EFEITO DE 15 SEMANAS DE TREINAMENTO MULTIFUNCIONAL NA PRESSÃO ARTERIAL DE REPOUSO EM IDOSOS HIPERTENSOS

EFEITO DE 15 SEMANAS DE TREINAMENTO MULTIFUNCIONAL NA PRESSÃO ARTERIAL DE REPOUSO EM IDOSOS HIPERTENSOS

Jessyka Bruna Da Silva Rodrigues

Jennifer Ariely Sales Suassuna

 

RESUMO

Objetivo: Avaliar o efeito de 15 semanas do treinamento multifuncional progressivo na pressão arterial de idosos hipertensos. Métodos: 15 idosos (66,87±3,56, anos), hipertensos, sobrepesados (com IMC de 29,3±4,0 Kg/m²) realizaram 15 semanas de treinamento multifuncional. O treinamento seguiu as diretrizes do CORE 360º, em formato de circuito. A evolução do treinamento se deu tanto na quantidade de estações, no grau de dificuldade dos exercícios e no tempo de execução. As medidas de pressão arterial foram realizadas de acordo com as VII diretrizes brasileiras de hipertensão, sempre no período de repouso antes e ao final do programa de treinamento. Resultados: após a intervenção a PAS reduziu -21,86 mmHg (p= 0,0137) bem como para a PAD -16,77 (p=0,0005). Conclusão: O presente estudo demonstra que o treinamento multifuncional progressivo de 15 semanas foi capaz de reduzir cronicamente os valores de pressão arterial sistólica e diastólica em idosos hipertensos. Novos estudos são recomendados para maiores esclarecimentos.

PALAVRAS-CHAVE: hipertensão arterial; idoso; treinamento multifuncional.

 

INTRODUÇÃO

No processo de envelhecimento humano ocorre estado degenerativo fisiológico estrutural e funcional, resultando ao acometimento de doenças metabólicas e cardiovasculares (ACSM, 2014), por este motivo, é alta a prevalência da Hipertensão Arterial (HA) em idosos. No que tange o tratamento da HA, o uso de fármacos, bem como, intervenções não-farmacológicas com mudanças no estilo de vida, e a prática regular de exercícios físicos (SBC; SBH; SBN, 2016) já são bem estabelecidos.

Dentro desse contexto, sabemos que o exercício físico sistematizado e regular promove adaptações autonômicas e hemodinâmicas que melhoram, de forma expressiva, o funcionamento do sistema cardiovascular(LATERZA; RONDON; NEGRÃO, 2015), proporcionando reduções nos valores pressóricos a níveis agudos e crônicos (BRUM et al., 2004).

Exercícios físicos aeróbios são os mais recomendados para redução da PA, porém vários estudos apontam melhorias, tanto no Treinamento Aeróbio em pacientes hipertensos (DOS SANTOS et al., 2015; FORJAZ et al., 2009), bem como o Treinamento Resistido em normotensos (GURJÃO et al., 2013) e hipertensos (MEDIANO et al., 2005) são capazes de reduzir os valores pressóricos cronicamente.

A despeito dos tipos de exercício, o Treinamento Funcional ou Multifuncional (TM) preconiza a utilização tanto de exercícios de força quanto de resistência (RESENDE-NETO et al., 2016) vem apresentando respostas pressóricas positivas. Porém, até o presente momento existem cinco estudos agudos sendo dois deles com mulheres de meia idade (BOTELHO et al., 2011; BOTELHO; ALKMIM; NUNES, 2012), um com jovens e adultos hipertensos (LIMA et al, 2017) e dois com idosos hipertensos (SOUZA et al. 2017; FAUSTO. 2017), e apenas dois estudos crônicos envolvendo idosos sedentários ou com doenças crônicas associadas e protocolos não progressivos (MORAES et al., 2012; SALES; CUNHA, 2018). Além disso, é importante ressaltar que as diversidades de protocolos bem como a falta de progressão no treinamento dificultam a replicação dos resultados. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo avaliar o efeito de 15 semanas de TM progressivo na pressão arterial de idosos hipertensos.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Participantes

O fluxograma de participação dos idosos do presente estudo estão apresentados na figura 1. sobrepesados (com IMC de 29,3 ± 4,0 Kg/m²); ativos/muito ativos, como  critérios de elegibilidade do estudo, os participantes deveriam ser hipertensos entre os estágios I e II (140 ≤ PAS ≤ 179 e 90 ≤ PAD ≤ 109) (SBC; SBH; SBN, 2016); não tabagistas ou portadores de qualquer doença pulmonar obstrutiva crônica; não fazerem uso de medicação betabloqueadora ou bloqueadora de canal de cálcio; não portadores de doenças osteomioarticulares que impossibilitem a prática de atividade física; e todos apresentaram atestado médico comprovando a possibilidade de prática de atividades físicas sistematizadas; e não faltar mais de 30% das sessões de treinamento.

Este projeto foi submetido ao comitê de ética em pesquisa do UNIPÊ número do CAAE 55901316.1.0000.5176. O presente estudo atendeu todos os pré-requisitos de pesquisa com seres humanos e esteve de acordo com a resolução 466/12 como também, seguiu as recomendações do Estatuto do Idoso, Lei no 10741/2003. Todos os participantes assinaram ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), sem nenhuma resistência, concordando com todo protocolo de treinamento e de forma clara que a desistência do participante a qualquer momento, não acarretaria nenhum prejuízo ao mesmo.

Protocolo do Estudo

Os participantes foram encaminhados para o Laboratório de Avaliação Física (LAF-SANNY) 0do Centro Universitário De João Pessoa (UNIPÊ) para avaliações iniciais e a realização de anamneses para caracterização da amostra segundo os critérios de inclusão predeterminados para o projeto, posteriormente às análises foram encaminhados ao treinamento. As sessões de treinamento aconteceram de forma progressiva durante 15 semanas, nas segundas, quartas e sextas-feiras no horário de 15:00 às 17:30 em quadra externa no UNIPÊ.

Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)

O Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) versão curta (GUEDES et al, 2005), se apresenta com sete questões abertas sobre a realização de atividades físicas de intensidade leve, moderada e/ou vigorosa durante a semana em diferentes dimensões (exemplo: a caminhada como forma de trabalho ou de transporte, tarefas domésticas e de lazer, o tempo despendido com essas atividades físicas e o tempo de inatividade física). O escore será calculado da seguinte forma: minutos por semana de caminhada + minutos por semana de atividade física moderada + (minutos por semana de atividade física vigorosa). Tal instrumento foi utilizado para caracterizar os participantes como ativos ou inativos. Os voluntários que atingiram valor igual ou superior a 150, foram considerados ativos/muito ativos e aos que não chegaram a atingir o valor de referência foram considerados insuficientemente ativos (GUEDES et. al., 2005), e excluídos do estudo.

Avaliação da Composição Corporal

O sistema InBody 720 que utiliza a tecnologia da bioimpedância (BIA), que analisa a composição corporal através de uma corrente elétrica muito leve que passa pelo corpo do avaliado, a impedância será calculada pela medição da corrente e a voltagem seguindo a Lei de Ohm (V=RxI) (GIBSON, 2008).  Tal instrumento foi utilizado para se obter o Índice de massa corporal (IMC) para caracterização da amostra.

 

Medidas de Pressão Arterial

Após a chegada ao local da coleta dos dados, os participantes permaneciam sentados durante 10 minutos, em seguida era realizada uma medida de PA. Para a mensuração foi utilizado um esfigmomanômetro aneróide da marca Missouri. A PA foi medida seguindo rigorosamente o protocolo proposto pelas VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (SBC; SBH; SBN, 2016) para medidas clinicas da PA.

 

Protocolo do Treinamento Multifuncional

As sessões do treinamento multifuncional foram programadas respeitando as recomendações constantes na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (SBC; SBH; SBN, 2016) e nas diretrizes do Americam College Association para Idosos (ACSM, 2014). Os treinamentos foram elaborados seguindo as diretrizes do CORE 360º, baseando-se em padrões de movimento como puxar e empurrar (vertical e horizontalmente), dominância de quadril e joelhos, capacidades físicas de resistência, força, velocidade e flexibilidade, além de habilidades motoras (agilidade, coordenação, potência e equilíbrio) (D’ELIA, 2017).  O aquecimento foi composto de movimentos cíclicos, ativação de core, alongamentos dinâmicos e ativação neuromuscular, realizados por 10 minutos. A volta a calma era realizada com exercícios de respiração e alongamentos estáticos dos grupos musculares trabalhados no treino principal. O treinamento principal era montado em formato de circuito, com estações de exercícios divididas por padrões de movimento. Os exercícios progrediam a cada 4 semanas de treinamento. Os treinos iniciaram com foco na estabilização do core e nos padrões de movimento multiarticulares, possuíam 8 estações, com duração de execução de 30 segundos em cada estação, sendo realizadas 3 voltas no circuito, com intervalo de 1 minuto e meio após a conclusão de cada volta, ao fim do circuito era realizado treino de estabilização ventral e dorsal, composto de 3 séries de 20 segundos de cada exercício nas duas primeiras semanas e aumentando para 30 segundos nas duas semanas seguintes.

A primeira progressão de treino reduziu o foco na estabilização do core, aumentou a carga nos movimentos multiarticulares e o tempo de execução do treino de core ao fim do circuito para 3 séries de 40 segundos, durante duas semanas e posteriormente para 50 segundos nas duas semanas sequentes. Na segunda progressão, o treinamento continuou focado nos padrões de movimento multiarticulares, porém com incremento de resistência muscular localizada RML), o tempo de execução dos exercícios aumentou para 45 segundos, o treino de core se manteve inalterado. A terceira progressão aumentou para 10 o número de exercícios a serem executados no circuito, não modificando as demais variáveis.

As atividades foram realizadas em intensidade moderada, monitorada através de aplicação da escala de Percepção Subjetiva de Esforço(PSE) de Borg(1998),  em que os participantes indicavam o nível de esforço entre os scores 11 a 14 da referida escala.

 

Análise Estatística

Os dados foram analisados quanto a normalidade e homogeneidade Shapiro Wilk e levene, respectivamente, estão expressos em média ± desvio padrão da média. Avaliado pelo teste estatístico não paramétrico de Wilcoxon, Para a análise dos dados foi adotado o nível de significância estatística de p<0,05. Através do software graph pad prism versão 7.0.

 

RESULTADOS

Após o programa de treinamento 15 semanas foram observadas reduções estatisticamente significantes para pressão sistólica (Painel A) e diastólica (Painel B), os resultados estão apresentados na figura 3.

 

Figura 1- Valores pressóricos de repouso nos momentos pré e pós intervenção. Pré- momento pré intervenção; Pós – momento final do treinamento; Pressão Arterial Sistólica (painel A); Pressão Arterial Diastólica (Painel B); * diferença significativa para o teste de Wilcoxon.

 

DISCUSSÃO

O presente estudo demonstrou que um protocolo de 15 semana de TM progressivos promoveu reduções significativas na PA tanto sistólica quanto diastólica em idosos hipertensos. Porém, é delicado discutir os resultados apresentados, tendo em vista que apenas dois estudos crônicos com protocolos não progressivos abordaram essa temática (MORAES et al., 2012; SALES; CUNHA, 2018).

É valido ressaltar a importância do exercício físico na pressão arterial, uma vez que as que reduções na PAS e PAD de – 2 mmHg proporcionam redução do risco de acidente vascular cerebral em 14% e 9% do risco de doença arterial coronariana (PESCATELLO et al., 2004), tal como, redução de 6% para doenças cardíacas congênitas e de 17% na prevalência da HA (COOK et al., 1995). Obteve-se após o protocolo de treino do presente estudo redução na PAS de -21,86 mmHg e para a PAD -16,77 mmHg, corroborando assim para melhoria da saúde e proteção cardiovascular de idosos hipertensos.

Nossos achados, ainda corroboram com o estudo de (MORAES et al., 2012), que submeteu 36 idosos hipertensos (que apresentavam: dislipidemia; obesidade, diabetes melito tipo 2; alcoolismo ou tabagismo) a 12 semanas de treinamento multifuncional, com duas sessões semanais, de forma não progressiva. Os resultados do estudo de Morais e colaboradores, indicam que ao final do treinamento, 32 participantes (89%) reduziram cerca de – 6mmHg da PAS, e 23 (64%) cerca de – 2mmHg da PAD. Vale salientar que apesar das reduções terem ocorrido em ambos os estudos, o treinamento progressivo feito no presente estudo, somado a uma frequência semanal e duração maiores convergiram possivelmente para que os resultados obtivessem magnitude três vezes maior tanto para PAS, quanto para PAD.

Estudo de (SALES; CUNHA, 2018), teve como objetivo avaliar o efeito de programa de treino funcional, sobre a pressão arterial de repouso de 60 mulheres idosas hipertensas, por um período de 24 semanas, onde a magnitude dos resultados foi similar com nosso estudo, realizados em apenas 15 semanas.

 

CONCLUSÃO

          O presente estudo demonstra que o treinamento multifuncional progressivo de 15 semanas foi capaz de reduzir cronicamente os valores de pressão arterial sistólica e diastólica em idosos hipertensos. Novos estudos são recomendados para maiores esclarecimentos.

 

REFERENCIAS

ACSM. The Basics of Personal Training for Seniors. Am Coll Sport Med, p. 1–2, 2014.

ACSM. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro, 2014. ISSN: 978-85-277-2617-7

BORG, G. Borg’s perceived exertion and pain scales. Champaign: Human Kinetics, 1998.

BOTELHO, L. P. et al. Efeito da ginástica funcional sobre a pressão arterial, frequência cardíaca e duplo produto em mulheres. Acta Scientiarum – Health Sciences, v. 33, n. 2, p. 119–121, 2011.

BOTELHO, L. P.; ALKMIM, R.; NUNES, M. Pressão arterial de mulheres praticantes de ginástica funcional. HU Revista, v. 37, n. 3, p. 339–346, 2012.

BRUM, P. C. et al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev Paul Educ Física, v. 18, p. 21–31, 2004.

COOK, N. R. et al. Implications of Small Reductions in Diastolic Blood Pressure for Primary Prevention. Arch Intern med, v. 155, n. 10, p. 701–709, 1995.

D’ELIA, L.; Guia completo de treinamento funcional [recurso eletrônico]. 1. ed. – São Paulo: Phorte, 2017. recurso digital. ISBN: 978-85-7655-634-3.

DOS SANTOS, R. Z. et al. Treinamento aeróbio intenso promove redução da pressão arterial em hipertensos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 21, n. 4, p. 292–296, 2015.

FORJAZ, C. L. M. et al. Postexercise hypotension and hemodynamics: the role of exercise intensity. v. 50, n. 2, p. 233–237, 2009.

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GUEDES DP, LOPES CC, GUEDES JERP. Reprodutibilidade e validade do Questioná- rio Internacional de Atividade Física em adolescentes. Rev Bras Med Esporte. 2005;11(2):151-8

GURJÃO, A. L. D. et al. EFEITO DO TREINAMENTO COM PESOS NA PRESSÃO ARTERIAL DE REPOUSO EM IDOSAS NORMOTENSAS. Rev Bras Med Esporte, v. 19, n. 3, p. 160–163, 2013.

LATERZA, M. C.; RONDON, M. U. P. B.; NEGRÃO, C. E. Efeito anti-hipertensivo do exercício. Rev Bras Hipertens, v. 14, n. 2, p. 104–11, 2015.

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MORAES, W. M. DE et al. Exercise training program based on minimum weekly frequencies: effects on blood pressure and physical fitness in elderly hypertensive patients. Brazilian Journal of Physical Therapy, v. 16, n. 2, p. 114–121, abr. 2012.

PESCATELLO, L. S. et al. Exercise and Hypertension. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 36, n. 3, p. 533–553, mar. 2004.

RESENDE-NETO, A. et al. Treinamento funcional para idosos : uma breve revisão. Revista Brasileira Ciência & Movimento, v. 24, n. 2, p. 167–77, 2016.

SALES, Â.; CUNHA, M. Controlo da pressão arterial em mulheres idosas medicadas: Benefícios do programa de exercício físico funcional. millenium, v. 2, n. 6, p. 13–22, 2018.

A VARIABILIDADE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Rodrigo Poderoso de Souza 1

Roberval Rios Junior 2

Ana Carolina Gleden Poderoso 3

 

1 Professor do Curso de  Educação Física pela Unopar Universidade Norte do Paraná/ Cascavel-Paraná.

2  Licenciatura Unopar Universidade Norte do Paraná/ Cascavel-Paraná.

3  Bacharel em Educação Física pela Faculdade Assis Gurgazs.

 

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo relacionar estudos sobre a variabilidade da frequência cardíaca em adolescentes de escolares do ensino médio, procurando entender através de estudos comparativos à importância da variabilidade da frequência cardíaca (VFC)como ferramenta de avaliação e predição do funcionamento do organismo em condições normais e patológicas, proporcionando a prática de estratégias pelos profissionais de saúde no sentido de prevenir, detectar precocemente doenças que comprometem a área cardíaca.A VFC é a medida do tempo entre dois batimentos cardíacos consecutivos, ou seja, é a mediada do tempo transcorrido entre dois intervalos R-R consecutivos, medido através do eletrocardiograma (ECG).O sistema nervoso autônomo (SNA) exerce um papel importante no controle das funções fisiológicas internas do corpo, através de seus ramos simpático e parassimpático. A atividade simpática reduz o intervalo R-R, enquanto que a parassimpática o aumenta. Entre as técnicas usadas para sua avaliação, a VFC tem função fundamental, eficaz, sendo um método de medida simples e não-invasiva dos impulsos autonômicos. O aferimento da VFC pode ser feito por dois métodos: o método estatístico dos intervalos R-R, e o método pela analise espectral de intervalos R-R, ambos podem ser avaliados em curtos períodos de tempo ou durante 24 horas, usando o ECG. Pode-se concluir que a VFC vem sendo bastante utilizada como um método de diagnostico de patologias e assim proporcionando uma qualidade de vida aos adolescentes e a sociedade em modo geral, beneficiando-os com uma melhora no desempenho físico e na saúde.

