Valores: interesses, papéis profissionais e a inveja em atletas

Marcos Alencar Abaide Balbinotti

Département de Psychologie, Université du Québec à Trois-Rivières, Québec, Canadá

Daniela Wiethaeuper

Evandro Morais Peixoto

Department of Psychology, University of Campinas, São Paulo, Brazil.

Resumo: Este artigo abordará um tema pouco explorado na literatura sobre valores: a inveja em atletas e praticantes regulares de atividades físicas. Para tanto, serão apresentadas algumas noções sobre o conceito “valores”, e suas relações com os interesses e com os papéis profissionais, principalmente na área do desenvolvimento de carreira. Desta forma, acredita-se poder explicar o sentido de inveja como um valor que pode ser o ponto central da motivação e do interesse de praticantes destas atividades. Adicionalmente, pretende-se com este trabalho estimular pesquisas e, quem sabe, transformar este tema numa área forte de estudos em Psicologia do Esporte. Notadamente, esta é uma área de estudo largamente conhecida e explorada em diversos contextos, contudo nos estudos desenvolvidos com praticantes de atividades físicas e esportivas o valor “inveja” pode ser considerado a “criança esquecida” seja da Teoria dos Valores, seja da Psicologia do Esporte. Parece mais fácil explorar temas (valores, afetos, emoções) com caráter mais positivo do que temas de natureza mais negativa. Contrariando tais percepções, neste trabalho, a inveja não é abordada, necessariamente, como um tema unicamente nefasto e destrutivo. A inveja também tem seu lado positivo.

Palavras-chave: psicologia do esporte; valores; emoção; afeto; inveja.

Abstract: This article will address a topic poorly explored in the literature about values: envy in athletes and physical activities regular practitioners. Therefore, the concept of “values” will be presented as well as their relationship with professional interests and roles, especially in the career development field. Thus, the concept of envy can be explained as a value that can be it is possible to explain the sense of envy to a value that might be the centerpiece of physical activities practitioners’ motivation and interests. Additionally, this study intends to encourage research in this field and perhaps contribute to the development of this theme as a strong Sport Psychology field of study. This is a widely known field of study, and explored in different contexts. However, in studies conducted with samples of physical activities and sports practitioners “envy” is not a discussed topic, neither in the theory of values, nor in the Sport Psychology. It seems easier to explore issues (values, feelings, emotions) with more positive characteristics than those with characteristics that are more negative. Conversely, in this study, envy is not addressed as a harmful and destructive theme exclusively once it also has its positive side.

Keywords: sport psychology; values; emotion; affection; envy.

Introdução

Este texto abordará um tema pouco explorado na literatura especializada dos valores: a inveja em atletas e praticantes regulares de atividades físicas. Para tanto, no início vai-se apresentar algumas noções sobre o conceito “valores”, e suas relações com os interesses e com os papéis profissionais, principalmente na área do desenvolvimento de carreira. Desta forma, acredita-se poder explicar o sentido de inveja como um valor que pode ser o ponto central da motivação e do interesse de praticantes destas atividades.

Valores, seu senso comum

Quando se fala em “valores”, é comum definirmos como “preço”, “custo”, “cotização”, etc. Também se pode pensar em “mérito”, “utilidade”, “importância”, etc. Todas estas são, na realidade, definições comumente utilizadas por nós mesmos em nosso dia-a-dia; isto é, definições facilmente encontradas em quase todos os tipos de dicionários (de micros a grandes) . Se efetivamente chegarmos a consultá-los, encontraremos ainda outras definições, inclusive seus antônimos: “desinteresse”, “inutilidade”, etc. Estas definições (sinônimos e antônimos) já são suficientes para começarmos a construir a estrutura de uma dimensão mais geral que, quando adequadamente formulada, constituirá um dos pilares da Teoria dos Valores. Tendo sido isto dito, cabe, agora, descrever o conteúdo desta dimensão geral, diga-se, do que ela é feita. Os elementos que a compõe são exatamente essas definições, costurando-as, isto é: todo elemento, objeto, produto, comportamento, atitude, etc., que valorizamos, que acreditamos que nos será útil, que damos importância, enfim, que nos interessamos. Tudo que nos interessa atribuímos valor, nos custa. Este primeiro passo, aquele do entendimento dos elementos constitutivos básicos do valor, não é tudo, mas nos é suficiente para compreendermos e imaginarmos que muitas coisas podem nos interessar e, portanto, torna-se necessária a decomposição de todos os possíveis elementos constitutivos do valor. E para isso, uma primeira decomposição em, no mínimo, duas partes, é necessária. Neste sentido, podemos começar a descrever os valores como “gerais” e “específicos”.

