Heart Rate Response During a Professional Football Match

Gian Baldassari Silvestre, Rodrigo Ferro Magosso, Cássio Mascarenhas Robert-Pires

 

RESUMO

A demanda fisiológica à qual um indivíduo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a frequência cardíaca (FC). O objetivo do presente trabalho foi identificar a intensidade de esforço (através da análise da FC) de futebolistas durante sua prática esportiva. A FC de 19 atletas (idade de 26,7± 4,6 anos e peso corporal de 78,1 ± 7,3 kg), foi analisada com uso do software Firstbeat® durante seis partidas, com o menor tempo registrado de 3 minutos durante uma partida. Os atletas apresentaram uma FC média correspondente a 82 ± 0,9% da frequência cardíaca máxima dentro do período analisado. Os menores valores encontrados durante o jogo corresponderam a 62 ± 2,8% da FCmáx e os picos de FC corresponderam a 97,0 ± 0,8% da FCmáx.

Palavras-chave: Frequência cardíaca, futebolistas, intensidade de esforço

 

ABSTRACT

The physiological stress imposed to an individual during a soccer match has been reported by different parameters such as heart rate (HR). The objective of the present study was to identify the intensity of effort (through FC analysis) of soccer players during their sports practice. The HR of 19 athletes (age 26,7 ± 4,6 years old and body weight 78,1 ± 7,3 kg) was analyzed using the software Firstbeat® during six matches, with the shortest recorded time of 3 minutes during a match. Athletes presented average HR corresponding to 82 ± 0.9% of maximum heart rate within the analyzed period. The lowest values found during the game corresponded to 62 ± 2.8% of HRmax and the HR peaks corresponded to 97.0 ± 0.8% of HRmax.

Key words: Heart rate, soccer players, effort intensity

 

INTRODUÇÃO

O futebol é uma modalidade esportiva com características intermitentes, estruturado por movimentos cíclicos e acíclicos, com predominância do metabolismo aeróbio e, em suas ações decisivas, pelo anaeróbio1.

Esta variabilidade de movimentos exige o desenvolvimento de capacidades motoras como resistência e potência aeróbia, resistência e potência anaeróbia, velocidade, agilidade e ótimos níveis de força.

Nos últimos anos, vem crescendo o interesse dos pesquisadores e da população como um todo em conhecer e compreender as reais demandas fisiológicas durante a prática deste esporte.

A demanda fisiológica à qual um individuo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a distância total percorrida, velocidade média de corrida, a temperatura corporal, medidas diretas de oxigênio, concentração de lactato e frequência cardíaca (FC)2.

De acordo com BRUM et al. (2004) o exercício físico caracteriza-se por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, pois implica no aumento instantâneo da demanda energética da musculatura exercitada e consequentemente do organismo como um todo. Para suprir a nova demanda metabólica, várias adaptações fisiológicas são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular.

O tipo e a magnitude da resposta cardiovascular dependem de uma série de fatores como o tipo de exercício executado, nível de condicionamento, intensidade e duração da atividade, nível de hidratação, massa muscular envolvida e até mesmo a temperatura ambiente.

Parece haver um consenso na literatura em geral quanto ao comportamento da frequência cardíaca durante uma partida de futebol; diversos autores relataram que a FC média corresponde a aproximadamente 85% da frequência cardíaca máxima (FCmáx.) variando entre 80 e 90% durante a prática esportiva1,2,4,5,6,7.

O objetivo do presente trabalho visa identificar, através do percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx.) a intensidade média em que futebolistas atuam durante a sua prática esportiva.

 

MATERIAIS E MÈTODOS

Participaram do estudo 19 atletas do sexo (cujas características estão descritas na tabela 1) pertencentes a um clube da primeira divisão do campeonato paulista que mantêm treinamentos regulares e participação em competições reconhecidas pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Não houve critério de exclusão para o estudo; todos os atletas que entraram em campo foram incluídos na amostra. O menor tempo de jogo registrado foi de 3 minutos. O período de coleta dos dados foi de 22/3/2017 à 15/04/2017 somando um total de seis jogos monitorados.

Para acompanhamento da FC durante os jogos foi utilizado o software Firstbeat®. Este sistema possibilita o registro da FC sem a utilização de um monitor de punho (proibido por colocar em risco a integridade do atleta e de seus adversários).