Palavras-chave:Sistema Autônomo; Variabilidade da frequência cardíaca; Exercício físico; Escolares.

ABSTRACT

The aim of the present study is to relate studies on heart rate variability in adolescents of high school students, trying to understand through comparative studies the importance of heart rate variability (HRV) as a tool for evaluation and prediction of the functioning of the organism under conditions normal and pathological, providing the practice of strategies by health professionals in order to prevent, early detection of diseases that compromise the cardiac area. HRV is the measure of the time between two consecutive heart beats, that is, the time between two consecutive R-R intervals measured by the electrocardiogram (ECG). The autonomic nervous system (ANS) plays an important role in controlling the physiological functions of the body through its sympathetic and parasympathetic branches. Sympathetic activity reduces the R-R interval, while the parasympathetic increases it. Among the techniques used for its evaluation, the HRV has a fundamental, effective function, being a simple and non-invasive method of measurement of the autonomic impulses. The calibration of HRV can be done by two methods: the statistical method of the R-R intervals, and the method by the spectral analysis of R-R intervals, both can be evaluated in short periods of time or during 24 hours using the ECG.It can be concluded that HRV has been widely used as a method of diagnosing pathologies and thus providing a quality of life for adolescents and society in general, benefiting them with an improvement in physical performance and health.

Keywords: Autonomous System; Heart rate variability; Physical exercise; Schoolchildren.

 

INTRODUÇÃO

Diversas doenças cardíacas e não cardíacas têm apresentado relação com uma diminuição na variabilidade da frequência cardíaca (VFC), incluindo, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronariana, hipertensão essencial, diabetes mellitus, doença renal em estágio final e esclerose múltipla, em algumas dessas situações implicando um aumento do risco de morte (MELO et al., 2005; MARÃES, 2010; PELTOLA, 2010). Por outro lado, um aumento na VFC está relacionado à melhor saúde e bem-estar referidos (BUCHHEIT et al., 2005; 2006).

A presente pesquisa proporciona como alternativa de diminuir os problemas sedentarismo e da inatividade física na população infantil e adolescência, a utilização de atividades físicas tradicionais funcionais, aliadas com jogos, atividades lúdicas, recreativas, sendo estas um fator benéfico para saúde, pois abrangem movimentos corporais, consequentemente proporcionam gasto calórico, deixando as crianças mais ativas. Os benefícios fisiológicos dessas atividades são bastante importantes, pois causam a elevação de vários indicadores tais como Frequência cardíaca (FC), pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD), e VO2.

Ainda na mesma linha de raciocínio, para Rauber (2010) as sessões de brincadeiras podem causar respostas fisiológicas positivas protegendo o sistema cardiovascular, em situações de estresse causado pela carga interna ao organismo, as respostas fisiológicas podem ser diferentes variando de indivíduo para indivíduo.

Este TCC tem por objetivo entender, a partir de estudos comparativos, a importância da variabilidade da frequência cardíaca em adolescentes que praticam exercícios físicos e perceber os benefícios que tal prática trará para o desenvolvimento físico em suas capacidades cardiorrespiratórias. A escolha do tema se justifica por trazer informações acerca da relevância que este conhecimento pode proporcionar para a qualidade de vida de nossos adolescentes, beneficiando-os com uma melhora no desempenho físico e na saúde.

O levantamento bibliográfico foi realizado por meio de livros e artigos de diversos autores, por buscas na Biblioteca da UNOPAR, em portais e bases de dados como Portais Scielo, Google Acadêmico etc. Foram utilizadas, como palavras-chave: Variabilidade, Frequência cardíaca, Atividade física, Adolescência, Escolares.Com a finalidade de identificar bibliografias teve-se o propósito de compreender aspectos referentes ao tema trabalhado. Utilizou-se como procedimento metodológico o analítico-descritivo e como técnica a pesquisa bibliográfica.

 

VARIABILIDADE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA

O coração possui um conjunto de células que gera potenciais de ação ritmicamente. Em um coração saudável, o inicio de um batimento cardíaco ocorre nas células do nodo sinoatrial, que se localizam no átrio direito, e a atividade dessas células é regulada pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA).O SNA possui dois ramos, denominados ramo parassimpático e ramo simpático. O ramo parassimpático predomina em situações de calmaria e repouso. Já o sistema nervoso simpático predomina em situações de estresse físico e psicológico.

A atuação simpática e parassimpática do sistema nervoso autônomo (SNA) controla o aumento e diminuição da frequência cardíaca (RADESPIEL et al, 2003).

A parte autônoma do sistema nervoso tem como função manter a homeostasia (equilíbrio). Embora, o sistema nervoso autônomo (SNA) trabalhe junto com o sistema nervoso central (SNC) ele funciona por si só e sem controle consciente (DANGÊLO, FATTINI, 2001).

O coração recebe nervos aferentes e eferentes, do SNA, na forma de terminações simpáticas por todo o miocárdio e parassimpáticas para o nódulo sinoatrial, miocárdio atrial e nódulo atrioventricular (VANDERLEI et al., 2009).

A influência parassimpática na FC é mediada pela liberação de acetilcolina pelo nervo vago, levando a um aumento na condutância dos íons de potássio na membrana celular. A influência simpática na frequência cardíaca é mediada pela liberação de epinefrina e norepinefrina, o que resulta na aceleração da despolarização diastólica (TASK FORCE, 1996).

A interação entre a via simpática e parassimpática do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) influência intimamente a Frequência Cardíaca (FC), implicando em que os batimentos cardíacos não possuam um padrão regular. Essas alterações normais e esperadas na FC são definidas como variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e indicam a habilidade do coração em responder aos diversos estímulos fisiológicos e ambientais (VANDERLEI et al., 2009).

No geral a VFC, nos mostra as variações e/ou oscilações entre os batimentos cardíacos consecutivos (intervalos R-R). Para analisar a VFC de forma linear podemos usar métodos de análise do tempo e frequência. Para analisar o domínio de tempo é medido cada intervalo RR normal, durante certo tempo, e após isso são calculados os índices através das durações dos ciclos cardíacos (RASSI, 2000).

 

MÉTODOS DE MEDIDA DA VFC

A modulação autonômica cardíaca é o regulador principal da VFC, e esta, conseqüentemente, é um indicador qualitativo e quantitativo da função do sistema nervoso autônomo (TASK…, 1996).

A potência do espectro é quantificada pela medida da área abaixo da banda de duas frequências: baixa frequência de potência calculada de 0.04 a 0.15Hz e da alta frequência cuja potência vai de 0.15 a 0.40Hz (Hautala, 2001).

O estudo da VFC permite analisar as flutuações da FC que ocorrem durante períodos curtos ou prolongados de tempo. Os métodos mais utilizados para avaliá-la são por meio da análise do domínio do tempo e do domínio da freqüência (análise espectral) (GRUPI, 1998; REIS et al., 1998).

Os métodos estatísticos são conhecidos por avaliarem, do ponto de vista matemático ou estatístico, as variações entre os intervalos R-R normais sucessivos. Por sua vez, os métodos geométricos avaliam por meio do histograma de densidade ou de um mapa de coordenadas cartesianas deles extraindo-se os índices de análise da VFC (Quadro 1) (RASSI, 2000).

 

Quadro 1 – Índices de medida da VFC no domínio do tempo e da freqüência

Legenda: HF : 0,15 – 0,40 Hz; LF : 0,04 – 0,15 Hz; VLF : 0,03 – 0,04 Hz; ULF: 0 – 0,03 Hz

Fonte: adaptado de RASSI (2000).

A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) também pode seravaliada por meio de medidas no domínio da frequência. O processo,denominado análise espectral, permite decompor o sinal eletrocardiográfico em seus diferentes componentes de frequência, ou seja, nas chamadas bandas de frequências (Quadro 1; Figura 1) (RASSI, 2000).

Como as medidas da VFC no domínio do tempo e no domínio da frequência são apenas métodos diferentes de avaliar o mesmo fenômeno, vários estudos têm demonstrado associações entre alguns índices fornecidos pelos dois tratamentos. Por exemplo, o SDNN, ao avaliar o desvio- padrão de todos os intervalos R-R do traçado de 24h, apresenta forte relação com a potência total do espectro da frequência, ou seja, a VFC total. Por outro lado, o pNN50 e o RMSSD, por considerarem diferenças entre intervalos adjacentes, quantificamvariações rápidas da FC e, conseqüentemente, correlacionam-se com o componente de alta frequência do espectro de potência (REIS et al.,1998).

Dessa forma, faz-se necessário realizar uma interpretação da VFC que retire a tendência de aumento da FC. A análise da plotagem de Poincaré consiste em um mapa de pontos em coordenadas cartesianas, em que cada ponto é representado, no eixo horizontal X (abscissa), pelo intervalo R-R normal precedente e, no eixo vertical Y (ordenada), pelo intervalo R-R seguinte (Figura 2). A plotagem de um número suficiente de intervalos R-R em função do intervalo R-R precedente possibilita a criação de alguns padrões característicos, que são facilmente reconhecidos e que traduzem o comportamento da VFC (RASSI, 2000).

Utilizaram a análise de Poincaré para avaliar a eficácia desse método de análise da VFC, mediante bloqueio parassimpático e exercício físico. Foi verificado que doses progressivas de atropina (bloqueador farmacológico parassimpático) resultaram emredução progressiva do índice SD1, evidenciando que este índice quantifica a modulação vagal da FC, sem influência de tendências não estacionárias(TULPPO, 1996).

O cardiofrequencímetro Polar® ,modelo Vantage NV e S810i, permite o cálculo da VFC, utilizando a plotagem de Poincaré, em que cada intervalo R-R é plotado em gráfico cartesiano em função do intervalo R-R anterior, ajustando-se os pontos numa elipse, em cujo eixo longitudinal encontra-se o desvio-padrão “a” (SD2), que expressa atendência do conjunto de intervalos R-R analisados em longo prazo; e o eixo transverso representa o desvio-padrão “b” (SD1), que expressa a variabilidade instantânea dos intervalos R-R sem influência de tendências (Figura 3) (LIMA; KISS, 1999).

ATIVIDADE FÍSICA E SEUS BENEFÍCIOS RELAÇÃO À VFC

Em nosso cotidiano nós acabamos praticando involuntariamente atividades físicas, pois estamos movimentando o corpo e as mesmas se realizada de forma sistematizada se torna um exercício físico. Atividade física é toda ação humana que resulta em movimento e essa movimentação acelere a freqüência cardíaca acima da freqüência de repouso, então ir à padaria, andar de bicicleta, subir escadas, fazer faxina, dançar, brincar, subir em árvore, jogar bola, praticar natação, entre outras, ao fazer essas atividades você esta praticando atividade física. Quando bem aproveitada, a mesma pode proporcionar diversos benefícios, tais como: prazer, corpo disciplinado e bem-estar (SABA, 2003).

A prática de atividade física proporciona benefícios para os diferentes órgãos e sistemas do nosso corpo, entre eles, aumento do consumo de oxigênio, manutenção de boa frequência cardíaca e volume de ejeção; aumento de massa, força e resistência, aumento do conteúdo de cálcio e mineralização óssea, aumento na sensibilidade insulínica e melhora do perfil lipídico (ALVES; LIMA, 2008).

De modo geral, podemos citar alguns dos benefícios gerados por está prática como a diminuição da frequência cardíaca basal, aumento das cavidades do coração, aumento do número e tamanho dos vasos sanguíneos, bem como a melhora da tonicidade muscular e dos vasos sanguíneos. Podemos citar, ainda, adaptações de forma intrínsecas do nódulo sinusal, decorrentes de modificações fisiológicas do controle da FC em repouso e em exercícios de níveis submáximos, como melhora da contratilidade miocárdica ou periférica, aumento do retorno venoso e do volume sistólico, melhor utilização do oxigênio para gerar maior eficiência mecânica, que resulta na diminuição da FC em níveis submáximos (ALMEIDA; ARAÚJO, 2003).

Para que os benefícios fisiológicos sejam atingidos durante esforços físicos, é necessário que a atividade física seja realizada em intensidades adequadas. As variáveis da frequência cardíaca e a escala de percepção subjetiva de esforço são os principais marcadores de mensuração dessa intensidade. Na variável da frequência cardíaca é mensurado o efeito fisiológico que a atividade causa, enquanto que na percepção subjetiva do esforço, obtêm-se os resultados subjetivos que a prática da atividade alcança (MELLER, 2015).

Portanto, para uma melhor prescrição e monitoramento nas atividades físicas, a aferição da frequência cardíaca (FC) é um dos métodos mais prático e seguro seu uso é recomendado para que a atividade física seja feita com segurança. Diante dos fatos, a FC (máxima) pode ser avaliada pelo teste ergométrico ou utilizando-se fórmulas com parâmetros de idade. Uma das fórmulas bastante utilizada e de fácil aplicação é a de previsão da FC máxima, com base no seguinte cálculo: FC máxima = 220 – idade (ROBERGS; LANDWEHR, 2002).

O American College of Sports and. Medicine (ACSM) propõe que, os batimentos cardíacos durante o esforço, precisam atingir a faixa entre 60% e 79% da FC máxima, para que a atividade física proporcione benefícios à saúde atingindo intensidade moderada. Porém, a idade deve ser levada em consideração para que a classificação seja mais específica (GARBER et al., 2011 apud FARIA, 2013).

O aumento da FC durante a atividade física pode ser explicado pelo aumento da demanda de oxigênio do músculo esquelético durante a atividade física, fazendo com que a quantidade de sangue bombeado pelo coração se eleve, aumentando assim a FC (ALONSO et al., 1998).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o resultado do presente estudo podemos inferir que o músculo cardíaco apresenta capacidade para trabalhar independente de qualquer estímulo nervoso, no entanto, é o sistema nervoso autônomo o responsável pela modulação da frequência cardíaca.

Portanto, a frequência cardíaca é a consequência do equilíbrio de forças entre o sistema nervoso simpático e parassimpático e é determinada pelas precisões de cada momento. As alterações notadas nos diferentes índices de VFC de repouso e exercício, durante o exercício progressivo após um tempo de atividade física, e, ainda, a diminuição da VFC em decorrência do estado de sobre atividade física, apresentam evidências de que ocorrem modificações autonômicas no controle da FC.

Segundo os estudos apontam que a atividade física relacionada à VFC proporciona vários benefícios para a saúde dos adolescentes e da população em um modo geral, portanto para a prescrição e monitoramento da atividade física a aferição da FC é um dos procedimentos mais prático e seguro.

 

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Efeito agudo de uma sessão de exercícios resistidos utilizando o método circuito a 80% de 1rm sobre a pressão arterial

Rodrigo Poderoso de Souza1,2

Ana Carolina Gleden Poderoso1

1Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Cascavel, Paraná

2Universidade Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real, Portugal

 

RESUMO

Atualmente a literatura tem recomendado o uso de exercícios físicos resistidos para o controle da pressão arterial, devido às evidências de que o mesmo tem se mostrado seguro e eficaz ao praticante, sendo uma alternativa importante de tratamento não medicamentoso para indivíduos hipertensos. Em função disso, é necessário investigar o comportamento da pressão arterial perante tais exercícios para garantir a eficiência do mesmo sem oferecer riscos para o praticante. Objetivo: comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício. Metodologia: A amostra do estudo foi constituída por 12 voluntários do sexo masculino normotensos com idade de 24,09±2,43 anos, massa corporal 71,68± 5,18 kg, estatura de 1,73±0,04 cm, IMC de 23,83±1,60 kg/m2 e % gordura de 16,84±2,99. Os voluntários compareceram ao laboratório de musculação durante duas sessões experimentais em dias alternados para: 1 – determinação da carga máxima (1-RM) em seis exercícios (cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina); 2 – uma sessão experimental com a realização de 3 circuitos de exercício resistido em alta intensidade (08 repetições/exercício x 80% 1-RM). As variáveis mensuradas no repouso e imediatamente após a sessão experimental foram a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD). Os dados foram analisados a partir de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05. Resultados: De acordo com os resultados, foi observado que a pressão arterial sistólica imediatamente após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo, não foi observada diferença nos valores de pressão arterial diastólica. Conclusão: Desta maneira, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução. Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante.

Palavras Chaves: Pressão arterial; Treinamento resistido; Exercício físico.

