SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO COM PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ATUANTES EM ACADEMIA

SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO COM PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ATUANTES EM ACADEMIA

PROFESSIONAL EXHAUSTION SYNDROME: A STUDY WITH PROFESSIONALS OF PHYSICAL EDUCATION ACTING IN ACADEMY

 

Jozias Fortunato[1]

Marciano Parisoto[2]

Rodrigo Poderoso de Souza³

Ana Carolina Gleden Poderoso³

 

1- Hórus Faculdades. Pinhalzinho-Santa Catarina. Brasil;

2- Horus Faculdades, Pinhalzinho-Santa Catarina. Brasil;

3- Unopar, Cascavel-Paraná. Brasil;

 

RESUMO

Na atualidade estamos notando uma crescente expansão de novas doenças e síndromes se manifestando no ser humano e em especial em quem trabalha com o público. Desta forma o professor e nesse o caso o profissional de educação física é uma das profissões que é acometida com estas síndromes e doenças. Objetivo o presente estudo tem por objetivo verificar se os profissionais de educação física de uma academia da cidade de Palmas PR apresentam sídrome de burnout e em qual grau está essa síndrome. Métodos o presente pesquisa caracteriza-se como um estudo survey e utilizou-se como instrumento de coleta dos dados um questionário de avaliação da Burnout adaptado de Chafic Jbeili (2017), aplicado com 21 professores de educação física atuantes em academia, Resultado este questionário trás um resultado quantitativo a respeito das respostas assinaladas. Justifica-se este estudo pelo fato de que em nossa região não se tem estudos nesta área com profissionais de educação física e desta forma podermos saber como anda a saúde psicológica de alguns de nossos profissionais. Conclusão concluiu que existe um grande percentual de profissionais em fase inicial da burnout e isso deve ser visto com muita atenção para os empresários que usufruem dos serviços destes profissionais.

Palavras – Chave: Burnout. Educação Física. Saúde. Academia.

 

 

 

Abstract

At present we are noticing a growing expansion of new diseases and syndromes manifesting themselves in the human being and especially in those who work with the public. In this way the teacher and in this case the physical education professional is one of the professions that is affected with these syndromes and diseases. Therefore, the present study aims to verify if the physical education professionals of an academy in the city of Palmas PR present burnout syndrome and to what degree this syndrome is present. The present research is characterized as a survey study and a questionnaire for evaluation of Burnout adapted from Chafic Jbeili (2017), applied with 21 physical education teachers working in the academy, was used as a data collection instrument, this questionnaire brings a result Quantitative information on the responses indicated. This study is justified by the fact that in our region there are no studies in this area with physical education professionals and in this way we can know how the psychological health of some of our professionals is. In this way, he concluded that there are a large percentage of professionals in the initial phase of burnout and this should be viewed with great attention to entrepreneurs who enjoy the services of these professionals.

Keywords: Burnout. Physical Education. Health. Academy.

 

 INTRODUÇÃO

          Durante o passar dos anos, as pessoas estão cada vez mais ocupadas em busca de um bom estudo, trabalho, dinheiro, família, etc. esquecendo muitas vezes de aspectos essenciais como a saúde, e não somente a saúde física, mas a psicológica e social. Notavelmente estamos nos deparando com pessoas estressadas, sem paciência e doentes. Pessoas que não tem tempo nem para admirar a paisagem de um dia ensolarado.

Com o avanço desenfreado da tecnologia, notamos que os novos empregos estão impondo sobrecargas cada vez menores ao corpo em contra partida o quesito psicológico está mais saturado levando as pessoas às patologias mentais capazes de prejudicar o dia a dia e a qualidade de vida do indivíduo. (SILVA et al., 2016).

Estes fatos nos remetem a pensar como distúrbios psicológicos podem interferir negativamente no rendimento do trabalho de um indivíduo. Desta maneira, hoje surgem vários estudos a respeito da síndrome de burnout como fator negativo para variadas funções, mais especificamente para profissionais que trabalham com um número maior de pessoas e por um longo período de tempo. (VIEIRA et al., 2014).

Desta maneira o presente estudo tem por objetivo verificar o nível da síndrome de esgotamento profissional ou de burnout em profissionais de educação física de uma academia da cidade de Palmas sudoeste do Paraná. O estudo justifica-se pelo fato de que com esses dados poderemos informar aos avaliados como anda a sobrecarga imposta pelo trabalho, investigar a possível causa e desta forma sugerir estratégias para que os mesmo não venham a desenvolver essa patologia e desta forma melhorar sua função no trabalho.

          A definição mais aceita sobre essa síndrome é a de (Maslach & Jackson, 1981 apud Carlotto e Polazzo, 2006), onde salienta que burnout é uma reação de tensão emocional crônica em indivíduos que trabalham com o público. Este interfere negativamente no desempenho dos profissionais.

Desta forma pessoas que desenvolvem essa síndrome, apresentam algumas características em comum que são: processo de desgosto falta de interesse pelo aluno, falta de interesse em estudar e vontade de abandonara a profissão. Além disso, as respostas frente aos desafios do trabalho podem não ser supridas e desta forma esse problema pode atingir os colegas num efeito dominó e por consequência o serviço prestado não terá a mesma qualidade quanto deveria. (PIRES; MONTEIRO; ALENCAR, 2012).

Ainda temos outras definições da síndrome e apontamentos sobre a mesmo onde se manifesta em profissões que lidam de forma intensa e constante com dificuldades alheias. A síndrome se efetiva em diversos estágios, primeiro ela é percebida pelos colegas de trabalho, segundo ela é percebida pelos seus clientes e por fim é percebida por si mesma quando já está em busca de profissional da área da psicologia para tratar do caso. (JBEILI, 2011).

Alguns estudos apontam para a observação de alguns pontos que podem indicar um início da burnout que é o desanimo, desmotivação, faltas frequentes, apresentação de atestados frequentes, afastamentos temporários até aposentadorias por invalidez. (MOREIRA et al., 2009).

Ainda não se pode negligenciar o conceito importante de síndrome que é definida como um conjunto de sinais e sintomas de ordem física e psicológica, mas que muitas vezes pode ser a junção de ambas, que por sua vez será psicofísica. Já burnout é um termo inglês derivado da junção de duas palavras Burn = “queimar” Out = “fora ou exterior” em tradução literal significa consumir-se de dentro para fora. (SILVA et al., 2016).

