A NATAÇÃO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA

A NATAÇÃO COMO PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA

DANIELLA MORAES[1]
RODRIGO PODEROSO DE SOUZA[2]
ANA CAROLINA GLEDEN PODEROSO³

 

1Licenciatura Unopar Universidade Norte do Paraná/Cascavel-Paraná.

2Professor do Curso de Educação Física da Unopar Universidade Norte do Paraná/ Cascavel-Paraná.

3Bacharel em Educação Física pela Faculdade Assis Gurgazs.

 

 

RESUMO

Diante a apresentação deste estudo, vamos esclarecer alguns aspectos relacionados aos ensinamentos da natação. Onde a ênfase é explicar o que é Lúdico e a importância da aplicação da ludicidade durante o processo de ensino-aprendizagem, também é importante lembrar qual a melhor postura que um professor de natação devera exercer diante as fases de ensinamento da natação, pois o trabalho exige um conhecimento muito grande do profissional, já que as crianças passam por varias fases de desenvolvimento limitando assim o seu potencial em determinadas ações. O Estudo também vai ressaltar os benefícios que a pratica da natação ira trazer as crianças quando estas praticam as aulas, aonde os objetivos são apresentar os benefícios da natação para a prevenção e manutenção da saúde e qualidade de vida, os programas para a prática de exercícios e, ainda, os riscos decorrentes do sedentarismo. Ensinar técnicas de adaptação ao meio líquido, como equilíbrio, respiração, flutuação e propulsão na tentativa de subsidiar o contato com os nados e associar a natação com a ludicidade, tornando as aulas mais dinâmicas e divertidas.

Palavras-chave: Natação; Qualidade de vida; Benefícios; Ludicidade;

 

ABSTRACT

In the presentation of this study, we will clarify some aspects related to the teachings of swimming. Where the emphasis is on explaining what is playful and the importance of applying playfulness during the teaching-learning process, it is also important to remember the best posture that a swimming teacher should play in the teaching phases of swimming, since work requires a very great knowledge of the professional, since the children go through several stages of development thus limiting their potential in certain actions. The study will also highlight the benefits that swimming practice will bring the children when they practice the classes, where the objectives are to present the benefits of swimming for prevention and maintenance of health and quality of life, programs for the practice of exercises and also the risks arising from the sedentary lifestyle. To teach techniques of adaptation to the liquid environment, such as balance, breathing, fluctuation and propulsion in an attempt to subsidize contact with swimmers and associate swimming with playfulness, making classes more dynamic and fun.

Key-words: Swimming; Quality of life; Benefits; Ludicidade.

 

Introdução

A natação é um dos esportes mais completos que existe, pois, além de trabalhar todos os músculos do corpo auxiliando também na saúde, proporciona bem estar e eleva a auto – estima de quem a pratica e o melhor: é para todas as idades.

A sensação de leveza e liberdade provocada pela prática regular do esporte melhora e alivia o stress, proporcionando um momento para relaxar e esquecer-se dos problemas diários. Assim, é impossível não se sentir disposto depois de uma boa aula de natação. Por este motivo, o esporte é indicado para pessoas hiperativas (principalmente crianças), ansiosas, com problemas respiratórios ou que buscam desenvolver melhor seu corpo, provando mais uma vez seus inúmeros benefícios.

Quando a criança não tem o contato com a água desde cedo e inicia a natação ela tem alguns receios, tais como: insegurança, medo e pode apresentar também alguma ansiedade, o medo se torna tão grande da água, gerando um dos maiores problemas que até alguns adultos enfrentam hoje em dia. O problema de pesquisa que foi abordado durante este projeto é como a Natação poderá promover a qualidade de vida e quais benefícios que o hábito de nadar pode nos proporcionar?

O objetivo deste trabalho é apresentar os benefícios da natação para a prevenção e manutenção da saúde e qualidade de vida, os programas para a prática de exercícios e, ainda, os riscos decorrentes do sedentarismo. Ensinar técnicas de adaptação ao meio líquido, como equilíbrio, respiração, flutuação e propulsão na tentativa de subsidiar o contato com os nados e associar a natação com a ludicidade, tornando as aulas mais dinâmicas e divertidas.

Como metodologia utilizou-se uma revisão de literatura servindo como instrumento livros, artigos e monografias, também foram utilizados como instrumento de pesquisa sites da internet como SCIELO. O material selecionado visa apresentar a realidade atual da prática da natação e a contribuição da pratica desta atividade

Natação

A natação é uma aprendizagem tão antiga quanto o homem, pois o mesmo aprendeu a nadar por instinto de sobrevivência, seja para se alimentar ou para fugir, sendo ela adaptativa necessitando de algum tempo para se processar. Apesar de o homem ter estado durante nove meses em meio líquido, ao nascer passou para o meio terrestre, o transformando.

Como a densidade da água é maior do que a do ar, a motricidade aquática rege-se por reorganizações posturais (flutuabiliadade) e locomotora (propulsiva), determinando que em contato com a agua o corpo tem de respeitar alguns princípios como: o de Arquimedes, as leis de Newton e outros princípios hidrodinâmicos, sem a adaptação ao meio liquido isso se torna inviável, pelas propriedades físicas da água serem diferentes da aérea.

Dessa forma, a pedagogia para ensino da natação deve considerar as mudanças físicas e mecânicas, utilizando estratégias para que o aluno experimente tais mudanças utilizando-as para se relacionar melhor com a água, estando o mesmo em repouso ou em movimento.

Com isso, o aluno deve focar sua atenção na resposta da água aos seus movimentos ao invés de dirigir sua atenção ao simples ato de nadar, ou seja, as consequências do movimento devem ser enfatizadas pelo professor, trabalhando os conceitos de eficiência, menor resistência ao avanço, entre outros.

É preciso possibilitar a aquisição de uma grande bagagem de experiência motora, contribuindo para o armazenamento e enriquecimento de um acervo de possibilidades de resposta, o que permiti desenvolver uma grande variedade de condutas motoras.

Deve-se compreender que, mais do que educar pelo esporte para desenvolvimento de novos valores, é necessário também educar para o esporte, fazendo com que os alunos descubram o prazer de apreciar as manifestações esportivas ou outras maneiras de se praticar e/ou assistir o esporte. Para que se forme um cidadão, deve-se fazer mais do que apenas capacitá-lo com técnicas, mais do que reproduzir o esporte, deve-se transformá-lo permitindo que sejam reconfigurados no futuro.

Pensando pedagogicamente no ensino do esporte, acredita-se que se deve ensinar dentro de um contexto, proporcionando a aquisição de condutas motoras, o entendimento do esporte como fator cultural, estimulando sentimento de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, assim como valores éticos, sociais e morais, para que o educando seja um agente transformador de seu tempo, preocupado com a cidadania que lhe permitirá viver de forma mais consciente. Pois só assim, pode-se assumir uma posição autônoma e critica diante do fenômeno esportivo.

Reforçando esta opinião Kunz (1994) afirma que devemos defender o ensino crítico, pois é a partir dele que os alunos compreendem a estrutura dos processos institucionalizados da sociedade e que forma falsos interesses e desejos. A educação física deve promover condições para romper estruturas, fazendo com que o ensino cause a emancipação do aluno. O esporte possui regras que o rege e limita e na natação restringe possibilidades de variações na forma de execução dos nados, nas saídas, viradas e chegadas, o que justifica a visão do senso comum sobre o nadar e a natação, visão esta que deve ser ampliada, por não serem todos os alunos que tem o objetivo de competirem, mesmo a competição sendo o objetivo, antes do mesmo entrar em contato com as técnicas do nado, deve-se estabelecer uma relação de integração com o meio líquido, interagindo e ampliando sua bagagem, devendo conhecer seu corpo e a resposta do meio a ele durante a execução dos mais variados gestos.

Vários autores defendem a concepção de nadar mais ampla do que simplesmente a execução do gesto técnico, como veremos a seguir:

Perez (1986:110) conceitua a “natação como o ato e/ou efeito de nadar”; e “nadar como uma sucessão de movimentos realizados pelo indivíduo que lhe permitirá deslocar-se ou manter-se sobre ou sob o meio liquido, apoiando-se exclusivamente neste”. Perez (opcit)

Escobar e Burkhardt (1985:10) conceituam a “habilidade de nadar como manter-se sobre a água e ir por ela sem tocar o fundo”.

Catteau e Garoff (1990), disse que saber nadar “é ter resolvido, qualitativamente e quantitativamente, em qualquer eventualidade, o triplo problema que se coloca permanentemente: melhor equilíbrio, melhor respiração, melhor propulsão no elemento liquido”. (p.61) De forma que para o autor “toda prática de atividade humana na água e na superfície, que exclui uma subordinação permanente à utilização de acessórios ou de artifícios para atingir uma autonomia sempre maior face ao meio e que se exprime por um desempenho”. (p.65).

Navarro (1978) afirma que “dominar o meio aquático tem uma extensão maior que o simples saber nadar”, discutindo uma visão mais ampla do nadar e da natação.

Fernandes e Lobo da Costa conceitua a natação como “um conjunto de habilidades motoras que proporcionam um deslocamento autônomo, independente, seguro e prazeroso no meio liquido, sendo a oportunidade de vivenciar experiências corporais e de perceber que a água, pode ser uma superfície de apoio, um espaço para emoções, aprendizados e relacionamentos consigo, com o outro e com a natureza”. Dessa forma, torna-se evidente que para todos os autores supracitados, nadar não significa apenas a execução do gesto técnico da natação, para eles, nadar é mais global e espontâneo, envolve ambientação ao meio liquido. Na história da natação os métodos divergiam muito, o ensino sofreu, contudo, ações de várias correntes e o suporte da pedagogia da natação foram as correntes global, analítica e a sintética ou moderna.

A corrente global foi a primeira, nesta a intervenção do professor estava ausente ou era muito discreta e não tinha qualquer organização da aprendizagem nem preocupação com métodos, com o conhecimento sendo adquirido quase que por instinto, os defensores desta corrente defendiam que aprender a nadar se resumia em resolver uma secessão de problemas ligados ao instinto de sobrevivência. Com o passar do tempo percebeu-se que além de lento, ele praticamente culminava numa única modalidade de nado alternado o qual agora denominamos como nado crawl. Um ponto positivo nesta corrente é a importância do trabalho na água, a atitude participava do aluno e a valorização do mesmo.

A corrente analítica é o oposto da global, esta representa a tentativa de racionalizar a aprendizagem, partindo da definição que para nadar é preciso executar movimentos que façam progredir na água. Promoveu estudos dos movimentos natatórios, procurando analise e compreensão das partes, chegando a um entendimento total do movimento seguindo uma execução lógica. A determinação na redução da natação a simples imitação de gestos técnicos foi tão exagerada a ponto de não ser um absurdo a execução e o treinamento dos movimentos fora da água, acentuando a mecanização dos movimentos, os quais eram largamente executados em quartéis, ginásios e escolas e que na maioria das vezes gerava dificuldade quando aplicados na água.

Apesar de propor uma metodologia que defende a progressão de dificuldade e a presença de exercícios educativos comandadas por professores ativos, não dava oportunidade para os alunos resolverem os problemas, prejudicando sua capacidade para isto, restringindo também a participação efetiva dos alunos no processo de ensino. Esta concepção foi muito aceita nos meios militares influenciando fortemente, além do ensino da natação a Educação Física no Brasil.

A corrente moderna foi uma reação contra a fragmentação e o mecanismo da corrente analítica, se mostrando mais avançada e apoiando aspectos psicológicos de Gestalt, partindo de um todo para as partes. Essa corrente diferenciou a natação dos nados em si, determinando superfícies, formas e profundidades apropriadas as ações pedagógicas, buscando sempre satisfazer as necessidades dos alunos, inovando também ao adotar elementos comuns entre todas as formas de nado como base do aprendizado: unidades de equilíbrio, de respiração e propulsão. A partir daí o professor foi levado a perceber as imperfeiçoes do seu sistema de ensino, havendo uma evolução da teoria e da prática através da experimentação. Conforme Machado (1978) afirma das metodologias aplicadas na natação, a maior parte dos estudos ocorreram com base em concepção militar em detrimento da Educação Física geral, consistia basicamente na execução de gestos em etapas para serem assimilados, compreendidos e fixados. Nos dias atuais, várias correntes orientam o ensino da natação, segundo Fernandes e Lobo da Costa (2006), devido à falta de bases teóricas consistentes e de uma pedagogia para a natação, muitos professores adotaram métodos próprios.

Neira (2003) afirma que, mesmo sem um consenso entre as correntes, não se pode perder de vista os princípios que elas deveriam estar de acordo, como: o fato de que a aprendizagem depende de características individuais, o conhecimento que cada indivíduo traz, que é resultado de sua experiência de vida, o modo como cada um aprende e o ritmo que varia segundo sua capacidade, a motivação e o interesse individual.

A natação nas primeiras literaturas era como manuais descreviam a técnica dos nados e a fragmentavam para uma melhor visualização e compreensão do todo, uma metodologia objetivada a execução perfeita do gesto técnico, o que ainda hoje se manifesta onde o ensino dos quatro estilos de nados são priorizados, uma metodologia tradicional, onde o ensino das técnicas ocorre de forma sistemática e fragmentada, utilizando de exercícios educativos e/ou corretivos em uma sequência pedagógica, as quais devem ser repetidas exaustivamente até a perfeição do gesto técnico.

A pedagogia tradicional busca ainda, exageradamente a perfeição técnica, fazendo desta o fim do aprendizado, fragmentando o ensino, caminhando as técnicas analíticas para o esporte formal, ocasionando uma supervalorização das técnicas levando ao surgimento de ações mecânicas ou pouco criativas e comportamento estereotipado, acarretando sérios problemas na compreensão do esporte, ou seja, uma leitura deficiente e soluções de problemas pobres para o mesmo.

Souza (2004) afirma que é o princípio do esporte que deve regular a necessidade do surgimento da técnica e não o inverso, partindo de um processo de ensino com complexidade crescente decompondo-se o mesmo em unidades funcionais e não em fragmentos técnicos, viabilizando a técnica dentro das exigências do esporte, aprendendo não só o gesto técnico, mas principalmente como usá-lo.

Devemos ter em mente que ensinar não é uma intervenção simples de transmissão de conhecimento ou imitação de gestos, Souza (2004) acrescenta que o aluno não deve ser apenas um receptor passivo, acrítico, inocente e indefeso, ensinar deve ser um processo de ensino-aprendizagem que leve em conta o aluno, seu contexto, seus vários ambientes relacionáveis, o que cria possibilidades para a construção desse conhecimento, inserindo e fazendo interagir o que já sabe com o novo, ampliando assim sua bagagem cultural.

 

BENEFÍCIOS DA NATAÇÃO

Segundo Mansolo (1986) a natação é fonte de grandes números de benefícios, tais como:

Desenvolvimento cardiocirculatório e respiratório;Correção e manutenção da postura e prevenção de desvios da coluna vertebral; Aumento do volume sanguíneo e muscular do organismo; Maior desenvolvimento motor geral (coordenação e ritmo); Estimulação endócrina dos processos digestivos e metabólicos; Terapia para portadores de bronquite asmática (através do fortalecimento da musculatura responsável pela expiração); Recuperação e reabilitação de deficientes físicos e pós-operatórios; Alívio das tensões e profilaxia da fadiga mental e física; Condicionamento físico, autoconfiança e preservação da vida humana no meio líquido (autopreservação e salvamento); (MANSOLO, 1986, p.2).

De acordo com Ramaldes (1987), a natação é a atividade física mais completa que existe, por trabalhar a harmonia, a flexibilidade, a potência, o ritmo e a coordenação. Praticada regularmente, desenvolve mecanismos fisiológicos, como a capacidade pulmonar, o sistema cardiovascular permite o desenvolvimento da coordenação e equilíbrio.

A socialização e perspectiva de perder os medos também é um dos benefícios a serem enfrentadas, as dificuldades que alguns possuem na água, tornando – à cada vez mais simples de realizar.

