Heart Rate Response During a Professional Football Match

Gian Baldassari Silvestre, Rodrigo Ferro Magosso, Cássio Mascarenhas Robert-Pires

 

RESUMO

A demanda fisiológica à qual um indivíduo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a frequência cardíaca (FC). O objetivo do presente trabalho foi identificar a intensidade de esforço (através da análise da FC) de futebolistas durante sua prática esportiva. A FC de 19 atletas (idade de 26,7± 4,6 anos e peso corporal de 78,1 ± 7,3 kg), foi analisada com uso do software Firstbeat® durante seis partidas, com o menor tempo registrado de 3 minutos durante uma partida. Os atletas apresentaram uma FC média correspondente a 82 ± 0,9% da frequência cardíaca máxima dentro do período analisado. Os menores valores encontrados durante o jogo corresponderam a 62 ± 2,8% da FCmáx e os picos de FC corresponderam a 97,0 ± 0,8% da FCmáx.

Palavras-chave: Frequência cardíaca, futebolistas, intensidade de esforço

 

ABSTRACT

The physiological stress imposed to an individual during a soccer match has been reported by different parameters such as heart rate (HR). The objective of the present study was to identify the intensity of effort (through FC analysis) of soccer players during their sports practice. The HR of 19 athletes (age 26,7 ± 4,6 years old and body weight 78,1 ± 7,3 kg) was analyzed using the software Firstbeat® during six matches, with the shortest recorded time of 3 minutes during a match. Athletes presented average HR corresponding to 82 ± 0.9% of maximum heart rate within the analyzed period. The lowest values found during the game corresponded to 62 ± 2.8% of HRmax and the HR peaks corresponded to 97.0 ± 0.8% of HRmax.

Key words: Heart rate, soccer players, effort intensity

 

INTRODUÇÃO

O futebol é uma modalidade esportiva com características intermitentes, estruturado por movimentos cíclicos e acíclicos, com predominância do metabolismo aeróbio e, em suas ações decisivas, pelo anaeróbio1.

Esta variabilidade de movimentos exige o desenvolvimento de capacidades motoras como resistência e potência aeróbia, resistência e potência anaeróbia, velocidade, agilidade e ótimos níveis de força.

Nos últimos anos, vem crescendo o interesse dos pesquisadores e da população como um todo em conhecer e compreender as reais demandas fisiológicas durante a prática deste esporte.

A demanda fisiológica à qual um individuo esta submetido durante uma partida de futebol tem sido relatada a partir de diferentes parâmetros, como a distância total percorrida, velocidade média de corrida, a temperatura corporal, medidas diretas de oxigênio, concentração de lactato e frequência cardíaca (FC)2.

De acordo com BRUM et al. (2004) o exercício físico caracteriza-se por uma situação que retira o organismo de sua homeostase, pois implica no aumento instantâneo da demanda energética da musculatura exercitada e consequentemente do organismo como um todo. Para suprir a nova demanda metabólica, várias adaptações fisiológicas são necessárias e, dentre elas, as referentes à função cardiovascular.

O tipo e a magnitude da resposta cardiovascular dependem de uma série de fatores como o tipo de exercício executado, nível de condicionamento, intensidade e duração da atividade, nível de hidratação, massa muscular envolvida e até mesmo a temperatura ambiente.

Parece haver um consenso na literatura em geral quanto ao comportamento da frequência cardíaca durante uma partida de futebol; diversos autores relataram que a FC média corresponde a aproximadamente 85% da frequência cardíaca máxima (FCmáx.) variando entre 80 e 90% durante a prática esportiva1,2,4,5,6,7.

O objetivo do presente trabalho visa identificar, através do percentual da frequência cardíaca máxima (%FCmáx.) a intensidade média em que futebolistas atuam durante a sua prática esportiva.

 

MATERIAIS E MÈTODOS

Participaram do estudo 19 atletas do sexo (cujas características estão descritas na tabela 1) pertencentes a um clube da primeira divisão do campeonato paulista que mantêm treinamentos regulares e participação em competições reconhecidas pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Não houve critério de exclusão para o estudo; todos os atletas que entraram em campo foram incluídos na amostra. O menor tempo de jogo registrado foi de 3 minutos. O período de coleta dos dados foi de 22/3/2017 à 15/04/2017 somando um total de seis jogos monitorados.

Para acompanhamento da FC durante os jogos foi utilizado o software Firstbeat®. Este sistema possibilita o registro da FC sem a utilização de um monitor de punho (proibido por colocar em risco a integridade do atleta e de seus adversários).

Tabela 1 – Caracterização da amostra.