 

ABSTRACT

Currently, the literature has recommended the use of resistance exercise to control blood pressure, due to evidence that it has proved safe and effective practitioner, being an important alternative non-drug treatment for hypertensive patients. As a result, it is necessary to investigate the behavior of blood pressure before such exercises to ensure the efficiency of that without risk to the practitioner. Objective: To compare the behavior of blood pressure after a session of circuit resistance exercise in method, using a load of 80% of one repetition maximum – 1RM with the situation of pre-exercise. Methodology: The study sample consisted of 12 normotensive male volunteers aged 24.09 ± 2.43 years, body mass 71.68 ± 5.18 kg, height 1.73 ± 0.04 cm, BMI of 23.83 ± 1.60 kg/m2 and 16.84% fat ± 2.99. The volunteers attended the laboratory for two experimental sessions weights every other day for: 1 – maximum load (1-RM) in six exercises (leg extension, bench press in the machine, leg press, pull on the machine, leg curl and rowing machine), 2 – an experimental session with the realization of three circuits in high-intensity resistance exercise (08 reps / year x 80% 1-RM). The variables measured at rest and immediately after the experimental session were systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP). Data were analyzed using descriptive statistics with mean values and standard deviation. To compare the blood pressure before and immediately after the measurements, we employed the “t” Student test for dependent samples. All procedures were performed in the software Statistic for Windows 6.0 and the level of significance was p <0.05. Results: According to the results, it was observed that the systolic blood pressure immediately after the exercise session was significantly higher than that at home. However, there was no difference in diastolic blood pressure values. Conclusion: Thus, we conclude that resistance exercise at 80% 1RM method in circuit, causes a significant increase in SBP immediately after their execution. It is suggested to carry out further studies to monitor the recovery period post-exercise in order to check if any blood pressure lowering effect for the practitioner.

Key words: Blood pressure. Resistance training. Physical exercise

 

INTRODUÇÃO

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial (2008), há 600 milhões de hipertensos no mundo, e consta também que a prevalência da mesma no Brasil é grande, pois entre os adultos, de 30% a 35% possuem a doença. Como consequências dessa elevação nos níveis pressóricos, os órgãos-alvos estão expostos a sérios riscos de comprometimento com procedente aumento de risco cardiovascular. Esse aumento na pressão arterial pode ter como causas o sedentarismo, o estresse, hábitos alimentares inadequados e o consumo de álcool e tabaco, que são características advindas do estilo de vida urbanizado e de pós-tecnologia estabelecida (IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2002).

Perante essa realidade, torna-se evidente a necessidade de abordagens intervencionistas na tentativa de se prevenir e tratar a hipertensão arterial (LATERZA et al., 2007).

Para alcançar esses objetivos, tem sido amplamente preconizado por profissionais da saúde, juntamente com o tratamento farmacológico, a adesão de um modo de vida saudável e a prática regular de exercícios físicos, como sendo maneiras eficazes para abrandar os níveis de pressão arterial (PESCATELLO et al., 2004).

Inúmeras pesquisas comprovam os benefícios que são ofertados pelos exercícios físicos, tanto na prevenção quanto no tratamento dessa doença. Pois eles se caracterizam por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, causando várias adaptações fisiológicas que são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular durante o exercício (BRUM et al., 2004).

Atualmente, exercícios físicos resistidos vêm sendo utilizados em programas que promovem, quando supervisionados adequadamente, benefícios significantes e baixos riscos ao praticante, contribuindo para a redução da pressão arterial de repouso (BERMUDES, et al., 2004).

Doenderlin e Farinatti (2003) indicam que um método seguro para conduzir um treinamento é dando elementos adicionais à manipulação de variáveis adjuntas à sua intensidade absoluta e relativa (tipo de exercício, intervalo de recuperação, número de repetições e séries, carga mobilizada e velocidade de execução). Porém alguns estudos têm demonstrado que a intensidade do esforço não influência a resposta hipotensora pós-exercício (FORJAZ et al., 1998) e em contrapartida, outras investigações evidenciaram que a intensidade do exercício pode influenciar a dimensão e duração da resposta pressórica (POLITO et al., 2003).

Conforme os autores, a qualidade física envolvida neste tipo de atividade física é a força muscular que, além de ser necessária no desenvolvimento é, em termos de promoção de saúde, um parâmetro fundamental para a prática de atividades ocupacionais e de lazer, colaborando para a auto suficiência de indivíduos sedentários, idosos, hipertensos e cardiopatas (BERMUDES, et al., 2004).

Para uma discussão mais ampla sobre os efeitos do exercício na pressão arterial, é válido destacar que essa pode ser influenciada não só pelas adaptações decorrentes do treinamento físico crônico (adaptações crônicas), mas também pela influência de uma única sessão de exercício (efeitos subagudos ou pós-exercício). (UMPIERRE; STEIN, 2007)

Em estudo realizado por Cornelissen e Fagard (2005), composto por 12 análises e 341 voluntários, foi demonstrado redução dos valores de pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica para os indivíduos que foram expostos ao treinamento resistido.

O mesmo estudo descreve que não foram observadas diferenças relacionadas às intensidades de exercício, bem como quanto à utilização do treinamento resistido convencional ou em circuito. Sendo que, no treinamento convencional realiza-se todas as séries de determinado exercício antes de iniciar o seguinte e, geralmente, têm-se maiores cargas e tempo de intervalo do que no método de circuito, onde é mais contínuo e com menores tempo de intervalo, visto que a execução é de uma única série em cada estação, passando ao próximo exercício imediatamente, e repetindo o circuito mais vezes se necessário.

Ainda que o treinamento resistido, de forma semelhante ao treinamento aeróbico (WHELTON et al., 2002), cause apenas diminuições mínimas nos níveis da pressão arterial, em termos populacionais essa consequência pode ter impacto em uma menor incidência de doença coronariana e acidente vascular cerebral. (WHELTON et al., 2002)

Desta forma, o presente estudo tem como objetivo comparar o comportamento da pressão arterial após uma sessão de exercício resistido no método circuito, utilizando uma carga de 80% de uma repetição máxima – 1RM com a situação de pré-exercício.

 

METODOLOGIA

Participaram deste estudo, 12 voluntários normotensos do sexo masculino, com idade de 24,9 ± 2,43 anos, praticantes de exercícios físicos resistidos pelo menos seis meses e que praticassem estas atividades pelo menos três vezes por semana.

Como critérios de exclusão, considerou-se o uso de esteróides anabolizantes e medicamentos que pudessem interferir no comportamento da pressão arterial, bem como a desistência do voluntário a qualquer momento e a ingestão de cafeína, refrigerantes a base de cola, chocolates e fumo no dia do teste.

A coleta de dados foi realizada em três dias, com intervalo mínimo de 48 horas entre cada sessão. No primeiro dia todos os voluntários foram submetidos ao questionário PAR-Q (SHEPARD, 1988) para avaliação da prontidão física, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, e antes da realização do presente estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade Assis Gurgacz (PARECER 187/2008). Foram realizadas ainda as avaliações das variáveis antropométricas e de composição corporal (peso, estatura, e dobras cutâneas), e também um teste de carga máxima nos exercícios envolvidos no estudo.

Objetivando amenizar a possibilidade de ocorrência de erros durante os testes de uma repetição máxima (1RM), foram tomadas as seguintes medidas: As instruções a sobre toda a rotina dos testes foram antecipadamente passadas a todos os componentes da amostra; O voluntário foi instruído sobre a técnica de execução; O avaliador esteve atento em todos os momentos das execuções, com a finalidade de evitar que os avaliados cometessem erros que pudessem comprometer o resultado da coleta de dados; Os testes foram marcados com antecedência e sempre realizados no mesmo horário para cada avaliado.

A massa corporal foi aferida através de uma balança digital de marca Toledo, e a estatura através de um estadiômetro de parede marca Sanny, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon, Chumlea, Roche (1988).

A adiposidade corporal foi determinada por meio da utilização de um adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Industries Inc., Cambridge, Maryland). Foram medidas as espessuras das dobras cutâneas subescapular, abdominal e tricipital de acordo com os procedimentos descritos por Harrison, Bursik, Carter, Johnston, Lohman e Pollock (1988).

O percentual de gordura foi determinado através de um protocolo para três dobras (GUEDES; GUEDES, 2003). Vale ressaltar que o erro de medida será de no máximo ±1,0mm e o coeficiente teste-reteste de > 0,95.

No segundo dia os voluntários participaram da sessão experimental de exercício resistido, sendo 80% da carga máxima no método circuito.

O treinamento resistido foi aplicado com a carga de 80% de 1RM, em três circuitos, e realizado em seis aparelhos: cadeira extensora, supino reto na máquina, leg press, puxada na máquina, cadeira flexora e remada máquina. Nessa mesma ordem, realizaram um total de oito repetições, dois segundos de execução para cada fase (excêntrica e concêntrica), sessenta segundos de recuperação entre cada aparelho e cento e vinte segundos de intervalo entre cada circuito.

Vale ressaltar que considerando o número de exercícios, número de repetições, tempo de execução de cada movimento, tempo de recuperação entre cada exercício, bem como o tempo de recuperação entre cada circuito, o volume da sessão de exercício foi semelhante nas duas situações experimentais.

A mensuração da PA foi realizada através do Método de medida oscilométrica, usando um Monitor Digital Automático de Pressão Arterial, Modelos BP 3BTO-A fabricado pela Microlife sendo verificadas após 05, 10 e 15 minutos de repouso, e imediatamente após a sessão de exercícios resistidos

Todos os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com valores de média e desvio padrão. Para a comparação da pressão arterial antes e imediatamente após as medidas obtidas, foi empregado o teste “t” de Student para amostras dependentes. Todos os procedimentos foram realizados no Software Statistic for Windows 6.0 e o nível de significância adotado foi de p<0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 apresenta as características gerais da amostra, com valores de média e desvio padrão de idade.

Tabela 1: Características gerais da amostra.

Na tabela 2 é apresentado os resultados do teste “t” para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

De acordo com os resultados, foi observado que pressão arterial sistólica após a sessão de exercício foi significativamente maior do que a observada no repouso. Contudo não foi observada diferença nos valores da pressão arterial diastólica imediatamente após o exercício.

 

Tabela 2: Teste t para comparação dos valores de média (± desvio-padrão) para a pressão arterial sistólica e diastólica em repouso e imediatamente após uma sessão de exercício resistido no método circuito a 80% de 1RM.

PAS: Pressão Arterial Sistólica; Pressão Arterial Diastólica; mmHg: milímetros de mercúrio * p<0,05

 

DISCUSSÃO

O presente estudo comparou a condição pressórica antes e imediatamente após uma sessão de exercício físico resistido no método circuito com 80% de 1RM.

De acordo com os resultados da pesquisa, observou-se que imediatamente após o exercício as médias da pressão arterial sistólica foram significativamente mais elevadas que as médias antecedentes ao exercício. Este resultado é explicado em parte pela ativação de quimiorreceptores por fadiga periférica (CARRINGTON; WHYTE, 2001).

Considerando que a carga de 80% de 1RM pode ser classificada como uma alta intensidade, esses resultados corroboram com a literatura, que indicam que exercícios realizados até a exaustão resultariam em uma resposta mais elevada da pressão arterial imediatamente após o esforço (LENTINI et al., 1993).

Contudo, há de se considerar que os resultados do presente estudo limitam-se a comparar a pressão arterial de repouso e imediatamente após o exercício. A literatura aponta ainda o benefício agudo no controle de pressão arterial em indivíduos normotensos (FORJAZ et al., 1998).

A diminuição nos níveis pressóricos após exercício resistido são comprovados pelos destaques de outros recentes autores, que realizaram estudos em normotensos e hipertensos de diferentes faixas etárias (BROWN et al., 1994; FOCHT; KOLTYN, 2000; MACDONALD et al., 2000; LIZARDO; SIMÕES, 2005; MOTA, 2006).

Entretanto, em um estudo realizado por Fisher (1999), não foi observado hipotensão pós-exercício para a pressão arterial diastólica a partir de exercício resistido realizado a 50% de 1RM em normotensos e hipertensos.

Apesar de não ter sido foco deste estudo, o acompanhamento da pressão arterial após o exercício resistido poderia evidenciar efeito hipotensor.

Portanto, segundo Hara e Floras (1994) a hipotensão pós exercício da pressão arterial diastólica poderia ocorrer pelo fato de estar relacionada à redução da resistência vascular periférica a partir da vasodilatação mantida pós exercício que ocorre, entre outros motivos, pela acentuada produção de metabólitos, e ainda conforme Mota (2006), sessões de exercício resistido proporcionam um maior estresse metabólico pós exercício devido ao maior pico de lactato sanguíneo.

Por outro lado, durante o exercício de força, tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica tendem a se elevar, promovendo um aumento também expressivo na pressão arterial média, mesmo que por um curto período de tempo. (MACDOUGAL et al., 1985 citados por POLITO; FARINATTI 2003).

A American College of Sports Medicine (ACSM) (2000), menciona que, isoladamente a PAS e PAD mostram comportamentos diferenciados durante o exercício. A PAS tende a aumentar em proporção direta à intensidade do exercício em função da elevação do débito cardíaco, o que justifica o resultado do presente estudo.

Porém os resultados obtidos contradizem ao estudo feito por Franklin, Bonzheim et al., (1991), que afirmam ocorrer elevação significativa da PAD.

Corroborando a não ocorrência de alteração significativa da PAD, pode ser devido ao fato de que os voluntários do presente estudo são jovens normotensos, com experiência e prática regular de exercício resistido.

A literatura aponta que a prática regular do treinamento com pesos pode abrandar as respostas agudas para valores absolutos de carga, por outro lado, quando se levam em conta os seus valores relativos, tanto a pressão arterial quanto a frequência cardíaca tendem a não apresentar mudanças ou até a aumentar, principalmente em esforços de solicitação máxima (POLITO E FARINATTI, 2003).

Entre as adaptações crônicas mais importantes decorrentes da prática regular de exercícios de força podem ser citadas a possível redução da freqüência cardíaca (GOLDBERG et al., 1994), e da pressão arterial de repouso (KELLEY; KELLEY, 2000), e também a menos sobrecarga cardíaca durante o exercício, com menor duplo-produto associado (MAIORANA et al., 2000).

Ainda falando das adaptações causadas, Fleck (1999) ressalta que a pressão arterial aumenta proporcionalmente em relação à carga e aumenta em relação à massa muscular envolvida no exercício. Essa resposta parece não ser linear, indicando assim que as respostas circulatórias para o exercício de resistência são em grande parte determinados pela intensidade do esforço, executado para cada pessoa durante a conclusão de número igual de repetições.

Referindo-se a prescrição de exercício de força, o ACSM (2000), sugere para portadores de comprometimento cardiovascular um número de repetições satisfatório entre 10 e 15, de caráter submáximo e com sensação subjetiva de esforço entre 11 e 15 (Escala de Borg), dependendo do estado de treinamento e nível da enfermidade. Já  em se tratando do volume de treinamento, aconselha duas a cinco vezes por semana.

Já para Santarém (2001), a eficácia do treinamento exige pesos relativamente elevados com poucas repetições, desde que não se faça esforço máximo, a pressão arterial aumenta dentro de níveis seguros, o que vem de encontro ao objetivo proposto pelo presente estudo, onde se utilizou uma carga mais elevada, de 80% de 1RM em método circuito. O autor acrescenta ainda, que é errado dizer que pesos leves e maior número de repetições são mais seguros, pois ao ocorrer isometria e apnéia, ao final da série a pressão arterial aumentaria mais do que com maior peso e menos repetições.

Há diversas evidências e estudos que apontam o treinamento contra resistência como benéfico e seguro mesmo para pessoas portadoras de algumas doenças cardíacas, desde que o mesmo seja prescrito com os cuidados necessariamente considerados.

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados, conclui-se que o exercício resistido a 80% de 1RM no método circuito, provoca aumento significativo na PAS imediatamente após a sua execução.

Sugere-se a realização de futuros estudos que acompanhamento do período de recuperação pós-esforço, a fim de verificar se ocorreria algum efeito hipotensor para o praticante, bem como se possa aplicar o exercício resistido na prevenção e tratamento não farmacológico da hipertensão arterial.

 

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HYPERTENSIVE RESPONSE TO A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION IN ELDERLY

Romário Fagner Remígio Fausto1, Jennifer Ariely Sales Suassuna1, Daniele Cristina dos Anjos Dantes1, Luan Carlos Nunes de Oliveira1, Eduardo dos Santos Soares Monteiro1, Ana Cristina Oliveira Marques1, Bruno Teixeira Barbosa1,2

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Introdução: A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é considerada um fator de risco para as patologias cardiovasculares, dentre elas a hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença crônica, multifatorial e de maior prevalência em idosos. Objetivo Avaliar a RHE de idosos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional. Metodologia: Doze idosos (62,4 ± 2,4 anos), nove mulheres e três homens foram submetidos a uma sessão de exercício multifuncional dividida em aquecimento (50% da frequência cardíaca máxima (FCreserva), parte principal (60-80% da FCreserva), onde a parte principal contou com 3 ciclos de 12 estações, com descanso de 2 minutos entres os ciclos e estações com duração de 80 segundos cada, sem intervalo entre elas. Foram realizadas medidas da pressão arterial (PA) nas condições de repouso e durante o exercício (3 vezes em 3 diferentes estações). Resultados: Não foi verificado comportamento hipertensivo da pressão arterial em idosos submetidos a uma sessão de exercícios multifuncional. Conclusão: Uma sessão de exercícios multifuncionais de intensidade moderada não provoca RHE em idosos, sendo assim, essa prática pode ser considerada segura e benéfica para essa população.

