ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

 

Deyvid Tenner de Souza Rizzo1; Ágata Cristina Marques Aranha2; Clara Maria Silvestre Monteiro de Freitas3; Nelson Joaquim Fortuna De Sousa2

1Faculdades Magsul (FAMAG).

2Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal.

3Professor Associado da Universidade de Pernambuco – Escola Superior de Educação Física.

 

RESUMO

O estudo analisa pesquisas que abordam a temática do tratamento educacional dado ao esporte em benefício à saúde das pessoas. Para isso foi realizada uma revisão sistemática em cinco bases de dados utilizando descritores em português e inglês. Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 2005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com humanos. Resultados indicam a existência de 7691 estudos com o trabalho direcionado aos valores educacionais através do esporte, mas apenas 9 avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos. Concluímos que em grupos diversos as práticas pautadas em valores educacionais são grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares.

Palavras-Chaves: Esporte. Saúde. Qualidade de vida. Educação.

 

ABSTRACT

The study examines research that address the issue of educational treatment of the sport for the benefit to people’s health. For it was carried out a systematic review of five databases using key words in Portuguese and English. The inclusion criterion was instituted original articles, published between 2005-2015, in national and international journals in Portuguese and English, and research involving human . Results indicate that there are 7691 studies with work directed to educational values ​​through sports, but only 9 advance toward to guarantee the health of the subjects. We conclude that in the various practices based groups in educational values ​​are big boosters of behavior and healthy habits.

KeyWords: Sport. Health. Life’s quality. Education.

 

INTRODUÇÃO

Esporte, saúde e educação! Qual é a real possibilidade do esporte e a Educação Física contribuírem com a melhoria ou manutenção de uma boa saúde das pessoas no mundo de hoje? (KUNZ, 2007). Com esse estudo, verificou-se que os temas saúde e promoção da saúde por meio de práticas esportivas educacionais são bem mais complexos do que se apresentam no meio acadêmico.

A correta orientação que atividades físicas garantem, em grande parte, a melhoria e manutenção de uma vida mais saudável e previne doenças, já não é mais tão aceita (KUNZ, 2007).

Estudos apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em diferentes públicos, no sentido de dotar este campo disciplinar de instrumentos úteis em relação à terapêutica, à prevenção de doenças e à promoção da saúde humana (LUGUETTI et al., 2015; DOBBINS et al., 2009; ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013).

As preocupações no campo da grande área da saúde estão ligadas a diversos fatores, que alguns autores chamam de uma melhoria da “qualidade de vida” do indivíduo (MELLO et al., 2005; MONTEIRO; FILHO,  2004; CIOLAC; GUIMARÃES, 2004). As pesquisas desses autores apresentam resultados que põem a prática de atividades físicas, exercícios, esporte e lazer como soluções não somente para o tratamento de patologias, mas também como alternativas favoráveis à melhora das condições de saúde, com caráter promotor destas condições.

Os conceitos elaborados quanto ao que vem ser saúde devem ser objetos de cuidadosa reflexão, para que se possa perceber e atuar de forma coerente a fim de contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas (GUEDES; DARIDO; MAITINO, 2004).

Acredita-se em efeitos positivos da prática esportiva pautada em valores educacionais para a manutenção e melhoria da saúde das pessoas, sendo criança, adolescente, adulto, idoso, atleta ou sedentário. Pois uma prática esportiva condicionada em valores educacionais possibilita um estilo de vida saudável, seja para prevenção, tratamento e recuperação de doenças físicas ou mentais.

Nesse cenário, nos últimos dez anos, encontraram-se poucas pesquisas que se dedicaram a estudar esse recorte específico, a ênfase da maioria dos estudos é centrada apenas nas prerrogativas do esporte enquanto agente de transformação social, as discussões não avançam em direção para a garantia da saúde de seres humanos com pesquisas de campo pautadas em dados empíricos.

Deste modo, este estudo teve como objetivo identificar e analisar, por meio de uma revisão sistemática, o tratamento educacional dado ao esporte em benefício à promoção da saúde das pessoas.

 

METODOLOGIA

A metodologia caracterizou-se como um “estudo bibliográfico” no qual, “busca dar resposta ao problema formulado a partir da análise de produções de outros autores” (MEDEIROS, 2006, p. 54). Por utilizar procedimentos de caráter inventariante e descritivo esta metodologia pode ser caracterizada como pesquisa do estado do conhecimento.

O estudo trata-se de uma revisão sistemática; baseia-se em estudos primários que permitem avaliar a coerência das relações, identificando as relações entre pesquisas desenvolvidas com semelhanças ou diferentes intervenções, em que possibilita identificar inconsistências e conflitos entre diferentes informações (MULROW, 2004).

