitas são as teorias sobre as mudanças ocorridas com a prática da dança do ventre. Nesse âmbito é possível questionar: um programa de Dança do Ventre pode contribuir para a melhora da força da musculatura do assoalho pélvico de mulheres não praticantes de exercício físico regular? Levando em consideração que toda prática corporal contribui com novos estímulos e a geração de memória e reconhecimento muscular, uma das hipóteses é de que mulheres não praticantes de exercício físico regular ao serem submetidas a um programa de Dança do Ventre possam apresentar melhora da força da musculatura do assoalho pélvico. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo verificar e avaliar a força da musculatura do assoalho pélvico, antes e após um programa de Dança do Ventre, em mulheres não praticantes de exercício físico regular.

 

Materiais e métodos

A estratégia metodológica utilizada é o estudo quase experimental de caráter quantitativo e longitudinal. A população foi de mulheres adultas com idade entre 18 e 40 anos, não praticantes de exercício regular, com uma amostra de 13 participantes com média de idade de 27,15 (± 4,43) anos. Foram incluídas mulheres que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Neste momento foi realizada uma apresentação, onde foram mostrados alguns vídeos de dança do ventre e do trabalho da instrutora. Após, foram explanados os seguintes itens: história da dança do ventre; justificativa para o nome; aspectos religiosos, festivos e artísticos; as ghawazee e a vulgaridade; história da dança do ventre no Brasil; benefícios físicos e psicológicos; estilos; e folclore.

A avaliação da musculatura do assoalho pélvico foi realizada por profissional da fisioterapia, mediante os seguintes métodos, conforme revisão de Nascimento (2009):

De acordo com as técnicas de avaliação de Ortiz, Nuñes e Ibañes (1994 apud NASCIMENTO, 2009) o método de visualização e palpação vaginal é fácil e preciso, e consiste em verificar a existência ou não de uma contração voluntária do assoalho pélvico após comando verbal, observando a contração do períneo para dentro durante a contração ou mediante exame de toque. A visualização e palpação devem se encaixar numa escala de 0 a 5, para classificação funcional da musculatura: Grau 0 – sem contração perineal visível, nem à palpação (ausência de contração); Grau 1 – sem contração perineal visível, contração reconhecível somente à palpação; Grau 2 – contração perineal fraca, contração fraca à palpação; Grau 3 – contração perineal presente e resistência não opositora à palpação; Grau 4 – contração perineal presente e resistência opositora não mantida mais do que cinco segundos à palpação; e Grau 5 – contração perineal presente e resistência opositora mantida mais do que cinco segundos à palpação. A avaliada deve estar em postura ginecológica, sem roupas da cintura para baixo, e a pessoa que examina deve introduzir os dedos indicador e médio no introito vaginal. Esta técnica é bastante utilizada devido à simplicidade e rapidez. Durante a realização desta avaliação, foi mensurada a força e o tempo de manutenção da contração. O teste foi realizado previamente ao programa de Dança do Ventre e reaplicado no final.

As participantes foram submetidas ao programa de Dança do Ventre, que constou de 2 aulas por semana, com duração de uma 1 hora e 30 minutos, por um período de 2 meses, totalizando 17 aulas. As aulas foram periodizadas em 3 Mesociclos, de 3 semanas cada um. As aulas tiveram todas, a mesma estrutura, sendo esta: início da aula, aquecimento e alongamento em média 10 minutos; desenvolvimento, com movimentos específicos de dança do ventre, trabalhando a região do quadril, região abdominal e membros inferiores, em média 60 minutos; exercícios de alongamento, em média 10 minutos; volta à calma, deitadas, sentadas, ou em pé, em média 5 minutos. Em todos os momentos, foram utilizadas músicas árabes, exceto no momento da explicação.  Em relação aos Mesociclos, o Meso I teve ênfase em movimentos de quadril, o Meso II, incluiu-se movimentos abdominais, e o Meso III além de movimentos de quadril e abdômen, foram incluídos exercícios de alongamento.

Como método estatístico, foi utilizado o teste t-student (com p<0,05). Os dados foram tabulados e os resultados analisados utilizando-se o programa BioEstat 5.0.

Este projeto de pesquisa está de acordo com as diretrizes da Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões URI – Erechim, e foi aprovado sob o número 09738912.0.000.5351.

 

Resultados e discussão

A força do assoalho pélvico foi avaliada conforme o grau de contração e o tempo de permanência desta contração. Na Figura 1 encontram-se os valores pré e pós-intervenção do grau de força muscular das participantes, onde a média inicial foi de 2,54 (±0,66) e após passou para 3,15 (±0,55), com significância de 0,0026. Já o tempo de permanência de contração está representado na Figura 2 onde a média inicial foi de 3,69 (±0,95) segundos e após passou para 5,77 (±1,16) segundos, onde p<0,0001.