 

 Mas existem outros benefícios da natação que você pode nunca deve ter imaginado. De acordo com: Corrêa e Massaud, 2004:

Coração: Os movimentos corporais de braços, pernas e tronco, associados ao trabalho respiratório na água, fortalecem a musculatura cardíaca, eliminando a gordura existente ao redor do coração, tornando esse órgão vital mais forte e diminuindo a incidência de doenças cardiovasculares, já que ocorre um aumento na capacidade de bombear sangue pelo corpo, estimulando também a circulação sanguínea, devido a pressão da água.

Respiração: Por ser praticada em um ambiente úmido, a natação pode ajudar a reduzir e prevenir os sintomas de asma. Também é responsável por fortalecer os músculos torácicos, aumentando a elasticidade e o volume dos pulmões devido a prática de exercícios de respiração e ampliando a capacidade de absorver oxigênio.

Articulações: A prática da natação é livre de impacto por ser praticada na água e permite que as articulações acompanhem o crescimento dos músculos, já que músculos maiores e mais fortes exigem tendões e ligamentos bem lubrificados, resistentes e agéis.Dessa forma ocorre o alívio de dores resultantes de artrose e fibromialgia, pois o esporte mantêm as articulações soltas e flexíveis

Auto – estima: Nadar libera sensação de independência, segurança e liberdade, resultando em um conjunto de relaxantes mentais.Investigadores da Universidade da Carolina do Sul seguiram 40.547 homens e mulheres, com idades dos 20 aos 90 anos, durante 32 anos e descobriram que aqueles que nadavam tinham uma taxa de mortalidade inferior em 50% em relação a corredores, praticantes de caminhada e sedentários.

Anti-stress: Para conciliar respiração e movimentos corporais, é necessário um grande nível de concentração. Um momento em que sua mente esta livre, pensando apenas no seu corpo, distanciando dos problemas do dia-a-dia. Esse processo também libera hormônios do bem-estar: as endorfinas, gerando sensações agradáveis e relaxantes. O som da respiração aliado ao som da água, age como um mantra em nosso subconsciente.

Redução do risco de diabetes: Para diminuir os índices de diabetes, nada melhor do que os exercícios aeróbios. Um treino intenso de natação, pode queimar até 700kcal, reduzindo aproximadamente 10% o risco de contrair diabetes do tipo 2.

Melhora do colesterol: Por ser uma atividade altamente aeróbia, cabe a natação conseguir balancear os níveis de colesterol no organismo, aumentando o nível do HDL, o colesterol bom! Além disso também consegue manter as nossas artérias saudáveis e renovadas.

Controle do peso: A natação é um dos melhores métodos de queima de calorias, manutenção e controle do peso. A queima de calorias depende da frequência e intensidade do treino.

Melhora da força e tônus musculares: Pelo fato da água ser 12  vezes mais densa do que o ar e o nadador ter que se propulsionar na água, ocorre um trabalho de resistência, que é o princípio básico da tonificação muscular e incremento de força.

Super alongamento: Para nadar, o único equipamento que precisamos é nosso próprio corpo. Em cada braçada, ao estendermos o braço estamos promovendo um alongamento completo do corpo: desde a ponta do dedo da mão até à ponta do dedo do pé.

ADAPTAÇÃO AO MEIO LIQUIDO

A água pode representar muitas coisas, depende de como ela é interpretada, benefício a saúde, medo, desafio ou até mesmo um obstáculo a ser vencido. Para as crianças na maioria veem a água como algo fascinante, através de piscinas, rios, ondas e cachoeiras.

Sugere-se que no início do processo de aprendizagem, aprofunde-se na conquista da autonomia no meio líquido, relacionada, principalmente, ao controle respiratório e ao equilíbrio no meio líquido, andar na água, saltitar, emburrar arcos, flutuar com espaguetes são alguns exemplos de princípios básicos par auxiliarem na adaptação ao meio liquido, lembrando que cada criança tem o seu tempo de avanço e deve ser respeitado conforme sua capacidade de evolução.

Nunca se deve forçar o bebê a fazer alguma coisa a qual ele não esteja preparado e nem a fim de fazer. Ramaldes (1997) mostra que é importante que a criança tenha confiança no professor; e que o professor passe confiança pela compreensão das causas do medo da criança. Ex.: tamanho da piscina, medo de água, lugar desconhecido.

No período de adaptação, a criança normalmente apresenta sintomas de insegurança, ansiedade, medo ou desinteresse. Sendo necessário o professor estar sempre perto da criança para transmitir segurança.

A adaptação ao meio é o conteúdo mais importante da atividade aquática, quando o aluno terá seu primeiro contato com o meio liquido assim, requer muita habilidade por parte do professor, no sentido de atender às necessidades individuais de seus alunos, relacionado aos conteúdos e aos objetivos da natação; merecendo destaque os aspectos psicológicos, de segurança e sobre o desenvolvimento global da criança, facilitando seu aprendizado e aprimorando a coordenação motora geral.

De acordo com Ramaldes (1997) a natação é a atividade física mais completa que existe; é a harmonia, a flexibilidade, a potência, o ritmo, a coordenação, em resumo, o grupo de movimentos.

Deve-se instigar o aluno a aprender o esporte por meio de uma pedagogia desafiante, possibilitando a busca pelo superar-se, trazendo como consequência para sua vida. Na literatura é consenso que para aprender a nadar será necessário dominar três constantes: equilíbrio, respiração e propulsão, as quais também são evidenciadas na definição citada anteriormente por Catteau e Garoff (1990).

O constante equilíbrio compreende desde a entrada no meio liquido parcial e/ou total, seu equilíbrio nas diferentes posições com ou sem movimento e nas mudanças de posições com ou sem apoio nas diferentes profundidades.

Na etapa respiração é priorizada a consciência do movimento ativo e passivo da respiração, já que na água ao contrário da terra a expiração acontece pelo nariz (evitando a expiração da água) e a expiração pela boca sendo que quando ocorre dificuldade para expirar esta pode ocorrer pela boca, além disso, o assopro e bloqueio, a imersão e abertura dos olhos, assim como a associação da respiração com ações propulsivas também são trabalhados.

A propulsão é uma etapa que exige do aluno um grau de equilíbrio e consciência respiratória para que esta possa ser bem desenvolvida. Propulsão é o ato de dar impulso, produzir deslocamento que pode ser de um simples deslize até movimentação de braços e/ou pernas nas diferentes posições. Os três componentes básicos não podem ser isolados por interagirem todo o tempo e devem ser trabalhados simultaneamente.

Natação e a Ludicidade

O ensino do esporte deve permitir ao iniciante a obtenção de uma diversificada cultura esportiva, uma das formas de se conseguir isso é ensinar o esporte através de jogos, tendo cuidado no propor atividades que sejam compatíveis ao nível de habilidade dos alunos, e assim, mediante aos desafios, eles devem ser levados a obtenção de sucesso durante todo o processo de aprendizagem, fazendo com que se sintam competentes.

A aula lúdica quando bem planejada, tem caráter educativo, e que pode ser demonstrado na qualidade do aprendizado, no decorrer do tempo aprimorando e melhorando as aulas como o desenvolvimento de cada aluno.

As aulas devem ser dinâmicas e divertidas, sempre inovando e ampliando os horizontes das crianças,

O ensino para a criança iniciante deve exigir muito cuidado para não traumatizar a criança, por isso e necessário sempre utilizar o lúdico a e as brincadeiras, tornando a aula mais leve e descontraída.

 A importância, enfim, da Natação, dentro de uma visão lúdica para crianças de três a seis anos, é ser um espaço de experimentação, para que a criança vivencie situações de qualidades variadas, sensações de alternância de tensão e distensão, prazer e desprazer, acompanhados da necessidade de expressividade motora. Tudo isso vai fazer com que a criança perceba seu próprio corpo, a nível motor e cognitivo. E principalmente afetivo, pois a criança está envolvida corporalmente.” (CORRÊA & MASSAUD, 2004 input Natação na Pré- escola, p. 119)

Os jogos nesta fase da vida da criança têm uma importância essencial no seu desenvolvimento físico e mental. Ao estabelecer brincadeiras à criança constitui também alguns vínculos sociais com seus colegas, ela descobre sua personalidade e prepara para a vida adulta, melhora a socialização e o diálogo.

Os jogos lúdicos aplicados ao ensinamento da natação infantil podem ser baseados basicamente na imaginação, ou jogos onde possam existir regras estabelecidas.

Podemos citar alguns exemplos de jogos utilizados no processo de ensino-aprendizagem da natação infantil na tabela abaixo:

O Passeio no Zoológico: É um jogo onde o objetivo é trabalhar a flutuação com a criança, onde são espalhados diversos brinquedos flutuantes em forma de animais, e a criança deverão imitar os animais que estão flutuando e ficar sobre a superfície da água, com ou sem o auxílio do professore fazer um passeio sobre a piscina ou “Zoológico”;

Brincadeira de Pega-Pega: O objetivo dessa brincadeira é proporcionar a Propulsão de pernas, ele se inicia com as crianças utilizando o auxílio de boias ou espaguetes, o professor então será o pegador e deverá fazer uma contagem de 15 segundos para que as crianças se espalhem dentro da piscina, logo depois ele vai começar a busca pelas crianças e que ser pego será o novo pegador e deverá fazer o mesmo procedimento realizado pelo professor;

Brincadeira do tesouro: O objetivo desta brincadeira é fazer a imersão, ela se inicia com o professor escondendo no fundo da piscina diversos brinquedos, e então as crianças no comando do professor deverão fazer a imersão e procurar os brinquedos escondidos e entregarem para o professor.

Vale ressaltar que são apenas ideias e podem e devem ser modificadas e adaptadas conforme a idade e dificuldade de cada criança. Uma vez que nas aulas de natação para crianças é fundamental que o professor mergulhe na aventura dessa emoção em meio liquido, entrando na piscina e participando com as crianças das brincadeiras.

A melhor definição que se tem sobre o que é nadar, é o ato de se deslocar dentro d’água com movimentos de braços e pernas sendo necessário o auxílio dinâmico através da ludicidade nos exercícios, um trabalho gradativo que proporciona muito prazer e benefícios ao corpo humano seja ele em qualquer idade.

Sempre que necessário deve-se alternar regras e equipamentos nos jogos, criando assim um ambiente desafiador que leve os alunos a melhorarem suas habilidades e propiciem rapidez nas tomadas de decisões no momento de solucionarem os problemas exigidos de uma determinada situação. Assim como Graça (1995), acredita-se que a importância do esporte do ponto de vista educativo não repousa exclusivamente em seu ensino, mas por meio do aprendizado do mesmo entendido como um fator cultural, respeitando seus valores educativos, desenvolvendo o aluno como ser total, ultrapassando os limites do domínio das habilidades motoras.

 

Considerações Finais

Natação é a habilidade do ser humano e de outros animais de se locomoverem na água, através de movimentos efetuados no meio liquido, geralmente sem depender de equipamentos artificiais, como: flutuadores, pranchas entre outros acessórios que se utilizam para aperfeiçoar o nado. A natação é uma atividade que pode ser ao mesmo tempo benéfica e prazerosa para todas as idades e sexo.

É fato que a maior porcentagem de matriculados nas academias, clubes e estabelecimentos que trabalham com atividades aquáticas, são de crianças, e por isso os professores precisam estar preparados para ensinar a criança a nadar de forma que ela aprenda brincando com as atividades passadas pelo professor.

A intenção dos pais é a aprendizagem da natação e o domínio corporal da criança no meio liquido. Porém, com base nas características da criança nesta fase do desenvolvimento, se questionadas geralmente afirmariam que vão as aulas da natação à procura de diversão e alegria. Então, a piscina pode ser vista como mais um espaço lúdico para a criança.

É importante lembrar que no aspecto do ensinamento da natação infantil, o estudo esta sendo feito de acordo com as fases de desenvolvimento da criança, pois cada criança responde aos estímulos de diferentes maneiras. Este estudo também foi realizado visando apresentar a postura ideal de um profissional da área de natação, onde ele possa atuar especificamente na área do ensinamento da natação infantil.

REFERÊNCIAS

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CATTEU, R.; GAROFF,G. O ensino da natação. São Paulo: Manole, 1990.

ERIKSON, E H. Identidade, juventude e crise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

FERNANDES, J.R.P; LOBO DA COSTA, P.H. Pedagogia da natação: um mergulho para além dos quatro estilos. Ver. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.20, n.1, p.5-14, jan./março.2006.

KUNZ, Elenor. Transformação Didático-Pedagógica do Esporte, Ijuí: Unijuí, 1994.

MACHADO, D.C. Metodologia da Natação. 2ª ed., São Paulo: EPU, 1978.

NEIRA, M. G. Educação física: desenvolvendo competências. São Paulo: Phorte, 2003.

PIKUNAS, J. Desenvolvimento humano: uma ciência emergente, São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1981.

RAMALDES, Ana Maria. 100 Aulas: bebê e a pré- escola. Rio de Janeiro: Sprint, 1997.

SOUZA, A. (2004). PEDAGOGIA DO ESPORTE. IN Dimensões pedagógicas do esporte.

TOLMAN, E. C. Purpusivebehavior in animalsandmen, Nova Iorque: Aplpleton-CenturyCrofts, 1932 apud AZEVEDO, M. A teoria de aprendizagem social. 1997. Disponível em: . Acesso em: 29 de maio de 2017 às 13:25 horas.

SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO COM PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ATUANTES EM ACADEMIA

SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO COM PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ATUANTES EM ACADEMIA

PROFESSIONAL EXHAUSTION SYNDROME: A STUDY WITH PROFESSIONALS OF PHYSICAL EDUCATION ACTING IN ACADEMY

 

Jozias Fortunato[1]

Marciano Parisoto[2]

Rodrigo Poderoso de Souza³

Ana Carolina Gleden Poderoso³

 

1- Hórus Faculdades. Pinhalzinho-Santa Catarina. Brasil;

2- Horus Faculdades, Pinhalzinho-Santa Catarina. Brasil;

3- Unopar, Cascavel-Paraná. Brasil;

 

RESUMO

Na atualidade estamos notando uma crescente expansão de novas doenças e síndromes se manifestando no ser humano e em especial em quem trabalha com o público. Desta forma o professor e nesse o caso o profissional de educação física é uma das profissões que é acometida com estas síndromes e doenças. Objetivo o presente estudo tem por objetivo verificar se os profissionais de educação física de uma academia da cidade de Palmas PR apresentam sídrome de burnout e em qual grau está essa síndrome. Métodos o presente pesquisa caracteriza-se como um estudo survey e utilizou-se como instrumento de coleta dos dados um questionário de avaliação da Burnout adaptado de Chafic Jbeili (2017), aplicado com 21 professores de educação física atuantes em academia, Resultado este questionário trás um resultado quantitativo a respeito das respostas assinaladas. Justifica-se este estudo pelo fato de que em nossa região não se tem estudos nesta área com profissionais de educação física e desta forma podermos saber como anda a saúde psicológica de alguns de nossos profissionais. Conclusão concluiu que existe um grande percentual de profissionais em fase inicial da burnout e isso deve ser visto com muita atenção para os empresários que usufruem dos serviços destes profissionais.

Palavras – Chave: Burnout. Educação Física. Saúde. Academia.

 

 

 

Abstract

At present we are noticing a growing expansion of new diseases and syndromes manifesting themselves in the human being and especially in those who work with the public. In this way the teacher and in this case the physical education professional is one of the professions that is affected with these syndromes and diseases. Therefore, the present study aims to verify if the physical education professionals of an academy in the city of Palmas PR present burnout syndrome and to what degree this syndrome is present. The present research is characterized as a survey study and a questionnaire for evaluation of Burnout adapted from Chafic Jbeili (2017), applied with 21 physical education teachers working in the academy, was used as a data collection instrument, this questionnaire brings a result Quantitative information on the responses indicated. This study is justified by the fact that in our region there are no studies in this area with physical education professionals and in this way we can know how the psychological health of some of our professionals is. In this way, he concluded that there are a large percentage of professionals in the initial phase of burnout and this should be viewed with great attention to entrepreneurs who enjoy the services of these professionals.