A investigação foi realizada por meio de pesquisa nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, PubMed, LILACS, SciELO, Bireme e Base de Dados Capes, no período de busca de 2005 a 2015. Como estratégias de busca, utilizaram-se os seguintes descritores e palavras-chave em português e inglês: “Esporte”, “Educação”, “Educacional”, “Saúde”. Houve a combinação desses termos e descritores por meio do operador lógico AND: esporte AND “educação” (2.403 estudos); esporte AND “saúde” (3.884); esporte AND “educação” AND “saúde” (421estudos); esporte AND “educacional” (983 estudos).

Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 20005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com seres humanos. Foram excluídos estudos de revisão de literatura, teses, dissertações e monografias, assim como artigos nos idiomas: espanhol, alemão, francês, italiano, russo, finlandês e ucraniano.

No processo de seleção, nas análises e na organização dos artigos, procurou-se responder aos seguintes questionamentos: quais as características dos artigos quanto ao ano autor? Qual a metodologia adotada? Quais os locais onde foram desenvolvidas as pesquisa? Qual o número e principais características dos sujeitos dos estudos selecionados? E por último, quais os principais resultados alcançados? Para responder estas questões, foi construída uma tabela de acordo com as informações relevantes dos estudos, no tocante as variáveis: autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados.

O conteúdo dos artigos selecionados foi avaliado e validado na medida em que se tratavam de estudos exploratórios, de intervenção, descritivos, séries de caso, pesquisa ação e análise estatística. Dado o número crescente de estudos sobre a influência do esporte na vida das pessoas, foram definidos como critérios para seleção apenas os estudos que investigaram os efeitos da prática esportiva pautada em valores educacionais para o benefício da saúde de uma determinada amostra de sujeitos. Não foram considerados elegíveis relatos de caso, revisões de literatura e cartas ao editor. Quando se tratavam de estudos experimentais foram considerados estudos inaceitáveis quando havia somente análise estatística descritiva e não inferencial.

Primeiramente, para identificar se os estudos atendiam aos critérios de inclusão, foi realizada uma análise ancorada nos títulos dos artigos selecionados. Em seguida, dois revisores independentes fizeram uma triagem de todos os artigos identificados por meio da leitura dos respectivos títulos e resumos, adotando-se os critérios de inclusão e exclusão citados anteriormente. Quando existiu discordância quanto à permanência ou não de determinado estudo, um terceiro revisor foi consultado. Em seguida, os artigos remanescentes foram acessados na íntegra para avaliação, e os artigos que não houve consenso quanto aos critérios de in/exclusão, foram analisados por um terceiro revisor.

Após a exclusão dos artigos duplicados por meio do processo de refinamento, foram obtidas 83 publicações, que foram lidas e examinadas criteriosamente, classificando-as e agrupando-as, adotando um protocolo de organização segundo as categorias temáticas, quanto o tipo de estudo e as práticas esportivas sustentadas em valores educacionais para benefício da saúde das pessoas. Na etapa seguinte, os artigos foram analisados na íntegra, totalizando 09 artigos que atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos.

 

RESULTADOS

O processo de pesquisa realizado neste estudo identificou, inicialmente, por meio dos descritores e palavras-chave combinados, 7.691 artigos. Em seguida, houve um refinamento, utilizando-se os critérios de inclusão como filtros de pesquisa, tais como: 1) artigos disponíveis em formato completo, atingindo 4.116 estudos; 2) artigos publicados entre 2005 e 2015, alcançando 2.131 estudos; 3) artigos disponíveis nos idiomas português e inglês, obtendo 1.825 estudos. Destes, identificou-se 312 artigos repetidos, o que reduziu a amostra do estudo para 1.513.

Após a leitura dos títulos, selecionaram-se 83 artigos para posterior análise dos resumos. Com isso, foram identificadas 21 publicações que contemplavam a influência do esporte pautado em valores educacionais para um estilo de vida saudável. Em seguida, procedeu-se à leitura desses artigos na íntegra, a partir da qual 09 produções compuseram a amostra dessa revisão, tendo em vista que abordavam possíveis fatores do esporte pautado em valores educacionais como determinantes para a prática de atividade física em prol da manutenção da saúde.

Em relação aos grupos etários o que predominou foram crianças e adolescentes de ambos os gêneros. Em 06 estudos pode-se perceber que há correlação significativa entre a realização de uma prática esportiva pautada em valores educacionais e o vivenciamento de um estilo de vida saudável.

Em 02 estudos foi evidenciada a importância sobre o valor da educação mesmo para os atletas e treinadores no esporte de alto nível, demonstrando que o ato educacional pode impactar até para o surgimento de estratégias inovadoras pra o desporto, além de corroborar para a saúde e bem estar dos sujeitos envolvidos.

