AVALIAÇÃO DA FLEXIBILIDADE DA CADEIA POSTERIOR PRÉ E PÓS MANIPULAÇÃO GLOBAL DE PELVE EM DISFUNÇÕES ILIOSACRAS DE MULHERES COM LOMBALGIA CRÔNICA

José Fernando Baumgartner Maciel

Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Cascavel – PR, Brasil.

Roberto Luiz Werlang Roncato

Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Cascavel – PR, Brasil.

Rodrigo Poderoso de Souza

Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR) Cascavel – PR, Brasil.

 

Resumo: A dor lombar afeta 70-80% da população adulta em algum momento da vida, sendo considerada uma das alterações musculoesqueléticas mais comuns na sociedade atual. A lombalgia crônica é definida como dor persistente na região lombar por mais de três meses. Verificar se a manipulação global de pelve em disfunções iliossacras melhora a flexibilidade de mulheres com lombalgia crônica. Este estudo foi caracterizado como um ensaio clínico transversal não controlado com avaliador independente, composto por 21 mulheres com lombalgia crônica. Na primeira etapa da pesquisa as voluntárias responderam o questionário com seus dados pessoais para identificação de fatores de risco. A segunda etapa foi composta pela fleximetria da coluna lombar, teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril e teste de sentar e alcançar. Na terceira etapa foi realizada a manipulação global da pelve, após isso todos os testes foram reavaliados. A análise estatística deu-se por meio do teste Shapiro Wilk e o Teste t Student pareado, com significância de p<0,05. Nos resultados do inclinômetro, houve significância (p=0,0483) com um aumento médio de 3,24º na inclinação de tronco, no teste de encurtamento, o resultado foi significativo para o MID com um p=0,0034, e aumento médio de 4,19º, já para o MIE o aumento médio de 2,71º não foi significativo, o teste de sentar e alcançar apresentou p=0,0001, com um aumento médio de 1,95 cm de alcance. A manipulação global da pelve é eficaz na melhora da flexibilidade da cadeia posterior de mulheres com lombalgia crônica.

Palavras – chave: Dor lombar; Flexibilidade; Manipulação osteopática.

Abstract: Lower back pain affects 70-80% of adult population at some point in life, and it is considered one of the most common musculoskeletal disorders in actual society. Chronic low back pain is defined as persistent pain in the lower back for over three months. To determinate whether the overall handling of pelvis dysfunctions iliosacras improves flexibility of women with chronic low back pain. This study was characterized as clinical cross uncontrolled independent appraiser, composed of 21 women with chronic low back pain. In the first stage of the research volunteers answered a questionnaire with personal informations to identify unique factors. The second stage was composed by a lumbar spine fleximetry test, a shortening test of the hip’s extensor muscles also sit and reach test. In the third stage was held global manipulation of the pelvis, after all, those tests were reassessed. Statistical analysis was performed by using the Shapiro Wilk and test t Student paired with a significance level of p <0.05. Results of the inclinometer data showed significant (p=0.0483) with an average increase of 3.24° in the inclination of the trunk, shortening the test, the result was significant for the MID with a p=0.0034, and an average increase of 4.19º, since the MIE to the average increase of 2.71° was not significant, the sit and reach test showed p=0.0001, with an average increase of 1.95 cm range. The global manipulation of the pelvis is effective in improving the flexibility of the posterior chain of women with chronic low back pain.

Key-words: Low back pain; Flexibility; Osteopathic manipulation.

INTRODUÇÃO

A dor lombar afeta 70 a 80% da população adulta em algum momento da vida, mais frequentemente na sua fase economicamente ativa, sendo considerada uma das alterações musculoesqueléticas mais comuns na sociedade atual, se mostrando assim uma das principais razões para aposentadoria por incapacidade total ou parcial (ANDRADE; ARAÚJO; VILAR, 2005). Segundo Licciardone et al (2013), a lombalgia crônica é definida como dor persistente na região lombar por mais de três meses. A dor lombar crônica pode ser causada por doenças inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, defeitos congênitos, debilidade muscular, predisposição reumática, sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais entre outras. Entretanto, frequentemente a dor lombar crônica ocorre devido a um conjunto de causas, como por exemplo, fatores sócio-demográficos (idade, sexo, renda e escolaridade), comportamentais (fumo e baixa atividade física), exposições ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho físico pesado, vibração, posição viciosa, movimentos repetitivos) e outros (obesidade, morbidades psicológicas) (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). Segundo Riberto et al (2011), cerca de 10% das pessoas apresentam lombalgia crônica. Maneck e MacGregor (2005) afirmam que essa forma da dor é a mais incapacitante devido aos impedimentos físicos e efeitos psicológicos causados pela mesma.

A coluna vertebral forma o eixo ósseo do corpo e está constituída de modo a oferecer resistência, mas também flexibilidade necessária à movimentação do tronco, permitindo movimentos entre as diversas partes do tronco, e dando fixação a numerosos músculos (DANGELLO; FATTINI, 2007). A região lombar faz parte do complexo lombopélvico, descrito na literatura como “centro”, uma denominação devida ao fato de que é nessa região que o centro de gravidade está posicionado, e onde a maioria dos movimentos é iniciada (REINEHR; CARPES; MOTA, 2008).

Segundo Briganó e Macedo (2005), a mobilidade lombar é menor em pacientes que apresentam lombalgia, se comparados com indivíduos saudáveis. Konin (2006) relata que a mobilidade lombar também diminui à medida que o indivíduo envelhece. Emiliani Junior e Tanaka (2002) afirmam que a perda da mobilidade lombar e pélvica estão frequentemente associadas ao quadro de lombalgia.

Segundo Ignachewski et al (2010), pode-se definir flexibilidade como sendo a capacidade de uma articulação se mover por uma grande amplitude de movimento, ela é considerada relevante para a execução de movimentos simples ou complexos, para o desempenho desportivo, para a manutenção da saúde e para a preservação da qualidade de vida.

Macedo e Briganó (2009) referem-se ao tratamento da lombalgia como complexo e minucioso, quando comparado à maioria dos tratamentos, e apontam a fisioterapia como um recurso essencial para a reabilitação do paciente. Observam-se recursos variados capazes de permitir intervenção direta sobre a dor, incapacidade e qualidade de vida. Entre as técnicas de intervenção estão terapia manual, cinesioterapia, eletrotermoterapia, fisioterapia aquática, reeducação postural, manipulação osteopática, acupuntura.

A forma mais comum da manipulação espinhal é um impulso de alta velocidade e baixa amplitude, conhecido como thrust. A manipulação espinhal por sua própria natureza é uma forma mecânica para chegar aos tecidos da coluna vertebral (PICKAR, 2002). Segundo Giles e Muller (1999), a manipulação espinhal tem como alguns de seus objetivos o tratamento de pacientes com dor cervical, lombar ou pélvica, sendo um procedimento terapêutico utilizado frequentemente por fisioterapeutas especializados em Osteopatia. Citam também que a manipulação espinhal em alguns trabalhos tem maiores resultados nas síndromes dolorosas crônicas da coluna, que os da acupuntura e tratamentos medicamentosos. E que, portanto a terapia manual tem como objetivo promover o retorno à função normal dos pacientes por meio de técnicas com as mãos, sobre o corpo do mesmo.

Como a perda de mobilidade esta relacionada com o quadro de dor lombar crônica, este trabalho busca encontrar um método que ajude a aumentar a flexibilidade destes indivíduos, assim o objetivo foi verificar se a manipulação global de pelve em disfunções iliosacras aumenta a flexibilidade de mulheres com lombalgia crônica.

METODOLOGIA

Este estudo foi caracterizado como um ensaio clínico transversal, não controlado, com avaliador independente. A presente pesquisa contempla os critérios éticos para pesquisa com seres humanos atendendo aos requisitos fundamentais da Resolução 196/6 com parecer de aprovação No. 004/2011-CEP (ANEXO I), de 23 de fevereiro de 2012, com período de vigência até novembro de 2013 (ANEXO II). A população escolhida para este estudo foi de indivíduos com lombalgia crônica. A amostra foi composta por 21 indivíduos, do sexo feminino, com idade entre 18 e 30 anos, que apresentam dor lombar por mais de 3 meses, de forma ininterrupta, aumentando aos esforços, caracterizando assim dor lombar de causa mecânica. Foram incluídos no estudo indivíduos que apresentaram dor lombar por mais de 3 meses sem irradiação para membros inferiores (MMII), com idade compatível com o estudo e presença de disfunção biomecânica na articulação iliosacra.

Critérios de não inclusão e exclusão

Ser hiper móvel; discrepância de MMII; histórico de traumatismo craniano; lesões osteomusculares em outras articulações há menos de 6 meses; doenças reumáticas clinicamente diagnosticadas; história de cirurgia no tronco e membros inferiores; amputação parcial ou total de membros; gravidez; presença de déficits neurológicos.

Procedimentos metodológicos

Este estudo foi desenvolvido no Centro de Reabilitação Física (CRF) do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste, no Laboratório de Recurso Terapêuticos Manuais em Ortopedia, no período de julho a novembro de 2013.

Após o convite e o esclarecimento acerca dos objetivos e procedimentos do estudo, as voluntárias responderam um questionário com os dados pessoais para identificação de possíveis fatores exclusivos. Para caracterizar dor lombar crônica, a paciente teria que apresentar dores lombares com mais de 3 meses de duração. Após serem incluídas no estudo, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido no. 004/2011-CEP.

As avaliações foram realizadas por avaliadores independentes: Fleximetria da coluna lombar, teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril e teste de sentar e alcançar.

A fleximetria da coluna lombar foi obtida com o paciente em ortostatismo, realizando uma flexão de tronco, o inclinômetro manual foi posicionado em L1 (vértebra lombar), isolando assim a coluna lombar (Figura 1).

Figura 1 – Fleximetria da coluna lombar

Na sequência foi realizado o teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril, segundo Joshua (2006), o qual afirma que o teste apresenta uma confiabilidade intra-examinador com CCI de 0.87, e foi realizado com o paciente em decúbito dorsal. O examinador palpou a espinha ilíaca póstero-superior (EIPS) ipsilateral ao mesmo tempo em que realizou uma flexão passiva do quadril, quando a EIPS se moveu posteriormente, o movimento foi interrompido e realizada a mensuração, colocando-se o inclinômetro manual acima da patela. O teste foi realizado em ambos os MMII (Figura 2).

Figura 2 – Teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril

Após a realização destes testes foi verificada a medida da flexibilidade da cadeia posterior por meio do teste de sentar e alcançar (Banco de Wells), no qual o avaliado estava descalço e assumiu a posição sentada, de frente para o aparelho, com os pés embaixo da caixa, joelhos completamente estendidos e com os pés encostados contra a caixa. O avaliador apoiou os joelhos do avaliado na tentativa de assegurar que permanecessem estendidos durante o movimento. Os braços estavam estendidos sobre a superfície da caixa, com as mãos colocadas uma sobre a outra. Para a realização do teste, o avaliado, com as mãos voltadas para baixo e em contato com a caixa, estendeu a frente ao longo da escala de medida, procurando alcançar a maior distância possível, com movimento lento e sem solavancos. Foram realizadas três tentativas, em que para cada uma delas a distância foi mantida por aproximadamente um segundo, sendo considerado o melhor valor alcançado (POLLOCK; WILMORE, 1993), conforme Figura 3.

Figura 3 – Teste de sentar e alcançar

Na sequência, para verificar se existe disfunção e qual é o lado da lesão foi realizado o teste de Gillet, que segundo Ricard (1998), é realizado com o paciente em pé, de frente a uma parede sobre a qual repousa as mãos. O terapeuta coloca seus polegares, um sobre a EIPS de um lado e o outro sobre a base sacra do mesmo lado. Continuando, pede-se ao paciente que flexione seu quadril e seu joelho até 120°. Se o polegar ilíaco não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado do ilíaco, é que existe uma fixação do ílio. Se o polegar sacro não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado oposto, é que existe uma fixação da base do sacro Figura 4 e 5).

 

Figura 4 – Teste de Gillet (posição inicial)

 

Figura 5 – Teste de Gillet (posição final)

Após esta etapa foi realizada a manipulação global de pelve, como descrita por Ricard (1998), sendo indicada para liberar ao mesmo tempo a faceta lombo-sacra, pólo inferior e superior da articulação iliosacra, com o objetivo principal de se aumentar o jogo articular. O paciente se posiciona em decúbito lateral, direito ou esquerdo, dependendo do lado da lesão, o qual fica para cima. O terapeuta posiciona a mão do paciente sobre o músculo peitoral em leve rotação de tronco, leva o membro inferior que está para cima em flexão até o nível da articulação iliosacra (EIPS). Em seguida o terapeuta posiciona seu joelho sobre o joelho do paciente para realizar o kick (movimento em direção ao solo, realizado com extensão do joelho do terapeuta). O antebraço caudal do terapeuta se posiciona sobre a articulação iliosacra, seguindo a forma da crista ilíaca, o braço cefálico do terapeuta repousa sobre o peitoral e aumenta a rotação do tronco do paciente até o nível de L5 (vértebra lombar). Em um segundo momento o braço do terapeuta que repousa sobre a articulação iliosacra é tracionado para cima e para o corpo do terapeuta. Mantendo essas três reduções o terapeuta realiza o movimento de kick para abrir a articulação iliosacra de maneira simultânea nas três direções (Figura 6). Nos casos em que a primeira tentativa de correção não foi eficaz, uma nova manipulação foi efetuada.

Imediatamente após a manipulação todos os testes foram reavaliados.

Figura 6 – Manipulação global de pelve

Análise estatística

Avaliou-se a distribuição de normalidade das variáveis numéricas utilizando-se o teste de Shapiro-Wilk pelo Software SPSS 15.0. Depois foi aplicado o Teste t Student pareado com significância de p<0,05, pelo mesmo software.

RESULTADOS

Os dados referentes à idade, peso e altura das voluntárias podem ser visualizados na tabela 1.

TABELA 1Estatística descritiva para as variáveis idade, peso e altura.

Idade(anos) Peso(Kg) Altura(cm) Sexo Feminino (n)
Média 21,48±2,38 60,24±6,97 1,66±0,06 21

Referente aos resultados do inclinômetro, apresentaram significância (p=0,0483) com um aumento médio de 3,24º na inclinação de tronco (Figura 7).

Figura 7 – Fleximetria da coluna lombar

*houve significância

Com relação ao teste de encurtamento, o resultado foi significativo para o MID com um p=0,0034, e aumento médio de 4,19º (Figura 8), já para o MIE o aumento médio de 2,71º não foi significativo (Figura 9).

Figura 8 – Teste de encurtamento MID

Figura 9 – Teste de encurtamento MIE

*houve significância

Os resultados do teste de sentar e alcançar (Banco de Wells) foram significativos (p=0,0001), com um aumento médio de 1,95 cm de alcance (Figura 10).

