CORRELAÇÃO ENTRE VIGOREXIA E OVERTRAINING EM PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO

Indiana Bernard Baum

 

RESUMO

Tão importante é a imagem corporal que muitas pessoas vivem em prol da construção do corpo perfeito e acabam desenvolvendo transtornos relacionados à imagem. A vigorexia é um transtorno no qual o indivíduo tem a percepção alterada da imagem corporal e busca incessantemente a hipertrofia muscular. O overtraining, por sua vez, está relacionado ao excesso de treinamento sem a adequada recuperação. A pesquisa é quantitativa caracterizando-se por uma análise transversal de correlação ou de associação e tem por objetivo correlacionar indícios de vigorexia com sintomas de overtraining. Participaram do estudo 50 sujeitos, 35 homens e 15 mulheres praticantes de musculação há, pelo menos, doze meses com frequência mínima de treinos de duas vezes por semana na Academia High Fitness em Eldorado do Sul. Foram utilizados três questionários para a construção do estudo: a) Dados Complementares; b) Complexo de Adônis e c) Sintomas Clínicos do Overtraining. Após os esclarecimentos e a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, os questionários foram preenchidos pelos voluntários e as respostas analisadas no programa SPSS versão 17. Conclui-se que características mais acentuadas de vigorexia se associam significativamente às características do overtraining e apesar de ser mais significativa para homens, as mulheres demonstram maior tendência ao desenvolvimento isolado tanto da vigorexia quanto do overtraining. Portanto, as mulheres demonstram maior negligência com a saúde em favor da estética.

Palavras-Chave: Autoimagem, Musculação, Desempenho esportivo.

 

ABSTRACT

So important is the body image that many people live for the sake of building the perfect body and end up developing disorders related to the image. Vigorexia is a disorder in which the individual has impaired perception of body image and incessantly searches for muscle hypertrophy. Overtraining, in turn, is related to over-training without adequate recovery. The research is quantitative, characterized by a transversal analysis of correlation or association and aims to correlate indications of vigorexia with symptoms of overtraining. Fifty subjects, 35 men and 15 women practicing bodybuilding for at least 12 months with minimum training frequency twice a week at the High Fitness Academy in Eldorado do Sul participated in the study. Three questionnaires were used to construct the study: a) Complementary Data; b) Adonis Complex and c) Clinical Symptoms of Overtraining. After the clarification and signing of the informed consent, the questionnaires were filled out by the volunteers and the responses analyzed in the SPSS version 17. It is concluded that more pronounced features of vigorexia are significantly associated with the characteristics of the overtraining and, despite being more significant for men, women show a greater tendency to development isolated from both vigorexia and overtraining. Therefore, women show greater health neglect in favor of aesthetics.

Keywords: Self image. Bodybuilding. Sports performance.

 

INTRODUÇÃO

A imagem corporal tem amplo valor na sociedade e pode refletir status social, estilo de vida, disciplina, saúde e jovialidade, mas nem sempre essa é a realidade por trás da boa aparência física.. O padrão de beleza é multifatorial e culturalmente definido, variando de uma nação para outra e segue o que dita a mídia e personalidades influentes.

A crescente supervalorização da imagem corporal é preocupante e como tudo que é excessivo pode acarretar prejuízos definitivos à saúde, como transtornos psicológicos, alimentares e de imagem, síndrome do excesso de treinamento e prática excessiva de cirurgias plásticas. Como não existe uma idade definida para o início do desenvolvimento dos transtornos de insatisfação corporal, é necessário conhecer e estar atento aos seus sinais e sintomas a fim de minimizar seus efeitos nocivos o mais cedo possível, pois desde muito cedo as crianças são expostas a idealização do corpo perfeito através de desenhos animados, filmes, bonecos de heróis e bonecas erotizadas.

A distorção acerca de diferentes características físicas do corpo chama-se transtorno dismórfico corporal e o portador desse transtorno preocupa-se obsessivamente com diferentes características da face e/ou do corpo. A vigorexia é, dessa forma, uma subcategoria dos transtornos dismórficos corporais, onde a insatisfação acerca do corpo está relacionada especificamente a quantidade insuficiente de massa muscular. Como a principal atividade para o aumento do volume muscular é o treinamento de força, musculação, muitos indivíduos com vigorexia podem desenvolver verdadeira compulsão por treinar, passando horas na academia e deixando de lado aspectos importantes da sua vida social e laboral em prol do treinamento

A musculação traz inúmeros benefícios à saúde, isso é fato; contudo o treinamento excessivamente intenso e/ou com grande volume de exercícios sem o adequado descanso entre as sessões de treino e, consequentemente, sem a regeneração muscular pode causar o efeito contrário ao esperado, gerando decréscimo de longo prazo no desempenho físico. O decréscimo de longo prazo no desempenho físico é conhecido como síndrome do overtraining. Portanto, a pressão pela busca do corpo perfeito, ultrapassando as possibilidades fisiológicas, com músculos volumosos e bem desenhados, pode gerar prováveis relações entre vigorexia e overtraining.

A vigorexia é um tema atual, contudo possui pouca literatura e, assim como, o overtraining grande parte das pesquisas são direcionadas a atletas. Por isso emerge a necessidade de estudar outras populações, assim como, explanar profundamente as síndromes de forma isolada e conjuntamente correlacionando-as. A possível correlação entre vigorexia e overtraining tornará mais palpável o diagnóstico dessas síndromes, visto que a obsessão pelo ganho de massa muscular, característica da vigorexia, pode, consequentemente, levar à síndrome do excesso de treinamento.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo possui abordagem quantitativa caracterizando-se por uma análise transversal de correlação (GAYA, 2015). O desenvolvimento dessa pesquisa seguiu todas as exigências da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

A população é de praticantes de musculação da academia High Fitness do município de Eldorado do Sul e a amostra foi composta por 50 sujeitos, entre 15 e 60 anos, com pelo menos um ano de treinamento e com freqüência mínima de dois treinos por semana.

Três instrumentos foram utilizados na construção da pesquisa: a) questionário de caracterização da amostra com dados referentes à idade, sexo e questões relativas ao treinamento como intensidade, duração da sessão, freqüência dos treinos e tempo de prática; b) questionário do Complexo de Adônis (QCA) proposto por Popes, Olivardia e Phillips (2000) para entender as preocupações com a imagem corporal e aparência dos músculos e c) questionário do overtraining (QOT) validado por Bara Filho et al. (2013) para verificar os sinais e sintomas do excesso de treinamento.

Os dados foram coletados nas dependências da Academia High Fitness e os instrumentos foram preenchidos pelos próprios voluntários após esclarecimentos acerca da pesquisa e a devida assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

O tratamentos dos dados se deu através do programa SPSS versão 17 e as medidas de correlação foram realizadas em dois momentos: a) estratificando a amostra por sexo e b) estratificando a amostra por faixas etárias através da correlação ordinal de Spearman com nível de significância de 0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 expressa a correlação entre o Questionário do Complexo de Adônis (QCA) e o Questionário do Overtraining (QOT), demonstrando que a correlação é similar entre homens e mulheres, mas mais significativa para homens. Portanto, quanto maiores os sintomas da vigorexia, mais fortes tendem a ser os sinais da síndrome do excesso de treinamento, e vice-versa.

            

Por fim, analisando os objetivos dos indivíduos com a prática do treinamento de força, expressos na tabela 2, mais da metade dos homens e das mulheres objetivam prioritariamente o ganho de massa muscular. Para os homens o segundo objetivo mais almejado são os ganhos em saúde e para as mulheres a saúde encontra-se como o objetivo menos relevante, assim como, o desempenho esportivo.


DISCUSSÃO

Soler et al. (2013) observou que não existem diferenças significativas entre praticantes de musculação e fisiculturistas quanto aos níveis de vigorexia e dependência ao exercício. Também contatou-se que em ambos os grupos quanto maior o nível de vigorexia, maior o nível de dependência ao exercício. Em face disto, há evidências de que a dependência aos exercícios físicos é um fator de risco para o desenvolvimento de distúrbios psicológicos que podem levar à vigorexia. (VIEIRA, 2010, p. 35).

De acordo com os achados de Vargas et al. (2013) o motivo da prática de exercícios físicos pelas mulheres, em ordem decrescente é: emagrecimento e tonificação (37,8%), saúde/estética (27%), perda de peso (18,9%), saúde/manutenção do peso (5,4%), hipertrofia (5,4%), saúde/emagrecimento (2,7%) e trabalho (2,7%). Enquanto que para homens, no estudo de Amorim (2010), o que os motiva a treinar musculação é a estética, o prazer e a saúde de forma indissociável, sem diferença significativa entre as opções. Em contrapartida, no presente estudo o motivo principal da prática do exercício físico para as mulheres é o ganho de massa muscular, representando o objetivo de 53,3% da amostra feminina contra 57,1% da amostra masculina. Em ordem decrescente,  20% das mulheres almejam outros objetivos, 13,3% objetivam perda de peso, 6,6% saúde e 6,6% desempenho esportivo. Para os homens, o segundo objetivo principal foi saúde com uma porcentagem de 17,14%, enquanto que para as mulheres saúde aparece atrás de todos os outros.