A importância da relação entre esporte e educação pelo professor de Educação Física foi apontada em 01 estudo, além do compromisso docente em sistematizar a prática da saúde coletiva na sociedade por meio das práticas esportivas. Esse estudo ainda cria novas propostas que viabilizam maior conhecimento sobre a tríade: “esporte, educação e saúde”, ampliando as formas de atuação desses profissionais no âmbito escolar.

Todos os estudos analisados revelaram uma correlação entre esporte e educação para a promoção da saúde do sujeito e consequentemente o vivenciamento de um estilo de vida saudável, seja por meio da prática do esporte na Educação Física Escolar, no lazer e recreação ou no esporte de alto nível.

 

DISCUSSÃO

Logo a seguir, a Tabela I apresenta os 09 artigos selecionados, destacando as características dos estudos quanto autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados. Os artigos se encontram em ordem cronológica crescente.

 

Tabela I – Características dos artigos selecionados pelas bases de dados eletrônicas.

Isto é, o corpo em movimento não pode ser ignorado através das atividades corporais, brincadeiras, jogos de competição de alto nível, ou deixado em segundo plano. Sobre esta complexidade de práticas todo um conjunto de discursos sobre o papel da Educação Física na grande área da saúde, seja na prevenção de doenças crônicas e agudas, seja na recuperação terapêutica, ou na promoção da saúde, não cessa de aumentar.  E, certamente, o ato educacional favorece ao fortalecimento de práticas que consolidem as atividades esportivas como uma possibilidade de intervenção, deste modo, tanto profissionais de Educação Física, crianças, adolescentes, adultos e idosos terão a medida da importância de uma atividade corporal no processo saúde/doença, e em práticas saudáveis.Nos resultados dos estudos de Backes et al. (2009) alguns recortes de falas dos depoentes mostram os significados que jovens de um projeto social possuem sobre saúde, a saber: 1) Saúde é fazer esporte. 2) Saúde é relaxar, descansar; 3) Saúde é fazer esporte para manter a forma; 4) O corpo precisa se movimentar para ter saúde e manter a forma.

Para a intervenção do profissional de educação física para melhoria da saúde coletiva; se torna possível e necessária a inclusão de práticas corporais como parte integrante de uma comunidade, tanto em relação à prevenção, como à recuperação e à promoção (expansão) da saúde. O profissional da educação física, quando voltado para a saúde, pode ser um membro de uma equipe tal como é o médico, o enfermeiro, o fisioterapeuta, o nutricionista etc. Atualmente a educação física tem alguma presença no setor educacional, através da rede escolar, mas muito pouco dessa presença influirá realmente na vida adulta dos alunos (BACKES et al., 2009).

Nessa fala entende-se a devida importância que os autores reconhecem na presença de um profissional de Educação Física para a saúde coletiva, para tanto, desconstroem ou no mínimo duvidam dos efeitos em longo prazo do trabalho que o professor de Educação Física realiza no ambiente escolar para a melhoria da saúde da população.

Esse “desencontro” vai em direção com os resultados do estudo de (Nogueira e Pereira (2014), que apontam para a necessidade de maior reflexão dos profissionais de Educação Física em otimizar a  promoção de melhorias da aptidão física relacionada à saúde de adolescentes por meio da prática esportiva.

A disciplina Educação Física Escolar vem se baseando como uma prática excludente e por muitas vezes acríticas, voltada para a formação de equipes desportivas representativas das escolas, vista pelos alunos como uma prática recreativa, como uma forma de “quebrar” a rotina da sala de aula (BOERA et al., 2011; NETO et al., 2010).

É importante que os profissionais da Educação Física atuantes, e futuros que atuarão no campo da saúde tenham em mente uma diferença fundamental de funções quando se trata da saúde coletiva, pois não se trata de “treinar” (caso do desporto) ou de “adestrar” (caso da maioria das ginásticas), talvez nem mesmo de “habilitar” (caso da educação escolar) o corpo dos praticantes para o desempenho de atividades físicas, mas, na maioria das vezes, simplesmente, através da atividade, colocar em contato com seu próprio corpo pessoas que jamais se detiveram para “senti-lo” ou “ouvi-lo” como algo seu, vivo, pulsante, com capacidades e limites; tratá-lo como a “sua casa” (LUZ, 2007).

Percebe-se que ao tratar os temas: “esporte, saúde e educação” em paralelo, é possível traçar vários caminhos com teses diferentes, talvez pelo esporte se manifestar como um fenômeno tão rico de significados e de interesse de profissionais de educação física, médicos, fisioterapeutas, sociólogos, físicos, psicólogos, etc. Enfim, apesar dos desencontros teóricos, observa-se que o esporte, mesmo que tenha como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social se aliado ao ato educacional. Esporte vai muito além dos encontros em ginásios, estádios, piscinas e academias, mas a intencionalidade que o professor/treinador/médico direciona a prática faz a diferença entre aspectos positivos e negativos de sua realização.