Figura 10 – Banco de Wells

*houve significância

Em todos os testes foi observada uma distribuição normal dos valores encontrados tanto no pré como no pós manipulação pelo teste de Shapiro-wilk.

DISCUSSÃO

Os resultados do presente estudo relacionados ao Banco de Wells, teste de encurtamento do membro inferior direito e fleximetria da coluna lombar se mostraram significativos, comparando o pré com o pós manipulação. Indo ao encontro do que dizem Zatarin e Bortolazzo (2012), que avaliaram 21 mulheres assintomáticas, sendo 11 no grupo experimental (GE) e 10 no grupo controle (GC), as quais também foram submetidas à manipulação global da pelve, apresentando um resultado significativo para o aumento da flexibilidade da cadeia posterior avaliada pelo Banco de Wells e teste de elevação do membro inferior estendido. Com isso se pode perceber que a melhora é encontrada não apenas em indivíduos com lombalgia, mas também naqueles sem sintomas relacionados.

Segundo Macêdo et al (2008), os quais avaliaram 64 pacientes de ambos os sexos, também houve aumento significativo da flexibilidade da cadeia posterior após intervenção com manipulação articular.

Estudos como de Lampe (2005) e Fox (2006) também mostram que existe um aumento da extensibilidade dos isquiotibiais pós intervenção manipulativa, os quais em seus trabalhos associaram a técnica de manipulação com técnicas de energia muscular para isquiotibiais e alongamento ativo para isquiotibiais, respectivamente, observando que os grupos que receberam a técnica manipulativa obtiveram um maior aumento da extensibilidade comparados com os grupos que receberam as técnicas acima citadas isoladamente.

No estudo de Faitão e Fernandes (2011), também foram evidenciados resultados positivos no aumento da flexibilidade da coluna lombar após manipulação articular, os quais avaliaram 20 indivíduos com lombalgia crônica, divididos em dois grupos, 10 no grupo placebo e 10 no grupo experimental, avaliados pelo índice de Schober.

A melhora na flexibilidade pode estar relacionada aos efeitos neurofisiológicos da manipulação articular, que ocasionam a diminuição da atividade do motoneurônio alfa no metâmero correspondente ao local da aplicação da manipulação articular. Esse impulso, segundo Ricard (2005), gera também um estiramento da cápsula articular e dos músculos monoarticulares, com objetivo de liberar aderências articulares e restaurar a amplitude de movimento articular fisiológica, havendo uma inibição da musculatura monoarticular por via reflexa, que contribui para a restauração do movimento, já que estes músculos também são responsáveis por manter a articulação em disfunção.

Sugere-se para estudos futuros utilizar um grupo controle, também utilizar um grupo no qual só realiza o posicionamento da manipulação, sem realizar o thurst, para assim minimizar a chance do aumento ocorrer por aprendizado e também confirmar que é a manipulação que ocasionou o aumento.

CONCLUSÃO

Pode-se concluir com este estudo que a manipulação global da pelve é eficaz no aumento da flexibilidade da cadeia posterior de mulheres com lombalgia crônica.

REFERÊNCIAS

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BRIGANÓ, J. U.; MACEDO, C. S. G. Análise da mobilidade lombar e influência da terapia manual e cinesioterapia na lombalgia. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 26, n. 2, p. 75-82, 2005.

DANGELO, J.G; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 2 ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2007.

EMILIANI JUNIOR, W. R.; TANAKA, C. Postura, flexibilidade da coluna e capacidade funcional em pacientes portadores de lombalgia crônica – Avaliação. Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo, v. 9, n. 2, p. 85, 2002.

FAITÃO, C. A.; FERNANDES, W. V. B. Manipulação vertebral de alta velocidade em profissionais de enfermagem portadores de dor lombar crônica. Revista Terapia Manual. v. 9, n. 44, p. 393-397, 2011.

FOX, M. Effect on hamstring flexibility of hamstring stretching compared to hamstring stretching and sacroiliac joint manipulation. Clinical Chriropratic. v. 9, n. 1, p. 21-32, 2006.

GILES, L; MULLER G. Chronic spinal pain syndromes: a clinical pilot trial comparing acupuncture, a nonsteroidal anti-inflammatory drug, and spinal manipulation. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, v. 22, n. 6, p. 376-381, 1999.

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JOSHUA, C. Netter – Exame clínico ortopédico: uma abordagem baseada em evidência. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

KONIN, J. G. Cinesiologia prática para fisioterapeutas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

LAMPE, F. La combinación de la técnica global de la pelvis bilateral mas la técnica de energia muscular de los isquiotibiales, mejora la extensibilidad de estos músculos y la prolonga durante más tempo que si los isquiotibiales fueran tratados con la técnica de energía muscular solamente. Tese (Doutorado) – Scientific European Federation of Osteopaths. 2005.

LICCIARDONE, J. C. et al. Osteopathic manual treatment and ultra-sound therapy for chronic low back pain: a randomized controlled trial. Analls of Family Medicine, v. 11, n. 2, p. 122-129, 2013.

MACEDO, C. S. G.; BRIGANÓ, J. U. Terapia manual e cinesioterapia na dor, incapacidade e qualidade de vida de indivíduos com lombalgia. Revista Espaço para a Saúde, v. 10, n. 2, p. 1-6, 2009.

MACÊDO, L. C. et al. Alterações imediatas da flexibilidade global mediante protocolo quiropráxico. Revista Terapia Manual. v. 6, n. 26, p. 201-205, 2008.

MANECK, N. J.; MACGREGOR, A. J. Epidemiology of back disorders: prevalence, risk, factors, and prognosis. Current Opinion Rheumatology, v. 17, n. 2, p. 134-140, 2005.

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POLLOCK, M. L.; WILOMORE, J. H. Exercícios na saúde e na doença. Avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. 2 ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1993.

REINEHR, F. B.; CARPES, F. P.; MOTA, C. B. Influência do treinamento de estabilização central sobre a dor e estabilidade lombar. Fisioterapia em Movimento, v. 21, n. 1, p. 123-129, 2008.

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ZATARIN, V.; BORTOLAZZO, G. L. Efeitos da manipulação na articulação sacro-ilíaca e transição lombossacral sobre a flexibilidade da cadeia muscular posterior. Revista Terapia Manual. v. 10, n. 47, p. 40-45, 2012.

ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA DE SERVIDORES TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS DE UMA UNIVERSIDADE DO OESTE CATARINENSE

Rafael Cunha Laux

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

Thuane Lopes Macedo

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

Laudenei Anderson Henrich

Universidade do Oeste de Santa Catariana (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Daniela Zanini

Universidade do Oeste de Santa Catariana (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Sara Teresinha Corazza

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

 

Resumo: O estudo teve como objetivo verificar a qualidade de vida de servidores técnicos administrativos de uma instituição de ensino superior da cidade de Chapecó-SC. Realizou-se uma avaliação de qualidade de vida através do questionário Whoqol-bref. Participaram do estudo 51 sujeitos, 19 homens e 32 mulheres, com idade média de 33,5±8,8 anos. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (média, frequência, percentual e desvio-padrão) e inferencial. Verificou-se que 60% dos indivíduos classificaram sua Qualidade de vida Geral de forma positiva, quanto ao nível de satisfação com a sua saúde cerca de 68% dos técnicos administrativos se dizem satisfeitos. As médias encontradas em cada domínio da qualidade de vida foram: relações sociais de 66,8, psicológico de 62,3, físico de 55,9 e meio ambiente 64,6 pontos. Na análise da qualidade de vida entre os sexos não se observou diferenças significativas. Conclui-se que a qualidade de vida dos servidores técnicos administrativos dessa instituição encontra-se como “Regular”.
Palavras Chaves: whoqol-bref. Qualidade de vida. Ensino Superior.

Abstract: The study aimed to verify the life quality of technical administrative workers of a higher education institution in the city of Chapecó-SC. A life quality assessment was done through the questionnaire Whoqol-bref. The study enrolled 51 subjects, 19 men and 32 women with an average age of 33.5±8.8 years old. The data were analyzed using descriptive statistics (average, frequency, percentage and standard deviation) and inferential. It was found that 60% of the participant rated their overall quality of life positively and, and with the level of satisfaction with their health about 68% of the technical administrative workers said they were satisfied. The averages found, in points, in each field of quality of life were: 66.8 for social relations, 62.3 for psychological, 55.9 for physical and 64.6 for environmental. In the analysis of life quality between the sexes it was not observed significant differences. It was concluded that the life quality of technical administrative workers in that institution is “Regular”.
Keywords: Whoqol-bref. Life quality. Advanced education.

INTRODUÇÃO

O conceito de qualidade de vida é diferente entre os indivíduos e tende a mudar ao longo da vida de cada um. Existe, porém, consenso em torno da ideia de que são múltiplos os fatores que determinam a qualidade de vida de pessoas ou comunidades. A combinação desses fatores, que moldam e diferenciam o cotidiano do ser humano, resulta numa rede de fenômenos e situações que, abstratamente, pode ser chamada de qualidade de vida (FIGUEIREDO; MONT´ALVÃO, 2005). Esta definição reflete o entendimento de que qualidade de vida se refere a uma avaliação subjetiva, que sofre influências do contexto cultural, social e ambiental, sendo assim uma avaliação superficial do atual estado do indivíduo, não podendo ser simplesmente equiparada ao bem-estar, estado de saúde, estilo de vida ou estado mental (FLECK, 2008).
A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) envolve tanto os aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local de trabalho. Um programa de QVT necessita sempre buscar atender as necessidades dos colaboradores quanto ao bem-estar e satisfação em seu ambiente de trabalho e atender as exigências das empresas quanto à qualidade e eficiência na produção. Para atender aos dois lados, o programa deve ser amplamente discutido planejado e constantemente avaliado, visando sempre uma melhor adaptação as novas exigências do mercado (CHIAVENATO, 2004).
Com a expansão dos negócios e a crescente busca por um lugar de destaque, as empresas estão buscando o aprimoramento de sua produção e qualidade nos produtos e serviços prestados, através de um ambiente mais favorável ao bem estar físico e mental dos seus colaboradores. Para tanto, os programas de QVT estão cada vez mais em evidência, pesquisas estão comprovando seus benefícios tanto para as corporações bem como para os trabalhadores. Um dos mecanismos em destaque em um programa de QVT é o Exercício Físico no Ambiente de Trabalho ou Ginástica Laboral, que promove benefícios para os colaboradores e como consequência as corporações.
O mercado cada vez mais competitivo e exigente movido pelos avanços tecnológicos redefine o trabalhador como sendo a verdadeira potência, desta forma a promoção da qualidade de vida nas empresas vem se tornando a maneira essencial para se manter a motivação e o comprometimento dos trabalhadores. Muitas empresas intituladas como “as melhores em gestão de pessoas” têm se destacado em aumento da produtividade, baseando-se na QVT, ao inserirem-na em seu planejamento e gerenciamento dos recursos humanos (NISHIMURA, 2008).
Desta forma, o estudo tem por objetivo verificar a qualidade de vida de servidores técnico administrativo de uma instituição de ensino superior da cidade de Chapecó.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo é caracterizado como pesquisa descritiva, de caráter comparativo. A população da pesquisa foi composta por 75 servidores técnicos administrativos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), da região oeste de Santa Catarina.
Participaram da pesquisa 51 indivíduos técnicos administrativos da Universidade Federal Fronteira Sul da cidade de Chapecó-SC, sendo 19 do sexo masculino e 32 do sexo feminino, com média de idade 33,5 ±8,8 anos.
Para selecionar o grupo de estudo foram respeitados os seguintes critérios hierárquicos: 1) convite e divulgação na Universidade, via e-mail, telefonemas e pessoalmente sobre o objetivo e metodologia da pesquisa; 2) análise das respostas e conhecimento dos participantes a partir do aceite do convite. No estudo foram incluídos os sujeitos que: 1) tiveram idade entre 18 e 60 anos; 2) aceitaram participar (Fluxograma 1).

Fluxograma 1. Seleção dos participantes

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Fonte: Os autores.

A qualidade de vida foi avaliada utilizando o questionário Whoqol-bref da Organização Mundial da Saúde, validado para a população brasileira por Moreno et al. (2006). Este instrumento de autoavaliação da qualidade de vida considera as duas últimas semanas dos indivíduos do estudo, no qual são verificados os domínios Físicos, Psicológicos, Relações Sociais e Meio Ambiente. São apresentados 26 questões, onde o sujeito deve assinalar em uma escala likert de 5 pontos como aquela afirmação é verdadeira para ele, pela análise dessas questões revela-se a avaliação geral da qualidade de vida dos colaboradores.
O estudo seguiu as diretrizes e normas que regulamentam a pesquisa com seres humanos (lei 196/96), sendo que todos os participantes preencheram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (CEP/UFSM nº 1.457.639).
Os dados foram tratados estatisticamente a partir de procedimentos descritivos das variáveis analisadas, utilizando média, desvio padrão, percentual e frequência. Foi utilizado o teste de normalidade Kolmogorov–Smirnov, identificando a distribuição não paramétrica, optou-se pela utilização do teste Mann-Whitney U para comparação entre os sexos. Os dados foram processados por meio do SPSS® versão 21.0 for Windows com nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Na identificação da qualidade de vida dos funcionários administrativos, uma análise descritiva dos dados está apresentada na tabela 1, considerando os resultados das frequências e porcentagens da percepção de técnicos administrativos sobre as questões gerais (Q1 e Q2).

Tabela 1. Percepção dos servidores técnicos administrativos sobre as questões Q1 e Q2 do WHOQOL-bref.

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Fonte: os autores.

Com base nestes resultados, verificou-se que 60% dos indivíduos classificaram sua “qualidade de vida geral” de forma positiva. Quanto ao nível de satisfação com a sua saúde, 68% dos técnicos administrativos se dizem satisfeitos com seus níveis de saúde. Em relação aos resultados das duas questões gerais, observou-se que a maior parte dos profissionais estudados apresenta-se satisfeita com a sua qualidade de vida e com a saúde.
Na tabela 2, apresentam-se as diferenças entre as facetas de cada domínio (Físico, Psicológico, Social e Ambiental) em técnicos administrativos, no qual não foi encontrada diferença significativa entre os gêneros feminino e masculino.

 

Tabela 2. Resultado do WHOQOL-Bref para os servidores técnicos administrativos.

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Fonte: Os Autores.