Figura 1: Representação do grau de força no período avaliado, onde o eixo das ordenadas corresponde as participantes e o eixo das abscissas corresponde à força.

Figura 2: Representação do tempo de manutenção da contração muscular no período avaliado, onde o eixo das ordenadas corresponde as participantes e o eixo das abscissas corresponde ao tempo em segundos.

Observa-se que em relação a grau de força das participantes, 7 obtiveram melhora, 6 mantiveram e nenhuma diminuiu o que pode sugerir que o programa foi benéfico para este o avaliado. Sobre a mensuração do tempo, pôde-se constatar que 100% das participantes obtiveram melhoras.

Neste contexto podemos observar a média, antes a após o programa de dança do ventre (Tabela 1).

Tabela 1 – Média, desvio padrão e significância da contração do assoalho pélvico.

O trabalho de manutenção ou aumento da força do assoalho pélvico se faz importante por vários motivos, e como comentam Guarda, Gariba e Nohama (2007 apud BERQUÓ; RIBEIRO; AMARAL, 2009) e Camargo et al., (2005 apud OLIVEIRA et al., 2007), as principais mudanças ocorrem na manutenção da continência urinária, ao aumento da pressão vaginal durante a contração voluntária do períneo e ganho de prazer sexual.

A dança do ventre deve da mesma forma que outras áreas, informar, educar ou reeducar e melhorar o funcionamento do assoalho pélvico, que em concordância com Souza (2002), Rett et al. (2007) apud Berquó, Ribeiro e Amaral (2009, p. 387) cita: “Os objetivos […] são informar, educar ou reeducar, melhorar a percepção da musculatura do assoalho pélvico (MAP), melhorar a força de contração das fibras musculares da MAP e estimular bons hábitos de vida, como a prática de atividade física. Tudo isso pode ajudar a fortalecer os músculos necessários para manter a continência urinária e a organizar a ação do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático nas contrações involuntárias do músculo detrusor.”

Inicialmente, poucas das participantes relataram importância com a força do assoalho pélvico, e nenhuma delas havia feito este teste anteriormente. Nas primeiras aulas, o cuidado e a explicação foram fundamentais para que a contração ocorresse de forma correta e precisa. No mesmo momento foi explicado que nenhuma das participantes deveria estar fazendo prática de outras atividades para que não influenciasse nos resultados, uma vez que, como comprova Pedrotti, Freitas e Wuo (2010) a contração dos músculos abdominais aumenta a atividade dos músculos do assoalho pélvico.

Com este entendimento, foi possível observar as grandes diferenças antes e após o programa de Dança do Ventre, pois os exercícios melhoram o controle esfincteriano, aumentam o recrutamento das fibras musculares tipo I e II e o estímulo da funcionalidade inconsciente de contração simultânea, o que aumenta o suporte das estruturas pélvicas e abdominais prevenindo futuras distopias genitais (MORENO, 2004; HAY-SMITH, DUMOULIN, 2007 apud BERQUÓ; RIBEIRO; AMARAL, 2009).

Os exercícios de contração do assoalho pélvico são benéficos para a percepção e consciência corporal da região pélvica, sendo estas de grande importância principalmente para quem pratica Dança do Ventre, aumento da vascularização de órgãos e músculos da região pélvica, aumento do tônus deste local, entre outros, e mantendo-o fortalecido, é possível evitar uma série de problemas, sendo que entre os mais comuns, a incontinência urinaria é a que lidera, principalmente em períodos mais avançados da vida (PETRICELLI, 2003).

Moen et al. (2009 apud FITZ et al., 2012) comprovam que a prática de exercícios para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico são eficazes, podendo ter mudanças até mesmo em um curto espaço de tempo. No estudo mencionado, foi possível comprovar que em apenas 3 meses, as pacientes tiveram aumento da força de 2 para 3, e em relação ao tempo de contração, aumentou de 3 segundos para 6,6.

 

Considerações Finais

As participantes obtiveram mudança significativa constatada quanto à força da musculatura do assoalho pélvico, tanto no grau de contração e tempo de manutenção desta contração. Após a realização percebe-se que a Dança do Ventre beneficiou estas participantes principalmente no que diz respeito a sexualidade e força da musculatura do assoalho pélvico o que demonstra que esta modalidade pode beneficiar as praticantes em muitos aspectos e não apenas na satisfação em realizar a dança.

 

 

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