ANÁLISE DAS AÇÕES MOTORAS E INTENSIDADES DA POSIÇÃO CENTRAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE HANDEBOL DE AREIA NO MUNDIAL DO BRASIL 2014

Danilo A.S. Eugênio

Bacharel em Educação Física UNAERP, Pós Graduado Treinamento Desportivo FMU

Jefferson C. Lopes

Dd. em Ciências do Desporto/UTAD

Glauko Dantas

Fisioterapeuta da Sel. Brasileira de Handebol de Areia

Pedro Henrique Magalhães do Nascimento

Aluno de Ed. Física – Unibr

Resumo

     Este estudo tem como objetivo analisar as ações motoras e as intensidades da posição do jogador central da seleção brasileira de handebol de areia no Mundial do Brasil em 2014. Esta metodologia caracterizou-se como um estudo documental de forma quantitativa e analítica já que a pesquisa foi realizada através de jogos gravados. Os resultados serviram de análise e contribuição para verificação dos passes e deslocamentos curto que apareceram em grande magnitude muitas mais que as outras ações e intensidade desta posição.

Palavras chaves: Handebol, análise e ações motoras.

 

Abstract

     This study aims to analyze the motor actions and the intensities of the position of the central player of the Brazilian team of sand handball in the World Cup in Brazil in 2014. This methodology was characterized as a documentary study of quantitative and analytical form since the research was realized through recorded games. The results served as analysis and contribution for checking the passes and short shifts that appeared in great magnitude many more than the other actions and intensity of this position.

Keywords: Handball, analysis and motor actions.

 

Introdução

     Cada vez mais, surgem novos esportes vindos de outros desportos. Um desses esportes que está com uma crescente evolução e com grande possibilidade de entrar no calendário dos Jogos Olímpicos é o Handebol de Areia ou Beach Handball, que é um esporte oriundo do handebol indoor, mas com regras e dimensões totalmente diferentes (tenroller, 2004).

     De acordo com (DUARTE, 2000), o Handebol de Areia é um jogo com menos contato físico, um esporte que propõe espetáculo durante as partidas de jogo, com movimentações e jogadas que atraem os jogadores e espectadores, sendo assim o Handebol de Areia vem crescendo a cada dia por diversos países e continentes, onde tem suas competições nacionais, internacionais e estando também nos World Games, competição onde é realizada a cada 4 anos.

     Segundo (MIRANDA, 2014), o Handebol de Areia surgiu de forma recreativa, onde os jogadores de handebol indoor saíram das quadras para jogar partidas recreativas nas praias, por volta da década de 80, mas como as dimensões das quadras de areia eram as mesmas das quadras indoor ficou muito complicado jogar, pois um dos fundamentos como o “drible” não tinham muita excelência por causa do seu piso irregular.

     Já na década de 90, na Itália, o handebol de areia teve suas regras e dimensões totalmente alteradas até mesmo na forma de se jogar, assim o desporto ficou mais dinâmico e atrativo para o público. Com isso em 1992, aconteceu o I Torneio Internacional das Ilhas Ponsianas na Itália, com essas regras oficiais. (Castro, 2007)

     Aos poucos na Europa o esporte foi se desenvolvendo, nas praias francesas o esporte tinha o nome de Sandball, já com nomeação de Handball on the beach, começou a se popularizar entre os países como Portugal, Espanha, Rússia, Holanda e Croácia, chamando a atenção da IHF (Federação Internacional de Handebol). Através dessa população na Europa, em um congresso da Federação Internacionais de Handebol em Noordwijik – Holanda em 1994 foi realizada uma partida de demonstração entre a Seleção da Holanda e Itália, para todos os presidentes de confederações, inclusive o presidente Manoel Luiz Oliveira estava neste congresso onde se encantou pela partida que foi demonstrada. (RIBEIRO e RIBEIRO, 2008)

    Com esse encantamento pelo handebol de areia, o Manoel Luiz fez despertar vontade de trazer essa modalidade ao Brasil, sendo assim juntou esforços junto ao Comitê Olímpico Brasileiro (COI) e realizou o I torneiro internacional entre nações no naipe masculino em 1995, onde teve como equipes a seleção da Argentina, Portugal e Brasil, sendo campeão, porém no mesmo ano a IHF através de uma resolução adotou oficialmente o handebol de areia como modalidade, anos depois no XXVII no congresso em Hilton Head– Estados Unidos, as primeiras regras foram oficializada e essa publicação da IHF saiu a modalidade com a nomeação Beach Handball (RIBEIRO e RIBEIRO, 2008)

     Entretanto o handebol de areia teve um grande desenvolvimento nos anos 2000, onde em 2001 foi incluído nos World Games em Akita- Japão, umas das competições mais importantes paras a modalidade que não fazem parte do calendário olímpico. (CRISPIM-JUNIOR 2010).

     O handebol de areia se difere muito do indoor, tanto nas suas regras como no seu desenvolvimento. As principais diferenças estão relacionadas com o tamanho da quadra, número de jogadores, tempo de jogo, contato físico e contagem de pontos.

Quadro 1 – Comparação entre Handebol Indoor e Areia

    Sendo assim o handebol de areia, por ter menos jogadores se confrontando em cada equipe (1 goleiro + 3 jogadores), faz com que não ocorra muito contato físico entre os jogadores, pois a relação espaço/jogador é maior, dando mais liberdade de ação. Com essa proporção de mais espaço dentro de quadra, os jogadores ganham mais mobilidade de deslocamento tornando a modalidade muito mais dinâmica. (Guerra-peixe, 2008).

    Segundo (CRISPIM e JUNIOR,2010), em uma partida de handebol de areia ocorrem várias ações motoras, porém com diferentes intensidades, sendo assim a modalidade se caracteriza como uma atividade física intermitente, onde há alternância de esforços e pausas em um piso de areia provocando grandes restrições aos jogadores para se locomover dentro da quadra.

     Durante uma partida de handebol de areia, algo imprescindível de ser analisado e avaliado é a técnica, pois é uma das partes mais importantes para o esporte se desenvolver no decorrer da partida e ao seu regulamento. Outras variáveis devem ser analisadas, como o arremesso um dos fundamentos mais importante para o handebol de areia, onde sua execução pode ocorrer de várias formas como arremesso com giro (360º graus), arremessos em áreas, apoios e em suspensões. (RIBEIRO e RIBEIRO, 2008).

     Outra característica que difere muito do handebol de areia e handebol indoor, é o solo irregular do handebol de areia, por que um dos principais fundamentos o “drible”, não ocorre com muita frequência, sendo assim durante a partida existe trocas de passes entre os jogadores fazendo-o que o jogo fique mais dinâmico e ágil. Outro fundamento são os bloqueios que tem como objetivos de impedir ou desvia a bola arremessada pelos adversários, esses bloqueios podem ser classificados como bloqueio vertical (saltando o mais alto para bloquear os arremessos em suspensão), os bloqueios inclinado (saltando e projetando o corpo para trás dentro da área do goleiro, para bloquear o arremesso de giros e aéreas executado pelo adversário). (RIBEIRO e RIBEIRO, 2008).

     Em torno da tática de jogo, existe uma peça especial, que é o goleiro atacante, curinga ou o especialista, que em muitas das vezes joga na posição central,  através desse jogador há varias criações de estratégias para ganhar vantagens  sobre o adversário,  com atuação desse jogador  o jogo ganha mais variações de tática para que tenha uma maior opção de fazer o gol o mais fácil possível, na defesa adversária, onde tende se locomover bem mais do que o ataque para impedir a progressão do ataque, fazendo que o ataque erre ou arremesse ao gol de uma forma errada. (MARTINS, [s.d]).

     Dentre todas essas ações de ataque e defesa ocorre várias movimentações individuais com diferentes intensidades podendo ser baixa, moderada ou alta e deslocamentos como curto, média ou longa distância. Além de diferentes saltos, passes, arremessos e bloqueios, desde mais simples ou mais complexo que são os giros e aéreos que faz o jogo fica mais  interessantes e dinâmicos, pois essas ações complexas executadas com eficiência valem dos pontos (CRISPIM-JUNIOR, 2010)

     Como todas essas ações e manifestações que ocorre dentro de uma partida de handebol de areia e se tratando de um esporte novo, que vem desenvolvendo-se e crescendo cada vez mais no cenário mundial, surge um grande desafio de analisar e quantificar as ações individuais da posição central da seleção brasileira de handebol de areia no naipe masculino, campeã no último campeonato mundial.

    Pois através do resultado obtido desse estudo será possível fazer um analise das ações motoras, intensidade e deslocamentos dessa posição dentro da partida de handebol de areia e com a análise desses dados conseguiremos cada vez mais ajuda na preparação desse jogador, pois ele é uma peça fundamental no jogo de handebol de areia, pois através de suas ações é que ocorrem as maiorias das jogadas na partida. Sendo assim essa pesquisa servirá para aperfeiçoamento desses atletas, pois existe poucos estudos tanto para a modalidade quanto para as posições específicas.

MÉTODO

   O presente estudo foi feito de forma quantitativa e analítica, e se caracterizou como um estudo documental, já que a pesquisa foi realizada através de jogos gravados. Esse tipo de levantamento de dados se torna qualitativo, quando reflete o nível de efetividade de um fato; e quantitativo, quando registra a frequência com que acontece um fato (GRECO, 2000).

Local da pesquisa

     A pesquisa foi realizada por meio de jogos gravados no Campeonato Mundial de handebol de areia realizado em Recife – Brasil no ano 2014 pela emissora Sportv Globosat Programadora Ltda.

Amostra da pesquisa

    Neste Mundial estiveram 12 seleções do naipe masculino, porém foi escolhido apenas 4 jogos que foram: Brasil x Croácia (final), Brasil x Qatar (semifinal), Brasil x Dinamarca e Brasil x Uruguai (jogos da fase de grupo).

Instrumento de pesquisa

    Foi elaborado um quadro onde constam os dados das ações que mais ocorrem na posição central no decorrer do jogo e através da elaboração desse quadro foi feita a coleta dos dados e no final somado de acordo suas ações.

     Foi confeccionada uma tabela com as principais ações que o jogador da posição central poderia fazer, logo depois foi feita uma análise dos jogos e posteriormente feito o download de 4 jogos da seleção brasileira contra as seleção do Uruguai, Dinamarca, Qatar e Croácia, através do site (www.clipcpnvert.cc/pt). Esses jogos foram gravados pela emissora Sportv Globosat Programadora Ltda e publicado no canal do site web (www.youtube.com), para ser exibido.

    Através desses vídeos que possibilitou fazer a observação dos jogos e posteriormente fazer a coletas dos dados. A partir dos dados coletados foi utilizado à estatística descritiva (soma, média e desvio padrão), para caracterizar as ações do jogador central.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

     Neste estudo, os dados apresentados foram extraídos das ações e intensidades do jogador central da seleção brasileira de handebol de areia no último campeonato Mundial realizado no Brasil em Recife, 2014, onde a seleção brasileira jogou contra as seleções do Uruguai, Dinamarca, Austrália, Omã, Qatar, Croácia, Espanha, e Servia, no entanto foram escolhido o jogo do Brasil contra Uruguai, Dinamarca, Qatar e Croácia para ser analisado e extraídos os dados.

Quadro 2 – Análise sobre o jogador central da Seleção Brasileira de Handebol de Areia

     Sendo assim, podemos perceber que os jogos são divididos por set, onde cada set tem intensidade e ações com diferentes proporções e essas ações irão depende muito da tática de cada Seleção tanto na forma de ataca quanto na forma de se defender. Com isso foi verificado que a seleção brasileira conseguiu vencer quase todos os sets dos jogos analisando.

Gráfico 1 Análise da Intensidades e Ações

     Com relação as intensidades de deslocamento, verificou-se que esse jogou conseguiu realizar com grande magnitude os deslocamentos de curto espaço (3 m), que teve um total de 228 deslocamento, uma média de 28,5 por jogo e desvio padrão 4,24, já o deslocamento de médio (4 à 9 m), teve um total de 86 deslocamento, uma média 10,75 por jogo e desvio padrão de 4,23, entretanto o deslocamento longo (10 à 15m), teve um total de 26, uma médio 3,25 e desvio padrão de 2,87.

     Com esses dados podemos analisar que o jogo por um todo tende haver um maior deslocamento curto, pois as partidas de handebol de areia tem característica de jogos de passes rápidos, no entanto esse jogador central se locomove em distâncias menores até por que no handebol só é possível dá até 3 passos com a bola em mãos e com o piso irregular por conta da areia ele não consegue realizar o “drible” para pode progredir mais com a bola em mãos.

     Já os deslocamentos médios tem uma característica muito importante para esse atleta, pois através dessa ação é que o jogador conseguir chegar com mais rigorosidade da defesa tanto para o arremate a meta quanto tanto para fazer um passe longo ou médio, onde deixará o seu companheiro de ataque livre possível pra fazer o arremesso o mais livre possível, no entanto  deslocamento de longo (10 a 15m) ocorrem muitas das vezes em situações de contra-ataque ou para fazer um desmarque da defesa adversária para da progressão a jogada.

     Com extração desses dados dos vídeos analisados, verificou-se que teve e o arremesso em giro teve um total de 44 arremessos, uma média 2,75 por jogo e desvio padrão 4,53, em contra partida do arremesso em suspensão que teve um total de 26, uma média de 1,63 e desvio de 1,69, já o arremesso em apoio não teve nenhuma execução.

     Esses arremessos em giro ocorreram muito nas finais do mundial com em destaque na quadra 1, onde foram adotadas mudanças táticas para que este atleta pudesse jogar com o mínimo de marcação possível, no entanto esse atleta não estava na posição de “especialista”, e sim como jogo normal onde o seu gol  em ser espetacular vários apenas 1 ponto, por esse motivo que ocorreram vários arremessos em giros (gol espetacular), já os arremesso em suspensão ocorrem quando o jogado estava na função de “ especialista”, onde seu arremate simples valeriam 2 pontos, porém não houver nenhum arremate em apoio por característica peculiar do atleta da seleção brasileira.