No Domínio Relações Sociais, os maiores postos médios foram das facetas “Suporte/apoio social” e “Relações Pessoais” em relação à faceta de “Atividade sexual”. Porém, os dados não indicam diferenças significativas entre as facetas “Suporte/Apoio social” e “Relações Pessoais”.
Para o Domínio Psicológico, a faceta “Espiritualidade” apresentou significativamente o maior valor de posto médio, enquanto a faceta “Sentimentos negativos” obteve o menor valor para este domínio. Não foi encontrado diferença significativa entre as demais facetas, “Imagem corporal e aparência” e “Autoestima”. Também não foi observada diferença entre as facetas “Sentimentos positivos” e “Pensar, Aprender, Memória” no domínio Psicológico.
No que diz respeito ao Domínio Físico, a faceta “Mobilidade” teve destaque como o melhor índice neste domínio bem como dentre os demais domínios, os valores dos postos médios das facetas referentes à “Capacidade de trabalho”, “Atividades da vida cotidiana”, “Energia e fadiga” e “Sono e repouso” foram significativamente maiores quando comparados às facetas “Dor e desconforto” e “Dependência de medicação”. Não houve diferença entre as facetas “Capacidade de trabalho”, “Atividades da vida cotidiana”, “Energia e fadiga” e “Sono e repouso”. O mesmo padrão também foi observado para as facetas “Dor e desconforto” e “Dependência de medicação”, porem no caso da faceta “Dependência de medicação” obteve o pior índice não só deste domínio bem como dos demais.
Quanto ao Domínio Meio Ambiente, constatou-se que os maiores valores de postos médios foram das facetas “Ambiente no lar” seguido de “Oportunidades e informações”. As demais facetas “Cuidados de saúde e sociais”, “Segurança física e proteção”, “Transporte”, “Ambiente físico” e “Recursos financeiros” vem logo em seguida. Verificou-se também que a faceta “Recreação/lazer” apresentou o menor valor de posto.
Na questão 15 “Quão bem você é capaz de se locomover?” verificou-se o melhor índice 4,6 classificado como “Boa”, o pior índice 1,7 recaiu sobre a questão 4 “O quanto você precisa de algum tratamento médico para levar sua vida diária?” classificado como “Precisa Melhorar”. Diferente do verificado no âmbito geral Facetas 1 e 2, a predominância no que diz respeito ao nível de satisfação dos indivíduos para com a sua qualidade de vida nas últimas duas semanas, está classificado como “Regular” entre 3,0 e 3,9.
Na Tabela 3, são apresentados os dados descritivos associados aos escores dos domínios e da avaliação geral da qualidade de vida obtidos. Os resultados dos postos médios apontam que os técnicos administrativos avaliados apresentaram uma maior percepção nos domínios Relações Sociais e Meio Ambiente, seguida de uma menor percepção nos domínios Psicológico e Físico.

Tabela 3. Escores dos domínios do WHOQOL-Bref e da avaliação geral da qualidade de vida

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Fonte: Os autores.

O domínio Relações Sociais apresentou a média mais elevada 66,8. Nesse aspecto, questiona-se o nível de satisfação com as pessoas do círculo social, o apoio que recebe e a satisfação com a atividade sexual.
No domínio Psicológico que avalia, se o entrevistado está satisfeito consigo mesmo e com sua aparência ou a freqüência de sentimentos negativos a média da amostra estudada foi de 62,3.
O domínio de menor escore foi o Físico, os itens principais enfocam a presença de dor ou desconforto, dependência de medicação, satisfação com o sono, capacidade para o trabalho e atividades diárias, entre outros, encontrou-se a média de 55,9.
No domínio do Meio Ambiente estão incluídas perguntas relacionadas à segurança, condições do ambiente físico, dinheiro para as necessidades, lazer, moradia, transporte e acesso aos serviços de saúde, a média encontrada foi de 64,6.

DISCUSSÃO

O escore médio geral da qualidade de vida dos técnicos administrativos encontrado foi de 63,8±20,1 pontos podendo ser considerado como regular, levando-se em conta que a escala de valores alterna entre zero (0) e cem (100). Saupe et al. (2004), em um estudo realizado com 825 estudantes de enfermagem da região sul, observaram que o Domínio Relações Sociais apresentava o melhor escore com índice de 70 pontos, seguido do domínio Físico (67 pontos), Psicológico (65 pontos), e a pior média ficou com o Meio Ambiente com 55 pontos. Ainda, em torno de 64% dos indivíduos declararam estar satisfeitos em relação a sua percepção de qualidade de vida o que muito se aproximou da presente pesquisa.
Segundo Rusli, Edimansyah e Naing (2008) existem alguns fatores que podem influenciar a qualidade de vida dos trabalhadores como por exemplo maior apoio social, redução do estresse, ansiedade e depressão por demanda de trabalho e deve ser levado em conta na gestão de trabalhadores.
Segundo estudo de Souza Filho et al. (2015) realizado com 316 policiais do sexo masculino, com objetivo de verificar a percepção de sua qualidade de vida, constataram que 80,7% dos policiais classificaram de forma positiva a sua qualidade de vida e 82,6%. Os resultados demostram escores superiores de satisfação com a sua saúde, porém semelhantes aos encontrados neste estudo.
Em estudo transversal, realizado por Paschoa et al. (2007) com 126 trabalhadores da equipe de enfermagem em UTI, foram encontrados os seguintes escores nos Domínios Relações Sociais 66,3 pontos, Psicológicos (60,8 pontos), Físico (53,1 pontos) e Meio Ambiente (49,4 pontos). Resultados semelhantes foram encontrados no presente estudo no domínio Relações Sociais e Psicológicos.
Penteado e Pereira (2007) avaliaram os aspectos associados á qualidade de vida de professores do ensino médio de escolas estaduais e verificaram que os aspectos que mais afetaram positivamente relacionavam-se à vida privada/ doméstica/ pessoal e as questões físicas. Por outro lado, os aspectos que mais o afetaram negativamente se relacionavam à vida profissional. Os resultados encontrados nos domínios Relações Sociais de 70,3 pontos, domínio Físico de 68,2 pontos, domínio Psicológico de 68,2 pontos e domínio Meio Ambiente de 56,1 pontos. Estes resultados são semelhantes aos demais estudos em relação aos domínios das Relações Sociais, seguido do domínio Físico e Psicológico, em último aparece o domínio Meio Ambiente.
Destaca-se a importância da atividade física na saúde do trabalhador, assegurada por Silva et al (2010) quando afirma que o exercício físico é uma forma de lazer e de restaurar a saúde dos efeitos nocivos que a rotina estressante do trabalho traz. Em seu estudo, ao relacionar a qualidade de vida de trabalhadores e estudantes com seu nível de atividade física, pessoas muito ativas apresentaram significativamente maiores escores de qualidade de vida em relação aos inativos, exceto quanto ao domínio Relações Sociais. Porém, nos resultados apontados pela percepção de qualidade de vida dos técnicos administrativos, o domínio Físico destacou-se negativamente perante os demais, indicando um alto índice de sedentarismo por parte dos funcionários técnicos administrativos.
As diferenças entre os domínios apontam necessidades dos trabalhadores, que devem ser consideradas em propostas de atenção/promoção da saúde e qualidade de vida, principalmente no que se refere ao domínio Físico que obteve o pior escore dentre os domínios.

CONCLUSÃO

A partir dos resultados, observou-se que não existe uma diferença significativa entre os sexos, em todos os domínios o que se apresentou foi um equilíbrio muito grande sem diferenças significativas. O melhor índice encontrado foi relacionado ao domínio “Físico”. Com exceção das facetas 1 e 2, que apresentaram índices de classificação “Boa” referentes a Qualidade de Vida Geral. Em todos os domínios o resultado sugere que o nível de satisfação com a qualidade de vida, da categoria de trabalhadores formados por técnicos administrativos classificasse como “Regular”.
O presente estudo revelou que os servidores técnicos administrativos se auto declaram satisfeitos com sua qualidade de vida. A população estudada apresentou comprometimento principalmente na dimensão do domínio Físico. Para novos estudos sugere-se intervenções no ambiente de trabalho para verificar se ocorre mudanças na qualidade de vida desses sujeitos. As intervenções podem ser através de palestras, programas de exercícios físicos, acompanhamento nutricional ou psicológico.

REFERÊNCIAS

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GUIDELINES FOR USING EXPLORATORY FACTOR ANALYSIS TO TEST CONSTRUCT VALIDITY OF INVENTORIES IN SPORTS RESEARCH

Samuel Rochette

Université du Québec à Trois-Rivières, Canada

Marcos Alencar Abaide Balbinotti

Université du Québec à Trois-Rivières, Canada

Abstract: Trainers and sport related professionals rely on scientific findings repeatedly based on measures using various inventories. Validity of these kinds of instruments is crucial if one is to rely on them. The goal of this article is to give specific guidelines when running an Exploratory Factor Analysis (EFA), specifically for inspecting construct validity. Brief explanations of factor extraction and rotation methods, as well as other basics are provided. A step by step guide follows with several advices on interpretations of statistical outputs, in addition to examples using SPSS.

Keywords: test construct; validity of inventores; sports research

Introduction

Exploratory Factor Analysis (EFA) is a generic expression that often considers two types of statistical analysis, namely the Principal Component Analysis (PCA) and the EFA itself. Even if both of them are variable reduction techniques, thus can be used for very similar goals, but they should not be confused with one another (Fabrigar, Wegener, MacCallum, & Strahan, 1999).

Many researchers in sport sciences collect data through various instruments. Since psychometric qualities are key factors when creating them, EFA is a valuable tool, as it can be used to inspect validity (Balbinotti, 2016). Researchers need to consider the importance of validity as it is decisive in removing bias when assessing instruments (because all analyses that use a specific instrument are based on the assumption that the concept is correctly identified). This is especially true in sport science, as outcomes of many researchers, like motivation (Lonsdale, Hodge, & Rose, 2008), goals (Conroy, Elliot, & Hofer, 2003) or even sport events (McCartney et al., 2010) are related to performance, health or well-being. If those concepts are not effectively identified and measured by the instrument, professionals may find themselves promoting unnecessary practices or wrongly discouraging harmless behaviors (e.g., it could ultimately orient representatives toward less-than-optimal politics). This is without forgetting that professionals further away from the research process, like some trainers or psychologists, may be less inclined to consider validity as an important factor, because it has not been a significant part of their education.

As it has often been pointed out by a number of sport researchers (e.g., Atkinson & Nevill, 1998; Hopkins, Marshall, Batterham, & Hanin, 2009; Sparks, 1998), many studies could be enhanced by a more robust or diverse method of analysis. When testing validity with EFA, there are a few key elements to consider. We suggest a procedure that contains several tests, some of which are often omitted or removed from articles. By doing so, we hope it will encourage not only authors to run and include more of them, but also reviewers to consider asking for them, and therefore increase the concern for a robust EFA methodology. Moreover, we hope this paper will help psychologists, health specialists, trainers and other sport related professionals to follow some basic guidelines as they are predominantly concerned. If the sport science community mobilizes itself in using statistic tools such as EFA with more rigour, it will help globally enhance the understanding of the reality revolving around sports.

In this article, we will first have a look on some basic knowledge about factor analysis, like differentiating EFA from PCA, as well as explaining factor extraction and rotation methods. We will then give a step-by-step procedure on EFA and some guidelines on how to interpret statistical exits. An example will be shared using SPSS, followed by a conclusion.

Shared similarities

PCA and EFA aim at reducing a large body of information (i.e., values on a number of variables) to a few broad dimensions. Like most, if not any, other analysis, the goal is to explain the largest proportion of variance with the fewest variables possible (in this case, called factors in EFA or components in PCA). These specific variables are called latent variables, because they exist on an abstract level but are not measured directly.

Both PCA and EFA give a summary of the between-variables correlation patterns. They try to decompose these patterns in a way that explains the correlations with a reduced number of dimensions.

Main differences

On one hand, the PCA looks for a solution to the variance of the observed variables. It also looks for an orthogonal component solution (a solution that has independent components). Since the PCA extraction maximises the explained component variance, it will always find a solution and that solution will be unique.

On the other hand, the EFA looks for a solution to the covariance between the observed variables. Thus, it mainly explains the variance that is shared by at least two of them. It presumes that each variable contributes with its unique variance, and so considers the inherent error (Brown, 2009). When the researcher’s goal is to isolate latent variables, it is usually more fitting to choose EFA (Cattell, 1978). Many extractions methods exist and they try to maximise a good reproduction of the original correlation matrix.

Extraction Methods

There are many methods that can be used for extraction. We will only go through a few. That being said, researchers interested in finding more approaches can consult Tabachnick and Fidell (2012).

Maximum Likelihood (ML). ML maximises the probability that the correlation matrix reproduces a distribution in the population. This method produces a χ2 ratio of likelihood test which indicates if the solution is plausible. The p value must be higher than .05. This means that the null hypothesis (the model is compatible with the results) must not be rejected. A vast number of goodness of fit indexes can be computed with this method as much as it allows to calculate correlations among factors and also confidence intervals (Fabrigar et al., 1999).

Unweighted Least Square (ULS). ULS minimizes residuals. This method should be used with ordinal scales or with non-normal distributions. Since it can be frequent in sport science (e.g., when measuring variables like attitude or motivation), it can prove useful for many studies.

Alpha Factoring (AF). AF is less used and less known. It is useful when the goal is to create scales since it tries to maximise the in-factor homogeneity, thus, the fidelity.

Rotations

Rotations are mathematical processes used for interpreting factor matrixes. They facilitate the interpretation of the factors by maximizing the strongest saturations and minimizing the weakest. Rotations make it so each factor seems explained by a unique and limited number of variables. There are two types.

Orthogonal Rotation. This is the only option for PCA, but can also be used in EFA when the researcher thinks it is possible to find factors that are independent from one another. On a mathematical level, the rotations are made at a 90 degree angle in the multidimensional space, which means the orthogonal solution is easier to interpret since each factor has its own, unique and non-shared contribution (Tabachnick & Fidell, 2012). Nevertheless, this type of solution might not be possible in many cases in sport science, as emerging factors often share conceptual links (e.g., appetite, sleep and energy may all share relations and if one fluctuates, repercussions on the others could be noted). If there is a possibility that the processes are correlated, orthogonal rotation should be avoided. The most popular method is VARIMAX.

Oblique Rotation. This is the usual type of rotation used in EFA, since it is theoretically more appropriate. The fact that the rotations can be done with any angles means it is somewhat inclusive of the orthogonal counterpart, making oblique rotations a preferred method (Russell, 2002). It allows correlations between factors, meaning it can include or take into consideration conceptual links between them. Therefore, it usually reflects more appropriately and accurately the reality (Fabrigar et al., 1999), but at the cost of complications on level of interpretation, description or report (Tabachnick & Fidell, 2012). In this case, the standard method is OBLIMIN.

For other approaches on rotation, researchers can consult Comrey and Lee (2013).