De acordo com Malysse (2002, p. 6) a França do século XIX, só os homens podiam realizar proezas físicas ou metamorfoses musculares […]. Naquela época, uma mulher forte e musculosa seria considerada um monstro, talvez até exposta num circo. Hoje, no Brasil, são justamente as mulheres “fortes” que ganham as manchetes dos grandes jornais, e o que parece anormal é não cuidar do corpo.

Talvez pelo reflexo midiático, cada vez mais homens e mulheres busquem um corpo musculoso, pois essa é a tendência atual. O corpo sarado e esculpido pela musculação traz, além do status social, uma relação muito forte com bem-estar e saúde; contudo, muitas vezes, este corpo “saudável” é construído através de recursos cirúrgicos e esteróides anabolizantes.

 

CONCLUSÃO

Os resultados demonstram correlação entre os sinais da vigorexia e overtraining, sendo essa correlação mais significativa para homens que para mulheres. Quanto aos objetivos com a prática da musculação, mais da metade dos homens e das mulheres almejam o ganho de massa muscular e, mais fortemente que os homens, as mulheres parecem priorizar a estética em detrimento da saúde. Outros estudos devem ser realizados correlacionando as síndromes da vigorexia e do overtraining a fim de verificar se, de fato, há correlação entre ambas em outras populações.

REFERÊNCIAS

AMORIM, Diogo Perito. Motivação à prática de musculação por adultos jovens do sexo masculino na faixa etário de 18 a 30 anos. 2010. 48 f. TCC (Graduação) – Curso de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

BARA FILHO, Maurício Gattás et al. Adaptação e validação da versão brasileira do questionário de overtraining. Hu Revista, Juiz de Fora, v. 36, n. 1, p.47-53, 28 jul. 2010.

GAYA, Adroaldo e col. O Desafio da Iniciação Científica. Belo Horizonte: Casa da Educação Física, 2015.

MALYSSE, S. Em busca dos (H) alteres-ego: olhares franceses nos bastidores da cultura carioca. In: GOLDEMBERG, M. (org.). Nu e Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record, 2002.

POPE JUNIOR, Harrison G.; PHILLIPS, Katharine A.; OLIVARDIA, Roberto. O Complexo de Adônis: A Obsessão Masculina Pelo Corpo. Rio de Janeiro: Campus, 2000. 316 p.

SOLER, Patrícia Tatiana et al. Vigorexia e níveis de dependência de exercício em frequentadores de academias e fisiculturistas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, [s.i.], v. 19, n. 5, p.343-348, nov. 2013.

VARGAS, Camila Serro et al. Prevalência de dismorfia muscular em mulheres frequentadoras de academia. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo, v. 7, n. 37, p.28-34, fev. 2013.

Vieira JLL, Rocha PGM, Ferrarezzi RA. A dependencia pela pratica de exercícios físicos e o uso de recursos ergogênicos. Acta Scientiarum. Health Sciences. 2010;32:35-41.

Efeito agudo de uma sessão de exercícios resistidos utilizando o método circuito a 80% de 1rm sobre a pressão arterial

Rodrigo Poderoso de Souza1,2

Ana Carolina Gleden Poderoso1

1Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Cascavel, Paraná

2Universidade Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal

 

RESUMO

Atualmente a literatura tem recomendado o uso de exercícios físicos resistidos para o controle da pressão arterial, devido às evidências de que o mesmo tem se mostrado seguro e eficaz ao praticante, sendo uma alternativa importante de tratamento não medicamentoso para indivíduos hipertensos. Em função disso, é necessário investigar o comportamento da pressão arterial perante tais exercícios para garantir a eficiência do mesmo sem oferecer riscos para o praticante. Objetivo: comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício. Metodologia: A amostra do estudo foi constituída por 12 voluntários do sexo masculino normotensos com idade de 24,09±2,43 anos, massa corporal 71,68± 5,18 kg, estatura de 1,73±0,04 cm, IMC de 23,83±1,60 kg/m2 e % gordura de 16,84±2,99. Os voluntários compareceram ao laboratório de musculação durante duas sessões experimentais em dias alternados para: 1 – determinação da carga máxima (1-RM) em seis exercícios (cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina); 2 – uma sessão experimental com a realização de 3 circuitos de exercício resistido em alta intensidade (08 repetições/exercício x 80% 1-RM). As variáveis mensuradas no repouso e imediatamente após a sessão experimental foram a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD). Os dados foram analisados a partir de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05. Resultados: De acordo com os resultados, foi observado que a pressão arterial sistólica imediatamente após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo, não foi observada diferença nos valores de pressão arterial diastólica. Conclusão: Desta maneira, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução. Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante.

Palavras Chaves: Pressão arterial; Treinamento resistido; Exercício físico.

 

ABSTRACT

Currently, the literature has recommended the use of resistance exercise to control blood pressure, due to evidence that it has proved safe and effective practitioner, being an important alternative non-drug treatment for hypertensive patients. As a result, it is necessary to investigate the behavior of blood pressure before such exercises to ensure the efficiency of that without risk to the practitioner. Objective: To compare the behavior of blood pressure after a session of circuit resistance exercise in method, using a load of 80% of one repetition maximum – 1RM with the situation of pre-exercise. Methodology: The study sample consisted of 12 normotensive male volunteers aged 24.09 ± 2.43 years, body mass 71.68 ± 5.18 kg, height 1.73 ± 0.04 cm, BMI of 23.83 ± 1.60 kg/m2 and 16.84% fat ± 2.99. The volunteers attended the laboratory for two experimental sessions weights every other day for: 1 – maximum load (1-RM) in six exercises (leg extension, bench press in the machine, leg press, pull on the machine, leg curl and rowing machine), 2 – an experimental session with the realization of three circuits in high-intensity resistance exercise (08 reps / year x 80% 1-RM). The variables measured at rest and immediately after the experimental session were systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP). Data were analyzed using descriptive statistics with mean values and standard deviation. To compare the blood pressure before and immediately after the measurements, we employed the “t” Student test for dependent samples. All procedures were performed in the software Statistic for Windows 6.0 and the level of significance was p <0.05. Results: According to the results, it was observed that the systolic blood pressure immediately after the exercise session was significantly higher than that at home. However, there was no difference in diastolic blood pressure values. Conclusion: Thus, we conclude that resistance exercise at 80% 1RM method in circuit, causes a significant increase in SBP immediately after their execution. It is suggested to carry out further studies to monitor the recovery period post-exercise in order to check if any blood pressure lowering effect for the practitioner.

Key words: Blood pressure. Resistance training. Physical exercise

 

INTRODUÇÃO

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial (2008), há 600 milhões de hipertensos no mundo, e consta também que a prevalência da mesma no Brasil é grande, pois entre os adultos, de 30% a 35% possuem a doença. Como consequências dessa elevação nos níveis pressóricos, os órgãos-alvos estão expostos a sérios riscos de comprometimento com procedente aumento de risco cardiovascular. Esse aumento na pressão arterial pode ter como causas o sedentarismo, o estresse, hábitos alimentares inadequados e o consumo de álcool e tabaco, que são características advindas do estilo de vida urbanizado e de pós-tecnologia estabelecida (IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2002).

Perante essa realidade, torna-se evidente a necessidade de abordagens intervencionistas na tentativa de se prevenir e tratar a hipertensão arterial (LATERZA et al., 2007).

Para alcançar esses objetivos, tem sido amplamente preconizado por profissionais da saúde, juntamente com o tratamento farmacológico, a adesão de um modo de vida saudável e a prática regular de exercícios físicos, como sendo maneiras eficazes para abrandar os níveis de pressão arterial (PESCATELLO et al., 2004).

Inúmeras pesquisas comprovam os benefícios que são ofertados pelos exercícios físicos, tanto na prevenção quanto no tratamento dessa doença. Pois eles se caracterizam por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, causando várias adaptações fisiológicas que são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular durante o exercício (BRUM et al., 2004).

Atualmente, exercícios físicos resistidos vêm sendo utilizados em programas que promovem, quando supervisionados adequadamente, benefícios significantes e baixos riscos ao praticante, contribuindo para a redução da pressão arterial de repouso (BERMUDES, et al., 2004).