O Esporte e o movimentar-se do ser humano em forma de ginástica, especialmente nas academias, são visto, como nunca antes, como uma atividade de máxima importância para a vida das pessoas. Quem não se movimenta morre cedo diz o ditado. E como tudo neste mundo que ganha significado social e aceitação popular ganha também à atenção do comercio, dos negócios. Foi assim, que primeiro se valorizou o esporte. O esporte como uma pratica saudável, como um excelente agente de socialização e até de educação, especialmente para jovens. Até uma mercadoria das mais valorizadas no mundo inteiro (KUNZ, 2007).

Qual é a real possibilidade da Educação Física e o esporte contribuírem para melhoria ou manutenção de uma boa saúde para as crianças e jovens no mundo de hoje? Em geral e a promoção da saúde por meio de atividades de movimentos, os exercícios físicos, a ginástica, corridas, natação, esportes, etc., é bem mais complexa do que normalmente é apresentada em nosso meio. Ou seja, existe a idéia de que a correta orientação de atividades físicas garante, em grande parte, a melhoria e a manutenção de uma vida mais saudável (KUNZ, 2007).

No contexto social atual, a saúde como prática educativa e de promoção do viver saudável, ainda está longe de alcançar novos significados tanto para os usuários – atores sociais – quanto para os profissionais da saúde, mediadores e instigadores de novas práticas em saúde. Esta fragilidade se mostra, sobretudo, nos espaços e grupos sociais vulneráveis ou socialmente invisíveis, como no caso das favelas e periferias das grandes cidades. Com base no exposto, o viver saudável pode ser entendido como um processo singular, complexo e plural, construído a partir dos significados e imaginário que cada ser humano ou grupo social atribui ao seu modo de ser e viver, bem como aos diferentes movimentos dinâmicos da vida, motivados pelo contexto social e cultural específicos (BACKES et al., 2009).

Estudos já apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em públicos diversos, e deste modo, os desafios para a promoção da saúde são superados por meio de trabalho interdisciplinar entre profissionais das áreas de interesse (ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013; DOBBINS et al., 2009; LUGUETTI et al., 2015).

Para facilitar o alcance do “viver saudável” e diminuir a distância da prática educativa e o bem estar social, a promoção da saúde por meio da prática esportiva pode significar a garantia do direito de cada criança, adulto ou idoso ao acesso a medidas coletivas seguras, políticas públicas que garantam saúde, acesso à informação, autonomia nas escolhas, participação nas decisões que interferem na sua vida e na sua saúde. Contanto, a inter-relação entre educação, esporte e saúde facilita essa conscientização, favorecendo a criação de elementos fundamentais para a aquisição de hábitos saudáveis de vida, viabilizada pelas boas práticas de saúde, alimentação e relações pessoais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos, o estudo do esporte pautado em princípios educacionais ganhou crescente interesse, por atuar diretamente sobre o comportamento e os valores dos indivíduos. No entanto, essa revisão sistemática possibilita entender a carência de estudos no estado do conhecimento e evidências confiáveis de que intervenções educativas são eficazes na promoção da saúde das pessoas. Deixa clara a existência de muitas pesquisas com o trabalho direcionado aos valores educacionais, mas a ênfase dessas discussões é centrada e alicerçada apenas nas prerrogativas da Pedagogia do Esporte, não avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos.

Ao compreender que os fatores educacionais no esporte, seja no âmbito escolar, de lazer ou alto nível são determinantes para um estilo de vida saudável, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas de campo realizadas internacionalmente com seres humanos, pois, entende-se que a percepção de profissionais da grande área da saúde e de várias parte do mundo pode favorecer de forma interdisciplinar. Sugere-se que futuros estudos aprofundem questões vinculadas às mais distintas manifestações esportivas, contudo, pautadas por uma ação educacional em prol da promoção da saúde das pessoas, como grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares, principalmente quando relacionados à prática da atividade física esportiva.

Desta forma, quiçá criar uma espécie de modelo de prevenção de doenças, centrado no controle de riscos, ou seja, um modelo de promoção da saúde pautado na busca da conservação ou expansão da vitalidade humana por meio da prática esportiva educacional vista como totalidade irredutível através de atividades e hábitos saudáveis em relação à alimentação, ao trabalho, à sociabilidade, à sexualidade e à vida emocional, ao lazer, enfim, ao viver em geral.

Concluímos a tríade “esporte, educação e saúde” pode servir como um ponto de partida para a sociedade repensar os valores ligados a um estilo de vida saudável,  demonstrando que o ato educacional não é exclusivo da escola ou do professor, mas sim, de cada sujeito que pretende adotar a prática esportiva como meio de recreação, treinamento ou lazer.

 

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