Muitas vezes, confundem-se os sintomas e sinais da síndrome de burnout com estresse e depressão, mas, esses indícios não necessariamente caracterizam a burnout. Esta síndrome só se se caracteriza em seus estágios mais avançados apresentando manifestações próprias. Hoje essa síndrome é dividida em quatro estágios que facilita o entendimento desta doença. (GUEDES; GASPAR, 2016).

Segundo alguns estudos o primeiro estágio da síndrome de burnout tem como característica falta de vontade de trabalhar, ausência de ânimo para realizar atividades laborais bem como algumas dores pelo corpo sem explicação. (FARIAS et al., 2011; PALMA, 2014).

O segundo estágio, é quando as interações com colegas de trabalho ficam comprometida e perde-se a qualidade, surgem pensamentos negativos a respeito dos colegas fazendo com que queiram mudar de profissões, o indivíduo começa a faltar ao trabalho e os atestados médicos são mais frequentes e começa a se isolar no trabalho. (FARIAS et al., 2011; PALMA, 2014; GUEDES; GASPAR, 2016).

No terceiro estágio e um dos mais comprometedores para o sujeito fica com as habilidades para o trabalho comprometidas, falhas no trabalho existem com frequência, perda de memória e atenção dispersa, algumas doenças são notadas e automedicação, consumo de bebidas e drogas como forma de amenizar o problema, perde a sua personalidade e ficam indiferentes as relações do trabalho. (CARLOTTO, 2002; HARTWIG, 2012; PALMA, 2014; GUEDES; GASPAR, 2016).

Quarto e último estágio infelizmente se caracterizam pelo uso de drogas lícitas e ilícitas em excesso, pensamentos negativos tendenciosos a automutilação e até mesmo suicídio e por fim demissão ou afastamento indeterminado do trabalho.

Ao longo da história da humanidade os professores tiveram muito prestígio mais ainda em alguns países como o Japão onde a única pessoa venerada pelo imperador é o professor. Mas parece que isso mudou e mudou muito nota-se então que o professor acumulou funções ao longo do tempo que vão além de seus ensinamentos técnicos e científicos eles se tornaram “ médicos, psicólogos, psicoterapeutas, advogados, pais, mães, líder religioso em fim um monte de coisas” e isso fez com que as atividades laborais se tornassem cada vez mais difíceis. A carga imposta psicologicamente e socialmente no trabalho fizeram com que esses profissionais ficassem susceptíveis a síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout. (CARLOTTO, 2002; CARLOTTO; PALAZZO, 2006; MOREIRA et al., 2009).

Algumas condições que o próprio trabalho na Educação Física impõe ao profissional estão levando o mesmo a se submeter a condições desfavoráveis à saúde como, por exemplo: um salário inadequado, horas trabalhado, pressão dos patrões, especificidades do trabalho e desvios ou acumulo de funções, são ações que promovem a síndrome de burnout. (HARTWIG, 2011).

Segundo Pereira et al. (2007) analisando uma amostra de 6 profissionais de Educação Física em academias da cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, constatou que a maioria desses instrutores não possuía contrato de trabalho, bem como trabalham mais de 10 horas diárias. Palma (2003) em seu estudo afirma que quase 30% de uma amostra de profissionais de academias da cidade do Rio de Janeiro, indicam que o excesso de trabalho está diretamente relacionado com a ausência de hábitos de vida saudáveis como a prática de atividade física.

O fato de esses profissionais não ter tempo para se exercitar contribui significativamente para o desenvolvimento da síndrome de burnout em profissionais de educação física. (PALMA, 2014; VIEIRA et al., 2014).

Desta forma, levando em consideração que a síndrome de burnout é mais comum em profissionais que atuam com o público e estes estão expostos a vários agentes estressores os profissionais de educação física que atuam em academias são profissionais que tem um potencial enorme para desenvolvimento dessa síndrome. (VIEIRA et al., 2014; MACHADO; BOECHAT; SANTOS, 2015).

 

 MATERIAIS E MÉTODOS

          A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo Survey onde, o termo inglês destina-se a pesquisas que possuem uma abordagem quantitativa que visa apresentar as opiniões dos avaliados através de questionários e entrevistas. (BABBIE, 1999). Realizada no mês de abril de 2017.

A forma de seleção da amostra constituiu-se de forma intencional. O estudo contou com uma amostra de 21 profissionais de Educação Física formados. Todos, funcionários em uma academia denominada Performance Academia localizada na cidade de Palmas Paraná, atuantes nas áreas de musculação, natação e dança. Foi apresentada a intenção de realização da pesquisa e os mesmos permitiram. Para avalia-los quanto à síndrome utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário preliminar de identificação da Burnout Elaborado e adaptado por Chafic Jbeili, inspirado no Maslach Burnout Inventory (MBI), aonde a forma de mensuração das respostas é quantitativa.

O participante teria que marcar as respostas que continham uma pontuação da seguinte maneira: (1) Nunca, (2) Anualmente, (3) Mensalmente, (4) Semanalmente, (5) Diariamente. Ao final somavam-se os pontos e lhes classificava de acordo com o questionário. Este mencionado questionário classifica os avaliados em: 0 a 20 pontos – Nenhum Indício de Burnout (NI), 21 a 40 pontos – Possibilidade de Desenvolvimento da Burnout (PD), 41 a 60 pontos – Fase Inicial da Bournout (FI), 61 a 80 pontos – Burnout Instalada (BI), 81 a 100 pontos – Fase Considerável da Burnout (FC).

 

 RESULTADOS

Após a aplicação dos questionários, analisamos os dados a seguir. A tabela 1 descreve a amostra deste estudo, onde 21 professores de Educação Física, todos avaliados no ano de 2017. Destes 13 (62%) do gênero masculino (M) e 8 (38%) gênero feminino (F).

No gráfico 1 abaixo, observa-se os resultados do trabalho aplicado com os professores atuantes em academia, participante do estudo. Deste modo, fica explícito o que ocorreu com os níveis da síndrome de burnout de acordo com a classificação do questionário submetido aos mesmos.

Diante dos dados apresentados acima, nota-se que de todos os avaliados apresentam algum sintoma que predispõe a síndrome de burnout. Sendo assim, podemos notar os seguintes dados: cerca de 19% dos avaliados encontra-se em estado de possibilidade de desenvolvimento da síndrome (PD), em contra partida este estudo pode trazer um dado muito importante, em que cerca de 67% da amostra encontra-se em fase inicial da burnout (FI), este dados servem de alerta para os profissionais que trabalham nesta empresa, bem como aos patrões ficarem em alerta em relação a esses dados. Notou-se também que existe um percentual de 9% da amostra que se encontra com burnout instalada (BI) e 5% em fase considerável da síndrome (FC). Desta maneira podemos dizer que ao somar todas as manifestações, temos 81% da amostra com muita predisposição para desenvolver esta chamada síndrome de burnout. Desta forma, com esses dados os proprietários do estabelecimento, podem estudar uma estratégia para diminuir essa incidência em seus funcionários ou até mesmo tentar prevenir esses escores com medidas preventivas.