Valores gerais e específicos

Deve-se saber distinguir valores mais gerais, diga-se, aqueles que correspondem à finalidades da existência humana, daqueles outros valores, os mais específicos, que concernem campos particulares da nossa vida. Aderir a certos valores é pensar que existem objetos e maneiras de se comportar que são preferíveis quando comparadas às outras. Se não esquecermos que o desinteresse é um dos possíveis antônimos dos “valores”, fica fácil compreender que a noção de “interesses”, “necessidades” e “papéis” são conceitos vizinhos dos valores, e servem para podermos entender um pouco melhor as noções que integram a Teoria Geral dos Valores.

É claro que os valores são mais gerais, mais abstratos, mais fundamentais que os interesses. No entanto, os interesses podem manifestar escolhas de valores na medida em que as preferências por situações ou atividades particulares são meios de alcançar finalidades mais gerais ou mais elevadas. Mas a relação interesses-valores é comumente mais complexa, isto é, um tipo de valor não é necessariamente associado, de forma linear, com um tipo de interesse. As associações não se dão, necessariamente, desta forma. O exemplo proposto por Guichard e Huteau (2001) deve ser suficiente para começar a entender essa complexidade: pode-se querer satisfazer valores altruístas seja cuidando de doentes em um hospital (interesse social), seja sendo administrador do banco mundial (interesse empreendedor). Ainda, não são aspectos da personalidade humana que surgem no mesmo momento do ciclo vital humano. Na realidade, os interesses surgem primeiro, ainda na infância, e são facilmente detectáveis. Pais mais atentos podem observar que seu filho (ou filha) se interessa mais por um brinquedo que outro, por uma cor que outra. Em direção ao fim da adolescência, os interesses já vão se estabilizando, permitindo, inclusive, uma tomada de decisão de carreira profissional. Já os valores, esses quase nunca se estabilizam antes da vida adulta, e esta é uma das razões que explicam o entendimento frequente do fato que os valores são necessidades de ordem superior.

Quais são os grandes valores dos quais a literatura se refere? Não se encontra, na Teoria dos Valores, o relativo consenso que existe acerca das funções cognitivas, dos traços de personalidade ou dos tipos ou categorias de interesses. De maneira geral, o que os diversos autores apresentam são listas de valores humanos. Rokeach (1973), por exemplo, lista 36 valores. Ele distingue 18 valores “terminais” e 18 valores “instrumentais”. O primeiro grupo de 18 valores, os terminais, podem ser subdivididos em: aqueles que designam objetivos mais pessoais (ter uma vida fácil; ter uma vida emocionante…) e aqueles que designam grandes objetivos sociais (igualdade, liberdade…). O segundo grupo de 18 valores, os instrumentais, podem ser subdivididos em: aqueles que designam comportamentos tendo uma conotação moral mais positiva (respeito…) e aqueles que testemunham competências (ambicioso, de espírito aberto, honesto, responsável…). Schwartz (1992), autor que continuou os trabahos de Rokeach, propõe uma lista de cinquenta e cinco valores agrupados em dez classes, organizados segundo um modelo circular e universal (independe da cultura). Sobre um eixo, os valores relativos a “transcendência” (universalismo, benevolência…) se opõem aos valores relativos a “autoafirmação” (poder, autorealização…); sobre o outro eixo, ortogonal ao precedente, os valores relativos à “mudança” (autonomia, hedonismo…) se opõem aos valores relativos à “continuidade” (conformismo, segurança, tradição…) (Guichard e Huteau, 2001).