Palavras-chave: exercício multifuncional; hipertensão; resposta hipertensiva; idoso.

 

INTRODUÇÃO

A resposta hipertensiva ao exercício (RHE) é comumente definida como uma resposta ao exercício da pressão arterial sistólica (PAS) de exercício ≥ 210 mmHg em homens e ≥ 190 mmHg em mulheres (MORROW et al., 1993); tal resposta fisiológica pode atuar como fator preditor de algumas doenças cardiovasculares, como a hipertensão essencial (MIYAI et al., 2002; SHARABI et al., 2001), a doença coronariana (MCHAM et al., 1999), a hipertrofia do ventrículo esquerdo (GOTTDIENER et al., 1990); e até da morte (KJELDSEN et al., 2001).

A RHE é considerada multifatorial, sendo influenciada por mecanismos que incluem o tônus simpático excessivamente alto durante o exercício, a diminuição da distensibilidade aórtica, bem como disfunção endotelial e diastólica (SCHULTZ et al., 2013). Também contribuem para a RHE a resistência periférica total, que não diminui adequadamente para compensar o aumento do débito cardíaco durante o exercício, e a incapacidade da vasodilatação induzida pelo exercício, assim como de forma crônica o aumento da massa do ventrículo(WILSON et al., 1990).

Estudos demostram que, uma vez acionados tais mecanismos, a RHE apresenta poder prognóstico para o desenvolvimento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) (HOLMQVIST et al., 2011; SINGH et al., 1999), considerada a doença crônica não transmissível mais prevalente na população idosa e que constitui o principal fator de risco cardiovascular modificável causador de morbimortalidade no mundo (OSTCHEGA et al., 2007). A HAS tem origem multifatorial, e é causada por fatores genéticos, sedentarismo, obesidade, ingesta excessiva de sódio e álcool (DICKSON; SIGMUND, 2006; HACKAM et al., 2010; MALACHIAS et al., 2016; WHELTON et al., 2002).

Não é de nosso conhecimento a existência de estudos que tenham avaliado a RHE a uma sessão aguda de exercício multifuncional na população idosa. Deste modo, o objetivo do presente estudo é o de avaliar a RHE de idosos normotensos e hipertensos submetidos a uma sessão de exercício físico funcional.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Delineamento do Estudo

O presente estudo trata-se de um estudo quase-experimental com amostra definida de forma não probabilística, sendo composta por sujeitos idade entre 60 e 80 anos, de ambos gêneros, recrutados através da mídia e ação em campo nas áreas públicas de lazer na cidade de João Pessoa/PB. Participaram do estudo sujeitos hipertensos até o grau II (MALACHIAS et al., 2016), eutróficos e obesos (18,5 ≤ IMC ≤ 39,9 kg/m²) e aqueles considerados ativos de acordo com o Questionário Internacional de Atividade Física, previamente validado e adaptado para população idosa (BERTOLDO BENEDETTI et al., 2007; MAZO; BENEDETTI, 2010). Não foram incluídos tabagistas e portadores de qualquer doença pulmonar obstrutiva crônica; além de sujeitos que fizessem uso de medicação betabloqueadora ou bloqueadora de canal de cálcio ou acometidos por doenças osteomioarticulares que impossibilitem a prática de atividade física. Para participar das atividades da pesquisa, o voluntário apresentou atestado médico liberando-o para a prática de exercício físico.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (CEP) do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) sob nº de registro CAAE: 55901316.1.0000.5176, e atendeu as normas de pesquisa com seres humanos da resolução 466/12 do conselho nacional de saúde (CNS). Os voluntários da pesquisa foram esclarecidos e assinaram ao TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).

Sessão aguda – Exercício multifuncional

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (MALACHIAS et al., 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (NELSON et al., 2007). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA e a FC.

Depois disso o exercício multifuncional foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada após 10 minutos, e em seguida a cada 5 minutos. A sessão experimental foi realizada da seguinte forma: a atividade foi iniciada com um aquecimento leve (<50% da FCreserva) em torno de 5 minutos com uma corrida leve. Ativação do core com estabilização ventral, dorsal e lateral; Alongamentos dinâmicos: Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco; Rotação de braços e ativação neuromuscular com agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais; Corrida estacionária.

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 ciclos de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre os ciclos, divididas na seguinte sequência: Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; Agachamento Frontal com medicine ball; Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); Flexão de tronco corda; Stiff unipodal;  Deslocamento com mudança de direção (8 cones); Rotação de tronco com elástico; Puxada na fita de suspensão; Deslocamento unipodal em quadrado; Arremesso para baixo com slam ball; Flexão de cotovelo; Deslocamento em T (cones). Com duração de 80 segundos cada estação e intervalo de 30 segundos de descanso entre elas. A verificação da PA foi realizada em 3 estações de cada ciclo, imediatamente após a execução do referido exercício. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático. Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC.

Medidas de Pressão Arterial

Após a chegada ao local da coleta dos dados, os voluntários foram solicitados a permanecer sentados durante 10 minutos, e, em seguida, foi realizada uma medida da pressão arterial (PA). Três novas medidas foram obtidas durante a realização dos exercícios ao longo da sessão A PA foi aferida de acordo com as normas da VII Diretriz Brasileira De Hipertensão Arterial (MALACHIAS et al., 2016) para medidas clinicas da PA. Foi utilizado um esfigmomanômetro aneroide da marca Missouri Mikatos 102-NYL com precisão de dois milímetros de mercúrio previamente calibrado contra um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio para mensuração da PA.

Medidas de Frequência Cardíaca

A intensidade da sessão de exercício funcional foi monitorada pela instrumentação de um monitor de frequência cardíaca (Atrio®, ES055) nos voluntários. Para garantir a permanência do participante na zona da frequência cardíaca, a FCreserva foi monitorada em intervalos de 05 minutos durante o exercício.

 

RESULTADOS

Os sujeitos, em sua maioria do gênero feminino, foram pareados quanto a idade e IMC (p > 0,05). Ambos os grupos iniciaram a sessão de exercício funcional sem diferenças estatisticamente significantes entre as variáveis hemodinâmicas (p > 0,05) garantindo que as respostas encontradas não se devem a condições pré-exercício diferentes (tabela 1).

Tabela 1. Resposta da pressão arterial ao exercício funcional.

PAS, pressão arterial sistólica; PAD, pressão arterial diastólica; PAM, pressão arterial média.

DISCUSSÃO

O principal achado deste estudo sugere que o exercício multifuncional de intensidade moderada não promove resposta hipertensiva em idosos, o que nos permite considerar esse tipo de exercício físico uma prática segura para a população idosa. Outros estudos também se dedicaram a avaliar a resposta hipertensiva aos mais diversos protocolos de exercício físico (MATTHEWS et al., 1998; SINGH et al., 1999; TAKAMURA et al., 2008; WILSON et al., 1990).

Wilson et al. (1990) avaliaram a RHE em cicloergômetro em diferentes intensidades de 35 homens divididos em dois grupos:  alto risco (n = 20) e baixo risco (n = 15) de desenvolver hipertensão arterial, e verificaram que 7 sujeitos do grupo de alto risco apresentaram uma RHE. Um deles apresentou RHE com baixa intensidade e outros 6 com intensidade moderada; além disso, foram percebidos valores de frequência cardíaca maiores no grupo com a resposta exagerada de pressão arterial, devido à baixa capacidade de vasodilatação induzida pelo exercício indicando que o grupo que teve a RHE detectada tem mais risco de se tornarem hipertensos.

Por sua vez, Matthews et. al. (1998) analisaram a RHE de 352 homens normotensos submetidos a uma sessão de exercício em esteira, a fim de investigar a associação entre a resposta da PA ao exercício e o prognóstico de hipertensão. Em seus resultados identificaram que os sujeitos do grupo de caso (identificados por um relatório afirmativo de hipertensão diagnosticado por um médico) estão 2,4 vezes mais propensos a apresentarem resposta exagerada da PA do que o grupo controle, de modo que concluíram que esta resposta exagerada da PA está associada ao risco de hipertensão.

Também, Singh et al. (1999), realizaram um estudo para analisar a RHE de 1026 homens e 1284 mulheres normotensos, através de um teste de esteira com vários estágios de acordo com o protocolo de Bruce. Os resultados mostraram que aproximadamente 80% dos indivíduos atingiram a zona alvo da FC, e que a médias das aferições da PA em todas as fases do teste (repouso, exercício e recuperação) foram significantemente maiores nos homens do que nas mulheres. O estudo também mostrou que a RHE apresenta relação com a probabilidade de desenvolver hipertensão arterial. Os resultados obtidos, em relação a resposta hipertensiva a uma sessão de treinamento multifuncional em idosos, não mostrou significância estatística nas variáveis fisiológicas dos indivíduos.

Takamura et al. (2008), estudaram a RHE após um teste de esteira de 6 minutos usando o protocolo de Bruce. Os indivíduos (n = 129) foram divididos em três grupos: sem RHE e sem HA (grupo controle, n = 30), sem RHE e sem HA (grupo RHE, n = 25) e com RHE e HA (grupo HTN, n = 74). No estudo foi observado que a PA aumentou nos grupos RHE e HTN, em comparação com o grupo controle. Concluíram que independente da HA, os indivíduos com uma RHE tiveram comprometimento das funções fisiológicas, se tornando relativamente perigoso a prática de exercício nessas condições.

 

CONCLUSÃO

Tendo em vista tais dados nesses tipos de teste, uma sessão de exercícios multifuncionais, além de melhorar as capacidades físicas para o dia a dia do idoso, mostrou melhores resultados e com menor risco ao indivíduo praticante. Levando em consideração que a população idosa está mais propensa ao desenvolvimento da hipertensão devido a fatores relacionados, principalmente, a idade o exercício multifuncional de intensidade moderada mostrou-se como uma opção de exercício físico segura no tocante a resposta exagerada da PA.

 

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EFFECT OF A MULTIFUNCTIONAL EXERCISE SESSION ON THE RESPONSE OF BLOOD PRESSURE IN ELDERLY HYPERTENSIVE AND NORMOTENSIVES

Leandro Bezerra de Souza1, Bruno Teixeira Barbosa1,2, Mazureik Cavalcanti Gouveia1, Carlos Eduardo da Silva Rodrigues1, Jessyka Bruna da Silva Rodrigues1, Cayo Luccas Lacerda Pinheiro1, Ana Cristina Oliveira Marques1, Taís Feitosa da Silva1, Jennifer Ariely Sales Suassuna1

 

1Departamento de Educação Física, Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). João Pessoa-PB. Brasil.

2Grupo de Estudos do Exercício Físico Aplicado à Saúde (GEEFAS). João Pessoa-PB. Brasil.

 

RESUMO

Objetivo: Avaliar o efeito de uma sessão de exercício multifuncional na resposta aguda da pressão arterial em idosos hipertensos e normotensos. Métodos: Participaram do estudo 13 idosos hipertensos e normotensos (com idade de 61,8 ± 7,56 anos; Massa corporal 67,15 ± 9,57 Kg; índice de massa corporal – IMC de 26,9 ± 3,2 Kg/cm2). Os voluntários realizaram ambas as sessões de exercício e controle. Foram realizadas medidas pressão arterial (PA), atividade autonômica cardíaca (AAC) e frequência cardíaca (FC) nos momentos de repouso, durante e pós exercício por um período de 60 minutos. Os dados foram analisados quanto a normalidade e homogeneidade, e foi realizada analise de variância para as variáveis estudadas, sendo utilizado o software SPSS 20.0. Resultados: Foi encontrada uma redução significativa da PAS na sessão experimental nos momentos 40 minutos de (p=0,049) e 60 minutos de (p=0,045) após o exercício; quando comparada a PAS entre sessões, a sessão experimental promoveu maior redução nos momentos 40 e 60 minutos (p=0,023); não foram observadas alterações para PAD. Conclusão: Uma sessão de exercício multifuncional é capaz de promover redução da PAS em idosos hipertensos e normotensos. Novos estudos são recomendados para maiores esclarecimentos deste fenômeno.

Palavras Chave: Hipotensão pós exercício; hipertensão; idosos; Exercícios Multifuncionais

INTRODUÇÃO

A redução da pressão arterial, após o exercício físico, a níveis abaixo daqueles encontrados na condição de repouso, é conhecida como Hipotensão Pós Exercício (HPE)  (KENNEY; SEALS, 1993; BRUM; NEGRÃO, 2004; POLITO, 2010; VELOSO et al., 2010). Tal fenômeno, torna o exercício quando praticado regularmente uma intervenção não farmacológica, sendo utilizado como adjuvante no tratamento e controle da hipertensão (KENNEY; SEALS, 1993; PAPPACHAN et al., 2011; LATERZA et al., 2007; PONTES JÚNIOR et al., 2010).

A HPE tem sido analisada a partir de sessões de diversos exercícios físicos em vários grupos: através de corrida aquática (PONTES et al., 2008), esteira ergométrica (TAYLOR-TOLBERT et al., 2000) e cicloergometro (BRANDÃO RONDON et al., 2002). Tanto exercícios aeróbios quanto resistidos são recomendados em busca de uma melhor resposta hipotensiva (ABDELAAL; MOHAMAD, 2014; (DASGUPTA et al., 2014; CHODZKO-ZAJKO et al., 2009; KENNEY; SEALS, 1993; (POLITO, 2010; DIVISÓN, 2016; CARVALHO et al., 2015; BERMUDES et al., 2004). Além disso, a intensidade e a duração do exercício podem influenciar no tempo da HPE (POLITO et al., 2009; HALLIWILL, 2001). Os exercícios moderados, dinâmicos e com utilização de maior massa muscular demostram resultados de HPE satisfatórios (HALLIWILL, 2001; CASONATTO; POLITO, 2009). No entanto, exercícios concorrentes e/ou combinados, podem otimizar tanto a magnitude quanto a duração da HPE quando comparados aos exercícios aeróbios e resistidos (CUNHA et al., 2013).

Diferentemente dos treinamentos resistidos, o treinamento funcional também conhecido como multifuncional ou hibrido trabalha a musculatura de forma mais harmônica e integrada, utilizando grandes grupos musculares (RESENDE-NETO et al., 2016; ELIAS, 2015; LIU et al., 2014). Trazendo características aeróbias, resistidas e cíclicas, gerando melhorias satisfatórias em relação as atividades da vida diária, flexibilidade, fortalecimento e equilíbrio (LIU et al., 2014; (RESENDE-NETO et al., 2016; (EVANGELISTA et al., 2016; EVANGELISTA, 2014; LUSTOSA et al., 2010; ANDERSSEN; LOHNE-SEILER, 2013; LEAL; BORGES; FONSECA, 2009; GAUCHE et al., 2017; MC et al., 2006). Possivelmente devido suas características, os exercícios funcionais podem ser eficazes para uma boa resposta hipotensora, como demonstram estudos (CORREIA LIMA et al., 2017; (BOTELHO; ALKMIM; NUNES, 2012; BOTELHO et al., 2011).

Mesmo diante de algumas evidencias sobre a resposta hipotensora no exercício multifuncional em idosos, a diversidade entre os exercícios utilizados, bem como as capacidades físicas abordadas não nos permitem maiores inferências. Diante disso, o objetivo desse estudo é avaliar o efeito de uma sessão de exercício multifuncional na resposta aguda da pressão arterial em idosos hipertensos e normotensos.

 

MÉTODOS

Participantes

O presente estudo caracteriza-se como ensaio clínico controlado de caráter descritivo, comparativo e transversal (ROUQUARYROL, 1999; (LIMA-COSTA; PEIXOTO; GIATTI, 2004). Participaram da amostra 13 idosos, de ambos os géneros (sendo 9 mulheres), com idade de 62 ± 8 anos; massa corporal 67,2 ± 9,6 Kg; IMC de 26,9 ± 3,2 Kg/m2 selecionados por procedimento não probabilístico por conveniência, e recrutados através de mídias digitais e/ou pessoalmente em espaços públicos. Os participantes não podiam estar fazendo uso de fármacos betaboqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio, não tabagistas, e relataram não possuir doenças osteomioarticulares.

A pesquisa seguiu a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012) e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPE com Nº CAAE 55901316.1.0000.51.76, todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE).

 

Procedimento para coleta de Dados

Os indivíduos foram convidados a comparecer ao Centro Universitário de João Pessoa (UNIPE) para a realização das avaliações e anamnese. Ao chegarem na Instituição foram direcionados ao Laboratório de Avaliação Física (LAF), onde foram esclarecidos quanto aos objetivos, eventuais riscos, benefícios da pesquisa. Assinaram TCLE e responderam ao Questionário de Nível de Atividade Física (IPAQ), realizaram a Análise da Composição Corporal (ACC). após as avaliações os indivíduos foram randomizados quanto aos procedimentos: treinamento funcional e controle.