Doenderlin e Farinatti (2003) indicam que um método seguro para conduzir um treinamento é dando elementos adicionais à manipulação de variáveis adjuntas à sua intensidade absoluta e relativa (tipo de exercício, intervalo de recuperação, número de repetições e séries, carga mobilizada e velocidade de execução). Porém alguns estudos têm demonstrado que a intensidade do esforço não influência a resposta hipotensora pós-exercício (FORJAZ et al., 1998) e em contrapartida, outras investigações evidenciaram que a intensidade do exercício pode influenciar a dimensão e duração da resposta pressórica (POLITO et al., 2003).

Conforme os autores, a qualidade física envolvida neste tipo de atividade física é a força muscular que, além de ser necessária no desenvolvimento é, em termos de promoção de saúde, um parâmetro fundamental para a prática de atividades ocupacionais e de lazer, colaborando para a auto suficiência de indivíduos sedentários, idosos, hipertensos e cardiopatas (BERMUDES, et al., 2004).

Para uma discussão mais ampla sobre os efeitos do exercício na pressão arterial, é válido destacar que essa pode ser influenciada não só pelas adaptações decorrentes do treinamento físico crônico (adaptações crônicas), mas também pela influência de uma única sessão de exercício (efeitos subagudos ou pós-exercício). (UMPIERRE; STEIN, 2007)

Em estudo realizado por Cornelissen e Fagard (2005), composto por 12 análises e 341 voluntários, foi demonstrado redução dos valores de pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica para os indivíduos que foram expostos ao treinamento resistido.

O mesmo estudo descreve que não foram observadas diferenças relacionadas às intensidades de exercício, bem como quanto à utilização do treinamento resistido convencional ou em circuito. Sendo que, no treinamento convencional realiza-se todas as séries de determinado exercício antes de iniciar o seguinte e, geralmente, têm-se maiores cargas e tempo de intervalo do que no método de circuito, onde é mais contínuo e com menores tempo de intervalo, visto que a execução é de uma única série em cada estação, passando ao próximo exercício imediatamente, e repetindo o circuito mais vezes se necessário.

Ainda que o treinamento resistido, de forma semelhante ao treinamento aeróbico (WHELTON et al., 2002), cause apenas diminuições mínimas nos níveis da pressão arterial, em termos populacionais essa consequência pode ter impacto em uma menor incidência de doença coronariana e acidente vascular cerebral. (WHELTON et al., 2002)

Desta forma, o presente estudo tem como objetivo comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício.

 

METODOLOGIA

Participaram deste estudo, 12 voluntários normotensos do sexo masculino, com idade de 24,9 ± 2,43 anos, praticantes de exercícios físicos resistidos pelo menos seis meses e que praticassem estas atividades pelo menos três vezes por semana.

Como critérios de exclusão, considerou-se o uso de esteróides anabolizantes e medicamentos que pudessem interferir no comportamento da pressão arterial, bem como a desistência do voluntário a qualquer momento e a ingestão de cafeína, refrigerantes a base de cola, chocolates e fumo no dia do teste.

A coleta de dados foi realizada em três dias, com intervalo mínimo de 48 horas entre cada sessão. No primeiro dia todos os voluntários foram submetidos ao questionário PAR-Q (SHEPARD, 1988) para avaliação da prontidão física, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, e antes da realização do presente estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade Assis Gurgacz (PARECER 187/2008). Foram realizadas ainda as avaliações das variáveis antropométricas e de composição corporal (peso, estatura, e dobras cutâneas), e também um teste de carga máxima nos exercícios envolvidos no estudo.

Objetivando amenizar a possibilidade de ocorrência de erros durante os testes de uma repetição máxima (1RM), foram tomadas as seguintes medidas: As instruções a sobre toda a rotina dos testes foram antecipadamente passadas a todos os componentes da amostra; O voluntário foi instruído sobre a técnica de execução; O avaliador esteve atento em todos os momentos das execuções, com a finalidade de evitar que os avaliados cometessem erros que pudessem comprometer o resultado da coleta de dados; Os testes foram marcados com antecedência e sempre realizados no mesmo horário para cada avaliado.

A massa corporal foi aferida através de uma balança digital de marca Toledo, e a estatura através de um estadiômetro de parede marca Sanny, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon, Chumlea, Roche (1988).

A adiposidade corporal foi determinada por meio da utilização de um adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Industries Inc., Cambridge, Maryland). Foram medidas as espessuras das dobras cutâneas subescapular, abdominal e tricipital de acordo com os procedimentos descritos por Harrison, Bursik, Carter, Johnston, Lohman e Pollock (1988).

O percentual de gordura foi determinado através de um protocolo para três dobras (GUEDES; GUEDES, 2003). Vale ressaltar que o erro de medida será de no máximo ±1,0mm e o coeficiente teste-reteste de > 0,95.

No segundo dia os voluntários participaram da sessão experimental de exercício resistido, sendo 80% da carga máxima no método circuito.

O treinamento resistido foi aplicado com a carga de 80% de 1RM, em três circuitos, e realizado em seis aparelhos: cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina. Nessa mesma ordem, realizaram um total de oito repetições, dois segundos de execução para cada fase (excêntrica e concêntrica), sessenta segundos de recuperação entre cada aparelho e cento e vinte segundos de intervalo entre cada circuito.

Vale ressaltar que considerando o número de exercícios, número de repetições, tempo de execução de cada movimento, tempo de recuperação entre cada exercício, bem como o tempo de recuperação entre cada circuito, o volume da sessão de exercício foi semelhante nas duas situações experimentais.

A mensuração da PA foi realizada através do Método de medida oscilométrica, usando um Monitor Digital Automático de Pressão Arterial, Modelos BP 3BTO-A fabricado pela Microlife sendo verificadas após 05, 10 e 15 minutos de repouso, e imediatamente após a sessão de exercícios resistidos

Todos os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 apresenta as características gerais da amostra, com valores de média e desvio padrão de idade.

Tabela 1: Características gerais da amostra.

Na tabela 2 é apresentado os resultados do teste “t” para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

De acordo com os resultados, foi observado que pressão arterial sistólica após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo não foi observada diferença nos valores da pressão arterial diastólica imediatamente após o exercício.

 

Tabela 2: Teste t para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

PAS: Pressão Arterial Sistólica; Pressão Arterial Diastólica; mmHg: milímetros de mercúrio * p<0,05

 

DISCUSSÃO

O presente estudo comparou a condição pressórica antes e imediatamente após uma sessão de exercício físico resistido no método circuito com 80% de 1RM.

De acordo com os resultados da pesquisa, observou-se que imediatamente após o exercício as médias da pressão arterial sistólica foram significativamente mais elevadas que as médias antecedentes ao exercício. Este resultado é explicado em parte pela ativação de quimiorreceptores por fadiga periférica (CARRINGTON; WHYTE, 2001).

Considerando que a carga de 80% de 1RM pode ser classificada como uma alta intensidade, esses resultados corroboram com a literatura, que indicam que exercícios realizados até a exaustão resultariam em uma resposta mais elevada da pressão arterial imediatamente após o esforço (LENTINI et al., 1993).

Contudo, há de se considerar que os resultados do presente estudo limitam-se a comparar a pressão arterial de repouso e imediatamente após o exercício. A literatura aponta ainda o benefício agudo no controle de pressão arterial em indivíduos normotensos (FORJAZ et al., 1998).

A diminuição nos níveis pressóricos após exercício resistido são comprovados pelos destaques de outros recentes autores, que realizaram estudos em normotensos e hipertensos de diferentes faixas etárias (BROWN et al., 1994; FOCHT; KOLTYN, 2000; MACDONALD et al., 2000; LIZARDO; SIMÕES, 2005; MOTA, 2006).

Entretanto, em um estudo realizado por Fisher (1999), não foi observado hipotensão pós-exercício para a pressão arterial diastólica a partir de exercício resistido realizado a 50% de 1RM em normotensos e hipertensos.

Apesar de não ter sido foco deste estudo, o acompanhamento da pressão arterial após o exercício resistido poderia evidenciar efeito hipotensor.

Portanto, segundo Hara e Floras (1994) a hipotensão pós exercício da pressão arterial diastólica poderia ocorrer pelo fato de estar relacionada à redução da resistência vascular periférica a partir da vasodilatação mantida pós exercício que ocorre, entre outros motivos, pela acentuada produção de metabólitos, e ainda conforme Mota (2006), sessões de exercício resistido proporcionam um maior estresse metabólico pós exercício devido ao maior pico de lactato sanguíneo.

Por outro lado, durante o exercício de força, tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica tendem a se elevar, promovendo um aumento também expressivo na pressão arterial média, mesmo que por um curto período de tempo. (MACDOUGAL et al., 1985 citados por POLITO; FARINATTI 2003).

A American College of Sports Medicine (ACSM) (2000), menciona que, isoladamente a PAS e PAD mostram comportamentos diferenciados durante o exercício. A PAS tende a aumentar em proporção direta à intensidade do exercício em função da elevação do débito cardíaco, o que justifica o resultado do presente estudo.

