O treino em “step” e os protocolos utilizados para análise do VO2máx: uma revisão

Training in “step” and protocols used for analysis vo2max: a review

Juliana Costa1, Adriane Carla Vanni1, Alessandra Dalla Rosa da Veiga1
1URI, Erechim. Brazil

Resumo – A relação entre saúde e exercício físico gera uma busca constante por métodos e alternativas para melhorar o condicionamento físico. Várias modalidades de exercício físico podem ser utilizadas, dentre elas o “step training” que tem sido aplicado pelo profissional de Educação Física. O treinamento em “step” além de aumentar o gasto energético total diário que é uma recomendação comum para aqueles indivíduos que desejam manter o peso ou perder peso, possibilita a melhora da sua capacidade cardiorrespiratória (VO2máx. ). Objetivo foi verificar nas bases de dados quais são os protocolos utilizados no “step training” para análise do VO2máx. na população feminina e masculina com faixa etária entre 18 e 45 anos. Uma revisão de literatura nas bases de dados PubMed, Sport Discus e MEDLINE. Compilados os artigos identificados através de palavras-chave, títulos e pesquisas de bases de dados eletrônicas acima. Os protocolos utilizados para a mensuração do VO2máx. foram em esteira rolante e cicloergômetro. De acordo com os estudos selecionados, pode-se verificar que há um aumento significativo no VO2, independente do protocolo de mensuração utilizado nas pesquisas.

Palavras-chave: consumo de oxigênio; teste de degrau; saúde.

Abstract – The relationship between health and exercise generates a constant search for alternative methods and to improve fitness. Various exercise modalities can be used, among them the “step training” that has been applied by the professional of Physical Education. Training in “step” and increase the total daily energy expenditure which is a common recommendation for those individuals who wish to maintain weight or lose weight , enables improved their cardiorespiratory fitness (VO2max.). To verify the databases which protocols are used in the “step training” for analysis of VO2max. the female and male population aged between 18 and 45 years. A literature review in the databases PubMed, Sport Discus and MEDLINE. Compiled the articles identified by keywords, titles and search electronic databases up. The protocols used for measuring VO2max. They were on a treadmill and cycle ergometer. According to the studies selected, it can be seen that there is a significant increase in VO2, regardless of the measurement protocol used in research.  Keywords: oxygen consumption; step test; Health.

INTRODUÇÃO

A relação entre saúde e exercício físico gera uma busca constante da população por métodos e alternativas para melhorar o condicionamento físico. Várias modalidades de exercício físico podem ser utilizadas e dentre elas, o “step training” que tem sido aplicado pelo profissional de Educação Física.

Para Vasconcelos (2003), o “step” pode ser considerado como uma das inovações mais significativas desde o surgimento da ginástica aeróbica de baixo impacto, ele definitivamente substituiu a ginástica aeróbica.

Segundo Jucá (1993), em 1986, a professora Gym Miller, em virtude de uma lesão sofrida, foi recomendada pelo seu fisioterapeuta a ficar subindo e descendo num banco de madeira, com a finalidade de reforçar os músculos da coxa (quadríceps). Miller, usando de sua criatividade, para não ficar naquele sobe-desce repetitivo, começou a conjugar movimentos de braços com as pernas e fazer variações interessantes.

Olson et al., em 1991, realizaram um dos primeiros estudos em “step”, com coreografia contínua, durante 20 minutos em quatro diferentes alturas. Esse estudo mostrou uma diferença significativa no aumento do consumo de oxigênio (VO2) nas alturas maiores de treinamento. Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM,2006), a aptidão cardiorrespiratória (ACR) é um componente importante na promoção da saúde, refletindo as capacidades funcionais do coração, dos vasos sanguíneos, do sangue, dos pulmões e de grupos musculares específicos aos vários tipos de exercício. A ACR está relacionada à capacidade de executar um exercício, de intensidade moderada a alta, de natureza dinâmica, com participação de grandes grupos musculares, por tempo prolongado. Na perspectiva de tornar a prescrição dos exercícios em “step” mais qualificada, esta pesquisa tem como propósito, verificar quais são os métodos utilizados pelos pesquisadores para avaliar o VO2máx, na modalidade “step training”.