Keywords: Burnout. Physical Education. Health. Academy.

 

 INTRODUÇÃO

          Durante o passar dos anos, as pessoas estão cada vez mais ocupadas em busca de um bom estudo, trabalho, dinheiro, família, etc. esquecendo muitas vezes de aspectos essenciais como a saúde, e não somente a saúde física, mas a psicológica e social. Notavelmente estamos nos deparando com pessoas estressadas, sem paciência e doentes. Pessoas que não tem tempo nem para admirar a paisagem de um dia ensolarado.

Com o avanço desenfreado da tecnologia, notamos que os novos empregos estão impondo sobrecargas cada vez menores ao corpo em contra partida o quesito psicológico está mais saturado levando as pessoas às patologias mentais capazes de prejudicar o dia a dia e a qualidade de vida do indivíduo. (SILVA et al., 2016).

Estes fatos nos remetem a pensar como distúrbios psicológicos podem interferir negativamente no rendimento do trabalho de um indivíduo. Desta maneira, hoje surgem vários estudos a respeito da síndrome de burnout como fator negativo para variadas funções, mais especificamente para profissionais que trabalham com um número maior de pessoas e por um longo período de tempo. (VIEIRA et al., 2014).

Desta maneira o presente estudo tem por objetivo verificar o nível da síndrome de esgotamento profissional ou de burnout em profissionais de educação física de uma academia da cidade de Palmas sudoeste do Paraná. O estudo justifica-se pelo fato de que com esses dados poderemos informar aos avaliados como anda a sobrecarga imposta pelo trabalho, investigar a possível causa e desta forma sugerir estratégias para que os mesmo não venham a desenvolver essa patologia e desta forma melhorar sua função no trabalho.

          A definição mais aceita sobre essa síndrome é a de (Maslach & Jackson, 1981 apud Carlotto e Polazzo, 2006), onde salienta que burnout é uma reação de tensão emocional crônica em indivíduos que trabalham com o público. Este interfere negativamente no desempenho dos profissionais.

Desta forma pessoas que desenvolvem essa síndrome, apresentam algumas características em comum que são: processo de desgosto falta de interesse pelo aluno, falta de interesse em estudar e vontade de abandonara a profissão. Além disso, as respostas frente aos desafios do trabalho podem não ser supridas e desta forma esse problema pode atingir os colegas num efeito dominó e por consequência o serviço prestado não terá a mesma qualidade quanto deveria. (PIRES; MONTEIRO; ALENCAR, 2012).

Ainda temos outras definições da síndrome e apontamentos sobre a mesmo onde se manifesta em profissões que lidam de forma intensa e constante com dificuldades alheias. A síndrome se efetiva em diversos estágios, primeiro ela é percebida pelos colegas de trabalho, segundo ela é percebida pelos seus clientes e por fim é percebida por si mesma quando já está em busca de profissional da área da psicologia para tratar do caso. (JBEILI, 2011).

Alguns estudos apontam para a observação de alguns pontos que podem indicar um início da burnout que é o desanimo, desmotivação, faltas frequentes, apresentação de atestados frequentes, afastamentos temporários até aposentadorias por invalidez. (MOREIRA et al., 2009).

Ainda não se pode negligenciar o conceito importante de síndrome que é definida como um conjunto de sinais e sintomas de ordem física e psicológica, mas que muitas vezes pode ser a junção de ambas, que por sua vez será psicofísica. Já burnout é um termo inglês derivado da junção de duas palavras Burn = “queimar” Out = “fora ou exterior” em tradução literal significa consumir-se de dentro para fora. (SILVA et al., 2016).

Muitas vezes, confundem-se os sintomas e sinais da síndrome de burnout com estresse e depressão, mas, esses indícios não necessariamente caracterizam a burnout. Esta síndrome só se se caracteriza em seus estágios mais avançados apresentando manifestações próprias. Hoje essa síndrome é dividida em quatro estágios que facilita o entendimento desta doença. (GUEDES; GASPAR, 2016).

Segundo alguns estudos o primeiro estágio da síndrome de burnout tem como característica falta de vontade de trabalhar, ausência de ânimo para realizar atividades laborais bem como algumas dores pelo corpo sem explicação. (FARIAS et al., 2011; PALMA, 2014).

O segundo estágio, é quando as interações com colegas de trabalho ficam comprometida e perde-se a qualidade, surgem pensamentos negativos a respeito dos colegas fazendo com que queiram mudar de profissões, o indivíduo começa a faltar ao trabalho e os atestados médicos são mais frequentes e começa a se isolar no trabalho. (FARIAS et al., 2011; PALMA, 2014; GUEDES; GASPAR, 2016).

No terceiro estágio e um dos mais comprometedores para o sujeito fica com as habilidades para o trabalho comprometidas, falhas no trabalho existem com frequência, perda de memória e atenção dispersa, algumas doenças são notadas e automedicação, consumo de bebidas e drogas como forma de amenizar o problema, perde a sua personalidade e ficam indiferentes as relações do trabalho. (CARLOTTO, 2002; HARTWIG, 2012; PALMA, 2014; GUEDES; GASPAR, 2016).

Quarto e último estágio infelizmente se caracterizam pelo uso de drogas lícitas e ilícitas em excesso, pensamentos negativos tendenciosos a automutilação e até mesmo suicídio e por fim demissão ou afastamento indeterminado do trabalho.

Ao longo da história da humanidade os professores tiveram muito prestígio mais ainda em alguns países como o Japão onde a única pessoa venerada pelo imperador é o professor. Mas parece que isso mudou e mudou muito nota-se então que o professor acumulou funções ao longo do tempo que vão além de seus ensinamentos técnicos e científicos eles se tornaram “ médicos, psicólogos, psicoterapeutas, advogados, pais, mães, líder religioso em fim um monte de coisas” e isso fez com que as atividades laborais se tornassem cada vez mais difíceis. A carga imposta psicologicamente e socialmente no trabalho fizeram com que esses profissionais ficassem susceptíveis a síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout. (CARLOTTO, 2002; CARLOTTO; PALAZZO, 2006; MOREIRA et al., 2009).

Algumas condições que o próprio trabalho na Educação Física impõe ao profissional estão levando o mesmo a se submeter a condições desfavoráveis à saúde como, por exemplo: um salário inadequado, horas trabalhado, pressão dos patrões, especificidades do trabalho e desvios ou acumulo de funções, são ações que promovem a síndrome de burnout. (HARTWIG, 2011).

Segundo Pereira et al. (2007) analisando uma amostra de 6 profissionais de Educação Física em academias da cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, constatou que a maioria desses instrutores não possuía contrato de trabalho, bem como trabalham mais de 10 horas diárias. Palma (2003) em seu estudo afirma que quase 30% de uma amostra de profissionais de academias da cidade do Rio de Janeiro, indicam que o excesso de trabalho está diretamente relacionado com a ausência de hábitos de vida saudáveis como a prática de atividade física.

O fato de esses profissionais não ter tempo para se exercitar contribui significativamente para o desenvolvimento da síndrome de burnout em profissionais de educação física. (PALMA, 2014; VIEIRA et al., 2014).

Desta forma, levando em consideração que a síndrome de burnout é mais comum em profissionais que atuam com o público e estes estão expostos a vários agentes estressores os profissionais de educação física que atuam em academias são profissionais que tem um potencial enorme para desenvolvimento dessa síndrome. (VIEIRA et al., 2014; MACHADO; BOECHAT; SANTOS, 2015).

 

 MATERIAIS E MÉTODOS

          A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo Survey onde, o termo inglês destina-se a pesquisas que possuem uma abordagem quantitativa que visa apresentar as opiniões dos avaliados através de questionários e entrevistas. (BABBIE, 1999). Realizada no mês de abril de 2017.

A forma de seleção da amostra constituiu-se de forma intencional. O estudo contou com uma amostra de 21 profissionais de Educação Física formados. Todos, funcionários em uma academia denominada Performance Academia localizada na cidade de Palmas Paraná, atuantes nas áreas de musculação, natação e dança. Foi apresentada a intenção de realização da pesquisa e os mesmos permitiram. Para avalia-los quanto à síndrome utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário preliminar de identificação da Burnout Elaborado e adaptado por Chafic Jbeili, inspirado no Maslach Burnout Inventory (MBI), aonde a forma de mensuração das respostas é quantitativa.

O participante teria que marcar as respostas que continham uma pontuação da seguinte maneira: (1) Nunca, (2) Anualmente, (3) Mensalmente, (4) Semanalmente, (5) Diariamente. Ao final somavam-se os pontos e lhes classificava de acordo com o questionário. Este mencionado questionário classifica os avaliados em: 0 a 20 pontos – Nenhum Indício de Burnout (NI), 21 a 40 pontos – Possibilidade de Desenvolvimento da Burnout (PD), 41 a 60 pontos – Fase Inicial da Bournout (FI), 61 a 80 pontos – Burnout Instalada (BI), 81 a 100 pontos – Fase Considerável da Burnout (FC).

 

 RESULTADOS

Após a aplicação dos questionários, analisamos os dados a seguir. A tabela 1 descreve a amostra deste estudo, onde 21 professores de Educação Física, todos avaliados no ano de 2017. Destes 13 (62%) do gênero masculino (M) e 8 (38%) gênero feminino (F).

No gráfico 1 abaixo, observa-se os resultados do trabalho aplicado com os professores atuantes em academia, participante do estudo. Deste modo, fica explícito o que ocorreu com os níveis da síndrome de burnout de acordo com a classificação do questionário submetido aos mesmos.

Diante dos dados apresentados acima, nota-se que de todos os avaliados apresentam algum sintoma que predispõe a síndrome de burnout. Sendo assim, podemos notar os seguintes dados: cerca de 19% dos avaliados encontra-se em estado de possibilidade de desenvolvimento da síndrome (PD), em contra partida este estudo pode trazer um dado muito importante, em que cerca de 67% da amostra encontra-se em fase inicial da burnout (FI), este dados servem de alerta para os profissionais que trabalham nesta empresa, bem como aos patrões ficarem em alerta em relação a esses dados. Notou-se também que existe um percentual de 9% da amostra que se encontra com burnout instalada (BI) e 5% em fase considerável da síndrome (FC). Desta maneira podemos dizer que ao somar todas as manifestações, temos 81% da amostra com muita predisposição para desenvolver esta chamada síndrome de burnout. Desta forma, com esses dados os proprietários do estabelecimento, podem estudar uma estratégia para diminuir essa incidência em seus funcionários ou até mesmo tentar prevenir esses escores com medidas preventivas.

Devido à escassez de trabalhos sobre a síndrome de burnout em profissionais de educação física atuantes em academias, serão confrontados alguns dados de pesquisas relacionadas à prevalência da síndrome de burnout em profissionais de educação física somente. Em um estudo de Valério, Amorin e Moser (2009) onde avaliaram a síndrome de burnout em 649 professores de educação física verificaram que 66,7% destes apresentam algum indício de burnout.

Estes dados são similares aos encontrados no presente estudo. Ainda, estudo de Silva et al. (2016) com 80 professores de educação física demonstra que cerca de 77,5% da amostra apresenta algum indício da síndrome de burnout também. E mais este trabalho apresenta dados similares aos encontrados nesta pesquisa. Também em estudo de Pires, Monteiro e Alencar (2012) com 40 professores de educação física, constatou-se que cerca de 57,3% destes apresentam no questionário propensão ao desenvolvimento da síndrome.

Estudo de Sinott et al., (2014) demonstra que dos seus 94 professores avaliados existe um percentual de 77,2% destes com algum indício segundo o questionário para desenvolvimento da síndrome de burnout. E por fim em um estudo de Guedes e Gaspar (2016) com cerca de 588 sujeitos da região metropolitana de Londrina PR, demonstra que 85,3% apresentam alguma consideração para o desenvolvimento da síndrome e que se assemelha também aos dados desta pesquisa.

Importante salientar aqui, que os dados desta pesquisa apresentam em número geral o percentual de professores que predisposição para síndrome e não com a síndrome instalada no indivíduo. Desta maneira, os dados desta pesquisa são em relação aos professores que apresentam pelo menos um indicio através do questionário para desenvolverem a síndrome.

 

 CONCLUSÃO

Através desta pesquisa pudemos compreender um pouco mais sobre a síndrome de burnout e sobre sintomas, sinais, estágios entre outros aspectos que afetam a vida do profissional de educação física.

Desta maneira pode-se constatar através da pesquisa que existe um grande percentual de professores em fase inicial para desenvolvimento da síndrome de burnout em profissionais de educação física da academia analisa. Fazendo com que os proprietários temem uma atenção muito especial para esse publico que é bem significativo, levando em déficit o rendimento do trabalho.

Dados de pesquisas em outras regiões apontam que são poucos os profissionais acometidos da síndrome, mas que um alarmante número apresenta tendência para desenvolver a síndrome ao responder o questionário das respectivas pesquisas.

Sendo assim, a presente pesquisa sugere mais pesquisas a respeito do tema, uma vez que são escassos trabalhos nesta hora em nossa região e para os proprietários a sugestão fica em periodicamente conversar com seus profissionais para tentar sanar os problemas acumulados dos trabalhos. Pois, notou-se que as maiores fontes de predisposição a síndrome são carga horário elevada de trabalho, falta de incentivo e remuneração baixa.

 

REFERÊNCIAS

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HARTWIG, T W. Condições de trabalho e saúde de profissionais de Educação Física atuantes em academias da cidade de Pelotas. Master’s Thesis. Universidade Federal de Pelotas. 2012.

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Maslach, C. Jackson, S.E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behavior.; 2:99-113. 1981.

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PEREIRA, A.E.S.; NOBRE, G.C.; FERREIRA, M.N.S.; SOUSA, M.S.C. O contingente profissional de educação física e a demanda de praticantes na modalidade de musculação nas academias de ginástica de Juazeiro do Norte-CE. II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica João Pessoa – PB – 2007.

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Nível de flexibilidade e de atividade física dos alunos do ensino médio de uma escola de Chapecó/SC

ANDRESSA LOEWENSTEIN GIEHL1; MAICON ANDRÉ RECH1; JULIANO PRÁ2; PAULO PAGLIARI1; SANDRA ROGÉRIA DE OLIVEIRA1; DANIELA ZANINI1; RAFAEL CUNHA LAUX1

 

1UNOESC, Chapecó, SC, Brasil

2SED, Florianópolis, SC, Brasil

 

 

RESUMO

OBJETIVO: Analisar a flexibilidade e o nível de atividade física de alunos do Ensino Médio. MÉTODOS: Participaram desta investigação 45 alunos do Ensino Médio de uma escola de Chapecó/SC, de ambos os sexos e com idades entre 15 e 17 anos. Avaliaram-se os níveis de atividade física utilizando o Questionário Internacional da Atividade Física e a flexibilidade por meio do teste sentar e alcançar. A análise estatística foi de maneira descritiva e inferencial com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Observa-se que na flexibilidade 70,45% dos jovens encontram-se em zona de risco à saúde, apesar da maioria dos adolescentes serem jovens ativos (54,5%). Na comparação entre os grupos não houve diferença tanto para a atividade física quanto para a flexibilidade. CONCLUSÕES: Conclui-se que no grupo estudado tem índices preocupantes de flexibilidade e que cerca de 45,5% não são ativos fisicamente.

PALAVRAS-CHAVE: Amplitude de Movimento Articular. Aptidão Física. Adolescentes.

 

ABSTRACT

OBJECTIVE: Analyze the flexibility and level of physical activity of high school students. METHODS: 45 high school students from a school in Chapecó / SC, of both sexes and between 15 and 17 years old, participated in this research. The levels of physical activity were assessed using the International Physical Activity Questionnaire and flexibility through the sit-and-reach test. Statistical analysis was descriptive and inferential with significance level of 5%. RESULTS: It is observed that in the flexibility 70.45% of young people are in health risk zone, although the majority of the adolescents are young active (54.5%). In the comparison between the groups there was no difference for both physical activity and flexibility. CONCLUSIONS: It is concluded that in the group studied there are worrying rates of flexibility and that about 45.5% are not physically active.