Inicialmente, a frequência cardíaca máxima dos atletas foi estimada pelo software através da equação descrita por KARVONEN, KENTALA & MUSTALA (1957) – FCmáx. = 220 – idade; Durante os treinamentos e jogos amistosos da pré-temporada, assim que registrados valores superiores, o software já realizava a atualização automática.

Devido à heterogeneidade do grupo em relação à idade (único fator determinante da frequência cardíaca máxima), utilizamos os valores relativos da FC de cada individuo (%F.C. Máx.). 

RESULTADOS

As respostas da frequência cardíaca de todos os atletas que entraram em campo durante os seis jogos monitorados estão descritos na tabela 2.

Tabela 2 – Médias da frequência cardíaca absoluta (bpm) e relativa (%fc. máx.) máxima, média e mínima mensuradas durante as seis partidas.

Em relação aos valores absolutos, a FC oscilou entre 122 e 192 batimentos por minuto (bpm) representando em valores relativos, 60 a 97% FCmáx. dos voluntários. O comportamento médio da frequência cardíaca durante o monitoramento foi de 162 ± 1,75 bpm, equivalente a aproximadamente 82% da frequência cardíaca máxima dos atletas. A FC mínima variou muito durante os jogos por conta dos intervalos para hidratação, substituições e parada para atendimento médico. Os valores observados permanecem por volta dos 122 bpm (62% FCmáx.).

 

DISCUSSÃO

O principal objetivo do presente estudo foi mensurar a intensidade de esforço através do percentual da frequência cardíaca máxima que um jogador de futebol atua durante a prática esportiva.

Os resultados encontrados evidenciam que esses atletas atuam durante os 90 minutos de uma partida à uma FC média de 82% da frequência cardíaca máxima.

Tal resultado corrobora com a literatura existente; BANGSBO, MOHR & KRUSTUP (2006) encontraram, mediante monitoração da frequência cardíaca em partidas profissionais, valores médios próximos a 85% FCmáx.. MORTIMER et al. (2006) compararam a intensidade de esforço no primeiro e segundo tempo chegando aos valores de 85,2% e 82,7%, respectivamente. Já STØLEN et al. (2005) relataram que a intensidade media da frequência cardíaca varia entre 80 e 90% da FCmáx.

Isso nos permite sugerir que a utilização destas zonas de intensidade durante os treinamentos do dia-a-dia deixará o atleta melhor condicionado e mais preparado para suprir as reais demandas cardiovasculares de uma partida de futebol. COELHO et al. (2008) compararam a intensidade de uma partida, de um coletivo e jogos reduzidos, concluindo que os jogos reduzidos são os que mais se aproximam da realidade de uma partida, em relação as demandas cardiovasculares (84%, 75% e 79% FCmáx., respectivamente).

Esses resultados evidenciam o grau de esforço e a intensidade média durante uma partida de futebol. Vale ressaltar que diversos fatores podem influenciar na intensidade de esforço dos futebolistas, tais como: esquema tático, tipo de marcação, nível do adversário, condições ambientais, etc.

Alguns autores ainda correlacionam a intensidade média do jogo de futebol com o limiar anaeróbio mostrando que este nível de intensidade corresponde à maior parte do tempo de estresse10.

 

CONCLUSÕES

O presente estudo conclui que jogadores de futebol atuam em média à uma intensidade de 82% de sua frequência cardíaca máxima.

 

REFERÊNCIAS

1 – STØLEN, Tomas et al. Physiology of soccer. Sports medicine, v. 35, n. 6, p. 501-536, 2005.

2 – MORTIMER, Lucas et al. Comparação entre a intensidade do esforço realizada por jovens futebolistas no primeiro e no segundo tempo do jogo de Futebol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, p. 154-159, 2006.

3 – BRUM, Patrícia Chakur et al. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev Paul Educ Fís, v. 18, n. 1, p. 21-31, 2004.

4 – BRAZ, Tiago Volpi; SPIGOLON, Leandro Mateus Pagoto; BORIN, João Paulo. Proposta de bateria de testes e classificação de desempenho das capacidades biomotoras em futebolistas-DOI: 10.4025/reveducfis. v20i4. 7392. Journal of Physical Education, v. 20, n. 4, p. 569-575, 2009.

6 – MORTIMER, Lucas et al. Comparação entre a intensidade do esforço realizada por jovens futebolistas no primeiro e no segundo tempo do jogo de Futebol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 6, n. 2, p. 154-159, 2006.

7 – BANGSBO, J.; MOHR, M.; KRUSTRUP, P. – Physical and metabolic demands of training and match-lay in the elite football player. Journal of Sports Sciences., 24: 665-674, 2006.