Antes de serem submetidos ao protocolo experimental, os indivíduos foram direcionados à quadra externa da Instituição, ambiente ao ar livre no período entre 16h às 18h. Para a realização do protocolo controle, os participantes foram direcionados para área externa do LAF, foram posicionados sentados em cadeiras confortáveis, ambiente ao ar livre, coberto e ventilado.

Os dois protocolos foram realizados em dias não consecutivos com intervalo mínimo de 48h entre os protocolos seguindo as recomendações da (CHODZKO-ZAJKO et al., 2009).

 

 

Análise da Composição Corporal

Para a realização da ACC, foi utilizado o InBody 720, com tecnologia Bioimpedância Segmentar Direta, método rápido e não invasivo, que realiza com precisão as medições de cada segmento corporal, quatro membros e o tronco. Todos os participantes foram orientados a permanecerem por no mínimo quatro horas em jejum de água e alimento, seguindo o protocolo estabelecido pelo fabricante. De acordo com as especificações técnicas, podem ser analisados indivíduos com idades entre 6 – 99 anos com peso corpóreo de 10 – 250kg (ANN L GIBSON, JASON C HOLMES, RICHARD L DESAUTELS, LYNDSAY B EDMONDS, 2008).

 

Questionário de Nível de Atividade Física

Foi utilizado o IPAQ para analisar o nível de atividade física dos participantes, questionário que possui sete perguntas, onde classifica o indivíduo como ativo ou não, dependendo das atividades da vida diária que exercem, como caminhada, tarefas domésticas e lazer. As respostas geram um escore, que determina se o indivíduo exerce atividades vigorosas e intensas, leve ou moderadas, bem como a inatividade física do participante (MATSUDO et al., 2001).

 

Medidas de Pressão Arterial

Em ambos os procedimentos, os participantes foram submetidos a um repouso de 10 minutos sentados, antes de qualquer verificação de PA, onde descrevemos como sendo PArepouso. Foi verificada a PA em vários momentos, durante o exercício, imediatamente após o exercício e na recuperação, esse último momento totalizou um período de uma hora.

As Medidas de PA foram verificadas conforme os critérios regulamentados pela (BRASILEIRA; CARDIOLOGIA, 2016) através do método auscultatório, e foi utilizado esfigmomanômetro aneroide (BAIA, 2010).

 

Medidas da Frequência Cardíaca e Percepção Subjetiva de Esforço

A zona da frequência cardíaca foi determinada através da equação proposta por (KARVONEN; KENTALA; MUSTALA, 1957) e monitoramos os participantes com uma cinta cardíaca Atrio, modelo ES055 conectada a um smartphone por bluethooth ligado ao Cardiomood App HRV com precisão de uma sístole por minuto.

Todos os participantes permaneceram sentados por 10 minutos antes da realização do exercício. O menor valor da Frequência Cardíaca registrada neste período foi considerada Frequência Cardíaca de Repouso e a partir daí, foi realizado o calculo.

A FC foi monitorada a cada 10 minutos, garantindo assim que os indivíduos se mantivessem dentro da zona alvo de segurança. Também foi adotada a Escala de Percepção Subjetiva de Esforço – PSE (NOBLE, 1974). Durante o exercício, a PSE era questionada sempre após a medida de FC.

 

Atividade Autonômica Cardíaca

            Foi utilizado o aplicativo CardioMood App HRV para a Análise da AAC, compatível com smartphones conectados por bluetooth a uma cinta Cardíaca Atrio ES055 (FÉLIX et al., 2016). Foram processados dados relativos ao balanço autonômico de Baixa Frequência/Alta Frequência – (BF/AF), esses relativos ao domínio da frequência em relação ao cálculo HRV. O registro foi realizado após os 10 minutos de repouso e a cada 20 minutos no momento da recuperação, sendo o período de recuperação com 60 minutos. Os dados e relatórios foram exportados direto para um arquivo de texto do smartphone, e posteriormente repassados ou computador.

 

Sessão Experimental

O exercício multifuncional foi prescrito de forma a não oferecer riscos a população estudada com base na VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (BRASILEIRA; CARDIOLOGIA, 2016) e de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva para Idosos (CHODZKO-ZAJKO et al., 2009). O procedimento experimental foi realizado na quadra externa do UNIPE. Ao chegar ao local os participantes foram colocados sentados por um período de 10 minutos em seguida verificava-se a PA, a FC e a AAC essa por período de cinco minutos

Depois disso o exercício foi iniciado e a frequência cardíaca monitorada a cada 5 minutos, juntamente com a PSE. A sessão experimental foi iniciada com um aquecimento: cinco minutos de corrida leve (<50% da FCreserva), seguido da ativação do core (estabilização ventral, dorsal e lateral), dos alongamentos dinâmicos (Caminhar com as mãos; Passada lateral; Avanço abraçando o joelho; Toque de pé; Inclinação de tronco), e ativação neuromuscular (agachamentos; Saltos verticais; Deslocamento frente, costas e laterais).

Os exercícios multifuncionais foram executados em 3 series de 12 estações, com intervalo de 2 minutos entre as series, na seguinte sequência: 1) Prancha em 4 apoios com movimentação de braço a frente; 2) Agachamento Frontal com medicine ball; 3) Escada de agilidade (2 dentro, 2 fora); 4) Flexão de tronco corda; 5) Stiff unipodal; 6) Deslocamento com mudança de direção (8 cones); 7) Rotação de tronco com elástico; 8) Puxada na fita de suspensão; 9) Deslocamento unipodal em quadrado; 10) Arremesso para baixo com slam ball; 11) Flexão de cotovelo; 12) Deslocamento em T (cones). Todas as estações tinham duração de 80 segundos sendo realizadas em sequência. Ao final dos exercícios foi realizada uma volta a calma seguido de um alongamento estático.

Figura 1 – Sessão de Exercício Multifuncional – Atividade Autonômica Cardíaca – AAC; Medida de Pressão Arterial – PA; Medida de Frequência Cardíaca – FC; Percepção Subjetiva do Esforço – PSE.

Imediatamente após a sessão experimental, os indivíduos foram colocados sentados novamente, sendo realizada a verificação da PA, da FC e dado início a AAC por cinco minutos, onde permaneceram por um período de uma hora, sendo verificadas essas medidas durante 20, 40 e 60 minutos.

 

Sessão Controle

Após chegarem ao local os indivíduos foram colocados sentados confortavelmente, permanecendo assim até o final do protocolo. Foi aguardado um período de 10 minutos antes da primeira verificação da PA no mesmo instante que eram coletados os registros da AAC com duração de cinco minutos, e consequentemente a FC, caracterizando assim o período repouso. Em seguida deu-se início a sessão equivalente ao exercício, onde o indivíduo se manteve sentado por 40 minutos, sendo feita uma medida de PA e FC no meio desse tempo; ao final desse tempo, foram feitas medidas de PA, FC e AAC; durante um período de uma hora (a cada 20 minutos).

 

Análise Estatística

Os dados foram analisados quanto a normalidade (Shapiro Wilk) e homogeneidade (Levene) e estão expressos em média e desvio padrão. Foi utilizado o Teste T dependente para as variáveis analisadas interprocedimentos (frequência cardíaca, pressão arterial) e a análise de variância (ANOVA One Way) para a comparação dos dados intraprocedimentos das mesmas variáveis (frequência cardíaca, pressão arterial). Foi adotado um nível de significância para p<0,05 e os dados foram analisados no SPSS versão 20.0.

 

RESULTADOS

As características antropométricas dos participantes e as variáveis hemodinâmicas, estão expressas na tabela 1. Os participantes hipertensos, faziam uso das seguintes classes medicamentosas: inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina – ECA, diuréticos, bloqueadores de AT1.

Tabela 1 – Variáveis antropométricas e hemodinâmicas de idosos hipertensos e normotensos.

IMC – Índice de Massa Corporal; PASR – Pressão Arterial Sistólica Repouso; PADR – Pressão Arterial Diastólica Repouso; FCR – Frequência Cardíaca de Repouso; Kg – Quilograma; Kg/m² – Quilograma por metro quadrado; mmHg – Milímetros de mercúrio; spm – Sístoles por minuto.

 

Verificamos que houve uma elevação significativa durante a sessão experimental quando comparada à sessão controle no momento do exercício (p=0,003). Além disso, na sessão experimental, FC se elevou durante os exercícios quando comparada a FCrepouso (p=0,003). Todos os participantes executaram a sessão experimental nas zonas alvos Figura 1. Além de verificar a FC, utilizamos a PSE, nela os valores médios obtidos durante a sessão experimental, foi de 13,35 ± 0,43.

Figura 1 – Média da Frequência CardíacaFCrepouso – Frequência Cardíaca de Repouso; FCexercício – Frequência Cardíaca no Exercício e FCpós – Frequência Cardíaca Pós Exercício.

 

A figura 2 apresenta a média da PA entre as sessões nos momentos (repouso, pós e recuperação) tanto para PAS (painel A) quanto para PAD (painel B). Foram observadas reduções significativas para os momentos 40’ (p=0,049) e 60’ (p=0,045) da PAS, quando comparadas ao momento de repouso. Na sessão controle foram observadas reduções na PAS nos momentos 20’ (p=0,001), 40’ (p=0,005) e 60’ (p=0,022) quando comparadas a (PASrepouso).

Além disso quando comparamos a PAS entre as sessões, a sessão experimental promoveu maiores reduções nos momentos 40’ (p=0,023) e 60’ (p=0,023). Para PAD por mais que tenha sido observada uma tendência de declínio, não houveram diferenças significativas, nem entre sessões (p> 0,05), nem intra sessão (p> 0,05).

Figura 2. Média do comportamento da PA – Pressão Arterial Sistólica (Painel A) e Diastólica (Painel B).

 

A (figura 3) representa o comportamento do balanço autonômico cardíaco (BF/AF). Podemos observar que, o balanço se manteve similar nos momentos de repouso e pós exercício (p>0,05); Sendo observado um aumento prounciado do balanço na sessão controle no momento 20’ (p=0,354). Por mais que tenha sido observada uma diferença no momento 60’ entre as sessões, não foram encontradas alteração significativas (p=0,075).

Figura 3. Comportamento da AAC – momentos (repouso, pós e período de recuperação).

DISCUSSÃO

O estudo demonstrou que uma sessão de exercícios multifuncionais realizada em intensidade moderada é capaz de promover redução significativa da PAS. É pertinente lembrar da dificuldade em discutir os resultados de HPE no exercício multifuncional, tendo em vista que a literatura dispõe de poucos estudos com características hemodinâmicas com esta temática. Podemos encontrar um estudo piloto demonstrando HPE significativa para ambos os grupos analisados com exercícios funcionais (CORREIA LIMA et al., 2017). Porem, os exercícios utilizados e as características do treino são divergentes.

Evidencias apontam que exercícios multifuncionais são um procedimento seguro para população idosa/hipertensa (RESENDE-NETO et al., 2016); Além disso, sabe-se que o funcional tem características tanto aeróbias quanto anaeróbias (resistidas) (LUSTOSA et al., 2010; ANDERSSEN; LOHNE-SEILER, 2013; RESENDE-NETO et al., 2016; EVANGELISTA et al., 2016; EVANGELISTA, 2014) tornando assim a análise dos dados ainda mais complexa. O mais próximo de sessões de funcional que podemos chegar na literatura evidenciando HPE são estudos com treinamento concorrente devido sua característica de intensidades variadas (CUNHA et al., 2013; CAMPOS et al., 2007).

Como forma de controlar a intensidade do exercício no presente estudo, adotamos zonas de intensidades entre (60% – 80%) da FCreserva, e a PSE (NOBLE, 1974). A PSE apresentou valores de intensidade moderada. Confirmando  que os participantes se mantiveram dentro das zonas propostas, havendo uma elevação na FC durante o exercício, como fisiologicamente esperado .

Com uma única sessão exercícios moderados, o estudo demonstra uma consequente diminuição durante o período de recuperação da PAS e PAD agudamente, corroborando com estudos que apresentam respostas significativas (GERAGE et al., 2015; CIOLAC et al., 2009; REZK et al., 2006; (BRANDÃO RONDON et al., 2002). Essa redução pode se dar pela liberação de substâncias vasodilatadoras através do exercício, facilitando assim a diminuição da resistência vascular periférica (HALLIWILL, 2001; RAO; COLLINS; DICARLO, 2002; MORTENSEN et al., 2009; HALLIWILL et al., 2000; MORAES et al., 2007), porém não avaliamos tal variável para confirmar essa premissa. Nesse sentido as alterações na sensibilidade vascular podem desempenhar um papel dominante na regulação da PA, porém os mecanismos podem ser mais complexos (MACDONALD, 2002).

Várias evidências demonstram a utilização de métodos de treinos de intensidades baixas, leves e moderadas em busca de uma maior magnitude da HPE (SANTIAGO et al., 2013; DA CUNHA et al., 2006; CARVALHO et al., 2015; ALDERMAN et al., 2007). Porém HPE por curto espaços de tempo causam menor impacto para saúde cardiovascular em indivíduos hipertensos (HALLIWILL, 2001). Nosso estudo demonstrou uma HPEsistólica -8,62 ± 12,09mmHg e de -4,62 ± 8,88mmHg para HPEdiastólica aos 60 minutos corroborando assim com os achados de (CORREIA LIMA et al., 2017). Embora esses valores sejam expressivos quando comparados as reduções em potencial (JONES et al., 2007), esses valores não foram significativos. Pode-se inferir que a medicação e a variedade de indivíduos poderia influenciar nessa resposta; porém, estudo demonstra que indivíduos que fizeram uso de (inibidores da ECA) tiveram HPE com duração de 10h (FORJAZ, 2006). A HPE também é evidenciada por até 24h em indivíduos normotensos que realizaram exercícios resistidos e aeróbios (BERMUDES et al., 2004). É pertinente lembrar que o exercício quando praticado constantemente provoca ajustes hemodinâmicos no organismo (SIASOS et al., 2013), (SMART, 2013)). Podendo assim evidenciar uma adaptação crônica tanto nos hipertensos quanto nos normotensos (SMART, 2013; CHODZKO-ZAJKO et al., 2009; HALLIWILL, 2001; CASONATTO; POLITO, 2009).

Na tentativa de explicar com mais clareza o mecanismo pelo qual a pressão reduziu, analisamos o balanço autonômico cardíaco. A diminuição do BF/AF é uma das justificativas pelo qual podemos observar uma hipotensão (SMITH et al., 2004). Através dos seus marcadores sensíveis podemos avaliar o perfil cardiovascular do indivíduo e seus impactos sobre o domínio da frequência (DA SILVA et al., 2014). Embora durante o exercício físico seja observado sempre um aumento da atividade simpática. No presente estudo não foi demonstrada diferença, os valores foram similares no pré, e pós. Foi observado um aumento prounciado do domínio da frequência na recuperação após o momento 20’. A interpretação do BF/AF como modulação simpática do coração pode gerar dados controversos, esse padrão de resposta indica sem dúvida uma grande predominância simpática (REZK et al., 2006). Outros estudos mostram que a atividade simpática pode permanecer aumentada por um período de 60 (minutos) (SMITH et al., 2004; DA SILVA et al., 2014; CARVALHO et al., 2015; BRANDÃO RONDON et al., 2002). Acreditamos que os mesmos fatores que influenciaram o aumento simpático na sessão experimental, pode ter influenciado a sessão controle. Tendo em vista o quanto foi entediante permanecer sentado por um longo período de tempo. Possivelmente a respiração pode ter causado alguma inconsistência, pois tem impacto no domínio da frequência (DA SILVA et al., 2014).

 

CONCLUSÃO

Este estudo demonstrou que uma sessão de exercícios multifuncionais é capaz de promover uma redução da PAS em idosos hipertensos e normotensos. Mesmo não sendo observadas reduções significativas para PAD, podemos evidenciar que é seguro a prescrição de protocolos de exercícios multifuncionais como medida adjuvante não farmacológica no combate a hipertensão arterial; tendo em vista que o estudo não demonstrou aumentos exacerbados da pressão arterial durante o exercício. É necessárias novas pesquisas para maiores esclarecimentos e delineamentos em relação a HPE.

 

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POLIMORFISMO GENÉTICO I/D DA ENZIMA CONVERSORA DE ANGIOTENSINA DE ATLETAS BRASILEIRAS DE GINÁSTICA RÍTMICA

Daniela Zanini

Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) Chapecó – SC, Brasil.

Francisco Félix Saavedra

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Vila Real, Portugal.

Abstract: The aim of this study was: (i) the genetic polimorfism of the ACE with the dermatoglific characteristics of the practioneers and no practioneers of Rhythmic Gymnastics (RG); (ii) correlate genetic polymorphism of the ACE, with the dermatoglific characteristics. The sample consisted of 31 female subjects, divided into two groups: ( i ) RG practioneers ( experimental group ) and ( ii ) non-practioneers ( control group ), mean age 16.7( ± 1.54 ), 18.6( ± 1.15) years, respectively. The characteristic dermatoglyphic profile was assessed from the data collection held by the method proposed by Cummins and Midlo (1961), through a Dermatoglyphic Reader ®. The subjects were genotyped for the polymorphism of ACE: DD, ID and II, by the techniques of Polymerase Chain Reaction, and polymorphism lengths and restriction fragment with restriction enzyme (DdeI) after DNA extraction. Found higher scores in the experimental group for the dermatoglyphical variables D10 and SQTL. In reference to the manifestation of polymorphism of the ACE gene, we found no statistically significant results between the experimental and control groups. It is concluded that the, for the ECA genotype and its association with dermatogliflic characteristics we didn’t observed any correlation between these two genetic marks.

