HYPERTENSIVE RESPONSE TO A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION IN ELDERLY

Romário Fagner Remígio Fausto1, Jennifer Ariely Sales Suassuna1, Daniele Cristina dos Anjos Dantes1, Luan Carlos Nunes de Oliveira1, Eduardo dos Santos Soares Monteiro1, Ana Cristina Oliveira Marques1, Bruno Teixeira Barbosa1,2

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Introdução: A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é considerada um fator de risco para as patologias cardiovasculares, dentre elas a hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença crônica, multifatorial e de maior prevalência em idosos. Objetivo Avaliar a RHE de idosos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional. Metodologia: Doze idosos (62,4 ± 2,4 anos), nove mulheres e três homens foram submetidos a uma sessão de exercício multifuncional dividida em aquecimento (50% da frequência cardíaca máxima (FCreserva), parte principal (60-80% da FCreserva), onde a parte principal contou com 3 ciclos de 12 estações, com descanso de 2 minutos entres os ciclos e estações com duração de 80 segundos cada, sem intervalo entre elas. Foram realizadas medidas da pressão arterial (PA) nas condições de repouso e durante o exercício (3 vezes em 3 diferentes estações). Resultados: Não foi verificado comportamento hipertensivo da pressão arterial em idosos submetidos a uma sessão de exercícios multifuncional. Conclusão: Uma sessão de exercícios multifuncionais de intensidade moderada não provoca RHE em idosos, sendo assim, essa prática pode ser considerada segura e benéfica para essa população.

Palavras-chave: exercício multifuncional; hipertensão; resposta hipertensiva; idoso.

 

INTRODUÇÃO

A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é comumente definida como uma resposta ao exercício da pressão arterial sistólica (PAS) de exercício ≥ 210 mmHg em homens e ≥ 190 mmHg em mulheres (MORROW et al., 1993); tal resposta fisiológica pode atuar como fator preditor de algumas doenças cardiovasculares, como a hipertensão essencial (MIYAI et al., 2002; SHARABI et al., 2001), a doença coronariana (MCHAM et al., 1999), a hipertrofia do ventrículo esquerdo (GOTTDIENER et al., 1990); e até da morte (KJELDSEN et al., 2001).

A RHE é considerada multifatorial, sendo influenciada por mecanismos que incluem o tônus simpático excessivamente alto durante o exercício, a diminuição da distensibilidade aórtica, bem como disfunção endotelial e diastólica (SCHULTZ et al., 2013). Também contribuem para a RHE a resistência periférica total, que não diminui adequadamente para compensar o aumento do débito cardíaco durante o exercício, e a incapacidade da vasodilatação induzida pelo exercício, assim como de forma crônica o aumento da massa do ventrículo(WILSON et al., 1990).

Estudos demostram que, uma vez acionados tais mecanismos, a RHE apresenta poder prognóstico para o desenvolvimento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) (HOLMQVIST et al., 2011; SINGH et al., 1999), considerada a doença crônica não transmissível mais prevalente na população idosa e que constitui o principal fator de risco cardiovascular modificável causador de morbimortalidade no mundo (OSTCHEGA et al., 2007). A HAS tem origem multifatorial, e é causada por fatores genéticos, sedentarismo, obesidade, ingesta excessiva de sódio e álcool (DICKSON; SIGMUND, 2006; HACKAM et al., 2010; MALACHIAS et al., 2016; WHELTON et al., 2002).

Não é de nosso conhecimento a existência de estudos que tenham avaliado a RHE a uma sessão aguda de exercício multifuncional na população idosa. Deste modo, o objetivo do presente estudo é o de avaliar a RHE de idosos normotensos e hipertensos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Delineamento do Estudo

O presente estudo trata-se de um estudo quase-experimental com amostra definida de forma não probabilística, sendo composta por sujeitos idade entre 60 e 80 anos, de ambos gêneros, recrutados através da mídia e ação em campo nas áreas públicas de lazer na cidade de João Pessoa/PB. Participaram do estudo sujeitos hipertensos até o grau II (MALACHIAS et al., 2016), eutróficos e obesos (18,5 ≤ IMC ≤ 39,9 kg/m²) e aqueles considerados ativos de acordo com o Questionário Internacional de Atividade Física, previamente validado e adaptado para população idosa (BERTOLDO BENEDETTI et al., 2007; MAZO; BENEDETTI, 2010). Não foram incluídos tabagistas e portadores de qualquer doença pulmonar obstrutiva crônica; além de sujeitos que fizessem uso de medicação betabloqueadora ou bloqueadora de canal de cálcio ou acometidos por doenças osteomioarticulares que impossibilitem a prática de atividade física. Para participar das atividades da pesquisa, o voluntário apresentou atestado médico liberando-o para a prática de exercício físico.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CEP) do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) sob nº de registro CAAE: 55901316.1.0000.5176, e atendeu as normas de pesquisa com seres humanos da resolução 466/12 do conselho nacional de saúde (CNS). Os voluntários da pesquisa foram esclarecidos e assinaram ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).