8 – KARVONEN, Martti J.; KENTALA, E.; MUSTALA, O. The effects of training on heart rate; a longitudinal study. In: Annales medicinae experimentalis et biologiae Fenniae. 1957. p. 307.

9 – COELHO, Daniel Barbosa et al. Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais defutebol. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 22, n. 3, p. 211-218, 2008.

10 – OSIECKI, Raul et al. Parâmetros antropométricos e fisiológicos de atletas profissionais de futebol. Journal of Physical Education, v. 18, n. 2, p. 177-182, 2008.

PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL EM MULHERES NO ESTÁGIO DE CLIMATÉRIO OU MENOPAUSA

1Tamiris Costa Alves

1Silvana Nóbrega Gomes

1Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ)

Resumo

Verificar se mulheres de meia idade, em fase de climatério ou menopausa, possuem percepção da imagem corporal similar com o seu quadro original corpóreo. Participaram 40 mulheres voluntárias entre 40 a 55 anos, em fase de climatério ou menopausa. O estudo foi descritivo quantitativo de corte transversal. As participantes foram submetidas a um diagnostico do Índice de Massa Corporal (IMC), aplicação do questionário Menopause Rating Scale (MRS) e o Teste de Escala de Silhuetas para adultos. Os resultados mostrou que as participantes não estão com baixa qualidade de vida, pois não apresentou nos domínios (somato-vegetativo, psicológico e urogenital) sintomatologia severa, possuem IMC real de 27,38 kg/m² (±5,00) classificado como sobrepeso corporal e a média do IMC atual percebido foi 32,75 kg/m² indicando que as participantes julgam seus corpos com o IMC atual maiores que o IMC real (82,5%) não obtendo uma boa percepção de sua imagem corporal, e também possuem insatisfação corporal pelo excesso de peso ao comparar a silhueta atual com a que gostaria de ter e entre a silhueta atual com a ideal. A percepção da imagem corporal nas mulheres em estágio de climatério ou menopausa encontra-se negativa e insatisfeita por excesso de peso, e o IMC percebido das participantes está muito além do real, mesmo a maioria sendo praticantes de alguma atividade física.

Palavras-chaves: percepção corporal, climatério, menopausa.

Abstract

Verify whether middle-aged women, who are in the perimenopause or  menopause stage, have an accurate perception of their own body image. The study was cross-sectional and included 40 female volunteers aged between 40-55 years who were in perimenopause or menopause stage. Participants were submitted to a diagnosis of Body Mass Index (BMI), the questionnaire Menopause Rating Scale (MRS) and the Figure Rating Scale test for adults. These results showed that the participants did not have low quality of life because they did not show severe symptoms in the somatic-vegetative, psychological or urogenital areas. The participants had a mean real BMI of 27.38kg/m² (± 5.00), which is classified as overweight, but their mean perceived BMI was 32.75kg/m² with 82.5% of participants thinking their bodies had BMI greater than the actual BMI. We conclude that the perception of body image in women in perimenopause or menopause stage is negative and they are unhappy about being.

Key words: perception of body, climacteric, menopause

INTRODUÇÃO

O corpo humano vive em constantes transformações sendo muitas destas, perceptíveis a todos, e quando observamos os indivíduos do sexo feminino notamos claramente mudanças físicas, funcionais e fisiológicas. Uma das principais fases de vida de uma mulher é o climatério, fase essa, que antecede a menopausa, na qual pode-se definir como a ligação entre o estágio reprodutivo e o não reprodutivo, não sendo qualificado ainda como o seu último ciclo menstrual, diferente da menopausa natural que se caracteriza pelo último ciclo menstrual, ou seja, quando há ausência da menstruação (amenorréia), e para chegarmos a esse diagnostico é necessário ter ocorrido há 12 meses consecutivos ou mais (BRASIL, 2011).

A fase climatérica de uma mulher também está associada aos surgimentos dos estados depressivos e ansiolíticos, pois é uma de suas fases mais sensíveis, isso em decorrência da baixa de produção dos hormônios estrogênio e progesterona em seu corpo, que pode está aliado aos fatores externos como a condição sócia demográfica e econômica e o mau condicionamento físico da mulher (BORGES et al., 2014).

Nesse sentido, os fatores intrínsecos que aumentam os sintomas climatéricos da mulher são as disfunções menstruais, os sintomas vasomotores, os distúrbios psicológicos, as alterações cognitivas, as alterações tróficas, a redução óssea e as enfermidades (FONSECA et al., 2009).