Keywords: rhythmic gymnastics, angiotensin coverting enzyme, dermatoglyphics.

 

INTRODUÇÃO

A Ginástica Rítmica (GR) no Brasil é uma modalidade que ainda vem buscando conquistar seu espaço no cenário mundial. O nível técnico das atletas brasileiras de GR tem melhorado significativamente, isto pode ser comprovado nas competições do esporte no cenário nacional e internacional, com resultados expressivos, devido a um trabalho baseado em princípios científicos na preparação das ginastas.

O estudo do potencial genético permite uma orientação esportiva antecipada e correta, de acordo com cada tipo de modalidade. Conhecer em minúcia o referido desporto, possibilita nortear medidas diretas e indiretas sobre o mesmo, tais como: a preparação física, a técnica e a tática, além de orientação da iniciação esportiva na seleção e na detecção de talentos (Alonso et al.,2005). A busca por talento esportivo é um fenômeno que tem crescimento constante e traz com ele os investimentos precoces em potenciais atletas de elite. Portanto, o uso de instrumentos de avaliação adequadas e específicas é fundamental para a identificação de atletas promissores (Paz et al.,2013).

O principal foco dos resultados dessa investigação centra-se na construção de uma ferramenta para as fórmulas preditoras em performance humana. Para entender os aspectos biológicos do desempenho é essencial analisar as implicações genéticas, e para este efeito, nos últimos anos a investigação vem progredindo para análises das relações entre fisiologia, bioquímica e genética com o intuito de investigar a herança física de vários traços de desempenho sobre as bases genéticas e moleculares verificando a adaptação dos diferentes indicadores de desempenho desportivo (Massida, Vona e Caló, 2011).

A identificação dos genes e variantes genéticas com potencial em influenciar variáveis fisiológicas em resposta ao treinamento físico é a base para a compreensão do que vem a ser um potencial genético de um atleta (Dias et al., 2011). Segundo Costa et al. (2009), constatou-se na literatura que alguns desses genes são do sistema renina-angiotensina-aldosterona (S-RAA), e a investigação tem-se centrado no polimorfismo I/D do gene da enzima conversora de angiotensina (ECA), o qual confere variabilidade na atividade da ECA no plasma e em diversos tecidos. No âmbito esportivo esse polimorfismo tem despertado interesse de sua associação com a performance física humana. Estudos recentes demonstraram que o alelo I é mais frequente em atletas de resistência, enquanto o alelo D, em atletas de força e explosão muscular (Alvarez et al., 2000; Nazarov et al., 2001; Tsianos et al., 2004).

Jones e Woods (2003), sugerem que a ECA aumenta a angiotensina II , importante mediador de ganhos de força talvez através de hipertrofia muscular, enquanto que os níveis mais baixos de ECA, reduzem a degradação de bradicinina, relacionada a maior desempenho de resistência, isto acontece talvez, através de alterações na disponibilidade de substrato, tipo de fibra muscular e eficiência.

As investigações sobre o polimorfismo I/D do gene da ECA e o desempenho esportivo têm realçado a tendência para que indivíduos portadores do alelo I obtenham desempenhos superiores em modalidades esportivas de longa duração e mais frequente em atletas de resistência, fato este mediado pela maior eficiência mecânica da musculatura esquelética e por seu efeito na proporção das fibras musculares (Dias et al., 2007). Essa hipótese foi pioneiramente testada por Alvarez et al. (2000), em ciclistas de elite de longa distância; por Tsianos et al. (2004), em nadadores de águas abertas de longa distância e por Moran et al. (2004), em atletas maratonistas de elite etíopes.

Paralelamente, o alelo D, mostrou relação com o fenótipo de força e explosão muscular, mediado pelo efeito hipertrófico muscular, secundário ao aumento na concentração plasmática e tecidual de Angiotensina II (Dias et al., 2007). A especialização esportiva em eventos de curta duração parece ser induzida pela presença do alelo D, pelo menos em amostras homogêneas de atletas de elite (Nazarov et al., 2001; Tsianos et al., 2004).

A relação do polimorfismo da ECA com o desempenho esportivo tem sido questionada por alguns pesquisadores, que discutem a interpretação dos resultados obtidos, os tamanhos das amostras utilizadas e os grupos controles presentes nos estudos (Tsianos et al.,2004; Massida, Vona e Caló, 2011; Di Cagno et al.,2013). A literatura é atualmente equívoca sobre a associação do polimorfismo ECA I / D e o desempenho atlético.

Para a GR em que são dominantes, flexibilidade, força explosiva, velocidade, coordenação, equilíbrio, resistência aeróbica e anaeróbica , estas qualidades físicas são necessárias fortemente na seleção, considerando que com os resultados de testes científicos, os indivíduos mais talentosos são cientificamente selecionados ou direcionado para um adequado desempenho esportivo (Miletić, Katić, e Maleš, 2004; Pavlova, 2011). Ótimos perfis requerem características biológicas específicas das atletas com com habilidades motoras proeminentes e fortes traços fisiológicos.

A elaboração de perfis de características que possam servir de parâmetros nas diferentes categorias das modalidades esportivas e o investimento feito em estudos científicos tem mostrado uma grande importância para o desenvolvimento de novas gerações de atletas.

As respostas obtidas por este estudo podem viabilizar a orientação desportiva adequada no instante da iniciação desportiva, gerando assim a possibilidade de qualificação dos resultados atléticos, adequação de treinamentos desportivos de acordo com os potenciais genéticos.

Dessa forma, o objetivo do estudo foi examinar a distribuição do genótipo I/D da Enzima Conversora de Angiotensina características em praticantes e não praticantes de GR.

MÉTODO

Este estudo foi realizado com uma amostra composta por 31 indivíduos do sexo feminino, divididos em dois grupos: (i) praticantes de GR (Grupo Experimental) e (ii) não praticantes (Grupo Controle).

O Grupo Experimental, composto por 19 atletas de GR Brasileiras praticantes de elite e o Grupo Controle constituído por 12 jovens sedentárias, aparentemente saudáveis, selecionadas aleatoriamente do Curso de Graduação em Educação Física. As 19 ginastas de elites são da mesma categoria e padrão competitivo. Todas as ginastas já haviam participado de Campeonato Brasileiro. Das 19 ginastas, 07 atletas são participantes da I Etapa do Circuito Caixa de Ginástica Rítmica e Artística e 12 atletas são da Seleção Brasileira de GR. A média de idade dos dois grupos em estudo são respectivamente 16,7 (±1,54); 18,6 (±1,15).

A pesquisa foi aprovada com protocolo número 138/2011, pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Unoesc/Hust, de acordo com os padrões éticos de normas e diretrizes regulamentadoras da pesquisa envolvendo seres humanos, em conformidade com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e com a “Declaração de Helsinki.” Do mesmo modo, o estudo obteve aprovação da Comissão Científica da Confederação Brasileira de Ginástica.

Todas as participantes do estudo, assim como as técnicas das equipes, nas quais foi realizada a pesquisa, assinaram um “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”. Os dados foram coletados, independente das fases de treinamento da equipe, e sob a responsabilidade da autora.

Para a observação do gene da ECA foi coletada uma amostra de saliva, epitélio bucal, dos indivíduos da amostra com a utilização de Swab, em seguida, o material biológico foi fechado em Eppendorfs estéreis contendo TRIS eEDTA, conforme Richards et al. (1993), para posterior análise do gene.

O ácido desoxirribonucleico (DNA) foi extraído por meio das técnicas padrões de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) submetidos à enzima de restrição Ddel para genotipagem. Os oligonucleotídeos iniciadores (primers) utilizados foram específicos para os genes analisados. A determinação do tamanho dos fragmentos obtidos foi realizada por comparação com padrões específicos. Para a amplificação do fragmento de DNA contendo o polimorfismo da ECA foram usados os seguintes iniciadores: 5’ TGGAGACCACTCCCATCCTTTCT-3 e 5’ TGTGGCCATCACATTCGTCAGAT-3’ (Rigat, et al.,1992). A amplificação das regiões de interesse dos genes estudados incluiu ciclos nas temperaturas de desnaturação, anelamento dos primers e extensão da fita de DNA. Os produtos das reações de PCR para o gene ECA, submetidos à enzima de restrição Ddel para genotipagem, e os amplicons do gene foram analisados por eletroforese horizontal em gel de agarose 2% que permitiu a identificação de três genótipos: DD, ID e II. A identificação das bandas foi realizada utilizando um marcador que permite o reconhecimento exato do tamanho da faixa (alelo I: 490bp; Alelo D: 190 pb).

A análise dos dados foi realizada a partir do recurso ao pacote estatístico Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. Os dados foram tratados, tendo em conta duas vertentes de análise: (i) análise descrita e (ii) análise inferencial.

Na análise descritiva, recorreu-se a parâmetros de tendência central (média, valor mímimo e máximo) e de dispersão (desvio padrão). O comportamento da distribuição dos valores foi estudado através dos coeficientes de kurtosis e de assimetria (Skewness). A análise de aderência à normalidade foi estudada através da prova Kolmogorov-Smirnov, com a correcção de Lilliefors.

Para a análise inferencial e a fim de testarmos as diferenças entre os dois grupos em estudo, relativamente ao genótipo e perfil dermatoglífico, recorremos ao teste de Kruskal-Wallis. O nível de significância adotado para a crítica das hipóteses nulas foi de p< 0,05.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Em relação à distribuição da frequência do genótipo da ECA, a tabela 7 apresenta os dados obtidos para o Grupo Experimental e o Grupo Controle. De acordo com os resultados, a presença do genótipo ID foi de 26,3% nas ginastas (grupo experimetal), sendo o mais frequente o genótipo DD (57,9%) e o menos frequente o genótipo II (15,8%). O Grupo Controle, dos 8,3% apresentou o genótipo II, novamente o mais frequente foi o genótipo DD (91,7%), e nenhum participante apresentou o genótipo ID.

 

Tabela 1: Distribuição da frequência genotípica da enzima conversora de angiotensina (ECA) do grupo experimental e grupo controle [valor relativo (%) e valor absoluto (n)].

II

% (n)

DD

% (n)

ID

% (n)

Grupo Experimental

Total (n=19)

15,8% (3) 57,9% (11) 26,3 (5)
Grupo Controle

Total (n=12)

8,3% (1) 91,7% (11) 0,0% (0)

É possível observar, por meio dos gráficos 1 e 2, a tendência de maior frequência do genótipo da ECA no Grupo Experimental, comparado ao Grupo Controle, onde o Grupo Experimental apresentou média 2,11 (±0,65) e o Grupo Controle 1,92(±0,28). Não apresentando diferenças significativas entre os grupos.

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(min) e valor máximo (Máx.)].

De acordo com os resultados da frequência do polimorfismo da ECA, verificou-se a predominância do genótipo DD no grupo experimental e controle. Os valores para os percentuais do genótipo DD encontrados no presente estudo para os diferentes grupos foram: Grupo Experimental= 57,9%; e Grupo Controle= 91,7%.

Analisando os resultados e comparando a distribuição das frequências do polimorfismo I/D do genótipo da ECA nos grupos de estudo (Grupo Experimental vs Grupo Controle), verificou-se que não apresentaram diferenças estatísticamente significativas (p≤0,05).

Observando os resultados acima descritos com outros estudos, sobre a mesma temática, resultados semelhantes foram encontrados por Massida, Vona e Caló (2011), em atletas Italianos de GA quando comparados a um grupo controlo. Os autores destacaram a ausência de diferenças significativas na distribuição do genótipo e frequências e alelo I/D do polimorfismo da ECA nos dois grupos de estudo.

Boraita et al (2010), também não encontraram diferenças significativas em estudo desenvolvidos com 299 desportistas espanhóis de alto nivel em 32 modalidades esportivas. O objetivo do estudo foi analisar a relação entre o polimorfismo (I/D) do gene ECA e a adaptação ao treinamento. Os resultados apontaram nenhuma associação entre o polimorfismo do gene da ECA I/D entre os vários esportes estudados. O genótipo mais frequente foi o ID, seguido pelo DD e II. No entanto, foi encontrado diferença quando os esportes de força e predominantemente aeróbicos foram separados, com maior prevalência do genótipo DD em esportes de potência e um maior prevalência do genótipo ID em esportes aeróbicos. Foram analisados neste estudo 12 atletas de GA , e a frequência dos genótipos foram: DD=66,6%; ID e II 16%. Estes resultados se assemelham ao presente estudo, onde o genótipo DD foi predominante.

Estes resultados estão em contradição com outros estudos, em que a frequência de genes de atletas de elite foram significativamente diferentes dos grupo controlo (Myerson et al.,1999; Woods et al, 2001; Tsianos et al, 2004).

Di Cagno et al. (2013), realizaram um estudo comparativo em 28 atletas Italianas de GR de elite (grupo experimental), com 23 atletas de nível médio de GR (grupo controlo), na faixa etária de 21 ±7,6 e 17 ±10,9 anos respectivamento. O objetivo do estudo foi analisar os polimorfismos dos genes da ECA e AGTR1 nas atletas. Os resultados corroboram com o presente estudo no que se refere a frequência do genótipo predominante DD nas atletas de GR, do grupo investigado. Porém, contrastaram com este estudo, no qual apresentaram diferenças significativas para o genótipo DD da ECA, que foi significativamente mais frequente em atletas de elite do que na população controlo.

Ahmetov et al (2009), investigaram 1.423 atletas Russos e 1132 controles, em diferentes modalidades esportivas, para 15 polimorfismos genéticos.Entre essas modalidades foram avaliados 55 atletas de GA. Os resultados apresentaram que, nenhuma associação foi relatada com a capacidade aeróbica dos atletas investigados. Também, não houve diferenças significativas em frequências dos genótipos entre homens e mulheres, atletas e controles.

Diante de resultados controversos, Costa et al.(2009), referem que a resposta da ECA a diferentes contextos de exercício físico, gênero e níveis de atividade física, carece de melhor entendimento e ainda não está clara na literatura.Tais resultados demonstram que a frequência do genótipo DD da ECA tende a prevalescer em modalidades gíminicas.

CONCLUSÃO

Referente aos resultados da identificação da manifestação do polimorfismo do gene da ECA verificou-se a predominância do genótipo DD no grupo das ginastas. Porém, não foi encontrado nenhum resultado estatisticamente significativo entre o grupo das ginastas e controle.

Pode-se concluir que, a associação entre a distribuição do genótipo I/D da ECA com as características dermatoglíficas, não apresenta nenhuma relevância estatística, neste contexto de análise, entre estas marcas genéticas. Não foi encontrado na literatura estudos que apresentem relações ou correlações entre as características dermatoglíficas e polimorfismo genético I/D da ECA, o que não nos permite conclusões em relação a um parâmetro, porém se observa uma tendência às atletas de GR a determinadas características genéticas.

A aptidão para determinada modalidade tem relação com uma série de características e, consequentemente, vários genes. Embora tenha sido demonstrado por vários investigadores que existe um grande número de associações entre os genes e desempenho desportivo, muitos dos genes associados com o desempenho sozinhos não são capazes de prever claramente se um atleta é potencialmente de alto nível. Ou seja, não podemos afirmar que estudos de associações com determinado gene pode ser usado para predizer a performance física.

O meio ambiente é um fator relevante, sendo assim, recomenda-se investigações associando a relação entre o estado (fenótipo) e a predisposição genética sejam implementados, e delinear para que próximos estudos aumentem o número de sujeitos da amostra,o que poderia-se confirmar esta tendência.

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O treino em “step” e os protocolos utilizados para análise do VO2máx: uma revisão

Training in “step” and protocols used for analysis vo2max: a review

Juliana Costa1, Adriane Carla Vanni1, Alessandra Dalla Rosa da Veiga1
1URI, Erechim. Brazil

Resumo – A relação entre saúde e exercício físico gera uma busca constante por métodos e alternativas para melhorar o condicionamento físico. Várias modalidades de exercício físico podem ser utilizadas, dentre elas o “step training” que tem sido aplicado pelo profissional de Educação Física. O treinamento em “step” além de aumentar o gasto energético total diário que é uma recomendação comum para aqueles indivíduos que desejam manter o peso ou perder peso, possibilita a melhora da sua capacidade cardiorrespiratória (VO2máx. ). Objetivo foi verificar nas bases de dados quais são os protocolos utilizados no “step training” para análise do VO2máx. na população feminina e masculina com faixa etária entre 18 e 45 anos. Uma revisão de literatura nas bases de dados PubMed, Sport Discus e MEDLINE. Compilados os artigos identificados através de palavras-chave, títulos e pesquisas de bases de dados eletrônicas acima. Os protocolos utilizados para a mensuração do VO2máx. foram em esteira rolante e cicloergômetro. De acordo com os estudos selecionados, pode-se verificar que há um aumento significativo no VO2, independente do protocolo de mensuração utilizado nas pesquisas.

