Efeito agudo de uma sessão de exercícios resistidos utilizando o método circuito a 80% de 1rm sobre a pressão arterial

Rodrigo Poderoso de Souza1,2

Ana Carolina Gleden Poderoso1

1Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Cascavel, Paraná

2Universidade Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal

 

RESUMO

Atualmente a literatura tem recomendado o uso de exercícios físicos resistidos para o controle da pressão arterial, devido às evidências de que o mesmo tem se mostrado seguro e eficaz ao praticante, sendo uma alternativa importante de tratamento não medicamentoso para indivíduos hipertensos. Em função disso, é necessário investigar o comportamento da pressão arterial perante tais exercícios para garantir a eficiência do mesmo sem oferecer riscos para o praticante. Objetivo: comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício. Metodologia: A amostra do estudo foi constituída por 12 voluntários do sexo masculino normotensos com idade de 24,09±2,43 anos, massa corporal 71,68± 5,18 kg, estatura de 1,73±0,04 cm, IMC de 23,83±1,60 kg/m2 e % gordura de 16,84±2,99. Os voluntários compareceram ao laboratório de musculação durante duas sessões experimentais em dias alternados para: 1 – determinação da carga máxima (1-RM) em seis exercícios (cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina); 2 – uma sessão experimental com a realização de 3 circuitos de exercício resistido em alta intensidade (08 repetições/exercício x 80% 1-RM). As variáveis mensuradas no repouso e imediatamente após a sessão experimental foram a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD). Os dados foram analisados a partir de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05. Resultados: De acordo com os resultados, foi observado que a pressão arterial sistólica imediatamente após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo, não foi observada diferença nos valores de pressão arterial diastólica. Conclusão: Desta maneira, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução. Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante.

Palavras Chaves: Pressão arterial; Treinamento resistido; Exercício físico.

 

ABSTRACT

Currently, the literature has recommended the use of resistance exercise to control blood pressure, due to evidence that it has proved safe and effective practitioner, being an important alternative non-drug treatment for hypertensive patients. As a result, it is necessary to investigate the behavior of blood pressure before such exercises to ensure the efficiency of that without risk to the practitioner. Objective: To compare the behavior of blood pressure after a session of circuit resistance exercise in method, using a load of 80% of one repetition maximum – 1RM with the situation of pre-exercise. Methodology: The study sample consisted of 12 normotensive male volunteers aged 24.09 ± 2.43 years, body mass 71.68 ± 5.18 kg, height 1.73 ± 0.04 cm, BMI of 23.83 ± 1.60 kg/m2 and 16.84% fat ± 2.99. The volunteers attended the laboratory for two experimental sessions weights every other day for: 1 – maximum load (1-RM) in six exercises (leg extension, bench press in the machine, leg press, pull on the machine, leg curl and rowing machine), 2 – an experimental session with the realization of three circuits in high-intensity resistance exercise (08 reps / year x 80% 1-RM). The variables measured at rest and immediately after the experimental session were systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP). Data were analyzed using descriptive statistics with mean values and standard deviation. To compare the blood pressure before and immediately after the measurements, we employed the “t” Student test for dependent samples. All procedures were performed in the software Statistic for Windows 6.0 and the level of significance was p <0.05. Results: According to the results, it was observed that the systolic blood pressure immediately after the exercise session was significantly higher than that at home. However, there was no difference in diastolic blood pressure values. Conclusion: Thus, we conclude that resistance exercise at 80% 1RM method in circuit, causes a significant increase in SBP immediately after their execution. It is suggested to carry out further studies to monitor the recovery period post-exercise in order to check if any blood pressure lowering effect for the practitioner.

Key words: Blood pressure. Resistance training. Physical exercise

 

INTRODUÇÃO

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial (2008), há 600 milhões de hipertensos no mundo, e consta também que a prevalência da mesma no Brasil é grande, pois entre os adultos, de 30% a 35% possuem a doença. Como consequências dessa elevação nos níveis pressóricos, os órgãos-alvos estão expostos a sérios riscos de comprometimento com procedente aumento de risco cardiovascular. Esse aumento na pressão arterial pode ter como causas o sedentarismo, o estresse, hábitos alimentares inadequados e o consumo de álcool e tabaco, que são características advindas do estilo de vida urbanizado e de pós-tecnologia estabelecida (IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2002).