Tabela 1 – Caracterização da amostra.

Inicialmente, a frequência cardíaca máxima dos atletas foi estimada pelo software através da equação descrita por KARVONEN, KENTALA & MUSTALA (1957) – FCmáx. = 220 – idade; Durante os treinamentos e jogos amistosos da pré-temporada, assim que registrados valores superiores, o software já realizava a atualização automática.

Devido à heterogeneidade do grupo em relação à idade (único fator determinante da frequência cardíaca máxima), utilizamos os valores relativos da FC de cada individuo (%F.C. Máx.). 

RESULTADOS

As respostas da frequência cardíaca de todos os atletas que entraram em campo durante os seis jogos monitorados estão descritos na tabela 2.

Tabela 2 – Médias da frequência cardíaca absoluta (bpm) e relativa (%fc. máx.) máxima, média e mínima mensuradas durante as seis partidas.

Em relação aos valores absolutos, a FC oscilou entre 122 e 192 batimentos por minuto (bpm) representando em valores relativos, 60 a 97% FCmáx. dos voluntários. O comportamento médio da frequência cardíaca durante o monitoramento foi de 162 ± 1,75 bpm, equivalente a aproximadamente 82% da frequência cardíaca máxima dos atletas. A FC mínima variou muito durante os jogos por conta dos intervalos para hidratação, substituições e parada para atendimento médico. Os valores observados permanecem por volta dos 122 bpm (62% FCmáx.).

 

DISCUSSÃO

O principal objetivo do presente estudo foi mensurar a intensidade de esforço através do percentual da frequência cardíaca máxima que um jogador de futebol atua durante a prática esportiva.

Os resultados encontrados evidenciam que esses atletas atuam durante os 90 minutos de uma partida à uma FC média de 82% da frequência cardíaca máxima.

Tal resultado corrobora com a literatura existente; BANGSBO, MOHR & KRUSTUP (2006) encontraram, mediante monitoração da frequência cardíaca em partidas profissionais, valores médios próximos a 85% FCmáx.. MORTIMER et al. (2006) compararam a intensidade de esforço no primeiro e segundo tempo chegando aos valores de 85,2% e 82,7%, respectivamente. Já STØLEN et al. (2005) relataram que a intensidade media da frequência cardíaca varia entre 80 e 90% da FCmáx.

Isso nos permite sugerir que a utilização destas zonas de intensidade durante os treinamentos do dia-a-dia deixará o atleta melhor condicionado e mais preparado para suprir as reais demandas cardiovasculares de uma partida de futebol. COELHO et al. (2008) compararam a intensidade de uma partida, de um coletivo e jogos reduzidos, concluindo que os jogos reduzidos são os que mais se aproximam da realidade de uma partida, em relação as demandas cardiovasculares (84%, 75% e 79% FCmáx., respectivamente).

Esses resultados evidenciam o grau de esforço e a intensidade média durante uma partida de futebol. Vale ressaltar que diversos fatores podem influenciar na intensidade de esforço dos futebolistas, tais como: esquema tático, tipo de marcação, nível do adversário, condições ambientais, etc.

Alguns autores ainda correlacionam a intensidade média do jogo de futebol com o limiar anaeróbio mostrando que este nível de intensidade corresponde à maior parte do tempo de estresse10.

 

CONCLUSÕES

O presente estudo conclui que jogadores de futebol atuam em média à uma intensidade de 82% de sua frequência cardíaca máxima.

 

REFERÊNCIAS

1 – STØLEN, Tomas et al. Physiology of soccer. Sports medicine, v. 35, n. 6, p. 501-536, 2005.

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6 – MORTIMER, Lucas et al. Comparação entre a intensidade do esforço realizada por jovens futebolistas no primeiro e no segundo tempo do jogo de Futebol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, p. 154-159, 2006.

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8 – KARVONEN, Martti J.; KENTALA, E.; MUSTALA, O. The effects of training on heart rate; a longitudinal study. In: Annales medicinae experimentalis et biologiae Fenniae. 1957. p. 307.

9 – COELHO, Daniel Barbosa et al. Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais defutebol. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 22, n. 3, p. 211-218, 2008.