 

METODOLOGIA

Foram selecionadas as pesquisas nas bases de dados: PubMed, Sport Discus e Medline, publicados entre o período de 1980 a 2011, nos idiomas espanhol, inglês e português, que utilizaram protocolos de avaliação do VO2máx em “step training”. Selecionados previamente trinta estudos, foram utilizados três pesquisas que enquadravam-se nos critério de inclusão deste estudo, a mensuração de VO2máx  durante um período de 6 e 24 semanas de treinamento em step com participantes de 18 a 45 anos.

 

RESULTADOS

Figura 1. Estudos em “step training” e seus respectivos protocolos de análise de VO2máx.

JU 

DISCUSSÃO

Após verificar nas bases de dados (PubMed, Sport Discus e MEDLINE) quais são os protocolos utilizados no “step training” para análise do VO2máx.  constatou-se que em nenhum dos estudos utilizou-se  protocolo específico a modalidade.

A escolha de um protocolo se dá, em grande parte, em função de sua aplicabilidade. O protocolo de banco de Balke utiliza bancos de alturas variáveis, envolvendo desta forma, cargas variadas durante o decorrer do teste e pode ser aplicado em crianças a partir de 10 anos até idosos com 60 anos de idade com bom condicionamento físico. Também requer materiais simples e é de baixo custo, o que facilitaria ainda mais a sua aplicabilidade à modalidade apontada nesse estudo. A especificidade denomina o caráter qualitativo das capacidades motoras do homem.  Primeiro, o corpo reage através do meio complexo; logo em seguida há uma adaptação de origem seletiva, condicionada pela especificidade motora do exercício em si, ou seja, há uma correspondência predominante às exigências concretas da atividade ou exercício físico que se está praticando.

Gomes (2002), complementa que a especialização é um princípio de fundamental importância no aperfeiçoamento de qualquer tipo de atuação esportiva,  por isso que, na prática, são usados exercícios semelhantes àqueles que compõem a modalidade esportiva trabalhada. Também Barbanti (1997) diz que a especificidade do treinamento envolve a melhora das capacidades motoras, das atividades funcionais ou específicas do esporte ou exercício físico, com atividades que se aproximem da modalidade trabalhada, de forma a atingir um padrão de recrutamento muscular que acarreta a melhora da sincronização das unidades motoras.

Uma avaliação mais efetiva do desempenho do desporto específico é resultado de uma mensuração laboratorial mais próxima da atividade desportiva real. Portanto, o exercício específico acarreta adaptações específicas que criam efeitos específicos do treinamento. Ao treinar, por exemplo, para atividades aeróbias específicas, a sobrecarga deve solicitar os músculos apropriados, exigidos pela atividade, e proporcionar um estresse do exercício para o sistema cardiovascular.

Para Vasconcelos (2003), o “step” pode ser considerado como uma das inovações mais significativas desde o surgimento da ginástica aeróbica de baixo impacto, ele definitivamente substituiu a ginástica aeróbica. Tendo em vista sua importância fica clara a necessidade de uma mensuração específica de consumo de oxigênio adaptado à modalidade. Tubino e Moreira (2003), acrescentam ainda que, a especificidade refere-se às adaptações nas funções metabólicas e fisiológicas que dependem do  tipo de sobrecarga imposta.

No estudo de Lucca et al. (2008), foram avaliadas 10 mulheres em treinamento de “step training” por 10 semanas, e o protocolo utilizado para mensuração do VO2máx foi o de Bruce, em esteira rolante. Silva et al (2011), aponta que a falta de procedimentos padronizados dificulta a comparação entre os resultados de testes. Isso, aliás, explica a popularidade mantida de protocolos como o de Bruce, cujos resultados são facilmente comparáveis e contam com bases de dados extensas em diversos centros de avaliação. Na pesquisa de Williford et al. (1998), foi utilizado o mesmo tempo de treinamento (10 semanas) para comparar a diferença de ganhos com relação ao VO2máx entre a modalidade corrida (n=20) e o “step training” (n=28) e um grupo-controle (n=11). Já, o estudo de Kraemer et al. (2000) distingue-se dos outros dois estudos supracitados, pelo tempo de treinamento que foi de 12 semanas, com 35 voluntárias e pelo protocolo utilizado em ciclo ergômetro e espirometria indireta.