Porém os resultados obtidos contradizem ao estudo feito por Franklin, Bonzheim et al., (1991), que afirmam ocorrer elevação significativa da PAD.

Corroborando a não ocorrência de alteração significativa da PAD, pode ser devido ao fato de que os voluntários do presente estudo são jovens normotensos, com experiência e prática regular de exercício resistido.

A literatura aponta que a prática regular do treinamento com pesos pode abrandar as respostas agudas para valores absolutos de carga, por outro lado, quando se levam em conta os seus valores relativos, tanto a pressão arterial quanto a frequência cardíaca tendem a não apresentar mudanças ou até a aumentar, principalmente em esforços de solicitação máxima (POLITO E FARINATTI, 2003).

Entre as adaptações crônicas mais importantes decorrentes da prática regular de exercícios de força podem ser citadas a possível redução da freqüência cardíaca (GOLDBERG et al., 1994), e da pressão arterial de repouso (KELLEY; KELLEY, 2000), e também a menos sobrecarga cardíaca durante o exercício, com menor duplo-produto associado (MAIORANA et al., 2000).

Ainda falando das adaptações causadas, Fleck (1999) ressalta que a pressão arterial aumenta proporcionalmente em relação à carga e aumenta em relação à massa muscular envolvida no exercício. Essa resposta parece não ser linear, indicando assim que as respostas circulatórias para o exercício de resistência são em grande parte determinados pela intensidade do esforço, executado para cada pessoa durante a conclusão de número igual de repetições.

Referindo-se a prescrição de exercício de força, o ACSM (2000), sugere para portadores de comprometimento cardiovascular um número de repetições satisfatório entre 10 e 15, de caráter submáximo e com sensação subjetiva de esforço entre 11 e 15 (Escala de Borg), dependendo do estado de treinamento e nível da enfermidade. Já  em se tratando do volume de treinamento, aconselha duas a cinco vezes por semana.

Já para Santarém (2001), a eficácia do treinamento exige pesos relativamente elevados com poucas repetições, desde que não se faça esforço máximo, a pressão arterial aumenta dentro de níveis seguros, o que vem de encontro ao objetivo proposto pelo presente estudo, onde se utilizou uma carga mais elevada, de 80% de 1RM em método circuito. O autor acrescenta ainda, que é errado dizer que pesos leves e maior número de repetições são mais seguros, pois ao ocorrer isometria e apnéia, ao final da série a pressão arterial aumentaria mais do que com maior peso e menos repetições.

Há diversas evidências e estudos que apontam o treinamento contra resistência como benéfico e seguro mesmo para pessoas portadoras de algumas doenças cardíacas, desde que o mesmo seja prescrito com os cuidados necessariamente considerados.

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução.

Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante, bem como se possa aplicar o exercício resistido na prevenção e tratamento não farmacológico da hipertensão arterial.

 

REFERÊNCIAS

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Motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio

Motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio

Deivid Junior da Silva[1]; Aline Cviatkovski[2]; Juliano Prá[3]; Paulo Pagliari[4]; Rafael Cunha Laux[5]

[1] Graduando de licenciatura do curso de Educação Física – UNOESC, campus  Chapecó.

[2] Mestranda em Psicologia pela IMED. Graduada em Psicologia pela UNOESC Chapecó.

[3] Professor de Educação Básica do Estado de Santa Catarina.

[4] Mestre em Educação. Coordenador do Curso de Educação Física da Unoesc Chapecó.

[5] Mestre em Educação Física pela UFSM. Professor do Curso de Educação Física.  E-mail: rafael.laux@unoesc.edu.br. Autor correspondência.

 

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo verificar a motivação para a prática da atividade física em adolescentes do Ensino Médio de Escolas Públicas de Chapecó. Participaram 50 sujeitos de ambos os sexos de uma Escola da Rede Pública Estadual de Chapecó e com idade média de 16,86+ anos. A motivação para a prática de atividade física e o nível de atividade física foram avaliados, respectivamente, por meio do questionário Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) e Questionário Internacional da Atividade Física (IPAQ). As análises estatísticas descritivas foram realizadas utilizando-se o programa estatístico SPSS® versão 21.0 para Windows. Ao analisar a motivação para prática de atividade física, observou-se que o sexo feminino tem uma motivação introjetada, maior do que a do sexo masculino (P=0,039) e o grupo masculino tem maior índice de motivação integrada do que o sexo feminino (P=0,014). Conclui-se que o perfil motivacional dos alunos do último ano no ensino médio foi representado por meio da motivação introjetada e motivação integrada.

Palavras-chave: Educação Física. Motivação. Atividade Física.

 

ABSTRACT

The present study had as objective to verify the motivation for the practice of the physical activity in adolescents of High School of Public Schools in Chapecó. There were 50 subjects of both sexes of a School of the State Public Network of Chapecó and with average age of 16.86+ years participating in the study. The motivation for the practice of physical activity and the level of physical activity were evaluated, respectively, through the questionnaire Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) and International Questionnaire of Physical Activity (IPAQ). Descriptive statistical analyzes were performed using the statistical program SPSS® version 21.0 for Windows. When analyzing the motivation to practice physical activity, it was observed that the female sex has an introjected motivation, higher than the male gender (P = 0.039) and the male group has a higher integrated motivation index than the female gender ( P = 0.014). It is concluded that the motivational profile of the students of the last year in high school was represented through the introjected motivation and integrated motivation.

Keywords: Physical Education. Motivation. Physical activity.

 

MOTIVACIÓN PARA LA PRÁCTICA DE ACTIVIDAD FÍSICA EN ADOLESCENTES DE LA ENSEÑANZA MEDIANA

RESUMEN

El presente estudio tuvo como objetivo verificar la motivación para la práctica de la actividad física en adolescentes de la Enseñanza Media de Escuelas Públicas de Chapecó. Participaron 50 sujetos de ambos sexos de una Escuela de la Red Pública Estadual de Chapecó y con una edad media de 16,86+ años. La motivación para la práctica de la actividad física y el nivel de actividad física fueron evaluados, respectivamente, a través del cuestionario de evaluación del comportamiento en el análisis del comportamiento (BREQ-3) y Cuestionario Internacional de la Actividad Física (IPAQ). Los análisis estadísticos descriptivos se realizaron utilizando el programa estadístico SPSS® versión 21.0 para Windows. En el análisis de la motivación para la práctica de actividad física, se observó que el sexo femenino tiene una motivación introyectada, mayor que la del sexo masculino (P = 0,039) y el grupo masculino tiene mayor índice de motivación integrada que el sexo femenino (P = 0,039) P = 0,014). Se concluye que el perfil motivacional de los alumnos del último año en la enseñanza media fue representado por medio de la motivación introyectada y de la motivación integrada.

Palabras clave: Educación Física. Motivación. Actividad física.

 

 

INTRODUÇÃO

A Educação Física é um dos principais componentes no currículo escolar dos adolescentes no ensino médio (GODOY, 2002). Ela implanta características diversificadas, inovadoras em relação à fase cognitiva, social, física, cultural e afetiva em que os adolescentes estão vivendo. No ensino médio, os alunos dividem-se em duas classificações, aqueles que promovem a prática esportiva intensa e formal e os que encontram na Educação Física o lazer e o bem-estar (BETTI; ZULIANI, 2002). O professor de Educação Física tem um papel crucial no desenvolvimento e no aprendizado dos adolescentes, auxiliando no aspecto do bom humor através de atividades físicas motivacionais (MARZINEK, 2004).

O estilo de vida mais ativo e saudável, por meio de práticas de exercícios físicos, se mostra eficaz na prevenção de doenças e na promoção da saúde tanto física quanto mental (WERNECK; NAVARRO, 2011). A motivação se divide em duas categorias na Educação Física, a intrínseca e a extrínseca que se dividem em subcategorias. A motivação intrínseca é fundamentada no conceito do exercício físico realizado por vontade própria (MARZINEK, 2004). É importante ressaltar que a motivação intrínseca não envolve cobranças, o indivíduo realiza atividades de forma que satisfaz suas próprias necessidades (MARTINELLI; DANIEL 2007). Já a motivação extrínseca é quando os exercícios físicos são realizados de forma proposital (MARZINEK, 2004), ela diz respeito a ação que o individuo realiza para ganhar algo em troca, como por exemplo, notas, pontos, medalhas (MARTINELLI; DANIEL, 2007).