     Sabendo que o handebol de areia é jogo de curta pra média duração e espaço, os passes curtos com 184 execuções, com média de 23 passes e desvio padrão de 7,37, e os passes médios com um total de 127, média de 15,88 desvios padrão de 4,52 em contra partida dos passes em suspensão com um total de 33, media 4,13 por jogo e 4,58 de desvio padrão, pode-se verificar que os, passes curto são os mais executados e sua eficácia é bem maior comparando aos outros tipos de passe, por que essas ações tem objetivos de fazer com o jogo fique mais dinâmico, movimentando mais a defesa adversária, impossibilitando que o mesmo intercepte a bola. No entanto os passes em suspensão, médio e longo por sua vez tem objetivo da ação final do central, quando ele fará a melhor escolha para fazer execução dos passes aos seus companheiros de ataque pivô e laterais direito ou esquerdo e ao mesmo tempo tentando ludibriar a defesa adversária.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

     O handebol de areia é um jogo muito dinâmico e por sua vez um jogo pensado onde sua tática por muitas vezes se joga através da probabilidade de jogadas, ganha o set ou jogo o time que menos errar. Dentro da partida o jogador central que muitas vezes faz a função do jogador especialista que em seu arremesso simples executado valem 2 pontos, é peça fundamento no jogo. Com isso através dessa  coleta de dados através desse estudo, podemos verifica que os passes, e deslocamentos curto apareceram em grande magnitude muitas mais que as outras ações e intensidade, sendo que esse jogador faz suas ações em função a defesa adversária que por sua vez pode-se deixa esse joga mais livre ou não, apensar que o esse desporte ocorre em superioridade numérica (4×3), a defesa adversária deve se locomove bem mais para tenta interceptar o ataque adversária em deslocamentos ou até mesmo é bloqueios horizontais e verticais. No entanto deve-se sempre fazer uma análise da característica desse jogador, pois dependendo da maneira que esse jogador executa suas ações desses dados podem variar muitos, por existe o central “especialista chutador” ou central “especialista passador”. Então através da análise desse estudo podemos observar que a seleção brasileira joga com o especialista que passa bastante a bola para seu companheiro do que arremessa a bola ao gol.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CRISPIM, JUNIOR, et. at. Análise das Ações Motoras no Handebol de Areia. Revista Hórus – Volume 4, número 1, 2010.

CASTRO, Leonardo. Handebol de Areia: Uma atividade lúdica nas aulas de Educação Física. 2007. (35 p.) Monografia. Departamento de pós-graduação de educação física. Unisuam, Rio de Janeiro, 2007.

DUARTE, Orlando. História dos Esportes. São Paulo: Makron Books do Brasil, 2000.

PEIXE, Guerra. O desenvolvimento do Beach Handball através das regras do jogo. Disponível em: <http://handebolbrasil.net/2007/10/o-desenvolvimento-doeachhandball-atraves-das-regras-do-jogo/>. Acesso em 12 de out. 2008.

MARTINS, Rafael Isaias. Análise técnica de ataque dos jogos da liga nacional de handebol feminino realizados em concórdia pela equipe da associação atlética universitária e da seleção brasileira de handebol feminino nos jogos olímpicos de Atenas. [s.d].Disponível.em:<http://www2.uncnet.br/index.php?option=com_docman&task=view_category&Itemid=0&order=dmcounter&ascdesc=ASC&subcat=66&catid=26&limit=5&limitstart=25>. Acesso: em 09 out. 2015.

MIRANDA, NETO, et. al. Consumo alimentar de Seleções Nacionais Campeãs Mundial de Beach Handball. Rev. Bras. de Ciência da Saúde. V 18, N 4, P 43-50, 2014.

MONTEIRO, Cláudia. A história do Hand Beach. ed. 2007. Disponível em: <Http://www.handebolalagoano.com/>. Acesso em: 11 out. 2015.

RIBEIRO, A.P., RIBEIRO, M.A.: Surgimento e Evolução do Beach Handball no Brasil. Gráfica Andrade, Aracaju, SE, 2008.

TENROLLER, Carlos Alberto. Handebol: teoria e prática. Rio de Janeiro: Sprint, 2004.

INFLUÊNCIA IMEDIATA DE TÉCNICA GLOBAL DE PELVE SOBRE A ATIVIDADE POSTURAL ESTÁTICA EM PORTADORES DE DOR LOMBAR

Ricardo Massao Abico

Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Cascavel, PR – Brasil

José Mohamud Vilagra

Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Cascavel, PR – Brasil

José Fernando Baumgartner Maciel

Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Cascavel, PR – Brasil

Ana Carolina Gleden Poderoso

Universidade do Norte do Paraná. Cascavel, PR – Brasil

Rodrigo Poderoso de Souza

Universidade do Norte do Paraná. Cascavel, PR – Brasil

RESUMO

A dor lombar é um dos distúrbios dolorosos que mais afetam o homem, atingindo aproximadamente 90% dos indivíduos em algum momento de sua vida. Objetivo: avaliar a influência imediata da técnica de manipulação global da pelve sobre a atividade postural estática em indivíduos com dor lombar crônica. O presente estudo trata-se de um ensaio clínico de corte, composto por 18 indivíduos do sexo feminino, sendo os mesmos alunos matriculados em cursos da UNIOESTE. O estudo foi composto por cinco etapas: inicialmente os participantes foram submetidos à avaliação para os critérios de inclusão e exclusão. Na segunda etapa, foi realizado o teste de Gillet para identificar se havia comprometimento da articulação sacroilíaca. A terceira etapa consistiu em avaliação da estabilometria, seguida de manipulação com técnica global de pelve (quarta etapa). A coleta era finalizada com a reavaliação estabilométrica. Os dados foram tabulados no programa Excel 7.0 Microsoft Oficce® e a análise estatística deu-se por meio do teste Teste t Student pareado, com α<0,05. O resultado da estabilometria apresentou diferença significativa (α = 0,02) quando comparados pré (0,39cm2) e pós (0,51cm2) manipulação. A técnica de manipulação global de pelve apresentou influência no sistema postural estático, resultando em uma maior oscilação do centro de pressão corporal após a manipulação.

Palavras chaves: Dor lombar; Manipulação osteopática; Equilíbrio postural.

ABSTRACT

Low back pain is one of the most painful disorders that affect humans, reaching approximately 90% of individuals at some point in your life. To evaluate the immediate influence of the technique of pelvis global manipulation on the static postural activity in individuals with chronic low back pain. This study deals with a trial court, composed of 18 female subjects, all students enrolled in UNIOESTE. The study consisted of five stages: initially the participants were evaluated for inclusion and exclusion criteria. In the second step, we performed the Gillet test to whether there was involvement of the sacroiliac joint. The third step was to review stabilometry, then manipulation technique with global pelvis (fourth stage). The collection was completed with the revaluation stabilometric. Data were tabulated in Excel 7.0 and Microsoft ® Oficce statistical analysis was performed by means of the paired Student t test, with α<0.05. The stabilometry result was significant difference (α=0.02) than before (0.39cm2) and post (0.51cm2) manipulation. The technique of pelvis global manipulation showed influence on static postural system, resulting in greater pressure center oscillation body after manipulation.

Key-words: Low back pain, osteopathic manipulation; postural balance.

INTRODUÇÃO

     A cintura pélvica é considerada um conjunto de estruturas que transmite forças para a coluna vertebral e membros inferiores (MMII). O conjunto formado pela coluna vertebral, sacro, ilíaco e MMII constitui um sistema articulado: por um lado na articulação coxofemoral e por outro a articulação sacroilíaca (ASI). Estas interações entre as articulações da cintura pélvica e as suas influências sobre as estruturas á distância, sejam elas ascendentes ou descendentes, caracterizam a biomecânica corporal estática (KAPANDJI, 2002).

     Disfunções da articulação sacroilíaca caracterizam-se por anormalidades biomecânicas do posicionamento anatômico em uma ou ambas as articulações sacroilíacas, como por exemplo: hipomobilidade, fixação, subluxação ou mau alinhamento. Uma disfunção sacroilíaca pode levar a uma série de padrões álgicos, como por exemplo, dor na região anterior dos joelhos, tendinites da pata de ganso, lombalgias e lombociatalgias. (RIBEIRO et al, 2003). A dor, em geral, se apresenta sobre o segmento articular hipermóvel, por isso o lugar que o paciente refere dor é raramente aquela região onde é necessária a correção (RICARD; SALLÉ, 2002).

     As disfunções osteopáticas ilíacas podem causar repercussões em outras estruturas, como por exemplo, podem levar a fixação da ASI em qualquer grau diminuindo a capacidade de torção da coluna vertebral, restrição das articulações lombossacras e degeneração discal lombar baixa, bem como essas fixações podem ser responsáveis por uma hipermobilidade lombossacra, fonte de protrusão discal e ciatalgia (RICARD; SALLÉ, 2002). A principal queixa relacionada a região lombar é a dor, caracterizada por experiência sensorial e emocional suscitada por uma lesão tecidual, real ou potencial. A etiologia da dor lombar não está claramente definida, devido múltiplos fatores de risco (BRIGANÓ; MACEDO, 2005). Cecin (2001), afirma que 80% de todas as pessoas apresentam pelo menos um episódio de dor lombar em algum estágio da vida.

     Macedo et al (2009) refere-se ao tratamento da lombalgia como complexo e minucioso quando comparado á maioria dos tratamentos, sendo a fisioterapia um recurso essencial para a reabilitação do paciente. Observam-se recursos variados capazes de permitir intervenção direta sobre a dor, incapacidade e qualidade de vida. Citam-se entre eles as técnicas de terapia manual, cinesioterapia, eletroterapia, hidroterapia, reeducação postural, manipulação osteopática, acupuntura, entre outros (MOREIRA, 2011). Segundo Chaitow (1982), um dos objetivos da manipulação osteopática é recuperar o movimento fisiológico em áreas nas quais existe restrição ou disfunção. Ao recuperar ou melhorar a função do sistema músculo-esquelético, pode-se prever que todas as aprtes relacionadas se beneficiarão, sejam outros componentes músculo-esqueléticos ou áreas abrangidas pelas vias nervosa e cirtulatória. Alguns trabalhos sugerem que, nas síndromes dolorosas crônicas da coluna, a manipulação osteopática apresenta resultados superiores aos da acupuntura e dos tratamentos medicamentosos (GILES; MULLER,1999).

    A escolha da terapia manual como tratamento em pacientes com lombalgia é devido a sua eficácia em normalizar e equilibrar as disfunções músculo-esqueléticas, contribuindo assim para a diminuição do processo álgico. Entre várias técnicas da terapia manual, o thrust (alta velocidade de baixa amplitude de movimento) é a principal técnica osteopática para correção de disfunções musculoesqueléticas. A natureza da manipulação articular discrimina o arco de movimento ativo, passivo e o espaço fisiopatológico onde ocorre a manipulação (GÓIS et al, 2007). Enoka (2000) descreve que a postura é uma resposta neuromecânica que se relaciona com a manutenção do equilíbrio e esse só é possível quando a somatória de forças que atuam sobre ele é igual a zero. Entretanto, esse sistema tem estabilidade somente se após uma perturbação o mesmo retornar a sua posição de equilíbrio.

     A postura ortostática do ser humano é influenciada por diversos fatores fisiológicos. A respiração, os batimentos cardíacos e o retorno venoso geram oscilações constantes no equilíbrio do corpo que podem ser verificadas através do deslocamento do centro de pressão (SCHMIDT et al, 2003). Com o intuito de avaliar a oscilação do centro de pressão corporal (COP), é utilizada a Estabilometria ou Posturografia Estática. A estabilometria é um método de análise do equilíbrio postural por meio da quantificação das oscilações do corpo utilizando para isso, o deslocamento do COP durante a de apoio. Permite definir de forma objetiva, a posição média que ocorrer ao redor desse centro. Para esse método, geralmente, podem ser utilizados as plataformas de força ou a baropodometria (SCHMIDT et al, 2003).

     Por ser a lombalgia um acometimento com grande frequência, e a terapia manipulativa apresentar efeitos benéficos tanto na diminuição da dor quanto na correção das disfunções biomecânicas, que podem levar a desequilíbrios posturais, fazem-se necessários mais estudos nessa área (FREITAS, 2010). Apesar de existirem vários estudos comprovando a eficácia da terapia manipulativa osteopática em indivíduos com lombalgia, sabe-se pouco sobre o seu efeito sobre o centro de pressão corporal (COP). O presente estudo tem como objetivo, avaliar a influência imediata da técnica de manipulação global da pelve sobre a atividade postural estática de indivíduos com dor lombar.

MATERIAIS E MÉTODOS

Caracterização do estudo

     O presente estudo trata-se de um ensaio clínico aleatório, randomizado, do tipo causa efeito de corte longitudinal. Foi desenvolvido no Centro de Reabilitação Física (CRF) do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste, no Laboratório de Recurso Terapêuticos Manuais em Ortopedia, no período de julho a novembro de 2013.

Ética do estudo

     A presente pesquisa contempla os critérios éticos para pesquisa com seres humanos atendendo os requisitos fundamentais da resolução 196/6 com parecer de aprovação No. 004/2011-CEP, de 23 de fevereiro de 2013, com período de vigência até dezembro de 2013.