Sessão aguda – Exercício multifuncional

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (MALACHIAS et al., 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (NELSON et al., 2007). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA e a FC.

Depois disso o exercício multifuncional foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada após 10 minutos, e em seguida a cada 5 minutos. A sessão experimental foi realizada da seguinte forma: a atividade foi iniciada com um aquecimento leve (<50% da FCreserva) em torno de 5 minutos com uma corrida leve. Ativação do core com estabilização ventral, dorsal e lateral; Alongamentos dinâmicos: Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco; Rotação de braços e ativação neuromuscular com agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais; Corrida estacionária.

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 ciclos de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre os ciclos, divididas na seguinte sequência: Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; Agachamento Frontal com medicine ball; Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); Flexão de tronco corda; Stiff unipodal;  Deslocamento com mudança de direção (8 cones); Rotação de tronco com elástico; Puxada na fita de suspensão; Deslocamento unipodal em quadrado; Arremesso para baixo com slam ball; Flexão de cotovelo; Deslocamento em T (cones). Com duração de 80 segundos cada estação e intervalo de 30 segundos de descanso entre elas. A verificação da PA foi realizada em 3 estações de cada ciclo, imediatamente após a execução do referido exercício. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático. Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC.

Medidas de Pressão Arterial

Após a chegada ao local da coleta dos dados, os voluntários foram solicitados a permanecer sentados durante 10 minutos, e, em seguida, foi realizada uma medida da pressão arterial (PA). Três novas medidas foram obtidas durante a realização dos exercícios ao longo da sessão A PA foi aferida de acordo com as normas da VII Diretriz Brasileira De Hipertensão Arterial (MALACHIAS et al., 2016) para medidas clinicas da PA. Foi utilizado um esfigmomanômetro aneroide da marca Missouri Mikatos 102-NYL com precisão de dois milímetros de mercúrio previamente calibrado contra um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio para mensuração da PA.

Medidas de Frequência Cardíaca

A intensidade da sessão de exercício funcional foi monitorada pela instrumentação de um monitor de frequência cardíaca (Atrio®, ES055) nos voluntários. Para garantir a permanência do participante na zona da frequência cardíaca, a FCreserva foi monitorada em intervalos de 05 minutos durante o exercício.

 

RESULTADOS

Os sujeitos, em sua maioria do gênero feminino, foram pareados quanto a idade e IMC (p > 0,05). Ambos os grupos iniciaram a sessão de exercício funcional sem diferenças estatisticamente significantes entre as variáveis hemodinâmicas (p > 0,05) garantindo que as respostas encontradas não se devem a condições pré-exercício diferentes (tabela 1).

Tabela 1. Resposta da pressão arterial ao exercício funcional.

PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; PAM, pressão arterial média.

DISCUSSÃO

O principal achado deste estudo sugere que o exercício multifuncional de intensidade moderada não promove resposta hipertensiva em idosos, o que nos permite considerar esse tipo de exercício físico uma prática segura para a população idosa. Outros estudos também se dedicaram a avaliar a resposta hipertensiva aos mais diversos protocolos de exercício físico (MATTHEWS et al., 1998; SINGH et al., 1999; TAKAMURA et al., 2008; WILSON et al., 1990).

Wilson et al. (1990) avaliaram a RHE em cicloergômetro em diferentes intensidades de 35 homens divididos em dois grupos:  alto risco (n = 20) e baixo risco (n = 15) de desenvolver hipertensão arterial, e verificaram que 7 sujeitos do grupo de alto risco apresentaram uma RHE. Um deles apresentou RHE com baixa intensidade e outros 6 com intensidade moderada; além disso, foram percebidos valores de frequência cardíaca maiores no grupo com a resposta exagerada de pressão arterial, devido à baixa capacidade de vasodilatação induzida pelo exercício indicando que o grupo que teve a RHE detectada tem mais risco de se tornarem hipertensos.

Por sua vez, Matthews et. al. (1998) analisaram a RHE de 352 homens normotensos submetidos a uma sessão de exercício em esteira, a fim de investigar a associação entre a resposta da PA ao exercício e o prognóstico de hipertensão. Em seus resultados identificaram que os sujeitos do grupo de caso (identificados por um relatório afirmativo de hipertensão diagnosticado por um médico) estão 2,4 vezes mais propensos a apresentarem resposta exagerada da PA do que o grupo controle, de modo que concluíram que esta resposta exagerada da PA está associada ao risco de hipertensão.