A motivação extrínseca de regulação externa é desempenhada através de remuneração, ou para evitar algum problema (DECI; RYAN, 2002) ou quando se sente pressionado a fazê-lo, para não magoar ou descumprir ordens (SOBRAL, 2003). A motivação extrínseca de regulação introjetada é onde o aluno não quer realizar a atividade e faz por alguns propósitos, de vergonha, culpa ou para não contrariar o professor (DECI;RYAN), ou seja, realiza a atividade por imposição própria, podendo ser para superar metas e objetivos implantados por ele mesmo (SOBRAL, 2003). Motivação extrínseca de regulação identificada é quando o aluno tem o comportamento motivado e produz resultados dependendo de sua vontade. Na motivação extrínseca de regulação integrada o aluno é motivado e busca realizar as atividades pelos objetivos pessoais e não pelo prazer das atividades (DECI; RYAN, 2002).

O aspecto que diferencia a atividade física do exercício físico no contexto da motivação, onde a atividade física provoca gastos energéticos acima do nível de repouso do adolescente. O exercício físico é executado no formato de planejamento do movimento e realizado em um período curto de tempo (GODOY, 2002). A prática do exercício físico gera efeitos positivos no adolescente, melhorando o humor, reduzindo o estresse, aumentando sua autoestima com a melhora da eficiência e favorecendo o raciocínio lógico, tornando importante a motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio de escolas públicas. Os adolescentes praticam exercícios físicos por várias razões, que se diferenciam de acordo com a idade, sexo, autoconfiança e satisfação pessoal, para se socializar e para simular objetivos de vida, o esporte pode ser uma oportunidade a ser vivenciada (BARROS, 1993).

Uma adolescência saudável e alegre é extremamente importante contra o sedentarismo e estados de depressão, melhorando a relação entre prática do exercício físico e a motivação para sua realização. As aulas de Educação Física preparam o adolescente para que ele tenha o melhor aproveitamento possível no conceito da prática esportiva, preparando o aluno para ter uma vida mais saudável e ativa (BETTI; ZULIANI, 2002). No ensino médio, a Educação Física se aplica na interação dos alunos nas aulas, bem como no comportamento motivacional onde possui alunos ativos e não ativos fisicamente (PEREIRA; MOREIRA, 2005). Por isso, o objetivo desse estudo é verificar a motivação para a prática da atividade física em adolescentes do Ensino Médio de Escolas Públicas de Chapecó.

 

MÉTODO

O estudo é caracterizado como descritivo (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2012). Na pesquisa foi obedecido e garantido o anonimato dos alunos participantes, havendo a possibilidade de desistência em qualquer fase do questionário ou de recusa a participar do mesmo. Em conformidade com a Resolução Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012 e aprovado no Comitê de ética em Pesquisa da Universidade do Oeste de Santa Catarina pelo CAAE 75327617.9.0000.5367.

Participaram do estudo 50 alunos do último ano no ensino médio de uma Escola da Rede Pública Estadual de Chapecó com idade entre 16 e 18 anos. Para participar do estudo o aluno precisou ter frequência de no mínimo 75% nas aulas do semestre. Os alunos que não se encaixaram nos critérios foram excluídos da etapa da pesquisa. O questionário aplicado foi composto por perguntas para descrição das características da amostra, como idade, sexo, motivação, além de assuntos que influenciam na pesquisa, como o aspecto motivacional diário dos adolescentes sobre os exercícios físicos e o sentimento ao desenvolver uma Atividade Física, sendo aplicado em alunos dos sexos opostos e aqueles que não participam e participam das aulas de Educação Física. A avaliação foi composta pelos questionários Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) (GUEDES; SOFIATI, 2015), que tem por objetivo avaliar a motivação no exercício físico e o Questionário Internacional da Atividade Física (IPAQ) (MATSUDO et al., 2001), que verifica os níveis de prática de exercício físico.

A coleta dos dados foi realizada no mês de agosto de 2017, nos dias com aulas de Educação Física. O procedimento da coleta foi organizado da seguinte forma: entrega da carta de apresentação na escola, antes de submeter o questionário, ouve uma explanação do assunto, mostrando a importância da pesquisa. Durante o questionário, o avaliador permaneceu na sala para eventuais dúvidas, mas sem o profissional de Educação Física para que os alunos não se sentissem constrangidos durante as respostas.

Para análise de dados utilizou-se estatística descritiva e inferencial. A normalidade foi verificada pelo teste Shapiro-Wilk e as comparações entre os grupos foram realizados pelos testes T e Mann Whithey e a associação no teste Qui-Quadrado. As análises de estatísticas descritivas foram realizadas no software SPSS® (versão 21.0 para Windows) e o nível de significância utilizada foi de 5%.

 

RESULTADOS

Atendendo aos principais objetivos da pesquisa serão apresentados os resultados da estatística descritiva. Realizando a exposição das médias obtidas pelos participantes no questionário de avaliação da motivação. Apresentando as relações previstas entre as diferentes variáveis. Participaram do estudo 50 sujeitos (tabela 1) de ambos os sexos e com idade média de 16,86, divididos em dois grupos de 25 sujeitos cada.

 

Tabela 1: Caracterização dos Alunos das Escolas Públicas. Chapecó, 2017.

Ao analisar o nível de atividade física dos adolescentes IPAQ (tabela 2), na comparação entre os grupos do sexo feminino e masculino, não se observou diferença nos dados.

Tabela 2: Nível de atividade física dos adolescentes (IPAQ).

*P <0,05> no Teste Qui-Quadrado

Ao observar as variações na motivação para prática de atividade física dos adolescentes (tabela 3), percebeu-se que houve duas diferenças na comparação entre o grupo de sujeitos do sexo feminino e do masculino. Notou-se que na motivação introjetada o grupo de sujeitos feminino obteve uma média elevada (M=2,18), acima do parâmetro (P=0,03) e o grupo de sujeitos masculino obteve variação diferente na motivação integrada, com uma média elevada (M=2,15), acima do parâmetro (P=0,01).

 

Tabela 3: Motivação para Prática de Atividade Física dos Adolescentes.

*P <0,05 no Teste T. # P <0,05 no Teste Mann Whithey

 

DISCUSSÃO

Ao verificar-se a motivação para a prática da atividade física dos adolescentes, comparando os sujeitos do sexo feminino e os do masculino, observou-se que a maior motivação que os escolares do sexo feminino possuem é a introjetada e os do sexo masculino é a motivação integrada.

Os resultados desse estudo são diferentes dos resultados de Abreu e Dias (2015), que indicam pontuação diferenciada nas dimensões das motivações. Joly (2011) apresentou fatores motivacionais elevados na motivação intrínseca, que indica a execução dos sujeitos nas atividades físicas por vontade própria. Conforme Fernández (2004), a motivação intrínseca possui aspecto positivo na consequência do bem estar do sujeito. Diferente da amotivação que leva a preditora negativa, em que o sujeito não se mostra motivado, em contraponto, Joly (2011) indicou que na motivação identificada o sujeito realiza as atividades em conformidade com sua vontade durante o dia.

O estudo apresentou variação elevada na motivação introjetada no grupo de estudo de sujeitos femininos, onde este grupo realiza as atividades para não contrariar uma ordem. Os resultados apontados por Vallerand (1997), na motivação intrínseca, identificada, externa e amotivação estão de acordo com os resultados aplicados nesse estudo. A motivação integrada obteve variação elevada no grupo de estudo de sujeitos masculinos, onde o sujeito realiza as atividades para obter objetivos pessoais. Esse resultado está de acordo com Barbosa (2011), o resultado é parecido com o de Abreu e Dias (2015) que possui a mesma linha proposta do estudo.

O estudo apontou que os aspectos da motivação externa, introjetada, identificada, integrada, intrínseca e amotivação citadas pelos autores Abreu e Dias (2015), Joly (2011), Fernández (2004) e Vallerand (1997), possuem a mesma linha de pensamento, mas variam em seus resultados de aplicações devido ao fundamento da motivação dos sujeitos. De acordo com o estudo o índice de autodeterminação obteve o resultado normal ao padrão dos sujeitos avaliados. Este resultado está de acordo com Deci e Ryan, (2000) que indica que os estudantes no ambiente escolar são motivados pelas necessidades psicológicas básicas e totalmente satisfeitas no índice de autodeterminação.

 

CONCLUSÃO

Conclui-se, no grupo estudado, que 44% dos participantes são considerados ativos fisicamente e 56% não atingiram os critérios para serem classificados como suficientemente ativos. Ao comparar-se a motivação para a prática da atividade física entre os sujeitos do sexo feminino e masculino verificou-se que o sexo feminino possui variação na motivação introjetada, na qual realizam a atividade para não contrariar ordens, e o sexo masculino possui variação na motivação integrada, na qual realizam as atividades pelos objetivos pessoais e não pelo prazer das atividades.