A média de idade em que ocorre a fase de climatério se compreende entre os 35 até os 65 anos (NOTELOVITZ, 1986). Porém, a média de idade para a ocorrência da menopausa é de 51,2 anos (PEDRO et al.,2003).

Muitas mulheres não apresentam necessidade de utilizar medicamentos por não possuir sintomas de desequilíbrio hormonal transitórios de graus moderados ou severos, no entanto esses sintomas também estão diretamente ligados a sua percepção de imagem corporal, as relações interpessoais e as concepções futuras (BRASIL, 2011).

Atualmente a visão de um corpo idealizado pela sociedade influencia para que as mulheres que estão numa fase mais madura sintam-se excluídas, sozinhas e desmotivadas, pois seus corpos são vistos fora do padrão, não possuindo mais aquele vigor da juventude e a perfeição física. Contudo, as mulheres apenas passam por um período de transição e não perdem sua sensualidade com o passar dos anos (MAIA, 2011).

Existem grandes evidências que a mídia atua sobre os distúrbios alimentares e na imagem corporal, exigindo tanto corpos perfeitos como técnicas alimentícias errôneas. Atingir o padrão de modelo e os ideais de beleza vem sendo fixado no imaginário das mulheres através da mídia. (BOSI, et al., 2006)

E para se sentirem bem e charmosas, as mulheres podem criar várias estratégias para obter uma imagem positiva de seus corpos, como por exemplo, a busca incessante por dietas e a pratica de atividades físicas, todavia, por muitas vezes, ainda não conseguem esquecer aquela imagem de insatisfação com o seu corpo e a distorção corporal acaba sendo ocasionada.

A imagem corporal é um elemento que está atrelado à identidade pessoal, que levam às pessoas a transtornos psicológicos e sociais quando não apresentam certo grau de contentamento com seus corpos (MAIA, 2011).

Nossos pensamentos podem nos levar a realizar ações que inconscientemente podem nos prejudicar, ou seja, a imagem corporal possui característica dinâmica e mutável, pois retrata o corpo, uma entidade em constantes transformações, podendo ser reconstruída a partir de novas sensações que se somam às antigas (MAIA, 2011).

Diante de tamanha estereotipação de um corpo perfeito e consequentemente a fase jovem feminina em alta, o estudo objetivou verificar se as mulheres de meia idade, que se encontram na fase de climatério ou menopausa, possuem uma percepção da imagem corporal similar com o seu quadro original corpóreo.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Amostra

A amostra foi composta por 40 mulheres voluntárias na faixa etária compreendida entre 40 a 55 anos, que não tivessem realizado histerectomia total ou parcial e que estavam comprovadamente em fase de climatério ou menopausa, funcionárias do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, alunas devidamente inscritas no projeto de extensão de Hidroginástica do UNIPÊ e alunas matriculadas na Academia Geração Saúde da cidade de João Pessoa/PB. A escolha destas foi feita aleatoriamente e por conveniência. Este estudo realizou-se de acordo com as normas regidas pelo Conselho Nacional de Saúde, na sua Resolução 466/2012, CAAE: 37962514.0.0000.5176.

Procedimentos

A coleta das amostras foi realizada durante duas semanas no local de atividade física ou de trabalho das participantes. Anteriormente foi agendada com cada participante e a coleta foi realizada em um local reservado e individualmente. Foi aplicado o questionário Menopause Rating Scale (MRS) que teve como objetivo identificar o grau de climatério e o Teste de Escala de Silhuetas para adultos, no qual a avaliada responderia a silhueta que mais se aproxima do seu corpo atualmente, a que melhor representa o corpo que desejaria ter e a que considera o modelo de corpo ideal. Para finalizar o processo de coleta da amostra, foi dada a ficha de dados, no qual continha algumas perguntas sócio demográfico e em seguida foi aferida a estatura (m) e do peso corporal (kg) para o cálculo do IMC.

O questionário Menopause Rating Scale (MRS) (HEINEMANN et al., 2004), refere-se à avaliação de aspectos relacionados à qualidade de vida através da sintomatologia do climatério, é um questionário válido internacionalmente com versão em português composto por 11 questões que relatam sintomas que são distribuídas em três domínios: sintomas somato-vegetativos, sintomas urogenitais e sintomas psicológicos, no qual se subdividem em sintomas mais prevalentes na fase do climatérico. A avaliada dava o seu parecer a cada sintoma apresentado de acordo com o que sentia atualmente, e o score total foi obtido com o somatório da pontuação de cada domínio, em que quanto maior a pontuação pior caracterizava a sua qualidade de vida. A classificação da intensidade do MRS se subdivide em: sintomatologia ausente (0-4 pontos), leve (5-8 pontos), moderada (9-15 pontos) ou severa (16 pontos).