KEYWORDS: Range of Motion, Articular. Physical Fitness. Adolescent.

 

 

INTRODUÇÃO

A realização diária de atividade física promove diversos benefícios para saúde, além de ajudar na saúde física, pode também fornecer aos jovens melhora na saúde mental, no humor, no bem estar e na disposição física. A prática regular de atividade física exerce grande papel na vida dos jovens, diminuindo os riscos de adquirirem problemas de saúde decorrentes do sedentarismo, além disso, proporciona melhora e manutenção dos níveis de aptidão física (PEREIRA et al., 2014).

Neste sentido, cabe ao professor de educação física, tanto quanto aos demais educadores, apropriar os alunos de uma consciência crítica que vá além das práticas corporais, com a tarefa de contribuir para a transformação da realidade da maior parcela da população que se encontra no status de sedentária. O professor, ao trabalhar as capacidades físicas de crianças e jovens, deve considerar não só as vivências anteriores, mas também possíveis indicadores de estilo de vida futuro, pois, crianças que têm facilidade e bom desempenho desde cedo nas atividades, tendem a se tornar praticantes quando adultos pelo prazer que a prática os proporciona (NAHAS, 2013).

Entre as capacidades físicas, a flexibilidade é a que irá permitir maiores amplitudes de movimento com maior facilidade e menor gasto energético, também pode ser entendida como um pré-requisito para a execução correta de um movimento. Diversos são os benefícios de se ter uma boa flexibilidade, como melhor mobilidade e menor incidência de dores, lesões musculares e lesões articulares. Um músculo ou articulação quando são pouco solicitados não só perdem na força como também na elasticidade, ocasionando desta forma uma deficiência de movimentos corporais. Junto a isso, possíveis lesões podem ocorrer não somente nos exercícios físicos, mas também em movimentos da vida diária (COLEDAM; ARRUDA; OLIVEIRA, 2012; NAHAS, 2013).

Considerando a flexibilidade, uma importante variável da aptidão física relacionada à saúde para todas as idades, torna-se necessário avaliá-la em escolares, pois a capacidade de adquirir e manter índices de flexibilidade são maiores nesta faixa etária (PEREIRA et al, 2014).

Este estudo teve como objetivo, analisar a flexibilidade e o nível de atividade física de alunos do Ensino Médio de uma escola de Chapecó/SC.

 

MÉTODO

Este estudo caracterizou-se como descritivo (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2012). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do oeste de Santa Catarina- UNOESC Chapecó pelo CAAE nº 75327617.9.0000.5367, seguindo todos os padrões éticos exigidos pela resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Participaram da investigação 45 alunos do ensino médio de uma escola estadual da Chapecó/SC, de ambos os sexos com idade média de 16,2±0,95 anos, para análise optou-se em separar por grupos: A (15 anos), B (16 anos) e C (17 anos). Foram incluídos nesse estudo alunos matriculados regularmente no ensino médio e exclusos todos que não possuíram uma frequência mínima de 75% nas aulas e algum tipo de patologia que influenciasse na flexibilidade, como lesões nos isquiotibais, síndromes dolorosas como distensões musculares, dor lombar, disfunção da articulação fêmoro-patelar, pubalgia, desvios posturais, tendinite patelar.

Para a coleta de dados foi realizado uma Anamnese sendo composta por perguntas descritivas, como idade, sexo e se possui algum tipo de patologia, o questionário utilizado para avaliar o nível de atividade física foi o o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) versão VIII reduzida validado por Matsudo et al. (2001), classificando os sujeitos em sedentários, não realiza nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos durante a semana, insuficientemente ativos, praticam atividades físicas por pelo menos 10 minutos contínuos por semana, ativos, praticam atividade física vigorosa  ≥ 3 dias/semana e ≥ 20 minutos/sessão; moderada ou caminhada ≥ 5 dias/semana e ≥ 30 minutos/sessão; qualquer atividade somada ≥ 5 dias/semana e ≥ 150 min/semana e muito ativo praticam atividade vigorosa ≥ 5 dias/semana e ≥ 30 min/sessão; vigorosa ≥ 3 dias/ semana e ≥ 20 min/sessão + moderada e ou caminhada ≥ 5 dias/ semana e ≥ 30 min/sessão (SILVA et al., 2007).

A flexibilidade foi mensurada por meio do protocolo do teste sentar e alcançar do Projeto Esporte Brasil- PROESP 2015, utilizando o Banco de Wells padrão marca Sanny® (GAYA et al., 2015). Os sujeitos avaliados estavam descalços e foram orientados a colocarem as plantas dos pés de modo que elas tocassem por completo o banco, com os joelhos estendidos e as mãos sobrepostas, os avaliados inclinavam-se lentamente estendendo as mãos para frente o mais distante possível empurrando a régua do banco de wells, permanecendo nesta posição o tempo necessário para a distância ser anotada, sendo realizadas três tentativas para cada participante, utilizando o resultado mais alto.

Para a análise dos resultados foi utilizado estatística descritiva (média, desvio padrão, frequência relativa e absoluta) e inferencial. A normalidade dos dados foi verificada pelo teste Shapiro-Wilk. Para comparação entre os grupos utilizou-se o teste Kruskal-Wallis. Para verificar associação entre as variáveis aplicou-se o teste Qui-Quadrado. Os testes foram rodados no programa Statistical Package for the Social Science (SPSS®) versão 21.0 para Windows utilizando nível de significância de 5%.

 

RESULTADOS

Na Tabela 1 são apresentados os valores médios de idade e flexibilidade dos participantes do sexo masculino, feminino e o total, e as classificações da flexibilidade e do nível de atividade física. Ambos os grupos possuíam idade média de 16,1±0,8 anos, referente à flexibilidade a prevalência no grupo masculino foi de 54,5% em zona saudável e 54,5% são ativos, já as meninas a prevalência foi de 76,4% em zona de risco para a flexibilidade e 52,9% são ativas.

Na tabela 2 são apresentadas as classificações em zona de risco e zona saudável dos alunos do Ensino Médio referente à flexibilidade (GAYA et al., 2015). Pode-se observar que ambos os grupos possuem prevalência de zona de risco.

Na tabela 3 são apresentadas as classificações dos alunos do Ensino Médio referentes ao nível de atividade física. Pode-se observar maior quantidade de adolescentes ativos.

Na tabela 4 observa-se que não teve diferença entre o grupo que atingiu as recomendações de atividade física e o que não atingiu, demostrando que a atividade física, se não for específica não altera os níveis de flexibilidade na idade do grupo estudado.

DISCUSSÃO

No presente estudo buscou-se avaliar a flexibilidade e o nível de atividade física dos alunos do ensino médio de uma escola de Chapecó/SC, observando que a maioria dos sujeitos são ativos e se encontram em zona de risco à saúde no teste de flexibilidade e não houve diferença entre as faixas etárias.

No teste de flexibilidade foram encontrados números preocupantes, sendo que 70,45% dos participantes encontram-se em zona de risco à saúde, corroborando com os valores encontrados por Rech, Laux e Zanini (2017) em estudo com crianças praticantes de ginástica rítmica de 6 à 14 anos no qual verificaram que 75,5%, se encontram em zona de risco à saúde. Nos estudos de Burgos et al. (2012) e Pelegrini et al. (2011) com crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, encontraram, respectivamente, resultados semelhantes ao presente estudo no qual verificaram prevalência de 69,9% e 55,0% em zona de risco.

Os estudos realizados por Pinto et al. (2013) com adolescentes de 15 anos contrapõem o presente estudo, onde 59% dos escolares encontram-se em zona saudável, porém, pode-se observar que 41% dos jovens estão em zona de risco. Guedes et al. (2012) em seu estudo com crianças e adolescentes de 6 à 18 anos de idade encontrou 72,3% da população em zona saudável.

Apesar destes dados preocupantes com a flexibilidade as maiorias dos adolescentes se encontram fisicamente ativos. Os testes apontaram que 54,5% da população são adolescentes ativos, esses resultados são similares aos valores encontrados em estudos com jovens de 9 a 17 anos por Pinto et al. (2013), Bim e Nardo Junior (2005) e Luciano et al. (2016) nos quais a prevalência de ativos foi de 52,0%, 47,8% e 43,8%, respectivamente. Ribeiro e Florindo (2010) verificou em seu estudo com adolescentes de 12 á 15 anos de uma escola pública de uma região de baixo nível socioeconômico maior número de pessoas fisicamente ativas 71,0%.

Os baixos níveis de flexibilidade em um grupo no qual a maioria é ativo fisicamente é preocupante, pois possíveis implicações à saúde podem ser adquiridas pela falta de flexibilidade, como problemas posturais, dores lombares, maiores riscos de lesões musculares e articulares, além de ser um fator limitante à prática de atividades físicas ou esportivas (NAHAS, 2013).

A prática de atividades físicas e de alongamentos se faz necessária para que ocorra o desenvolvimento e a manutenção da flexibilidade, prevenindo possíveis problemas provenientes da ausência da mesma e para isso intervenções nas aulas de Educação Física devem trabalhar essa capacidade física, proporcionando assim a melhora e a manutenção da saúde e da qualidade de vida (RECH; LAUX; ZANINI, 2017).

CONCLUSÃO

Ao analisar a flexibilidade e o nível de atividade física de alunos do ensino médio de uma escola de Chapecó/SC, observou-se que não houve diferença entre os grupos, tanto para a atividade física quanto para a flexibilidade. Apesar da maioria dos adolescentes serem ativos, obteve-se uma grande quantidade de sujeitos em zona de risco referente à flexibilidade, mostrando que a prática geral de atividade física talvez não seja capaz de melhorar a flexibilidade, sendo necessário desenvolver a capacidade física de maneira mais específica.

Diante dos resultados, percebe-se uma necessidade de estudos com intervenções voltadas à flexibilidade não apenas de adolescentes, mas também de crianças e jovens, com intuito de melhorar os níveis de flexibilidade, diminuindo assim a prevalência de zona de risco nessas faixas etárias, possivelmente conseguindo maior chance de manutenção da mesma na vida adulta.

 

REFERÊNCIAS

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Efeito agudo de uma sessão de exercícios resistidos utilizando o método circuito a 80% de 1rm sobre a pressão arterial

Rodrigo Poderoso de Souza1,2

Ana Carolina Gleden Poderoso1

1Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Cascavel, Paraná

2Universidade Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal

 

RESUMO

Atualmente a literatura tem recomendado o uso de exercícios físicos resistidos para o controle da pressão arterial, devido às evidências de que o mesmo tem se mostrado seguro e eficaz ao praticante, sendo uma alternativa importante de tratamento não medicamentoso para indivíduos hipertensos. Em função disso, é necessário investigar o comportamento da pressão arterial perante tais exercícios para garantir a eficiência do mesmo sem oferecer riscos para o praticante. Objetivo: comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício. Metodologia: A amostra do estudo foi constituída por 12 voluntários do sexo masculino normotensos com idade de 24,09±2,43 anos, massa corporal 71,68± 5,18 kg, estatura de 1,73±0,04 cm, IMC de 23,83±1,60 kg/m2 e % gordura de 16,84±2,99. Os voluntários compareceram ao laboratório de musculação durante duas sessões experimentais em dias alternados para: 1 – determinação da carga máxima (1-RM) em seis exercícios (cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina); 2 – uma sessão experimental com a realização de 3 circuitos de exercício resistido em alta intensidade (08 repetições/exercício x 80% 1-RM). As variáveis mensuradas no repouso e imediatamente após a sessão experimental foram a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD). Os dados foram analisados a partir de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05. Resultados: De acordo com os resultados, foi observado que a pressão arterial sistólica imediatamente após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo, não foi observada diferença nos valores de pressão arterial diastólica. Conclusão: Desta maneira, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução. Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante.

Palavras Chaves: Pressão arterial; Treinamento resistido; Exercício físico.

 

ABSTRACT

Currently, the literature has recommended the use of resistance exercise to control blood pressure, due to evidence that it has proved safe and effective practitioner, being an important alternative non-drug treatment for hypertensive patients. As a result, it is necessary to investigate the behavior of blood pressure before such exercises to ensure the efficiency of that without risk to the practitioner. Objective: To compare the behavior of blood pressure after a session of circuit resistance exercise in method, using a load of 80% of one repetition maximum – 1RM with the situation of pre-exercise. Methodology: The study sample consisted of 12 normotensive male volunteers aged 24.09 ± 2.43 years, body mass 71.68 ± 5.18 kg, height 1.73 ± 0.04 cm, BMI of 23.83 ± 1.60 kg/m2 and 16.84% fat ± 2.99. The volunteers attended the laboratory for two experimental sessions weights every other day for: 1 – maximum load (1-RM) in six exercises (leg extension, bench press in the machine, leg press, pull on the machine, leg curl and rowing machine), 2 – an experimental session with the realization of three circuits in high-intensity resistance exercise (08 reps / year x 80% 1-RM). The variables measured at rest and immediately after the experimental session were systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP). Data were analyzed using descriptive statistics with mean values and standard deviation. To compare the blood pressure before and immediately after the measurements, we employed the “t” Student test for dependent samples. All procedures were performed in the software Statistic for Windows 6.0 and the level of significance was p <0.05. Results: According to the results, it was observed that the systolic blood pressure immediately after the exercise session was significantly higher than that at home. However, there was no difference in diastolic blood pressure values. Conclusion: Thus, we conclude that resistance exercise at 80% 1RM method in circuit, causes a significant increase in SBP immediately after their execution. It is suggested to carry out further studies to monitor the recovery period post-exercise in order to check if any blood pressure lowering effect for the practitioner.

Key words: Blood pressure. Resistance training. Physical exercise

 

INTRODUÇÃO

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial (2008), há 600 milhões de hipertensos no mundo, e consta também que a prevalência da mesma no Brasil é grande, pois entre os adultos, de 30% a 35% possuem a doença. Como consequências dessa elevação nos níveis pressóricos, os órgãos-alvos estão expostos a sérios riscos de comprometimento com procedente aumento de risco cardiovascular. Esse aumento na pressão arterial pode ter como causas o sedentarismo, o estresse, hábitos alimentares inadequados e o consumo de álcool e tabaco, que são características advindas do estilo de vida urbanizado e de pós-tecnologia estabelecida (IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2002).

Perante essa realidade, torna-se evidente a necessidade de abordagens intervencionistas na tentativa de se prevenir e tratar a hipertensão arterial (LATERZA et al., 2007).

Para alcançar esses objetivos, tem sido amplamente preconizado por profissionais da saúde, juntamente com o tratamento farmacológico, a adesão de um modo de vida saudável e a prática regular de exercícios físicos, como sendo maneiras eficazes para abrandar os níveis de pressão arterial (PESCATELLO et al., 2004).

Inúmeras pesquisas comprovam os benefícios que são ofertados pelos exercícios físicos, tanto na prevenção quanto no tratamento dessa doença. Pois eles se caracterizam por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, causando várias adaptações fisiológicas que são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular durante o exercício (BRUM et al., 2004).

Atualmente, exercícios físicos resistidos vêm sendo utilizados em programas que promovem, quando supervisionados adequadamente, benefícios significantes e baixos riscos ao praticante, contribuindo para a redução da pressão arterial de repouso (BERMUDES, et al., 2004).

Doenderlin e Farinatti (2003) indicam que um método seguro para conduzir um treinamento é dando elementos adicionais à manipulação de variáveis adjuntas à sua intensidade absoluta e relativa (tipo de exercício, intervalo de recuperação, número de repetições e séries, carga mobilizada e velocidade de execução). Porém alguns estudos têm demonstrado que a intensidade do esforço não influência a resposta hipotensora pós-exercício (FORJAZ et al., 1998) e em contrapartida, outras investigações evidenciaram que a intensidade do exercício pode influenciar a dimensão e duração da resposta pressórica (POLITO et al., 2003).