 

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Heart Rate Response During a Professional Football Match

Gian Baldassari Silvestre, Rodrigo Ferro Magosso, Cássio Mascarenhas Robert-Pires

 

RESUMO

A demanda fisiológica à qual um indivíduo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a frequência cardíaca (FC). O objetivo do presente trabalho foi identificar a intensidade de esforço (através da análise da FC) de futebolistas durante sua prática esportiva. A FC de 19 atletas (idade de 26,7± 4,6 anos e peso corporal de 78,1 ± 7,3 kg), foi analisada com uso do software Firstbeat® durante seis partidas, com o menor tempo registrado de 3 minutos durante uma partida. Os atletas apresentaram uma FC média correspondente a 82 ± 0,9% da frequência cardíaca máxima dentro do período analisado. Os menores valores encontrados durante o jogo corresponderam a 62 ± 2,8% da FCmáx e os picos de FC corresponderam a 97,0 ± 0,8% da FCmáx.

Palavras-chave: Frequência cardíaca, futebolistas, intensidade de esforço

 

ABSTRACT

The physiological stress imposed to an individual during a soccer match has been reported by different parameters such as heart rate (HR). The objective of the present study was to identify the intensity of effort (through FC analysis) of soccer players during their sports practice. The HR of 19 athletes (age 26,7 ± 4,6 years old and body weight 78,1 ± 7,3 kg) was analyzed using the software Firstbeat® during six matches, with the shortest recorded time of 3 minutes during a match. Athletes presented average HR corresponding to 82 ± 0.9% of maximum heart rate within the analyzed period. The lowest values found during the game corresponded to 62 ± 2.8% of HRmax and the HR peaks corresponded to 97.0 ± 0.8% of HRmax.

Key words: Heart rate, soccer players, effort intensity

 

INTRODUÇÃO

O futebol é uma modalidade esportiva com características intermitentes, estruturado por movimentos cíclicos e acíclicos, com predominância do metabolismo aeróbio e, em suas ações decisivas, pelo anaeróbio1.

Esta variabilidade de movimentos exige o desenvolvimento de capacidades motoras como resistência e potência aeróbia, resistência e potência anaeróbia, velocidade, agilidade e ótimos níveis de força.

Nos últimos anos, vem crescendo o interesse dos pesquisadores e da população como um todo em conhecer e compreender as reais demandas fisiológicas durante a prática deste esporte.

A demanda fisiológica à qual um individuo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a distância total percorrida, velocidade média de corrida, a temperatura corporal, medidas diretas de oxigênio, concentração de lactato e frequência cardíaca (FC)2.

De acordo com BRUM et al. (2004) o exercício físico caracteriza-se por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, pois implica no aumento instantâneo da demanda energética da musculatura exercitada e consequentemente do organismo como um todo. Para suprir a nova demanda metabólica, várias adaptações fisiológicas são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular.

O tipo e a magnitude da resposta cardiovascular dependem de uma série de fatores como o tipo de exercício executado, nível de condicionamento, intensidade e duração da atividade, nível de hidratação, massa muscular envolvida e até mesmo a temperatura ambiente.

Parece haver um consenso na literatura em geral quanto ao comportamento da frequência cardíaca durante uma partida de futebol; diversos autores relataram que a FC média corresponde a aproximadamente 85% da frequência cardíaca máxima (FCmáx.) variando entre 80 e 90% durante a prática esportiva1,2,4,5,6,7.

O objetivo do presente trabalho visa identificar, através do percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx.) a intensidade média em que futebolistas atuam durante a sua prática esportiva.

 

MATERIAIS E MÈTODOS

Participaram do estudo 19 atletas do sexo (cujas características estão descritas na tabela 1) pertencentes a um clube da primeira divisão do campeonato paulista que mantêm treinamentos regulares e participação em competições reconhecidas pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Não houve critério de exclusão para o estudo; todos os atletas que entraram em campo foram incluídos na amostra. O menor tempo de jogo registrado foi de 3 minutos. O período de coleta dos dados foi de 22/3/2017 à 15/04/2017 somando um total de seis jogos monitorados.

Para acompanhamento da FC durante os jogos foi utilizado o software Firstbeat®. Este sistema possibilita o registro da FC sem a utilização de um monitor de punho (proibido por colocar em risco a integridade do atleta e de seus adversários).

Tabela 1 – Caracterização da amostra.

Inicialmente, a frequência cardíaca máxima dos atletas foi estimada pelo software através da equação descrita por KARVONEN, KENTALA & MUSTALA (1957) – FCmáx. = 220 – idade; Durante os treinamentos e jogos amistosos da pré-temporada, assim que registrados valores superiores, o software já realizava a atualização automática.

Devido à heterogeneidade do grupo em relação à idade (único fator determinante da frequência cardíaca máxima), utilizamos os valores relativos da FC de cada individuo (%F.C. Máx.). 

RESULTADOS

As respostas da frequência cardíaca de todos os atletas que entraram em campo durante os seis jogos monitorados estão descritos na tabela 2.

Tabela 2 – Médias da frequência cardíaca absoluta (bpm) e relativa (%fc. máx.) máxima, média e mínima mensuradas durante as seis partidas.

Em relação aos valores absolutos, a FC oscilou entre 122 e 192 batimentos por minuto (bpm) representando em valores relativos, 60 a 97% FCmáx. dos voluntários. O comportamento médio da frequência cardíaca durante o monitoramento foi de 162 ± 1,75 bpm, equivalente a aproximadamente 82% da frequência cardíaca máxima dos atletas. A FC mínima variou muito durante os jogos por conta dos intervalos para hidratação, substituições e parada para atendimento médico. Os valores observados permanecem por volta dos 122 bpm (62% FCmáx.).

 

DISCUSSÃO

O principal objetivo do presente estudo foi mensurar a intensidade de esforço através do percentual da frequência cardíaca máxima que um jogador de futebol atua durante a prática esportiva.

Os resultados encontrados evidenciam que esses atletas atuam durante os 90 minutos de uma partida à uma FC média de 82% da frequência cardíaca máxima.

Tal resultado corrobora com a literatura existente; BANGSBO, MOHR & KRUSTUP (2006) encontraram, mediante monitoração da frequência cardíaca em partidas profissionais, valores médios próximos a 85% FCmáx.. MORTIMER et al. (2006) compararam a intensidade de esforço no primeiro e segundo tempo chegando aos valores de 85,2% e 82,7%, respectivamente. Já STØLEN et al. (2005) relataram que a intensidade media da frequência cardíaca varia entre 80 e 90% da FCmáx.

Isso nos permite sugerir que a utilização destas zonas de intensidade durante os treinamentos do dia-a-dia deixará o atleta melhor condicionado e mais preparado para suprir as reais demandas cardiovasculares de uma partida de futebol. COELHO et al. (2008) compararam a intensidade de uma partida, de um coletivo e jogos reduzidos, concluindo que os jogos reduzidos são os que mais se aproximam da realidade de uma partida, em relação as demandas cardiovasculares (84%, 75% e 79% FCmáx., respectivamente).

Esses resultados evidenciam o grau de esforço e a intensidade média durante uma partida de futebol. Vale ressaltar que diversos fatores podem influenciar na intensidade de esforço dos futebolistas, tais como: esquema tático, tipo de marcação, nível do adversário, condições ambientais, etc.

Alguns autores ainda correlacionam a intensidade média do jogo de futebol com o limiar anaeróbio mostrando que este nível de intensidade corresponde à maior parte do tempo de estresse10.

 

CONCLUSÕES

O presente estudo conclui que jogadores de futebol atuam em média à uma intensidade de 82% de sua frequência cardíaca máxima.

 

REFERÊNCIAS

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ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

 

Deyvid Tenner de Souza Rizzo1; Ágata Cristina Marques Aranha2; Clara Maria Silvestre Monteiro de Freitas3; Nelson Joaquim Fortuna De Sousa2

1Faculdades Magsul (FAMAG).

2Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal.

3Professor Associado da Universidade de Pernambuco – Escola Superior de Educação Física.

 

RESUMO

O estudo analisa pesquisas que abordam a temática do tratamento educacional dado ao esporte em benefício à saúde das pessoas. Para isso foi realizada uma revisão sistemática em cinco bases de dados utilizando descritores em português e inglês. Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 2005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com humanos. Resultados indicam a existência de 7691 estudos com o trabalho direcionado aos valores educacionais através do esporte, mas apenas 9 avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos. Concluímos que em grupos diversos as práticas pautadas em valores educacionais são grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares.

Palavras-Chaves: Esporte. Saúde. Qualidade de vida. Educação.

 

ABSTRACT

The study examines research that address the issue of educational treatment of the sport for the benefit to people’s health. For it was carried out a systematic review of five databases using key words in Portuguese and English. The inclusion criterion was instituted original articles, published between 2005-2015, in national and international journals in Portuguese and English, and research involving human . Results indicate that there are 7691 studies with work directed to educational values ​​through sports, but only 9 advance toward to guarantee the health of the subjects. We conclude that in the various practices based groups in educational values ​​are big boosters of behavior and healthy habits.