Devido à escassez de trabalhos sobre a síndrome de burnout em profissionais de educação física atuantes em academias, serão confrontados alguns dados de pesquisas relacionadas à prevalência da síndrome de burnout em profissionais de educação física somente. Em um estudo de Valério, Amorin e Moser (2009) onde avaliaram a síndrome de burnout em 649 professores de educação física verificaram que 66,7% destes apresentam algum indício de burnout.

Estes dados são similares aos encontrados no presente estudo. Ainda, estudo de Silva et al. (2016) com 80 professores de educação física demonstra que cerca de 77,5% da amostra apresenta algum indício da síndrome de burnout também. E mais este trabalho apresenta dados similares aos encontrados nesta pesquisa. Também em estudo de Pires, Monteiro e Alencar (2012) com 40 professores de educação física, constatou-se que cerca de 57,3% destes apresentam no questionário propensão ao desenvolvimento da síndrome.

Estudo de Sinott et al., (2014) demonstra que dos seus 94 professores avaliados existe um percentual de 77,2% destes com algum indício segundo o questionário para desenvolvimento da síndrome de burnout. E por fim em um estudo de Guedes e Gaspar (2016) com cerca de 588 sujeitos da região metropolitana de Londrina PR, demonstra que 85,3% apresentam alguma consideração para o desenvolvimento da síndrome e que se assemelha também aos dados desta pesquisa.

Importante salientar aqui, que os dados desta pesquisa apresentam em número geral o percentual de professores que predisposição para síndrome e não com a síndrome instalada no indivíduo. Desta maneira, os dados desta pesquisa são em relação aos professores que apresentam pelo menos um indicio através do questionário para desenvolverem a síndrome.

 

 CONCLUSÃO

Através desta pesquisa pudemos compreender um pouco mais sobre a síndrome de burnout e sobre sintomas, sinais, estágios entre outros aspectos que afetam a vida do profissional de educação física.

Desta maneira pode-se constatar através da pesquisa que existe um grande percentual de professores em fase inicial para desenvolvimento da síndrome de burnout em profissionais de educação física da academia analisa. Fazendo com que os proprietários temem uma atenção muito especial para esse publico que é bem significativo, levando em déficit o rendimento do trabalho.

Dados de pesquisas em outras regiões apontam que são poucos os profissionais acometidos da síndrome, mas que um alarmante número apresenta tendência para desenvolver a síndrome ao responder o questionário das respectivas pesquisas.

Sendo assim, a presente pesquisa sugere mais pesquisas a respeito do tema, uma vez que são escassos trabalhos nesta hora em nossa região e para os proprietários a sugestão fica em periodicamente conversar com seus profissionais para tentar sanar os problemas acumulados dos trabalhos. Pois, notou-se que as maiores fontes de predisposição a síndrome são carga horário elevada de trabalho, falta de incentivo e remuneração baixa.

 

REFERÊNCIAS

BABBIE, E. Método de pesquisa de survey. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Edições UFMG, 1999.

BOTH, J, et al. Bem estar do trabalhador docente em educação física ao longo da carreira. Journal of Physical Education, 24.2: 233-246, 2013.

CARLOTTO, M. S; PALAZZO, L. S. Síndrome de burnout e fatores associados: Um estudo epidemiológico com professores [Factors associated with burnout’s syndrome: An epidemiological study of teachers]. Caderno Saúde Pública, 22: 1017-1026, 2006.

CARLOTTO, M. S. A síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia em estudo, 7.1: 21-29, 2002.

FARIAS, G. O, et al. Crenças e expectativas constituídas ao longo da carreira docente em Educação Física. Revista educação física. 22.4: 497-509. 2011.

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GUEDES, D; GASPAR, E. “Burnout” em uma amostra de profissionais de Educação Física brasileiros. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 30.4: 999-1010. 2016.

HARTWIG, T W. Condições de trabalho e saúde de profissionais de Educação Física atuantes em academias da cidade de Pelotas. Master’s Thesis. Universidade Federal de Pelotas. 2012.

MACHADO, V. R; BOECHAT, I. T; SANTOS, M. F. R. SÍNDROME DE BURNOUT: uma reflexão sobre a saúde mental do educador. Revista Transformar, 7: 257-272. 2015.

Maslach, C. Jackson, S.E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behavior.; 2:99-113. 1981.

MOREIRA, H. R, et al. Qualidade de vida no trabalho e síndrome de burnout em professores de educação física do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista brasileira atividade física e Saúde, 14.2. 2009.

OLIVEIRA, H. C, et al. SAÚDE MENTAL X SÍNDROME DE BURNOUT: REFLEXÕES TEÓRICAS. RAUnP- ISSN 1984-4204, 6.2: 53-66. 2014.

PALMA, A. Vida de professores de educação física que atuam em academias de ginástica: comportamento de risco ou vulnerabilidade?. In: II Conferência do imaginário e das representações sociais em educação física, esporte e lazer, 2003, Rio de Janeiro. Anais da II Conferência do Imaginário e das Representações Sociais em Educação Física, Esporte e Lazer. Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, 2003. p. 21-29.

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PEREIRA, A.E.S.; NOBRE, G.C.; FERREIRA, M.N.S.; SOUSA, M.S.C. O contingente profissional de educação física e a demanda de praticantes na modalidade de musculação nas academias de ginástica de Juazeiro do Norte-CE. II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica João Pessoa – PB – 2007.

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SINOTT, E. C, et al. Síndrome de Burnout: Um estudo com professores de Educação Física. Revista Movimento, 20.2: 519. 2014.

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VIEIRA, M. K, et al. A síndrome do esgotamento profissional em professores de educação física que atuam nas academias de ginástica e musculação. BIOMOTRIZ, 2014.