Também, Singh et al. (1999), realizaram um estudo para analisar a RHE de 1026 homens e 1284 mulheres normotensos, através de um teste de esteira com vários estágios de acordo com o protocolo de Bruce. Os resultados mostraram que aproximadamente 80% dos indivíduos atingiram a zona alvo da FC, e que a médias das aferições da PA em todas as fases do teste (repouso, exercício e recuperação) foram significantemente maiores nos homens do que nas mulheres. O estudo também mostrou que a RHE apresenta relação com a probabilidade de desenvolver hipertensão arterial. Os resultados obtidos, em relação a resposta hipertensiva a uma sessão de treinamento multifuncional em idosos, não mostrou significância estatística nas variáveis fisiológicas dos indivíduos.

Takamura et al. (2008), estudaram a RHE após um teste de esteira de 6 minutos usando o protocolo de Bruce. Os indivíduos (n = 129) foram divididos em três grupos: sem RHE e sem HA (grupo controle, n = 30), sem RHE e sem HA (grupo RHE, n = 25) e com RHE e HA (grupo HTN, n = 74). No estudo foi observado que a PA aumentou nos grupos RHE e HTN, em comparação com o grupo controle. Concluíram que independente da HA, os indivíduos com uma RHE tiveram comprometimento das funções fisiológicas, se tornando relativamente perigoso a prática de exercício nessas condições.

 

CONCLUSÃO

Tendo em vista tais dados nesses tipos de teste, uma sessão de exercícios multifuncionais, além de melhorar as capacidades físicas para o dia a dia do idoso, mostrou melhores resultados e com menor risco ao indivíduo praticante. Levando em consideração que a população idosa está mais propensa ao desenvolvimento da hipertensão devido a fatores relacionados, principalmente, a idade o exercício multifuncional de intensidade moderada mostrou-se como uma opção de exercício físico segura no tocante a resposta exagerada da PA.

 

REFERÊNCIAS

BERTOLDO BENEDETTI, T. R. et al. Reprodutibilidade e validade do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) em homens idosos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, n. 1, p. 11–16, 2007.

DICKSON, M. E.; SIGMUND, C. D. Genetic basis of hypertension: Revisiting angiotensinogen. Hypertension, v. 48, n. 1, p. 14–20, 2006.

GOTTDIENER, J. S. et al. Left ventricular hypertrophy in men with normal blood pressure: relation to exaggerated blood pressure response to exercise. Ann Intern Med, v. 112, n. 3, p. 161–166, 1990.

HACKAM, D. G. et al. The 2010 Canadian Hypertension Education Program recommendations for the management of hypertension : Part 2 – therapy. Canadian J Cardiology, v. 26, n. 5, p. 249–259, 2010.

HOLMQVIST, L. et al. Exercise blood pressure and the risk of future hypertension. Journal of Human Hypertension, v. 26, n. July, p. 1–5, 2011.

KJELDSEN, S. E. et al. Supine and exercise systolic blood pressure predict cardiovascular death in middle-aged men. Journal of hypertension, v. 19, n. 8, p. 1343–8, 2001.

MALACHIAS, M. et al. VII Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3, p. 01–22, 2016.

MATTHEWS, C. E. et al. Exaggerated blood pressure response to dynamic exercise and risk of future hypertension. Journal of Clinical Epidemiology, v. 51, n. 1, p. 29–35, 1998.

MAZO, G. Z.; BENEDETTI, T. R. B. Adaptação do questionário internacional de atividade física para idosos. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 12, n. 6, p. 480–484, 2010.

MCHAM, S. A. et al. Delayed systolic blood pressure recovery after graded exercise: An independent correlate of angiographic coronary disease. Journal of the American College of Cardiology, v. 34, n. 3, p. 754–759, 1999.

MIYAI, N. et al. Blood Pressure Response to Heart Rate During Exercise Test and Risk of Future Hypertension. Hypertension, v. 39, n. 3, p. 761–766, 1 mar. 2002.

MORROW, K. et al. Prediction of cardiovascular death in men undergoing noninvasive evaluation for coronary artery disease. Annals of internal medicine, v. 118, n. 9, p. 689–95, 1993.

NELSON, M. E. et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Medicine and science in sports and exercise, v. 39, n. 8, p. 1435–45, ago. 2007.

OSTCHEGA, Y. et al. Trends in hypertension prevalence, awareness, treatment, and control in older U.S. adults: Data from the National Health and Nutrition Examination Survey 1988 to 2004. Journal of the American Geriatrics Society, v. 55, n. 7, p. 1056–1065, 2007.