Conforme Guichard e Huteau (2001), as listas de valores propostas por Rokeach e Schwartz contemplam todos os setores da existência. Já outros autores, propuseram outras listas de valores suscetíveis de se manifestarem, especificamente, em suas próprias áreas de estudo. Por exemplo, no contexto da Sociologia e mesmo da Antropologia, os grupos dominantes de valores podem ser divididos em função de certas culturas, épocas, áreas geográficas, ou ainda, faixas etárias. Em Psicologia, o estudo dos valores se concentra em suas variabilidades no interior dos grupos em estudo, e é a partir dessas variabilidades que se procura explicar as diferenças no comportamento de resposta dos indivíduos no interior de cada um desses grupos. Sendo assim, duas áreas de estudo são privilegiadas: aquela dos comportamentos socioeconômicos e políticos (que neste momento nos interessa menos) e aquela dos comportamentos em relação às atividades profissionais e esportivas (que, neste momento, nos concerne mais diretamente). Por exemplo, a lista dos valores associados às atividades profissionais salientadas por Super (1970, 1991) comporta quinze itens: altruísmo, estética, criatividade, estimulação intelectual, sucesso, independência, prestígio, gestão, vantagens econômicas, segurança, ambiente de trabalho, relacionamento interpessoal (pares e superiores), tipo de vida, flexibilidade (adaptabilidade). Ainda no contexto das atividades profissionais em geral (atletas ou não atletas), se pode citar a lista de valores do trabalho proposta por Perron (1981); esta lista comporta cinco itens que podem ser chamados “dimensões valorativas”. São eles: o Status (desejo de ser admirado, de ocupar um cargo elevado, dispor de rendimentos importantes…), a Realização (desejo por atividades criativas que permitam a expressão do si-mesmo), o Clima (desejo por um ambiente organizado e agradável), o Risco (desejo por situações imprevistas e de competição), e, finalmente, a Liberdade (desejo de se expressar como se é). No caso específico das atividades físicas ou esportivas (profissionais ou amadoras), se pode citar, neste contexto, as seis dimensões motivacionais propostas por Balbinotti (2011) como exemplos de valores; afinal, os elementos constitutivos de tais dimensões conduzem os interessados a agregarem valor (importância, investimento, etc.) a esse tipo de atividade, resultando em uma prática regular de atividades físicas ou esportivas. São elas: Controle do estresse (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva para poder melhor relaxar, etc.), Sociabilidade (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva, pois considera importante conhecer outras pessoas, etc.), Competitividade (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva para demonstrar sua superioridade sobre os outros, etc.), Saúde (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva para obter índices adequados de saúde, etc.), Estética (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva para manter o corpo em forma, etc.) e, finalmente, Prazer (a pessoa valoriza a prática de uma atividade física ou esportiva para poder se divertir, etc.).

Todas essas listas de valores ou dimensões valorativas podem ser entendidas como princípios diretores da vida, ou mesmo de uma parte dela. Esses princípios têm como base a idéia de que um indivíduo busca situações de trabalho (atividades profissionais) ou de lazer (atividades físicas ou esportivas) que correspondem a seus próprios valores; da mesma forma que indivíduos buscam esses mesmos tipos de atividades, pois correspondem à sua própria personalidade (em uma análise geral), ou, inclusive, com seus próprios interesses pessoais ou profissionais (em uma análise mais específica). É esta a dinâmica que explica, ao menos em parte, nossa preferência por certas atividades, em detrimento de outras; nossa escolha por uma profissão, em detrimento de outras. A satisfação do indivíduo, nessa perspectiva, depende do acordo ou da interação de seus próprios valores com aqueles que o exercício da atividade permite ser colocado em ação. Por exemplo, fazer atividades físicas regulares poderia permitir a manutenção de um corpo em boa forma física. Se o importante para o sujeito é a Estética, tal atividade poderia lhe causar satisfação. Ainda, esta mesma atividade poderia satisfazer um sujeito que em sua hierarquia de valores principais estivessem listados outros, como: amizade, prazer, competitividade, saúde, etc. Mas não é lendo histórias para doentes em hospitais que lhe fará ficar em boas condições para a competição de halterofilismo neste final de mês, por exemplo. Levantar pesos não seria a melhor forma de exercitar seu altruísmo. Portanto, a interação destas duas atividades, não lhe proporcionaria a satisfação desejada, ao menos naqueles momentos.

Valores e interesses profissionais

A relação entre valores e orientação em direção a certas atividades profissionais e esportivas já foi muitas vezes testada. As relações entre os interesses profissionais e os valores têm demonstrado resultados interessantes. Os valores intrínsecos aos tipos de personalidade Holland (1997) encontram-se, geralmente, associados com as características desses mesmos tipos. Por exemplo, vários estudos demonstraram que o tipo investigador valoriza a performance científica; o tipo artístico valoriza a estética; o tipo social, o altruismo. Holland menciona outros estudos, indicando que os valores são associados com a escolha profissional efetuada ou a profissão exercida, e isso se aplica a atletas ou outros tipos de profissão ou atividades. Segundo Holland, a questão dessa associação entre valores e tipos de personalidade, por já ter sido tantas vezes comprovada, é um tema de pesquisa que tende a desaparecer. Ele indica que os principais resultados podem ser encontrados na literatura especializada, mas o mais importante é que, nesta relação (e considerando os instrumentos ainda disponíveis), não é possível discriminar, de forma efetiva, os setores específicos das atividades profissionais. Sendo assim, ainda não parece prudente escolher a profissão de atleta somente baseado em resultados obtidos por inventários de valores; outros instrumentos (maturidade, interesses motivação, etc.) necessitam ser utilizados para uma avaliação mais completa e precisa, mas esse assunto pode ser explorado em um outro momento, agora cabe exemplificar os resultados mais comumente encontrados entre a relação valores e tipos de personalidade profissional.