10 – OSIECKI, Raul et al. Parâmetros antropométricos e fisiológicos de atletas profissionais de futebol. Journal of Physical Education, v. 18, n. 2, p. 177-182, 2008.

ALTERAÇÕES TERMOGRÁFICAS EM JOGADORES DE FUTSAL APÓS UMA SESSÃO DE TREINAMENTO TÉCNICO

Fábio Júnior da Silva, Rafael Magalhães Carvalho dos Santos, Elielbson Santos de Souza, Weberti Veloso Mendonça, Noeme Alves de Morais, Ricardo Alexandre Rodrigues Santa Cruz

Universidade Estadual de Roraima (UERR)
Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física e Esportes (GEPEFE)

RESUMO

O estudo teve como objetivo verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico. A amostra foi composta por 13 atletas de futsal (16,6±1,38 anos) da categoria Sub-17. Foram coletados termogramas do quadríceps e isquiotibiais dos jogadores contralateralmente antes e após uma sessão de treinamento de fundamentos técnicos com ênfase na condução, drible, passes e chute. Para a coleta das imagens termográficas utilizou-se uma câmera da marca Flir® Systems, modelo TG – 165, com detector Lepton®, e precisão de 1,5%, ≤0,01ºC de sensibilidade. O teste T de student foi utilizado para comparar as diferenças nos momentos pré e pós treinamento, com nível de significância de p <0,05. Os resultados dos termogramas apresentaram variações com diminuição da temperatura de -0,2°C do lado direito e de -0,3°C no lado esquerdo do quadríceps, -0,4°C do lado direito e -0,3°C do lado esquerdo para os isquiotibiais após os esforços curtos dos atletas ao executarem fundamentos do futsal. O presente estudo nos permite concluir que houve uma redução na temperatura do quadríceps e isquiotibiais dos atletas após a sessão aguda de treinamento. Pode-se concluir ainda, que a termografia é um método sensível para detectar a intensidade do treinamento e sistemas energéticos predominantes, observado principalmente pelas alterações da temperatura da musculatura ativada.

Palavras-chave: Termografia; Treinamento; Futsal

 

ABSTRACT

The study had as objective to verify the thermographic changes of futsal athletes after an acute session of technical training. The sample consisted of 13 futsal athletes (16.6 ± 1.38 years) of the ander-17 category. Thermograms were collected from the quadriceps and hamstrings of the players contralaterally before and after a technical fundamentals training session with emphasis on driving, dribbling, passing and kicking. A Flir® Systems model TG-165, with Lepton® detector and 1.5% accuracy, ≤0.01ºC sensitivity, was used to collect the thermographic images. Student’s T test was used to compare differences in pre and post training moments, with a significance level of p <0.05. The results of the thermograms presented variations with a decrease in the temperature of -0.2°C on the right side and -0.3°C on the left side of the quadriceps, -0.4°C on the right side and -0.3°C on the left side for the hamstrings after the athletes’ short efforts while executing futsal fundamentals. The present study allows us to conclude that there was a reduction in the quadriceps and hamstrings temperature of the athletes after the acute training session. It can also be concluded that thermography is a sensitive method to detect the intensity of training and predominant energy systems, observed mainly by the changes in the temperature of the activated musculature.

Key Words: Thermography; Training; Futsal

INTRODUÇÃO

A termografia é um método utilizado para registrar padrões térmicos do corpo, de forma não invasiva, sem contato com o avaliado e sem emissão de radiação (MARINS et al., 2015). É uma técnica que consiste no monitoramento da temperatura corporal do individuo em tempo real, gerando um perfil térmico através da divisão do corpo em regiões de interesse (CUEVAS et al., 2014).

Fernandes et al. (2016) indicam que essa técnica pode ajudar na compreensão das ocorrências de alterações na temperatura da pele, fornecendo relevantes informações relacionadas à eficiência do sistema termorregulatório em diferentes fases do exercício.

Meira et al. (2014) apontam que os sensores das câmeras termográficas (termógrafos) utilizando radiação infravermelha geram os termogramas, que são imagens com base na quantidade de calor emitido na superfície do corpo. Os termogramas apresentam uma palheta de cores que possibilita identificar as diferenças de acordo com as variações de temperatura, como por exemplo, o azul informa baixa temperatura, o vermelho aponta alta temperatura e o preto indica o espaço de ar, podendo assim realizar um acompanhamento da temperatura e suas variações (HILDEBRANDT, 2010; RASCHNER; AMMER, 2010).