SCHULTZ, M. G. et al. Exercise-induced hypertension, cardiovascular events, and mortality in patients undergoing exercise stress testing: A systematic review and meta-analysis. American Journal of Hypertension, v. 26, n. 3, p. 357–366, 2013.

SHARABI, Y. et al. The significance of hypertensive response to exercise as a predictor of hypertension and cardiovascular disease. Journal of Human Hypertension, v. 15, n. 2001, p. 353–356, 2001.

SINGH, J. P. et al. Blood Pressure Response During Treadmill Testing as a Risk Factor for New-Onset Hypertension : The Framingham Heart Study. Circulation, v. 99, n. 14, p. 1831–1836, 13 abr. 1999.

TAKAMURA, T. et al. Patients with a hypertensive response to exercise have impaired left ventricular diastolic function. Hypertension research : official journal of the Japanese Society of Hypertension, v. 31, n. 2, p. 257–63, fev. 2008.

WHELTON, P. K. et al. Primary prevention of hypertension: clinical and public health advisory from The National High Blood Pressure Education Program. JAMA, v. 288, n. 15, p. 1882–8, 16 out. 2002.

WILSON, M. F. et al. Exaggerated pressure response to exercise in men at risk for systemic hypertension. The American journal of cardiology, v. 66, n. 7, p. 731–6, 15 set. 1990.

RISCO CARDIOVASCULAR E AUTOGERENCIAMENTO DOS CUIDADOS EM HOMENS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2

Mayara Karla dos Santos Nunes1

Rayner Anderson Ferreira do Nascimento1

Alexandre Sérgio Silva2

Isabella Wanderley Queiroga Evangelista3

João Modesto Filho4

Cecília Neta Alves Pegado Gomes5

Caroline Soares Ribeiro6

Mariana Nunes de Bulhões Souza6

Camila Maria Cordeiro Dias6

Anderson Barbosa Gomes6

Thaynara Amaral Leite6

Antônio Raphael Lima de Farias Cavalcanti Silva6

Beatriz Azevedo Lopes7

Ericka Holmes Amorim8

Gerson da Siva Ribeiro9

Wilma Dias de Fontes Pereira9

Darlene Camati Pershun10

 

1Mestre em Biologia Celular e Molecular, Departamento de Biologia Molecular, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

2Departamento de Educação Física, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

3Chefe do Centro de Referência de Oftalmologia, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

4Departamento de Medicina Interna, Centro de Ciências Médicas, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

5Ambulatório de Nefrologia, Hospital Universitário Lauro Wanderley, Universidade Federal da Paraíba.

6Discentes de Farmácia, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

7Discente de Biotecnologia, Centro de Biotecnologia, Universidade Federal da Paraíba.

8Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

9Departamento de Enfermagem Clínica, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba.

10Departamento de Biologia Molecular, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba.

 

Resumo

A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica e progressiva e está entre as dez doenças que mais matam no mundo, gerando uma preocupação alarmante quanto à saúde pública mundial. Causa diversos danos aos órgãos levando às complicações micro e macro vascular, deixando o diabético duas ou três vezes mais vulnerável às doenças cardiovasculares (DCV) do que uma pessoa comum. Objetivo deste estudo foi analisar o risco cardiovascular utilizando o Escore de Frammingham e o nível de conhecimento dos homens diabéticos para o autogerenciamento. Foram avaliados 61 homens, acima de 40 anos, com DM2, quanto às variáveis sociodemográficas, clínicas, bioquímicas, nível de conhecimento pelo Diabetes Knowledge Scale (DKN-A) e o risco cardiovascular pelo Escore de Frammingham. Foram significativos, nos homens com alto risco para DCV, o colesterol total (p=0.0195), a microalbuminúria (p=0.0102, 0.0248) e a α-1 glicoproteína ácida (p=0.0157). Quanto ao conhecimento, a maioria (59,6%) apresentou baixo conhecimento em relação à diabetes. Concluiu-se que os participantes da pesquisa possuem conhecimento insatisfatório com relação ao autogerenciamento da diabetes e isso implica em uma maior vulnerabilidade às complicações diabéticas e consequentemente maiores riscos para desenvolver DCV.

Palavras-chaves: diabetes mellitus tipo 2; conhecimento; risco cardiovascular; saúde do homem.

INTRODUÇÃO

A diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica, progressiva e, apesar de ser uma doença em que na maioria dos casos se pode prevenir, dados da World Health Organization (WHO) revelam que a prevalência dos casos de diabetes no mundo duplicou entre os anos de 1980 e 2014. Ela está entre as dez doenças que mais matam no mundo, com cerca de 1,5 milhões de mortes ao ano (WHO, 2016).

