Sprinters: amplitude e frequência da passada

Victor Machado Reis

Centre for Research in Sport, Health and Human Development at the University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD), Portugal.

Andrigo Zaar

Department of Sport Science, Exercise and Health University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD). Portugal. IDEAU, Brazil.

André Luiz Carneiro

Colleges United North Mine (FUNORTE), Montes Claros – MG, Brazil.

Resumo – A influência da velocidade no rendimento da corrida depende principalmente da amplitude e frequência da passada. O objetivo é investigar as diferenças na amplitude e frequência da passada em velocistas de elite e atletas de nível regional. Foram observados os registros em vídeo e determinadas a velocidade média de corrida, a amplitude média da passada, e a frequência média da passada de atletas de elite e atletas de nível regional. A velocidade, a amplitude e a frequência média dos atletas masculinos de elite foram: 9.92 0.14, 2.17 0.06, 4.57 0.11. De nível regional foram: 8.63 0.52, 2.02 0.08, 4.27 0.13. No feminino de elite os resultados encontrados foram: 9.09 0.08, 2.06 0.05, 4.40 0.07. De nível regional foram: 7.83 0.26, 1.76 0.04, 4.45 0.12. As diferenças na prestação entre atletas masculinos de elite e de nível regional parecem resultar da diferença na amplitude e frequência média da passada. No feminino, as diferenças refletem predominantemente diferenças na amplitude de passada.

Palavras-Chave: desempenho atlético; corrida de velocidade; amplitude; frequência

Abstract – The variation of speed on the performance of the race depends mainly on the length and frequency of the stride. The aim was to investigate the differences in stride length and frequency between elite and regional level sprinters athletes. The records were observed on video and it was determined the average speed of the race, the average stride length, and the average stride frequency in both elite athletes and athletes of regional level. Speed, stride length and average frequency of male elite athletes were 9.92±0.14 m/s, 2.17±0.06 m, 4.57±00.11 strides/s. At the regional level they were 8.63±0.52 m/s, 2.02±0.08 m, 4.27±12.13 strides/s. In the elite women’s results were: 9.09±0.08 m/s, 2.06±0.05 m, 4.40±00.07 strides/s. Regional level were 7.83±1.26 m/s, 1.76±0.04 m, 4.45±00.12 strides/s. The differences in performance between male elite athletes and regional level seem to result from the difference in stride length and frequency while in females, the differences mainly reflect differences in stride length.

Keywords: athletic performance; Sprint; stride length; frequency

Introdução

A influência da velocidade no rendimento depende principalmente da amplitude e frequência de passada características da prova, logo, da velocidade de deslocamento. Isto porque a velocidade de deslocamento depende daqueles dois parâmetros e estes, por sua vez, dependem da Força, Técnica e Velocidade. A amplitude da passada não depende apenas da Força e da Técnica. Dependem, também, do comprimento dos membros inferiores do atleta e da flexibilidade específica. No entanto, na perspectiva do desenvolvimento das Capacidades Motoras, parece lógico que aquele parâmetro estará mais relacionado com a Força do que com os outros.

Relativamente à frequência também parece linear que a Velocidade como Capacidade Motora é a que mais a influencia. Aqui importa distinguir dois conceitos: o de Velocidade como Capacidade Motora e o de Velocidade de Deslocamento. A frequência de passada depende da Velocidade (Capacidade Motora), já que a Velocidade de Deslocamento, pelo contrário, depende da primeira (Frequência). Quando falamos acerca do treino de velocidade referimo-nos à velocidade enquanto Capacidade Motora. Como neste setor do Atletismo o gesto específico da competição é a corrida, esta pode ser representada pela Velocidade de Deslocamento ou de Corrida. Feita esta distinção utilizaremos, de seguida, apenas o termo Velocidade. Por tudo isto, é lógico que a importância destas duas Capacidades Motoras, nas provas de Velocidade, é tanto maior quanto mais elevada a Velocidade Média de Deslocamento. Assim, é o propósito deste estudo é investigar as diferenças na amplitude e frequência da passada em velocistas de elite e atletas de nível regional.

Metodologia

Amostra

A amostra foi constituída por 25 atletas de elite do sexo masculino, 16 atletas de elite do sexo feminino, 13 atletas de nível regional do sexo masculino e 11 atletas de nível regional do sexo feminino.