Considerations

Here is an overview of several important theoretical and practical considerations when running an EFA with a perspective mainly based on the work of Tabachnick and Fidell (2012). They will serve as a foundation to build the steps we suggest when operating an EFA (see next section).

  1. The distribution of an observation must have a minimal variance (i.e., discrimination must be possible between the position of subjects).
  2. Complex variables (i.e., variables loading on more than one factor) should be avoided, as they complicate the interpretation of the results. Ideally, the structure should be simple so that each observation strongly explains only one factor.
  3. The analysis should not regroup unalike populations, since the factor solution can be different for different groups.
  4. There should be a minimum number of cases per variable (at least five). If not respected, this can lead to problems such as an ill conditioned matrix or very heterogeneous results when comparing two groups.
  5. Distribution should be normal, but some extraction methods (e.g., ULS) do not assume normality.
  6. The relation between the variables is presumed linear.
  7. Observations from subjects with unusual answer patterns (i.e., aberrant data) should be identified and eliminated.
  8. Multicollinearity should be avoided, as it shows redundancy in the data. This is not a problem with PCA, because there is no need to reverse a matrix.
  9. The correlation matrix must contain a pattern that explains a sufficiently important variance proportion. It is important, because it has to allow reduction to a limited number of factors without the loss of much information.
  10. All variables have to be part of the solution.

Exploratory Factor Analysis Steps

Here, we will discuss the steps (and the order) we suggest going through based on last section’s considerations.

  1. Select the set of observations that will be analysed jointly.
  2. Ideally, one should have a theoretical look onto this set to find a plausible conceptual solution on the number of factors and on which observation should be included in each of them.
  3. Run analysis:
    1. Run a PCA and let the program define the number of factors, or…
    2. Run an EFA with orthogonal and oblique rotations. The number of factors is determined by examining different outputs. The simplest way is by looking at the number of components with eigenvalues greater than 1.0. This is usually the default number of factors, but the researcher should also consider at least one other way. We cover the Cattell scree test (see next section), but there are other techniques that serves the same purpose (and can sometimes be better) like Horn’s (1965) Parallel Analysis (see Ledesma & Valero-Mora, 2007) or Velicer’s (1976) MAP test (see Courtney, 2013 for more on them).
  4. Examine analysis:
    1. Compare the solution(s) with the base factor hypothesis (2).
    2. Choose to keep or remove each variable based on the following criteria:
      1. Descriptive Statistics. By definition, each variable needs to show a part of variation in the positioning of the subjects. This is why a high standard deviation and a mean centered on its scale (e.g., 3 on a scale of 5) bring important information useful to differentiate subjects.
      2. Communality. It measures the proportion of variance in a variable explained by the other variables. This means that the initial score from an observation is equal to the result of its regression by all the other variables. It should be high enough to keep the observation (at least .20).
      3. Complexity. Is the variable loading on one factor or is it loading on many? The more complex a variable is, the less is should be kept. If another variable is similar in content, the choice is easy, as one of them isn’t adding much information. But if the variable is quite unique in its contribution, the researcher who decides to keep it has to choose which factor it will relate to. The main information to consider in this choice, theory aside, should come from reliability analysis (for more on reliability and sport science, see Hopkins, 2000).
      4. Cross-Comparison. Each variable should be examined by keeping in mind that removing it has an impact on the structure of the factors and their links to other variables, thus the choice should preferably be theoretically justified. As with complexity, the unique contribution of each variable has to be considered. Keeping a variable that is redundant tends to amplify the importance of the information it brings. Removing a variable with a unique contribution might drive the factor away from the meaning it should have or might overemphasize the weight of other variables.
      5. Heywood Case. This is found when the communality score is near 1.0 (e.g., .9998 or .9999) or when the saturation goes above 1.0. The most common reason for this is multicollinearity (i.e., an observation is too strongly correlated to at least one other variable). When it happens, at least one of the variables in cause should be removed.
      6. Diagnostic Tools. Relevance of an observation can be assessed based on a number of different tests (see next section).
  5. Repeat the analysis until the solution is simple and satisfactory.

To be able to adequately use EFA, one needs to be able to understand the meaning of each test result(s). It is also the responsibility of the researcher to be able to decode the conceptual meaning behind each factor, thus he should be able to identify and name them.

Diagnostic Tools

Even if the best criteria of a well done EFA is its theoretical adequacy on a meaning level, there are numerous tools, on a statistical level, that can guide one’s decisions in the process. In this section is a brief explanation of the main diagnostic tools, as they look for a Global Solution Adequacy. We suggest providing most of them, if not all of them, when publishing results, though we do also encourage researchers to push the analysis further with other tests, especially if some results are not completely satisfactory.

  1. Coefficient of Determination. With EFAs, one will want the smallest number possible, closest to zero (but without actually getting to zero). This is a good indication of the existence of correlation patterns between the variables. A coefficient of determination of zero means that there is at least one observation that has a perfect linear combination with at least one more variable. Thus, at least one variable is redundant or superfluous, because it does not add any new information. In that case, the analysis cannot proceed for mathematical reasons (it is impossible to reverse the matrix).
  2. Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) Measure. The KMO measure the sampling adequacy. It indicates to what extend the set of variables kept is a coherent set. It also allows the creation of one or more measures of concept adequacy. It reflects the relationship, on one hand, between correlations among the variables and, on the other hand, between the partial correlations (Dziuban & Shirkey, 1974). A high KMO indicates that there is a statistically acceptable solution that represents the relationships. A value below .5 should never be accepted, a value starts to get noticeably good around .7 or .8 and a value closest to 1 is the best possible score (Kaiser & Rice, 1974).
  3. Bartlett’s Sphericity Test (Bartlett, 1954). This test must reject the null hypothesis (all correlations are equal to zero). Thus, it must show a significant value (a score lower than .05). Since this test is very sensitive to the sample’s size, it is very frequently significant with a high n, and should prove useful mostly when there are only a few cases per variables (around five or less).
  4. Cattell’s Scree Test (Cattell, 1966). This is more of a visual test. Although it is sometimes argued that the interpretation can be quite subjective (e.g., Zoski & Jurs, 1996, amon others, offer an alternative), it is nevertheless a useful tool to consider, particularly when the results point out toward a theoretically sounder number of factors. The graph represents the eigenvalues for each factor in the initial table. These values can be seen as vectors representing the variance explained, as they are made from the sum of squared loadings of all variables for a specific factor. One should look at the lines between two dots that are more vertical than horizontal, and then mark a breaking point once it stops being more vertical (where it forms an elbow). All lines beyond that point should be ignored. The horizontal lines mean the value added by each factor is (too) low. The researcher should then count the number of components before the breaking point, though it is argued that the breaking point can be counted (Cattell & Vogelmann, 1977). This argument should definitely be considered when the exact position of the elbow is unclear.
  5. Reproduced Correlation and Residual Matrix. The reproduced correlation matrix is based on the extracted factors by recreating the original matrix. Since EFA explains factors based in covariance (compared to variances in the case of PCA), it cannot recreate the complete original matrix. The residual matrix is the difference between the original correlation matrix and the reproduced correlation matrix. As such, the less residual there is, the closest the reproduced matrix is to the original one, meaning that with only a few factors, the data represents a near approximation (Tabachnick & Fidell, 2012). The number of residual scores higher than .05 should be as low as possible.
  6. Pattern Matrix. The structure obtained from the correlations between the variables and the factors must be simple. This means that the correlation must be over .3 for at least one factor per variable. Hair, Anderson, Tatham and Black (1998) suggest different thresholds depending on the size of the sample (.3 when over 350 to .75 when around 50).

Output Examples Using SPSS

Here, we provide an example using IBM SPSS version 24. SPSS was chosen because of its popularity. That being said, we do not favor any specific software. Many others can be used such as BMDP, JMP, Python, R, SAS or Stata. We will be using the exact same steps as we suggested earlier. Several items from an inventory of motivation for sport were used with a sample size of 848 subjects. Answers were rated on a five point Likert scale.

1. Enter the variables measuring the concept.

3. When choosing outputs to show, it is usually a good idea to check everything.

Absolute value should depend on sample size (Hair et al., 1998):

Absolute value: Sample size
.30 350
.45 250
.40 200
.45 150
.50 120
.55 100
.60 80
.65 70
.70 60
.75 50

Since in this example it is over 350, we chose a value of .30. The factors/components with eigenvalues above 1.0 will be kept by default, but this can be changed. In the next table, it looks clear that there are two components as the two first components are over 1.0 in the total column. This table also shows the cumulative percentage of variance.

On the Scree Plot graph, it looks pretty clear that the third component is where there is a breaking point (the elbow), as all the lines after it are mostly horizontal. Thus, the number of component suggested by this graph is still two (it is the number of components before the breaking point). There is a consensus with both methods.

4. This is a simple case: all means are around 3 (the scales were from 1 to 5), which is centered, and the standard deviations are less than half of the mean. This is good, though more variability could have been welcomed.

The Correlation Matrix should not show any negative correlations. Good news as this example’s matrix does not. But there are many weak correlations. The correlation between the item 01 and the 08 is not even significant.

The Inverse of Correlation Matrix (R-1) is often skipped but can give useful information. First, the diagonal must have the highest values. Second, they have to be above 1.0. Third, they have to be positive.

The KMO value of the example is acceptable, but could definitely be better. As for the Bartlett’s test, in this example, it can be skipped, as χ2 tests are very sensitive to the sample’s size, making it too easily significant.

The Anti-image Matrices give values like the KMO measure but for each variable. The diagonal values should all be above .5. In this case, they all are.

The initial communalities found here should all be over .20, which they are not. This is an important element to consider. All but one variable are questionable. The extraction values are the variance reproduced from the extracted factors. They are the same as the reproduced correlation table, which is the first half of the next matrix.

If we compare the reproduced correlation with the original correlation matrix, we can see that there are many differences. The magnitudes of these differences are on the second half of the table. None of them are over .05, meaning the differences are not very important. This is an important fact as it means reproducing the data with the factors does not diverge much from the original table.

The Pattern Matrix is probably the core of the EFA. It is only present with an oblique rotation as the correlations between factors are set to zero (the orthogonal counterpart is the Rotation Factor Matrix). Here, it is quite clear that the first three items are correlated to a first factor and that the other three are correlated to the second. The researcher can then try to name these two factors by looking at the content of each item linked to it.

The Factor Correlation Matrix shows that the two factors are moderately correlated.

Conclusion

This article offered a suggestion on how to conduct an EFA in the context of validation of instruments for sport science. The procedure is made of three parts. First researchers need to have a good theoretical comprehension of the possible factors related to the items and take into account many considerations. Second, they have to conduct the analyses and examine several outputs to be able to remove unnecessary variables or chose the right number of factors. Since researchers should run more than a strict minimum of tests, some recommendations were given on the mater. Third, these tests need to guide a gradual modification of the instrument by manipulating the number of factors or the number of items. As such, it is important to consider the major part of the researcher’s judgement.

This is why this article will end with a small caution. We didn’t provide any guidelines in the field of ethics. As Messick (1980) pointed out, statistical legwork is an important process, but “an appeal to empirical validity is not enough; the potential social consequences of the testing should also be appraised” (p. 1012). This is why we want to remind any researcher using EFA (or other techniques) to keep in mind that, even with a thorough statistical analysis, one’s judgment plays a vital role. This is true not only when testing validity or in the making process of an instrument, but also in the outcomes, including its uses.

References

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ESPORTE E INCLUSÃO: POR UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA “EDUCACIONAL”

Deyvid Tenner de Souza Rizzo

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Vila Real, Portugal.

Ágata Cristina Marques Aranha

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Vila Real, Portugal.

Clara Maria Silvestre Monteiro de Freitas

Universidade Estadual de Pernambuco (UPE) Recife – PE, Brasil

Domingos Junior Gomes Carvalho

Faculdades Magsul (FAMAG) Ponta Porã – MS, Brasil

Ana Paula Moreira de Sousa

Faculdades Magsul (FAMAG) Ponta Porã – MS, Brasil

Resumo: o objetivo do presente estudo é verificar a importância do esporte na vida de uma aluna com deficiência auditiva, objetiva ainda analisar a prática pedagógica do professor de EF em relação à inclusão desta aluna. A pesquisa possui uma abordagem de natureza qualitativa e o sujeito do estudo é uma aluna com deficiência auditiva de 13 anos de idade frequente no 6° Ano do Ensino Fundamental. Para coleta de dados foram realizadas observações participantes durante um bimestre letivo e aplicado um questionário para a aluna na presença de seu intérprete. Os resultados indicam que a prática pedagógica pautada no tratamento educacional para o esporte amplia as possibilidades de inclusão durante as aulas e apontam para a necessidade de sistematização do tratamento didático-pedagógico inerente a prática esportiva. Apontamos para a necessidade de se repensar os valores do esporte e a prática pedagógica do professor de Educação Física enquanto agente transformador da realidade de seus alunos e da própria sociedade.
Palavras-Chave: esporte, prática pedagógica, inclusão.

Abstract: The aim of this study is to assess the importance of sport in the life of a hearing impaired student, also aims to analyze the pedagogic practice PE teacher regarding the inclusion of this student. The research has a qualitative approach to nature and the subject of the study is a student with hearing loss of 13 years of age frequent in the 6th year of elementary school. For data collection participant observations were performed during one academic quarter and a questionnaire to the student in the presence of his interpreter. The results indicate that the pedagogical practice based on educational treatment for the sport expands to include possibilities in class and point to the need for systematization of didactic-pedagogic treatment inherent in sports practice. We pointed to the need to rethink the values of sport and the pedagogical practice of the teacher of physical education as a transforming agent of the reality of their students and society itself.
Keywords: sport, pedagogical practice, inclusion.