Tais números geram uma preocupação alarmante quanto à saúde pública mundial, visto que, de acordo com estimativas da Federação Internacional de Diabetes (IDF) no ano de 2040 cerca de 642 milhões de pessoas terão a doença, ou seja, um a cada dez adultos no mundo (IDF, 2015). Este crescimento está relacionado com aumento concomitante do sedentarismo e da obesidade, com o crescimento e envelhecimento populacional, além de uma maior sobrevida de indivíduos com diabetes (MILECH et al., 2016).

A forma mais frequente da doença é a diabetes tipo 2 (DM2) que representa 90-95% de todos os casos de diabetes mellitus e é decorrente da falta e/ou da incapacidade da insulina de funcionar adequadamente (GIACOMINI et al., 2013). Estudo sugere que a patogênese da DM2 inclui componentes genéticos, fatores ambientais e estilo de vida (HALDAR et al., 2015). Sedentarismo, má alimentação, sobrepeso e obesidade, idade avançada, histórico familiar de diabetes, histórico de diabetes gestacional e tabagismo são fatores de risco para diabetes tipo 2 (WHO, 2016).

Os danos causados em diversos órgãos do corpo pelo diabetes podem trazer sérios problemas para a saúde do indivíduo diabético, como complicações cardiovasculares, neuropatia, retinopatia e nefropatia (WHO, 2016).

Atualmente, sabe-se que mais importante do que identificar um indivíduo como portador de diabetes ou qualquer outra doença não transmissível é identificar o risco de doenças cardiovasculares, pois as doenças cardiovasculares aparecem entre as primeiras causas de morte (PETTERLE, POLANCZYK, 2011; PAULA et al., 2013).

O diabético tem cerca de duas ou três vezes mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares (DCV). Além disso, as DCV são responsáveis por causar cerca de 60% da mortalidade da população diabética. Os indivíduos que possuem tanto DM quanto DCV possuem maior risco de morte por doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, trombose e insuficiência cardíaca congestiva e maiores chances de apresentarem complicações em caso de tratamento cirúrgico (WHO, 2016; HALDAR et al., 2015).

O risco de morte por doenças cardiovasculares em diabéticos é significativamente maior se a pessoa for fumante ou fumante passivo, visto que as substâncias inaladas do cigarro causam sérios danos no revestimento endotelial da parede dos vasos sanguíneos, diminuem os níveis de HDL aumentando assim os níveis de colesterol sanguíneo, além disso, a ação da nicotina no organismo promove aumento do ritmo cardíaco e o aumento da pressão arterial (BARNOYA; GLANTZ, 2005).

É de suma importância levar em consideração como os aspectos de saúde se caracterizam para cada faixa etária e também, não menos importante, as diferenças entre a saúde da mulher e do homem. As principais causas de morte entre os homens são: causas externas, doenças do aparelho circulatório, neoplasias (tumores), doenças do aparelho digestivo, doenças do aparelho respiratório (BRASIL, 2009). Nesse contexto as doenças cardiovasculares enquadram-se, também, no segundo lugar; pois se encontram entre as principais do sistema circulatório. Tornando-se uma preocupação para as autoridades na saúde.

Para avaliar a probabilidade de qualquer indivíduo desenvolver uma doença coronariana, utiliza-se um instrumento baseada nos resultados do Framingham Heart Study, segundo o escore de Framingham. Dentre os fatores necessários para obter tal estatística estão à faixa etária, sexo, valores de pressão arterial sistólica, valores da razão entre o colesterol total e a fração HDL, presença de tabagismo e diagnóstico de diabetes. Através desse prático método é possível estabelecer o risco de infarto do miocárdio e angina do peito em dez anos (MACKAY; MENSAH, 2004).

Como mencionado, a DM2 se encontra como um dos importantes fatores de risco para as DCV e seu autogerenciamento pelo usuário assume um papel importante no autocuidado desta morbidade. Assim, um importante instrumento de pesquisa para pessoas com diabetes é o Diabetes Mellitus Knowledge (DKN-A). Determina o nível conhecimento de pessoas com DM sobre a doença. É importante para conferir relação de conhecimento com a escolaridade, com a participação em grupos de informação sobre a doença e serve também, para averiguar o resultado das informações lançadas em ações educativas (LOTUFO, 2008).

Portanto, para o autogerenciamento dos cuidados na DM2 é de suma importância que os indivíduos tenham conhecimento sobre a doença, seu tratamento, sobre as complicações diabéticas e outras doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, pois têm potencial risco de desenvolverem.