Caracterização da população e amostra

     A amostra foi composta por 20 indivíduos do sexo feminino, estudantes, regularmente matriculadas em cursos da UNIOESTE, Campus de Cascavel-PR, apresentando lombalgia crônica. Todos os indivíduos foram informados dos objetivos do estudo e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido antes da admissão no experimento. Após esclarecimento dos procedimentos e objetivos da pesquisa, os voluntários foram submetidos à avaliação clínica de triagem para identificação de possíveis fatores de não inclusão. Seguindo os seguintes critérios de inclusão: a) indivíduos do sexo feminino; b) idade mínima de 18 anos e máxima de 30 anos; c) relato de dor lombar persistente há mais de 3 meses; d) ser aluno matriculado na UNIOESTE, Campus de Cascavel-PR;

     Mesmo contemplados os critérios de inclusão na população e na amostra os indivíduos que apresentarem um ou mais dos itens abaixo relacionados foram considerados não aptos para composição da amostra; portanto excluídos dos demais procedimentos avaliativos e manipulativos. A fim de manter-se a homogeneidade de amostra de pesquisa, buscando desta forma maior confiabilidade para os resultados da pesquisa foram adotados como critérios para não inclusão na amostra da pesquisa os seguintes itens: a) Histórico de traumatismo craniano; b) Presença ou relato de estrabismo; c) Relato de disfunções temporomandibulares; d) Portadores de disfunções vestibulares e labirintite; e) Teste de Gillet negativo; f) Lesões osteomusculares em outras articulações há menos de 6meses; g) Doenças reumáticas clinicamente diagnosticadas; h)Perna curta anatômica; i) História de cirurgia no tronco e membros inferiores (artrodese lombar, lombosacra e sacroilíaca); j) Amputação parcial ou total de membros; k) Gravidez; l) m) Comprometimento importante da acuidade visual (caracterizado pela necessidade de ajuda de outras pessoas ou de dispositivos de auxílio para a realização das atividades diárias em condições de privação do uso de óculos ou lentes); n) Uso de drogas que afetem o sistema nervoso central ou o equilíbrio tais como os sedativos ou ansiolíticos; o) Presença de déficits neurológicos; p) Síndrome da cauda equina; q) Artodese na coluna lombar; r) Etilistas crônicos ou uso de álcool nas 24 horas que antecederam os testes.

Procedimentos metodológicos

    Após serem contemplados, os indivíduos voluntários passaram pela primeira etapa que consistia na entrevista para coleta de dados pessoais, antropométricos e verificação de queixa de dor lombar com duração de igual ou superior a 3 meses.

     Em seguida realizou a segunda etapa da coleta que consistiu na avaliação osteopática com o teste de Gillet.

 Teste de Gillet

     O teste de Gillet, descrito por Ricard (2002) é realizado com o paciente em pé de frente a uma parede sobre a qual repousa as mãos. O terapeuta coloca seus polegares, um sobre a EIPS de um lado e o outro sobre a base sacra do mesmo lado. Continuando, pede-se ao paciente que flexione seu quadril e seu joelho até 120°. Se o polegar ilíaco não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado do ilíaco, é que existe uma fixação do ílio. Se o polegar sacro não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado oposto, é que existe uma fixação da base do sacro.

     Na terceira etapa foi realizado a análise da estabilometria, com o participante imóvel sobre a plataforma durante 30 segundos em apoio bipodal, pés alinhados ao quadril e afastados, sem calçado, com a boca semi-aberta, braços ao longo do corpo, olhos abertos e com olhar fixo em um ponto na altura dos mesmos (FREITAS, 2010). A avaliação foi aplicada a todos participantes de forma idêntica e pelo mesmo avaliador.  O equipamento utilizado foi uma plataforma Baropodometrica Footwork Pro AM Cube (AM3), o qual é formado por uma plataforma com 4800 sensores ativos em 120 cm. Além disso, verifica as oscilações anteroposteriores do centro de gravidade que é o principal foco da avaliação do presente estudo.

     A quarta etapa do estudo foi à aplicação da técnica global de pelve.

Técnica global da pelve

    Descrita por Ricard (2002) a técnica global da pelve é indicada para liberar ao mesmo tempo a faceta lombo-sacra, pólo inferior e superior da articulação sacroilíaca. Com o objetivo principal de se aumentar o jogo articular. O paciente se posiciona em decúbito lateral, direito ou esquerdo dependendo do lado da lesão que ficará para cima, o terapeuta posiciona a mão do paciente sobre o músculo peitoral em leve rotação de tronco, leva o membro inferior que esta para cima em flexão até o nível da articulação sacroilíaca (EIPS) em seguida o terapeuta posiciona seu joelho sobre o joelho do paciente para realizar o kick (movimento em direção ao solo, realizado com extensão do joelho do terapeuta), o antebraço caudal do terapeuta se posiciona sobre a articulação sacroilíaca, seguindo a forma da crista ilíaca, o braço cefálico do terapeuta repousa sobre o peitoral aumenta a rotação do tronco do paciente até o nível de L5 (vértebra lombar), em um segundo momento o braço do terapeuta que repousa sobre a articulação sacroilíaca é tracionado para cima e para o corpo do terapeuta, mantendo essas três reduções o terapeuta realiza o movimento de kick para abrir a articulação sacroilíaca de maneira simultânea nas três direções.

   Por fim, a quinta e última etapa foi a reavaliação na plataforma baropodométrica.

Análise estatística

     A análise das variáveis antropométricas foi feita por estatística descritiva simples, e os resultados apresentados por meio de medida de tendência central e medida de dispersão. Já as variáveis obtidas pela avaliação da estabilometria, foi analisado por estatística inferencial, para comparação das médias através do Teste t Student pareado, com nível de significância de 5%. Para análise dos dados serão utilizados os programas Excel 7.0 Microsoft Oficce® e GraphPad Prism 5.0®

 

RESULTADOS

    Ao final da coleta, houve perda amostral devido a dois indivíduos apresentarem dor lombar, mas sem comprometimento articular sacroilíaco.

 Tabela 1 – Caracterização da amostra

     Quanto aos dados da estabilometria, os resultados obtidos apresentaram diferença significativa quando comparados pré e pós manipulação conforme Teste T-student (Tabela 2).

Tabela 2 – Dados da estabilometria em cm2

DISCUSSÃO

     Estudos sugerem que a manipulação osteopática em coluna lombar e articulação sacroilíaca em indivíduos com lombalgia provocam alterações no equilíbrio estático e propriocepção (LEARMAN et al, 2009). Como se pode observar nos resultados da pesquisa realizada por Sonnewend et al (2011) onde a manipulação da articulação sacroilíaca alterou a estabilidade estática significativamente (α= 0,02) corroborando com os achados desse estudo.

     O desequilíbrio imediato é explicado pelo sistema neuromuscular e o efeito causado sobre ele. A manipulação causa o estiramento da cápsula articular e a inibição dos motoneurônios alfa e gama, portanto irá inibir o espasmo muscular que causa a disfunção articular, restaurando a mobilidade articular fisiológica. (RICARD, 2002).

     Alguns autores que realizaram pesquisas com amostras semelhantes, concluíram que a frequência de oscilação no plano anteroposterior é superior quando comparada á oscilação médio lateral, sugerindo assim uma maior estabilidade lateral em apoio bipodálico (SONNEWEND et al, 2011; ANDRADE et al, 2011). Isto justifica o uso apenas da oscilação anteroposterior neste estudo.

    Freitas (2010) realizou estabilometria antes e após manipulação sacroilíaca (amostra de 120 adultos, sendo 98 mulheres), mas os resultados não foram significativos quanto à oscilação anteroposterior, contrastando com o presente resultado. Domingos et al (2013) utilizou uma técnica específica para manipulação lombar em indivíduos de ambos os sexos, com lombalgia crônica assintomáticos, e quando analisados os dados da estabilometria (anteroposterior) também não apresentaram resultados significativos, com o valor de α = 1,60.

   Estudos enfatizam que a individualidade frente aos diversos acontecimentos existentes desenvolve uma determinada postura corporal, envolvendo conceitos de equilíbrio, de coordenação neuromuscular e adaptação representando um determinado movimento corporal (BANKOFF  et al, 2004).

     O resultado do trabalho levanta a hipótese de que a manipulação levou a um realinhamento articular, mas que causou um desajuste proprioceptivo nos indivíduos, e com isso levou a uma maior oscilação do COP. Isso demonstra a capacidade do sistema de controle postural em se reorganizar frente a um estímulo na aquisição de uma nova postura estática (JUNIOR et al, 2010).

     Apesar de existirem vários trabalhos sobre esse tema, deparou-se com grande escassez em pesquisas relacionadas á manipulação global e contrastes nos resultados quando se diz respeito à oscilação anteroposterior. Sugere-se que sejam realizados novos estudos para que se entenda melhor o efeito da terapia osteopática manipulativa sobre o COP.

 

CONCLUSÃO

     Os achados deste estudo demonstram que a manipulação global para articulação sacroilíaca teve influência imediata sobre a atividade postural estática de indivíduos com lombalgia.

 

REFERÊNCIAS

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EFEITO DA IDADE RELATIVA NO ESPORTE NO BRASIL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Francisco Zacaron Werneck

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Eliane Cristina Rosa da Silva

Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Rebeca de Carvalho Camargo Rigon

Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Renato Melo Ferreira

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Emerson Filipino Coelho

Laboratório de Estudos e Pesquisas do Exercício e Esporte (LABESPEE) Centro Desportivo, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Minas Gerais – Brasil

Andrigo Zaar

Laboratório de Cineantropometria e Desempenho Humano (LABOCINE – UFPB). Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) João Pessoa – Brasil

Jeferson Macedo Vianna

Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Minas Gerais – Brasil

RESUMO: O Efeito da Idade Relativa (EIR) é uma consequência da diferença de idade entre atletas da mesma categoria etária, sendo observado pela maior representação de atletas nascidos nos primeiros meses do ano de seleção. O objetivo desta revisão sistemática foi investigar, na literatura científica brasileira, em quais modalidades o EIR tem sido estudado, analisando possíveis diferenças entre os sexos, faixa etária, nível competitivo e relação com o desempenho.  Utilizou-se a base de dados SciELO-Scientific Eletronic Library e busca ativa em revistas científicas de Educação Física. Foram incluídos apenas artigos originais publicados entre 1990 e 2015. Fizeram parte desta revisão 29 artigos, envolvendo 27.575 atletas jovens e adultos de nove modalidades esportivas. A presença do EIR foi observada na grande maioria dos estudos, predominantemente no futebol e nos atletas do sexo masculino, desde o nível escolar até o alto rendimento. Além disso, a relação entre o EIR e o desempenho mostrou-se inconsistente. Esta revisão confirma os achados da literatura internacional, destacando a importância da conscientização dos treinadores sobre as consequências negativas do EIR. É preciso ainda investigar este fenômeno em jovens atletas de diferentes modalidades olímpicas, procurando entender os processos seletivos em cada uma delas, com destaque para estudos longitudinais sobre o impacto do EIR no treinamento de longo prazo, bem como a busca de possíveis soluções.

Palavras-chave: Efeito da idade relativa, esporte, atleta, revisão sistemática.

 

ABSTRACT: The Relative Age Effect (RAE) is a consequence of the chronological age difference between people involved in the same age category in the sport and can be seen by the increased representation of athletes born in the early months of the year. The objective was to investigate, the Brazilian scientific literature, which sports RAE has been more studied, analyzing possible differences between sex, age and competitive level. A systematic review was performed using Scielo database and active search in scientific journals of Physical Education. It included only original articles published between 1990-2015. We analyzed 29 articles that met the selection criteria. In conclusion, RAE has been mainly seen in football, being found in predominantly male and athletes of different competitive levels. Further studies are recommended in Olympic modalities, with longitudinal designs on the impact of this phenomenon on long term athlete development, as well as the search for possible solutions.

Keywords: relative age effect, sport, athlete, systematic review.

INTRODUÇÃO

     No esporte, o conhecimento dos fatores que influenciam o desempenho e a consequente seleção dos atletas pode contribuir de modo significativo para a melhoria dos processos de treinamento. Uma das variáveis que tem sido bastante estudada é o Efeito da Idade Relativa (EIR), que é uma consequência da diferença de idade cronológica entre pessoas envolvidas na mesma categoria etária na prática de um determinado esporte (MUSCH; GRONDIN, 2001).

     Os primeiros trabalhos sobre o EIR no esporte ocorreram no Canadá, na década de 80, e concentraram-se na modalidade hóquei no gelo (BARNSLEY; THOMPSON; BARNSLEY, 1985). Os pesquisadores observaram que, tanto nas categorias de base quanto na categoria principal, havia maior proporção de atletas nascidos no início do ano competitivo e menor representação de atletas nascidos nos últimos meses do mesmo ano (COBLEY et al., 2009). Para MUSCH e GRONDIN (2001), a divisão do esporte em categorias baseada na idade cronológica, apesar de ter a intenção de promover igualdade de oportunidades, de instrução, organização e treinamento adequado ao desenvolvimento do atleta, acaba criando vantagens temporárias de participação e desempenho aos atletas nascidos no início do ano de seleção.

     No Brasil, utiliza-se 1º de janeiro e 31 de dezembro como data do início e fim do ano de seleção, respectivamente. Para se estudar o EIR, observa-se a distribuição da data de nascimento dos atletas, a qual pode ser categorizada em quartis. O quartil de nascimento é obtido a partir da divisão do ano em quatro períodos, sendo que, o primeiro quartil (1°Q) representa os meses de janeiro a março; o segundo quartil (2°Q), os meses de abril a junho; o terceiro quartil (3°Q), os meses de julho a setembro; e o quarto quartil (4°Q), os meses de outubro a dezembro (VAEYENS; PHILIPPAERTS; MALINA, 2005).

     Dessa maneira, atletas nascidos em janeiro são relativamente mais velhos do que aqueles nascidos em dezembro. Como na maioria das modalidades as categorias etárias são divididas a cada dois anos, a diferença de idade cronológica dentro da mesma categoria entre os atletas pode chegar a quase 24 meses, criando desvantagens aos mais jovens (WATTIE; SCHORER; BAKER, 2015). Como consequência, o EIR tem um impacto direto nos processos de identificação de talentos, uma vez que a seleção de atletas normalmente é baseada no tamanho corporal e no desempenho físico, de modo que os técnicos escolhem normalmente os atletas mais altos, mais fortes e mais ágeis, os quais na maioria das vezes são os mais velhos (HANCOCK; STE-MARIE; YOUNG, 2013).

     As causas do EIR são diversas (para uma revisão consultar MUSCH; GRONDIN, 2001; HANCOCK; ADLER; CÔTÉ, 2013; WATTIE; SCHORER; BAKER, 2015), mas, na prática, a causa mais citada tem sido a maturação biológica. Os indivíduos mais velhos cronologicamente geralmente encontram-se em níveis mais avançados de crescimento e maturação, implicando em maior tamanho corporal e desempenho físico e cognitivo, especialmente na adolescência (MALINA, 1994; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004; VAEYENS; PHILIPPAERTS; MALINA, 2005).