Um dos possíveis exemplos é o estudo realizado por Sagiv (1999). Este autor se preocupou com a relação entre os tipos de personalidade vocacional propostos por Holland e os valores de Schwartz, e concluiu que: (1) os interesses intelectuais são ligeira e positivamente associados com universalismo (preservação do ambiente, beleza, tolerância, justiça, igualdade e paz) e com autonomia, e negativamente associados com conformismo; (2) os interesses artísticos são moderada e positivamente associados com universalismo, e negativamente associados com conformismo; (3) os interesses sociais são forte e positivamente associados com benevolência; (4) os interesses empreendedores são moderada e positivamente associados com poder e com auto-realização, e negativamente associados com universalismo; (5) os interesses convencionais são moderada e positivamente associados com segurança e com conformismo, e negativamente associados com universalismo, autonomia e estimulação; (6) os interesses realistas, que nas Américas correspondem a um número particularmente elevado de empregos e profissões, não se associam a nenhum dos valores avaliados por Schwartz… Este último resultado pode ter consequências interessantes. Contrariamente às colocações de Holland, me parece que a relação tipo de personalidade (particularmente o tipo realista) e valores ainda não está esgotada. Novos estudos deveriam explorar mais profundamente essa relação com o intuito de demonstrar quais os valores estão associados com o Tipo Realista de personalidade. Mesmo porque, o próprio Holland indica que o atleta profissional tem um perfil de personalidade que deve compreender as características (valores e interesses) dos tipos Social, Realista e Convencional, nesta ordem. Portanto, os jovens, praticantes de atividades físicas ou esportivas, que vislumbram a possibilidade de se tornarem atletas profissionais, deveriam poder ser auxiliados neste sentido, pelo viés da Teoria dos Valores. Como afirmam Bujold e Gingras (2000), no prolongamento dos interesses, as preferências dos indivíduos pelas formações e profissões devem estar ligadas a certos valores. Quando um indivíduo possui um sistema de valores afirmados, ele está, geralmente, menos indeciso quanto a seu futuro profissional e se engaja mais fortemente na construção de uma identidade profissional.

Valores e papéis profissionais

Brown (1996) apresentou um conjunto de proposições sobre a função que os valores ocupam nas escolhas de papéis e, notadamente, os papéis profissionais. Estas proposições visam sintetizar os conhecimentos disponíveis assim como permitem abrir novas pistas de pesquisa. Elas tratam dos fatores que modulam o efeito dos valores. Seu modelo se apóia, fundamentalmente, sobre os trabalhos teóricos e empíricos conduzidos por Rokeach, mas também nos trabalhos de Super (1970, 1991), especificamente aqueles que concernem o lugar fundamental dos valores e dos papéis profissionais no desenvolvimento de carreira dos jovens e adultos. Após ter demonstrado a importância dos valores no curso do desenvolvimento de carreira, Brown afirma que os valores são crenças que contém componentes cognitivos, afetivos e conativos (comportamentais) e que provém das necessidades de uma pessoa. Para este autor, os valores são as fontes da motivação e, portanto, tem um papel importante no processo de tomada de decisão, pois são eles que orientam o comportamento em direção a um objetivo, evoluindo em interação com as características dos indivíduos, suas experiências vividas e seus papéis profissionais.

Para facilitar a compreensão de seu modelo, o autor apresenta uma série de seis proposições que demonstram, entre outras, a importância dos valores para o processo de tomada de decisão, assim como seu efeito sobre a escolha dos papéis profissionais efetuada. São elas: (1) cada pessoa possui um número limitado de valores hierarquizáveis; (2) os valores determinam, em grande parte, as escolhas que concernem o exercício profissional de diferentes papéis; (3) os valores são adquiridos graças às informações provenientes da interação entre as características do indivíduo e do ambiente; (4) uma vida satisfatória e feliz depende da medida na qual uma série de papéis sociais e profissionais permitem a expressão dos valores essenciais de uma pessoa; (5) a ênfase acordada a um papel da vida em particular, está relacionada com o grau de satisfação que ele proporciona em termos de valores considerados mais importantes; (6) o sucesso na atuação dos papéis depende de uma combinação de fatores (por exemplo: a motivação, as capacidades físicas, cognitivas e afetivas). Em um outro texto, Brown e Crace (1996) formulam uma sétima proposição: “as pessoas de grande eficácia especificam e hierarquizam seus valores” (p. 219), portanto os tem no nível da consciência. Como já mencionado anteriormente, essas proposições devem ser suficientes para termos uma boa idéia sobre a importância dos valores, e mais especificamente, sobre a importância de se conscientizar de nossa própria hierarquia de valores.