Esse estudo teve por objetivo analisar o nível de conhecimento para o autocuidado da diabetes, os riscos cardiovasculares segundo o escore de Framingham e correlacionar com variáveis clínicas, bioquímicas, marcadores inflamatórios e do estresse oxidativo. Desse modo, esse estudo é inovador do ponto de vista da análise do gerenciamento do autocuidado pelo controle dos parâmetros metabólicos do paciente diabético frente ao risco de complicação advindas da diabetes, principalmente as de cunho cardiovascular.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Aspectos éticos

O projeto original foi submetido à análise do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley tendo sido aprovado sob parecer 1.335.108. A pesquisa foi conduzida em cumprimento com a resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece normas para pesquisa com seres humanos, sendo resguardados o anonimato e a privacidade dos pesquisados.

Participaram do estudo 61 homens, com idade superior a 40 anos, atendidos no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016, nos serviços de Endocrinologia, Oftalmologia e Nefrologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba (HULW/UFPB) com diagnóstico entre 5 a 10 anos de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e apresentando ou não complicações diabéticas como, retinopatia e/ou nefropatia.

Os homens que aceitaram participar e assinaram o TCLE foram coletadas amostras de urina 24 horas e de sangue periférico para as análises, respectivamente, de proteinúria e bioquímicas.

Para as determinações bioquímicas foi usada a técnica de imunoturbidimetria em analisador automatizado (LabMax 240, Labtest, Lagoa Santa, MG, Brasil) utilizando kit padronizado e seguindo as orientações recomendadas pelo fabricante (Labtest, Lagoa Santa, MG, Brasil). Os marcadores do estresse oxidativo, malondialdeído (MDA) e capacidade antioxidante total (CAT), foram determinados por técnicas já estabelecidas na literatura (OHKAWA; OHISHI; YAGI, 1979; BRAND-WILLIAMS; CUVELIER; BERSET, 1995).

Foi aplicado um questionário para a coleta das variáveis clínicas e sociodemograficas e foi utilizado o instrumento Diabetes Knowledge Scale (DKN-A) validado no Brasil para verificar o conhecimento. Para avaliar a probabilidade de qualquer indivíduo desenvolver uma doença coronariana, utilizou-se o escore de Framingham.

Análise estatística

Foram utilizadas tabelas de frequências para as variáveis categóricas e estatística descritiva (média, desvio-padrão) para as variáveis continuas. Foi utilizado o programa GraphPad. Instat, versão 3.0 para a análise estatística inferencial das variáveis numéricas usando o teste t de Student e quando necessário, usou-se o teste de Mann Whitney. O α considerado foi de 0,05. Para todos os testes foi utilizado como nível de significância o p<0,05. O Teste Exato de Fisher foi usado sempre que necessário.

RESULTADOS

Os dados revelam uma amostra de 61 homens com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, com idade mínima 40 anos e máxima 78 anos. Com relação à situação conjugal 50 (81,9%) declararam serem casados ou terem união estável; 28 (45,9%) afirmaram ter apenas o ensino fundamental completo ou incompleto, 34 (55,7%) são ativos e possuem alguma ocupação (trabalho, atividade voluntário ou outros), quanto a renda familiar 22 (36%) sobrevivem com 1 ou 2 salários mínimos e 25 (41%) declarou ser da cor branca. Apenas 4 (6,5%) homens, do total da amostra, afirmaram terem participado ou participarem de grupos de educação em saúde. Quanto à procura pelos serviços de saúde 27 (44,2%) responderam que procuram em menos 3 meses, 15 (24,5%) procuram uma ou duas vezes ao ano e 14 (22,9%) procuram quando há necessidade.

Na busca de averiguar os indicadores para as DCV, foram analisadas características clínicas, bioquímicas e antropométricas como mostra a tabela 1.

Tabela 1: Características clínicas, bioquímicas e antropométricas da amostra estudada.

De acordo com o escore de Framingham observou-se predomínio do alto risco para doenças cardiovascular nos sujeitos estudados, perfazendo 37.7% do total da amostra (Tabela 2).

Tabela 2: Classificação de risco global para doenças cardiovasculares em 10 anos, segundo o escore de Framingham Revisado para Homens.

Quanto à presença de complicações diabéticas, obteve-se que 8 (13,1%) dos homens têm apenas retinopatia, 18 (29,5%) têm apenas nefropatia, 35 (57,3%) têm as uma das complicações ou as duas concomitantemente e 26 (42,6%) não apresentaram complicações por diabetes mellitus tipo 2.

Na comparação das frequências entre presença e ausência de complicação diabética (retinopatia e nefropatia) com relação ao risco cardiovascular (baixo/moderado e alto) houve diferença significativa (p=0.0158) entre os grupos e observou-se que 37.7% dos homens sem complicação têm baixo ou moderado risco para doenças cardiovasculares (Tabela 3).