     A presença do EIR já foi comprovada em diversas modalidades, como tênis, basquetebol, beisebol, hóquei no gelo, futebol americano e, principalmente, no futebol (COBLEY et al., 2009, para uma revisão). MUSCH e GRONDIN (2001) citam que o hóquei no gelo e o futebol são as modalidades mais estudadas em um âmbito internacional. No Brasil, entretanto, existe a necessidade de sintetizar a informação disponível sobre esta temática. Até o presente momento, não se identificou nenhum estudo de revisão sistemática sobre o EIR na literatura nacional. Sendo assim, questiona-se: como tem sido a produção científica em periódicos nacionais sobre o EIR no esporte brasileiro?

     O presente estudo justifica-se tanto sob o ponto de vista acadêmico quanto prático. Na área acadêmica, a revisão sistemática permitirá a síntese da literatura disponível sobre o EIR no Brasil. A revisão sistemática caracteriza-se pelo uso de estratégias de busca, análise crítica e síntese da literatura de forma organizada, minimizando o risco de viés que normalmente ocorre em revisões narrativas, permitindo identificar lacunas no conhecimento (SAMPAIO; MANCINI, 2007). Assim, revisar sistematicamente um problema de pesquisa provoca um trabalho reflexivo, não se resumindo a uma apresentação meramente cronológica e/ou descritiva de uma temática. Sob o ponto de vista prático, os resultados deste estudo servirão para conscientizar os professores e treinadores sobre a presença do EIR no esporte brasileiro e suas consequências negativas, provocando uma reflexão sobre possíveis soluções para este problema.

     Portanto, o objetivo desta revisão sistemática foi investigar a presença do EIR no esporte brasileiro, em estudos publicados em língua portuguesa, identificando as modalidades mais estudadas e possíveis diferenças entre os sexos, categorias etárias e nível competitivo.

MÉTODO

   Trata-se de uma revisão sistemática e foram utilizadas estratégias metodológicas, de acordo com Sampaio e Mancini (2007). O método de busca para localizar os estudos foi a base de dados Scielo, busca ativa nas revistas científicas de Educação Física e referências bibliográficas dos artigos encontrados e relacionados diretamente ao tema, retrospectivamente até o ano de 2015. Foram consideradas as seguintes palavras chave: efeito da idade relativa; idade cronológica; categorias etárias; jovem; maturação; esporte. Constituíram critérios de inclusão dos artigos: 1) artigos publicados no idioma português ou em inglês desde que em periódico científico nacional; 2) estudo realizado na área esportiva sobre o efeito da idade relativa; 3) ter sido publicado no período de 1990 a 2015, em periódicos que possuem classificação no Qualis Capes igual ou superior a B5. Não foram incluídas teses e/ou dissertações sobre o tema e nem resumos publicados em congressos científicos, devido à dificuldade na obtenção destes trabalhos. A seleção dos artigos foi efetuada independentemente por três pesquisadores.

 

RESULTADOS

     Na Tabela 1, encontram-se os 29 artigos que foram incluídos nesta revisão, a partir dos critérios propostos e após a avaliação efetuada independentemente pelos três pesquisadores. Observou-se que, no Brasil, o EIR está presente em 90% dos estudos (n=26) considerando atletas jovens e adultos; e em 100% dos estudos (n=29), considerando apenas jovens atletas, havendo variações em relação ao sexo, faixa etária e nível competitivo.

     A maioria dos estudos sobre o EIR no Brasil foi realizada em modalidades esportivas coletivas (83%; n=24) em comparação às modalidades individuais (17%; n=5). Os estudos concentraram-se principalmente no Futebol (n=20), seguido pelo Futsal (n=4), Tênis (n=2), Basquete (n=1), Voleibol (n=1), Rugby (n=1), Taekwondo (n=1), Triatlo (n=1) e Natação (n=1).

     Quanto ao sexo, a maior parte dos estudos foi feita com atletas do sexo masculino, sendo que 22 estudos (76%) foram feitos com amostras exclusivamente masculina; seis estudos (21%) foram feitos com homens e mulheres; e apenas um estudo (3%) investigou o EIR apenas no sexo feminino. No masculino, o EIR foi observado em 89% dos estudos, exceto em jogadores de futebol de elite vencedores do prêmio FIFA (Barros, Matta e Costa, 2012), no Taekwondo (Albuquerque  et al., 2012) e na Natação (Costa et al., 2015). Já nos estudos com atletas do sexo feminino, o EIR foi observado apenas no Tênis (Ribeiro Jr. et al., 2013).

     Quanto à faixa etária, 41% dos estudos (n=12) foram feitos com amostras exclusivamente de atletas adultos, 31% (n=9) com amostras de jovens (<18 anos) e 28% (n=8) com atletas jovens e adultos. A presença do EIR foi maior nas amostras de atletas jovens quando comparado aos atletas adultos (88% vs. 65%, respectivamente). Já em relação ao nível competitivo, a maioria dos estudos foi realizada com atletas de elite (65%, n=19), alguns estudos com amostras de nível estadual (28%, n=8) e poucos com amostras de escolares (7%, n=2). A presença do EIR foi observada em todos os níveis competitivos, exceto em alguns estudos com amostras do sexo feminino, adulto e elite.

     Por fim, quanto aos objetivos dos estudos, a maioria deles foi transversal e investigou apenas a presença ou não do EIR, enquanto outros pesquisaram diferenças entre faixas etárias (n=11), diferenças entre os sexos (n=6) e comparação entre diferentes níveis competitivos (n=2). Além disso, 38% (n=11) dos estudos investigaram a relação do EIR com algum critério de desempenho ou sucesso, sendo observada relação positiva em alguns estudos (n=5) ou nenhuma relação em outros (n=6).

DISCUSSÃO

     Nossos resultados ratificam os achados da literatura internacional sobre o EIR, mostrando que este fenômeno está presente em diversas modalidades esportivas, principalmente no futebol, e em atletas do sexo masculino, desde as categorias de base até o alto nível de rendimento. Além disso, não foi observada uma relação consistente entre o EIR e o desempenho/sucesso esportivo, de modo que todos aqueles envolvidos na formação de jovens atletas, especialmente os treinadores, devem estar atentos a este fenômeno, a fim de evitar erros nos processos de seleção, abandono precoce da prática esportiva pelos jovens e perda de potenciais talentos esportivos.

EIR no Brasil: em quais esportes

     A maioria dos estudos sobre o EIR no Brasil foi realizada em modalidades esportivas coletivas (futebol, futsal, basquetebol, voleibol e rugby) em comparação às modalidades individuais (tênis, triatlo, taekwondo e natação), concentrando-se majoritariamente no futebol. Este resultado corrobora a literatura internacional, que mostra a presença do EIR marcadamente nos esportes coletivos e nas modalidades em que o desempenho é dependente de força, potência e do tamanho corporal (COBLEY et al., 2009; MUSCH; GRONDIN, 2001; RASCHNER, MULLER & HILDEBRANDT, 2012). No Brasil, o maior interesse pelos estudos com futebol é compreensível, haja vista ser o esporte de maior preferência dos brasileiros. A grande popularidade do futebol associada aos processos seletivos mais competitivos pode ser uma das causas do EIR neste esporte (COSTA, CARDOSO E GARGANTA, 2013; RASCHNER, MULLER & HILDEBRANDT, 2012). Nesta modalidade, existe de fato um viés na distribuição das datas de nascimento dos jogadores com maior predominância de atletas nascidos nos primeiros meses do ano de seleção. E isto tem sido observado em diversas categorias etárias e em diferentes níveis competitivos. Já nas modalidades individuais, o EIR precisa ser mais estudado, principalmente em jovens atletas, pois os resultados disponíveis ainda não permitem um entendimento mais aprofundado sobre esta temática na realidade brasileira. Por exemplo, no taekwondo (ALBULQUERQUE et al.,, 2012) não foi verificada a presença do EIR; por outro lado, no tênis (RIBEIRO Jr, 2013; PACHARONI et al., 2014), o EIR foi marcante apenas nas categorias Sub14 e Sub18; por fim, na natação (COSTA et al., 2015), o EIR foi observado apenas em algumas provas.

EIR no Brasil: diferenças entre os sexos

     Em relação ao sexo, o EIR nos estudos brasileiros é bem evidente no masculino, apresentando resultados inconsistentes no feminino, conforme mostra também os resultados dos estudos internacionais (COBLEY et al., 2009; MUSCH; GRONDIN; 2001). No feminino, observa-se inclusive o EIR de maneira inversa (ALMEIDA; PALMA, 2011) e em algumas modalidades, como na natação, este fenômeno ocorre em apenas algumas provas (COSTA et al., 2015). O que se sabe é que nas modalidades onde o EIR aparece, o efeito é menos importante para o sexo feminino (DELORME; C ALABAEV; RASPAUD, 2011). De acordo com estes autores, dois fatores podem explicar estas diferenças: menor concorrência nos processos seletivos e menor variabilidade maturacional nas meninas nas idades em que normalmente as atletas são selecionadas. Na verdade, o EIR é um fenômeno complexo e sua presença pode variar entre modalidades, sendo necessário mais estudos (ROMANN; FUCHSLOCHER, 2014).

EIR no Brasil: do jovem atleta ao atleta adulto

     Foi observado o EIR na grande maioria dos estudos com jovens atletas no Brasil. O desenvolvimento físico é considerado o segundo maior fator causador do EIR (MUSCH; GRONDIN; 2001). Atletas mais jovens, por serem menos desenvolvidos sob o ponto de vista físico, psicológico e cognitivo, quando comparados aos mais velhos podem apresentar desvantagens que diminuem suas chances de serem selecionados pelos treinadores. Muitos estudos mostram que atletas de elite apresentam maturação biológica avançada (MALINA, 1994). Neste sentido, a ocorrência do EIR tende a ser maior na adolescência, período em que a variabilidade biológica é maior, e diminui conforme se aproxima da idade adulta.

EIR no Brasil: da escola ao alto rendimento

     A competição é um fator por si só causador do EIR no esporte. Os estudos disponíveis mostram que o EIR é observado com mais frequência em esportes populares, como por exemplo o futebol, no Brasil, e o hóquei, no Canadá (MUSCH; GRONDIN, 2001; RASCHNER, MULLER & HILDEBRANDT, 2012) e está presente em todos os níveis competitivos, desde a base até o alto rendimento, havendo variações conforme as modalidades (COBLEY et al., 2009). No Brasil, o EIR já pode ser observado desde o nível escolar. CORTELA et al. (2013) verificaram uma frequência significativamente superior de participantes nascidos no primeiro semestre do ano vigente para competição. Os resultados alertam para a necessidade de se rever os modelos de seleção esportiva e de divisão dos escalonamentos etários no país, para que todas as crianças e jovens tenham as mesmas condições de participar e de se desenvolverem dentro do esporte. Dada a carência de estudo neste contexto específico, destaca-se a importância de se estudar o EIR no âmbito escolar e esporte de base. É possível que o EIR nas categorias de formação pode estar associado à cultura de seleção/formação esportiva do país, que valoriza principalmente os resultados precoces nas competições.

EIR no Brasil: a data de nascimento não prediz o sucesso esportivo

      Os pesquisadores do esporte tendem a acreditar que o mês de nascimento pode interferir na chance do atleta de alcançar o alto nível, devido aos efeitos da idade relativa (BAKER & LOGAN, 2007). Isto porque se observa que os atletas selecionados e aqueles mais bem sucedidos no esporte nasceram predominantemente no 1° e 2° quartis (janeiro a junho), tendência que aumenta progressivamente com o nível de excelência (COBLEY et al., 2009). Entretanto, a qualidade da evidência da relação entre a data de nascimento dos atletas e o sucesso atlético é insuficiente (REES et al., 2016). No Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, por exemplo, constatou-se que a data de nascimento não prediz a chance do atleta se tornar um atleta olímpico (BAKER et al., 2009). Os resultados desta revisão reforçam a tese de que não se deve selecionar jovens atletas com base no mês de nascimento. O desempenho esportivo é um processo multifatorial e dinâmico e, no caso, de jovens atletas o mais importante está no seu desenvolvimento e não na seleção dos mais aptos. Baker, Shorer & Cobley (2010) afirmam que ser mais jovem nem sempre é uma desvantagem no esporte, pois em algumas situações os atletas mais jovens têm menos risco de lesão e, no longo prazo, já existe evidência mostrando que estes atletas alcançam maior sucesso (MCCARTHY; COLLINS, 2014). Especula-se que os atletas relativamente mais novos desenvolvem habilidades superiores que os ajudam a superar as desvantagens temporárias que apresentam frente aos atletas mais velhos. Mesmo assim, os pesquisadores alertam que é preciso identificar e avaliar soluções para tentar eliminar o EIR, de modo a garantir iguais condições de participação e desempenho para todos (BAKER; SHORER; COBLEY, 2010).

EIR no Brasil: causas e consequências

     Estudos recentes sugerem que o EIR resulta da interação entre aspectos ligados ao indivíduo (data de nascimento, sexo, maturação e lateralidade), a tarefa (tipo de esporte, nível competitivo, posição de jogo) e ao ambiente (sistema esportivo-divisão em categorias, popularidade e história da modalidade, influência da família e dos técnicos) (HANCOCK; ASHLEY; CÔTÉ, 2013; WATTIE; SCHORER; BAKER, 2015). A ênfase sobre os aspectos físicos relacionados ao desempenho esportivo para seleção de talentos e o agrupamento em categorias de idade que duram cerca de dois anos são apontados como os principais responsáveis pelo EIR (VAEYENS; PHILIPPAERTS; MALINA, 2005). Além disso, para Raschner, Muller & Hildebrant (2012) uma das possíveis explicações para o EIR seria a popularidade da modalidade esportiva, que faz com que o processo de seleção esportiva seja mais rigoroso e competitivo. Quanto maior o número de praticantes de uma mesma categoria em uma dada modalidade, maior a possibilidade de ocorrer o EIR, já que a concorrência para obter um espaço na equipe ou seleções, será maior.