Conforme os autores, a qualidade física envolvida neste tipo de atividade física é a força muscular que, além de ser necessária no desenvolvimento é, em termos de promoção de saúde, um parâmetro fundamental para a prática de atividades ocupacionais e de lazer, colaborando para a auto suficiência de indivíduos sedentários, idosos, hipertensos e cardiopatas (BERMUDES, et al., 2004).

Para uma discussão mais ampla sobre os efeitos do exercício na pressão arterial, é válido destacar que essa pode ser influenciada não só pelas adaptações decorrentes do treinamento físico crônico (adaptações crônicas), mas também pela influência de uma única sessão de exercício (efeitos subagudos ou pós-exercício). (UMPIERRE; STEIN, 2007)

Em estudo realizado por Cornelissen e Fagard (2005), composto por 12 análises e 341 voluntários, foi demonstrado redução dos valores de pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica para os indivíduos que foram expostos ao treinamento resistido.

O mesmo estudo descreve que não foram observadas diferenças relacionadas às intensidades de exercício, bem como quanto à utilização do treinamento resistido convencional ou em circuito. Sendo que, no treinamento convencional realiza-se todas as séries de determinado exercício antes de iniciar o seguinte e, geralmente, têm-se maiores cargas e tempo de intervalo do que no método de circuito, onde é mais contínuo e com menores tempo de intervalo, visto que a execução é de uma única série em cada estação, passando ao próximo exercício imediatamente, e repetindo o circuito mais vezes se necessário.

Ainda que o treinamento resistido, de forma semelhante ao treinamento aeróbico (WHELTON et al., 2002), cause apenas diminuições mínimas nos níveis da pressão arterial, em termos populacionais essa consequência pode ter impacto em uma menor incidência de doença coronariana e acidente vascular cerebral. (WHELTON et al., 2002)

Desta forma, o presente estudo tem como objetivo comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício.

 

METODOLOGIA

Participaram deste estudo, 12 voluntários normotensos do sexo masculino, com idade de 24,9 ± 2,43 anos, praticantes de exercícios físicos resistidos pelo menos seis meses e que praticassem estas atividades pelo menos três vezes por semana.

Como critérios de exclusão, considerou-se o uso de esteróides anabolizantes e medicamentos que pudessem interferir no comportamento da pressão arterial, bem como a desistência do voluntário a qualquer momento e a ingestão de cafeína, refrigerantes a base de cola, chocolates e fumo no dia do teste.

A coleta de dados foi realizada em três dias, com intervalo mínimo de 48 horas entre cada sessão. No primeiro dia todos os voluntários foram submetidos ao questionário PAR-Q (SHEPARD, 1988) para avaliação da prontidão física, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, e antes da realização do presente estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade Assis Gurgacz (PARECER 187/2008). Foram realizadas ainda as avaliações das variáveis antropométricas e de composição corporal (peso, estatura, e dobras cutâneas), e também um teste de carga máxima nos exercícios envolvidos no estudo.

Objetivando amenizar a possibilidade de ocorrência de erros durante os testes de uma repetição máxima (1RM), foram tomadas as seguintes medidas: As instruções a sobre toda a rotina dos testes foram antecipadamente passadas a todos os componentes da amostra; O voluntário foi instruído sobre a técnica de execução; O avaliador esteve atento em todos os momentos das execuções, com a finalidade de evitar que os avaliados cometessem erros que pudessem comprometer o resultado da coleta de dados; Os testes foram marcados com antecedência e sempre realizados no mesmo horário para cada avaliado.

A massa corporal foi aferida através de uma balança digital de marca Toledo, e a estatura através de um estadiômetro de parede marca Sanny, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon, Chumlea, Roche (1988).

A adiposidade corporal foi determinada por meio da utilização de um adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Industries Inc., Cambridge, Maryland). Foram medidas as espessuras das dobras cutâneas subescapular, abdominal e tricipital de acordo com os procedimentos descritos por Harrison, Bursik, Carter, Johnston, Lohman e Pollock (1988).

O percentual de gordura foi determinado através de um protocolo para três dobras (GUEDES; GUEDES, 2003). Vale ressaltar que o erro de medida será de no máximo ±1,0mm e o coeficiente teste-reteste de > 0,95.

No segundo dia os voluntários participaram da sessão experimental de exercício resistido, sendo 80% da carga máxima no método circuito.

O treinamento resistido foi aplicado com a carga de 80% de 1RM, em três circuitos, e realizado em seis aparelhos: cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina. Nessa mesma ordem, realizaram um total de oito repetições, dois segundos de execução para cada fase (excêntrica e concêntrica), sessenta segundos de recuperação entre cada aparelho e cento e vinte segundos de intervalo entre cada circuito.

Vale ressaltar que considerando o número de exercícios, número de repetições, tempo de execução de cada movimento, tempo de recuperação entre cada exercício, bem como o tempo de recuperação entre cada circuito, o volume da sessão de exercício foi semelhante nas duas situações experimentais.

A mensuração da PA foi realizada através do Método de medida oscilométrica, usando um Monitor Digital Automático de Pressão Arterial, Modelos BP 3BTO-A fabricado pela Microlife sendo verificadas após 05, 10 e 15 minutos de repouso, e imediatamente após a sessão de exercícios resistidos

Todos os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 apresenta as características gerais da amostra, com valores de média e desvio padrão de idade.

Tabela 1: Características gerais da amostra.

Na tabela 2 é apresentado os resultados do teste “t” para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

De acordo com os resultados, foi observado que pressão arterial sistólica após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo não foi observada diferença nos valores da pressão arterial diastólica imediatamente após o exercício.

 

Tabela 2: Teste t para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

PAS: Pressão Arterial Sistólica; Pressão Arterial Diastólica; mmHg: milímetros de mercúrio * p<0,05

 

DISCUSSÃO

O presente estudo comparou a condição pressórica antes e imediatamente após uma sessão de exercício físico resistido no método circuito com 80% de 1RM.

De acordo com os resultados da pesquisa, observou-se que imediatamente após o exercício as médias da pressão arterial sistólica foram significativamente mais elevadas que as médias antecedentes ao exercício. Este resultado é explicado em parte pela ativação de quimiorreceptores por fadiga periférica (CARRINGTON; WHYTE, 2001).

Considerando que a carga de 80% de 1RM pode ser classificada como uma alta intensidade, esses resultados corroboram com a literatura, que indicam que exercícios realizados até a exaustão resultariam em uma resposta mais elevada da pressão arterial imediatamente após o esforço (LENTINI et al., 1993).

Contudo, há de se considerar que os resultados do presente estudo limitam-se a comparar a pressão arterial de repouso e imediatamente após o exercício. A literatura aponta ainda o benefício agudo no controle de pressão arterial em indivíduos normotensos (FORJAZ et al., 1998).

A diminuição nos níveis pressóricos após exercício resistido são comprovados pelos destaques de outros recentes autores, que realizaram estudos em normotensos e hipertensos de diferentes faixas etárias (BROWN et al., 1994; FOCHT; KOLTYN, 2000; MACDONALD et al., 2000; LIZARDO; SIMÕES, 2005; MOTA, 2006).

Entretanto, em um estudo realizado por Fisher (1999), não foi observado hipotensão pós-exercício para a pressão arterial diastólica a partir de exercício resistido realizado a 50% de 1RM em normotensos e hipertensos.

Apesar de não ter sido foco deste estudo, o acompanhamento da pressão arterial após o exercício resistido poderia evidenciar efeito hipotensor.

Portanto, segundo Hara e Floras (1994) a hipotensão pós exercício da pressão arterial diastólica poderia ocorrer pelo fato de estar relacionada à redução da resistência vascular periférica a partir da vasodilatação mantida pós exercício que ocorre, entre outros motivos, pela acentuada produção de metabólitos, e ainda conforme Mota (2006), sessões de exercício resistido proporcionam um maior estresse metabólico pós exercício devido ao maior pico de lactato sanguíneo.

Por outro lado, durante o exercício de força, tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica tendem a se elevar, promovendo um aumento também expressivo na pressão arterial média, mesmo que por um curto período de tempo. (MACDOUGAL et al., 1985 citados por POLITO; FARINATTI 2003).

A American College of Sports Medicine (ACSM) (2000), menciona que, isoladamente a PAS e PAD mostram comportamentos diferenciados durante o exercício. A PAS tende a aumentar em proporção direta à intensidade do exercício em função da elevação do débito cardíaco, o que justifica o resultado do presente estudo.

Porém os resultados obtidos contradizem ao estudo feito por Franklin, Bonzheim et al., (1991), que afirmam ocorrer elevação significativa da PAD.

Corroborando a não ocorrência de alteração significativa da PAD, pode ser devido ao fato de que os voluntários do presente estudo são jovens normotensos, com experiência e prática regular de exercício resistido.

A literatura aponta que a prática regular do treinamento com pesos pode abrandar as respostas agudas para valores absolutos de carga, por outro lado, quando se levam em conta os seus valores relativos, tanto a pressão arterial quanto a frequência cardíaca tendem a não apresentar mudanças ou até a aumentar, principalmente em esforços de solicitação máxima (POLITO E FARINATTI, 2003).

Entre as adaptações crônicas mais importantes decorrentes da prática regular de exercícios de força podem ser citadas a possível redução da freqüência cardíaca (GOLDBERG et al., 1994), e da pressão arterial de repouso (KELLEY; KELLEY, 2000), e também a menos sobrecarga cardíaca durante o exercício, com menor duplo-produto associado (MAIORANA et al., 2000).

Ainda falando das adaptações causadas, Fleck (1999) ressalta que a pressão arterial aumenta proporcionalmente em relação à carga e aumenta em relação à massa muscular envolvida no exercício. Essa resposta parece não ser linear, indicando assim que as respostas circulatórias para o exercício de resistência são em grande parte determinados pela intensidade do esforço, executado para cada pessoa durante a conclusão de número igual de repetições.

Referindo-se a prescrição de exercício de força, o ACSM (2000), sugere para portadores de comprometimento cardiovascular um número de repetições satisfatório entre 10 e 15, de caráter submáximo e com sensação subjetiva de esforço entre 11 e 15 (Escala de Borg), dependendo do estado de treinamento e nível da enfermidade. Já  em se tratando do volume de treinamento, aconselha duas a cinco vezes por semana.

Já para Santarém (2001), a eficácia do treinamento exige pesos relativamente elevados com poucas repetições, desde que não se faça esforço máximo, a pressão arterial aumenta dentro de níveis seguros, o que vem de encontro ao objetivo proposto pelo presente estudo, onde se utilizou uma carga mais elevada, de 80% de 1RM em método circuito. O autor acrescenta ainda, que é errado dizer que pesos leves e maior número de repetições são mais seguros, pois ao ocorrer isometria e apnéia, ao final da série a pressão arterial aumentaria mais do que com maior peso e menos repetições.

Há diversas evidências e estudos que apontam o treinamento contra resistência como benéfico e seguro mesmo para pessoas portadoras de algumas doenças cardíacas, desde que o mesmo seja prescrito com os cuidados necessariamente considerados.

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução.

Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante, bem como se possa aplicar o exercício resistido na prevenção e tratamento não farmacológico da hipertensão arterial.

 

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Motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio

Motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio

Deivid Junior da Silva[1]; Aline Cviatkovski[2]; Juliano Prá[3]; Paulo Pagliari[4]; Rafael Cunha Laux[5]

[1] Graduando de licenciatura do curso de Educação Física – UNOESC, campus  Chapecó.

[2] Mestranda em Psicologia pela IMED. Graduada em Psicologia pela UNOESC Chapecó.

[3] Professor de Educação Básica do Estado de Santa Catarina.

[4] Mestre em Educação. Coordenador do Curso de Educação Física da Unoesc Chapecó.

[5] Mestre em Educação Física pela UFSM. Professor do Curso de Educação Física.  E-mail: rafael.laux@unoesc.edu.br. Autor correspondência.

 

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo verificar a motivação para a prática da atividade física em adolescentes do Ensino Médio de Escolas Públicas de Chapecó. Participaram 50 sujeitos de ambos os sexos de uma Escola da Rede Pública Estadual de Chapecó e com idade média de 16,86+ anos. A motivação para a prática de atividade física e o nível de atividade física foram avaliados, respectivamente, por meio do questionário Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) e Questionário Internacional da Atividade Física (IPAQ). As análises estatísticas descritivas foram realizadas utilizando-se o programa estatístico SPSS® versão 21.0 para Windows. Ao analisar a motivação para prática de atividade física, observou-se que o sexo feminino tem uma motivação introjetada, maior do que a do sexo masculino (P=0,039) e o grupo masculino tem maior índice de motivação integrada do que o sexo feminino (P=0,014). Conclui-se que o perfil motivacional dos alunos do último ano no ensino médio foi representado por meio da motivação introjetada e motivação integrada.

Palavras-chave: Educação Física. Motivação. Atividade Física.

 

ABSTRACT

The present study had as objective to verify the motivation for the practice of the physical activity in adolescents of High School of Public Schools in Chapecó. There were 50 subjects of both sexes of a School of the State Public Network of Chapecó and with average age of 16.86+ years participating in the study. The motivation for the practice of physical activity and the level of physical activity were evaluated, respectively, through the questionnaire Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) and International Questionnaire of Physical Activity (IPAQ). Descriptive statistical analyzes were performed using the statistical program SPSS® version 21.0 for Windows. When analyzing the motivation to practice physical activity, it was observed that the female sex has an introjected motivation, higher than the male gender (P = 0.039) and the male group has a higher integrated motivation index than the female gender ( P = 0.014). It is concluded that the motivational profile of the students of the last year in high school was represented through the introjected motivation and integrated motivation.

Keywords: Physical Education. Motivation. Physical activity.

 

MOTIVACIÓN PARA LA PRÁCTICA DE ACTIVIDAD FÍSICA EN ADOLESCENTES DE LA ENSEÑANZA MEDIANA

RESUMEN

El presente estudio tuvo como objetivo verificar la motivación para la práctica de la actividad física en adolescentes de la Enseñanza Media de Escuelas Públicas de Chapecó. Participaron 50 sujetos de ambos sexos de una Escuela de la Red Pública Estadual de Chapecó y con una edad media de 16,86+ años. La motivación para la práctica de la actividad física y el nivel de actividad física fueron evaluados, respectivamente, a través del cuestionario de evaluación del comportamiento en el análisis del comportamiento (BREQ-3) y Cuestionario Internacional de la Actividad Física (IPAQ). Los análisis estadísticos descriptivos se realizaron utilizando el programa estadístico SPSS® versión 21.0 para Windows. En el análisis de la motivación para la práctica de actividad física, se observó que el sexo femenino tiene una motivación introyectada, mayor que la del sexo masculino (P = 0,039) y el grupo masculino tiene mayor índice de motivación integrada que el sexo femenino (P = 0,039) P = 0,014). Se concluye que el perfil motivacional de los alumnos del último año en la enseñanza media fue representado por medio de la motivación introyectada y de la motivación integrada.

Palabras clave: Educación Física. Motivación. Actividad física.

 

 

INTRODUÇÃO

A Educação Física é um dos principais componentes no currículo escolar dos adolescentes no ensino médio (GODOY, 2002). Ela implanta características diversificadas, inovadoras em relação à fase cognitiva, social, física, cultural e afetiva em que os adolescentes estão vivendo. No ensino médio, os alunos dividem-se em duas classificações, aqueles que promovem a prática esportiva intensa e formal e os que encontram na Educação Física o lazer e o bem-estar (BETTI; ZULIANI, 2002). O professor de Educação Física tem um papel crucial no desenvolvimento e no aprendizado dos adolescentes, auxiliando no aspecto do bom humor através de atividades físicas motivacionais (MARZINEK, 2004).

O estilo de vida mais ativo e saudável, por meio de práticas de exercícios físicos, se mostra eficaz na prevenção de doenças e na promoção da saúde tanto física quanto mental (WERNECK; NAVARRO, 2011). A motivação se divide em duas categorias na Educação Física, a intrínseca e a extrínseca que se dividem em subcategorias. A motivação intrínseca é fundamentada no conceito do exercício físico realizado por vontade própria (MARZINEK, 2004). É importante ressaltar que a motivação intrínseca não envolve cobranças, o indivíduo realiza atividades de forma que satisfaz suas próprias necessidades (MARTINELLI; DANIEL 2007). Já a motivação extrínseca é quando os exercícios físicos são realizados de forma proposital (MARZINEK, 2004), ela diz respeito a ação que o individuo realiza para ganhar algo em troca, como por exemplo, notas, pontos, medalhas (MARTINELLI; DANIEL, 2007).