INTRODUÇÃO

Entendemos que o professor de EF deve pautar sua prática pedagógica com metodologias flexíveis para inclusão por meio do esporte, de maneira que atenda especificidades de cada aluno. Vale ressaltar, que para uma possível prática inclusiva o professor primeiramente precisa entender que existe a necessidade de romper com práticas homogeneizadoras.
A realização do presente estudo foi motivada durante observações feitas em aulas de Educação Física Escolar durante coleta de dados para uma tese de doutoramento, sendo que, nesse contexto foi perceptível que a prática pedagógica de alguns professores pode melhorar para facilitar a vivência esportiva em prol de uma aula inclusiva. O problema foi desenvolvido justamente para verificar se o esporte com tratamento educacional possibilita caminhos para a inclusão tendo como pergunta norteadora: Qual a importância do esporte na vida de uma aluna com deficiência auditiva e como a prática pedagógica influencia para ampliar as possibilidades de inclusão?
Comungamos o entendimento de que “que apesar dos diferentes conceitos de inclusão descritos no campo da educação física adaptada” (ALVES; DUARTE, 2014). O presente estudo partiu da ideia que a inclusão deve ser compreendida como uma experiência subjetiva, a qual está associada com interpretações, sentimentos, crenças e percepções individuais.
Essa experiência subjetiva pode ser enriquecida com uma pedagogização do esporte. Estudos sobre o tratamento educacional dado ao esporte se mostram de extrema relevância para a sociedade, sobretudo quando pensamos nas novas gerações, responsáveis, em primeira instância, pelas mudanças sociais futuras e pela renovação dos valores e tradições. Se as tradições estão em constante reconstrução, valores novos surgem, nem sempre tão positivos ou altruístas como eticamente desejável. Impõe-se então a responsabilidade moral da sociedade em geral, com ênfase na família, escola e demais instituições encarregadas de educar formalmente os jovens, pelo processo de transmissão de valores positivos. Nesse caso, o professor aparece como sujeito que conduz para uma prática inclusiva/excludente (SILVA; DOMINGOS, 2014), (MACHADO; GALATTI; PAES, 2015), (BARBOSA; ARAÚJO, 2015).
Para ser um professor inclusivo não é de suma importância conhecer todas as Necessidades Educacionais Especiais (NEE) que existem, mas é imprescindível que tenha habilidade e sensibilidade para perceber as potencialidades do seu aluno. A partir do momento que o professor conhece a fundo aquele aluno, com suas peculiaridades, em que será possível compreender possíveis práticas adaptáveis para o aluno (GALVÃO FILHO, 2012).
A análise sobre a prática esportiva educacional se mostra de grande relevância ao levar em consideração que o esporte pautado em valores educacionais contribui de modo prático para as relações interpessoais; melhora a saúde física e mental; favorece o desenvolvimento da qualidade de vida; enfim, seja no âmbito cultural, biológico ou social, a lista dos benefícios é extensa. No entanto, a análise dos impactos diretos do esporte, na vida de crianças e de jovens pode colaborar efetivamente para a desmistificação de valores positivos e negativos que, por vezes, são atribuídos à prática esportiva (RIZZO; FONSECA; SOUZA, 2014).
Foi na década de 50 os alunos com deficiência começaram a frequentar a escola pública em maior número e consequentemente a participar das aulas de Educação Física, que passou a ter uma diversidade maior de alunos e assim surgiu o que seria hoje a Educação Física Adaptada (RIZZO; FONSECA; SOUZA, 2014). Diante disso, vemos a necessidade de investigar como se desenvolvem as práticas de inclusão por meio do esporte no ambiente escolar.
Pois, em tempos de inclusão, e de olhares voltados para importância de respeitar a diversidade humana, a Educação física Escolar deve ou no mínimo tenta lidar com as diferenças, sejam elas, de cor, etnia, modos de se vestir, costumes, etc., levando em consideração que os alunos são seres heterogêneos e seus corpos grávidos de significados. Talvez este seja um dos grandes desafios da Educação Física nos dias atuais, conseguir dar significado a cultura do movimento em tempos que o sedentarismo e passividade são tão presentes (RIZZO; SOUZA, 2013).
Acreditamos que a EF inclusiva tem como objetivo tratar o aluno com respeito as diferenças, desenvolvendo sua autoestima e autoconfiança por meio da realização das atividades propostas e assim consequentemente incluir o aluno, pois segundo (DUARTE; LIMA, 2003), as atividades desenvolvidas pela EFE devem oferecer atendimento especializado aos alunos com necessidades especiais, respeitando as diferenças individuais, visando proporcionar o desenvolvimento global dessas pessoas, tornando possível não só o reconhecimento de suas potencialidades, como também sua integração na sociedade.
O que é necessário para a Educação Física hoje é auxiliar esses alunos a se desenvolverem, criando para eles uma oportunidade de lazer, prazer e principalmente de bem estar físico e social (OLIVEIRA, 2002).
A partir das reflexões apresentadas acima advogamos que a disciplina de EF pode contribuir para o processo de inclusão, uma vez que esta desenvolve atividades de socialização promovendo o bem estar físico e social.
A crítica a utilização dos esportes como instrumento de inclusão encontra-se disseminada em setores do meio acadêmico, em particular nos cursos de formação em educação física, com a difusão da ideia de que o esporte é um mal em si, sendo impossível a sua utilização para a autonomia e emancipação dos membros das camadas populares. Mais ainda, o esporte por “essência” seria excludente por selecionar os melhores (VIANNA; LOVISOLO, 2011).
Contudo, ainda encontramos estudos sobre os benefícios dos esportes para a melhoria da qualidade de vida dos participantes ou para a formação social dos mesmos (GAYA, 2009).
O termo inclusão está associado com o atendimento educacional para garantir que todos os alunos, independente de suas capacidades, alcancem todo seu potencial em local escolar apropriado. O aluno com deficiência deve frequentar o sistema regular de ensino junto com seus pares sem deficiência, se beneficiando com educação de qualidade, e reestruturação escolar para atendimento das suas necessidades educacionais (ALVES; DUARTE, 2014).
O fenômeno esportivo tem ocupado lugar de destaque na sociedade, deste modo, torna-se importante uma reflexão contínua sobre os modos de atuação profissional com essa manifestação social.
Por isso, parece plausível olhar para fenômeno esportivo, entendendo que, ao mesmo tempo em que é comum e contraditório, não é algo dado ou natural, mas também produzido pelo contexto escolar e com íntima relação com a prática pedagógica dos professores (DAOLIO; OLIVEIRA, 2014).
Ao analisar a prática pedagógica como eficiente e, ainda, o profissional como bom professor, há que se considerar contrapontos, por exemplo, a falta de formação pedagógica; a pouca vivência do aluno no trato da ciência (SOUZA; PAIXÃO, 2015).
A escolha dos temas Esporte, Educação e prática pedagógica nos possibilitam inúmeras reflexões. Assim procuramos analisar a temática apresenta no contexto da inclusão, direcionando nosso olhar para o tratamento educacional dado ao esporte para minimizar os efeitos da exclusão nas aulas de EF.

MATERIAIS E MÉTODOS

No estudo é de natureza qualitativa, pois é a abordagem mais indicada para investigar problemas que os procedimentos estatísticos não podem alcançar ou representar, em virtude de sua complexidade (LIMENA; RODRIGUES, 2006). O sujeito do estudo é uma aluna com deficiência auditiva de 13 anos, matriculada no 6° Ano do Ensino Fundamental numa escola da rede estadual de ensino do Mato grosso do Sul.
Para aplicação do questionário a esta aluna, antes foi enviado aos pais, um Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e uma carta de apresentação do estudo, os quais foram preenchidos corretamente. Somente depois de recolhido os termos que a aluna respondeu ao questionário.
O questionário de perguntas fechadas foi aplicado no dia combinado na própria sala de aula que a aluna frequenta. Enquanto a aula de EF acontecia na quadra com todos os outros alunos; o intérprete, a aluna DA e o pesquisador continuaram dentro da sala de aula, no intuito de preservar o máximo de informações por ela proferidas.
O questionário foi organizado com uma linguagem simples para melhor compreensão da depoente, com perguntas fechadas, sobre os sentidos/significados das práticas esportivas nas aulas de EF. A elaboração do questionário utilizado no presente estudo foi baseada na versão de um questionário utilizado por pesquisadores interessados em experiências de crianças e adolescentes que praticam algum esporte, o Youth Experience Survey for Sport (YES-S) (MACDONALD et al., 2012). No Brasil o questionário foi validado por três PhDs em temáticas que envolvem o tratamento pedagógico oferecido ao esporte.
Também foram realizadas observações durante um bimestre letivo na turma de 6° Ano do EF com o intuito de fazer alguns apontamentos sobre a prática pedagógica do professor de EF em relação à inclusão desta aluna. A observação foi do tipo participante; uma ferramenta muito útil para o processo de coleta de dados a partir do acesso ao campo, sendo utilizada a implicação periférica; pesquisadores que assumem essa identidade devem considerar que certo grau de implicação é necessário para quem quer aprender de dentro (LAPASSADE, 2005). Já que “nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática (MINAYO, 2004),”. Neste incurso, o estudo buscou compreender, “no sentido de ver as coisas de dentro” (LAPASSADE, 2005), como a prática pedagógica do professor pode auxiliar o processo de inclusão de uma aluna DA por meio do esporte enquanto um dos conteúdos da Educação Física Escolar. Igualmente, as representações afloradas no decorrer das aulas foram descritas a partir de observações de 13 aulas, que tinham duração de 50 minutos cada.

RESULTADOS

A primeira subdivisão do questionário com três perguntas, possibilitou a aluna descrever as contribuições que a aula de EF proporciona para sua vida, bem como sua interação com os outros colegas. Com isso, o esporte educacional cria valores e fortalece a inclusão. Alguns critérios são essenciais para que isso aconteça, sendo espaço físico, materiais e a conduta do professor de EF transformando o mundo do aluno DA, facilitando a socialização com colegas.
Na primeira pergunta sua resposta foi positiva (sim) ao ser questionada se acreditava que o esporte contribui para seu crescimento pessoal? Ela respondeu que se preocupava com a sua saúde. Com essa afirmação, perguntamos onde ela aprendeu sobre a importância do esporte nas aulas de EF? Respondeu que foi há algum tempo atrás que teve uma palestra na escola.
A segunda pergunta visava saber qual atividade esportiva a aluna DA mais gostava de participar nas aulas de EF, ela respondeu que já jogou o voleibol, basquetebol, handebol, futsal e ao questionar se ela tem preferência de algumas dessas modalidades, respondeu que gosta de todos os esportes nas aulas de EF e ainda, quando chega em casa brinca com sua irmã mais nova. Nesse caminho, o esporte diante da inclusão facilita a socialização e entendimentos das limitações da aluna DA, fortalecendo sua participação nas atividades propostas enriquecendo seu conhecimento motor.
Ao ser questionada na terceira pergunta se já sentiu discriminação nas aulas de EF por apresentar alguma diferença a alguma atividade proposta pelo professor, sua resposta foi não, e argumentou que, seus colegas a respeitam e tentam se utilizar da Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) para se comunicar com ela.
Não podemos descartar que os alunos aprendem com a aluna DA e vice versa. Em algumas observações nas aulas de EF pode-se perceber essa socialização entre eles, fazendo com que a aula se torne muito interessante, a comunicação flui entre eles de forma natural, pois, eles próprios desenvolvem técnicas informais de comunicação.
A segunda parte do questionário, com três questões, possibilitou à aluna marcar a alternativa que aponta a importância do esporte para a sua vida. Ao questionar na quarta pergunta se ela concordava sobre a importância de praticar um esporte ou atividade física nas aulas de EF e se influenciaria na prevenção de doenças e na melhoria da saúde, ela respondeu que sim, pois gosta de fazer as atividades que o professor desenvolve na quadra e a ela traz esclarecimento sobre a importância de praticar esportes, e por causa desse incentivo, todo o final de tarde sai para caminhar com sua irmã mais velha.
Na quinta pergunta foi questionada sobre o que seria um corpo saudável para a prática esportiva, respondeu que para ela é o corpo magro e que aprendeu a cuidar do corpo nas aulas de EF na sala de aula e quando praticava esportes na quadra. Desta forma, a importância de praticar o esporte nas aulas de EF pode levar a melhora da qualidade de vida, não necessariamente ao corpo magro, pois ter um corpo próximo aos padrões da atualidade não representa necessariamente ter o corpo saudável. Neste sentido, existem outros fatores importantes para essa aluna quanto a realização de certas atividades que o professor de EF desenvolve para compensar a falta de comunicação oral.
A sexta pergunta busca saber se a aluna DA apresenta cansaço excessivo durante a prática esportiva nas aulas de EF. Ela respondeu que nunca se sentiu cansada de maneira excessiva durante as aulas e sempre que realiza alguma prática esportiva, não sente vontade de parar.
Na última pergunta a aluna foi questionada se estava satisfeita com os esportes que praticava nas aulas de EF, respondeu sim, e afirmou ainda que aprendeu muitos esportes diferentes, um deles é o beisebol adaptado, pois precisa pensar muito, ser muito rápida e ajudar o colega quando corremos. Sendo assim, a aluna DA pôde compreender que o esporte desenvolve laços sociais e afetivos e o professor favorecer essa participação através do esporte nas aulas de EF.
Diante de tempos de inclusão a sociedade prima por uma escola mais inclusiva, por um esporte que favoreça a prática de um número maior de pessoas. Durante as observações notamos que o professor se preocupa frequentemente em incluir não somente a aluna DA nas aulas com atividades físicas diversas, nessa direção, quando utiliza o esporte como conteúdo em suas aulas procura direcionar uma prática esportiva para que todos participem.
As aulas sempre começavam com um alongamento e aquecimento, nem sempre o interprete estava por perto, mas a professor deixava evidente sua destreza com a linguagem corporal. Nesse sentido, em nenhuma aula foi identificada a não participação da aluna DA motivada pela falta de compreensão da atividade proposta.
Posterior a esse primeiro momento, o professor explicava a atividade esportiva, que durante nosso período de observações não se repetiu uma só vez a mecanização de um movimento, como apontado pela aluna, em um dos dias o professor trouxe como atividade o “basebol adaptado”, neste dia em especial, notamos que nenhum aluno deixou de participar da aula.
Era comum 2 ou 3 alunos se sentarem ou mostrarem indisposição para participação efetiva durante a prática esportiva nas aulas de EF durante alguns momentos. Contudo, o professor jamais se omitiu a esta manifestação de “auto-exclusão”, buscava de certa forma modificar o ritmo e criar variações na execução dos movimentos para prática esportiva.
Percebemos também que não foi utilizada durante as aulas manifestações de algum esporte no formato hegemônico, ou seja, que apenas alguns alunos participam de uma modalidade esportiva institucionalizada.