Perante essa realidade, torna-se evidente a necessidade de abordagens intervencionistas na tentativa de se prevenir e tratar a hipertensão arterial (LATERZA et al., 2007).

Para alcançar esses objetivos, tem sido amplamente preconizado por profissionais da saúde, juntamente com o tratamento farmacológico, a adesão de um modo de vida saudável e a prática regular de exercícios físicos, como sendo maneiras eficazes para abrandar os níveis de pressão arterial (PESCATELLO et al., 2004).

Inúmeras pesquisas comprovam os benefícios que são ofertados pelos exercícios físicos, tanto na prevenção quanto no tratamento dessa doença. Pois eles se caracterizam por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, causando várias adaptações fisiológicas que são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular durante o exercício (BRUM et al., 2004).

Atualmente, exercícios físicos resistidos vêm sendo utilizados em programas que promovem, quando supervisionados adequadamente, benefícios significantes e baixos riscos ao praticante, contribuindo para a redução da pressão arterial de repouso (BERMUDES, et al., 2004).

Doenderlin e Farinatti (2003) indicam que um método seguro para conduzir um treinamento é dando elementos adicionais à manipulação de variáveis adjuntas à sua intensidade absoluta e relativa (tipo de exercício, intervalo de recuperação, número de repetições e séries, carga mobilizada e velocidade de execução). Porém alguns estudos têm demonstrado que a intensidade do esforço não influência a resposta hipotensora pós-exercício (FORJAZ et al., 1998) e em contrapartida, outras investigações evidenciaram que a intensidade do exercício pode influenciar a dimensão e duração da resposta pressórica (POLITO et al., 2003).

Conforme os autores, a qualidade física envolvida neste tipo de atividade física é a força muscular que, além de ser necessária no desenvolvimento é, em termos de promoção de saúde, um parâmetro fundamental para a prática de atividades ocupacionais e de lazer, colaborando para a auto suficiência de indivíduos sedentários, idosos, hipertensos e cardiopatas (BERMUDES, et al., 2004).

Para uma discussão mais ampla sobre os efeitos do exercício na pressão arterial, é válido destacar que essa pode ser influenciada não só pelas adaptações decorrentes do treinamento físico crônico (adaptações crônicas), mas também pela influência de uma única sessão de exercício (efeitos subagudos ou pós-exercício). (UMPIERRE; STEIN, 2007)

Em estudo realizado por Cornelissen e Fagard (2005), composto por 12 análises e 341 voluntários, foi demonstrado redução dos valores de pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica para os indivíduos que foram expostos ao treinamento resistido.

O mesmo estudo descreve que não foram observadas diferenças relacionadas às intensidades de exercício, bem como quanto à utilização do treinamento resistido convencional ou em circuito. Sendo que, no treinamento convencional realiza-se todas as séries de determinado exercício antes de iniciar o seguinte e, geralmente, têm-se maiores cargas e tempo de intervalo do que no método de circuito, onde é mais contínuo e com menores tempo de intervalo, visto que a execução é de uma única série em cada estação, passando ao próximo exercício imediatamente, e repetindo o circuito mais vezes se necessário.

Ainda que o treinamento resistido, de forma semelhante ao treinamento aeróbico (WHELTON et al., 2002), cause apenas diminuições mínimas nos níveis da pressão arterial, em termos populacionais essa consequência pode ter impacto em uma menor incidência de doença coronariana e acidente vascular cerebral. (WHELTON et al., 2002)

Desta forma, o presente estudo tem como objetivo comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício.

 

METODOLOGIA

Participaram deste estudo, 12 voluntários normotensos do sexo masculino, com idade de 24,9 ± 2,43 anos, praticantes de exercícios físicos resistidos pelo menos seis meses e que praticassem estas atividades pelo menos três vezes por semana.