A motivação extrínseca de regulação externa é desempenhada através de remuneração, ou para evitar algum problema (DECI; RYAN, 2002) ou quando se sente pressionado a fazê-lo, para não magoar ou descumprir ordens (SOBRAL, 2003). A motivação extrínseca de regulação introjetada é onde o aluno não quer realizar a atividade e faz por alguns propósitos, de vergonha, culpa ou para não contrariar o professor (DECI;RYAN), ou seja, realiza a atividade por imposição própria, podendo ser para superar metas e objetivos implantados por ele mesmo (SOBRAL, 2003). Motivação extrínseca de regulação identificada é quando o aluno tem o comportamento motivado e produz resultados dependendo de sua vontade. Na motivação extrínseca de regulação integrada o aluno é motivado e busca realizar as atividades pelos objetivos pessoais e não pelo prazer das atividades (DECI; RYAN, 2002).

O aspecto que diferencia a atividade física do exercício físico no contexto da motivação, onde a atividade física provoca gastos energéticos acima do nível de repouso do adolescente. O exercício físico é executado no formato de planejamento do movimento e realizado em um período curto de tempo (GODOY, 2002). A prática do exercício físico gera efeitos positivos no adolescente, melhorando o humor, reduzindo o estresse, aumentando sua autoestima com a melhora da eficiência e favorecendo o raciocínio lógico, tornando importante a motivação para a prática de atividade física em adolescentes do ensino médio de escolas públicas. Os adolescentes praticam exercícios físicos por várias razões, que se diferenciam de acordo com a idade, sexo, autoconfiança e satisfação pessoal, para se socializar e para simular objetivos de vida, o esporte pode ser uma oportunidade a ser vivenciada (BARROS, 1993).

Uma adolescência saudável e alegre é extremamente importante contra o sedentarismo e estados de depressão, melhorando a relação entre prática do exercício físico e a motivação para sua realização. As aulas de Educação Física preparam o adolescente para que ele tenha o melhor aproveitamento possível no conceito da prática esportiva, preparando o aluno para ter uma vida mais saudável e ativa (BETTI; ZULIANI, 2002). No ensino médio, a Educação Física se aplica na interação dos alunos nas aulas, bem como no comportamento motivacional onde possui alunos ativos e não ativos fisicamente (PEREIRA; MOREIRA, 2005). Por isso, o objetivo desse estudo é verificar a motivação para a prática da atividade física em adolescentes do Ensino Médio de Escolas Públicas de Chapecó.

 

MÉTODO

O estudo é caracterizado como descritivo (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2012). Na pesquisa foi obedecido e garantido o anonimato dos alunos participantes, havendo a possibilidade de desistência em qualquer fase do questionário ou de recusa a participar do mesmo. Em conformidade com a Resolução Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012 e aprovado no Comitê de ética em Pesquisa da Universidade do Oeste de Santa Catarina pelo CAAE 75327617.9.0000.5367.

Participaram do estudo 50 alunos do último ano no ensino médio de uma Escola da Rede Pública Estadual de Chapecó com idade entre 16 e 18 anos. Para participar do estudo o aluno precisou ter frequência de no mínimo 75% nas aulas do semestre. Os alunos que não se encaixaram nos critérios foram excluídos da etapa da pesquisa. O questionário aplicado foi composto por perguntas para descrição das características da amostra, como idade, sexo, motivação, além de assuntos que influenciam na pesquisa, como o aspecto motivacional diário dos adolescentes sobre os exercícios físicos e o sentimento ao desenvolver uma Atividade Física, sendo aplicado em alunos dos sexos opostos e aqueles que não participam e participam das aulas de Educação Física. A avaliação foi composta pelos questionários Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire (BREQ-3) (GUEDES; SOFIATI, 2015), que tem por objetivo avaliar a motivação no exercício físico e o Questionário Internacional da Atividade Física (IPAQ) (MATSUDO et al., 2001), que verifica os níveis de prática de exercício físico.

A coleta dos dados foi realizada no mês de agosto de 2017, nos dias com aulas de Educação Física. O procedimento da coleta foi organizado da seguinte forma: entrega da carta de apresentação na escola, antes de submeter o questionário, ouve uma explanação do assunto, mostrando a importância da pesquisa. Durante o questionário, o avaliador permaneceu na sala para eventuais dúvidas, mas sem o profissional de Educação Física para que os alunos não se sentissem constrangidos durante as respostas.

Para análise de dados utilizou-se estatística descritiva e inferencial. A normalidade foi verificada pelo teste Shapiro-Wilk e as comparações entre os grupos foram realizados pelos testes T e Mann Whithey e a associação no teste Qui-Quadrado. As análises de estatísticas descritivas foram realizadas no software SPSS® (versão 21.0 para Windows) e o nível de significância utilizada foi de 5%.

 

RESULTADOS

Atendendo aos principais objetivos da pesquisa serão apresentados os resultados da estatística descritiva. Realizando a exposição das médias obtidas pelos participantes no questionário de avaliação da motivação. Apresentando as relações previstas entre as diferentes variáveis. Participaram do estudo 50 sujeitos (tabela 1) de ambos os sexos e com idade média de 16,86, divididos em dois grupos de 25 sujeitos cada.

 

Tabela 1: Caracterização dos Alunos das Escolas Públicas. Chapecó, 2017.

Ao analisar o nível de atividade física dos adolescentes IPAQ (tabela 2), na comparação entre os grupos do sexo feminino e masculino, não se observou diferença nos dados.

Tabela 2: Nível de atividade física dos adolescentes (IPAQ).

*P <0,05> no Teste Qui-Quadrado

Ao observar as variações na motivação para prática de atividade física dos adolescentes (tabela 3), percebeu-se que houve duas diferenças na comparação entre o grupo de sujeitos do sexo feminino e do masculino. Notou-se que na motivação introjetada o grupo de sujeitos feminino obteve uma média elevada (M=2,18), acima do parâmetro (P=0,03) e o grupo de sujeitos masculino obteve variação diferente na motivação integrada, com uma média elevada (M=2,15), acima do parâmetro (P=0,01).

 

Tabela 3: Motivação para Prática de Atividade Física dos Adolescentes.

*P <0,05 no Teste T. # P <0,05 no Teste Mann Whithey

 

DISCUSSÃO

Ao verificar-se a motivação para a prática da atividade física dos adolescentes, comparando os sujeitos do sexo feminino e os do masculino, observou-se que a maior motivação que os escolares do sexo feminino possuem é a introjetada e os do sexo masculino é a motivação integrada.

Os resultados desse estudo são diferentes dos resultados de Abreu e Dias (2015), que indicam pontuação diferenciada nas dimensões das motivações. Joly (2011) apresentou fatores motivacionais elevados na motivação intrínseca, que indica a execução dos sujeitos nas atividades físicas por vontade própria. Conforme Fernández (2004), a motivação intrínseca possui aspecto positivo na consequência do bem estar do sujeito. Diferente da amotivação que leva a preditora negativa, em que o sujeito não se mostra motivado, em contraponto, Joly (2011) indicou que na motivação identificada o sujeito realiza as atividades em conformidade com sua vontade durante o dia.

O estudo apresentou variação elevada na motivação introjetada no grupo de estudo de sujeitos femininos, onde este grupo realiza as atividades para não contrariar uma ordem. Os resultados apontados por Vallerand (1997), na motivação intrínseca, identificada, externa e amotivação estão de acordo com os resultados aplicados nesse estudo. A motivação integrada obteve variação elevada no grupo de estudo de sujeitos masculinos, onde o sujeito realiza as atividades para obter objetivos pessoais. Esse resultado está de acordo com Barbosa (2011), o resultado é parecido com o de Abreu e Dias (2015) que possui a mesma linha proposta do estudo.

O estudo apontou que os aspectos da motivação externa, introjetada, identificada, integrada, intrínseca e amotivação citadas pelos autores Abreu e Dias (2015), Joly (2011), Fernández (2004) e Vallerand (1997), possuem a mesma linha de pensamento, mas variam em seus resultados de aplicações devido ao fundamento da motivação dos sujeitos. De acordo com o estudo o índice de autodeterminação obteve o resultado normal ao padrão dos sujeitos avaliados. Este resultado está de acordo com Deci e Ryan, (2000) que indica que os estudantes no ambiente escolar são motivados pelas necessidades psicológicas básicas e totalmente satisfeitas no índice de autodeterminação.

 

CONCLUSÃO

Conclui-se, no grupo estudado, que 44% dos participantes são considerados ativos fisicamente e 56% não atingiram os critérios para serem classificados como suficientemente ativos. Ao comparar-se a motivação para a prática da atividade física entre os sujeitos do sexo feminino e masculino verificou-se que o sexo feminino possui variação na motivação introjetada, na qual realizam a atividade para não contrariar ordens, e o sexo masculino possui variação na motivação integrada, na qual realizam as atividades pelos objetivos pessoais e não pelo prazer das atividades.

 

REFERÊNCIAS

ABREU, Odília; DIAS, I. Qualidade de vida e exercício físico: descrição de uma amostra na ESECS/IPL. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS. Leiria, Portugal. Julho, 2015.

BARBOSA, Marcus. Autodeterminação no esporte: O modelo dialético da motivação intrínseca e extrínseca. Porto Alegre, 2011.

BARROS, R. Os adolescentes e o tempo livre: lazer – atividade física. In: Coates V, Françoso LA, Beznos GW. Medicina do adolescente. São Paulo – SP, 1993.

BETTI, Mauro; ZULIANI, Luiz Roberto. Educação Física Escolar: Uma Proposta de Diretrizes Pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 2002.

DECI, E. L .; RYAN, R, M. Pesquisa de autodeterminação: reflexões e direção futura. Manual de pesquisa de autodeterminação. Rochester: University of Rochester Press, 2002.

DECI, E. L .; RYAN, R, M. Motivações intrínsecas e extrínsecas: definições clássicas e novas orientações. Psicologia educacional contemporânea, 2000.

FERNÁNDEZ, H; VASCONCELOS-RAPOSO, J; LÁZARO, J; DOSIL, J. Validação e aplicação de modelos motivacionais teóricos no contexto de Educação Física. Caderno de Psicologia do Desporto, 2004.

GAYA, A. ciência do movimento humano. Introdução e metodologia da pesquisa. POA, Artmed, 2008.

GODOY, Rossane Frizzo. Benefícios do Exercício Físico sobre a Área Emocional, 2002.

GUEDES, D.P.; SOFIATI, S.L. Tradução e validação psicométrica do Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire para uso em adultos brasileiros. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. Vol. 20. Num. 4. 2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.12820/rbafs.v.20n4p397>. Acessado 24 dez. 2015.

JOLY, Maria. Avaliação da escala de Motivação Acadêmica em estudantes paulistas: propriedades psicométricas. São Paulo – SP, 2011.

MARTINELLI, S. C. BARTHOLOMEU, D. Escala de motivação acadêmica: uma medida de motivação extrínseca e intrínseca. Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal; Avaliação Psicológica. Campinas – SP, 2007.

MARZINEK, Adriano. A motivação de adolescentes nas aulas de Educação Física. 2004.89 f. Dissertação (Pós-graduação em Educação Física) – Universidade Católica de Brasília, Brasília 2004.

MATSUDO, S. et al. Questionário internacional de atividade física (IPAQ): estudo de validade e reprodutibilidade no brasil. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. Vol. 6. Num. 2. 2001.

SOBRAL, D. T. Motivação do aprendiz de medicina: usa da escala de motivação acadêmica. Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasilia – DF, 2003.

PEREIRA, R. S.; MOREIRA, E. C. A participação dos alunos de Ensino Médio em aulas de Educação Física: algumas considerações. Revista da Educação Física/UEM, Maringá –PR, 2005.

THOMAS, J. R.; NELSON, J. K; SILVERMAN, S. Métodos de pesquisa em atividade física. 6ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

VALLERAND, R. Tornar um modelo hierárquico de motivação intrínseca e extrínseca. Avanços na psicologia social experimental. San Diedo, 1997.

WERNECK, F. Z.; Navarro, C. A. Nível de atividade física e estado de humor em adolescentes. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2011.

ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

ESPORTE, SAÚDE E EDUCAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

SPORT, HEALTH E EDUCATION: A SYSTEMATIC REVISION

 

Deyvid Tenner de Souza Rizzo1; Ágata Cristina Marques Aranha2; Clara Maria Silvestre Monteiro de Freitas3; Nelson Joaquim Fortuna De Sousa2

1Faculdades Magsul (FAMAG).

2Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal.

3Professor Associado da Universidade de Pernambuco – Escola Superior de Educação Física.

 

RESUMO

O estudo analisa pesquisas que abordam a temática do tratamento educacional dado ao esporte em benefício à saúde das pessoas. Para isso foi realizada uma revisão sistemática em cinco bases de dados utilizando descritores em português e inglês. Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 2005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com humanos. Resultados indicam a existência de 7691 estudos com o trabalho direcionado aos valores educacionais através do esporte, mas apenas 9 avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos. Concluímos que em grupos diversos as práticas pautadas em valores educacionais são grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares.

Palavras-Chaves: Esporte. Saúde. Qualidade de vida. Educação.

 

ABSTRACT

The study examines research that address the issue of educational treatment of the sport for the benefit to people’s health. For it was carried out a systematic review of five databases using key words in Portuguese and English. The inclusion criterion was instituted original articles, published between 2005-2015, in national and international journals in Portuguese and English, and research involving human . Results indicate that there are 7691 studies with work directed to educational values ​​through sports, but only 9 advance toward to guarantee the health of the subjects. We conclude that in the various practices based groups in educational values ​​are big boosters of behavior and healthy habits.

KeyWords: Sport. Health. Life’s quality. Education.

 

INTRODUÇÃO

Esporte, saúde e educação! Qual é a real possibilidade do esporte e a Educação Física contribuírem com a melhoria ou manutenção de uma boa saúde das pessoas no mundo de hoje? (KUNZ, 2007). Com esse estudo, verificou-se que os temas saúde e promoção da saúde por meio de práticas esportivas educacionais são bem mais complexos do que se apresentam no meio acadêmico.

A correta orientação que atividades físicas garantem, em grande parte, a melhoria e manutenção de uma vida mais saudável e previne doenças, já não é mais tão aceita (KUNZ, 2007).

Estudos apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em diferentes públicos, no sentido de dotar este campo disciplinar de instrumentos úteis em relação à terapêutica, à prevenção de doenças e à promoção da saúde humana (LUGUETTI et al., 2015; DOBBINS et al., 2009; ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013).

As preocupações no campo da grande área da saúde estão ligadas a diversos fatores, que alguns autores chamam de uma melhoria da “qualidade de vida” do indivíduo (MELLO et al., 2005; MONTEIRO; FILHO,  2004; CIOLAC; GUIMARÃES, 2004). As pesquisas desses autores apresentam resultados que põem a prática de atividades físicas, exercícios, esporte e lazer como soluções não somente para o tratamento de patologias, mas também como alternativas favoráveis à melhora das condições de saúde, com caráter promotor destas condições.

Os conceitos elaborados quanto ao que vem ser saúde devem ser objetos de cuidadosa reflexão, para que se possa perceber e atuar de forma coerente a fim de contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas (GUEDES; DARIDO; MAITINO, 2004).

Acredita-se em efeitos positivos da prática esportiva pautada em valores educacionais para a manutenção e melhoria da saúde das pessoas, sendo criança, adolescente, adulto, idoso, atleta ou sedentário. Pois uma prática esportiva condicionada em valores educacionais possibilita um estilo de vida saudável, seja para prevenção, tratamento e recuperação de doenças físicas ou mentais.