DISCUSSÃO

A aluna DA interagiu de forma igualitária com os demais alunos e principalmente nas atividades esportivas propostas pelo professor. Desta forma, a aula de EF se tornou a porta de entrada para compreensão do esporte com tratamento educacional, demonstrando a importância da participação de todos e potencializando a superação dos obstáculos. Com isso, as dinâmicas propostas em quadra de aula podem ser discutidas com os alunos criando novas regras para o jogo, direcionando reflexões de cunho físico, biológico e social durante a prática esportiva. Pois, “o desenvolvimento cognitivo do aluno DA é o mesmo do aluno ouvinte, mas a falta de audição leva a carência da linguagem, que não prejudica na construção de sua identidade(CIDADE; FREITAS, 2009, p. 19).”
A prática do esporte na escola também pode melhorar o condicionamento cognitivo e físico entre órgãos funcionais, aparelho circulatório e respiratório vindo a ter uma possível prevenção de doenças secundárias, favorecendo autonomia e a própria independência (TEIXEIRA, 2015, p. 363). Contudo, ressaltamos que para esses ganhos se concretizarem em hábitos salutares para a vida do aluno, existe a necessidade de uma frequência participativa em práticas esportivas que vão além das aulas de EF.
O movimento do corpo no tempo e no espaço ajuda a entender o que acontece no seu próprio corpo e é também uma ferramenta de comunicação e de conhecimento, pois ajuda na comunicação por meio da linguagem corporal. Muitas vezes, o aluno com deficiência audita desconhece os limites, possibilidades e significado do seu corpo. As atividades que estimulam a identificação e o controle de seguimentos corporais e esportes educacionais que porem ser adaptados em jogos educativos que estimulará ainda mais a percepção das limitações e possibilidades, além das atividades de coordenação.
É nesse sentido que “prática de esportes estimula o mecanismo respiratório, e que a falta de comunicação oral pode diminuir a utilização de grupos musculares, por isso a atividade física nas aulas de EF devem compensar essa falta de estímulo.” Conseguintemente através da realização dessas atividades seu organismo interno e externo será trabalhado como um todo, principalmente quando se trata da respiração que será estimulada gradativamente nas aulas de EF (TEIXEIRA, 2015, p. 363).
Sendo assim, as aulas de EF são pontos chaves que remete ao professor utilizar corretamente o seu tempo, em que aulas planejadas e o espaço sejam transformados em momentos inclusivos, refletindo para toda a escola o esporte educado para inclusão. Pois foi nas aulas de EF que a aluna DA pôde se identificar nas atividades esportivas, como corrida e marchas com mudanças de lugar e direção, exploração do ambiente e localização são importantes ações que auxiliam na percepção espacial e uma melhor interação com o ambiente.
A atuação na área da Educação Física deve ser consciente da importância da valorização do ser como um todo, respeitando os seus limites, suas origens e funcionalidades, o professor poderá tornar a sua ação pedagógica mais humanizada e assumir a postura de quem está ciente do seu verdadeiro papel e função na sociedade, favorecendo para a emancipação humana plena dos alunos (RIZZO; SOUZA, 2013). Nada obstante, ainda assistimos casos de professores com práticas acríticas e segregadoras.
Contudo, ainda vemos pessoas deficientes sendo forçadas a se adaptarem a um modelo de vida imposta por uma sociedade dita “normal”. Isso ainda não é diferente na escola, que por vezes se caracteriza como um sistema que tenta homogeneizar os diferentes.
A aluna DA pode entender o esporte enquanto fenômeno social quando o professor tem ideias que melhorem sua participação, formando uma ponte facilitadora na inclusão de todos. Qualquer prática esportiva pautada num tratamento educacional pode ser compreendida pela interação dos alunos nas aulas de EF ou nas vivências em outros momentos da vida.
Essa aluna não precisa entrar quadra de aula e deparar-se com momentos desagradáveis muitas vezes propiciado pelos próprios colegas, ou até mesmo ser deixado de lado pelo professor, criando assim um contexto negativo sobre a importância da prática do esporte nas aulas de EF.
Compreendemos que a escola é um espaço concreto que possibilita a construção e mudanças no currículo, nas práticas pedagógicas, no ensino aprendizagem dos alunos, inclusive aqueles com deficiências, transtornos globais e/ou altas habilidades/superdotação. Sem contar que abre um leque de caminhos para o conhecimento ou a busca do conhecimento.
A escolarização de alunos com deficiência e altas habilidades/superdotação tem desafiado os espaços escolares a construírem novas/outras lógicas de ensino. Diante disso, a formação continuada em processo tem se configurado como uma possibilidade de pensar as demandas escolares e os processos de escolarização dos sujeitos que também são público-alvo da educação especial (JESUS, 2008).
O maior desafio do professor é criar um espaço escolar para que o respeito à diferença coexista com a prática docente. A diversidade deve ser vista como uma possibilidade de quebra de práticas e paradigmas antigos.
Os professores precisam de tempo para conhecer bem seus alunos, seus níveis de aprendizagem e de competência curricular, seus interesses e motivações, de que maneira aprendem melhor, suas necessidades educacionais específicas, entre outros aspectos. Conhecer bem os alunos implica em intensa interação e comunicação com eles, bem como uma observação constante de seus processos de aprendizagem e uma revisão da resposta educacional que lhes é oferecida (DUK, 2006).
Portanto, esse tempo não é engessado, ou seja, algo que precisa ser rápido. Todos os dias é dia de conquistas e fracassos. Deste modo, é evidente que aprendemos com o erro, a expectativa do professor é encontrar flexibilidade em suas práticas pedagógicas, para promover a inclusão.
Dar resposta à diversidade significa romper com o esquema tradicional de ensino, no qual uma aula é planejada e organizada para todas as crianças ao mesmo tempo, ou seja, todas as crianças executam as mesmas tarefas, da mesma forma e com os mesmos materiais. Nesta aula não se considera diferenças de estilos, ritmos e interesses de aprendizagem, muito menos se considera o conhecimento prévio do aluno (DUK, 2006).
É primordial dar importância ao conhecimento prévio do aluno. Desta maneira o aluno sai da sua “zona de conforto”, passando a ser membro ativo da sala ou equipe. Uma maneira de atrair o aluno para perto do professor, assim as possibilidades de aprendizagem desse aluno tem ser maiores. Não sendo diferente aos alunos com NEE, além do conhecimento prévio do discente, o professor precisa observar atentamente este aluno, para conhecer as habilidades que este aluno tem, pois suas limitações não precisam ser evidenciadas todo instante.
O reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva ou inclusão é revelado pelo crescente número de projetos esportivos destinados aos jovens das classes populares, financiados por instituições governamentais e privadas (VIANNA; LOVISOLO, 2011).
O desenvolvimento da comunidade escolar com a participação de todos, inclusive do aluno com de ciência, permite a estruturação de um senso de pertencimento ao grupo, através da sua importância e valorização no mesmo. Neste contexto, o aluno com de ciência desempenha papéis e funções importantes no grupo, favorecendo o desenvolvimento da percepção de pertencimento ao grupo, fundamental para a experiência de sentir-se incluído (ALVES; DUARTE, 2014).
Juntamente com o conhecimento do corpo, o esporte estimula o mecanismo respiratório, alguns alunos DA podem executar a comunicação oral ou não, assim aqueles que não conseguem estimular essa comunicação acaba não desenvolvendo as musculaturas necessárias para auxilia a respiração e a atividade física nas aulas de EF deverá compensar essa falta de estímulo com exercícios respiratórios que envolva a expansibilidade torácica, favorecendo o desenvolvimento dessa musculatura (TEIXEIRA, 2015).
As aulas de EF são o ponto chave que remete ao professor utilizar corretamente o seu tempo, com aulas planejadas para a aluna DA onde o espaço seja transformado em um local inclusivo, refletindo em toda a escola, pois é ali nas aulas de EF, que o aluno pode mostrar e desenvolver suas potencialidades durante toda e quaisquer manifestação do esporte.
Esta é, sem dúvida, uma questão que merece muita atenção, pois, se a prática esportiva não for baseada em princípios que se configurem em oportunidades no sentido da prática corporal, cooperação e valorização às diferenças, estaremos criando obstáculos para a inclusão (BELTRAME; SAMPAIO, 2015).
Discorrer sobre as possibilidades do corpo é refletir sobre o ser humano e sua condição de se comunicar por meio do movimento, da expressão dos gestos, da fala, do olhar, do toque, enfim, é tratar de todas as posses que o corpo pode oferecer (DE MARCO, 2006).
O professor utilizava conhecimentos sobre educação física e esportes adaptados, demonstrando envolvimento com uma prática pedagógica diversidade e condizente com a realidade do grupo, ou seja, uma prática pedagógica pautada no esporte com tratamento educacional que valoriza as diferenças.
O professor deve construir, reinventar sua prática com referência em ações/experiências e em reflexões/teorias, apropriando-se de teorias de forma autônoma e crítica, o que o leva a agir como sujeito da sua ação e não como objeto (BRACHT, 2011).
As práticas que o professor desenvolve não devem ser ensinadas e aprendidas pelos alunos apenas na dimensão do saber fazer, mas devem incluir um saber sobre esses conteúdos e um saber ser, de tal modo que possa efetivamente garantir a formação do cidadão a partir de suas aulas de Educação Física escolar. Na prática concreta de aula, isso significa que o aluno deve aprender a jogar queimada, futebol de casais ou basquetebol, mas, juntamente com esses conhecimentos, deve aprender quais são os benefícios de tais práticas, porque se pratica tais manifestações da cultura corporal hoje, quais as relações dessas atividades com a produção da mídia televisiva, imprensa, entre outras. Dessa forma, mais do que exclusivamente ensinar a fazer, o objetivo é que os alunos e alunas obtenham não só uma contextualização das informações, como também aprendam a se relacionar com os colegas, reconhecendo quais valores estão por trás de tais práticas (DARIDO; RANGEL, 2005).
O professor demonstrou que conseguiu fazer com que a aluna DA levasse os ensinamentos por meio das práticas esportivas para fora dos limites da escola, pois em vários momentos a aluna afirmou que em casa, juntamente com sua irmã vivenciavam momentos que foram frutos do aprendizado oferecido nas aulas de EF.
Inclusão e exclusão possuem variadas facetas; e a orquestração de práticas se refere às ações no cotidiano educacional, através do fazer pedagógico, didático, avaliativo, ético, gestor, etc. É a dimensão que coloca os princípios (culturas) e estratégias (políticas) em ação através das práticas de inclusão/exclusão no contexto educacional. Esta é a chamada tridimensionalidade dos processos de inclusão/exclusão (BRITO; SANTOS, 2013).
Podemos dizer que durante as observações o professor conseguiu promover uma aula pautada na prática esportiva educacional, pois possibilitou sentido e significado as atividades. O que nos remete afirmar que sua prática pedagógica rompe com a visão “esportivizada” da EF, pois possibilita a todos os alunos momentos de experimentação da prática esportiva. Deste modo, acreditamos que esse modelo de ação pedagógica corrobora para enriquecer e valorizar a EF enquanto componente curricular necessário e inclusivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A princípio nosso objetivo foi verificar a importância do esporte na vida de uma aluna com deficiência auditiva e analisar a prática pedagógica do professor de EF em relação à inclusão desta aluna. Com isso, percebemos que o esporte com tratamento educacional possibilita a aprendizagem e vivencia de valores positivos a esta aluna e aos demais colegas, tais como: respeito, cooperação, participação, conhecimento corporal e inclusão. Mas acreditamos que mais importante que isso, foi identificarmos nesse estudo, uma ação docente que garanta a transmissão desse tipo de conhecimento, pois comumente identificamos estudos que apontam para a necessidades de melhorias ou fracassos.
Devemos considerar que as observações foram realizadas em apenas um grupo de alunos do 6° Ano do Ensino Fundamental, por isso, o estudo pode apresentar algumas limitações. No entanto, constatamos que uma prática pedagógica voltada para valores educacionais no esporte pode rigorosamente contribuir para inserção de conteúdos que atendam às necessidade, anseios e interesses dos alunos e de toda a sociedade. Pois um sujeito/aluno que aprende que o esporte pode melhorar sua qualidade de vida e interação social, e ainda dissemina essa prática contribui para a sistematização de hábitos salutares em toda sua comunidade. Dessa forma, contribuindo para a formação de uma sociedade mais ativa e consciente.
Ao constarmos que não somente a aluna DA, mas todos os alunos demonstravam interesse em aprender os conteúdos por meio das práticas esportivas propostas pelo professor, deparamo-nos com nosso problema de pesquisa. E então, consideramos que a proposta de ensino do professor está voltada para a produção do conhecimento no contexto esportivo e social, e se mostra fundamental para formação da práxis pedagógica docente, pois possibilita a ligação entre conhecimentos adquiridos com a prática propriamente dita.
Enfim, defendemos a importância da implantação de um conteúdo que busque valorizar as atitudes, conceitos e procedimento do esporte. Pois esses pressupostos indicam que a prática pedagógica fundamentada no tratamento educacional do esporte resulta em fatores que contribuem para a inclusão dos alunos.

REFERÊNCIAS

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O EFEITO DA IDADE RELATIVA NO JUDÔ: UMA ANÁLISE DAS OLIMPÍADAS DA JUVENTUDE DE NANJING

Adriano Nogueira de Figueiredo

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Jeferson Macedo Vianna

Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Minas Gerais – Brasil

Andrigo Zaar

Laboratório de Cineantropometria e Desempenho Humano da UFPB. Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) – Brasil

Renato Melo Ferreira

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Emerson Filipino Coelho

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Francisco Zacaron Werneck

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

O Efeito da Idade Relativa (EIR) é uma consequência da diferença de idade cronológica entre pessoas envolvidas na mesma categoria etária na prática de um determinado esporte e pode ser observado pela maior representação de atletas nascidos nos primeiros meses do ano.
O objetivo do presente estudo foi verificar a existência do EIR em atletas de judô participantes dos Jogos Olímpicos da Juventude do ano de 2014 em Nanjing. Foi identificado o quartil (trimestre) de nascimento de 103 atletas jovens (52 no masculino e 51 no feminino), através do site da competição. Para a análise dos dados, empregou-se o teste do Qui-Quadrado com nível de significância de 5%. Foi observado o EIR em ambos os sexos, havendo maior predominância de atletas nascidos no 1° quartil em relação ao 4° quartil (40% vs. 14%, respectivamente; p<0,001). Não houve relação significativa entre o quartil de nascimento e a conquista de medalhas.  O EIR foi proporcionalmente mais evidente com o aumento das categorias de peso. Conclui-se que o EIR foi verificado nos atletas de judô participantes dos Jogos Olímpicos da Juventude do ano de 2014 e que este fenômeno foi mais evidente conforme o aumento da categoria de peso dos atletas.

Palavras-chave: Efeito da idade relativa, esporte de combate, jovem atleta, judô.

 

ABSTRACT

The Relative Age Effect (RAE) is a consequence of the chronological age difference between people involved in the same age category in the practice of a particular sport and can be observed by the increased representation of athletes born in the early months of the year. The aim of this study was to verify the existence of the RAE in judo athletes participating in the Youth Olympic Games of 2014 in Nanjing. It was identified the quarter (trimester) of birth of 103 young athletes (52 in the male and 51 female), by the competition site. For data analysis, it was used the Chi-Square test with 5% significance level. It was observed the RAE in both sexes with a predominance of athletes born in the 1st quartile relative to 4st quartile (40% vs. 14%, respectively; p <0.001). There was still no significant relation between the semester of birth and the winning of medals. The RAE was proportionally more obvious with the increase of weight categories. It is concluded that the RAE was observed in athletes of judo participants of the Youth Olympic Games in 2014 and that this phenomenon was more evident with increasing weight category of athletes

Keywords: Relative age effect, Combat sport, Youth athlete, Judo.