RISCO CARDIOVASCULAR E AUTOGERENCIAMENTO DOS CUIDADOS EM HOMENS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2

Mayara Karla dos Santos Nunes1

Rayner Anderson Ferreira do Nascimento1

Alexandre Sérgio Silva2

Isabella Wanderley Queiroga Evangelista3

João Modesto Filho4

Cecília Neta Alves Pegado Gomes5

Caroline Soares Ribeiro6

Mariana Nunes de Bulhões Souza6

Camila Maria Cordeiro Dias6

Anderson Barbosa Gomes6

Thaynara Amaral Leite6

Antônio Raphael Lima de Farias Cavalcanti Silva6

Beatriz Azevedo Lopes7

Ericka Holmes Amorim8

Gerson da Siva Ribeiro9

Wilma Dias de Fontes Pereira9

Darlene Camati Pershun10

 

1Mestre em Biologia Celular e Molecular, Departamento de Biologia Molecular, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

2Departamento de Educação Física, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

3Chefe do Centro de Referência de Oftalmologia, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

4Departamento de Medicina Interna, Centro de Ciências Médicas, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

5Ambulatório de Nefrologia, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

6Discentes de Farmácia, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

7Discente de Biotecnologia, Centro de Biotecnologia, Universidade Federal da Paraíba.

8Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

9Departamento de Enfermagem Clínica, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

10Departamento de Biologia Molecular, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

 

Resumo

A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica e progressiva e está entre as dez doenças que mais matam no mundo, gerando uma preocupação alarmante quanto à saúde pública mundial. Causa diversos danos aos órgãos levando às complicações micro e macro vascular, deixando o diabético duas ou três vezes mais vulnerável às doenças cardiovasculares (DCV) do que uma pessoa comum. Objetivo deste estudo foi analisar o risco cardiovascular utilizando o Escore de Frammingham e o nível de conhecimento dos homens diabéticos para o autogerenciamento. Foram avaliados 61 homens, acima de 40 anos, com DM2, quanto às variáveis sociodemográficas, clínicas, bioquímicas, nível de conhecimento pelo Diabetes Knowledge Scale (DKN-A) e o risco cardiovascular pelo Escore de Frammingham. Foram significativos, nos homens com alto risco para DCV, o colesterol total (p=0.0195), a microalbuminúria (p=0.0102, 0.0248) e a α-1 glicoproteína ácida (p=0.0157). Quanto ao conhecimento, a maioria (59,6%) apresentou baixo conhecimento em relação à diabetes. Concluiu-se que os participantes da pesquisa possuem conhecimento insatisfatório com relação ao autogerenciamento da diabetes e isso implica em uma maior vulnerabilidade às complicações diabéticas e consequentemente maiores riscos para desenvolver DCV.

Palavras-chaves: diabetes mellitus tipo 2; conhecimento; risco cardiovascular; saúde do homem.

INTRODUÇÃO

A diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica, progressiva e, apesar de ser uma doença em que na maioria dos casos se pode prevenir, dados da World Health Organization (WHO) revelam que a prevalência dos casos de diabetes no mundo duplicou entre os anos de 1980 e 2014. Ela está entre as dez doenças que mais matam no mundo, com cerca de 1,5 milhões de mortes ao ano (WHO, 2016).

Tais números geram uma preocupação alarmante quanto à saúde pública mundial, visto que, de acordo com estimativas da Federação Internacional de Diabetes (IDF) no ano de 2040 cerca de 642 milhões de pessoas terão a doença, ou seja, um a cada dez adultos no mundo (IDF, 2015). Este crescimento está relacionado com aumento concomitante do sedentarismo e da obesidade, com o crescimento e envelhecimento populacional, além de uma maior sobrevida de indivíduos com diabetes (MILECH et al., 2016).

A forma mais frequente da doença é a diabetes tipo 2 (DM2) que representa 90-95% de todos os casos de diabetes mellitus e é decorrente da falta e/ou da incapacidade da insulina de funcionar adequadamente (GIACOMINI et al., 2013). Estudo sugere que a patogênese da DM2 inclui componentes genéticos, fatores ambientais e estilo de vida (HALDAR et al., 2015). Sedentarismo, má alimentação, sobrepeso e obesidade, idade avançada, histórico familiar de diabetes, histórico de diabetes gestacional e tabagismo são fatores de risco para diabetes tipo 2 (WHO, 2016).

Os danos causados em diversos órgãos do corpo pelo diabetes podem trazer sérios problemas para a saúde do indivíduo diabético, como complicações cardiovasculares, neuropatia, retinopatia e nefropatia (WHO, 2016).

Atualmente, sabe-se que mais importante do que identificar um indivíduo como portador de diabetes ou qualquer outra doença não transmissível é identificar o risco de doenças cardiovasculares, pois as doenças cardiovasculares aparecem entre as primeiras causas de morte (PETTERLE, POLANCZYK, 2011; PAULA et al., 2013).

O diabético tem cerca de duas ou três vezes mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares (DCV). Além disso, as DCV são responsáveis por causar cerca de 60% da mortalidade da população diabética. Os indivíduos que possuem tanto DM quanto DCV possuem maior risco de morte por doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, trombose e insuficiência cardíaca congestiva e maiores chances de apresentarem complicações em caso de tratamento cirúrgico (WHO, 2016; HALDAR et al., 2015).

O risco de morte por doenças cardiovasculares em diabéticos é significativamente maior se a pessoa for fumante ou fumante passivo, visto que as substâncias inaladas do cigarro causam sérios danos no revestimento endotelial da parede dos vasos sanguíneos, diminuem os níveis de HDL aumentando assim os níveis de colesterol sanguíneo, além disso, a ação da nicotina no organismo promove aumento do ritmo cardíaco e o aumento da pressão arterial (BARNOYA; GLANTZ, 2005).

É de suma importância levar em consideração como os aspectos de saúde se caracterizam para cada faixa etária e também, não menos importante, as diferenças entre a saúde da mulher e do homem. As principais causas de morte entre os homens são: causas externas, doenças do aparelho circulatório, neoplasias (tumores), doenças do aparelho digestivo, doenças do aparelho respiratório (BRASIL, 2009). Nesse contexto as doenças cardiovasculares enquadram-se, também, no segundo lugar; pois se encontram entre as principais do sistema circulatório. Tornando-se uma preocupação para as autoridades na saúde.

Para avaliar a probabilidade de qualquer indivíduo desenvolver uma doença coronariana, utiliza-se um instrumento baseada nos resultados do Framingham Heart Study, segundo o escore de Framingham. Dentre os fatores necessários para obter tal estatística estão à faixa etária, sexo, valores de pressão arterial sistólica, valores da razão entre o colesterol total e a fração HDL, presença de tabagismo e diagnóstico de diabetes. Através desse prático método é possível estabelecer o risco de infarto do miocárdio e angina do peito em dez anos (MACKAY; MENSAH, 2004).