No campo esportivo o uso da termografia pode trazer bons resultados, pois a mesma possibilita diagnósticos de riscos e lesões, tendo em vista que os treinamentos e competições provocam altos níveis de estresse na musculatura dos atletas (CÔRTE e HERNANDES, 2016).

Nesse contexto, torna-se importante monitorar as alterações termográficas em atletas, avaliando os processos inflamatórios gerados nos músculos após sessões de treinamentos ou jogos, evitando dessa forma possíveis lesões causadas pelo desgaste, os quais podem alterar diversos processos fisiológicos e metabólicos com impacto direto na geração de calor.

No treinamento esportivo, Neves e Reis (2014) indicam que os termogramas obtidos por imagens específicas nas regiões corporais de interesse se constituem em importante ferramenta para auxiliar técnicos, preparadores físicos e fisioterapeutas na quantificação e recuperação da carga de trabalho em modalidades esportivas individuais e coletivas.

O futsal é um desporto coletivo, de cooperação/oposição que apresenta alta intensidade em suas ações, sendo caracterizado por estímulos/pausas e movimentos em diversas direções, exigindo dos atletas um alto desempenho físico-motor (SANTA CRUZ et al., 2014).

É uma modalidade esportiva que exige dos atletas ações simultâneas de ataque e defesa em espaço reduzido da quadra,  com acelerações e desacelerações, sprints curtos e rápidos, que resultam em uma recuperação incompleta dos sistemas energéticos (SANTA CRUZ et al., 2016).

No futsal o controle dos aspectos físicos, técnicos e táticos intervenientes durante os jogos torna-se um fator decisivo para a performance da equipe, e monitorar alguns desses aspectos durante as partidas pode ser um ponto chave para a comissão técnica (SANTA CRUZ et al., 2013).

Santos et al. (2017) ressaltam que as respostas termográficas agudas causadas pelas ações na musculatura de maior envolvimento nesse esporte, a comparação contralateral entre os segmentos corporais antes e após os esforços e a compreensão do impacto da prática do futsal sobre o sistema termorregulador ainda não foram descritas. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico.

 

MÉTODOS

Amostra

O estudo foi realizado com 13 atletas do sexo masculino, integrantes de uma equipe de futsal da categoria da categoria Sub-17 com idades compreendidas entre 15 e 17 anos. Os atletas realizavam entre duas e três sessões de treinamentos semanais, com duração variando entre 60 e 90 minutos e participavam de competições escolares.

Cuidados Éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma Universidade local sob o protocolo nº 1.801.214. Os membros da comissão técnica e os responsáveis legais dos atletas assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, no qual foram informados sobre os procedimentos e objetivos do estudo, bem como os possíveis riscos e benefícios do experimento. Os atletas assinaram um termo de assentimento livre e esclarecido antes do início da pesquisa.

Desenho Experimental do Estudo

Antes das avaliações serem realizadas os atletas foram instruídos a não consumir bebidas cafeinadas ou estimulantes quatro horas antes; não utilizar hidratante corporal na superfície da pele nas últimas seis horas; não usar medicamento 24 horas antes; não realizar exercícios físicos vigorosos no período de 24 horas que antecedeu o treinamento; não massagear, pressionar, esfregar ou coçar a pele dos membros inferiores em nenhum momento até que estivesse completado todo o exame termográfico.

Avaliações antropométricas

A massa corporal foi mensurada utilizando-se uma balança eletrônica, com precisão de 0,1 kg, e a estatura foi determinada em um estadiômetro portátil, com precisão de 0,1 cm, de acordo com os procedimentos descritos por Guedes. A mensuração do percentual de gordura foi realizada com auxílio de adipômetro, avaliada por meio da técnica de espessura do tecido celular subcutâneo. A gordura corporal relativa foi estimada pelas equações de Slaughter.