Como critérios de exclusão, considerou-se o uso de esteróides anabolizantes e medicamentos que pudessem interferir no comportamento da pressão arterial, bem como a desistência do voluntário a qualquer momento e a ingestão de cafeína, refrigerantes a base de cola, chocolates e fumo no dia do teste.

A coleta de dados foi realizada em três dias, com intervalo mínimo de 48 horas entre cada sessão. No primeiro dia todos os voluntários foram submetidos ao questionário PAR-Q (SHEPARD, 1988) para avaliação da prontidão física, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, e antes da realização do presente estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade Assis Gurgacz (PARECER 187/2008). Foram realizadas ainda as avaliações das variáveis antropométricas e de composição corporal (peso, estatura, e dobras cutâneas), e também um teste de carga máxima nos exercícios envolvidos no estudo.

Objetivando amenizar a possibilidade de ocorrência de erros durante os testes de uma repetição máxima (1RM), foram tomadas as seguintes medidas: As instruções a sobre toda a rotina dos testes foram antecipadamente passadas a todos os componentes da amostra; O voluntário foi instruído sobre a técnica de execução; O avaliador esteve atento em todos os momentos das execuções, com a finalidade de evitar que os avaliados cometessem erros que pudessem comprometer o resultado da coleta de dados; Os testes foram marcados com antecedência e sempre realizados no mesmo horário para cada avaliado.

A massa corporal foi aferida através de uma balança digital de marca Toledo, e a estatura através de um estadiômetro de parede marca Sanny, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon, Chumlea, Roche (1988).

A adiposidade corporal foi determinada por meio da utilização de um adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Industries Inc., Cambridge, Maryland). Foram medidas as espessuras das dobras cutâneas subescapular, abdominal e tricipital de acordo com os procedimentos descritos por Harrison, Bursik, Carter, Johnston, Lohman e Pollock (1988).

O percentual de gordura foi determinado através de um protocolo para três dobras (GUEDES; GUEDES, 2003). Vale ressaltar que o erro de medida será de no máximo ±1,0mm e o coeficiente teste-reteste de > 0,95.

No segundo dia os voluntários participaram da sessão experimental de exercício resistido, sendo 80% da carga máxima no método circuito.

O treinamento resistido foi aplicado com a carga de 80% de 1RM, em três circuitos, e realizado em seis aparelhos: cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina. Nessa mesma ordem, realizaram um total de oito repetições, dois segundos de execução para cada fase (excêntrica e concêntrica), sessenta segundos de recuperação entre cada aparelho e cento e vinte segundos de intervalo entre cada circuito.

Vale ressaltar que considerando o número de exercícios, número de repetições, tempo de execução de cada movimento, tempo de recuperação entre cada exercício, bem como o tempo de recuperação entre cada circuito, o volume da sessão de exercício foi semelhante nas duas situações experimentais.

A mensuração da PA foi realizada através do Método de medida oscilométrica, usando um Monitor Digital Automático de Pressão Arterial, Modelos BP 3BTO-A fabricado pela Microlife sendo verificadas após 05, 10 e 15 minutos de repouso, e imediatamente após a sessão de exercícios resistidos

Todos os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 apresenta as características gerais da amostra, com valores de média e desvio padrão de idade.

Tabela 1: Características gerais da amostra.

Na tabela 2 é apresentado os resultados do teste “t” para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

De acordo com os resultados, foi observado que pressão arterial sistólica após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo não foi observada diferença nos valores da pressão arterial diastólica imediatamente após o exercício.

 

Tabela 2: Teste t para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

PAS: Pressão Arterial Sistólica; Pressão Arterial Diastólica; mmHg: milímetros de mercúrio * p<0,05

 

DISCUSSÃO

O presente estudo comparou a condição pressórica antes e imediatamente após uma sessão de exercício físico resistido no método circuito com 80% de 1RM.

De acordo com os resultados da pesquisa, observou-se que imediatamente após o exercício as médias da pressão arterial sistólica foram significativamente mais elevadas que as médias antecedentes ao exercício. Este resultado é explicado em parte pela ativação de quimiorreceptores por fadiga periférica (CARRINGTON; WHYTE, 2001).