A modalidade do exercício, a hereditariedade, o estado de treinamento, o sexo, a idade e composição corporal são fatores que afetam o VO2máx. As mulheres alcançam escores de VO2máx 15 a 30 % abaixo dos valores dos homens. E as crianças, até 12 anos de idade, apresentam valores de VO2máx iguais. A partir dos 14 anos, as medidas passam a ser 25% maiores nos meninos do que para as meninas. Aos 16 anos, essa diferença pode ultrapassar os 50%. Isso se explica pelo fato de que os meninos aumentam muito mais sua massa muscular no desenvolvimento, por apresentarem um maior nível de atividade física e testosterona. Já, após os 25 anos, o VO2máx sofre um declínio de 1% ao ano. É importante destacar que, apesar do efeito significativo do envelhecimento, o exercício físico exerce uma influência muito maior, sobre a ACR, do que a idade cronológica, conforme complementam Rogers e Roberts (2002).

De acordo com os estudos selecionados, pode-se verificar que há um aumento significativo no VO2, independente do protocolo de mensuração utilizado nas pesquisas. Verificamos que em nenhum dos estudos selecionados utilizou-se o protocolo específico de acordo com a modalidade trabalhada (teste de degrau). Sabe-se que o VO2máx é considerado o melhor indicador da ACR, mas, por causa do esforço árduo exigido pelo participante, medir VO2máx é muitas vezes nem conveniente e nem seguro para alguns indivíduos. Consequentemente, vários estudos de campo utilizam o exercício submáximo para estimar VO2máx, na tentativa de fornecer um método simples, mas válido, para estimar a ACR em ambientes onde a medida direta da máxima VO2máx não é viável. O teste do degrau é um desses testes e é considerado um teste de campo prático para avaliar a capacidade aeróbia individual (LIU e LIN, 2007). O que não ocorreu com nenhum dos estudos encontrados.

Dantas (1995) salienta que o princípio da especificidade está ligado diretamente aos gestos específicos de uma determinada modalidade e o treinamento utilizado para o aprendizado e o desenvolvimento destes respectivos gestos específicos. E, dessa forma, os resultados obtidos serão muito melhores e mais significativos, independentemente se os indivíduos são atletas, ou apenas pessoas que buscam a melhor qualidade de vida, promovida pelo exercício físico. O autor complementa que, a especificidade sempre esteve intrínseca em todo o treinamento esportivo, desde o mais rústico nas práticas utilitárias, mas tê-lo como princípio norteador e como um dos parâmetros que devem ser levados em consideração, é essencial ao estudo e planejamento crítico e consciente nos treinamentos contemporâneos.

 

CONCLUSÃO

Nenhum dos estudos selecionados utilizou o protocolo específico de acordo com a modalidade trabalhada. Subentende-se que, a falta de procedimentos padronizados dificulta a comparação entre os resultados de testes e explica a popularidade de protocolos como o de Bruce, cujos resultados são facilmente comparáveis. Sugere-se novas pesquisas em que se utilize o protocolo específico da modalidade “step training” para melhor demonstrar estes resultados.

REFERÊNCIAS

1- AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Manual do ACSM para Avaliação da Aptidão Física Relacionada à Saúde. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2006.

2- ASSUNÇÃO, M. F. D. de. Estudo Descritivo e Comparativo das Alterações ao Nível da Composição Corporal, Índice de Massa Corporal e Auto-Conceito Físico Induzidas pela Prática de Atividades de Academia em Adultos Jovens. 2002. 143 f.  Dissertação (Mestrado em Ciências do Desporto) – Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física.  Universidade do Porto, 2002.

3- BARBANTI, V. J. Teoria e Prática do Treinamento Esportivo. 2. ed. São Paulo: Edgar Blücher, 1997.

4- DANTAS, E. H. M. A Prática da Preparação Física. 3. ed. Rio de Janeiro: Shape, 1995.

5- GOMES, A. C. Treinamento Desportivo: estruturação e periodização. Porto Alegre: Artmed, 2002.

6- JUCÁ, M. Aeróbica & Step. Rio de Janeiro: Sprint, 1993.

7- KRAEMER, J. W. et al. Resistance Training combined with Bench-step Aerobics Enhances Women´s Health Profile. Medicine and Science in Sports and Exercise. v. 33. n. 2, p. 259-269.  2000.

8- KRAUSE, M. P. Concurrent Validity of a Pictorial Rating of Perceived Exertion Scale for Bench Stepping Exercise. BS Physical Education, Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2006.