KeyWords: Sport. Health. Life’s quality. Education.

 

INTRODUÇÃO

Esporte, saúde e educação! Qual é a real possibilidade do esporte e a Educação Física contribuírem com a melhoria ou manutenção de uma boa saúde das pessoas no mundo de hoje? (KUNZ, 2007). Com esse estudo, verificou-se que os temas saúde e promoção da saúde por meio de práticas esportivas educacionais são bem mais complexos do que se apresentam no meio acadêmico.

A correta orientação que atividades físicas garantem, em grande parte, a melhoria e manutenção de uma vida mais saudável e previne doenças, já não é mais tão aceita (KUNZ, 2007).

Estudos apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em diferentes públicos, no sentido de dotar este campo disciplinar de instrumentos úteis em relação à terapêutica, à prevenção de doenças e à promoção da saúde humana (LUGUETTI et al., 2015; DOBBINS et al., 2009; ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013).

As preocupações no campo da grande área da saúde estão ligadas a diversos fatores, que alguns autores chamam de uma melhoria da “qualidade de vida” do indivíduo (MELLO et al., 2005; MONTEIRO; FILHO,  2004; CIOLAC; GUIMARÃES, 2004). As pesquisas desses autores apresentam resultados que põem a prática de atividades físicas, exercícios, esporte e lazer como soluções não somente para o tratamento de patologias, mas também como alternativas favoráveis à melhora das condições de saúde, com caráter promotor destas condições.

Os conceitos elaborados quanto ao que vem ser saúde devem ser objetos de cuidadosa reflexão, para que se possa perceber e atuar de forma coerente a fim de contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas (GUEDES; DARIDO; MAITINO, 2004).

Acredita-se em efeitos positivos da prática esportiva pautada em valores educacionais para a manutenção e melhoria da saúde das pessoas, sendo criança, adolescente, adulto, idoso, atleta ou sedentário. Pois uma prática esportiva condicionada em valores educacionais possibilita um estilo de vida saudável, seja para prevenção, tratamento e recuperação de doenças físicas ou mentais.

Nesse cenário, nos últimos dez anos, encontraram-se poucas pesquisas que se dedicaram a estudar esse recorte específico, a ênfase da maioria dos estudos é centrada apenas nas prerrogativas do esporte enquanto agente de transformação social, as discussões não avançam em direção para a garantia da saúde de seres humanos com pesquisas de campo pautadas em dados empíricos.

Deste modo, este estudo teve como objetivo identificar e analisar, por meio de uma revisão sistemática, o tratamento educacional dado ao esporte em benefício à promoção da saúde das pessoas.

 

METODOLOGIA

A metodologia caracterizou-se como um “estudo bibliográfico” no qual, “busca dar resposta ao problema formulado a partir da análise de produções de outros autores” (MEDEIROS, 2006, p. 54). Por utilizar procedimentos de caráter inventariante e descritivo esta metodologia pode ser caracterizada como pesquisa do estado do conhecimento.

O estudo trata-se de uma revisão sistemática; baseia-se em estudos primários que permitem avaliar a coerência das relações, identificando as relações entre pesquisas desenvolvidas com semelhanças ou diferentes intervenções, em que possibilita identificar inconsistências e conflitos entre diferentes informações (MULROW, 2004).

A investigação foi realizada por meio de pesquisa nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, PubMed, LILACS, SciELO, Bireme e Base de Dados Capes, no período de busca de 2005 a 2015. Como estratégias de busca, utilizaram-se os seguintes descritores e palavras-chave em português e inglês: “Esporte”, “Educação”, “Educacional”, “Saúde”. Houve a combinação desses termos e descritores por meio do operador lógico AND: esporte AND “educação” (2.403 estudos); esporte AND “saúde” (3.884); esporte AND “educação” AND “saúde” (421estudos); esporte AND “educacional” (983 estudos).

Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 20005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com seres humanos. Foram excluídos estudos de revisão de literatura, teses, dissertações e monografias, assim como artigos nos idiomas: espanhol, alemão, francês, italiano, russo, finlandês e ucraniano.

No processo de seleção, nas análises e na organização dos artigos, procurou-se responder aos seguintes questionamentos: quais as características dos artigos quanto ao ano autor? Qual a metodologia adotada? Quais os locais onde foram desenvolvidas as pesquisa? Qual o número e principais características dos sujeitos dos estudos selecionados? E por último, quais os principais resultados alcançados? Para responder estas questões, foi construída uma tabela de acordo com as informações relevantes dos estudos, no tocante as variáveis: autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados.

O conteúdo dos artigos selecionados foi avaliado e validado na medida em que se tratavam de estudos exploratórios, de intervenção, descritivos, séries de caso, pesquisa ação e análise estatística. Dado o número crescente de estudos sobre a influência do esporte na vida das pessoas, foram definidos como critérios para seleção apenas os estudos que investigaram os efeitos da prática esportiva pautada em valores educacionais para o benefício da saúde de uma determinada amostra de sujeitos. Não foram considerados elegíveis relatos de caso, revisões de literatura e cartas ao editor. Quando se tratavam de estudos experimentais foram considerados estudos inaceitáveis quando havia somente análise estatística descritiva e não inferencial.

Primeiramente, para identificar se os estudos atendiam aos critérios de inclusão, foi realizada uma análise ancorada nos títulos dos artigos selecionados. Em seguida, dois revisores independentes fizeram uma triagem de todos os artigos identificados por meio da leitura dos respectivos títulos e resumos, adotando-se os critérios de inclusão e exclusão citados anteriormente. Quando existiu discordância quanto à permanência ou não de determinado estudo, um terceiro revisor foi consultado. Em seguida, os artigos remanescentes foram acessados na íntegra para avaliação, e os artigos que não houve consenso quanto aos critérios de in/exclusão, foram analisados por um terceiro revisor.

Após a exclusão dos artigos duplicados por meio do processo de refinamento, foram obtidas 83 publicações, que foram lidas e examinadas criteriosamente, classificando-as e agrupando-as, adotando um protocolo de organização segundo as categorias temáticas, quanto o tipo de estudo e as práticas esportivas sustentadas em valores educacionais para benefício da saúde das pessoas. Na etapa seguinte, os artigos foram analisados na íntegra, totalizando 09 artigos que atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos.

 

RESULTADOS

O processo de pesquisa realizado neste estudo identificou, inicialmente, por meio dos descritores e palavras-chave combinados, 7.691 artigos. Em seguida, houve um refinamento, utilizando-se os critérios de inclusão como filtros de pesquisa, tais como: 1) artigos disponíveis em formato completo, atingindo 4.116 estudos; 2) artigos publicados entre 2005 e 2015, alcançando 2.131 estudos; 3) artigos disponíveis nos idiomas português e inglês, obtendo 1.825 estudos. Destes, identificou-se 312 artigos repetidos, o que reduziu a amostra do estudo para 1.513.

Após a leitura dos títulos, selecionaram-se 83 artigos para posterior análise dos resumos. Com isso, foram identificadas 21 publicações que contemplavam a influência do esporte pautado em valores educacionais para um estilo de vida saudável. Em seguida, procedeu-se à leitura desses artigos na íntegra, a partir da qual 09 produções compuseram a amostra dessa revisão, tendo em vista que abordavam possíveis fatores do esporte pautado em valores educacionais como determinantes para a prática de atividade física em prol da manutenção da saúde.

Em relação aos grupos etários o que predominou foram crianças e adolescentes de ambos os gêneros. Em 06 estudos pode-se perceber que há correlação significativa entre a realização de uma prática esportiva pautada em valores educacionais e o vivenciamento de um estilo de vida saudável.

Em 02 estudos foi evidenciada a importância sobre o valor da educação mesmo para os atletas e treinadores no esporte de alto nível, demonstrando que o ato educacional pode impactar até para o surgimento de estratégias inovadoras pra o desporto, além de corroborar para a saúde e bem estar dos sujeitos envolvidos.

A importância da relação entre esporte e educação pelo professor de Educação Física foi apontada em 01 estudo, além do compromisso docente em sistematizar a prática da saúde coletiva na sociedade por meio das práticas esportivas. Esse estudo ainda cria novas propostas que viabilizam maior conhecimento sobre a tríade: “esporte, educação e saúde”, ampliando as formas de atuação desses profissionais no âmbito escolar.

Todos os estudos analisados revelaram uma correlação entre esporte e educação para a promoção da saúde do sujeito e consequentemente o vivenciamento de um estilo de vida saudável, seja por meio da prática do esporte na Educação Física Escolar, no lazer e recreação ou no esporte de alto nível.

 

DISCUSSÃO

Logo a seguir, a Tabela I apresenta os 09 artigos selecionados, destacando as características dos estudos quanto autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados. Os artigos se encontram em ordem cronológica crescente.

 

Tabela I – Características dos artigos selecionados pelas bases de dados eletrônicas.

Isto é, o corpo em movimento não pode ser ignorado através das atividades corporais, brincadeiras, jogos de competição de alto nível, ou deixado em segundo plano. Sobre esta complexidade de práticas todo um conjunto de discursos sobre o papel da Educação Física na grande área da saúde, seja na prevenção de doenças crônicas e agudas, seja na recuperação terapêutica, ou na promoção da saúde, não cessa de aumentar.  E, certamente, o ato educacional favorece ao fortalecimento de práticas que consolidem as atividades esportivas como uma possibilidade de intervenção, deste modo, tanto profissionais de Educação Física, crianças, adolescentes, adultos e idosos terão a medida da importância de uma atividade corporal no processo saúde/doença, e em práticas saudáveis.Nos resultados dos estudos de Backes et al. (2009) alguns recortes de falas dos depoentes mostram os significados que jovens de um projeto social possuem sobre saúde, a saber: 1) Saúde é fazer esporte. 2) Saúde é relaxar, descansar; 3) Saúde é fazer esporte para manter a forma; 4) O corpo precisa se movimentar para ter saúde e manter a forma.

Para a intervenção do profissional de educação física para melhoria da saúde coletiva; se torna possível e necessária a inclusão de práticas corporais como parte integrante de uma comunidade, tanto em relação à prevenção, como à recuperação e à promoção (expansão) da saúde. O profissional da educação física, quando voltado para a saúde, pode ser um membro de uma equipe tal como é o médico, o enfermeiro, o fisioterapeuta, o nutricionista etc. Atualmente a educação física tem alguma presença no setor educacional, através da rede escolar, mas muito pouco dessa presença influirá realmente na vida adulta dos alunos (BACKES et al., 2009).

Nessa fala entende-se a devida importância que os autores reconhecem na presença de um profissional de Educação Física para a saúde coletiva, para tanto, desconstroem ou no mínimo duvidam dos efeitos em longo prazo do trabalho que o professor de Educação Física realiza no ambiente escolar para a melhoria da saúde da população.

Esse “desencontro” vai em direção com os resultados do estudo de (Nogueira e Pereira (2014), que apontam para a necessidade de maior reflexão dos profissionais de Educação Física em otimizar a  promoção de melhorias da aptidão física relacionada à saúde de adolescentes por meio da prática esportiva.

A disciplina Educação Física Escolar vem se baseando como uma prática excludente e por muitas vezes acríticas, voltada para a formação de equipes desportivas representativas das escolas, vista pelos alunos como uma prática recreativa, como uma forma de “quebrar” a rotina da sala de aula (BOERA et al., 2011; NETO et al., 2010).

É importante que os profissionais da Educação Física atuantes, e futuros que atuarão no campo da saúde tenham em mente uma diferença fundamental de funções quando se trata da saúde coletiva, pois não se trata de “treinar” (caso do desporto) ou de “adestrar” (caso da maioria das ginásticas), talvez nem mesmo de “habilitar” (caso da educação escolar) o corpo dos praticantes para o desempenho de atividades físicas, mas, na maioria das vezes, simplesmente, através da atividade, colocar em contato com seu próprio corpo pessoas que jamais se detiveram para “senti-lo” ou “ouvi-lo” como algo seu, vivo, pulsante, com capacidades e limites; tratá-lo como a “sua casa” (LUZ, 2007).

Percebe-se que ao tratar os temas: “esporte, saúde e educação” em paralelo, é possível traçar vários caminhos com teses diferentes, talvez pelo esporte se manifestar como um fenômeno tão rico de significados e de interesse de profissionais de educação física, médicos, fisioterapeutas, sociólogos, físicos, psicólogos, etc. Enfim, apesar dos desencontros teóricos, observa-se que o esporte, mesmo que tenha como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social se aliado ao ato educacional. Esporte vai muito além dos encontros em ginásios, estádios, piscinas e academias, mas a intencionalidade que o professor/treinador/médico direciona a prática faz a diferença entre aspectos positivos e negativos de sua realização.

O Esporte e o movimentar-se do ser humano em forma de ginástica, especialmente nas academias, são visto, como nunca antes, como uma atividade de máxima importância para a vida das pessoas. Quem não se movimenta morre cedo diz o ditado. E como tudo neste mundo que ganha significado social e aceitação popular ganha também à atenção do comercio, dos negócios. Foi assim, que primeiro se valorizou o esporte. O esporte como uma pratica saudável, como um excelente agente de socialização e até de educação, especialmente para jovens. Até uma mercadoria das mais valorizadas no mundo inteiro (KUNZ, 2007).

Qual é a real possibilidade da Educação Física e o esporte contribuírem para melhoria ou manutenção de uma boa saúde para as crianças e jovens no mundo de hoje? Em geral e a promoção da saúde por meio de atividades de movimentos, os exercícios físicos, a ginástica, corridas, natação, esportes, etc., é bem mais complexa do que normalmente é apresentada em nosso meio. Ou seja, existe a idéia de que a correta orientação de atividades físicas garante, em grande parte, a melhoria e a manutenção de uma vida mais saudável (KUNZ, 2007).

No contexto social atual, a saúde como prática educativa e de promoção do viver saudável, ainda está longe de alcançar novos significados tanto para os usuários – atores sociais – quanto para os profissionais da saúde, mediadores e instigadores de novas práticas em saúde. Esta fragilidade se mostra, sobretudo, nos espaços e grupos sociais vulneráveis ou socialmente invisíveis, como no caso das favelas e periferias das grandes cidades. Com base no exposto, o viver saudável pode ser entendido como um processo singular, complexo e plural, construído a partir dos significados e imaginário que cada ser humano ou grupo social atribui ao seu modo de ser e viver, bem como aos diferentes movimentos dinâmicos da vida, motivados pelo contexto social e cultural específicos (BACKES et al., 2009).

Estudos já apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em públicos diversos, e deste modo, os desafios para a promoção da saúde são superados por meio de trabalho interdisciplinar entre profissionais das áreas de interesse (ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013; DOBBINS et al., 2009; LUGUETTI et al., 2015).

Para facilitar o alcance do “viver saudável” e diminuir a distância da prática educativa e o bem estar social, a promoção da saúde por meio da prática esportiva pode significar a garantia do direito de cada criança, adulto ou idoso ao acesso a medidas coletivas seguras, políticas públicas que garantam saúde, acesso à informação, autonomia nas escolhas, participação nas decisões que interferem na sua vida e na sua saúde. Contanto, a inter-relação entre educação, esporte e saúde facilita essa conscientização, favorecendo a criação de elementos fundamentais para a aquisição de hábitos saudáveis de vida, viabilizada pelas boas práticas de saúde, alimentação e relações pessoais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos, o estudo do esporte pautado em princípios educacionais ganhou crescente interesse, por atuar diretamente sobre o comportamento e os valores dos indivíduos. No entanto, essa revisão sistemática possibilita entender a carência de estudos no estado do conhecimento e evidências confiáveis de que intervenções educativas são eficazes na promoção da saúde das pessoas. Deixa clara a existência de muitas pesquisas com o trabalho direcionado aos valores educacionais, mas a ênfase dessas discussões é centrada e alicerçada apenas nas prerrogativas da Pedagogia do Esporte, não avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos.

Ao compreender que os fatores educacionais no esporte, seja no âmbito escolar, de lazer ou alto nível são determinantes para um estilo de vida saudável, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas de campo realizadas internacionalmente com seres humanos, pois, entende-se que a percepção de profissionais da grande área da saúde e de várias parte do mundo pode favorecer de forma interdisciplinar. Sugere-se que futuros estudos aprofundem questões vinculadas às mais distintas manifestações esportivas, contudo, pautadas por uma ação educacional em prol da promoção da saúde das pessoas, como grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares, principalmente quando relacionados à prática da atividade física esportiva.

Desta forma, quiçá criar uma espécie de modelo de prevenção de doenças, centrado no controle de riscos, ou seja, um modelo de promoção da saúde pautado na busca da conservação ou expansão da vitalidade humana por meio da prática esportiva educacional vista como totalidade irredutível através de atividades e hábitos saudáveis em relação à alimentação, ao trabalho, à sociabilidade, à sexualidade e à vida emocional, ao lazer, enfim, ao viver em geral.

Concluímos a tríade “esporte, educação e saúde” pode servir como um ponto de partida para a sociedade repensar os valores ligados a um estilo de vida saudável,  demonstrando que o ato educacional não é exclusivo da escola ou do professor, mas sim, de cada sujeito que pretende adotar a prática esportiva como meio de recreação, treinamento ou lazer.

 

REFERÊNCIAS

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