Mas quem sabe agora, não seja a hora de falar de um único valor, de um valor normalmente considerado unicamente destrutivo, de um valor que pode, efetivamente, ter consequências nefastas para a própria pessoa e para os outros também (pois, até agora, falou-se de valores em contexto amplo, isto é, “valores gerais e específicos”, “valores e interesses profissionais” e “valores e papéis profissionais”). Vamos falar sobre a inveja. A inveja é sempre destrutiva? Para algumas pessoas parece ser importante viver na inveja. Para algumas pessoas parece ser importante ter o que o outro tem, ser o que o outro é, seja lá o que for. E é por essa razão que, segundo alguns autores, a inveja pode ser a motivação de viver de algumas pessoas, o valor fundamental e primeiro em sua hierarquização dos valores. Falemos, então, da inveja em praticantes de atividades esportivas.

Inveja em praticantes de atividades esportivas

A prática regular de atividades físicas ou esportivas, seja ela de natureza profissional ou amadora, não é somente uma atividade onde reina a excelência e o divertimento, são espaços onde pode reinar o prestígio e as relações de poder, isso sem falar da riqueza (fortuna) e suas consequências, em seus vários sentidos, no caso específico do esporte profissional. O talento não tem idade, e com isso quer-se dizer que, mesmo nas atividades de lazer, com jovens e adultos de qualquer classe social, alguém pode invejar a performance de seu colega, e transformar essa emoção no valor fundamental de sua existência. Mas antes de aprofundarmos esse tema, vamos explicar mais profundamente o que é a inveja, diferenciando-a do ciúme.

Para Habimana e seus colaboradores (2011), a inveja implica em comparações entre duas pessoas: o invejoso e o invejado. A primeira deseja as qualidades, as habilidades, a notoriedade, a beleza, as possessões da pessoa invejada e este desejo acompanha afetos diversos (positivos e negativos). A pessoa invejada pode saber ou ignorar totalmente a existência desta inveja. Quando ela desconfia da inveja do outro e imagina seu sofrimento, ela pode tentar usar diversos meios para atenuar esta inveja: minimizar sua superioridade, descrever os problemas associados de possuir as vantagens invejadas, testemunhar uma gentileza excessiva em relação ao invejoso e em certos casos, se colocar em posição de xeque-mate para não perder o contato com a pessoa invejosa.

Para esses mesmos autores, existe muita confusão entre os conceitos “inveja” e “ciúmes”. Mas estes afetos são totalmente diferentes. A inveja é a pulsão de se apropriar de um objeto ou coisa que não nos pertence. O ciúme, entretanto, se observa inicialmente nas relações triangulares: o ciumento, a pessoa amada e o rival (real, potencial ou imaginário). O ciúme está associado ao medo de se perder o objeto que se possui. Contrariamente à inveja, que é essencialmente relativa às possessões, o ciúme é, antes de tudo, um sentimento do coração, uma relação romântica. Além do romantismo, existem, é claro, outras formas de ciúme, notadamente o ciúme fraternal ou entre amigos. No ciúme fraternal, a emoção é iniciada pela crença de que um pai dá privilégios a um irmão ou irmã, quando deveria distribuir igualmente os favores. Entretanto, um irmão ou uma irmã pode ter qualidades que o outro não tem e se ele é amado por causa destas qualidades se está, de fato, na dinâmica da inveja. Ainda, desejar guardar seus amigos para si mesmo é uma manifestação de ciúme. Mas, um amigo que tem um talento de chamar outros amigos para si mesmo é uma qualidade invejada. E este rival, que termina por ter a atenção do amigo que é amado por outros, inicia inevitavelmente a inveja, pois pode-se invejar esta facilidade que ele tem de seduzir os amigos dos outros e de consegui-los para si. É possível, então, que no ciúmes entre amigos, se possa estar, a um mesmo tempo, invejoso em relação ao rival e em relação ao próprio amigo. Após essas explicações que devem ter servido para compreendermos melhor a inveja, diferenciando-a do ciúme, cabe agora entrar diretamente no tema da inveja no esporte, ou em praticantes de atividades físicas e esportivas.