     As consequências negativas do EIR residem principalmente em dois aspectos: 1) futuros talentos no esporte podem ser excluídos prematuramente, em razão da preferência dos treinadores pelos atletas cronologicamente e, muitas vezes, maturacionalmente mais adiantados; 2) abandono da modalidade por parte daqueles que são preteridos, uma vez que recebem treinamentos de menor qualidade e possuem menos oportunidade de desenvolvimento (DELORME, CHALABAEV & RASPAUD, 2010). O EIR discrimina os mais jovens reduzindo precocemente suas chances de alcançar níveis mais elevados de rendimento no esporte. Os resultados sugerem que os atletas selecionados recebem treinamentos de melhor qualidade, maior quantidade de prática e motivação, enquanto que aqueles não-selecionados acabam se desmotivando, devido à baixa percepção de competência e ausência de sucesso (BAKER; SHORER; COBLEY, 2010).  O maior risco do EIR encontra-se no início da puberdade, geralmente de 13 a 15 anos nos meninos e de 12 a 14 anos nas meninas, período de grande variabilidade biológica e ao mesmo tempo crítico para a formação e a escolha pela carreira de atleta. A precipitação pela escolha de atletas cronologicamente mais velhos pode interferir na qualidade da formação de novos talentos. Por isso, o EIR deve ser visto com atenção no esporte de base.

EIR no Brasil: possíveis soluções

     Diversos autores propõem possíveis soluções, a fim de minimizar a influência do EIR. Dentre elas destacam-se: 1) agrupar os atletas com base na idade biológica; 2) alternar a data corte de seleção; 3) criar categorias etárias menores (1 ano); 4) agrupar os jogadores pelo seu rendimentos esportivo; 5) Criar cotas para uma distribuição equitativa da idade relativa dentro das equipes; 6) Diminuir o ano de seleção para 9 meses ao invés de 12 meses. Recentemente, Pierson, Addona e Yates (2014) propuseram um modelo em que a estratégia mais eficaz para minimizar o EIR seria a combinação da rotação anual do ponto de corte de seleção (1º de Janeiro e 1º de Julho) aliada ao suporte adicional de treinamento aos atletas relativamente mais jovens. A estratégia adotada deve levar em conta não somente a evidência científica disponível, mas também a logística para implantação na prática, que muitas vezes implica na mudança da estrutura das competições.

EIR no Brasil: mensagem aos treinadores

     O conhecimento sobre o EIR por parte dos treinadores é de suma importância, uma vez que eles representam um agente social de extrema significância na formação do jovem atleta. Neste sentido, seguem 10 regras de ouro para os técnicos: 1) Aprenda sobre o EIR e suas consequências negativas; 2) Priorize os aspectos técnicos (habilidades) nos processos seletivos, uma vez que as vantagens físicas podem ser temporárias; 3) Ofereça treinamentos de qualidade a todos os atletas; 4) Compreenda a interação entre idade relativa e maturação e as implicações para o treinamento de meninos e meninas; 5) Não crie expectativas demasiadamente positivas para alguns e equivocadamente negativas para outros; 6) Priorize a participação dos jovens, o envolvimento com a prática e, fundamentalmente, a motivação; 7) Avalie progressos individuais constantemente e ofereça feedback aos atletas; 8) Envolva a família, conscientize os pais; 9) Valorize o processo de formação e não resultados precoces; 10) Suas atitudes enquanto treinador ou a falta delas impactam a vida das pessoas sob a sua orientação.

EIR no Brasil: recomendações para novos estudos

     A partir dos resultados encontrados, são necessários novos estudos sobre o EIR em outras modalidades coletivas (basquetebol, voleibol e handebol, por exemplo) assim como individuais (natação, atletismo, ginástica, por exemplo), especialmente nas categorias de base. Além disso, é preciso investigar os efeitos da idade relativa sobre as capacidades funcionais e o desempenho na modalidade, assim como a relação do EIR com o estágio maturacional dos atletas e outros possíveis determinantes psicossociais. Nestes estudos, recomenda-se utilizar as proporções de nascimento de cada trimestre com base na população de referência. No Brasil, as informações sobre nascimento podem ser obtidas no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Ministério da Saúde. É importante também que os resultados dos estudos, além da significância estatística, apresentem alguma medida do tamanho do efeito (significância prática), tais como V de Cramer ou Razão de Chances. Por fim, estudos com desenho longitudinal que investiguem a relação entre o EIR e o abandono da modalidade vs. sucesso futuro dos atletas também são necessários.

CONCLUSÃO

     Esta revisão sistemática da literatura confirmou a presença do EIR no esporte brasileiro, mostrando que este fenômeno está presente em diferentes modalidades esportivas, principalmente no futebol e nos atletas do sexo masculino, desde as categorias de base até o alto nível de rendimento. A idade cronológica, portanto, parece mesmo ser utilizada pelos treinadores como critério de seleção dos atletas, mas os estudos não confirmam a relação entre o EIR e o desempenho/sucesso esportivo.

REFERÊNCIAS

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TREINAMENTO DE FORÇA COMBINADO À RESTRIÇÃO DE FLUXO SANGUÍNEO: ESCLARECIMENTOS SOBRE OS TERMOS UTILIZADOS

Gabriel Rodrigues Neto

Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física UPE/UFPB, João Pessoa, PB – Brasil

Laboratório de Cineantropometria e Desempenho Humano – UFPB, João Pessoa, PB – Brasil

INTRODUÇÃO

     O método de treinamento Kaatsu, atualmente, mais conhecido como treinamento com restrição de fluxo sanguíneo (RFS) foi criado em 1966 pelo cientista do esporte e fisiculturista japonês Yoshiaki Sato. Este método de treinamento vem ganhando notoriedade ao longo do tempo, porém se expandiu de forma mais expressiva a partir dos anos 2000 com os estudos de Takarada et al. (2000a; 2000; 2000b). Sua utilização pode ser tanto de forma isolada (sem treinamento), quanto com exercícios de força ou aeróbicos. Nessa direção, o exercício de força ou resistido de baixa carga (20-30% de 1RM) combinado à RFS, promovidos por bandas elásticas ou esfigmomanômetros padrões, fortaleceu sua notoriedade no meio acadêmico e social devido ser um método que surgiu como uma possível alternativa para exercícios de altas cargas (≥65% de 1RM). Esta característica é de grande importância para população com necessidades especiais, como por exemplo, lesionados ou com doenças musculares degenerativas e indivíduos idosos que podem apresentar dificuldades em levantar cargas com altos percentuais, mas que precisam ganhar força e hipertrofia muscular. Além disso, essa técnica não precisa ser realizada até a falha concêntrica para obter os ganhos de força e hipertrofia muscular o que também vai contra a ideia de ter que realizar o treinamento com cargas baixas até a falha concêntrica para obter tais benefícios (SCHOENFELD et al., 2016).

     Diversos estudos vêm utilizando este método de treinamento, pois vem se mostrando eficaz para o aumento da força muscular dinâmica (LAURENTINO et al., 2012; SILVA et al., 2015; SOUSA et al., 2017; VECHIN et al., 2015), força muscular isométrica (CHAVES et al., 2016), hipertrofia muscular (LAURENTINO et al., 2012; VECHIN et al., 2015), resistência muscular localizada (GIL et al., 2015; KACIN; STRAZAR, 2011; SOUSA et al., 2017) e capacidade funcional (ARAUJO et al., 2015). Além disso, sua utilização parece elevar as medidas hemodinâmicas dentro dos padrões de normalidade (BAZGIR et al., 2016; RODRIGUES NETO et al., 2015; RODRIGUES NETO et al., 2016a; RODRIGUES NETO et al., 2016b; RODRIGUES NETO et al., 2016c; RODRIGUES NETO et al., 2017b; TAKANO et al., 2005; VILAÇA-ALVES et al., 2016), sem aumentar os marcadores de dano muscular e estresse oxidativo (RODRIGUES NETO et al., 2017a), enfatizando assim, a segurança do método; entretanto, os efeitos na composição corporal parece não ser eficaz (ARAÚJO et al., 2015). Adicionalmente, o uso desta técnica com a utilização de altas cargas, parece não ser eficaz no aumento da força e massa muscular (LAURENTINO et al., 2008) e no desempenho agudo da força muscular isométrica imediatamente após o exercício (RODRIGUES NETO et al., 2014).

     Sabendo de todos estes benefícios que este método de treinamento proporciona, existem na literatura alguns equívocos rotineiros na concepção da caracterização do treinamento. Portanto, o objetivo deste artigo de opinião foi esclarecer os termos ideais para fundamentação e prescrição deste método de treinamento.

 

DESENVOLVIMENTO

     Para contextualizar este método de treinamento, se faz necessário entender o termo utilizado “Kaatsu”, que é uma palavra de origem japonesa que significa PRESSÃO, ou seja, o termo “Kaatsu training” significa treinamento com pressão ou na pressão. Ainda nesse contexto, outras nomenclaturas também vêm sendo utilizadas, como é o caso da “isquemia”, “treinamento isquêmico”, “hipóxia” e “isquemia pré-condicionante”, mas uma bastante conhecida e que foi utilizada para se referir a esse método de treinamento é “oclusão vascular”. Entretanto, com o passar do tempo os pesquisadores observaram que não existe uma oclusão vascular, e sim apenas uma restrição parcial do fluxo sanguíneo, na verdade o que ocorre, é que se utilizar a RFS de forma adequada e recomendada (pressões baixas) o fluxo arterial não é ocluído, mas o que pode ser obstruído é apenas o sangue venoso superficial (IIDA et al., 2007).  Assim, o termo “oclusão vascular” além promover certo impacto nas pessoas que não conhecem o método, estava sendo empregado equivocadamente.

     É preciso compreender alguns elementos, nomeadamente em relação aos percentuais de carga que deve ser utilizado para trabalhar com este método de treinamento. Inicialmente, estudos abordavam que uma característica do método era realizar o treinamento com cargas baixas e citavam os percentuais de carga 20 a 50% de 1RM. No entanto, cargas com percentuais de 40 a 60 % de 1RM são consideradas pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte como cargas moderadas para o aumento da força e hipertrofia muscular (ACSM, 2011). Sendo assim, seria uma forma equivocada mencionar que 40 e 50% de 1RM se refere a percentuais de cargas baixas, pois estão dentro da zona de classificação de cargas moderadas. E como, a grande vantagem do método é trabalhar com cargas baixas para alcançar os ganhos de força e hipertrofia muscular igual ao método tradicional com altas cargas, o ideal seria trabalhar com cargas mínimas e que de fato sejam classificadas como baixas. Portanto, os percentuais de cargas eficazes e ideais quando se trabalha com este método de treinamento seria entre 20 e 30% de 1RM, porém pode ser utilizado com cargas maiores, desde que sejam utilizados os termos corretos.

     Existe ainda um equívoco nos termos apresentados na literatura, quanto à intensidade, pelo fato do método ser trabalhado com percentuais de cargas baixas. Várias pesquisas utilizam o termo de “baixa intensidade” para caracterizar o método, o que na verdade deveriam ser chamadas de “baixas cargas”, pois a excitação fisiológica imposta pelo método faz a intensidade ser similar ou até mais alta quando comparado aos protocolos ou grupos que treinam com percentuais de cargas altas. Portanto, devido à intensidade ser elevadas em ambas as formas de treinamento, é recomendado utilizar o termo baixa carga e não “baixa intensidade” para se referir a este método de treinamento.

 

CONCLUSÃO

     O método de treinamento de força combinado à RFS vem sendo recomendado para aumentar a força, hipertrofia e resistência muscular. E devido à velocidade da repercussão, alguns elementos de caracterização foram realizados de forma inadequada. Sendo assim, este artigo de opinião aponta os equívocos sobre os percentuais de carga e intensidade que existem na literatura e esclarece como devem ser empregados para melhorar a fundamentação e prescrição deste método de treinamento. Portanto, recomenda-se que seja utilizado o termo de baixas cargas para se referir aos percentuais de 20 a 30% de 1RM e não de 20 a 50% de 1RM como vem sendo utilizado. Além disso, devido à intensidade ser elevada em ambas as formas de treinamento (tradicional vs. RFS) é recomendado utilizar o termo baixa carga e não “baixa intensidade”.

 

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PERFIL DA ATIVIDADE FÍSICA, CONDIÇÕES DOS POSTOS DE TRABALHO E DISTÚRBIOS MUSCULOESQUELÉTICOS EM TRABALHADORES PRATICANTES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA

JULIANA LARRISSA DE OLIVEIRA CRUZ

Graduada em educação física no Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ;

Departamento de Educação Física, Laboratório de Avaliação Física do UNIPÊ,

 João Pessoa, Paraíba, Brasil.

LENILSON SILVA DOS SANTOS

Acadêmico do curso de educação física do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ;

Departamento de Educação Física, Laboratório de Avaliação Física do UNIPÊ,

João Pessoa, Paraíba, Brasil.

SARAH PINHEIRO DE SOUSA

Acadêmica do curso de educação física do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ;

Departamento de Educação Física, Laboratório de Avaliação Física do UNIPÊ,

João Pessoa, Paraíba, Brasil.

ERIC DE LUCENA BARBOSA

Doutor em Ciência do Movimento Humano, Universidade Autônoma de Assunção,

Paraguai – UAA; Professor do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ;

Departamento de Educação Física, Laboratório de Avaliação Física do UNIPÊ,

João Pessoa, Paraíba, Brasil.

MARCOS ANTONIO ARAUJO DE LEITE FILHO

Doutor em Ciência do Movimento Humano, Universidade Autônoma de Assunção,

Paraguai – UAA; Professor do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ;

Departamento de Educação Física, Laboratório de Avaliação Física do UNIPÊ,

João Pessoa, Paraíba, Brasil.

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo verificar o perfil da atividade física, condições dos postos de trabalho e distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores praticantes e não praticantes de atividade física. A pesquisa foi descritiva, transversal e quanti-qualitativa, que avaliou 68 trabalhadores de 2 empresas, com tempo superior a 6 meses de profissão. Foi utilizada a estatística descritiva por meio dos valores em percentuais. Foram divididos em dois grupos iguais, 50% praticantes de atividade física e outros 50%, não praticantes. Dos 50% que praticam atividade física, 73,52% frequentam de 3 a 4 vezes por semana; 50% dos mesmos já estão há mais de um ano na prática, com frequência (55,8%) entre 30 minutos a uma hora. As modalidades esportivas (41,17%) são as mais realizadas. Os distúrbios musculoesqueléticos foram tornozelos/pés com 47,05%, punhos/mãos 44,11%, demonstrando nessas áreas, valores maiores em praticantes de atividade física. Os fatores biomecânicos apontaram um escore de risco em ambiente de trabalho, graduados em condição biomecânica péssima em 5,8%; ruim em 17,64% e razoável em 14,7%. Quanto aos não praticantes de atividade física, apresentaram maiores sintomas em parte inferior das costas 47,05%, parte superior das costas com 38,23% e punhos/mãos com 32,35%. Os fatores biomecânicos dos não praticantes tiveram condição biomecânica péssima 2,9%; ruim 14,7% e razoável 8,8%. Conclui-se que os distúrbios musculoesqueléticos adquiridos no trabalho atingem mais áreas estabilizadoras do corpo em trabalhadores não praticantes de atividade física, e que os sintomas podem estar associados aos fatores ergonômicos no ambiente do trabalho, por terem sido identificados fatores biomecânicos de risco com maior frequência em praticantes de atividade física.

Palavras-chave: Atividade motora; qualidade de vida; trabalhadores.

 

ABSTRACT

The present study aimed to verify the profile of physical activity, conditions of work and musculoskeletal disorders in workers practitioners and non-practitioners of physical activity. The research was descriptive, transversal and quanti-qualitative, who evaluated 68 workers from 2 companies, with over 6 months of occupation. Descriptive statistics were used by means of percentages. They were divided into two equal groups, 50% practicing physical activity and 50% non-practitioners. Of the 50% who practice physical activity, 73.52% attend 3 to 4 times a week; 50% of them have been in practice for more than a year, often (55.8%) from 30 minutes to one hour. The sports modalities (41.17%) are the most accomplished. Musculoskeletal disorders were ankles/feet with 47.05%, wrists/hands 44.11%, showing in these areas, higher values in physical activity practitioners. The biomechanical factors pointed to a risk score in the work environment, graduates in biomechanics bad at 5.8%; poor at 17.64% and reasonable in 14.7%. As for the non-practicing physical activity, showed higher symptoms in the lower back 47.05%, upper part of the back with 38.23% and wrists/hands with 32.35%. The biomechanical factors of non-practitioners had provided biomechanics lousy 2.9%; poor 14.7% and reasonable 8.8%. It is concluded that the musculoskeletal disorders acquired at work reach more areas of the stabilizer body in workers do not Practitioners physical activity, and that symptoms may be associated to ergonomic factors in the work environment, for having been identified biomechanical factors of risk with greater frequency in Practitioners physical activity.

Key words: Motor activity; quality of life; workers.

INTRODUÇÃO

     A atividade física que é caracterizada por qualquer movimento que promova gasto energético acima do nível de repouso. Esta, difere do exercício físico que, por sua vez, caracteriza-se por ser uma forma de atividade física acompanhada e prescrita por um profissional de educação física, a fim de desenvolver habilidades motoras, resistência, força, entre outras capacidades. Tudo isso, se realizado, culminará na contribuição no bem-estar do indivíduo e, combinado ao seu trabalho, o torna mais produtivo (FAHEY T., INSEL P.M., ROTH W.T. FIT & WELL, 1999). A ginástica laboral, visando uma melhoria produtiva, combina algumas atividades físicas ao campo de trabalho contribuindo com o aspecto fisiológico, a condição física do indivíduo em seu trabalho e a concentração (LEAL & MEJIA, 2011).

     O trabalho é a base de sustento de todo ser humano, ferramenta mais importante para aquisição de valores materiais almejados por muitos; para outros, apenas o sustento familiar. A relação estabelecida entre a empresa e o trabalhador muitas vezes vai muito além das funções do local de trabalho. Um funcionário sobrecarregado gera mal-estar, diminui sua qualidade de vida, afeta seu desempenho funcional e é um concorrente a adquirir doenças denominadas do trabalho, trazendo, assim, prejuízo à empresa (KRONE et al, 2013).

     A concorrência do mercado vem sobrecarregando trabalhadores cujo objetivo é atingir metas para se manter em alta. Em 1950, na Inglaterra, o termo qualidade de vida surgiu quando Eric Trist e colaboradores tentavam abordar um modelo macro para estabelecer a relação entre o indivíduo, o trabalho e a organização, em busca da satisfação do trabalhador e da redução do mal-estar, diminuição das lesões e do excesso físico no trabalho (MASSOLLA E CALDERARI, 2011).

     Para esse benefício a Ergonomia visa estudar o desempenho do homem em seu ambiente de trabalho através dos materiais utilizados, analisando, para que se possa fazer modificações, tornando assim, seu local de trabalho mais confortável, seguro onde terá eficiência em sua função com o mínimo de prejuízo possível (ANARUMA & CASAROTTO, 1996).

     Corroborando com os vários benefícios proporcionados pela atividade física atrelados à maior eficiência por parte do trabalhador. Aliar ambos tende à otimizar o tempo, a saúde e os resultados do empregado, consequentemente da empresa. Diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivo verificar o perfil da atividade física, as condições dos postos de trabalho e os distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores praticantes e não praticantes de atividade física.

METODOLOGIA

     A pesquisa teve um caráter descritivo, transversal e quanti-qualitativa. O desenvolvimento desta pesquisa seguiu rigorosamente todas as exigências preconizadas pela Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, especialmente aquelas contidas nos itens IV.3 e IV.4. Teve Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/SES-PB) em 26/12/2014, com CAAE: 39484414.0.0000.5176.

     Foi aplicado um questionário caracterizando o perfil de atividade física, quanto à prática ou não da atividade física. Em caso afirmativo, quantas vezes por semana, tempo de prática, duração do exercício e tipo de atividade física. O perfil do trabalhador quanto à sua profissão, tempo de trabalho, horário de atividades diárias e semanais. Utilizou-se para avaliação da morbidade osteomuscular, o questionário nórdico que foi desenvolvido com o objetivo de padronizar a mensuração de relato de sintomas osteomusculares e, assim, facilitar a análise dos resultados entre os estudos (PINHEIRO, TRÓCCOLI & CARVALHO 2002). Também foi utilizado o CheckList de Couto (2007), que faz uma análise das variáveis biomecânicas nos riscos para distúrbios musculares dos membros superiores relacionados ao trabalho e as condições dos postos de trabalho utilizando-se o computador como ferramenta.

     A pesquisa foi realizada com 68 trabalhadores de ambos os sexos de duas empresas, com idade entre 18 e 40 anos, com tempo de pelo menos 6 meses de profissão, carteira profissional assinada pela empresa, com sua função estilo escritório (pessoa que trabalha toda carga horária sentado, com utilização do computador, telefone e escrita), com o mínimo de 6h de trabalho por dia e 4 vezes por semana.

     Usou-se o pacote Office Excel 2013 para armazenar e tabular os resultados, posteriormente foi utilizado a estatística descritiva por meio dos valores em percentuais.

 

RESULTADOS

     Ao analisar o gráfico 01, representado por 50% dos trabalhadores, sendo estes praticantes de atividade física, em números, foram 34 participantes, foi detectado que 73,52% frequentam de 3 a 4 vezes por semana; 50% dos mesmos já estão há mais de uma ano na prática (Gráfico 2), com frequência de tempo (55,8%) entre 30 minutos a uma hora (Gráfico 3); e, que as modalidades esportivas (41,17%) são as mais realizadas entre eles (Gráfico 4).

Gráfico 1. Perfil da atividade física – Vezes por semana

Gráfico 2. Caracterização do perfil da atividade física. Tempo de prática

Gráfico 3. Caracterização do perfil da atividade física. Duração do Exercício

Gráfico 4. Caracterização do perfil da atividade física. Tipo de atividade física

     Através do questionário nórdico foi possível identificar os sintomas dos participantes praticantes e não praticantes de atividade física, que referiram formigamento/dormência nos últimos 12 meses. As áreas mais acometidas em praticantes de atividade física foram, primeiramente, tornozelos/pés com 47,05%, seguido de punhos/mãos com 44,11% já os joelhos aparecem com 23,52%, demonstrando nessas áreas, valores maiores que os não praticantes de atividade física (Gráfico 5).

Gráfico 5. Questionário Nórdico

     Os que não praticam atividade física apresentaram maiores sintomas em parte inferior das costas com 47,05%, seguidos de parte superior das costas com 38,23% e punhos/mãos com 32,35% (Gráfico 6).

Gráfico 6. Questionário Nórdico

   Com o CheckList de Couto detectou-se sintomas que podem estar associados aos fatores ergonômicos do trabalho. Foram encontrados os seguintes valores: para biomecânicas péssimas identificou-se 5,8% dos praticantes (Gráfico 7) e 2,9% em não praticantes (Gráfico 8); em condição biomecânica ruim, os praticantes tiveram, 17,64% (Gráfico 7) e os não praticantes com 14,7% (Gráfico 8); e em condição biomecânica razoável, praticantes ficaram novamente à frente com 14,7% (Gráfico 7), enquanto os não praticantes apresentaram 8,8% (Gráfico 8). Deixando claro que os fatores biomecânicos no trabalho foram melhores em não praticantes de atividade física.

Gráfico 7. CheckList de Couto – Praticantes de atividade física

Gráfico 8. CheckList de Couto – Não praticantes de atividade física

DISCUSSÃO

     Matsudo (1992) fala que os principais efeitos positivos à saúde provenientes da prática de atividades física são advindos dos aspectos neuromusculares, antropométricos, psicológicos e metabólicos. Fahey et al., (1999), dizem que qualquer movimento do corpo onde são recrutados músculos usando energia, tem grande contribuição para o bem-estar do trabalhador. A conscientização dos benefícios provenientes da prática da atividade física aumentou no setor de trabalho, mostrando as diversas opções da prática, uma vez que 41,17% dos entrevistados optam pelas modalidades esportivas, por serem mais estimulantes. Oliveira (2007), indica como alternativa a Ginástica Laboral para as empresas como uma solução para o problema dos não praticantes, por ser considerada uma atividade física eficaz para prevenir doenças relacionadas ao trabalho e, assim, melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Em pesquisa realizada por Santos et. al. (2007), 40 funcionárias de uma empresa foram submetidas à prática de ginástica laboral como parâmetro para diminuição de lesões e sintomas estressantes que acometiam 80% dos funcionários no ambiente de trabalho e, após a intervenção, os resultados 75% obtiveram melhora da dor e 5% relataram nenhum tipo de melhora da dor corporal.

     Observa-se que os sintomas apresentados por praticantes de atividade física, demonstraram maior percentual na pesquisa, que identifica os distúrbios musculoesqueléticos nos últimos 12 meses, sendo que as áreas mais afetadas foram tornozelos/pés com 47,05%, seguido de punhos/mãos com 44,11% e parte inferior das costas com 41,17%. Em pesquisa realizada com 90 sujeitos, Pinheiro, Tróccoli e Carvalho, (2002), apresentaram, em relação dor e trabalho, 70% dos participantes que declararam tal relação, porém os autores ainda sugerem avaliações com instrumentos que levem em consideração outros fatores para que seja afirmado fielmente essa relação dor e trabalho.

     Em estudo de Henchen et. al (2013), após aplicação do checklist de Couto, mesmo com um ambiente com características adequadas, ergonomicamente, posturas inadequadas e inapropriadas usadas pelos trabalhadores demonstram riscos aos mesmos de igual forma aos de boa ergonomia. Mostrando outros fatores semelhantes ao presente estudo, que pôde-se observar os fatores biomecânicos de risco no ambiente de trabalho em praticantes de atividade física, apontando por meio da soma dos valores do score de péssimo, ruim e razoável em 38,22%, quando, em não praticantes de atividade física foram referidos também por meio da soma dos valores do score de péssimo, ruim e razoável em 26,46%. Os resultados no questionário nórdico, poderão estar relacionados a estes valores, onde indicou que, existem riscos biomecânicos que geram lesões musculoesqueléticas nos operários por serem valores significativos. Destacando o que se afirma em Couto (2007), o checklist não deve ser usado como ferramenta única em análise ergonômica. E Júnior, (2004), complementa que a relação entre os índices de estresse e capacidade de trabalho poderia levar a modificações negativas fisiológicas, comportamentais e cognitivas no indivíduo no trabalho.

     Mas, mesmo com fatores biomecânicos piores em praticantes de atividade física, as áreas afetadas foram maiores em não praticantes, onde Devide, (1998), afirma que não podemos desconsiderar os benefícios, na prevenção e reabilitação de doenças, com prática regular de exercícios físicos na aptidão física em comparação com o estilo de vida sedentário, comum na atual sociedade, que mesmo reconhecendo sobre sua importância prevenção de distúrbios musculares há uma resistência em relação aos gastos pelo fato de dar-se maior importância e investir mais com programas de aptidão física do que com programas preventivos e curativos. Em estudos de Leão et al., (2011), seus resultados demonstram que atitudes positivas das empresas, por meio da promoção de atividades físicas, podem resultar numa melhoria da qualidade de vida e num estilo de vida mais ativo e saudável para o trabalhador.

 

CONCLUSÃO

     Conclui-se que, quando analisadas as pessoas que realizam atividade física na empresa, percebeu-se que é um perfil adequado de prática para se ter maior qualidade de vida. Foi visto que, os distúrbios musculoesqueléticos adquiridos no trabalho, atingem mais áreas de estabilidade do corpo em trabalhadores não praticantes de atividade física, contudo, os praticantes ainda se destacaram em duas áreas (tornozelos/pés, punhos/mãos), com porcentagens maiores em relação aos não praticantes. É sabido que, existem outros fatores que podem estar associados a estes resultados, mas, devido às ferramentas usadas nesta pesquisa, os sintomas podem estar associados aos fatores ergonômicos do trabalho, por terem sido identificados fatores biomecânicos de risco com maior frequência em praticantes de atividade física. É necessário um estudo mais aprofundado para identificar quais seriam estes fatores desde o perfil antropométrico do trabalhador até os fatores oriundos da rotina trabalhista. O profissional de educação possui competência para intervir em empresas, através da ginástica laboral, podendo também, conscientizar os benefícios na saúde do trabalhador e financeiros para instituição.

 

REFERÊNCIAS

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SABERES PEDAGÓGICOS DAS LUTAS: UM OLHAR DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR SOBRE OS BLOCOS DE CONTEÚDOS

Jefferson Campos Lopes

União Brasileira Educacional (UNIBR) Santos – SP, Brasil

Francisco José Félix Saavedra

University of Trás-os-Montes and Alto Douro, Vila Real, Portugal

Ágata Cristina Marques Aranha

University of Trás-os-Montes and Alto Douro, Vila Real, Portugal

Edson Marcos de Godoy Palomares

Faculdade Integrada da Grande Fortaleza (FGF) Fortaleza – CE, Brasil

RESUMO

O objetivo deste artigo é descobrir como os profissionais de educação física escolar desenvolvem os procedimentos de ensino e aprendizagem das lutas (Karate, Judô, Taewondo, lutas associadas) na diretoria de ensino Publico do governo do estado de São Paulo (Santos, Bertioga, Cubatão e Guarujá). Assim o presente estudo tem como objetivos: a) identificar os conhecimentos para as aulas de lutas; b) se trabalham junto com os PCN’s nos blocos de conteúdos; c) quais são as maiores dificuldades. Participou deste estudo um total de 112 profissionais graduados em educação física. Os dados serão obtidos através de um questionário estruturado com perguntas fechadas e de uma capacitação (carga total de 8 horas). Através da analise dos resultados obtidos, pode-se entender como é apresentado às lutas aos alunos na educação física escolar.

Palavras chaves: Lutas, educação física escolar, pedagogia e aprendizagem.

 

ABSTRACT

The purpose of this article is to find out how the professionals of physical education develop the teaching procedures and learning from the struggles (Karate, Judo, Taewondo, struggles associated) in Public school board state government of Sao Paulo (Santos, Bertioga, Cubatao and Guaruja). Thus the present study aims to: a) identify the knowledge to the struggles of classes; b) work together with Pcn’s the content blocks; c) what are the major difficulties. Participated in this study a total of 112 graduates in physical education. The data will be obtained through a structured questionnaire with closed questions and a capacity (total of 8 hours). Through the analysis of the results, one can understand how it is presented to the struggles students in school physical education.

Key words: Fights, physical education, pedagogy and learning.

 

INTRODUÇÃO

     Segundo Breda (2010, p. 28) precisar o surgimento das lutas não é possível, uma vez que não se trata de uma ação isolada de um homem ou grupo que a propôs, mas, sim, de uma construção sociocultural que a foi modificando e dando novos significados ao longo do tempo.

     Assim as lutas fazem parte da cultura corporal do movimento humano. Sempre fizeram parte do homem. Dentro de toda ação de defesa, contra uma fera ou um inimigo, ou de ataque, como a caça ou o combate na guerra, usando o corpo ou armas, está presente a luta, de forma organizada como as modalidades conhecidas, ou instintiva, emanada da necessidade do ser humano em proteger o seu próprio corpo (LANÇANOVA, 2006, p. 11).

     Podemos dizer que as lutas são uma das mais elementares manifestações corporais, da qual fazem parte também os esportes, as danças, as ginásticas, entre outros. No contexto brasileiro, elas estão presentes por meio de variadas modalidades, sendo muito diversificadas e difundidas em clubes e academias, ou seja, estabelecimentos não formais de ensino (GOMES, 2010).

     A definição que os PCN´S adotam é a seguinte:

   As lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), mediante técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização, ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade (BRASIL, MEC, 1998, p. 96).

   Neste caminho em seus estudos (NISTA-PICCOLO E VECHI, 2006) apontam que as aulas de educação física no contexto escolar devem promover nos alunos o gosto pela prática de atividade física, o que depende em muito de vários fatores como novos currículos, métodos diferenciados, as relações intrapessoais e interpessoais e ao estimulo empregado pelo professor bem como o foco do aluno.

   No âmbito das diferentes abordagens, atualmente, nas escolas públicas estaduais do Estado de São Paulo, encontra-se a Proposta Curricular (PC) para Educação Física baseada na concepção da “cultura de movimento”. Este enfoque cultural ganhou destaque “por levar em conta as diferenças manifestas pelos alunos em variados contextos e por pregar a pluralidade de ações, sugerindo a relativização da noção de desenvolvimento dos mesmos conteúdos da mesma forma” (SÃO PAULO, 2008, p.42).

  Os estudos sobre os saberes docentes (TARDIF, 2007) apresentam possibilidades de aproximação com a problemática a ser investigada nesta pesquisa. Guardadas as características específicas do trabalho docente escolar, procuramos demonstrar a peculiaridade e as possíveis aproximações que o trabalho pedagógico das artes marciais apresenta para refletir sobre os saberes docentes operacionalizados pelos mestres no cotidiano.

   As lutas podem ser trabalhadas nas as três dimensões dos blocos de conteúdo, sendo elas a procedimental que seria o saber fazer, ou seja, a vivência prática do conteúdo em si. Também aparecem às dimensões conceituais que estão ligadas ao saber sobre o que está fazendo, ou seja, refere-se a fatos, conceitos, princípios e o próprio contexto histórico pelo qual passou o conteúdo a ser estudado e por último as dimensões atitudinais que estão ligadas às normas, valores e atitudes adotadas pelos alunos (NEIRA, 2011). Assim este estudo ira apresentar quais são os saberes necessários dentro das Lutas na educação física escolar utilizando os Pcn´s como diretrizes para serem utilizadas no contexto escolar pelos professores de educação física.

MATERIAIS E MÉTODOS

  O presente estudo possui abordagem qualitativa e quantitativa, privilegiando a compreensão dos sentidos e significados da vivência dos participantes, em um ambiente específico, bem como o modo como os mesmos se configuram em determinadas situações (THOMAS, 2011). Para isso, foram utilizados métodos de observação do contexto estudado, registro detalhado dos fatos, entrevistas com os envolvidos e interpretação e análise de dados, descritos a seguir.

Participantes

   Foram selecionados por meio de uma Orientação Técnica (OT) das seguintes lutas: Karate, Judô, Taewondo, lutas associadas, totalizando 112 professores de educação física. Os mesmos são de ambos os sexos com idade entre 18 anos e 60 anos. Os critérios de seleção dos profissionais foram: a) professores a mais de 02 anos concursados. b) lecionarem no ensino fundamental ou médio. c) participarem da capacitação e responder os questionários.

Análise de Dados

   Os dados coletados foram submetidos à Análise de Conteúdo, a qual é considerada um instrumento metodológico com potencial de aplicação a discursos diversos e que visa compreender estruturas e modelos submersos nos fragmentos das mensagens (BARDIN, 2008). Buscou-se ainda confrontar os apontamentos observados ao longo das aulas, triangulando os resultados em categorias temáticas de análise. A pesquisa foi autorização do Comitê de Ética em Pesquisa da universidade de origem dos autores. Os instrutores participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tendo todas as dúvidas sanadas ao longo de todos os procedimentos.

RESULTADOS

   Nesse estudo fizeram parte 112 professores de educação física da rede publica onde 52 (média de idade é de 39,6) foram do sexo masculino e 60 do feminino (média de idade é de 34,5) totalizando com média geral de 36,9 de idade.

     Na figura 1 identificamos o maior intervalo de idade entre os participantes são na faixa de 30 a 40 anos. Em pesquisa feita pela Fundação Lemann e o Instituto Ibope Inteligência juntamente a professores de escolas públicas brasileiras espalhadas por todo o território nacional diz que a média de idade dos professores brasileiros é de 40,8 anos. No tocante a faixa etária dos docentes, onde há uma preocupação quanto ao fato de que 80% dos professores pesquisados têm 33 anos ou mais enquanto apenas 20% disseram ter 32 anos ou menos. A renovação é lenta, temos um professorado maduro, o que por um lado é bom, pois denota maior experiência e conhecimento dos procedimentos e conteúdos relacionados ao trabalho em educação. Por outro lado, como a renovação é pequena, motivada por fatores como baixos salários, condições inadequadas de trabalho, baixo reconhecimento social.

    Outra característica dos professores brasileiros coletada pelo Censo Escolar 2007 é a idade. A distribuição dos professores revela como em nossa pesquisa que 68% dos docentes têm mais de 33 anos de idade e que 55% estão na faixa de 30 a 45 anos. A média de idade dos professores da educação básica é de 38 anos e tem uma pequena variação, de apenas 5 anos, quando se toma o conjunto de docentes de cada etapa.

   Para finalizarmos estes dados apresentamos o questionário Prova Brasil 2011 que consta que 71% dos professores no Brasil estão na faixa etária de 30 a 45 anos.

   Em comparação com a America Latina (BEECH, 2007) onde a média de idade fica nos seus 34 anos em relação ao Brasil fica bem próxima trazendo um questionamento que nesta profissão é necessárias novas perspectivas de atrair o novo professor.

Figura 1 – Intervalo de faixa etária

   Na figura 2 constam os dados das 14 respostas realizadas. Na primeira questão a pergunta se refere a quanto tempo de formação na graduação. Vemos que a maioria dos professores tem mais de 07 anos como graduado, trazendo assim uma experiência na profissão muito grande na área de educaçãofisica escolar. Segundo dados da Prova Brasil 2011 onde 34% dos professores no Brasil tem sua formação a mais de sete anos confirmando nossa pesquisa. As licenciaturas são cursos que, pela legislação, têm por objetivo formar professores para a educação básica: educação infantil (creche e pré-escola); ensino fundamental; ensino médio; ensino profissionalizante; educação de jovens e adultos; educação especial. (GATTI, 2008). Neste caminho a formação de professores profissionais para a educação básica tem que partir de seu campo de prática e agregar a este os conhecimentos necessários selecionados como valorosos, em seus fundamentos e com as mediações didáticas necessárias, sobretudo por se tratar de formação para o trabalho educacional com crianças e adolescentes. (TARDIF e LESSARD, 2007).

 Figura 2 – Tempo de formação

     A maioria dos professores são oriundos de IES particulares, mostrando que o ensino universitário tem sua formação sendo feita quase que exclusivamente por IES particulares. Hoje, o Brasil possui 1.859 instituições de ensino superior, sendo que 163 estão organizadas como universidades. No total, são 16.453 cursos de graduação presenciais. Do total das instituições de ensino superior, 11,1% são públicas e 88,9% privadas. A organização acadêmica caracteriza as instituições de ensino superior quanto a sua competência e responsabilidade. Instituições de Ensino Superior oferecem cursos superiores em pelo menos uma de suas diversas modalidades, bem como cursos em nível de pós-graduação. Podem ser divididas em duas áreas distintas: instituições universitárias e não universitárias (MEC, 2015). Podemos dizer que a escolha pela IES privada envolve vários fatores: numero do aumento delas de 197% em relação a 18% das publicas, uma maior disponibilidade de financiamento (FIES/Prouni), o aumento das IES privadas nas maiorias dos estados brasileiros, a maioria do jovem brasileiro começa a trabalhar cedo assim os mesmos tendo a estudar no período noturno onde no caso as publicas são de período integral e por último a maior facilidade de disputa de ingresso no ensino superior (CONTADOR, 2008).

Figura 3 – Tipos de IES

   Na figura 3 tentamos identificar quais seriam as lutas que foram apresentadas aos participantes na sua graduação e vemos que 03 delas foram mais vistas: o judô em primeiro, a capoeira em segundo e em terceiro o karatê.Como não existe um currículo especifico do que se deve ensinar como luta a divulgação na mídia do Judô e do karate fazem esta possibilidade e a regionalidade pela capoeira a incluía neste processo.

    No caso da capoeira vale citar que existem alguns argumentos que integram este contexto, são eles; a ludicidade presente no ensino, o jogo-luta-dnaça que faz parte da triate, o referencial afro-brasileiro e a reatualização histórica no Brasil. No judô as conquista efetuadas nas principais competições no mundo acabam trazendo uma divulgação maior nos meios da mídia dando uma visão maior de possibilidades esportivas.

Figura 4 – Tipos de Lutas na Graduação

     Na figura 4 são apresentadas as questões referente a formação das quais tinham como dúvidas: a relação entre teoria e prática nos conteúdos da luta, utilização dos PCN’s no quesito luta e se houve subsídios suficientes para os diversos conteúdos dos blocos de conteúdos nas lutas. A grande maioria das respostas foi de pouca utilização. Assim estas três perguntas nos mostram que mesmo nos últimos 05 anos da entrada das lutas na grade curricular das IES ainda existem uma lacuna muito grande entre a teoria e prática bem como organização das possibilidades das lutas.

     Os PCN’s propõem uma reorganização para a educação física, no que se refere ao currículo, trazendo o movimento como um aspecto central. Como componente curricular da Educação Básica, a educação física começa a ser pensada de forma integrada, valorizando o corpo e a mente dos alunos.

    Nesse contexto, os (PCN’s, 1998, p. 26) explica que instala-se um novo ordenamento legal na proposição da atual Lei de Diretrizes e Bases, que orienta para a integração da Educação Física na proposta pedagógica da escola. Ao delegar autonomia para a construção de uma proposta pedagógica integrada, a nova lei responsabiliza a própria escola e o professor pela adaptação da ação educativa escolar às diferentes realidades e demandas sociais. Acredito que os professores devem promover diferentes práticas corporais para os alunos, mostrando-lhes as diferentes culturas e dando-lhes oportunidades de vivenciar essa variedade de conteúdos. Dessa forma, a Educação Física seria mais valorizada, não apenas pelos alunos, mas também, pelos pais e professores das demais disciplinas.

Figura 5 – Formação suficiente para ensino de Lutas

     No gráfico 07 percebe-se que a maioria dos professores teve em suas aulas sobre lutas na parte conceitual que traz como informações as definições, história, regras, curiosidades e modelos de competições. Para garantir um ensino de qualidade além de diversificar os conteúdos na escola é preciso aprofundar os conhecimentos, ou seja, tratá-los nas três dimensões, abordando os diferentes aspectos que compõem as suas significações. Esses conteúdos não devem ser ensinados e aprendidos pelos alunos apenas na dimensão do saber fazer (dimensão procedimental dos conteúdos), mas devem incluir um saber sobre esses conteúdos (dimensão conceitual dos conteúdos) e um saber ser (dimensão atitudinal dos conteúdos), de tal modo que possa efetivamente garantir a formação do cidadão a partir de suas aulas de Educação Física escolar. A aprendizagem dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais não se realizam, nem se efetivam separadamente, mas por inter-relações (OLIVEIRA, 2004).