Como mencionado, a DM2 se encontra como um dos importantes fatores de risco para as DCV e seu autogerenciamento pelo usuário assume um papel importante no autocuidado desta morbidade. Assim, um importante instrumento de pesquisa para pessoas com diabetes é o Diabetes Mellitus Knowledge (DKN-A). Determina o nível conhecimento de pessoas com DM sobre a doença. É importante para conferir relação de conhecimento com a escolaridade, com a participação em grupos de informação sobre a doença e serve também, para averiguar o resultado das informações lançadas em ações educativas (LOTUFO, 2008).

Portanto, para o autogerenciamento dos cuidados na DM2 é de suma importância que os indivíduos tenham conhecimento sobre a doença, seu tratamento, sobre as complicações diabéticas e outras doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, pois têm potencial risco de desenvolverem.

Esse estudo teve por objetivo analisar o nível de conhecimento para o autocuidado da diabetes, os riscos cardiovasculares segundo o escore de Framingham e correlacionar com variáveis clínicas, bioquímicas, marcadores inflamatórios e do estresse oxidativo. Desse modo, esse estudo é inovador do ponto de vista da análise do gerenciamento do autocuidado pelo controle dos parâmetros metabólicos do paciente diabético frente ao risco de complicação advindas da diabetes, principalmente as de cunho cardiovascular.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Aspectos éticos

O projeto original foi submetido à análise do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley tendo sido aprovado sob parecer 1.335.108. A pesquisa foi conduzida em cumprimento com a resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece normas para pesquisa com seres humanos, sendo resguardados o anonimato e a privacidade dos pesquisados.

Participaram do estudo 61 homens, com idade superior a 40 anos, atendidos no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016, nos serviços de Endocrinologia, Oftalmologia e Nefrologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba (HULW/UFPB) com diagnóstico entre 5 a 10 anos de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e apresentando ou não complicações diabéticas como, retinopatia e/ou nefropatia.

Os homens que aceitaram participar e assinaram o TCLE foram coletadas amostras de urina 24 horas e de sangue periférico para as análises, respectivamente, de proteinúria e bioquímicas.

Para as determinações bioquímicas foi usada a técnica de imunoturbidimetria em analisador automatizado (LabMax 240, Labtest, Lagoa Santa, MG, Brasil) utilizando kit padronizado e seguindo as orientações recomendadas pelo fabricante (Labtest, Lagoa Santa, MG, Brasil). Os marcadores do estresse oxidativo, malondialdeído (MDA) e capacidade antioxidante total (CAT), foram determinados por técnicas já estabelecidas na literatura (OHKAWA; OHISHI; YAGI, 1979; BRAND-WILLIAMS; CUVELIER; BERSET, 1995).

Foi aplicado um questionário para a coleta das variáveis clínicas e sociodemograficas e foi utilizado o instrumento Diabetes Knowledge Scale (DKN-A) validado no Brasil para verificar o conhecimento. Para avaliar a probabilidade de qualquer indivíduo desenvolver uma doença coronariana, utilizou-se o escore de Framingham.

Análise estatística

Foram utilizadas tabelas de frequências para as variáveis categóricas e estatística descritiva (média, desvio-padrão) para as variáveis continuas. Foi utilizado o programa GraphPad. Instat, versão 3.0 para a análise estatística inferencial das variáveis numéricas usando o teste t de Student e quando necessário, usou-se o teste de Mann Whitney. O α considerado foi de 0,05. Para todos os testes foi utilizado como nível de significância o p<0,05. O Teste Exato de Fisher foi usado sempre que necessário.

RESULTADOS

Os dados revelam uma amostra de 61 homens com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, com idade mínima 40 anos e máxima 78 anos. Com relação à situação conjugal 50 (81,9%) declararam serem casados ou terem união estável; 28 (45,9%) afirmaram ter apenas o ensino fundamental completo ou incompleto, 34 (55,7%) são ativos e possuem alguma ocupação (trabalho, atividade voluntário ou outros), quanto a renda familiar 22 (36%) sobrevivem com 1 ou 2 salários mínimos e 25 (41%) declarou ser da cor branca. Apenas 4 (6,5%) homens, do total da amostra, afirmaram terem participado ou participarem de grupos de educação em saúde. Quanto à procura pelos serviços de saúde 27 (44,2%) responderam que procuram em menos 3 meses, 15 (24,5%) procuram uma ou duas vezes ao ano e 14 (22,9%) procuram quando há necessidade.

Na busca de averiguar os indicadores para as DCV, foram analisadas características clínicas, bioquímicas e antropométricas como mostra a tabela 1.

Tabela 1: Características clínicas, bioquímicas e antropométricas da amostra estudada.

De acordo com o escore de Framingham observou-se predomínio do alto risco para doenças cardiovascular nos sujeitos estudados, perfazendo 37.7% do total da amostra (Tabela 2).

Tabela 2: Classificação de risco global para doenças cardiovasculares em 10 anos, segundo o escore de Framingham Revisado para Homens.

Quanto à presença de complicações diabéticas, obteve-se que 8 (13,1%) dos homens têm apenas retinopatia, 18 (29,5%) têm apenas nefropatia, 35 (57,3%) têm as uma das complicações ou as duas concomitantemente e 26 (42,6%) não apresentaram complicações por diabetes mellitus tipo 2.

Na comparação das frequências entre presença e ausência de complicação diabética (retinopatia e nefropatia) com relação ao risco cardiovascular (baixo/moderado e alto) houve diferença significativa (p=0.0158) entre os grupos e observou-se que 37.7% dos homens sem complicação têm baixo ou moderado risco para doenças cardiovasculares (Tabela 3).

Tabela 3: Escore de Framingham segundo presença e ausência de complicações diabéticas.

O colesterol total (p=0.0195) e a microalbuminúria (p=0.0102) foram estatisticamente significativos nos grupos que apresentaram alto risco para DCV; enquanto que, no grupo de homens que não apresentaram nenhuma complicação diabética (retinopatia e nefropatia), mas alto risco para DCV a microalbuminúria e a α-1 glicoproteína ácida (AGP) foram significativos (respectivamente p= 0.0248; 0.0157) conforme a tabela 4.

Tabela 4: Comparação dos parâmetros bioquímicos, marcadores inflamatórios, estresse oxidativo e variáveis antropométricas, segundo o Escore de Framingham, para o risco global de doenças cardiovasculares.

Em relação ao conhecimento dos usuários sobre diabetes, avaliado pelo DKN-A, 52 homens responderam ao questionário, nenhum participante obteve escore máximo (15 pontos) e os escores mínimo e máximo foram, respectivamente, 2 e 11 pontos. Constatou-se que 31 (59,7%) sujeitos tiveram pontuação inferior a oito, ou seja, tinham conhecimento insatisfatório sobre diabetes.

Na tabela 5, a seguir, verifica-se que os escores obtidos no questionário DKN-A, foram menores que oito em 31 sujeitos (59,6%), indicando baixo conhecimento e compreensão da doença pela maioria deles.

Tabela 5: Distribuição do escore total de conhecimento DKN-A dos homens com DM2 entrevistados em Hospital de Referência de João Pessoa.

As questões de maior relevância associadas ao autogerenciamento do cuidado da diabetes, como taxa normal da glicemia, complicações diabéticas e substituições alimentares obtiveram-se pontuação, respectivamente, 22 (42,3%), 27 (51,9%) e 1 (1,9%) de acertos.

Dentre os principais fatores de riscos para doenças cardiovasculares verificou-se que a hipertensão e a dislipidemia foram os predominantes ultrapassando 70% (43) do número de homens participantes. O sedentarismo estava presente em 50% (32) e a obesidade em 37.7% (23) da população estudada. Estas variáveis tiveram as maiores frequências no grupo de homens com nível baixo de conhecimento (Tabela 6).

Tabela 6: Distribuição do escore de conhecimento, segundo os fatores de risco para doenças cardiovasculares.

DISCUSSÃO

Nesse estudo constatou-se que o LDL e o triglicerídeo foram os parâmetros mais alterados, este fato eleva o risco de doenças cardiovasculares e pode frequentemente estar associado a reduções no colesterol HDL (XAVIER et al., 2013).

Segundo o Escore de Framingham Revisado para Homens houve elevada prevalência para alto risco de doenças cardiovasculares na maioria dos indivíduos e foi relacionado com colesterol total e a microalbuminúria. A microalbuminúria tem sido referida como critério para detecção do estágio inicial da nefropatia diabética, que é uma das microcomplicações da DM, e se não tratada pode evoluir para doença renal crônica (DRC) (BIARNÉSA et al., 2005).

A DRC é considerada condição muito importante no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, dado que corrobora com a relação que existe entre o grau de disfunção renal e risco cardiovascular (AMORIM, LISBOA, SIQUEIRA, 2013; CESARINO et al., 2013).

Especialmente no grupo de homens que apresentaram alto risco no escore de Framingham, mas que não apresentação complicações diabéticas (retinopatia e nefropatia) houve associação com microalbuminúria e a alfa-1 glicoproteína ácida. Esta proteína é produzida durante a fase aguda da inflamação, é uma das mais abundantes no plasma sanguíneo e varia de acordo com idade e sexo. É sintetizada principalmente pelo fígado, mas aumentam em infarto do miocárdio, diabetes entre outros (PICCIRILLO et al., 2004).

A AGP é mediada pela interleucina1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6) e pelo Fator de Necrose Tumoral-α (TNF-α), e em casos de inflamação crônica de baixo grau, como na DM, apresenta-se elevada. O aumento da inflamação provoca disfunção endotelial, aumentando mais ainda o dano vascular, sendo esta proteína um possível marcador de risco cardíaco (TEXEIRA et al., 2014; VELLOSA et al., 2013).

A relação aqui encontrada de elevado risco para doenças cardiovasculares com microalbuminúria e AGP, pode estar associada à em estado de inflamação mais exacerbado o que pode acarretar maiores problemas de saúde como disfunção endotelial sistêmica e doenças cardiovasculares nesses sujeitos.

Foi identificado baixo nível de conhecimento em relação ao autogerenciamento dos cuidados da diabetes, segundo o instrumento DKN-A. São várias as pesquisas que apontam para um déficit global de conhecimento sobre a diabetes e a maioria dos indivíduos diabéticos com baixo nível de conhecimento apresenta práticas de autocuidado insuficientes e dificuldades de enfrentamento da doença (MORAIS, 2016).

No contexto da abordagem sobre o conhecimento, Azevedo e Santiago (2016), constataram em estudo de conhecimento sobre diabete, que os pacientes que apresentaram duas micro complicações diabéticas tinham um controle maior da DM2 em relação aqueles que não apresentaram complicações diabéticas; no entanto, apresentaram um pior desempenho no questionário de conhecimento, acertando menos de sete perguntas.

Constatou-se baixíssimo escore de conhecimento e isto pode estar associado pequeno percentual de homens participaram de grupos de educação em diabetes (6,5%).

Brito et al. (2016) verificou significativo aumento do conhecimento dos diabéticos, após participação em programa educativo, pois apresentaram discreta redução dos níveis de HbA1c, da glicemia de jejum e da pressão arterial diastólica.

Dentro de grupos de educação em diabetes, os indivíduos são conscientizados da importância da independência quanto às decisões e atitudes a serem tomadas referentes à alimentação para o controle da DM, somado a isso, também, tomam conhecimento da influência dos alimentos no controle glicêmico e na prevenção de complicações. Todas as indicações nos grupos devem ser dadas conforme o conhecimento das características do paciente por parte do educador e devem ser levados em conta idade, sexo, escolaridade e tempo de diagnóstico (MILECH et al., 2016).

Quanto à prática de exercícios físicos, o sedentarismo tende a prevalecer conforme o aumento da idade e entre os que possuem menor renda familiar (ASSUNÇÃO; URSINE, 2008). As médias do IMC e da circunferência abdominal entre os homens que apresentaram conhecimento satisfatório ou insatisfatório ficaram próximas, não sendo significantes; no entanto, nos dois níveis de conhecimento esteve presente a obesidade e a circunferência abdominal maior de 94 cm, sendo estas variáveis consideradas fatores de risco cardiovascular, de acordo com a OMS (ABESO, 2009).

Em comparação às comorbidades para complicações cardiovasculares e o nível de conhecimento segundo o questionário DKN-A, um número relevante de pacientes com hipertensão arterial, dislipidemias e sedentarismos (48%, 42.3% e 32.7%, respectivamente) apresentaram conhecimento insatisfatório da doença. Sabe-se que esses fatores predispõem às micro e macro complicações vasculares e o controle deles pode reduzir o risco de agravos à saúde (IBGE, 2014). Esses indicadores, também, foram observados por Cesarino et al. (2013), em pacientes do gênero masculino com doença renal crônica de e risco para desenvolver doenças cardiovasculares.

A prevalência da dislipidemia em pacientes diabéticos é relacionada a um mau autogerenciamento da DM2, pois a falta de um controle nutricional adequado e o sedentarismo pode levar a hiperlipidemia sem o conhecimento do paciente resultando em várias outras complicações (KO et al., 2013).

Entende-se que para o autogerenciamento da DM2 e a prevenção de suas complicações, bem como de complicações cardiovasculares; é importante que se tenha maior conhecimento em relação à doença e ao tratamento, para que assim os sujeitos desse processo adotem atitudes de cuidado à sua saúde e isto reflita de forma positiva na qualidade de vida dos mesmos (BRITO et al., 2016).

CONCLUSÃO

Concluímos que os homens participantes desta pesquisa possuem baixo conhecimento do autogerenciamento dos cuidados da diabetes e alto risco para desenvolverem doenças cardiovasculares em 10 anos. Isto implica em uma maior vulnerabilidade às complicações diabéticas e consequentemente maiores riscos para desenvolvê-las. Neste contexto, a educação em saúde pode ser considerada o método mais adequado para a promoção da saúde coletiva e se enquadra em uma das estratégias com mais baixo custo. Pois podem capacitar os usuários diabéticos, favorecendo-os para as medidas de autocuidado e, consequentemente, autogerenciamento na saúde minimizando os riscos para as doenças cardiovasculares, como destacam Brito et al (2016).

 

Agradecimentos

            Este trabalho foi apoiado por subsídios da Fundação de Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ, Paraíba, Brasil) Projeto Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq Brasília, Brasil) 057/13, nota 001/2013 FAPESQ/Ministério da Saúde/CPNq de acordo com a aliança SINCOV 774379/2012 FAPESQ/Ministério da Saúde/CNPq no programa PPSUS e recursos do Programa de Apoio ao Graduado – PROAP, regulamento 156/2014.

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Electromyographic Analysis of the Tibialis Anterior and Peroneus Longus Muscles in Pilates Proprioceptive Exercises

Ingrid Quartarolo

Physiotherapist, Acupuncturist, Master in Sports Sciences UTAD-Portugal, founder and Instructor of Contemporary Pilates

Luiz Yassunaga Jr.

Physiotherapist, Acupuncturist, Professor of Contemporary Advanced Pilates, Professor of Acupuncture, Auriculotherapy and Shiatsutherapy.

João António Alves Santinha

Physics Department, FCT-UNL, Lisbon, Portugal.

Ronaldo ECD Gabriel

Department of Sports Sciences, Exercise and Health, Centre for the Research and Technology of Agro-Environmental and Biological Sciences (CITAB), University of Trás-os-Montes and Alto Douro, Vila Real, Portugal.

Eric Shamus

PhD, DPT, Chair and Associate Professor, Department of Rehabilitation Sciences, Florida Gulf Coast University, Florida, USA.

AbstractBackground: Dynamic ankle stability depends on the rapid response capability of the tibialis anterior and peroneus longus for protection and joint stability. In ankle rehabilitation, a delay in the activation time of these muscles may cause functional ankle instability. Hypothesis/Purpose: The purpose of this study was to examine the effect of closed chain Pilates exercises on electromyography activity of the tibialis anterior and peroneus longus muscle activations. Study Design: Randomized study Methods: Ten healthy individuals were examined during dynamic exercises on the Reformer and the proprioception exercises on the Step chair of the Pilates. Results: The tibialis anterior muscle had significantly higher electromyography activity on the Step Chair exercises. The peroneus longus presented significantly higher electromyography activity on the Reformer exercises. Conclusion: The results demonstrated an increase of recruitment of the tibialis anterior and the peroneus longus in closed chain exercises that maybe useful in ankle stability rehabilitation.

Introduction

Dynamic ankle stability depends on the rapid response capability of the tibialis anterior and peroneus longus for protection and joint stability.3 Chronic and functional ankle instability, repetitive sprains, and ligament injuries can cause a sensorimotor and proprioceptive deficit, which results in a motor control changes of the tibialis anterior and peroneus longus.5 A delay in the activation time of the tibialis anterior and peroneus longus muscles may cause functional ankle instability.3 Sensorimotor deficit, proprioception deficit, decreased peroneus longus muscle control and balance are related to the instability of the ankle joint.3,4 The proprioceptive deficit produces a decrease in the reflex of the tibialis anterior and peroneus longus, causing a decrease in balance, change in posture control and decreased functional ankle instability.3

Proprioceptive deficit, muscle fatigue and muscle imbalance compromise the muscle spindle which is the most compromised receptor in the ankle stability.3 The fatigue of the lower limb muscles including the hip, knee, and ankle may affect stability and postural control.1,6

Conceição conducted an electromyographic analysis in patients with chronic ankle sprains and found that electrical activation of the peroneus longus muscle was decreased in a state of chronic ankle instability.19 Weakness of the peroneus longus muscle was suspected as a cause of chronic ankle instability and high incidence of ankle sprains by inversion.19 The high incidence of recurrent inversion ankle sprains is likely the combination of the decreasing ankle proprioception with evertor muscle weakness. 19 In a review of the literature on the EMG activation of the leg muscles in proprioceptive exercises in the ankle rehabilitation, there was a higher activation of the lateral muscles, specially the peroneus longus muscle.20

Cunha and Regina21 studied the EMG activation of the tibialis anterior muscle and peroneus longus during posture maintenance on the balance board with single-leg and bipedal supports. The results showed that the anterior tibialis muscle presented higher activation in exercises with balance board and bipedal support, while the peroneus longus muscle presented higher activation in single- leg support exercises.21 Ferreira et al. found the activation of the tibialis anterior and peroneus muscles was observed on stable and unstable surfaces, and it was also found that both muscles have muscle activation on both types of surfaces.22

The Pilates Method has been an option for the treatment of various pathologies, as it is provides core body control and proprioceptive feedback.11 Cruz-Ferreira et al. reported that Pilates exercises are a good resource for improving dynamic balance and healthy adults.12

Proprioceptive training is essential to improve balance, proprioception and ankle stability, which is used in the treatment of ankle injuries and injury prevention. Exercises that promote better postural control, proprioception and balance training are being used in treatment programs for ankle instability.6-8 Repetition and control are crucial for the development of motor coordination exercises that develop body and mind.8-10

The Pilates method has been used in several rehabilitation programs by developing improvement in balance, proprioception, flexibility and motor coordination.14,15 The most used equipment in the Pilates method is the Reformer by incorporating various adjustments and resistors as well as enabling the plyometric exercises.16

The objective of this study was to perform electromyographic analysis of the tibialis anterior and peroneus longus in proprioceptive exercises on the Step chair and Reformer of the method Pilates to determine if there is an increase in muscle recruitment with these closed chain exercises.