Nesse cenário, nos últimos dez anos, encontraram-se poucas pesquisas que se dedicaram a estudar esse recorte específico, a ênfase da maioria dos estudos é centrada apenas nas prerrogativas do esporte enquanto agente de transformação social, as discussões não avançam em direção para a garantia da saúde de seres humanos com pesquisas de campo pautadas em dados empíricos.

Deste modo, este estudo teve como objetivo identificar e analisar, por meio de uma revisão sistemática, o tratamento educacional dado ao esporte em benefício à promoção da saúde das pessoas.

 

METODOLOGIA

A metodologia caracterizou-se como um “estudo bibliográfico” no qual, “busca dar resposta ao problema formulado a partir da análise de produções de outros autores” (MEDEIROS, 2006, p. 54). Por utilizar procedimentos de caráter inventariante e descritivo esta metodologia pode ser caracterizada como pesquisa do estado do conhecimento.

O estudo trata-se de uma revisão sistemática; baseia-se em estudos primários que permitem avaliar a coerência das relações, identificando as relações entre pesquisas desenvolvidas com semelhanças ou diferentes intervenções, em que possibilita identificar inconsistências e conflitos entre diferentes informações (MULROW, 2004).

A investigação foi realizada por meio de pesquisa nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, PubMed, LILACS, SciELO, Bireme e Base de Dados Capes, no período de busca de 2005 a 2015. Como estratégias de busca, utilizaram-se os seguintes descritores e palavras-chave em português e inglês: “Esporte”, “Educação”, “Educacional”, “Saúde”. Houve a combinação desses termos e descritores por meio do operador lógico AND: esporte AND “educação” (2.403 estudos); esporte AND “saúde” (3.884); esporte AND “educação” AND “saúde” (421estudos); esporte AND “educacional” (983 estudos).

Como critério de inclusão instituiu-se artigos originais, publicados no período de 20005 a 2015, em periódicos nacionais e internacionais nos idiomas português e inglês, e pesquisas realizadas com seres humanos. Foram excluídos estudos de revisão de literatura, teses, dissertações e monografias, assim como artigos nos idiomas: espanhol, alemão, francês, italiano, russo, finlandês e ucraniano.

No processo de seleção, nas análises e na organização dos artigos, procurou-se responder aos seguintes questionamentos: quais as características dos artigos quanto ao ano autor? Qual a metodologia adotada? Quais os locais onde foram desenvolvidas as pesquisa? Qual o número e principais características dos sujeitos dos estudos selecionados? E por último, quais os principais resultados alcançados? Para responder estas questões, foi construída uma tabela de acordo com as informações relevantes dos estudos, no tocante as variáveis: autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados.

O conteúdo dos artigos selecionados foi avaliado e validado na medida em que se tratavam de estudos exploratórios, de intervenção, descritivos, séries de caso, pesquisa ação e análise estatística. Dado o número crescente de estudos sobre a influência do esporte na vida das pessoas, foram definidos como critérios para seleção apenas os estudos que investigaram os efeitos da prática esportiva pautada em valores educacionais para o benefício da saúde de uma determinada amostra de sujeitos. Não foram considerados elegíveis relatos de caso, revisões de literatura e cartas ao editor. Quando se tratavam de estudos experimentais foram considerados estudos inaceitáveis quando havia somente análise estatística descritiva e não inferencial.

Primeiramente, para identificar se os estudos atendiam aos critérios de inclusão, foi realizada uma análise ancorada nos títulos dos artigos selecionados. Em seguida, dois revisores independentes fizeram uma triagem de todos os artigos identificados por meio da leitura dos respectivos títulos e resumos, adotando-se os critérios de inclusão e exclusão citados anteriormente. Quando existiu discordância quanto à permanência ou não de determinado estudo, um terceiro revisor foi consultado. Em seguida, os artigos remanescentes foram acessados na íntegra para avaliação, e os artigos que não houve consenso quanto aos critérios de in/exclusão, foram analisados por um terceiro revisor.

Após a exclusão dos artigos duplicados por meio do processo de refinamento, foram obtidas 83 publicações, que foram lidas e examinadas criteriosamente, classificando-as e agrupando-as, adotando um protocolo de organização segundo as categorias temáticas, quanto o tipo de estudo e as práticas esportivas sustentadas em valores educacionais para benefício da saúde das pessoas. Na etapa seguinte, os artigos foram analisados na íntegra, totalizando 09 artigos que atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos.

 

RESULTADOS

O processo de pesquisa realizado neste estudo identificou, inicialmente, por meio dos descritores e palavras-chave combinados, 7.691 artigos. Em seguida, houve um refinamento, utilizando-se os critérios de inclusão como filtros de pesquisa, tais como: 1) artigos disponíveis em formato completo, atingindo 4.116 estudos; 2) artigos publicados entre 2005 e 2015, alcançando 2.131 estudos; 3) artigos disponíveis nos idiomas português e inglês, obtendo 1.825 estudos. Destes, identificou-se 312 artigos repetidos, o que reduziu a amostra do estudo para 1.513.

Após a leitura dos títulos, selecionaram-se 83 artigos para posterior análise dos resumos. Com isso, foram identificadas 21 publicações que contemplavam a influência do esporte pautado em valores educacionais para um estilo de vida saudável. Em seguida, procedeu-se à leitura desses artigos na íntegra, a partir da qual 09 produções compuseram a amostra dessa revisão, tendo em vista que abordavam possíveis fatores do esporte pautado em valores educacionais como determinantes para a prática de atividade física em prol da manutenção da saúde.

Em relação aos grupos etários o que predominou foram crianças e adolescentes de ambos os gêneros. Em 06 estudos pode-se perceber que há correlação significativa entre a realização de uma prática esportiva pautada em valores educacionais e o vivenciamento de um estilo de vida saudável.

Em 02 estudos foi evidenciada a importância sobre o valor da educação mesmo para os atletas e treinadores no esporte de alto nível, demonstrando que o ato educacional pode impactar até para o surgimento de estratégias inovadoras pra o desporto, além de corroborar para a saúde e bem estar dos sujeitos envolvidos.

A importância da relação entre esporte e educação pelo professor de Educação Física foi apontada em 01 estudo, além do compromisso docente em sistematizar a prática da saúde coletiva na sociedade por meio das práticas esportivas. Esse estudo ainda cria novas propostas que viabilizam maior conhecimento sobre a tríade: “esporte, educação e saúde”, ampliando as formas de atuação desses profissionais no âmbito escolar.

Todos os estudos analisados revelaram uma correlação entre esporte e educação para a promoção da saúde do sujeito e consequentemente o vivenciamento de um estilo de vida saudável, seja por meio da prática do esporte na Educação Física Escolar, no lazer e recreação ou no esporte de alto nível.

 

DISCUSSÃO

Logo a seguir, a Tabela I apresenta os 09 artigos selecionados, destacando as características dos estudos quanto autor/ano, metodologia, local de realização da pesquisa, sujeitos e principais resultados. Os artigos se encontram em ordem cronológica crescente.

 

Tabela I – Características dos artigos selecionados pelas bases de dados eletrônicas.

Isto é, o corpo em movimento não pode ser ignorado através das atividades corporais, brincadeiras, jogos de competição de alto nível, ou deixado em segundo plano. Sobre esta complexidade de práticas todo um conjunto de discursos sobre o papel da Educação Física na grande área da saúde, seja na prevenção de doenças crônicas e agudas, seja na recuperação terapêutica, ou na promoção da saúde, não cessa de aumentar.  E, certamente, o ato educacional favorece ao fortalecimento de práticas que consolidem as atividades esportivas como uma possibilidade de intervenção, deste modo, tanto profissionais de Educação Física, crianças, adolescentes, adultos e idosos terão a medida da importância de uma atividade corporal no processo saúde/doença, e em práticas saudáveis.Nos resultados dos estudos de Backes et al. (2009) alguns recortes de falas dos depoentes mostram os significados que jovens de um projeto social possuem sobre saúde, a saber: 1) Saúde é fazer esporte. 2) Saúde é relaxar, descansar; 3) Saúde é fazer esporte para manter a forma; 4) O corpo precisa se movimentar para ter saúde e manter a forma.

Para a intervenção do profissional de educação física para melhoria da saúde coletiva; se torna possível e necessária a inclusão de práticas corporais como parte integrante de uma comunidade, tanto em relação à prevenção, como à recuperação e à promoção (expansão) da saúde. O profissional da educação física, quando voltado para a saúde, pode ser um membro de uma equipe tal como é o médico, o enfermeiro, o fisioterapeuta, o nutricionista etc. Atualmente a educação física tem alguma presença no setor educacional, através da rede escolar, mas muito pouco dessa presença influirá realmente na vida adulta dos alunos (BACKES et al., 2009).

Nessa fala entende-se a devida importância que os autores reconhecem na presença de um profissional de Educação Física para a saúde coletiva, para tanto, desconstroem ou no mínimo duvidam dos efeitos em longo prazo do trabalho que o professor de Educação Física realiza no ambiente escolar para a melhoria da saúde da população.

Esse “desencontro” vai em direção com os resultados do estudo de (Nogueira e Pereira (2014), que apontam para a necessidade de maior reflexão dos profissionais de Educação Física em otimizar a  promoção de melhorias da aptidão física relacionada à saúde de adolescentes por meio da prática esportiva.

A disciplina Educação Física Escolar vem se baseando como uma prática excludente e por muitas vezes acríticas, voltada para a formação de equipes desportivas representativas das escolas, vista pelos alunos como uma prática recreativa, como uma forma de “quebrar” a rotina da sala de aula (BOERA et al., 2011; NETO et al., 2010).

É importante que os profissionais da Educação Física atuantes, e futuros que atuarão no campo da saúde tenham em mente uma diferença fundamental de funções quando se trata da saúde coletiva, pois não se trata de “treinar” (caso do desporto) ou de “adestrar” (caso da maioria das ginásticas), talvez nem mesmo de “habilitar” (caso da educação escolar) o corpo dos praticantes para o desempenho de atividades físicas, mas, na maioria das vezes, simplesmente, através da atividade, colocar em contato com seu próprio corpo pessoas que jamais se detiveram para “senti-lo” ou “ouvi-lo” como algo seu, vivo, pulsante, com capacidades e limites; tratá-lo como a “sua casa” (LUZ, 2007).

Percebe-se que ao tratar os temas: “esporte, saúde e educação” em paralelo, é possível traçar vários caminhos com teses diferentes, talvez pelo esporte se manifestar como um fenômeno tão rico de significados e de interesse de profissionais de educação física, médicos, fisioterapeutas, sociólogos, físicos, psicólogos, etc. Enfim, apesar dos desencontros teóricos, observa-se que o esporte, mesmo que tenha como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social se aliado ao ato educacional. Esporte vai muito além dos encontros em ginásios, estádios, piscinas e academias, mas a intencionalidade que o professor/treinador/médico direciona a prática faz a diferença entre aspectos positivos e negativos de sua realização.

O Esporte e o movimentar-se do ser humano em forma de ginástica, especialmente nas academias, são visto, como nunca antes, como uma atividade de máxima importância para a vida das pessoas. Quem não se movimenta morre cedo diz o ditado. E como tudo neste mundo que ganha significado social e aceitação popular ganha também à atenção do comercio, dos negócios. Foi assim, que primeiro se valorizou o esporte. O esporte como uma pratica saudável, como um excelente agente de socialização e até de educação, especialmente para jovens. Até uma mercadoria das mais valorizadas no mundo inteiro (KUNZ, 2007).

Qual é a real possibilidade da Educação Física e o esporte contribuírem para melhoria ou manutenção de uma boa saúde para as crianças e jovens no mundo de hoje? Em geral e a promoção da saúde por meio de atividades de movimentos, os exercícios físicos, a ginástica, corridas, natação, esportes, etc., é bem mais complexa do que normalmente é apresentada em nosso meio. Ou seja, existe a idéia de que a correta orientação de atividades físicas garante, em grande parte, a melhoria e a manutenção de uma vida mais saudável (KUNZ, 2007).

No contexto social atual, a saúde como prática educativa e de promoção do viver saudável, ainda está longe de alcançar novos significados tanto para os usuários – atores sociais – quanto para os profissionais da saúde, mediadores e instigadores de novas práticas em saúde. Esta fragilidade se mostra, sobretudo, nos espaços e grupos sociais vulneráveis ou socialmente invisíveis, como no caso das favelas e periferias das grandes cidades. Com base no exposto, o viver saudável pode ser entendido como um processo singular, complexo e plural, construído a partir dos significados e imaginário que cada ser humano ou grupo social atribui ao seu modo de ser e viver, bem como aos diferentes movimentos dinâmicos da vida, motivados pelo contexto social e cultural específicos (BACKES et al., 2009).

Estudos já apontam para a necessidade da focalização das práticas esportivas em públicos diversos, e deste modo, os desafios para a promoção da saúde são superados por meio de trabalho interdisciplinar entre profissionais das áreas de interesse (ORTEGA; RUIZ; CASTILLO, 2013; DOBBINS et al., 2009; LUGUETTI et al., 2015).

Para facilitar o alcance do “viver saudável” e diminuir a distância da prática educativa e o bem estar social, a promoção da saúde por meio da prática esportiva pode significar a garantia do direito de cada criança, adulto ou idoso ao acesso a medidas coletivas seguras, políticas públicas que garantam saúde, acesso à informação, autonomia nas escolhas, participação nas decisões que interferem na sua vida e na sua saúde. Contanto, a inter-relação entre educação, esporte e saúde facilita essa conscientização, favorecendo a criação de elementos fundamentais para a aquisição de hábitos saudáveis de vida, viabilizada pelas boas práticas de saúde, alimentação e relações pessoais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos, o estudo do esporte pautado em princípios educacionais ganhou crescente interesse, por atuar diretamente sobre o comportamento e os valores dos indivíduos. No entanto, essa revisão sistemática possibilita entender a carência de estudos no estado do conhecimento e evidências confiáveis de que intervenções educativas são eficazes na promoção da saúde das pessoas. Deixa clara a existência de muitas pesquisas com o trabalho direcionado aos valores educacionais, mas a ênfase dessas discussões é centrada e alicerçada apenas nas prerrogativas da Pedagogia do Esporte, não avançam em direção para a garantia da saúde dos sujeitos.

Ao compreender que os fatores educacionais no esporte, seja no âmbito escolar, de lazer ou alto nível são determinantes para um estilo de vida saudável, torna-se necessário o desenvolvimento de pesquisas de campo realizadas internacionalmente com seres humanos, pois, entende-se que a percepção de profissionais da grande área da saúde e de várias parte do mundo pode favorecer de forma interdisciplinar. Sugere-se que futuros estudos aprofundem questões vinculadas às mais distintas manifestações esportivas, contudo, pautadas por uma ação educacional em prol da promoção da saúde das pessoas, como grandes incentivadoras dos comportamentos e hábitos salutares, principalmente quando relacionados à prática da atividade física esportiva.

Desta forma, quiçá criar uma espécie de modelo de prevenção de doenças, centrado no controle de riscos, ou seja, um modelo de promoção da saúde pautado na busca da conservação ou expansão da vitalidade humana por meio da prática esportiva educacional vista como totalidade irredutível através de atividades e hábitos saudáveis em relação à alimentação, ao trabalho, à sociabilidade, à sexualidade e à vida emocional, ao lazer, enfim, ao viver em geral.

Concluímos a tríade “esporte, educação e saúde” pode servir como um ponto de partida para a sociedade repensar os valores ligados a um estilo de vida saudável,  demonstrando que o ato educacional não é exclusivo da escola ou do professor, mas sim, de cada sujeito que pretende adotar a prática esportiva como meio de recreação, treinamento ou lazer.

 

REFERÊNCIAS

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ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA DE SERVIDORES TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS DE UMA UNIVERSIDADE DO OESTE CATARINENSE

Rafael Cunha Laux

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

Thuane Lopes Macedo

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

Laudenei Anderson Henrich

Universidade do Oeste de Santa Catariana (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Daniela Zanini

Universidade do Oeste de Santa Catariana (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Sara Teresinha Corazza

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria – RS, Brasil.