Desde o ano de 1994, a imprensa internacional, notadamente a norte-americana, não se cansa de noticiar as diversas nuances com respeito à Síndrome de Harding. Do que se trata esta síndrome? Pouco antes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Lillehammer, em 1994, na Noruega, a patinadora americana, Nancy Kerrigan foi agredida e machucada no joelho, com uma barra de metal, por conhecidos de sua rival, Tonya Harding. Machucando sua rival, ela esperava aumentar suas chances de integrar a seleção americana, pois suas chances eram menores, se Kerrigan continuasse competindo. Mas para compreender melhor esse fato, cabe relatar um pouco do histórico dessas duas patinadoras e de sua rivalidade.

No Campeonato dos Estados Unidos, em 1991, Kerrigan ganha o bronze e Harding o ouro. Mas, esta situação iria se reverter depois, pois em 1992, Kerrigan é segunda e Harding terceira, sendo que em 1993 Kerrigan ganha o ouro e Harding perde o pódio e termina na quarta posição. No Campeonato do Mundo de Munique 1991, Kerrigan termina em terceiro lugar e Harding em segundo, mas, no ano seguinte, em Oakland (USA), Kerrigan suplanta Harding, pois a primeira é medalha de prata e Harding cai para sexta posição. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Albertville, em 1992 no Canadá, Kerrigan termina em terceiro e Harding em quarto. As duas concorrentes se preparam para Lillehammer, mas com o ouro no pescoço em 1993, pelo Campeonato Norteamericano, como estava se sentindo Harding que era a quarta? Será que ela seria selecionada para representar seu país? Quais são suas chances para se livrar da favorita? O destino deve ter escutado suas queixas, pois algumas semanas antes dos Jogos Olímpicos, um “desconhecido” atacou Kerrigan, quebrando-lhe a perna com uma barra de ferro. Harding ganha a medalha de ouro no Campeonato Americano, estando certa de ser selecionada nos Jogos Olímpicos. Mas, pouco tempo depois, um inquérito policial mostrou que alguém tinha ajudado o destino e que eram os conhecidos de Harding que haviam cometido tal delito: seu ex-esposo e seu guarda-costas. Harding foi condenada a pagar uma grande indenização e perdeu sua medalha de ouro, ganha pouco depois do ataque contra a sua rival no Campeonato dos Estados Unidos.

Nos diversos artigos que foram escritos sobre a situação Kerrigan-Harding, pode-se perceber que o termo “inveja” nunca foi mencionado, mas, como afirmam Greenleaf (2009) e Epstein (2003), não se pode ser ambicioso e competitivo sem invejar. O mundo acadêmico e o mundo do esporte são áreas de excelência, nas quais se pode observar facilmente a inveja. Conforme Epstein (2003), quem não conhece a inveja deveria assistir à entrega dos Prêmios MacArthur, destinado anualmente às personalidades mais relevantes das melhores universidades americanas.

No esporte, para ganhar, todos os meios parecem ser bons: boatos que englobam desde o dopping, à corrupção dos árbitros, dos membros dos Comitês Olímpicos, por meio da manipulação dos resultados de certas partidas. Ainda que o termo inveja não seja utilizado quando acontecem estes escândalos, é importante sondar os afetos dos atletas que buscam e requerem ajuda psicológica. Por causa da inveja, por causa desta gana de ser primeiro, alguns correm o risco de se destruir ou cair em depressão ou na toxicomania.

Para Habimana e seus colaboradores (2011), um outro escândalo no mundo do esporte que ilustra uma faceta da inveja é o dossiê Woods, que se pode qualificar como o “homem adúltero”. No caso de Woods, um homem que é a referência no seu esporte, que ganha um salário altamente invejado, que, somado aos patrocínios, chega a centenas de milhões. Muitas pessoas amaram o golfe, simplesmente olhando o jogo de Tiger Woods. Implicado em um conflito conjugal de caráter sexual, mas de consequências menos graves que o incesto, a pornografia infantil, e outras práticas do gênero, ele é abandonado por todos, sua vida arrastada na praça pública, a ponto de os admiradores de ontem, se deliciarem com seus desgostos conjugais. Por que tão pouca empatia em direção a um homem tão adulado? Por que, em nome da moral judaico-cristã (a mesma que nos convida a não jogar a pedra na mulher adúltera), tanto desprezo em direção a um homem fraco, que sucumbiu às solicitações de fãs ardentes e desejosas que corriam em sua direção anos à fio? Esta história ilustra outro lado sórdido da inveja: destruir pela fofoca um ser altamente superior a nós, para se consolar de nossa mediocridade em relação a ele. Sua excelência neste esporte é tamanha que humilha seus concorrentes e vê-lo implicado num escândalo qualquer representa um bálsamo, um alívio. Nota-se um padrão de se sentir melhor que ele, por acreditar que se pode resistir à tentação, sentindo uma alegria que somente a língua alemã traduz adequadamente em uma única palavra: “Schadenfreude”. Este termo é um amálgama de duas palavras: “schaden” que significa dano, mal, adversidade, e “freude” que significa alegria. Em outros termos, uma alegria provocada pela infelicidade dos outros. Epstein (2003), Greenleaf (2009) e Schoeck (1969), consideram o Schadenfreude como a irmã caçula da inveja, no sentido em que o invejoso não provocou a infelicidade como na inveja pura, mas ele está feliz, pois o destino se encarregou da situação. Mas afinal, como se desenvolve esse valor fundamental? Como nasce a inveja?