9- LIU, C-M.; LIN, K-F. Estimation of VO2máx: A Comparative Analisys of Post-Exercise Heart Rate and Physical Fitness Index from 3-Minutes Step Test. National Hsinchu University of Education, Hsinchu, Taiwan, 2007.

10- LUCCA, L. et al. Respostas Cardiovasculares durante Step Trainning em Jovens Universitárias. Revista da Educação Física/UEM Maringá, v. 19, n. 2, p. 233-240. Trim. 2008.

11- MALTA, P. Step Training Aeróbio e Localizado. Rio de Janeiro: Sprint, 1994.

12- MARTINOVIC, N. do V. P.; MARQUES, M. B.; NOVAES, J. da S. Respostas cardiovasculares e metabólicas do step training em diferentes alturas de plataforma. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Londrina, v. 7, p. 5-13, 2002.

13- MUNIZ, M. O step oferece menos risco de contusões em academias. s/d. Disponível em:http://www.wallstreetfitness.com.br/fique_por_dentro/artigo/178/step-oferece-menos-riscos-de-contusoes-em-academia/. Acesso: em 20 maio de 2010.

14- OLIVEIRA, R. J. et al. Respostas Hormonais Agudas a diferentes Intensidades de Exercícios Resistidos em Mulheres Idosas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v.14, n. 4. Julho/Agosto, 2008.

15- OLSON, M. S. et al. The Cardiovascular and Metabolic Effects of Bench Stepping Exercise in Females. Medicine and Science in Sport and Exercise, v.23, n.11, p. 1311 – 1317, 1991.

16- PUTMAN, D. H. The Effects of Bench Height and Step Cadence in Aerobic Step Dance on Force Impact and Metabolic Cost. University of Texas at Arlington in Partial Fulfillment of the Requirements for the Degree of Master of Science in Physiology of Exercise the University of Texas at Arlington, 2007.

17- ROGERS, R. A.; ROBERTS, S. O. Princípios Fundamentais de Fisiologia do Exercício para Aptidão, Desempenho e Saúde. 1. ed. São Paulo. Editora Phorte, 2002.

18- SALSELAS, V. J. da C.; BANREZES, S. C. S. Efeito de um programa de ‘step training’ na variação da percentagem de massa gorda em jovens do sexo feminino. Influência da utilização de pesos nos membros superiores. Revista Digital. Buenos Aires. Ano 13. n. 127. Dezembro, 2008. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/artigos.html>.

19- SCHARFF – OLSON, M. R.; WILLIFORD, H. N. The Energy Cost Associated with Selected Step Training Exercise Techniques. American Aliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance, v.67, p. 465 – 468, 1996.

20- SILVA, S. C. da; et al. Avaliaçãoda Capacidade Máxima de Exercício: uma revisão sobre os protocolos tradicionais e a evolução para modelos individualizados. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.7, n.5, 2011.

21- STANFORTH, D.; STANFORTH, P.; VELASQUEZ, K. Aerobic Requirement of Bench Stepping. International Journal of Sports Medicine, v. 14, n. 3, p. 129-133, 1993.

 22- TUBINO, M. J. G.; MOREIRA, S. B. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 13. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.

23- VASCONCELOS, L. H. G. de. Step Training: uma Revisão Bibliográfica. 81 F. Monografia – Escola Superior de Educação Física, Universidade de Pernambuco, Recife, 2003.

24-VERKHOSHANSKI, Y. V. Treinamento Desportivo: teoria e metodologia. São Paulo: Artmed, 2001.

25- WIECZOREK, A. S. et al. Estudo da Força de Reação do Solo no Movimento Básico de “step”. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 11, n. 2, p.103-15, jul./dez. 1997.

26- WILLIFORD, H. N. et al. Bench Stepping and Running in Women. Journal of Sports Medicine Physiology in Fitness. 38, p. 221-6, 1998.

27- ZAZÁ, D. C.; MENZEL, H–J. K.; CHAGAS, M. H. Efeito do Step – Training no Aumento da Força Muscular em Mulheres Idosas Saudáveis. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Belo Horizonte, v.12, n. 3, p. 164 – 170, 2010.

0 respostas

Deixe um Comentário ou Dúvida

Tem algum comentário ou dúvida sobre o artigo?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *