Heart Rate Response During a Professional Football Match

Gian Baldassari Silvestre, Rodrigo Ferro Magosso, Cássio Mascarenhas Robert-Pires

 

RESUMO

A demanda fisiológica à qual um indivíduo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a frequência cardíaca (FC). O objetivo do presente trabalho foi identificar a intensidade de esforço (através da análise da FC) de futebolistas durante sua prática esportiva. A FC de 19 atletas (idade de 26,7± 4,6 anos e peso corporal de 78,1 ± 7,3 kg), foi analisada com uso do software Firstbeat® durante seis partidas, com o menor tempo registrado de 3 minutos durante uma partida. Os atletas apresentaram uma FC média correspondente a 82 ± 0,9% da frequência cardíaca máxima dentro do período analisado. Os menores valores encontrados durante o jogo corresponderam a 62 ± 2,8% da FCmáx e os picos de FC corresponderam a 97,0 ± 0,8% da FCmáx.

Palavras-chave: Frequência cardíaca, futebolistas, intensidade de esforço

 

ABSTRACT

The physiological stress imposed to an individual during a soccer match has been reported by different parameters such as heart rate (HR). The objective of the present study was to identify the intensity of effort (through FC analysis) of soccer players during their sports practice. The HR of 19 athletes (age 26,7 ± 4,6 years old and body weight 78,1 ± 7,3 kg) was analyzed using the software Firstbeat® during six matches, with the shortest recorded time of 3 minutes during a match. Athletes presented average HR corresponding to 82 ± 0.9% of maximum heart rate within the analyzed period. The lowest values found during the game corresponded to 62 ± 2.8% of HRmax and the HR peaks corresponded to 97.0 ± 0.8% of HRmax.

Key words: Heart rate, soccer players, effort intensity

 

INTRODUÇÃO

O futebol é uma modalidade esportiva com características intermitentes, estruturado por movimentos cíclicos e acíclicos, com predominância do metabolismo aeróbio e, em suas ações decisivas, pelo anaeróbio1.

Esta variabilidade de movimentos exige o desenvolvimento de capacidades motoras como resistência e potência aeróbia, resistência e potência anaeróbia, velocidade, agilidade e ótimos níveis de força.

Nos últimos anos, vem crescendo o interesse dos pesquisadores e da população como um todo em conhecer e compreender as reais demandas fisiológicas durante a prática deste esporte.

A demanda fisiológica à qual um individuo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a distância total percorrida, velocidade média de corrida, a temperatura corporal, medidas diretas de oxigênio, concentração de lactato e frequência cardíaca (FC)2.

De acordo com BRUM et al. (2004) o exercício físico caracteriza-se por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, pois implica no aumento instantâneo da demanda energética da musculatura exercitada e consequentemente do organismo como um todo. Para suprir a nova demanda metabólica, várias adaptações fisiológicas são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular.

O tipo e a magnitude da resposta cardiovascular dependem de uma série de fatores como o tipo de exercício executado, nível de condicionamento, intensidade e duração da atividade, nível de hidratação, massa muscular envolvida e até mesmo a temperatura ambiente.

Parece haver um consenso na literatura em geral quanto ao comportamento da frequência cardíaca durante uma partida de futebol; diversos autores relataram que a FC média corresponde a aproximadamente 85% da frequência cardíaca máxima (FCmáx.) variando entre 80 e 90% durante a prática esportiva1,2,4,5,6,7.

O objetivo do presente trabalho visa identificar, através do percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx.) a intensidade média em que futebolistas atuam durante a sua prática esportiva.

 

MATERIAIS E MÈTODOS

Participaram do estudo 19 atletas do sexo (cujas características estão descritas na tabela 1) pertencentes a um clube da primeira divisão do campeonato paulista que mantêm treinamentos regulares e participação em competições reconhecidas pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Não houve critério de exclusão para o estudo; todos os atletas que entraram em campo foram incluídos na amostra. O menor tempo de jogo registrado foi de 3 minutos. O período de coleta dos dados foi de 22/3/2017 à 15/04/2017 somando um total de seis jogos monitorados.

Para acompanhamento da FC durante os jogos foi utilizado o software Firstbeat®. Este sistema possibilita o registro da FC sem a utilização de um monitor de punho (proibido por colocar em risco a integridade do atleta e de seus adversários).

Tabela 1 – Caracterização da amostra.

Inicialmente, a frequência cardíaca máxima dos atletas foi estimada pelo software através da equação descrita por KARVONEN, KENTALA & MUSTALA (1957) – FCmáx. = 220 – idade; Durante os treinamentos e jogos amistosos da pré-temporada, assim que registrados valores superiores, o software já realizava a atualização automática.

Devido à heterogeneidade do grupo em relação à idade (único fator determinante da frequência cardíaca máxima), utilizamos os valores relativos da FC de cada individuo (%F.C. Máx.). 

RESULTADOS

As respostas da frequência cardíaca de todos os atletas que entraram em campo durante os seis jogos monitorados estão descritos na tabela 2.

Tabela 2 – Médias da frequência cardíaca absoluta (bpm) e relativa (%fc. máx.) máxima, média e mínima mensuradas durante as seis partidas.

Em relação aos valores absolutos, a FC oscilou entre 122 e 192 batimentos por minuto (bpm) representando em valores relativos, 60 a 97% FCmáx. dos voluntários. O comportamento médio da frequência cardíaca durante o monitoramento foi de 162 ± 1,75 bpm, equivalente a aproximadamente 82% da frequência cardíaca máxima dos atletas. A FC mínima variou muito durante os jogos por conta dos intervalos para hidratação, substituições e parada para atendimento médico. Os valores observados permanecem por volta dos 122 bpm (62% FCmáx.).

 

DISCUSSÃO

O principal objetivo do presente estudo foi mensurar a intensidade de esforço através do percentual da frequência cardíaca máxima que um jogador de futebol atua durante a prática esportiva.

Os resultados encontrados evidenciam que esses atletas atuam durante os 90 minutos de uma partida à uma FC média de 82% da frequência cardíaca máxima.

Tal resultado corrobora com a literatura existente; BANGSBO, MOHR & KRUSTUP (2006) encontraram, mediante monitoração da frequência cardíaca em partidas profissionais, valores médios próximos a 85% FCmáx.. MORTIMER et al. (2006) compararam a intensidade de esforço no primeiro e segundo tempo chegando aos valores de 85,2% e 82,7%, respectivamente. Já STØLEN et al. (2005) relataram que a intensidade media da frequência cardíaca varia entre 80 e 90% da FCmáx.

Isso nos permite sugerir que a utilização destas zonas de intensidade durante os treinamentos do dia-a-dia deixará o atleta melhor condicionado e mais preparado para suprir as reais demandas cardiovasculares de uma partida de futebol. COELHO et al. (2008) compararam a intensidade de uma partida, de um coletivo e jogos reduzidos, concluindo que os jogos reduzidos são os que mais se aproximam da realidade de uma partida, em relação as demandas cardiovasculares (84%, 75% e 79% FCmáx., respectivamente).

Esses resultados evidenciam o grau de esforço e a intensidade média durante uma partida de futebol. Vale ressaltar que diversos fatores podem influenciar na intensidade de esforço dos futebolistas, tais como: esquema tático, tipo de marcação, nível do adversário, condições ambientais, etc.

Alguns autores ainda correlacionam a intensidade média do jogo de futebol com o limiar anaeróbio mostrando que este nível de intensidade corresponde à maior parte do tempo de estresse10.

 

CONCLUSÕES

O presente estudo conclui que jogadores de futebol atuam em média à uma intensidade de 82% de sua frequência cardíaca máxima.

 

REFERÊNCIAS

1 – STØLEN, Tomas et al. Physiology of soccer. Sports medicine, v. 35, n. 6, p. 501-536, 2005.

2 – MORTIMER, Lucas et al. Comparação entre a intensidade do esforço realizada por jovens futebolistas no primeiro e no segundo tempo do jogo de Futebol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, p. 154-159, 2006.

3 – BRUM, Patrícia Chakur et al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev Paul Educ Fís, v. 18, n. 1, p. 21-31, 2004.

4 – BRAZ, Tiago Volpi; SPIGOLON, Leandro Mateus Pagoto; BORIN, João Paulo. Proposta de bateria de testes e classificação de desempenho das capacidades biomotoras em futebolistas-DOI: 10.4025/reveducfis. v20i4. 7392. Journal of Physical Education, v. 20, n. 4, p. 569-575, 2009.

6 – MORTIMER, Lucas et al. Comparação entre a intensidade do esforço realizada por jovens futebolistas no primeiro e no segundo tempo do jogo de Futebol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, p. 154-159, 2006.

7 – BANGSBO, J.; MOHR, M.; KRUSTRUP, P. – Physical and metabolic demands of training and match-lay in the elite football player. Journal of Sports Sciences., 24: 665-674, 2006.

8 – KARVONEN, Martti J.; KENTALA, E.; MUSTALA, O. The effects of training on heart rate; a longitudinal study. In: Annales medicinae experimentalis et biologiae Fenniae. 1957. p. 307.

9 – COELHO, Daniel Barbosa et al. Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais defutebol. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 22, n. 3, p. 211-218, 2008.

10 – OSIECKI, Raul et al. Parâmetros antropométricos e fisiológicos de atletas profissionais de futebol. Journal of Physical Education, v. 18, n. 2, p. 177-182, 2008.

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