Figura 6 – Blocos de conteúdos

     No entanto vemos no gráfico 08 onde a pergunta tinha relação do que o professor gostaria que seus alunos aprendem-se nas aulas, vemos dois quesitos em destaque: disciplina e respeito. Sabemos que hoje estes dois fazem parte da grande maioria dos problemas em sala de aula e de convivência entre os mesmos, por isso a grande maioria anseia por esta forma de aquisição para trabalhar melhor.

     Segundo (ANTUNES, 2011, p. 19), “A indisciplina quase sempre emana de três focos: a escola e sua estrutura, o professor e sua conduta e o aluno e sua bagunça”. No cotidiano escolar observa-se que o comportamento do aluno no ambiente de ensino é reflexo das experiências vividas no meio familiar e social.  (PEREIRA, 2007). É comum encontrar alunos problemáticos filhos de famílias desestruturadas, onde um dos pais é ausente por algum motivo ou não dão a devida importância para a vida escolar e social do filho. (OLIVEIRA, 2004). Apesar dessa importante observação, não se pode atribuir esse fator como sendo a única causa do problema. Dessa forma os professores vivenciam constantemente situações de apreensão, incerteza, insegurança e conflito, que envolvem indisciplina e se apresentam no cotidiano da escola. (OLIVEIRA, 2004) lembram que entre os 13 e os 18 anos, aproximadamente, os jovens sofrem modificações que os transformam, passando a agir de maneira diferente tanto individualmente quanto nos grupos dos quais começam a participar. Ainda (ESTRELA, 2002), afirma que a manifestação de indisciplina trazida pelos adolescentes é uma forma de ganhar status entre os grupos existentes na escola, fazendo com que se torne conhecido no ambiente escolar. Concordo que o problema não é estabelecer a ordem e sim de que forma isso é estabelecido, e do modo que está sendo feito percebe-se que o educador acaba se excedendo, gerando nos educandos os mais variados sentimentos, uns se sentem amedrontados, outros angustiados e dificilmente há algum aluno com um sentimento de admiração. (OLIVEIRA, 2004, b). Nesse sentido explica que existem duas formas de se respeitar alguém, uma dessas formas é através do medo, de se sentir inferior, acuado e a outra por conta da admiração, do bem estar, do gostar da outra pessoa. Assim o professor entende que uma das características da Educação Física é justamente proporcionar aos alunos através de movimentos, gestos e expressões uma vivência que fará com que os mesmos obtenham mais conhecimento sobre a cultura corporal, tirando o aluno da rotina de ficar apenas ouvindo o professor e o levando à prática da atividade.

Figura 7 – Aprendizagem pelos alunos

     No gráfico 09 perguntamos qual é método de aula que é aplicado nas aulas, aonde vimos um empate nas formas de misto e parcial, pois devem ser oriundas da metodologia de ensino através de esportes onde são direcionadas com a melhor forma encontrada na aplicação da realidade em suas aulas em cada escolha feita no ambiente de trabalho. Vale lembrar o sentido etimológico da palavra método diz respeito a caminho para, ou seja, o caminho necessário para se alcançar um determinado fim. Pressupõe uma direção deliberada com o propósito de se alcançar uma finalidade; se pressupõe uma ação deliberada, então o método deve      ser       assumido conscientemente,   deve ser sistematizado,            planejado        e pedagogicamente conduzido. O método parcial consiste no ensino por partes do jogo por meio do desenvolvimento dos fundamentos e das habilidades motoras que compõem o jogo por etapas, para chegar ao final da aprendizagem agrupando no todo. Esse modelo surgiu, primeiramente, nos esportes individuais (COSTA, 2003). Já (BALZANO, 2007) expõe que o método global ensina alguma habilidade motora desde o início, utilizando o jogo como forma de aprendizagem e permitindo a vivência; mas sempre deve ser levado em conta o espaço físico para prática e o material a ser utilizado. No método fragmentado há uma dificuldade no uso das ações, pois estas devem ser divididas em partes menores sem alteração do todo. No caso das lutas como dividir o todo sem ter a noção das partes.

Figura 8 – Formas de ensino

     Vemos no gráfico 10 que pergunta como os professores trabalham a parte teórica já que a mesma resume o que foi dado na sua formação na IES, onde a parte conceitual pode abranger a historia e as regras, são as mais trabalhadas por estar mais fácil ao conhecimento através da internet ou de sites específicos. As teorias cognitivistas parecem se adequar melhor às necessidades dos educandos e dos educadores, uma vez que trabalham diretamente com os pontos de ancoragem dos alunos, visando à organização e estruturação da matéria de forma eficiente e significativa para o aprendiz.

     Assim os pontos de ancoragem são formados com a incorporação, através de uma estrutura cognitiva, de informações ou ideias relevantes para a aquisição de novos conhecimentos e, com a organização destes, busca generalizar de forma progressiva a formação de conceitos (BOCK, FURTADO & TEIXEIRA, 2002). A aprendizagem significativa processa-se quando um novo conteúdo é correlacionado a estes pontos de ancoragem, havendo, portanto, a necessidade do professor estruturar o conteúdo a ser passado de modo progressivo, de situações mais simples para situações mais complexas.

Figura 9 – Formas de ensino da parte teórica

     No gráfico 11 a pergunta caminha em direção de como a escola contribui na parte de estrutura e qual a dificuldade nas aulas para serem ministradas. Na primeira vemos que a metade das escolas dão estrutura e que a maior dificuldade vista pelos professores é a participação das aulas pelos alunos. Podemos entender os tópicos citados mais ainda podemos comentar mais alguns que podem estar inseridos na categoria outros. Podemos verificar que uma das grandes dificuldades relacionadas à prática da Educação Física na escola é a auto-exclusão de alunas do Ensino Médio. (ANDRADE & DEVIDE, 2006) realizaram um estudo com alunas do Ensino Médio que frequentavam as aulas de Educação Física. Os autores ressaltaram que muitos motivos podem contribuir para a auto-exclusão de alunas nas aulas de Educação Física, como: Ambiente físico inadequado (quadras pequenas e sem vestiários); Aulas frequentemente repetitivas e desorganizadas; Falta de habilidades e desprazer com os esportes oferecidos; Brutalidade masculina; Professor de Educação Física que não participa das aulas; Desigualdade de habilidades e gênero; Exclusão dos menos hábeis; Preferência da bola sempre para os meninos. Outro fator segundo (ALVES, 2007) a desmotivação expõe diversos fatores que desmotivam os alunos à prática de Educação Física, como a metodologia de ensino inadequada, conteúdos que não favorecem a aprendizagem, relacionamento professor-aluno, postura desinteressada do educador, falta de coordenação de área, orientação, supervisão ou direção da escola e a ausência de significado sobre o real papel da Educação Física no contexto escolar que identifique o professor.

Figura 10 – Formas de contribuição da escola no ensino das Lutas

     No gráfico de 13 vemos que quando se fala em capacitação a maioria absoluta entende que deve ser composta por parte teórico-prática para um melhor aproveito onde os professores possam ter condições de conduzir cada vez mais suas aulas com excelência e satisfação aos alunos. Entendemos que a formação dos professores os conhecimentos teóricos e práticos são muito importantes, porém o que pode ser observado nos cursos de formação é que as disciplinas teóricas não são trabalhadas em conjunto com a prática. Quando se procura relacionar a teoria e a prática, geralmente é de maneira superficial através de conceitos amplos ou através de pesquisas na qual tem como referência uma comunidade diferente da qual ele irá exercer a profissão. Estudos revelam que nas organizações em que ocorreu a implantação de uma política de capacitação e reconhecimento ao mérito funcional, o nível educacional avançou. Quando uma organização não considera o know-how de seus servidores, ela simplesmente deixa de estimular os potenciais talentos, contribuindo para que os mesmos se transformem em profissionais estagnados. Na visão de (CHIAVENATO, 2008), a qualificação, a capacitação e o aperfeiçoamento é um entrelaçamento de ações de caráter pedagógico, devidamente vinculadas ao planejamento da instituição, que visa promover continuadamente, o desenvolvimento dos servidores, para que desempenhem suas atividades com mais qualidade e eficiência. As dificuldades remetem ao problema da resistência do professor à capacitação. Uma possibilidade seria a pressão gerada pelas demandas de atualização feitas pela sociedade, que faz com que o professor se sinta pressionado, mas sem os recursos econômicos necessários para adquirir a formação necessária, o que poderia resultar em baixa autoestima ou em rejeição a qualquer coisa que ponha em dúvida a sua capacidade profissional. Outra possibilidade tem a ver com o formato e os conteúdos utilizados na capacitação. Um treinamento destinado a todos os professores da rede de ensino defronta-se com heterogeneidades de perfis e formação. A universalização da capacitação pressupõe um certo nível de uniformização de conteúdos, mas exige adequação ao perfil dos professores. Diagnósticos cuidadosos sobre as necessidades de grupos específicos, sem dúvida, seriam úteis, mas teriam de ser traduzidos na diferenciação de conteúdos e abordagens. No nosso ponto de vista é preciso levar em conta na capacitação dos professores a experiência pessoal e profissional dos quadros do ensino, suas motivações, o ambiente de trabalho em suma, sua situação de trabalhadores do ensino. Sugerimos um processo de formação que capacite os professores em termos de conhecimentos, competências e atitudes para desenvolver profissionais reflexivos, inquietos, investigadores, que trabalhem coletivamente. Nessa ótica, considera-se ponto-chave do currículo de formação dos professores o desenvolvimento de instrumentos intelectuais para facilitar as capacidades reflexivas sobre a própria prática docente, cuja meta principal é aprender a interpretar, compreender e refletir sobre o ensino e a realidade social de forma comunitária.

Figura 11 – Composição de como deve ser uma capacitação

     Por último aproveitamos no gráfico 14 como deveriam ser difundidas as lutas por ordem de importância. Vemos que a maioria escolhe esta ordem de sequencia 1 que seria: karate, judô, taekwodo, Greco romana, muay thai, kung fu, mma e boxe. Esta escolha pode ter sido feita aleatoriamente por terem sido as que foram vivenciadas na capacitação, por estar mais na mídia, por terem mais contatos ou por estar na ordem mais fácil de escolha.

Figura 12 – Sequencia de lutas na escola

DISCUSSÃO

     Após verificar em destacado e analisado o que diz respeito ao volume de publicações que têm como tema a Educação Física Escolar – ou estudos pedagógicos, como mais genericamente se refere (KIRK, 2010). Do total de 4.166 artigos publicados nos nove periódicos, 647 corresponderam ao tema da Educação Física Escolar. Claramente alguns periódicos são reconhecidos como fóruns privilegiados para os debates ou a veiculação do conhecimento relativo à Educação Física Escolar. Nesse caso, em ordem crescente de percentual: Motrivivência (19,8%), Motus Corporis (20%); RBCE (21,2%); Movimento (22,8%) e Pensar a Prática (26,4%).

     Para DAOLIO (2004) as Lutas podem ser compreendidas como uma manifestação cultural, dependendo da maneira como é aplicada pode ser considerada como atividade rítmica, jogo de oposição, esporte de combate ou arte marcial. Há uma variedade de possibilidades pedagógicas, onde o mais importante é a forma que será aplicada, os valores que serão ensinados através dessa cultura corporal dentro das aulas de educação física escolar.

      Dessa forma como vimos através dos questionários aplicados percebe-se que apesar do professor ser um profissional graduado em Licenciatura e que na sua maioria teve a disciplina de Lutas ou Artes Marciais em sua IES ainda existe uma lacuna grande na hora de aplicar em suas aulas no contexto escolar.

      Vemos que os blocos de conteúdos na sua maioria são aplicados de forma  separada onde a parte conceitual é a mais trabalhada devido ao material encontrado na internet, a parte procedimental trabalha-se de forma generalista e a atitudinal com grande dificuldade pois a maioria dos professores não dominam os conceitos de violência e agressão.

     Existem algumas dificuldades no planejamento das mesmas, pois falta domínio sobre o tema e o planejamento das aulas, dessa forma trazendo por parte dos alunos em sua totalidade a não participação destas aulas.

     Assim uma possibilidade de melhorar as aulas de Lutas no contexto escolar seria cada vez mais as capacitações serem direcionadas no aprendizado por parte dos professores da combinação de parte teórica e prática voltada para as lutas que são escolhidas pelo profissional. Uma dessas alternativas seria de cada professor pudesse escolher a sequencia das lutas a serem aplicadas no decorrer do ano letivo.

CONCLUSÃO

      De acordo com os dados obtidos, percebe que as lutas, enquanto conteúdo da Educação Física escolar, proposto pelos Pcn´s e como parte integrante do currículo do Estado de São Paulo poderiam ser mais desenvolvidos nas aulas. Para que os profissionais que mesmo não tenham tido uma experiência acadêmica e pessoal direcionada para esta prática adequada à realidade da teoria/prática, é necessário que seja investido de forma regular e mais objetiva em seus conhecimentos através de melhorias na graduação (formação inicial) e capacitações profissionais (formação continuada), para que assim adquirindo segurança e embasamento teórico-prático, comecem a ter condições de estimular em suas aulas a pratica de lutas como uma ferramenta importante no aprendizado da cultura corporal e suas reflexões na vida pessoal e na sociedade. Partindo do mencionado, precisamos elaborar novas abordagens a partir de nossas experiências práticas, que, com certeza, irão nos remeter a novas questões, considerando cada realidade. Com certeza novas questões ou problemas deverão ser apresentados e encarados como pontos de partida para reestruturarmos nosso fazer pedagógico, pois dentro da educação o processo de adotar uma postura de constante aprendizado deve ir em direção do compreender que o movimento é eterno de conhecimento, onde o caráter provisório está sempre passível de serem resignificado de acordo com as realidades, concepções e momentos históricos específicos. É preciso entender as lutas como uma das mais novas ferramentas pedagógicas existentes que ajuda o professor no dia a dia a aumentar estas possibilidades, tornando-as mais eficientes e reflexivas onde com certeza poderão contribuir para uma nova postura diante desta nova forma de cultura corporal.

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