Tabela 3: Escore de Framingham segundo presença e ausência de complicações diabéticas.

O colesterol total (p=0.0195) e a microalbuminúria (p=0.0102) foram estatisticamente significativos nos grupos que apresentaram alto risco para DCV; enquanto que, no grupo de homens que não apresentaram nenhuma complicação diabética (retinopatia e nefropatia), mas alto risco para DCV a microalbuminúria e a α-1 glicoproteína ácida (AGP) foram significativos (respectivamente p= 0.0248; 0.0157) conforme a tabela 4.

Tabela 4: Comparação dos parâmetros bioquímicos, marcadores inflamatórios, estresse oxidativo e variáveis antropométricas, segundo o Escore de Framingham, para o risco global de doenças cardiovasculares.

Em relação ao conhecimento dos usuários sobre diabetes, avaliado pelo DKN-A, 52 homens responderam ao questionário, nenhum participante obteve escore máximo (15 pontos) e os escores mínimo e máximo foram, respectivamente, 2 e 11 pontos. Constatou-se que 31 (59,7%) sujeitos tiveram pontuação inferior a oito, ou seja, tinham conhecimento insatisfatório sobre diabetes.

Na tabela 5, a seguir, verifica-se que os escores obtidos no questionário DKN-A, foram menores que oito em 31 sujeitos (59,6%), indicando baixo conhecimento e compreensão da doença pela maioria deles.

Tabela 5: Distribuição do escore total de conhecimento DKN-A dos homens com DM2 entrevistados em Hospital de Referência de João Pessoa.

As questões de maior relevância associadas ao autogerenciamento do cuidado da diabetes, como taxa normal da glicemia, complicações diabéticas e substituições alimentares obtiveram-se pontuação, respectivamente, 22 (42,3%), 27 (51,9%) e 1 (1,9%) de acertos.

Dentre os principais fatores de riscos para doenças cardiovasculares verificou-se que a hipertensão e a dislipidemia foram os predominantes ultrapassando 70% (43) do número de homens participantes. O sedentarismo estava presente em 50% (32) e a obesidade em 37.7% (23) da população estudada. Estas variáveis tiveram as maiores frequências no grupo de homens com nível baixo de conhecimento (Tabela 6).

Tabela 6: Distribuição do escore de conhecimento, segundo os fatores de risco para doenças cardiovasculares.

DISCUSSÃO

Nesse estudo constatou-se que o LDL e o triglicerídeo foram os parâmetros mais alterados, este fato eleva o risco de doenças cardiovasculares e pode frequentemente estar associado a reduções no colesterol HDL (XAVIER et al., 2013).

Segundo o Escore de Framingham Revisado para Homens houve elevada prevalência para alto risco de doenças cardiovasculares na maioria dos indivíduos e foi relacionado com colesterol total e a microalbuminúria. A microalbuminúria tem sido referida como critério para detecção do estágio inicial da nefropatia diabética, que é uma das microcomplicações da DM, e se não tratada pode evoluir para doença renal crônica (DRC) (BIARNÉSA et al., 2005).

A DRC é considerada condição muito importante no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, dado que corrobora com a relação que existe entre o grau de disfunção renal e risco cardiovascular (AMORIM, LISBOA, SIQUEIRA, 2013; CESARINO et al., 2013).

Especialmente no grupo de homens que apresentaram alto risco no escore de Framingham, mas que não apresentação complicações diabéticas (retinopatia e nefropatia) houve associação com microalbuminúria e a alfa-1 glicoproteína ácida. Esta proteína é produzida durante a fase aguda da inflamação, é uma das mais abundantes no plasma sanguíneo e varia de acordo com idade e sexo. É sintetizada principalmente pelo fígado, mas aumentam em infarto do miocárdio, diabetes entre outros (PICCIRILLO et al., 2004).

A AGP é mediada pela interleucina1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6) e pelo Fator de Necrose Tumoral-α (TNF-α), e em casos de inflamação crônica de baixo grau, como na DM, apresenta-se elevada. O aumento da inflamação provoca disfunção endotelial, aumentando mais ainda o dano vascular, sendo esta proteína um possível marcador de risco cardíaco (TEXEIRA et al., 2014; VELLOSA et al., 2013).

A relação aqui encontrada de elevado risco para doenças cardiovasculares com microalbuminúria e AGP, pode estar associada à em estado de inflamação mais exacerbado o que pode acarretar maiores problemas de saúde como disfunção endotelial sistêmica e doenças cardiovasculares nesses sujeitos.