Considerando que a carga de 80% de 1RM pode ser classificada como uma alta intensidade, esses resultados corroboram com a literatura, que indicam que exercícios realizados até a exaustão resultariam em uma resposta mais elevada da pressão arterial imediatamente após o esforço (LENTINI et al., 1993).

Contudo, há de se considerar que os resultados do presente estudo limitam-se a comparar a pressão arterial de repouso e imediatamente após o exercício. A literatura aponta ainda o benefício agudo no controle de pressão arterial em indivíduos normotensos (FORJAZ et al., 1998).

A diminuição nos níveis pressóricos após exercício resistido são comprovados pelos destaques de outros recentes autores, que realizaram estudos em normotensos e hipertensos de diferentes faixas etárias (BROWN et al., 1994; FOCHT; KOLTYN, 2000; MACDONALD et al., 2000; LIZARDO; SIMÕES, 2005; MOTA, 2006).

Entretanto, em um estudo realizado por Fisher (1999), não foi observado hipotensão pós-exercício para a pressão arterial diastólica a partir de exercício resistido realizado a 50% de 1RM em normotensos e hipertensos.

Apesar de não ter sido foco deste estudo, o acompanhamento da pressão arterial após o exercício resistido poderia evidenciar efeito hipotensor.

Portanto, segundo Hara e Floras (1994) a hipotensão pós exercício da pressão arterial diastólica poderia ocorrer pelo fato de estar relacionada à redução da resistência vascular periférica a partir da vasodilatação mantida pós exercício que ocorre, entre outros motivos, pela acentuada produção de metabólitos, e ainda conforme Mota (2006), sessões de exercício resistido proporcionam um maior estresse metabólico pós exercício devido ao maior pico de lactato sanguíneo.

Por outro lado, durante o exercício de força, tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica tendem a se elevar, promovendo um aumento também expressivo na pressão arterial média, mesmo que por um curto período de tempo. (MACDOUGAL et al., 1985 citados por POLITO; FARINATTI 2003).

A American College of Sports Medicine (ACSM) (2000), menciona que, isoladamente a PAS e PAD mostram comportamentos diferenciados durante o exercício. A PAS tende a aumentar em proporção direta à intensidade do exercício em função da elevação do débito cardíaco, o que justifica o resultado do presente estudo.

Porém os resultados obtidos contradizem ao estudo feito por Franklin, Bonzheim et al., (1991), que afirmam ocorrer elevação significativa da PAD.

Corroborando a não ocorrência de alteração significativa da PAD, pode ser devido ao fato de que os voluntários do presente estudo são jovens normotensos, com experiência e prática regular de exercício resistido.

A literatura aponta que a prática regular do treinamento com pesos pode abrandar as respostas agudas para valores absolutos de carga, por outro lado, quando se levam em conta os seus valores relativos, tanto a pressão arterial quanto a frequência cardíaca tendem a não apresentar mudanças ou até a aumentar, principalmente em esforços de solicitação máxima (POLITO E FARINATTI, 2003).

Entre as adaptações crônicas mais importantes decorrentes da prática regular de exercícios de força podem ser citadas a possível redução da freqüência cardíaca (GOLDBERG et al., 1994), e da pressão arterial de repouso (KELLEY; KELLEY, 2000), e também a menos sobrecarga cardíaca durante o exercício, com menor duplo-produto associado (MAIORANA et al., 2000).

Ainda falando das adaptações causadas, Fleck (1999) ressalta que a pressão arterial aumenta proporcionalmente em relação à carga e aumenta em relação à massa muscular envolvida no exercício. Essa resposta parece não ser linear, indicando assim que as respostas circulatórias para o exercício de resistência são em grande parte determinados pela intensidade do esforço, executado para cada pessoa durante a conclusão de número igual de repetições.

Referindo-se a prescrição de exercício de força, o ACSM (2000), sugere para portadores de comprometimento cardiovascular um número de repetições satisfatório entre 10 e 15, de caráter submáximo e com sensação subjetiva de esforço entre 11 e 15 (Escala de Borg), dependendo do estado de treinamento e nível da enfermidade. Já  em se tratando do volume de treinamento, aconselha duas a cinco vezes por semana.