A inveja nasce de um contexto de comparação social. Inveja-se uma pessoa a quem se possa comparar: aquele que partilha ou partilhou nossa condição, que era ou possuía o mesmo que nós, mas que, por alguma razão, nos supera. Salovey (1991) enumera três condições que emergem da inveja: (a) quando a comparação com esta pessoa nos é desvantajosa. Por exemplo, meu companheiro de jogo na escola que nos ultrapassa em talento e habilidade e que doravante integra a seleção nacional; (b) quando estas comparações são feitas em uma área particularmente importante e pertinente para seu autoconceito. O antigo jogador de futebol inveja particularmente os jogadores de futebol e não necessariamente os de tênis; (c) e quando as comparações implicam uma pessoa que vive no mesmo ambiente semelhante ao seu. É mais fácil invejar a estrela crescente, originária de seu bairro, que um estrangeiro. Contudo, o nível de inveja difere de um sujeito a outro. Alguns tomam consciência de sua inveja, ficam chateados, mas conseguem aceitar as diferenças e a superioridade das pessoas que eles invejam. Esta tomada de consciência é salutar, pois ela atenua o sofrimento e empurra o sujeito a funcionar sobre o princípio da realidade. Outros ficam submersos por uma gama de emoções: vergonha, humilhação, tristeza, depressão e, até mesmo, a cólera, a raiva, a ponto de se destruir ou de destruir o rival. Estes afetos são acompanhados de reações fisiológicas, tais como, as palpitações cardíacas, a tensão muscular, a secura na boca, reações embaraçosas como um silêncio repentino, um sorriso forçado e uma reação que raramente engana: o ranger dos dentes (Habimana e cols, 2011). A inveja não é uma emoção, um afeto ou um valor como os outros, ela engloba vários outros afetos e atitudes e tem muitas outras emoções e valores negativos que se integram. Se a proximidade e a comparação social favorece a emergência e a perenidade da inveja, ela pode ser também difusa, ou pode ser dirigida contra um corpo profissional ou uma classe social totalmente afastada da nossa, como por exemplo, a inveja que se pode sentir contra os políticos, os altos funcionários, os nobres, etc., na medida em que consideramos que tais pessoas detém vantagens inacessíveis ao comum dos mortais. Este tipo de inveja pode levar à zombaria, ao desprezo, à caricatura, a ponto de levar certas pessoas invejosas à cometer crimes contra tais pessoas invejadas, mas principalmente contra seus bens e propriedades, o que, de certa forma, explica os atos de vandalismo.