 

INTRODUÇÃO

Os Jogos Olímpicos da Juventude foram criados em 1998 com a finalidade de se estabelecer como um evento internacional e multidesportivo, de interação e desenvolvimento da experiência de jovens atletas e conquistou grande relevância no cenário esportivo mundial (IOC, 2014). Dentre as modalidades esportivas deste evento, destaca-se o judô, que será objeto de análise do presente estudo, referente à edição dos jogos de 2014, em Nanjing. No judô, além da divisão por peso, nas categorias mais jovens existe a categorização por meio da idade cronológica, considerando primeiro de janeiro como período de corte para divisão das categorias etárias (FIJ, 2014). A divisão dos atletas em categorias de peso e idade tem por finalidade dar igualdade de condições aos participantes, sob o ponto de vista do desenvolvimento físico e psicológico, mas estudos mostram que pode gerar também algumas consequências indesejadas, tal como o efeito da idade relativa (EIR) (MUSCH; GRONDIN, 2001; COBLEY et al., 2009).

O EIR refere-se às diferenças físicas e cognitivas entre indivíduos que se encontram na mesma faixa etária (BARNSLEY; THOMPSON; BARNSLEY, 1985). Estas diferenças se relacionam às possíveis vantagens que atletas nascidos nos primeiros meses do ano de seleção levam em relação aos atletas que nasceram nos últimos meses do mesmo ano, devido principalmente aos aspectos maturacionais (MUSCH; GRONDIN, 2001; MALINA et al., 2004). Particularmente nas modalidades em que as categorias etárias são divididas a cada dois anos, a diferença observada na idade cronológica entre os atletas de uma mesma categoria muitas vezes favorece um desempenho superior aos atletas mais velhos cronologicamente, e por consequência, estes acabam tendo mais sucesso imediato e mais oportunidades de acesso ao treinamento (COSTA et al., 2009).

O fenômeno do EIR tem sido observado principalmente em esportes em que os atributos físicos, tais como peso, altura, força e velocidade são determinantes para o desempenho, sendo mais evidente no sexo masculino (MUSCH; GRONDIN, 2001; COBLEY et al., 2009; DELORME; BOICHE; RASPAUD, 2010). Nos esportes de combate, tem crescido o número de estudos sobre esta temática, uma vez que os estudos nesta área ainda não são conclusivos, havendo ainda dúvidas se a divisão por peso seria efetiva no sentido de prevenir os atletas do EIR (DELORME, 2014; ALBUQUERQUE et al., 2014; 2016).

Ao analisar especificamente as lutas, Albuquerque et al. (2012) investigaram o EIR em medalhistas olímpicos de taekwondo em diferentes edições de Jogos Olímpicos, não sendo verificada a presença do EIR para este grupo de atletas de elevada excelência esportiva. No entanto, ao avaliar judocas olímpicos de diferentes categorias de peso, Albuquerque et al. (2013) encontraram o EIR em atletas mais pesados, o que foi corroborado mais tarde, ao avaliar judocas participantes de diversos Jogos Olímpicos, onde encontrou-se o EIR em atletas pesos pesados do sexo masculino e medalhistas olímpicos (ALBUQUERQUE et al., 2015). Já em atletas jovens, os estudos ainda são poucos, mas já mostram uma presença marcante do EIR. Fukuda et al. (2013) encontraram a presença do EIR no judô em jovens atletas das categorias sub17 e sub20-21 vencedores de campeonatos mundiais, sendo observada também uma maior frequência deste fenômeno nas categorias mais pesadas.

Diante do exposto, justifica-se o presente trabalho com a finalidade de obter mais informação acerca da presença do EIR nos esportes de combate, particularmente em um grupo de jovens atletas de elite de judô, uma vez que o EIR pode ser um dos fatores limitadores da maior progressão e evolução na carreira esportiva destes atletas. Portanto, o objetivo do presente estudo foi avaliar o EIR nos atletas de judô que participaram dos Jogos Olímpicos da Juventude em Nanjing do ano de 2014 e verificar possíveis diferenças entre os sexos, categorias de peso e conquista de medalhas.

MÉTODO

Foram analisadas as datas de nascimento de 103 atletas, sendo 52 do sexo masculino e 51 do sexo feminino, nascidos entre 1 de Janeiro de 1996 e 31 de Dezembro de 1998. A idade dos atletas variou de 15.7 a 18.6 anos, média igual a 17.8 e desvio padrão igual a 0.7 anos. Cerca de 25% dos atletas conquistaram medalhas na competição (n=22). Os atletas pertenciam às categorias super leve (n=15), meio leve (n=36), super médio (n=38) e meio pesado (n=14).  Este trabalho seguiu os mesmos procedimentos éticos adotados por ALBUQUERQUE, et al., (2012).

Primeiramente, as datas de nascimento foram obtidas no site oficial da Federação Internacional de Judô (www.fij.com.org), onde está disponível juntamente com os chaveamentos e resultados do judô nas Olímpiadas dos Jogos da Juventude, realizados no ano de 2014 em Nanjing. As datas de nascimento destes atletas foram agrupadas em quartis divididos em primeiro quartil (Janeiro, Fevereiro e Março), segundo quartil (Abril, Maio e Junho), terceiro quartil (Julho, Agosto e Setembro) e quarto quartil (Outubro, Novembro e Dezembro).

Os dados foram analisados a partir do teste do Qui-Quadrado e do teste Exato de Fisher, para averiguar a existência do efeito da idade relativa. Foi adotado um nível de significância de 5% e uma posterior análise de proporção 2×2 com correção de Bonferroni foi aplicada para averiguar possíveis diferenças entre os quartis, a fim de evitar erros derivados de múltiplas comparações.

RESULTADOS

Os resultados referentes à distribuição das datas de nascimento de todos os judocas que participaram dos Jogos da Juventude de Nanjing em 2014 revelaram a presença do EIR (χ2=14,631; gl=3; p=0,002)(Figura 1). Na comparação entre os quartis, foi observada maior representação de atletas nascidos no 1° em relação ao 4° quartil (χ2 = 13,255; gl = 1; p < 0,001).

Figura 1: Distribuição dos quartis de nascimento de jovens judocas de ambos os sexos dos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanjing (n=103). (*diferença sig. entre o 1°quartil e o 4°quartil, p<0,001).

Na tabela 1 são exibidos os valores do χ2 para a distribuição das datas de nascimento dos atletas por sexo, desempenho e categoria de peso. Houve maior representação de atletas nascidos no 1° em relação ao 4° quartil para ambos os sexos. Em relação ao desempenho, não foi observado o EIR, não havendo associação entre este fenômeno e a conquista de medalhas. Além disso, o EIR foi observado nas categorias de peso meio leve, super médio e meio pesado.

Tabela 1- Avaliação dos quartis de nascimento de jovens judocas dos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanjing, quanto ao sexo, desempenho e categoria de peso, através do Teste do Qui-quadrado e de Fisher.

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DISCUSSÃO

O principal achado do presente estudo foi que o EIR está presente nos jovens atletas de judô participantes dos Jogos Olímpicos da Juventude de 2014, em ambos os sexos e em todas as categorias de peso, exceto no superleve, e não está associado ao desempenho dos jovens atletas. Este resultado corrobora evidências científicas que mostram a presença do EIR em jovens atletas de várias modalidades, inclusive no judô, de modo que treinadores e administradores do esporte devem considerar estratégias para minimizar este fenômeno, uma vez que pode influenciar o processo de seleção dos atletas e provocar a perda precoce de potenciais talentos esportivos.

A presença do EIR nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2014 confirma o que se tem observado na literatura sobre este fenômeno nos esportes de um modo geral (COBLEY et al., 2009), ou seja, existe de fato um viés na distribuição das datas de nascimento dos judocas de elite com maior predominância de atletas nascidos nos primeiros quartis do ano de seleção. Estudo recente de meta-análise em esportes de combate concluiu pela presença do EIR em homens e mulheres, sendo que no nível profissional e olímpico apenas nos homens (ALBUQUERQUE et al., 2016). Isto mostra forte tendência de seleção dos atletas relativamente mais velhos.

Em relação ao sexo, o EIR é bem evidente no masculino, apresentando resultados inconsistentes no feminino (COBLEY et al., 2009; MUSCH; GRONDIN; 2001). Nos esportes de combate, os estudos de Albuquerque et al. (2012) e Massa et al. (2014) não encontraram o EIR no sexo feminino. Já no presente estudo foi verificada a presença do EIR em ambos os sexos. Uma possível explicação para esses resultados inconsistentes em relação ao sexo pode estar relacionada ao nível de competitividade no esporte do sexo masculino em relação ao esporte feminino (MUSCH; GRONDIN, 2001).

A principal explicação para o EIR em jovens atletas tem sido a maturação. Durante o processo de seleção de atletas marciais, aqueles nascidos mais próximos ao início do ano de seleção podem apresentar vantagens físicas sobre aqueles nascidos tardiamente. O cuidado que os treinadores devem ter durante o processo de desenvolvimento e seleção dos atletas diz respeito à transitoriedade dessas vantagens físicas apresentadas por jovens cronologicamente mais velhos e/ou avançados maturacionalmente. Isto porque, jovens atletas de judô podem ser erroneamente apontados como talentosos, simplesmente por que, naquele momento, apresentam maiores níveis de aptidão física que seus pares. Mas ao longo do tempo, com o decorrer do processo maturacional, os atletas não selecionados podem até ultrapassar aqueles que foram escolhidos pelo treinador (MALINA et al., 2004).

É fundamental que os treinadores tenham consciência deste fenômeno, pois quanto mais alta a percepção de competência de uma criança, maior será a sua motivação intrínseca e o prazer pela prática do esporte (MUSCH; GRONDIN, 2001; HELSEN et al., 2005). Logo, ainda segundo esses autores, aquelas crianças favorecidas pelo EIR, possuem mais chances de continuar praticando a modalidade, e assim continuar se desenvolvendo técnica e taticamente.

No presente estudo os resultados indicaram também que o EIR aumenta à medida que se eleva o peso nas respectivas categorias do Judô. Parece então que à medida que se aumenta o peso corporal dos jovens atletas, a tendência será aumentar proporcionalmente a existência do EIR nos mesmos (meio leve, super médio e meio pesado, respectivamente), corroborando os achados de Fukuda (2015) e Albuquerque et al. (2013). Os resultados destes estudos em nível olímpico e profissional mostram que o EIR tende a ser mais perceptível em atletas mais jovens e nos mais pesados, no caso do judô. Isto reforça a hipótese maturacional como possível explicação para este fenômeno. Com o agrupamento etário, os jovens nascidos nos primeiros meses do ano possuem maiores chances de estar em estágios de maturação biológica mais avançada, o que implicaria em vantagens associadas ao tamanho corporal e força muscular.

É importante destacar que não houve relação entre o EIR e a conquista de medalhas, reforçando a tese de que não se deve selecionar jovens atletas com base no mês de nascimento. O desempenho esportivo é um processo multifatorial e dinâmico e, no caso, de jovens atletas o mais importante está no seu desenvolvimento e não na seleção dos mais aptos. Destaca-se como ponto positivo do estudo a investigação do EIR em atletas de judô mais jovens, já que a maioria dos estudos na literatura sobre o EIR nas modalidades de combate concentram-se em atletas profissionais e de elite. Uma possível limitação do presente estudo é o fato de que não há uma regra geral para se estabelecer a data de seleção em todos os países. Há países que não usam, por exemplo, a data de 1° de janeiro como ponto de corte de seleção, mas outra data diferente como, por exemplo, 1° de julho como primeira data inicial de seleção.

Como questão prática, apesar de algumas propostas para a atenuação das consequências do EIR serem de difícil aplicabilidade na prática em muitas modalidades esportivas, o conhecimento deste efeito, principalmente pelos treinadores das categorias mais novas se faz de grande necessidade, pois sendo estes uma figura central no processo desenvolvimento de jovens atletas, cabe, aos mesmos, uma maior compreensão de que essas vantagens físicas e psicológicas podem ser temporárias, possibilitando assim, uma futura disputa pelo espaço em equipes de elite mais justa e eficaz.

Conclui-se que foi observada maior proporção de judocas nascidos nos primeiros meses do ano entre os atletas que participaram dos Jogos Olímpicos da Juventude de 2014, confirmando a presença do EIR. Os dados mostraram ainda que este fenômeno é marcante nas categorias de peso mais pesadas e que não está associado a conquista de medalhas. Novos estudos devem ser realizados sobre o EIR em jovens atletas de judô procurando identificar outras possíveis variáveis moderadoras assim como estratégias para redução deste fenômeno

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POLIMORFISMO GENÉTICO I/D DA ENZIMA CONVERSORA DE ANGIOTENSINA DE ATLETAS BRASILEIRAS DE GINÁSTICA RÍTMICA

Daniela Zanini

Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Francisco Félix Saavedra

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Vila Real, Portugal.

Abstract: The aim of this study was: (i) the genetic polimorfism of the ACE with the dermatoglific characteristics of the practioneers and no practioneers of Rhythmic Gymnastics (RG); (ii) correlate genetic polymorphism of the ACE, with the dermatoglific characteristics. The sample consisted of 31 female subjects, divided into two groups: ( i ) RG practioneers ( experimental group ) and ( ii ) non-practioneers ( control group ), mean age 16.7( ± 1.54 ), 18.6( ± 1.15) years, respectively. The characteristic dermatoglyphic profile was assessed from the data collection held by the method proposed by Cummins and Midlo (1961), through a Dermatoglyphic Reader ®. The subjects were genotyped for the polymorphism of ACE: DD, ID and II, by the techniques of Polymerase Chain Reaction, and polymorphism lengths and restriction fragment with restriction enzyme (DdeI) after DNA extraction. Found higher scores in the experimental group for the dermatoglyphical variables D10 and SQTL. In reference to the manifestation of polymorphism of the ACE gene, we found no statistically significant results between the experimental and control groups. It is concluded that the, for the ECA genotype and its association with dermatogliflic characteristics we didn’t observed any correlation between these two genetic marks.

Keywords: rhythmic gymnastics, angiotensin coverting enzyme, dermatoglyphics.

 

INTRODUÇÃO

A Ginástica Rítmica (GR) no Brasil é uma modalidade que ainda vem buscando conquistar seu espaço no cenário mundial. O nível técnico das atletas brasileiras de GR tem melhorado significativamente, isto pode ser comprovado nas competições do esporte no cenário nacional e internacional, com resultados expressivos, devido a um trabalho baseado em princípios científicos na preparação das ginastas.