Já para Santarém (2001), a eficácia do treinamento exige pesos relativamente elevados com poucas repetições, desde que não se faça esforço máximo, a pressão arterial aumenta dentro de níveis seguros, o que vem de encontro ao objetivo proposto pelo presente estudo, onde se utilizou uma carga mais elevada, de 80% de 1RM em método circuito. O autor acrescenta ainda, que é errado dizer que pesos leves e maior número de repetições são mais seguros, pois ao ocorrer isometria e apnéia, ao final da série a pressão arterial aumentaria mais do que com maior peso e menos repetições.

Há diversas evidências e estudos que apontam o treinamento contra resistência como benéfico e seguro mesmo para pessoas portadoras de algumas doenças cardíacas, desde que o mesmo seja prescrito com os cuidados necessariamente considerados.

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução.

Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante, bem como se possa aplicar o exercício resistido na prevenção e tratamento não farmacológico da hipertensão arterial.

 

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HYPERTENSIVE RESPONSE TO A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION IN ELDERLY

Romário Fagner Remígio Fausto1, Jennifer Ariely Sales Suassuna1, Daniele Cristina dos Anjos Dantes1, Luan Carlos Nunes de Oliveira1, Eduardo dos Santos Soares Monteiro1, Ana Cristina Oliveira Marques1, Bruno Teixeira Barbosa1,2

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Introdução: A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é considerada um fator de risco para as patologias cardiovasculares, dentre elas a hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença crônica, multifatorial e de maior prevalência em idosos. Objetivo Avaliar a RHE de idosos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional. Metodologia: Doze idosos (62,4 ± 2,4 anos), nove mulheres e três homens foram submetidos a uma sessão de exercício multifuncional dividida em aquecimento (50% da frequência cardíaca máxima (FCreserva), parte principal (60-80% da FCreserva), onde a parte principal contou com 3 ciclos de 12 estações, com descanso de 2 minutos entres os ciclos e estações com duração de 80 segundos cada, sem intervalo entre elas. Foram realizadas medidas da pressão arterial (PA) nas condições de repouso e durante o exercício (3 vezes em 3 diferentes estações). Resultados: Não foi verificado comportamento hipertensivo da pressão arterial em idosos submetidos a uma sessão de exercícios multifuncional. Conclusão: Uma sessão de exercícios multifuncionais de intensidade moderada não provoca RHE em idosos, sendo assim, essa prática pode ser considerada segura e benéfica para essa população.

Palavras-chave: exercício multifuncional; hipertensão; resposta hipertensiva; idoso.

 

INTRODUÇÃO

A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é comumente definida como uma resposta ao exercício da pressão arterial sistólica (PAS) de exercício ≥ 210 mmHg em homens e ≥ 190 mmHg em mulheres (MORROW et al., 1993); tal resposta fisiológica pode atuar como fator preditor de algumas doenças cardiovasculares, como a hipertensão essencial (MIYAI et al., 2002; SHARABI et al., 2001), a doença coronariana (MCHAM et al., 1999), a hipertrofia do ventrículo esquerdo (GOTTDIENER et al., 1990); e até da morte (KJELDSEN et al., 2001).

A RHE é considerada multifatorial, sendo influenciada por mecanismos que incluem o tônus simpático excessivamente alto durante o exercício, a diminuição da distensibilidade aórtica, bem como disfunção endotelial e diastólica (SCHULTZ et al., 2013). Também contribuem para a RHE a resistência periférica total, que não diminui adequadamente para compensar o aumento do débito cardíaco durante o exercício, e a incapacidade da vasodilatação induzida pelo exercício, assim como de forma crônica o aumento da massa do ventrículo(WILSON et al., 1990).

Estudos demostram que, uma vez acionados tais mecanismos, a RHE apresenta poder prognóstico para o desenvolvimento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) (HOLMQVIST et al., 2011; SINGH et al., 1999), considerada a doença crônica não transmissível mais prevalente na população idosa e que constitui o principal fator de risco cardiovascular modificável causador de morbimortalidade no mundo (OSTCHEGA et al., 2007). A HAS tem origem multifatorial, e é causada por fatores genéticos, sedentarismo, obesidade, ingesta excessiva de sódio e álcool (DICKSON; SIGMUND, 2006; HACKAM et al., 2010; MALACHIAS et al., 2016; WHELTON et al., 2002).