Foi identificado baixo nível de conhecimento em relação ao autogerenciamento dos cuidados da diabetes, segundo o instrumento DKN-A. São várias as pesquisas que apontam para um déficit global de conhecimento sobre a diabetes e a maioria dos indivíduos diabéticos com baixo nível de conhecimento apresenta práticas de autocuidado insuficientes e dificuldades de enfrentamento da doença (MORAIS, 2016).

No contexto da abordagem sobre o conhecimento, Azevedo e Santiago (2016), constataram em estudo de conhecimento sobre diabete, que os pacientes que apresentaram duas micro complicações diabéticas tinham um controle maior da DM2 em relação aqueles que não apresentaram complicações diabéticas; no entanto, apresentaram um pior desempenho no questionário de conhecimento, acertando menos de sete perguntas.

Constatou-se baixíssimo escore de conhecimento e isto pode estar associado pequeno percentual de homens participaram de grupos de educação em diabetes (6,5%).

Brito et al. (2016) verificou significativo aumento do conhecimento dos diabéticos, após participação em programa educativo, pois apresentaram discreta redução dos níveis de HbA1c, da glicemia de jejum e da pressão arterial diastólica.

Dentro de grupos de educação em diabetes, os indivíduos são conscientizados da importância da independência quanto às decisões e atitudes a serem tomadas referentes à alimentação para o controle da DM, somado a isso, também, tomam conhecimento da influência dos alimentos no controle glicêmico e na prevenção de complicações. Todas as indicações nos grupos devem ser dadas conforme o conhecimento das características do paciente por parte do educador e devem ser levados em conta idade, sexo, escolaridade e tempo de diagnóstico (MILECH et al., 2016).

Quanto à prática de exercícios físicos, o sedentarismo tende a prevalecer conforme o aumento da idade e entre os que possuem menor renda familiar (ASSUNÇÃO; URSINE, 2008). As médias do IMC e da circunferência abdominal entre os homens que apresentaram conhecimento satisfatório ou insatisfatório ficaram próximas, não sendo significantes; no entanto, nos dois níveis de conhecimento esteve presente a obesidade e a circunferência abdominal maior de 94 cm, sendo estas variáveis consideradas fatores de risco cardiovascular, de acordo com a OMS (ABESO, 2009).

Em comparação às comorbidades para complicações cardiovasculares e o nível de conhecimento segundo o questionário DKN-A, um número relevante de pacientes com hipertensão arterial, dislipidemias e sedentarismos (48%, 42.3% e 32.7%, respectivamente) apresentaram conhecimento insatisfatório da doença. Sabe-se que esses fatores predispõem às micro e macro complicações vasculares e o controle deles pode reduzir o risco de agravos à saúde (IBGE, 2014). Esses indicadores, também, foram observados por Cesarino et al. (2013), em pacientes do gênero masculino com doença renal crônica de e risco para desenvolver doenças cardiovasculares.

A prevalência da dislipidemia em pacientes diabéticos é relacionada a um mau autogerenciamento da DM2, pois a falta de um controle nutricional adequado e o sedentarismo pode levar a hiperlipidemia sem o conhecimento do paciente resultando em várias outras complicações (KO et al., 2013).

Entende-se que para o autogerenciamento da DM2 e a prevenção de suas complicações, bem como de complicações cardiovasculares; é importante que se tenha maior conhecimento em relação à doença e ao tratamento, para que assim os sujeitos desse processo adotem atitudes de cuidado à sua saúde e isto reflita de forma positiva na qualidade de vida dos mesmos (BRITO et al., 2016).

CONCLUSÃO

Concluímos que os homens participantes desta pesquisa possuem baixo conhecimento do autogerenciamento dos cuidados da diabetes e alto risco para desenvolverem doenças cardiovasculares em 10 anos. Isto implica em uma maior vulnerabilidade às complicações diabéticas e consequentemente maiores riscos para desenvolvê-las. Neste contexto, a educação em saúde pode ser considerada o método mais adequado para a promoção da saúde coletiva e se enquadra em uma das estratégias com mais baixo custo. Pois podem capacitar os usuários diabéticos, favorecendo-os para as medidas de autocuidado e, consequentemente, autogerenciamento na saúde minimizando os riscos para as doenças cardiovasculares, como destacam Brito et al (2016).

 

Agradecimentos

            Este trabalho foi apoiado por subsídios da Fundação de Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ, Paraíba, Brasil) Projeto Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq Brasília, Brasil) 057/13, nota 001/2013 FAPESQ/Ministério da Saúde/CPNq de acordo com a aliança SINCOV 774379/2012 FAPESQ/Ministério da Saúde/CNPq no programa PPSUS e recursos do Programa de Apoio ao Graduado – PROAP, regulamento 156/2014.

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