 

Resumo: O estudo teve como objetivo verificar a qualidade de vida de servidores técnicos administrativos de uma instituição de ensino superior da cidade de Chapecó-SC. Realizou-se uma avaliação de qualidade de vida através do questionário Whoqol-bref. Participaram do estudo 51 sujeitos, 19 homens e 32 mulheres, com idade média de 33,5±8,8 anos. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (média, frequência, percentual e desvio-padrão) e inferencial. Verificou-se que 60% dos indivíduos classificaram sua Qualidade de vida Geral de forma positiva, quanto ao nível de satisfação com a sua saúde cerca de 68% dos técnicos administrativos se dizem satisfeitos. As médias encontradas em cada domínio da qualidade de vida foram: relações sociais de 66,8, psicológico de 62,3, físico de 55,9 e meio ambiente 64,6 pontos. Na análise da qualidade de vida entre os sexos não se observou diferenças significativas. Conclui-se que a qualidade de vida dos servidores técnicos administrativos dessa instituição encontra-se como “Regular”.
Palavras Chaves: whoqol-bref. Qualidade de vida. Ensino Superior.

Abstract: The study aimed to verify the life quality of technical administrative workers of a higher education institution in the city of Chapecó-SC. A life quality assessment was done through the questionnaire Whoqol-bref. The study enrolled 51 subjects, 19 men and 32 women with an average age of 33.5±8.8 years old. The data were analyzed using descriptive statistics (average, frequency, percentage and standard deviation) and inferential. It was found that 60% of the participant rated their overall quality of life positively and, and with the level of satisfaction with their health about 68% of the technical administrative workers said they were satisfied. The averages found, in points, in each field of quality of life were: 66.8 for social relations, 62.3 for psychological, 55.9 for physical and 64.6 for environmental. In the analysis of life quality between the sexes it was not observed significant differences. It was concluded that the life quality of technical administrative workers in that institution is “Regular”.
Keywords: Whoqol-bref. Life quality. Advanced education.

INTRODUÇÃO

O conceito de qualidade de vida é diferente entre os indivíduos e tende a mudar ao longo da vida de cada um. Existe, porém, consenso em torno da ideia de que são múltiplos os fatores que determinam a qualidade de vida de pessoas ou comunidades. A combinação desses fatores, que moldam e diferenciam o cotidiano do ser humano, resulta numa rede de fenômenos e situações que, abstratamente, pode ser chamada de qualidade de vida (FIGUEIREDO; MONT´ALVÃO, 2005). Esta definição reflete o entendimento de que qualidade de vida se refere a uma avaliação subjetiva, que sofre influências do contexto cultural, social e ambiental, sendo assim uma avaliação superficial do atual estado do indivíduo, não podendo ser simplesmente equiparada ao bem-estar, estado de saúde, estilo de vida ou estado mental (FLECK, 2008).
A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) envolve tanto os aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local de trabalho. Um programa de QVT necessita sempre buscar atender as necessidades dos colaboradores quanto ao bem-estar e satisfação em seu ambiente de trabalho e atender as exigências das empresas quanto à qualidade e eficiência na produção. Para atender aos dois lados, o programa deve ser amplamente discutido planejado e constantemente avaliado, visando sempre uma melhor adaptação as novas exigências do mercado (CHIAVENATO, 2004).
Com a expansão dos negócios e a crescente busca por um lugar de destaque, as empresas estão buscando o aprimoramento de sua produção e qualidade nos produtos e serviços prestados, através de um ambiente mais favorável ao bem estar físico e mental dos seus colaboradores. Para tanto, os programas de QVT estão cada vez mais em evidência, pesquisas estão comprovando seus benefícios tanto para as corporações bem como para os trabalhadores. Um dos mecanismos em destaque em um programa de QVT é o Exercício Físico no Ambiente de Trabalho ou Ginástica Laboral, que promove benefícios para os colaboradores e como consequência as corporações.
O mercado cada vez mais competitivo e exigente movido pelos avanços tecnológicos redefine o trabalhador como sendo a verdadeira potência, desta forma a promoção da qualidade de vida nas empresas vem se tornando a maneira essencial para se manter a motivação e o comprometimento dos trabalhadores. Muitas empresas intituladas como “as melhores em gestão de pessoas” têm se destacado em aumento da produtividade, baseando-se na QVT, ao inserirem-na em seu planejamento e gerenciamento dos recursos humanos (NISHIMURA, 2008).
Desta forma, o estudo tem por objetivo verificar a qualidade de vida de servidores técnico administrativo de uma instituição de ensino superior da cidade de Chapecó.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo é caracterizado como pesquisa descritiva, de caráter comparativo. A população da pesquisa foi composta por 75 servidores técnicos administrativos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), da região oeste de Santa Catarina.
Participaram da pesquisa 51 indivíduos técnicos administrativos da Universidade Federal Fronteira Sul da cidade de Chapecó-SC, sendo 19 do sexo masculino e 32 do sexo feminino, com média de idade 33,5 ±8,8 anos.
Para selecionar o grupo de estudo foram respeitados os seguintes critérios hierárquicos: 1) convite e divulgação na Universidade, via e-mail, telefonemas e pessoalmente sobre o objetivo e metodologia da pesquisa; 2) análise das respostas e conhecimento dos participantes a partir do aceite do convite. No estudo foram incluídos os sujeitos que: 1) tiveram idade entre 18 e 60 anos; 2) aceitaram participar (Fluxograma 1).

Fluxograma 1. Seleção dos participantes

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Fonte: Os autores.

A qualidade de vida foi avaliada utilizando o questionário Whoqol-bref da Organização Mundial da Saúde, validado para a população brasileira por Moreno et al. (2006). Este instrumento de autoavaliação da qualidade de vida considera as duas últimas semanas dos indivíduos do estudo, no qual são verificados os domínios Físicos, Psicológicos, Relações Sociais e Meio Ambiente. São apresentados 26 questões, onde o sujeito deve assinalar em uma escala likert de 5 pontos como aquela afirmação é verdadeira para ele, pela análise dessas questões revela-se a avaliação geral da qualidade de vida dos colaboradores.
O estudo seguiu as diretrizes e normas que regulamentam a pesquisa com seres humanos (lei 196/96), sendo que todos os participantes preencheram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (CEP/UFSM nº 1.457.639).
Os dados foram tratados estatisticamente a partir de procedimentos descritivos das variáveis analisadas, utilizando média, desvio padrão, percentual e frequência. Foi utilizado o teste de normalidade Kolmogorov–Smirnov, identificando a distribuição não paramétrica, optou-se pela utilização do teste Mann-Whitney U para comparação entre os sexos. Os dados foram processados por meio do SPSS® versão 21.0 for Windows com nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Na identificação da qualidade de vida dos funcionários administrativos, uma análise descritiva dos dados está apresentada na tabela 1, considerando os resultados das frequências e porcentagens da percepção de técnicos administrativos sobre as questões gerais (Q1 e Q2).

Tabela 1. Percepção dos servidores técnicos administrativos sobre as questões Q1 e Q2 do WHOQOL-bref.

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Fonte: os autores.

Com base nestes resultados, verificou-se que 60% dos indivíduos classificaram sua “qualidade de vida geral” de forma positiva. Quanto ao nível de satisfação com a sua saúde, 68% dos técnicos administrativos se dizem satisfeitos com seus níveis de saúde. Em relação aos resultados das duas questões gerais, observou-se que a maior parte dos profissionais estudados apresenta-se satisfeita com a sua qualidade de vida e com a saúde.
Na tabela 2, apresentam-se as diferenças entre as facetas de cada domínio (Físico, Psicológico, Social e Ambiental) em técnicos administrativos, no qual não foi encontrada diferença significativa entre os gêneros feminino e masculino.

 

Tabela 2. Resultado do WHOQOL-Bref para os servidores técnicos administrativos.

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Fonte: Os Autores.

No Domínio Relações Sociais, os maiores postos médios foram das facetas “Suporte/apoio social” e “Relações Pessoais” em relação à faceta de “Atividade sexual”. Porém, os dados não indicam diferenças significativas entre as facetas “Suporte/Apoio social” e “Relações Pessoais”.
Para o Domínio Psicológico, a faceta “Espiritualidade” apresentou significativamente o maior valor de posto médio, enquanto a faceta “Sentimentos negativos” obteve o menor valor para este domínio. Não foi encontrado diferença significativa entre as demais facetas, “Imagem corporal e aparência” e “Autoestima”. Também não foi observada diferença entre as facetas “Sentimentos positivos” e “Pensar, Aprender, Memória” no domínio Psicológico.
No que diz respeito ao Domínio Físico, a faceta “Mobilidade” teve destaque como o melhor índice neste domínio bem como dentre os demais domínios, os valores dos postos médios das facetas referentes à “Capacidade de trabalho”, “Atividades da vida cotidiana”, “Energia e fadiga” e “Sono e repouso” foram significativamente maiores quando comparados às facetas “Dor e desconforto” e “Dependência de medicação”. Não houve diferença entre as facetas “Capacidade de trabalho”, “Atividades da vida cotidiana”, “Energia e fadiga” e “Sono e repouso”. O mesmo padrão também foi observado para as facetas “Dor e desconforto” e “Dependência de medicação”, porem no caso da faceta “Dependência de medicação” obteve o pior índice não só deste domínio bem como dos demais.
Quanto ao Domínio Meio Ambiente, constatou-se que os maiores valores de postos médios foram das facetas “Ambiente no lar” seguido de “Oportunidades e informações”. As demais facetas “Cuidados de saúde e sociais”, “Segurança física e proteção”, “Transporte”, “Ambiente físico” e “Recursos financeiros” vem logo em seguida. Verificou-se também que a faceta “Recreação/lazer” apresentou o menor valor de posto.
Na questão 15 “Quão bem você é capaz de se locomover?” verificou-se o melhor índice 4,6 classificado como “Boa”, o pior índice 1,7 recaiu sobre a questão 4 “O quanto você precisa de algum tratamento médico para levar sua vida diária?” classificado como “Precisa Melhorar”. Diferente do verificado no âmbito geral Facetas 1 e 2, a predominância no que diz respeito ao nível de satisfação dos indivíduos para com a sua qualidade de vida nas últimas duas semanas, está classificado como “Regular” entre 3,0 e 3,9.
Na Tabela 3, são apresentados os dados descritivos associados aos escores dos domínios e da avaliação geral da qualidade de vida obtidos. Os resultados dos postos médios apontam que os técnicos administrativos avaliados apresentaram uma maior percepção nos domínios Relações Sociais e Meio Ambiente, seguida de uma menor percepção nos domínios Psicológico e Físico.

Tabela 3. Escores dos domínios do WHOQOL-Bref e da avaliação geral da qualidade de vida

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Fonte: Os autores.

O domínio Relações Sociais apresentou a média mais elevada 66,8. Nesse aspecto, questiona-se o nível de satisfação com as pessoas do círculo social, o apoio que recebe e a satisfação com a atividade sexual.
No domínio Psicológico que avalia, se o entrevistado está satisfeito consigo mesmo e com sua aparência ou a freqüência de sentimentos negativos a média da amostra estudada foi de 62,3.
O domínio de menor escore foi o Físico, os itens principais enfocam a presença de dor ou desconforto, dependência de medicação, satisfação com o sono, capacidade para o trabalho e atividades diárias, entre outros, encontrou-se a média de 55,9.
No domínio do Meio Ambiente estão incluídas perguntas relacionadas à segurança, condições do ambiente físico, dinheiro para as necessidades, lazer, moradia, transporte e acesso aos serviços de saúde, a média encontrada foi de 64,6.

DISCUSSÃO

O escore médio geral da qualidade de vida dos técnicos administrativos encontrado foi de 63,8±20,1 pontos podendo ser considerado como regular, levando-se em conta que a escala de valores alterna entre zero (0) e cem (100). Saupe et al. (2004), em um estudo realizado com 825 estudantes de enfermagem da região sul, observaram que o Domínio Relações Sociais apresentava o melhor escore com índice de 70 pontos, seguido do domínio Físico (67 pontos), Psicológico (65 pontos), e a pior média ficou com o Meio Ambiente com 55 pontos. Ainda, em torno de 64% dos indivíduos declararam estar satisfeitos em relação a sua percepção de qualidade de vida o que muito se aproximou da presente pesquisa.
Segundo Rusli, Edimansyah e Naing (2008) existem alguns fatores que podem influenciar a qualidade de vida dos trabalhadores como por exemplo maior apoio social, redução do estresse, ansiedade e depressão por demanda de trabalho e deve ser levado em conta na gestão de trabalhadores.
Segundo estudo de Souza Filho et al. (2015) realizado com 316 policiais do sexo masculino, com objetivo de verificar a percepção de sua qualidade de vida, constataram que 80,7% dos policiais classificaram de forma positiva a sua qualidade de vida e 82,6%. Os resultados demostram escores superiores de satisfação com a sua saúde, porém semelhantes aos encontrados neste estudo.
Em estudo transversal, realizado por Paschoa et al. (2007) com 126 trabalhadores da equipe de enfermagem em UTI, foram encontrados os seguintes escores nos Domínios Relações Sociais 66,3 pontos, Psicológicos (60,8 pontos), Físico (53,1 pontos) e Meio Ambiente (49,4 pontos). Resultados semelhantes foram encontrados no presente estudo no domínio Relações Sociais e Psicológicos.
Penteado e Pereira (2007) avaliaram os aspectos associados á qualidade de vida de professores do ensino médio de escolas estaduais e verificaram que os aspectos que mais afetaram positivamente relacionavam-se à vida privada/ doméstica/ pessoal e as questões físicas. Por outro lado, os aspectos que mais o afetaram negativamente se relacionavam à vida profissional. Os resultados encontrados nos domínios Relações Sociais de 70,3 pontos, domínio Físico de 68,2 pontos, domínio Psicológico de 68,2 pontos e domínio Meio Ambiente de 56,1 pontos. Estes resultados são semelhantes aos demais estudos em relação aos domínios das Relações Sociais, seguido do domínio Físico e Psicológico, em último aparece o domínio Meio Ambiente.
Destaca-se a importância da atividade física na saúde do trabalhador, assegurada por Silva et al (2010) quando afirma que o exercício físico é uma forma de lazer e de restaurar a saúde dos efeitos nocivos que a rotina estressante do trabalho traz. Em seu estudo, ao relacionar a qualidade de vida de trabalhadores e estudantes com seu nível de atividade física, pessoas muito ativas apresentaram significativamente maiores escores de qualidade de vida em relação aos inativos, exceto quanto ao domínio Relações Sociais. Porém, nos resultados apontados pela percepção de qualidade de vida dos técnicos administrativos, o domínio Físico destacou-se negativamente perante os demais, indicando um alto índice de sedentarismo por parte dos funcionários técnicos administrativos.
As diferenças entre os domínios apontam necessidades dos trabalhadores, que devem ser consideradas em propostas de atenção/promoção da saúde e qualidade de vida, principalmente no que se refere ao domínio Físico que obteve o pior escore dentre os domínios.

CONCLUSÃO

A partir dos resultados, observou-se que não existe uma diferença significativa entre os sexos, em todos os domínios o que se apresentou foi um equilíbrio muito grande sem diferenças significativas. O melhor índice encontrado foi relacionado ao domínio “Físico”. Com exceção das facetas 1 e 2, que apresentaram índices de classificação “Boa” referentes a Qualidade de Vida Geral. Em todos os domínios o resultado sugere que o nível de satisfação com a qualidade de vida, da categoria de trabalhadores formados por técnicos administrativos classificasse como “Regular”.
O presente estudo revelou que os servidores técnicos administrativos se auto declaram satisfeitos com sua qualidade de vida. A população estudada apresentou comprometimento principalmente na dimensão do domínio Físico. Para novos estudos sugere-se intervenções no ambiente de trabalho para verificar se ocorre mudanças na qualidade de vida desses sujeitos. As intervenções podem ser através de palestras, programas de exercícios físicos, acompanhamento nutricional ou psicológico.

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