Não é de nosso conhecimento a existência de estudos que tenham avaliado a RHE a uma sessão aguda de exercício multifuncional na população idosa. Deste modo, o objetivo do presente estudo é o de avaliar a RHE de idosos normotensos e hipertensos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Delineamento do Estudo

O presente estudo trata-se de um estudo quase-experimental com amostra definida de forma não probabilística, sendo composta por sujeitos idade entre 60 e 80 anos, de ambos gêneros, recrutados através da mídia e ação em campo nas áreas públicas de lazer na cidade de João Pessoa/PB. Participaram do estudo sujeitos hipertensos até o grau II (MALACHIAS et al., 2016), eutróficos e obesos (18,5 ≤ IMC ≤ 39,9 kg/m²) e aqueles considerados ativos de acordo com o Questionário Internacional de Atividade Física, previamente validado e adaptado para população idosa (BERTOLDO BENEDETTI et al., 2007; MAZO; BENEDETTI, 2010). Não foram incluídos tabagistas e portadores de qualquer doença pulmonar obstrutiva crônica; além de sujeitos que fizessem uso de medicação betabloqueadora ou bloqueadora de canal de cálcio ou acometidos por doenças osteomioarticulares que impossibilitem a prática de atividade física. Para participar das atividades da pesquisa, o voluntário apresentou atestado médico liberando-o para a prática de exercício físico.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CEP) do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) sob nº de registro CAAE: 55901316.1.0000.5176, e atendeu as normas de pesquisa com seres humanos da resolução 466/12 do conselho nacional de saúde (CNS). Os voluntários da pesquisa foram esclarecidos e assinaram ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).

Sessão aguda – Exercício multifuncional

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (MALACHIAS et al., 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (NELSON et al., 2007). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA e a FC.

Depois disso o exercício multifuncional foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada após 10 minutos, e em seguida a cada 5 minutos. A sessão experimental foi realizada da seguinte forma: a atividade foi iniciada com um aquecimento leve (<50% da FCreserva) em torno de 5 minutos com uma corrida leve. Ativação do core com estabilização ventral, dorsal e lateral; Alongamentos dinâmicos: Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco; Rotação de braços e ativação neuromuscular com agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais; Corrida estacionária.

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 ciclos de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre os ciclos, divididas na seguinte sequência: Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; Agachamento Frontal com medicine ball; Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); Flexão de tronco corda; Stiff unipodal;  Deslocamento com mudança de direção (8 cones); Rotação de tronco com elástico; Puxada na fita de suspensão; Deslocamento unipodal em quadrado; Arremesso para baixo com slam ball; Flexão de cotovelo; Deslocamento em T (cones). Com duração de 80 segundos cada estação e intervalo de 30 segundos de descanso entre elas. A verificação da PA foi realizada em 3 estações de cada ciclo, imediatamente após a execução do referido exercício. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático. Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC.

Medidas de Pressão Arterial

Após a chegada ao local da coleta dos dados, os voluntários foram solicitados a permanecer sentados durante 10 minutos, e, em seguida, foi realizada uma medida da pressão arterial (PA). Três novas medidas foram obtidas durante a realização dos exercícios ao longo da sessão A PA foi aferida de acordo com as normas da VII Diretriz Brasileira De Hipertensão Arterial (MALACHIAS et al., 2016) para medidas clinicas da PA. Foi utilizado um esfigmomanômetro aneroide da marca Missouri Mikatos 102-NYL com precisão de dois milímetros de mercúrio previamente calibrado contra um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio para mensuração da PA.

Medidas de Frequência Cardíaca

A intensidade da sessão de exercício funcional foi monitorada pela instrumentação de um monitor de frequência cardíaca (Atrio®, ES055) nos voluntários. Para garantir a permanência do participante na zona da frequência cardíaca, a FCreserva foi monitorada em intervalos de 05 minutos durante o exercício.