O estudo do potencial genético permite uma orientação esportiva antecipada e correta, de acordo com cada tipo de modalidade. Conhecer em minúcia o referido desporto, possibilita nortear medidas diretas e indiretas sobre o mesmo, tais como: a preparação física, a técnica e a tática, além de orientação da iniciação esportiva na seleção e na detecção de talentos (Alonso et al.,2005). A busca por talento esportivo é um fenômeno que tem crescimento constante e traz com ele os investimentos precoces em potenciais atletas de elite. Portanto, o uso de instrumentos de avaliação adequadas e específicas é fundamental para a identificação de atletas promissores (Paz et al.,2013).

O principal foco dos resultados dessa investigação centra-se na construção de uma ferramenta para as fórmulas preditoras em performance humana. Para entender os aspectos biológicos do desempenho é essencial analisar as implicações genéticas, e para este efeito, nos últimos anos a investigação vem progredindo para análises das relações entre fisiologia, bioquímica e genética com o intuito de investigar a herança física de vários traços de desempenho sobre as bases genéticas e moleculares verificando a adaptação dos diferentes indicadores de desempenho desportivo (Massida, Vona e Caló, 2011).

A identificação dos genes e variantes genéticas com potencial em influenciar variáveis fisiológicas em resposta ao treinamento físico é a base para a compreensão do que vem a ser um potencial genético de um atleta (Dias et al., 2011). Segundo Costa et al. (2009), constatou-se na literatura que alguns desses genes são do sistema renina-angiotensina-aldosterona (S-RAA), e a investigação tem-se centrado no polimorfismo I/D do gene da enzima conversora de angiotensina (ECA), o qual confere variabilidade na atividade da ECA no plasma e em diversos tecidos. No âmbito esportivo esse polimorfismo tem despertado interesse de sua associação com a performance física humana. Estudos recentes demonstraram que o alelo I é mais frequente em atletas de resistência, enquanto o alelo D, em atletas de força e explosão muscular (Alvarez et al., 2000; Nazarov et al., 2001; Tsianos et al., 2004).

Jones e Woods (2003), sugerem que a ECA aumenta a angiotensina II , importante mediador de ganhos de força talvez através de hipertrofia muscular, enquanto que os níveis mais baixos de ECA, reduzem a degradação de bradicinina, relacionada a maior desempenho de resistência, isto acontece talvez, através de alterações na disponibilidade de substrato, tipo de fibra muscular e eficiência.

As investigações sobre o polimorfismo I/D do gene da ECA e o desempenho esportivo têm realçado a tendência para que indivíduos portadores do alelo I obtenham desempenhos superiores em modalidades esportivas de longa duração e mais frequente em atletas de resistência, fato este mediado pela maior eficiência mecânica da musculatura esquelética e por seu efeito na proporção das fibras musculares (Dias et al., 2007). Essa hipótese foi pioneiramente testada por Alvarez et al. (2000), em ciclistas de elite de longa distância; por Tsianos et al. (2004), em nadadores de águas abertas de longa distância e por Moran et al. (2004), em atletas maratonistas de elite etíopes.

Paralelamente, o alelo D, mostrou relação com o fenótipo de força e explosão muscular, mediado pelo efeito hipertrófico muscular, secundário ao aumento na concentração plasmática e tecidual de Angiotensina II (Dias et al., 2007). A especialização esportiva em eventos de curta duração parece ser induzida pela presença do alelo D, pelo menos em amostras homogêneas de atletas de elite (Nazarov et al., 2001; Tsianos et al., 2004).

A relação do polimorfismo da ECA com o desempenho esportivo tem sido questionada por alguns pesquisadores, que discutem a interpretação dos resultados obtidos, os tamanhos das amostras utilizadas e os grupos controles presentes nos estudos (Tsianos et al.,2004; Massida, Vona e Caló, 2011; Di Cagno et al.,2013). A literatura é atualmente equívoca sobre a associação do polimorfismo ECA I / D e o desempenho atlético.

Para a GR em que são dominantes, flexibilidade, força explosiva, velocidade, coordenação, equilíbrio, resistência aeróbica e anaeróbica , estas qualidades físicas são necessárias fortemente na seleção, considerando que com os resultados de testes científicos, os indivíduos mais talentosos são cientificamente selecionados ou direcionado para um adequado desempenho esportivo (Miletić, Katić, e Maleš, 2004; Pavlova, 2011). Ótimos perfis requerem características biológicas específicas das atletas com com habilidades motoras proeminentes e fortes traços fisiológicos.

A elaboração de perfis de características que possam servir de parâmetros nas diferentes categorias das modalidades esportivas e o investimento feito em estudos científicos tem mostrado uma grande importância para o desenvolvimento de novas gerações de atletas.

As respostas obtidas por este estudo podem viabilizar a orientação desportiva adequada no instante da iniciação desportiva, gerando assim a possibilidade de qualificação dos resultados atléticos, adequação de treinamentos desportivos de acordo com os potenciais genéticos.

Dessa forma, o objetivo do estudo foi examinar a distribuição do genótipo I/D da Enzima Conversora de Angiotensina características em praticantes e não praticantes de GR.

MÉTODO

Este estudo foi realizado com uma amostra composta por 31 indivíduos do sexo feminino, divididos em dois grupos: (i) praticantes de GR (Grupo Experimental) e (ii) não praticantes (Grupo Controle).

O Grupo Experimental, composto por 19 atletas de GR Brasileiras praticantes de elite e o Grupo Controle constituído por 12 jovens sedentárias, aparentemente saudáveis, selecionadas aleatoriamente do Curso de Graduação em Educação Física. As 19 ginastas de elites são da mesma categoria e padrão competitivo. Todas as ginastas já haviam participado de Campeonato Brasileiro. Das 19 ginastas, 07 atletas são participantes da I Etapa do Circuito Caixa de Ginástica Rítmica e Artística e 12 atletas são da Seleção Brasileira de GR. A média de idade dos dois grupos em estudo são respectivamente 16,7 (±1,54); 18,6 (±1,15).

A pesquisa foi aprovada com protocolo número 138/2011, pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Unoesc/Hust, de acordo com os padrões éticos de normas e diretrizes regulamentadoras da pesquisa envolvendo seres humanos, em conformidade com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e com a “Declaração de Helsinki.” Do mesmo modo, o estudo obteve aprovação da Comissão Científica da Confederação Brasileira de Ginástica.

Todas as participantes do estudo, assim como as técnicas das equipes, nas quais foi realizada a pesquisa, assinaram um “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”. Os dados foram coletados, independente das fases de treinamento da equipe, e sob a responsabilidade da autora.

Para a observação do gene da ECA foi coletada uma amostra de saliva, epitélio bucal, dos indivíduos da amostra com a utilização de Swab, em seguida, o material biológico foi fechado em Eppendorfs estéreis contendo TRIS eEDTA, conforme Richards et al. (1993), para posterior análise do gene.

O ácido desoxirribonucleico (DNA) foi extraído por meio das técnicas padrões de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) submetidos à enzima de restrição Ddel para genotipagem. Os oligonucleotídeos iniciadores (primers) utilizados foram específicos para os genes analisados. A determinação do tamanho dos fragmentos obtidos foi realizada por comparação com padrões específicos. Para a amplificação do fragmento de DNA contendo o polimorfismo da ECA foram usados os seguintes iniciadores: 5’ TGGAGACCACTCCCATCCTTTCT-3 e 5’ TGTGGCCATCACATTCGTCAGAT-3’ (Rigat, et al.,1992). A amplificação das regiões de interesse dos genes estudados incluiu ciclos nas temperaturas de desnaturação, anelamento dos primers e extensão da fita de DNA. Os produtos das reações de PCR para o gene ECA, submetidos à enzima de restrição Ddel para genotipagem, e os amplicons do gene foram analisados por eletroforese horizontal em gel de agarose 2% que permitiu a identificação de três genótipos: DD, ID e II. A identificação das bandas foi realizada utilizando um marcador que permite o reconhecimento exato do tamanho da faixa (alelo I: 490bp; Alelo D: 190 pb).

A análise dos dados foi realizada a partir do recurso ao pacote estatístico Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. Os dados foram tratados, tendo em conta duas vertentes de análise: (i) análise descrita e (ii) análise inferencial.

Na análise descritiva, recorreu-se a parâmetros de tendência central (média, valor mímimo e máximo) e de dispersão (desvio padrão). O comportamento da distribuição dos valores foi estudado através dos coeficientes de kurtosis e de assimetria (Skewness). A análise de aderência à normalidade foi estudada através da prova Kolmogorov-Smirnov, com a correcção de Lilliefors.

Para a análise inferencial e a fim de testarmos as diferenças entre os dois grupos em estudo, relativamente ao genótipo e perfil dermatoglífico, recorremos ao teste de Kruskal-Wallis. O nível de significância adotado para a crítica das hipóteses nulas foi de p< 0,05.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Em relação à distribuição da frequência do genótipo da ECA, a tabela 7 apresenta os dados obtidos para o Grupo Experimental e o Grupo Controle. De acordo com os resultados, a presença do genótipo ID foi de 26,3% nas ginastas (grupo experimetal), sendo o mais frequente o genótipo DD (57,9%) e o menos frequente o genótipo II (15,8%). O Grupo Controle, dos 8,3% apresentou o genótipo II, novamente o mais frequente foi o genótipo DD (91,7%), e nenhum participante apresentou o genótipo ID.

 

Tabela 1: Distribuição da frequência genotípica da enzima conversora de angiotensina (ECA) do grupo experimental e grupo controle [valor relativo (%) e valor absoluto (n)].

II

% (n)

DD

% (n)

ID

% (n)

Grupo Experimental

Total (n=19)

15,8% (3) 57,9% (11) 26,3 (5)
Grupo Controle

Total (n=12)

8,3% (1) 91,7% (11) 0,0% (0)

É possível observar, por meio dos gráficos 1 e 2, a tendência de maior frequência do genótipo da ECA no Grupo Experimental, comparado ao Grupo Controle, onde o Grupo Experimental apresentou média 2,11 (±0,65) e o Grupo Controle 1,92(±0,28). Não apresentando diferenças significativas entre os grupos.

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(min) e valor máximo (Máx.)].

De acordo com os resultados da frequência do polimorfismo da ECA, verificou-se a predominância do genótipo DD no grupo experimental e controle. Os valores para os percentuais do genótipo DD encontrados no presente estudo para os diferentes grupos foram: Grupo Experimental= 57,9%; e Grupo Controle= 91,7%.

Analisando os resultados e comparando a distribuição das frequências do polimorfismo I/D do genótipo da ECA nos grupos de estudo (Grupo Experimental vs Grupo Controle), verificou-se que não apresentaram diferenças estatísticamente significativas (p≤0,05).

Observando os resultados acima descritos com outros estudos, sobre a mesma temática, resultados semelhantes foram encontrados por Massida, Vona e Caló (2011), em atletas Italianos de GA quando comparados a um grupo controlo. Os autores destacaram a ausência de diferenças significativas na distribuição do genótipo e frequências e alelo I/D do polimorfismo da ECA nos dois grupos de estudo.

Boraita et al (2010), também não encontraram diferenças significativas em estudo desenvolvidos com 299 desportistas espanhóis de alto nivel em 32 modalidades esportivas. O objetivo do estudo foi analisar a relação entre o polimorfismo (I/D) do gene ECA e a adaptação ao treinamento. Os resultados apontaram nenhuma associação entre o polimorfismo do gene da ECA I/D entre os vários esportes estudados. O genótipo mais frequente foi o ID, seguido pelo DD e II. No entanto, foi encontrado diferença quando os esportes de força e predominantemente aeróbicos foram separados, com maior prevalência do genótipo DD em esportes de potência e um maior prevalência do genótipo ID em esportes aeróbicos. Foram analisados neste estudo 12 atletas de GA , e a frequência dos genótipos foram: DD=66,6%; ID e II 16%. Estes resultados se assemelham ao presente estudo, onde o genótipo DD foi predominante.

Estes resultados estão em contradição com outros estudos, em que a frequência de genes de atletas de elite foram significativamente diferentes dos grupo controlo (Myerson et al.,1999; Woods et al, 2001; Tsianos et al, 2004).

Di Cagno et al. (2013), realizaram um estudo comparativo em 28 atletas Italianas de GR de elite (grupo experimental), com 23 atletas de nível médio de GR (grupo controlo), na faixa etária de 21 ±7,6 e 17 ±10,9 anos respectivamento. O objetivo do estudo foi analisar os polimorfismos dos genes da ECA e AGTR1 nas atletas. Os resultados corroboram com o presente estudo no que se refere a frequência do genótipo predominante DD nas atletas de GR, do grupo investigado. Porém, contrastaram com este estudo, no qual apresentaram diferenças significativas para o genótipo DD da ECA, que foi significativamente mais frequente em atletas de elite do que na população controlo.

Ahmetov et al (2009), investigaram 1.423 atletas Russos e 1132 controles, em diferentes modalidades esportivas, para 15 polimorfismos genéticos.Entre essas modalidades foram avaliados 55 atletas de GA. Os resultados apresentaram que, nenhuma associação foi relatada com a capacidade aeróbica dos atletas investigados. Também, não houve diferenças significativas em frequências dos genótipos entre homens e mulheres, atletas e controles.

Diante de resultados controversos, Costa et al.(2009), referem que a resposta da ECA a diferentes contextos de exercício físico, gênero e níveis de atividade física, carece de melhor entendimento e ainda não está clara na literatura.Tais resultados demonstram que a frequência do genótipo DD da ECA tende a prevalescer em modalidades gíminicas.

CONCLUSÃO

Referente aos resultados da identificação da manifestação do polimorfismo do gene da ECA verificou-se a predominância do genótipo DD no grupo das ginastas. Porém, não foi encontrado nenhum resultado estatisticamente significativo entre o grupo das ginastas e controle.

Pode-se concluir que, a associação entre a distribuição do genótipo I/D da ECA com as características dermatoglíficas, não apresenta nenhuma relevância estatística, neste contexto de análise, entre estas marcas genéticas. Não foi encontrado na literatura estudos que apresentem relações ou correlações entre as características dermatoglíficas e polimorfismo genético I/D da ECA, o que não nos permite conclusões em relação a um parâmetro, porém se observa uma tendência às atletas de GR a determinadas características genéticas.

A aptidão para determinada modalidade tem relação com uma série de características e, consequentemente, vários genes. Embora tenha sido demonstrado por vários investigadores que existe um grande número de associações entre os genes e desempenho desportivo, muitos dos genes associados com o desempenho sozinhos não são capazes de prever claramente se um atleta é potencialmente de alto nível. Ou seja, não podemos afirmar que estudos de associações com determinado gene pode ser usado para predizer a performance física.

O meio ambiente é um fator relevante, sendo assim, recomenda-se investigações associando a relação entre o estado (fenótipo) e a predisposição genética sejam implementados, e delinear para que próximos estudos aumentem o número de sujeitos da amostra,o que poderia-se confirmar esta tendência.

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