Methods

A convenience sample was used according to the sample size calculation. Ten subjects were required for the analysis of tibialis anterior and peroneus longus activations on the Reformer and Step Chair exercises of the Pilates method.

The inclusion criteria were individuals, between 20 and 45 years old. The exclusion criteria were individuals with lower limb injuries, visual impairment or had any vestibular disorders.

To collect the electromyographic activity, an electromyograph BiosignalsPlux with eight channels,12 bits and 1000Hz frequency made by Plux (http://www.plux.info/, Lisbon, Portugal) was utilized for data collection.

For the tibialis anterior baseline calibration (TA), the subject performed five resisted dorsiflexion contractions. Three moments of this contraction were recorded. For the peroneus longus baseline calibration, the subject performed five resisted dorsiflexion with eversion contractions. Three moments of this test were also recorded.

Electromyographic analysis was performed during the six jumping exercises on the Reformer: two-legged hops, one-legged hops, two-legged hops with support on the proprioceptive disc and with eyes open and closed, and one- legged hops with eyes open and closed with proprioceptive disc.

Imagem1

Figure 1- Exercise in Step Chair

Imagem2

Figure 2- Jumping on the Reformer

For the analysis of exercises on the Step Chair, the exercises were performed from the standing position with a lower limb on the long box and another lower limb on the pedal of the Step Chair, performing the following movements:

1. flexion and extension of the knee on the pedal

2. flexion and extension of the knee on the long box

3. alternating flexion and extension of the limb on the pedal and on the Step Chair as well as the limb on the box.

These exercises were performed with eyes open and closed.

The results of the data were analyzed by descriptive and inferential statistical test. A mixed model ANOVA was used for the inferential analysis. All statistical analysis were performed with the statistical package SPSS version 16.0.

Results

The results were calculated from percentage of average muscle activation with and without the disc. No significant differences were found when performing the same exercise with and without the disc. The following results were obtained: 4.30 for the left anterior tibial with disc and 4.25 without disc (p = 0.942); 4.04 for the right tibialis anterior with disc and 4.26 without disc (p = 0.563); 5.09 for the left peroneus longus with disc and 4.72 without disc (p = 0.577); 5.88 for the right peroneus longus with disc and 5.26 without disc (p = 0.443) (Figure 1).

Captura de Tela 2016-04-30 às 16.40.41

Figure 1: Average muscle activation of the tibialis anterior and peroneus longus with and without proprioceptive disc

As for the exercises performed with eyes open or closed on the Reformer no significant difference was found when performing the same exercise, p = 0.986 for the left tibialis anterior, p = 0.147 for the right tibialis anterior, p = 0.230 for the left peroneus longus and p = 0.548 for the right peroneus longus (Figure 2).

Captura de Tela 2016-04-30 às 16.40.49

Figure 2: Average muscle activation of the tibialis anterior and peroneus longus in exercises with eyes open and closed

Considering that the individuals in the sample were all right-handed, the left tibialis anterior was more activated in the left knee flexion exercise on the box with disc and eyes closed on the chair (6.47), and right single-leg hop on the Reformer (5.70) with p = 0.826; the right tibialis anterior was more activated in the right knee flexion on the box with disc, eyes open on the chair (6.61) and two- legged hop with eyes open on the Reformer (5.02) with p = 0.094. Yet, as for the left peroneus longus, there was a higher activation in the exercise on the chair of knee flexion on the box and right leg resting on the pedal (3.78), and single-leg hop with the left leg, with eyes closed and disc (10.09) with p = 0.03.

Finally, the right peroneus longus had increased activation in the knee flexion exercise on the box with disc and eyes open (5.34), and the two- legged hop (13.04) on the Reformer with p = 0.029 (Figure 3).

Captura de Tela 2016-04-30 às 16.41.01

Figure 3: Average muscle activation of the tibialis anterior and peroneus longus in the average of the step chair and reformer exercises.

Discussion

Similar studies suggest a statistically significant electrical activity of the tibialis anterior and peroneus longus which is higher with eyes closed than with eyes open and on unstable surface, and the activation of muscles on both stable and unstable soil.17 In this study, there was higher electrical activity of the peroneus longus muscle during the movement performed with eyes closed and proprioceptive disc on the single-leg hop on the Reformer. The afferent information provided to the balance and posture controls comes from three types of systems: the visual, vestibular and somatosensory. Thus, the exercises were chosen with the lack of vision in order to increase the afferent information from somatosensory receptors and optimize the efferent responses.

The jump exercises performed on the Reformer such as two-legged and single-leg hops, with or without proprioceptive disc, and with eyes open and closed are important for proprioceptive training as they are plyometric exercises. Plyometric exercises increase eccentric-concentric cycle of skeletal muscle, causing its mechanical, elastic and reflex potentiation, being able to promote stimulation of body proprioceptors, influencing the myotatic reflex, Golgi tendon organ reflex and neuromuscular spindle. Plyometrics improve neural efficiency, increase control and neuromuscular coordination as well as joint proprioception. Therefore, plyometric training not only increases joint proprioception and kinesthesia but also restores the functional stability; so, it is a suitable training for athletes’ performance, treatment, injury prevention and strength gains.18

The current study showed that tibialis anterior muscle presented higher EMG activity in exercises on the chair without the proprioceptive disc and with eyes open; and in exercises on the Reformer performed in single- leg hop of the right lower limb, the left contralateral tibialis anterior was the most active. It is believed that the largest number of mechanoreceptors (the Paccini corpuscles, Ruffini and Golgi tendon organ) lie in the ankle ligaments and are responsible for proprioception and joint stability. The exercises performed on unstable surface and on multiple planes of motion bring rapid changes in the ligaments of the ankle, which causes afferent reflex and motor responses and encourages agonist and antagonist co-contraction to produce a rapid joint stability and proprioception increase. Muscle fatigue and chronic ankle instability affect balance and dynamic postural control of the body, creating a proprioceptive deficit and joint damage, respectively.23

Conclusion

It is concluded that the peroneus longus muscle showed higher electromyographic activity and higher statistical significance in the exercises with the balance disc and eyes closed on the Reformer. The tibialis anterior muscle showed higher electromyographic activity and higher statistical significance in exercises performed without disc and with eyes open in the Step Chair. Muscle activation of the tibialis anterior and peroneus longus are important for the stability and proprioception of the ankle. The two exercises maybe useful in exercise protocols for motor control training and rehabilitation for ankle rehabilitation.

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