 

RESULTADOS

Os sujeitos, em sua maioria do gênero feminino, foram pareados quanto a idade e IMC (p > 0,05). Ambos os grupos iniciaram a sessão de exercício funcional sem diferenças estatisticamente significantes entre as variáveis hemodinâmicas (p > 0,05) garantindo que as respostas encontradas não se devem a condições pré-exercício diferentes (tabela 1).

Tabela 1. Resposta da pressão arterial ao exercício funcional.

PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; PAM, pressão arterial média.

DISCUSSÃO

O principal achado deste estudo sugere que o exercício multifuncional de intensidade moderada não promove resposta hipertensiva em idosos, o que nos permite considerar esse tipo de exercício físico uma prática segura para a população idosa. Outros estudos também se dedicaram a avaliar a resposta hipertensiva aos mais diversos protocolos de exercício físico (MATTHEWS et al., 1998; SINGH et al., 1999; TAKAMURA et al., 2008; WILSON et al., 1990).

Wilson et al. (1990) avaliaram a RHE em cicloergômetro em diferentes intensidades de 35 homens divididos em dois grupos:  alto risco (n = 20) e baixo risco (n = 15) de desenvolver hipertensão arterial, e verificaram que 7 sujeitos do grupo de alto risco apresentaram uma RHE. Um deles apresentou RHE com baixa intensidade e outros 6 com intensidade moderada; além disso, foram percebidos valores de frequência cardíaca maiores no grupo com a resposta exagerada de pressão arterial, devido à baixa capacidade de vasodilatação induzida pelo exercício indicando que o grupo que teve a RHE detectada tem mais risco de se tornarem hipertensos.

Por sua vez, Matthews et. al. (1998) analisaram a RHE de 352 homens normotensos submetidos a uma sessão de exercício em esteira, a fim de investigar a associação entre a resposta da PA ao exercício e o prognóstico de hipertensão. Em seus resultados identificaram que os sujeitos do grupo de caso (identificados por um relatório afirmativo de hipertensão diagnosticado por um médico) estão 2,4 vezes mais propensos a apresentarem resposta exagerada da PA do que o grupo controle, de modo que concluíram que esta resposta exagerada da PA está associada ao risco de hipertensão.

Também, Singh et al. (1999), realizaram um estudo para analisar a RHE de 1026 homens e 1284 mulheres normotensos, através de um teste de esteira com vários estágios de acordo com o protocolo de Bruce. Os resultados mostraram que aproximadamente 80% dos indivíduos atingiram a zona alvo da FC, e que a médias das aferições da PA em todas as fases do teste (repouso, exercício e recuperação) foram significantemente maiores nos homens do que nas mulheres. O estudo também mostrou que a RHE apresenta relação com a probabilidade de desenvolver hipertensão arterial. Os resultados obtidos, em relação a resposta hipertensiva a uma sessão de treinamento multifuncional em idosos, não mostrou significância estatística nas variáveis fisiológicas dos indivíduos.

Takamura et al. (2008), estudaram a RHE após um teste de esteira de 6 minutos usando o protocolo de Bruce. Os indivíduos (n = 129) foram divididos em três grupos: sem RHE e sem HA (grupo controle, n = 30), sem RHE e sem HA (grupo RHE, n = 25) e com RHE e HA (grupo HTN, n = 74). No estudo foi observado que a PA aumentou nos grupos RHE e HTN, em comparação com o grupo controle. Concluíram que independente da HA, os indivíduos com uma RHE tiveram comprometimento das funções fisiológicas, se tornando relativamente perigoso a prática de exercício nessas condições.

 

CONCLUSÃO

Tendo em vista tais dados nesses tipos de teste, uma sessão de exercícios multifuncionais, além de melhorar as capacidades físicas para o dia a dia do idoso, mostrou melhores resultados e com menor risco ao indivíduo praticante. Levando em consideração que a população idosa está mais propensa ao desenvolvimento da hipertensão devido a fatores relacionados, principalmente, a idade o exercício multifuncional de intensidade moderada mostrou-se como uma opção de exercício físico segura no tocante a resposta exagerada da PA.

 

REFERÊNCIAS

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