Coleta das imagens termográficas

Em uma sala previamente preparada com climatização de 22°C foram realizadas as imagens termográficas (termogramas). Para que ocorresse um equilíbrio térmico e aclimatação os atletas permaneceram por 10 minutos na sala, antes que se iniciasse o processo de aquisição das imagens. Foi utilizado um termógrafo da marca Flir® Systems, modelo TG – 165, com detector Lepton®, e precisão de 1,5%, e 0,01°C de sensibilidade.

O atleta permaneceu em uma posição anatômica diante do avaliador, em cima de uma plataforma de 10cm a uma distância de 2 metros da câmera, para a medição de quatro imagens termográficas nas regiões anterior (quadríceps) e posterior (isquiotibiais) da coxa dos lados direito e esquerdo. Foi realizada a identificação da temperatura das áreas de interesse em °C, para comparação dos momentos pré e pós treinamento técnico, sendo feita a análise contralateral da incidência de calor entre os segmentos corporais.

Protocolo do Treinamento Técnico

A sessão de treinamento técnico foi caracterizada pela execução de ações técnicas de condução, drible, passe e chute com intervalos de recuperação de 30 segundos entre cada ação. A realização dos fundamentos seguiu a seguinte sequência por duas vezes:

  • Condução da bola em linha reta na distância de 15 metros no regime de ida e volta com duração de um minuto;
  • Dribles com bola entre cones, separados por uma distância de dois metros, com percurso total de 10 metros, em regime de ida e volta com duração de um minuto;
  • Passes rasteiros curtos (5 metros), médios (10 metros) e longos (20 metros), com os atletas em duplas frente a frente e duração de um minuto por tipo de passe;
  • Chutes ao gol, com a bola parada na marca de 10 metros em relação a trave. Cada atleta realizou 10 chutes com a máxima força possível.

Análise Estatística

Para verificar a normalidade dos dados coletados nos termogramas foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk. Os dados são apresentados em estatística descritiva com média e desvio padrão. A diferença entre as médias da temperatura dos músculos antes e após a sessão de treinamento técnico foi testada pelo teste t-Student para amostras pareadas. Foi adotado um nível de significância p < 0,05. As análises foram realizadas utilizando-se o pacote estatístico SPSS versão 13.0.

RESULTADOS

            Os resultados referentes a idade, massa corporal, estatura e percentual de gordura dos atletas estão descritos na tabela 1.

Tabela 1. Caracterização geral dos atletas.

Legenda: Kg – Quilogramas; cm – centímetros; % – percentual.

A tabela 2 apresenta os valores médios e desvio padrão da temperatura dos músculos dos membros inferiores (quadríceps e isquiotibiais) dos lados direito e esquerdo dos jovens atletas antes e após a sessão de treinamento técnico de futsal.

Tabela 2. Temperatura dos músculos dos membros inferiores de jovens atletas de futsal.

O objetivo do presente estudo foi verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico. Arnaiz et al. (2014) apontam que o uso da termografia revela a resposta térmica ao treinamento, tornando-se uma das áreas mais promissoras do processo de controle e monitoramento do desgaste muscular, sendo capaz de prever os músculos que serão ativados em função dos esforços que os atletas realizam.

DISCUSSÃO

Os resultados encontrados após a sessão de treino com ênfase nos aspectos técnicos do jogo, apontaram reduções na temperatura dos músculos dos atletas quando comparados com os termogramas na condição pré-treino. Os termogramas apresentaram variações com diminuição da temperatura de -0,2°C do lado direito e de -0,3°C no lado esquerdo do quadríceps, -0,4°C do lado direito e -0,3°C do lado esquerdo para os isquiotibiais.

Pode-se perceber, mesmo que não tenha sido constatada diferença estatisticamente significativa, que o treinamento dos fundamentos técnicos do futsal de forma intervalada, com estímulos de um minuto em cada série e recuperação de 30 segundos entre os exercícios de condução da bola em alta velocidade entre distâncias de 15 metros no regime de vai e vem, dribles consecutivos entre cones de forma sinuosa, passes acelerados com variações de distâncias e uma sequencia de chutes promoveu um ajuste térmico específico, com redução na temperatura local dos músculos dos membros inferiores dos jogadores.