Palavras-chave: consumo de oxigênio; teste de degrau; saúde.

Abstract – The relationship between health and exercise generates a constant search for alternative methods and to improve fitness. Various exercise modalities can be used, among them the “step training” that has been applied by the professional of Physical Education. Training in “step” and increase the total daily energy expenditure which is a common recommendation for those individuals who wish to maintain weight or lose weight , enables improved their cardiorespiratory fitness (VO2max.). To verify the databases which protocols are used in the “step training” for analysis of VO2max. the female and male population aged between 18 and 45 years. A literature review in the databases PubMed, Sport Discus and MEDLINE. Compiled the articles identified by keywords, titles and search electronic databases up. The protocols used for measuring VO2max. They were on a treadmill and cycle ergometer. According to the studies selected, it can be seen that there is a significant increase in VO2, regardless of the measurement protocol used in research.  Keywords: oxygen consumption; step test; Health.

INTRODUÇÃO

A relação entre saúde e exercício físico gera uma busca constante da população por métodos e alternativas para melhorar o condicionamento físico. Várias modalidades de exercício físico podem ser utilizadas e dentre elas, o “step training” que tem sido aplicado pelo profissional de Educação Física.

Para Vasconcelos (2003), o “step” pode ser considerado como uma das inovações mais significativas desde o surgimento da ginástica aeróbica de baixo impacto, ele definitivamente substituiu a ginástica aeróbica.

Segundo Jucá (1993), em 1986, a professora Gym Miller, em virtude de uma lesão sofrida, foi recomendada pelo seu fisioterapeuta a ficar subindo e descendo num banco de madeira, com a finalidade de reforçar os músculos da coxa (quadríceps). Miller, usando de sua criatividade, para não ficar naquele sobe-desce repetitivo, começou a conjugar movimentos de braços com as pernas e fazer variações interessantes.

Olson et al., em 1991, realizaram um dos primeiros estudos em “step”, com coreografia contínua, durante 20 minutos em quatro diferentes alturas. Esse estudo mostrou uma diferença significativa no aumento do consumo de oxigênio (VO2) nas alturas maiores de treinamento. Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM,2006), a aptidão cardiorrespiratória (ACR) é um componente importante na promoção da saúde, refletindo as capacidades funcionais do coração, dos vasos sanguíneos, do sangue, dos pulmões e de grupos musculares específicos aos vários tipos de exercício. A ACR está relacionada à capacidade de executar um exercício, de intensidade moderada a alta, de natureza dinâmica, com participação de grandes grupos musculares, por tempo prolongado. Na perspectiva de tornar a prescrição dos exercícios em “step” mais qualificada, esta pesquisa tem como propósito, verificar quais são os métodos utilizados pelos pesquisadores para avaliar o VO2máx, na modalidade “step training”.

 

METODOLOGIA

Foram selecionadas as pesquisas nas bases de dados: PubMed, Sport Discus e Medline, publicados entre o período de 1980 a 2011, nos idiomas espanhol, inglês e português, que utilizaram protocolos de avaliação do VO2máx em “step training”. Selecionados previamente trinta estudos, foram utilizados três pesquisas que enquadravam-se nos critério de inclusão deste estudo, a mensuração de VO2máx  durante um período de 6 e 24 semanas de treinamento em step com participantes de 18 a 45 anos.

 

RESULTADOS

Figura 1. Estudos em “step training” e seus respectivos protocolos de análise de VO2máx.

JU 

DISCUSSÃO

Após verificar nas bases de dados (PubMed, Sport Discus e MEDLINE) quais são os protocolos utilizados no “step training” para análise do VO2máx.  constatou-se que em nenhum dos estudos utilizou-se  protocolo específico a modalidade.

A escolha de um protocolo se dá, em grande parte, em função de sua aplicabilidade. O protocolo de banco de Balke utiliza bancos de alturas variáveis, envolvendo desta forma, cargas variadas durante o decorrer do teste e pode ser aplicado em crianças a partir de 10 anos até idosos com 60 anos de idade com bom condicionamento físico. Também requer materiais simples e é de baixo custo, o que facilitaria ainda mais a sua aplicabilidade à modalidade apontada nesse estudo. A especificidade denomina o caráter qualitativo das capacidades motoras do homem.  Primeiro, o corpo reage através do meio complexo; logo em seguida há uma adaptação de origem seletiva, condicionada pela especificidade motora do exercício em si, ou seja, há uma correspondência predominante às exigências concretas da atividade ou exercício físico que se está praticando.

Gomes (2002), complementa que a especialização é um princípio de fundamental importância no aperfeiçoamento de qualquer tipo de atuação esportiva,  por isso que, na prática, são usados exercícios semelhantes àqueles que compõem a modalidade esportiva trabalhada. Também Barbanti (1997) diz que a especificidade do treinamento envolve a melhora das capacidades motoras, das atividades funcionais ou específicas do esporte ou exercício físico, com atividades que se aproximem da modalidade trabalhada, de forma a atingir um padrão de recrutamento muscular que acarreta a melhora da sincronização das unidades motoras.

Uma avaliação mais efetiva do desempenho do desporto específico é resultado de uma mensuração laboratorial mais próxima da atividade desportiva real. Portanto, o exercício específico acarreta adaptações específicas que criam efeitos específicos do treinamento. Ao treinar, por exemplo, para atividades aeróbias específicas, a sobrecarga deve solicitar os músculos apropriados, exigidos pela atividade, e proporcionar um estresse do exercício para o sistema cardiovascular.

Para Vasconcelos (2003), o “step” pode ser considerado como uma das inovações mais significativas desde o surgimento da ginástica aeróbica de baixo impacto, ele definitivamente substituiu a ginástica aeróbica. Tendo em vista sua importância fica clara a necessidade de uma mensuração específica de consumo de oxigênio adaptado à modalidade. Tubino e Moreira (2003), acrescentam ainda que, a especificidade refere-se às adaptações nas funções metabólicas e fisiológicas que dependem do  tipo de sobrecarga imposta.

No estudo de Lucca et al. (2008), foram avaliadas 10 mulheres em treinamento de “step training” por 10 semanas, e o protocolo utilizado para mensuração do VO2máx foi o de Bruce, em esteira rolante. Silva et al (2011), aponta que a falta de procedimentos padronizados dificulta a comparação entre os resultados de testes. Isso, aliás, explica a popularidade mantida de protocolos como o de Bruce, cujos resultados são facilmente comparáveis e contam com bases de dados extensas em diversos centros de avaliação. Na pesquisa de Williford et al. (1998), foi utilizado o mesmo tempo de treinamento (10 semanas) para comparar a diferença de ganhos com relação ao VO2máx entre a modalidade corrida (n=20) e o “step training” (n=28) e um grupo-controle (n=11). Já, o estudo de Kraemer et al. (2000) distingue-se dos outros dois estudos supracitados, pelo tempo de treinamento que foi de 12 semanas, com 35 voluntárias e pelo protocolo utilizado em ciclo ergômetro e espirometria indireta.

A modalidade do exercício, a hereditariedade, o estado de treinamento, o sexo, a idade e composição corporal são fatores que afetam o VO2máx. As mulheres alcançam escores de VO2máx 15 a 30 % abaixo dos valores dos homens. E as crianças, até 12 anos de idade, apresentam valores de VO2máx iguais. A partir dos 14 anos, as medidas passam a ser 25% maiores nos meninos do que para as meninas. Aos 16 anos, essa diferença pode ultrapassar os 50%. Isso se explica pelo fato de que os meninos aumentam muito mais sua massa muscular no desenvolvimento, por apresentarem um maior nível de atividade física e testosterona. Já, após os 25 anos, o VO2máx sofre um declínio de 1% ao ano. É importante destacar que, apesar do efeito significativo do envelhecimento, o exercício físico exerce uma influência muito maior, sobre a ACR, do que a idade cronológica, conforme complementam Rogers e Roberts (2002).

De acordo com os estudos selecionados, pode-se verificar que há um aumento significativo no VO2, independente do protocolo de mensuração utilizado nas pesquisas. Verificamos que em nenhum dos estudos selecionados utilizou-se o protocolo específico de acordo com a modalidade trabalhada (teste de degrau). Sabe-se que o VO2máx é considerado o melhor indicador da ACR, mas, por causa do esforço árduo exigido pelo participante, medir VO2máx é muitas vezes nem conveniente e nem seguro para alguns indivíduos. Consequentemente, vários estudos de campo utilizam o exercício submáximo para estimar VO2máx, na tentativa de fornecer um método simples, mas válido, para estimar a ACR em ambientes onde a medida direta da máxima VO2máx não é viável. O teste do degrau é um desses testes e é considerado um teste de campo prático para avaliar a capacidade aeróbia individual (LIU e LIN, 2007). O que não ocorreu com nenhum dos estudos encontrados.

Dantas (1995) salienta que o princípio da especificidade está ligado diretamente aos gestos específicos de uma determinada modalidade e o treinamento utilizado para o aprendizado e o desenvolvimento destes respectivos gestos específicos. E, dessa forma, os resultados obtidos serão muito melhores e mais significativos, independentemente se os indivíduos são atletas, ou apenas pessoas que buscam a melhor qualidade de vida, promovida pelo exercício físico. O autor complementa que, a especificidade sempre esteve intrínseca em todo o treinamento esportivo, desde o mais rústico nas práticas utilitárias, mas tê-lo como princípio norteador e como um dos parâmetros que devem ser levados em consideração, é essencial ao estudo e planejamento crítico e consciente nos treinamentos contemporâneos.

 

CONCLUSÃO

Nenhum dos estudos selecionados utilizou o protocolo específico de acordo com a modalidade trabalhada. Subentende-se que, a falta de procedimentos padronizados dificulta a comparação entre os resultados de testes e explica a popularidade de protocolos como o de Bruce, cujos resultados são facilmente comparáveis. Sugere-se novas pesquisas em que se utilize o protocolo específico da modalidade “step training” para melhor demonstrar estes resultados.

REFERÊNCIAS

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Sprinters: amplitude e frequência da passada

Victor Machado Reis

Centre for Research in Sport, Health and Human Development at the University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD), Portugal.

Andrigo Zaar

Department of Sport Science, Exercise and Health University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD). Portugal. IDEAU, Brazil.

André Luiz Carneiro

Colleges United North Mine (FUNORTE), Montes Claros – MG, Brazil.

Resumo – A influência da velocidade no rendimento da corrida depende principalmente da amplitude e frequência da passada. O objetivo é investigar as diferenças na amplitude e frequência da passada em velocistas de elite e atletas de nível regional. Foram observados os registros em vídeo e determinadas a velocidade média de corrida, a amplitude média da passada, e a frequência média da passada de atletas de elite e atletas de nível regional. A velocidade, a amplitude e a frequência média dos atletas masculinos de elite foram: 9.92 0.14, 2.17 0.06, 4.57 0.11. De nível regional foram: 8.63 0.52, 2.02 0.08, 4.27 0.13. No feminino de elite os resultados encontrados foram: 9.09 0.08, 2.06 0.05, 4.40 0.07. De nível regional foram: 7.83 0.26, 1.76 0.04, 4.45 0.12. As diferenças na prestação entre atletas masculinos de elite e de nível regional parecem resultar da diferença na amplitude e frequência média da passada. No feminino, as diferenças refletem predominantemente diferenças na amplitude de passada.

Palavras-Chave: desempenho atlético; corrida de velocidade; amplitude; frequência

Abstract – The variation of speed on the performance of the race depends mainly on the length and frequency of the stride. The aim was to investigate the differences in stride length and frequency between elite and regional level sprinters athletes. The records were observed on video and it was determined the average speed of the race, the average stride length, and the average stride frequency in both elite athletes and athletes of regional level. Speed, stride length and average frequency of male elite athletes were 9.92±0.14 m/s, 2.17±0.06 m, 4.57±00.11 strides/s. At the regional level they were 8.63±0.52 m/s, 2.02±0.08 m, 4.27±12.13 strides/s. In the elite women’s results were: 9.09±0.08 m/s, 2.06±0.05 m, 4.40±00.07 strides/s. Regional level were 7.83±1.26 m/s, 1.76±0.04 m, 4.45±00.12 strides/s. The differences in performance between male elite athletes and regional level seem to result from the difference in stride length and frequency while in females, the differences mainly reflect differences in stride length.

Keywords: athletic performance; Sprint; stride length; frequency

Introdução

A influência da velocidade no rendimento depende principalmente da amplitude e frequência de passada características da prova, logo, da velocidade de deslocamento. Isto porque a velocidade de deslocamento depende daqueles dois parâmetros e estes, por sua vez, dependem da Força, Técnica e Velocidade. A amplitude da passada não depende apenas da Força e da Técnica. Dependem, também, do comprimento dos membros inferiores do atleta e da flexibilidade específica. No entanto, na perspectiva do desenvolvimento das Capacidades Motoras, parece lógico que aquele parâmetro estará mais relacionado com a Força do que com os outros.

Relativamente à frequência também parece linear que a Velocidade como Capacidade Motora é a que mais a influencia. Aqui importa distinguir dois conceitos: o de Velocidade como Capacidade Motora e o de Velocidade de Deslocamento. A frequência de passada depende da Velocidade (Capacidade Motora), já que a Velocidade de Deslocamento, pelo contrário, depende da primeira (Frequência). Quando falamos acerca do treino de velocidade referimo-nos à velocidade enquanto Capacidade Motora. Como neste setor do Atletismo o gesto específico da competição é a corrida, esta pode ser representada pela Velocidade de Deslocamento ou de Corrida. Feita esta distinção utilizaremos, de seguida, apenas o termo Velocidade. Por tudo isto, é lógico que a importância destas duas Capacidades Motoras, nas provas de Velocidade, é tanto maior quanto mais elevada a Velocidade Média de Deslocamento. Assim, é o propósito deste estudo é investigar as diferenças na amplitude e frequência da passada em velocistas de elite e atletas de nível regional.

Metodologia

Amostra

A amostra foi constituída por 25 atletas de elite do sexo masculino, 16 atletas de elite do sexo feminino, 13 atletas de nível regional do sexo masculino e 11 atletas de nível regional do sexo feminino.

Procedimentos

Foram observados os registros em vídeo de várias provas com atletas de elite (grupo elite): finais de 100m e 200m dos Jogos Olímpicos de Atlanta, provas de 100m masculinos dos Meetings de Oslo e Londres, provas de 100m femininos dos Meetings de Oslo e Bruxelas e prova de 200m masculino do Meeting de Vittel. Foram também observados os registros em vídeo das provas finais de 100m e 200m dos Campeonatos Regionais da Madeira (grupo regional). Através destas observações foi determinada a velocidade média de corrida, a amplitude média de passada e a frequência média de passada. As variáveis foram determinadas com base na cronometragem oficial das referidas provas e na contagem do número de apoios pela visualização dos vídeos. A metodologia usada nesta contagem só coloca problemas na observação do último apoio. Isto porque raras vezes se verifica uma coincidência do último apoio com a linha de chegada. O observador foi instruído a considerar frações de ½ ou ¼ da última passada. Mesmo considerando uma margem de erro de ½ passada na observação, a margem de erro total na contagem dos apoios seria 1% nos 100m e 0.5% nos 200m.

Estatística

Os dados foram analisados com o software SPSS 10.0 (SPSS Science, Chicago, USA). A análise exploratória dos dados incluiu medidas descritivas e identificação de out-liers. As diferenças entre grupos foram testadas pelo t-teste de medidas independentes. Os resultados são apresentados como médias desvios padrão.

Resultados

No quadro 1 são apresentados os resultados observados nas variáveis medidas.

Sem título

Como era de esperar, a velocidade média de corrida foi significativamente superior no grupo de elite, independentemente da prova ou do sexo. O mesmo se verificou para a amplitude média de passada. No que respeita à frequência média de passada, no sexo masculino observamos valores significativamente mais elevados no grupo de elite, quer-nos 100 quer-nos 200m. Contudo, para o sexo feminino, as diferenças entre grupos foram mínimas (não significativas), sendo o valor médio mais elevado no grupo regional para os 100m e no grupo elite para os 200m. Assim, parece que no sexo masculino, a melhor prestação do grupo elite resultará de um efeito combinado de valores superiores na amplitude e na frequência de passada. Isto significa que tanto diferenças nos níveis de força específica quanto diferenças na coordenação intermuscular parecem determinar a evolução em provas de velocidade para o sexo masculino. O mesmo não se pode concluir para o sexo feminino. Com efeito, os valores muito semelhantes na frequência de passada, indicam que as diferenças na prestação derivam quase exclusivamente das diferenças na amplitude de passada. Logo, serão prioritariamente as diferenças nos níveis de força específica que contribuirão para a evolução das mulheres nesta prova. Como suporte adicional desta ideia, verificamos que nos atletas de elite os homens apresentaram valores superiores de frequência média de passada em ambas as distâncias, enquanto que no grupo regional sucedeu o contrário.