Procedimentos

Foram observados os registros em vídeo de várias provas com atletas de elite (grupo elite): finais de 100m e 200m dos Jogos Olímpicos de Atlanta, provas de 100m masculinos dos Meetings de Oslo e Londres, provas de 100m femininos dos Meetings de Oslo e Bruxelas e prova de 200m masculino do Meeting de Vittel. Foram também observados os registros em vídeo das provas finais de 100m e 200m dos Campeonatos Regionais da Madeira (grupo regional). Através destas observações foi determinada a velocidade média de corrida, a amplitude média de passada e a frequência média de passada. As variáveis foram determinadas com base na cronometragem oficial das referidas provas e na contagem do número de apoios pela visualização dos vídeos. A metodologia usada nesta contagem só coloca problemas na observação do último apoio. Isto porque raras vezes se verifica uma coincidência do último apoio com a linha de chegada. O observador foi instruído a considerar frações de ½ ou ¼ da última passada. Mesmo considerando uma margem de erro de ½ passada na observação, a margem de erro total na contagem dos apoios seria 1% nos 100m e 0.5% nos 200m.

Estatística

Os dados foram analisados com o software SPSS 10.0 (SPSS Science, Chicago, USA). A análise exploratória dos dados incluiu medidas descritivas e identificação de out-liers. As diferenças entre grupos foram testadas pelo t-teste de medidas independentes. Os resultados são apresentados como médias desvios padrão.

Resultados

No quadro 1 são apresentados os resultados observados nas variáveis medidas.

Sem título

Como era de esperar, a velocidade média de corrida foi significativamente superior no grupo de elite, independentemente da prova ou do sexo. O mesmo se verificou para a amplitude média de passada. No que respeita à frequência média de passada, no sexo masculino observamos valores significativamente mais elevados no grupo de elite, quer-nos 100 quer-nos 200m. Contudo, para o sexo feminino, as diferenças entre grupos foram mínimas (não significativas), sendo o valor médio mais elevado no grupo regional para os 100m e no grupo elite para os 200m. Assim, parece que no sexo masculino, a melhor prestação do grupo elite resultará de um efeito combinado de valores superiores na amplitude e na frequência de passada. Isto significa que tanto diferenças nos níveis de força específica quanto diferenças na coordenação intermuscular parecem determinar a evolução em provas de velocidade para o sexo masculino. O mesmo não se pode concluir para o sexo feminino. Com efeito, os valores muito semelhantes na frequência de passada, indicam que as diferenças na prestação derivam quase exclusivamente das diferenças na amplitude de passada. Logo, serão prioritariamente as diferenças nos níveis de força específica que contribuirão para a evolução das mulheres nesta prova. Como suporte adicional desta ideia, verificamos que nos atletas de elite os homens apresentaram valores superiores de frequência média de passada em ambas as distâncias, enquanto que no grupo regional sucedeu o contrário.

Nos atletas de elite, verificamos que não existem diferenças significativas nos valores das três variáveis medidas nos 100m ou nos 200m (para ambos os sexos). O mesmo se verificou para os atletas de nível regional. Não obstante, as diferenças na velocidade média foram maiores no grupo regional, indiciando um menor índice de resistência específica destes atletas. Esta menor velocidade média nos 200m no grupo regional parece resultar prioritariamente de uma menor frequência média de passada, uma vez que a amplitude média de passada foi praticamente igual nas duas provas. Contudo, este raciocínio tende a ser desvalorizado na nossa amostra, dada a inexistência de significado estatístico nas diferenças observadas.

Podemos observar no quadro 1, as diferenças de prestação entre os grupos. Com efeito, mesmo as mulheres de elite apresentam uma prestação melhor do que os homens do grupo regional em ambas as provas (diferenças significativas). Verificamos melhor estas diferenças e verificamos que nos, 100m, e melhor prestação das mulheres resultava principalmente de uma frequência média de passada superior (p<05), já que na amplitude média de passada as diferenças não eram significativas. Estes dados suportam a ideia previamente apresentada de que os atletas masculinos do grupo regional apresentam um evidente déficit em termos da sua frequência média de passada. Nos 200m, não se verificaram diferenças significativas entre as mulheres do grupo elite e os homens do grupo regional nestas duas variáveis, sendo assim mais difícil identificar qualquer destes parâmetros como responsável pela melhor prestação das primeiras.

Conclusão

As diferenças na prestação entre atletas masculinos de elite e atletas de nível regional parecem resultar quer de diferenças na amplitude média como de diferenças na frequência média de passada (tanto em 100m como nos 200m). No caso de atletas do sexo feminino, as diferenças de prestação entre os mesmos grupos parecem refletir predominantemente diferenças na amplitude de passada. Logo, é provável que a evolução das atletas regionais dependa principalmente de melhorias nos seus níveis de força específica, enquanto que no caso dos atletas masculinos, parece evidente que, para além deste componente, estes apresentam ainda uma margem de evolução considerável no que respeita à coordenação intermuscular.

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