Esses resultados, estão alinhados com os apontamentos de Cuevas et al. (2014) em que esclarecem que a redistribuição do sangue da pele para a região do músculo ativo é inibida por uma maior necessidade de perda de calor interna, e que indivíduos expostos a esforços constantes e prolongados, sofrem um aumento na temperatura corporal média, enquanto os indivíduos expostos a esforços intermitentes máximos, realizados em curto período de tempo, sofrem uma diminuição na temperatura corporal média.

Diferente dos achados do presente estudo, Santos et al. (2017), encontraram aumentos da temperatura da musculatura dos membros inferiores de jovens atletas de futsal após uma partida simulada. Os resultados mostraram variação de 0,5°C para os isquiotibiais e aumento significativo (2,7°C) para a temperatura do quadríceps após a partida. Quando comparadas, as regiões de interesse dos membros dominantes e não dominantes, verificou-se maior percentual (51,2%) de incidência de focos de calor na coxa dominante.

Um estudo semelhante foi realizado por Morais et al. (2017) que avaliaram por meio da análise termográfica os esforços de 17 jogadoras do sexo feminino pertencentes a seleção roraimense infanto-juvenil antes e após uma partida de voleibol. Foram coletados termogramas do bíceps, tríceps, quadríceps e isquiotibiais das atletas. Os resultados apresentaram variações nos termogramas de 0,8°C no lado direito e 0,7°C no lado esquerdo do bíceps, 0,7°C e 0,8°C para o tríceps direito/esquerdo respectivamente. Nos músculos dos membros inferiores, a avaliação termográfica revelou maiores variações para a musculatura do quadríceps após a partida, com valores de 1,5°C para o lado direito e 1,1°C para o lado esquerdo. Os músculos isquiotibiais dos lados direito e esquerdo apresentaram aumentos de 0,7°C.

Outro estudo com modalidade coletiva, foi conduzido por Bandeira et al. (2014) que avaliaram o impacto de jogos e treinamentos em atletas de rúgbi, analisando diversos grupos musculares. Foram realizados termogramas 48 h pós-treino e 48 h pós-jogo para avaliação da temperatura da pele nos músculos de interesse. Os pesquisadores coletaram imagens do tronco e das coxas, nas incidências anterior e posterior. Os resultados indicaram uma tendência de aumento de temperatura nos músculos avaliados com amplitude de diferença de temperatura entre 0,2ºC e 0,8ºC.

Os estudos de Santos et al. (2017), Morais et al. (2017) e Bandeira et al. (2014) evidenciaram que em modalidades coletivas, o volume total do jogo acarreta em aumento substancial na temperatura muscular, pois se configura como uma atividade aeróbia pelo tempo de duração total das partidas.

Corroborando com os resultados do presente estudo, Chudecka e Lubkowska (2012) avaliaram a temperatura da pele de atletas de voleibol, antes e após uma sessão de treinamento físico, em que os resultados evidenciaram ter ocorrido uma diminuição na temperatura da superfície dos membros superiores dos atletas.

Reforçando a hipótese que exercícios curtos e intensos tendem a diminuir a temperatura local dos músculos, Hidebrandt et al. (2012) investigaram as características térmicas do exercício aeróbio e anaeróbio em bicicleta estacionária em doze homens ativos (26,0 ± 2,7 anos) que realizaram exercício anaeróbio (5 minutos, 80rpm, 90% FCmax) e exercício aeróbio (45 minutos, 80rpm, 60% FCmax) sob condições termo-neutras. As imagens termográficas foram realizadas antes e logo após as duas condições de exercício na musculatura do quadríceps. Os autores constataram um aumento na temperatura da pele (0,7 °C) após o exercício aeróbio e uma diminuição (-1,5 °C) após o exercício anaeróbio.

CONCLUSÃO

Pode-se concluir que o treinamento de fundamentos técnicos de condução, drible, passe e chute em alta intensidade promoveu reduções na temperatura da musculatura dos membros inferiores dos atletas participantes do estudo. Concluímos ainda, que a termografia é uma ferramenta fidedigna para avaliações de equilíbrios térmicos e alterações de calor da pele nos atletas de futsal, podendo ser utilizada por técnicos e preparadores físicos para diagnósticos e acompanhamentos dos esforços promovidos pelos treinamentos físicos, técnicos e táticos.

  

REFERÊNCIAS

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