Não se inveja as coisas ou as pessoas (e seus talentos e habilidades) com o mesmo grau e observam-se igualmente diferenças entre os sexos. Apesar da crença popular de que as mulheres são mais invejosas que os homens, isto não é totalmente verdadeiro. Mulheres e homens invejam coisas diferentes. Habimana e Massé (2000) realizaram um estudo mostrando que, entre os objetos, aspectos ou condições mais invejáveis, quatro se destacam. Em primeiro lugar: a popularidade. Este aspecto concerne também à sedução e à projeção social, à atração sexual, à beleza física e a liderança, não esquecendo, é claro, do talento no esporte. Em segundo lugar: o bem-estar pessoal. Este aspecto concerne a sentir-se seguro de si mesmo, à autoconfiança e ao fato de ter boas relações com seus amigos e seus parentes. Em terceiro lugar: o bem estar material, que significa ter dinheiro, um melhor emprego, ganhar prêmios, ter possessões materiais e uma boa qualidade de vida, como viagens e diversas opções de lazer em geral. Por fim, inveja-se, particularmente a inteligência e o talento. As diferenças interpessoais e sexuais são observadas considerando estas categorias. No interior de uma mesma categoria, pode-se invejar aspectos diferentes. Por exemplo, no nível da popularidade, as mulheres são mais inclinadas a invejar a beleza e os homens mais inclinados a invejar a liderança e a projeção social. Naturalmente, no mundo acadêmico, a inteligência é a coisa mais invejada e no mundo esportivo, é o talento. Contudo, estes autores demonstraram que, de maneira geral, a área que suscita mais inveja é o bem-estar material, seguido pela inteligência, o talento, o bem-estar sócioafetivo e, em último lugar, a sedução social. Pode-se, então, notar a importância acordada à inteligência e ao talento, aspecto sobre o qual se interessou Desnoyers (1999). Esta autora observou que os estudantes praticantes de esportes individuais manifestavam mais inveja nas áreas de bem-estar socioafetivo, inteligência e talento, do que aqueles que praticavam esportes coletivos. Ela formula a hipótese que a pressão na competição é mais acentuada nos esportes individuas, onde o atleta assume sozinho o resultado da mesma, que nos esportes coletivos, pois os esforços são divididos. Teria, então, mais rivalidade e, por consequência, mais inveja nos esportes individuais, onde o atleta se compara diretamente a um adversário preciso. Ela acrescenta que, em um esporte de equipe, existe maior cooperação e, por consequência, a inveja deverá ser menor, como em todas as outras áreas onde se observa mais colaboração que competição.

Conclusão

A área de estudo sobre os valores é largamente conhecida e explorada, em diversos contextos, principalmente no contexto do desenvolvimento de carreira (interesses, papéis profissionais, motivações, etc.), mas o valor “inveja” em praticantes de atividades esportivas pode ser considerado a “criança esquecida” seja da Teoria dos Valores, seja da Psicologia do Esporte. Parece mais fácil explorar temas (valores, afetos, emoções) com caráter mais positivo do que temas de natureza mais negativa. Mas a inveja não é necessariamente um tema (valor, afeto, emoção) unicamente nefasto e destrutivo. A inveja também tem seu lado positivo.

Na verdade, como sublinham Spielman (1972) e Parrot (1991), existem quatro intensidades de inveja: a emulação, a ferida narcísica, a luxúria e, finalmente, a cólera contra a pessoa ou o objeto invejado. O primeiro nível de inveja, o mais comum e o menos patológico seria a emulação. Admira-se aquele que nos ultrapassa, por exemplo aquele que é mais talentoso que nós; pode-se até tentar se igualar (quem sabe até tentar ser melhor), inclusive ultrapassá-lo, sem nenhuma intenção destrutiva. Entretanto, e muito mais comum, damo-nos conta que o outro nos ultrapassa e que é em vão esperar igualar-se a ele. Percebe-se e aceita-se sua superioridade, seu talento, com tristeza, com resignação, com humildade, podendo-se chegar à raiva de si mesmo ao ponto de querer se autodestruir; esta ferida narcísica pode conduzir à depressão, à desvalorização do eu, mas em casos normais, as pessoas se recuperam e aceitam o segundo ou outro lugar no pódio. O terceiro nível, a luxúria, a pessoa invejosa deseja arduamente possuir aquilo que é cobiçado. Ela pode se lançar numa luta competitiva (por exemplo, começa a praticar a atividade esportiva com uma determinação fora do comum, fora do esperado), e em certos casos, até conseguir inverter a situação em seu benefício; mas se não consegue, seja por que aceita a superioridade do outro, se consola tendo tentado de tudo e faz a paz com ela mesma e com a pessoa invejada, seja por que ela passa para a etapa seguinte: a destruição do rival. O último nível de inveja se caracteriza pela cólera, a maldade, a raiva, a fofoca e diversos outros afetos, atitudes, valores, emoções e comportamentos negativos com relação à pessoa invejada (aqui sim estamos no nível de inveja destrutiva). Isso pode até mesmo destruir o objeto invejado, como por exemplo o caso Kerrigan-Harding, e porque não dizer o caso Caim-Abel (Caim matou seu irmão Abel porque o Senhor tinha preferido a oferenda de Abel àquela de Caim).

Finalmente, este texto deve servir, entre outros, para também estimular pesquisas e, quem sabe, transformar este tema numa área forte de estudos. Alguns colegas e nós mesmos estamos trabalhando no desenvolvimento de um inventário sobre comparações sociais (inveja) que deverá ver a luz do dia em breve. Com um instrumento desta natureza, validado e preciso para uso no Brasil, acreditamos que facilitará o desenvolvimento sistemático e contextualizado desta área.

Referências

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