Nos atletas de elite, verificamos que não existem diferenças significativas nos valores das três variáveis medidas nos 100m ou nos 200m (para ambos os sexos). O mesmo se verificou para os atletas de nível regional. Não obstante, as diferenças na velocidade média foram maiores no grupo regional, indiciando um menor índice de resistência específica destes atletas. Esta menor velocidade média nos 200m no grupo regional parece resultar prioritariamente de uma menor frequência média de passada, uma vez que a amplitude média de passada foi praticamente igual nas duas provas. Contudo, este raciocínio tende a ser desvalorizado na nossa amostra, dada a inexistência de significado estatístico nas diferenças observadas.

Podemos observar no quadro 1, as diferenças de prestação entre os grupos. Com efeito, mesmo as mulheres de elite apresentam uma prestação melhor do que os homens do grupo regional em ambas as provas (diferenças significativas). Verificamos melhor estas diferenças e verificamos que nos, 100m, e melhor prestação das mulheres resultava principalmente de uma frequência média de passada superior (p<05), já que na amplitude média de passada as diferenças não eram significativas. Estes dados suportam a ideia previamente apresentada de que os atletas masculinos do grupo regional apresentam um evidente déficit em termos da sua frequência média de passada. Nos 200m, não se verificaram diferenças significativas entre as mulheres do grupo elite e os homens do grupo regional nestas duas variáveis, sendo assim mais difícil identificar qualquer destes parâmetros como responsável pela melhor prestação das primeiras.

Conclusão

As diferenças na prestação entre atletas masculinos de elite e atletas de nível regional parecem resultar quer de diferenças na amplitude média como de diferenças na frequência média de passada (tanto em 100m como nos 200m). No caso de atletas do sexo feminino, as diferenças de prestação entre os mesmos grupos parecem refletir predominantemente diferenças na amplitude de passada. Logo, é provável que a evolução das atletas regionais dependa principalmente de melhorias nos seus níveis de força específica, enquanto que no caso dos atletas masculinos, parece evidente que, para além deste componente, estes apresentam ainda uma margem de evolução considerável no que respeita à coordenação intermuscular.

Predição da performance de Usain Bolt para o RIO 2016

Andrigo Zaar

Department of Sport Science, Exercise and Health University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD). Portugal. IDEAU, Brazil.

Éderson Szlachta

Specialist in Management Information Systems. Anglican College Erechim, Rio Grande do Sul, Brazil.

Resumo: Nos Jogos Olímpicos todos desejam conhecer o homem mais rápido da terra. Usain Bolt bicampeão olímpico e recordista mundial dos 100 e 200m almeja tornar-se uma lenda do esporte ao conquistar o tricampeonato olímpico no RIO 2016. O objetivo foi predizer a performance de Bolt com base na progressão dos resultados desportivos obtidos nos últimos 15 anos. Um modelo matemático de regressão linear com recurso retrospetivo a bases de dados existentes. Verifica-se que os resultados expressos pelo modelo matemático apresentam uma predição da performance para os 100m 9.88s (94,6%) e para os 200m 19.50s (98,4%). Apesar da sua primazia, as evidências não são favoráveis à conquista do tricampeonato olímpico, sua performance lhe assugura uma medalha apenas nos 200m sem quebra de recorde mundial.

Palavras-chave: Atletismo; Performance Esportiva; Modelação.

Abstract: The Olympics everyone wants to know the fastest man on earth. Usain Bolt Two-Time Olympic Championship and world record holder of the 100 and 200m aims to become a legend of the sport to win the Olympic third championship in RIO 2016. The objective to predict Bolt’s performance based on the progression of sporting results over the last 15 years. A mathematical model linear regression with retrospective application to existing databases. It was observed that the results were expressed by the mathematical model predicting the performance feature to 100m 9.88s (94.6%) and 200m 19.50s (98.4%). Despite its primacy, the evidence is not conducive to the achievement of the Three-Time Olympic Championship, your performance you just ensure a medal in the 200m free world record breaking.

Keywords: Athletics; Sports Performance; Modeling.

Introdução

Em 21 junho de 1960, em Zurique, na Suíça, o alemão Armin Harry surpreendeu o mundo ao alcançar o que foi considerado o limite fisiológico para os 100m rasos com 10s. Foi em 20 de junho de 1968, em Sacramento na Califórnia que Jim Hines correu os 100m quebrando esta barreira, com 9.9s. Nos anos seguintes muitos velocistas correram esta distância abaixo dos 10s, mas 31 anos foram necessários para diminuir o recorde de Harry por 0.14s (Carl Lewis, 25 de agosto de 1991, em Tóquio, Japão). O atual recorde mundial de 9.58s foi estabelecido por Usain Bolt, que também detém o recorde mundial dos 200m 19.19s no 12º Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, Alemanha (2009).

Nos últimos anos muitos pesquisadores tem investigado a evolução da performance dos corredores (Gómez et al. 2013; Zaar et al. 2013; Barrow, 2012; Majumdar & Robergs, 2011). O desempenho de Usain Bolt nos 100m é do nosso interesse, uma vez que atingiu, até agora, acelerações e velocidades que nenhum outro corredor já obteve.

Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi predizer a performance do bicampeão olímpico e recordista mundial Usain Bolt para o RIO 2016.

Metodologia

A pesquisa foi do tipo descritiva, com dados quantitativos e com recurso retrospetivo a bases de dados existentes. A amostra foi constituída pelos tempos registrados no ranking mundial da IAAF (International Association of Athletics Federations) nos últimos 15 anos alcançados pelo velocista Usain Bolt nas provas de 100 e 200m. Os dados recolhidos no âmbito deste estudo foram organizados para formulação de um modelo de predição da performance para os Jogos Olímpicos do RIO 2016.

Modelação Matemática

Para o cálculo da predição da performance dos resultados desportivos por distância, foi aplicado o modelo matemático de previsão de resultados através de regressão linear expresso pela equação:

y=m*x+b

Sendo: y – Previsão; m – Inclinação da Regressão com base nos valores conhecidos;

x – Referência futura para obtenção da Previsão (idade do atleta no dia da competição);

b – Intercepção da Regressão com base nos valores conhecidos.

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No sentido de relativizar a pontuação da prova de acordo com a idade em questão, de tal forma que a pontuação correspondente a um determinado tempo seja coerente com o constrangimento fornecido pelo recorde mundial (equivalente ao escore de 1.000 pontos) na referida prova e coerente com a idade no qual este tempo é obtido, foi utilizada a média dos tempos do atleta ao longo da sua carreira, retirada da tabela de rankings atualizado da IAAF. Desta forma, uma constante (Cprova) específica, para as provas de 100m e 200m, foi calculada.

Análise Estatística

Para o cálculo da predição da performance dos resultados, foi utilizado um modelo de regressão linear obtendo-se assim a marca predita para o RIO 2016.

Resultados

Na tabela 1 e 2, são apresentadas as marcas que serviram de base à construção do modelo de regressão em cada distância. Na tabela 3, são evidenciados os resultados que decorreram da análise das marcas de Usain Bolt, com o cálculo da predição da performance para o RIO 2016. Este tende a obter 9.88s nos 100m e 19.50s para os 200m.

Tabela 1 – Principais resultados de Usain Bolt para os 100m rasos

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Tabela 2 – Principais resultados de Usain Bolt para os 200m rasos

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Tabela 3. Equações de regressão linear para obtenção da predição da performance

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Ao analisar a evolução dos resultados desportivos confrontam-se os valores preditos pelos modelos matemáticos em função das marcas obtidas por Bolt ao longo do tempo (Figura 1 e 2). Verifica-se um declínio da performance nos 100m e um incremento do rendimento ao longo do tempo nos 200m.

Figura 1 – Predição da performance para os 100m rasos

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Figura 2 – Predição da performance para os 200m rasos

Discussão

O propósito deste estudo foi predizer a performance de Usain Bolt, o homem mais rápido da terra, bicampeão olímpico dos 100 e 200m para os Jogos Olímpicos do RIO 2016.

Bolt pode ser o melhor velocista que já existiu, no entanto, poucos teriam imaginado que ele iria correr tão rápido os 100m depois de passar a treinar para os 200m e 400m na adolescência. Seu treinador decidiu mudá-lo para os 100m para melhorar a sua velocidade básica de corrida. Com biótipo peculiar ninguém esperava que ele brilhasse, ledo engano! Ao invés de conquistar ocasionalmente um centésimo de segundo do recorde mundial, como seus antecessores, ele arrebatou o mundo (Figura 3). Primeiro, ele reduziu o tempo de Asafa Powell de 9.74s a 9.72s em Nova Iorque (Maio de 2008), em seguida baixou para 9.69s (na verdade 9.683s) nos Jogos Olímpicos de Pequim, reduzindo-o drasticamente para 9.58 s (na verdade 9.578s) no Campeonato Mundial de 2009 em Berlim. Sua progressão nos 200m foi ainda mais surpreendente, reduzindo o supostamente o “imbatível” recorde de 19.32s (na verdade 19,313s) de Michael Johnson 1996 a 19.30s (na verdade 19,296s) em Pequim e em seguida para 19.19s em Berlim.

Figura 3. Progressão do recorde dos 100m masculino. Cronometragem eletrônica para 1 centésimo de segundo tornou-se obrigatória em 1977 (Barrow, 2012)

Estes resultados equivalem a 94,6% do recorde mundial nos 100m e 98,4% para os 200m. Ao analisar o desempenho dos medalhistas olímpicos nos últimos 20 anos, a predição da performance de Bolt o levaria a 4ª posição nos 100m e a medalha de prata nos 200m na final olímpica do RIO 2016.

Segundo Barrow (2012), para Bolt melhorar sua marca, precisaria melhorar o tempo de reação no bloco de partida. Os atletas são julgados ter falsa largada quando estes reagem através da aplicação de pressão do pé para seus blocos de partida no prazo de um décimo de segundo da largada. Notavelmente, Bolt tem uma das largadas mais lentas entre os principais velocistas, sendo o segundo mais lento de todos os finalistas em Pequim e o terceiro mais lento em Berlim, quando ele correu 9.58s. A reação e tempos de Berlim para todos os finalistas são apresentados na Tabela 4.

Tabela 4 – Tempo de reação e corrida dos finalistas dos 100m no Campeonato Mundial em Berlim

Na final olímpica de Pequim, o tempo de reação de Bolt foi 0.165s, apenas a frente de Burns, o que permitiu uma velocidade média de 10,50 m/s e em Berlim, onde ele reagiu mais rápido foi 10,60 m/s.

Para Gómez et al. (2013), Bolt possui uma reação lenta, mas não significa que ele tenha um início de prova lento. O velocista possui estatura elevada e membros longos, o que prejudica os movimentos iniciais, com grandes momentos de inércia. Para se mover, atletas do topo levam cerca de 0.3s para sair dos blocos. Bolt poderia iniciar abaixo de 0.13s o que é muito bom, mas não excepcional, então ele iria reduzir o seu recorde de 9.58s para 9.56s. Se ele pudesse obtê-lo de forma consistente, reduziria para 0.12s assim, seria possível obter 9.55s e se ele respondesse tão rapidamente quanto a regra permite com 0.10s, teríamos 9.53s.

Na Figura 4 são apresentados os tempos de reação masculina e feminina preparados por Lipps et al. (2009) tomadas a partir de 425 velocistas nos Jogos Olímpicos de Pequim. O tempo de reação média dos homens foi de 168 m/s (±160-178 m/s) e a média para as mulheres foi de 191 m/s (±180-205 m/s).

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Figura 4 – Tempo de reação dos 425 velocistas participantes dos Jogos Olímpicos de Pequin. Tempos de reação das mulheres são 23 m/s mais lentos do que dos homens (Lipps et al. 2009)

Incontestavelmente esta modelação matemática é apenas uma forma bruta de estimar as marcas de Bolt para RIO 2016 considerando seu desempenho nos últimos 15 anos, são desconsiderados aspectos como auxílio do vento e altitude, fatores que poderiam tornar seu resultado ainda mais surpreendente.

A velocidade do vento é um assunto esquecido no atletismo que pode contribuir com a melhora do recorde mundial. O limite da velocidade do vento para este fim é de 2 m/s, imaginemos que este vento esteja a favor dos atletas, será suficiente para Bolt correr 0,2-0,5 m/s mais rápido (Majumdar & Robergs, 2011). Muitos recordes mundiais usufruiram do vento. O conjunto mais notório de recordes mundiais em corridas de velocidade e saltos horizontais foram estabelecidos nos Jogos Olímpicos do México em 1968, onde o anemômetro gravou 2 m/s no momento do recorde mundial. Mas este certamente não é o caso para o registro corridas de Bolt, em Berlim, ao correr 9.58s a velocidade do vento estava em 0,9 m/s a favor e em Pequim não havia vento, então em condições vantajosas de vento Bolt poderia melhorar o recorde. Para um atleta típico, cerca de 3% do seu esforço é dispendido pelo arrasto do vento (Mureika, 2001), assumindo que Bolt corresse os 100m com vento a favor de 2 m/s, resultaria em cerca de 0.11s melhor em comparação a Pequim. Então, se Bolt combinásse um tempo de reação de 0.12s com uma assistência máxima permitida do vento, ele poderia transformar os 9.58s alcançados em Berlim para 9.50s. E se ele pudesse atingir o limite do tempo de reação teórica de 0.10s, com o auxílio máximo do vento ele estaria chegando a incríveis 9.48s.

É de realçar que Bolt domina as provas de velocidade nos últimos 10 anos e considera encerrar sua carreira no RIO 2016, fato que corrobora com os achados deste estudo, os valores expressos pela análise dos dados revelam que Bolt encontra-se em declíneo da velocidade de base para a performance nos 100m, o que é natural com o passar dos anos, entretanto, permanece soberano nas pistas.

Para quebrar os recordes mundiais Bolt necessitaria da influência de outros fatores, como da altitude (Pritchard, 1993). Cada 1.000 m de altitude vai reduzir seu tempo nos 100m por cerca de 0.03s, devido à queda na densidade do ar (Eriksen et al. 2009). Se ele corresse na altitude da Cidade do México, poderia ser 0.07s mais rápido, no entanto, para fins de registro, os recordes são válidos até 1.000m de altitude.

Em síntese, para Usain Bolt melhorar seu recorde mundial de 9.58s, necessita melhorar o seu tempo de reação, utilizando o limite teórico na largada, onde obteria 9.48s. Com a assistência máxima permitida do vento de 2 m/s, ele pode chegar a 9.45s, e correndo com a melhor altitude legal de 1.000m ele pode atingir 9.43s e 9.41s no México.

Esta evolução surpreendente pode acontecer sem grande progresso da performance de Bolt, ilustrando o quão longe estamos do “limite” do ser humano. A modelação matemática utilizada para a predição da performance nos possibilita verificar que Bolt não é o homem mais rápido do mundo. Seu companheiro de treino, Yohan Blake, que possui a segunda melhor marca mundial para os 200m com 19.26s (vento 0,7 m/s) correu de forma extraordinária, largando letargicamente (0,269s), portanto a corrida de Blake foi 18.99s contra 19.06 de Bolt (Barrow, 2011). Se dividirmos pela metade estes tempos encontramos 9.495s para Blake contra 9.530s para Bolt. São mais rápidos do que o recorde dos 100m por se tratar de uma corrida lançada, apesar do glamour sobre os 100m, são os 200m que você realmente quer ver!

Os resultados obtidos, em conjunto com os fatos apontados na presente discussão, nos deixam ansiosos pelos Jogos Olímpicos do RIO 2016, para testar o nosso modelo com os dados experimentais obtidos a partir de tais registros, bem como, a expectativa se o homem mais rápido na terra é capaz de bater seu próprio recorde mundial mais uma vez.

Conclusão

No presente estudo verificamos que apesar da primazia, as evidências não são favoráveis à conquista do tricampeonato olímpico. Sua performance lhe assugura a medalha apenas nos 200m, sem obtenção do recorde mundial.

Referências

BARROW, J.D. Slow off the mark, Athletics Weekly, September 29th, (2011).

BARROW, JOHN D. “How Usain Bolt can run faster–effortlessly.” Significance 9.2; (2012): 9-12.

ERIKSEN, HANS KRISTIAN, et al. “How fast could Usain Bolt have run? A dynamical study.” Am. J. Phys 77.3; (2009): 224-228.

GÓMEZ, JJ HERNÁNDEZ, V. MARQUINA, AND R. W. GÓMEZ. “On the performance of Usain Bolt in the 100 m sprint.” European Journal of Physics 34.5; (2013): 1227.

LIPPS, D. B., ECKNER, J. T., RICHARDSON, J. K., GALECKI, A. and ASHTON-MILLER, J. A. On gender differences in the reaction times of sprinters at the 2008 Beijing Olympics. American Society of Biomechanics Annual Assembly, State College, Pennsylvania; (2009): August.

MUREIKA, J. R. “A realistic quasi-physical model of the 100 m dash.” Canadian Journal of Physics 79.4 (2001): 697-713.

MAJUMDAR, ADITI, and ROBERT ROBERGS. “The science of speed: Determinants of performance in the 100 m sprint.” International Journal of Sports Science and Coaching 6.3; (2011): 479-494.

PRITCHARD, W.G. Mathematical models of running. SIAM Review, 35; (1993): 359–379.

ZAAR, A. et al. “Performance progression in Brazilian middle-distance runners from early training to peak performance: a pilot study.” Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano 15.5; (2013): 570-577.