A escala de silhuetas brasileira para adultos (KAKESHITA et al, 2009), criada e validada para adultos e crianças, consiste num conjunto de 15 figuras, e para cada uma dessas figuras é definida um valor médio de IMC, e este variam de 12 a 47,5kg/m² com acréscimos constantes de 2,5 pontos, ou seja, essa escala de silhuetas para adultos está diretamente relacionada ao IMC. Cada figura também possui um intervalo mínimo e máximo de IMC que pode variar de 11,25 a 48,75 kg/m². Essa escala foi desenvolvida por profissionais habilitados que através da computação gráfica e utilizando fotos de modelos reais no qual correspondiam aos referidos IMC desenharam as silhuetas. Para as participantes, foi mostrada essa escala, seguido de três perguntas: 1) qual silhueta ela achava que melhor representava seu corpo atual, 2) qual silhueta melhor representava o corpo que gostaria de ter e 3) qual silhueta considerava o modelo de corpo ideal.

Desse modo, foi verificada sua percepção de imagem corporal, comparando seu IMC real com o IMC que julgou ser o atual. E também para verificar a satisfação ou a insatisfação com a imagem corporal utilizou-se a diferença entre a silhueta real com a que gostaria de ter e também a silhueta real com a ideal. Quando a diferença foi igual à zero, o indivíduo foi classificado como satisfeito, quando igual a 1, como insatisfeito pelo excesso de peso, e quando 2, como insatisfeito pela magreza. E também foi através das escolhas das figuras que obtivermos o IMC que a participante considerava atual em relação a ela, o IMC desejado e o IMC ideal.

Para obter a variável do Índice de Massa Corporal (IMC) (WHO, 1997), foi necessário verificar a altura (m), utilizando um estadiômetro personal capriche portátil da marca Sanny, e o peso corporal (kg), usando uma balança digital da marca camry devidamente calibrada, e assim foi realizado o seguinte cálculo: IMC = Peso (Kg) / Altura (m2), dependendo do resultado do cálculo esse pode ser classificado em: abaixo do peso (valores < 18,5), peso normal (valores entre 18,5 – 24,9), sobrepeso (valores entre 25,0 – 29,9), obesidade grau I (valores entre 30,0 – 34,9), obesidade grau II (valores entre 35,0 – 39,9) e obesidade grau III (valores ≥ 40,0).

Análise estatística

Os dados são descritivos, estão expressos em valores percentuais, apresentados em gráficos de colunas e tabelas de frequências, os quais foram obtidos pelo programa Excel. Para tabulação dos dados e atribuir os pontos as respostas dos participantes, foi utilizado os procedimentos indicados pelos protocolos dos próprios instrumentos.

 

RESULTADOS

Os resultados mostraram que de acordo com a tabela 1, no qual apresenta as características demográficas da população estudada, em que 60,0% das participantes são casadas, e 95% não realizam terapia de reposição hormonal (TRH), em relação à quantidade de filhos 60% possui de 2 a 3 filhos, já no estado menopausal, a maior parte se encontra em climatério (79,3%), enquanto que 20,7% já estão na fase da menopausa e em relação à classificação do IMC real das participantes nota-se que a faixa de sobrepeso apresentou a maior porcentagem (45%) e em sequência a classificação peso normal com 32,5%.

Tabela 1. Características demográficas da população estudada (n=40).

Na tabela 2 são apresentadas as médias e os desvios padrão da idade, IMC real, e os apontados como o atual, desejado e ideal. A média de idade do estudo foi de 46,48 anos (±5,16) e o IMC real foi de 27,38kg/m² (±5,00). Porém, no IMC que foi apontado como o atual nas participantes, a média foi de 32,75kg/m², o IMC desejado ficou em 27,5kg/m² e já a média do IMC ideal consistiu em 25,06kg/m². Isso mostra que as participantes julgam seus corpos maiores do que são realmente, no qual seus corpos possuem a média do IMC real próximos ao IMC desejado, e possuem pouca diferença para o IMC que estimam como o ideal.

Tabela 2. Média e Desvio padrão da idade, do IMC Real e IMCs apontados como Atual, Desejado e Ideal.

A figura 1 ilustra a satisfação ou a insatisfação das participantes através do Teste de Escala de Silhuetas para Adultos, no qual a relação das silhuetas consideradas atuais e a que gostaria de ter estava 82,5% insatisfeita pelo excesso de peso, bem como a relação das silhuetas consideradas atuais com a que achava ideal também estavam insatisfeitas pelo excesso de peso com 87,5%.

Figura 1. Satisfação ou insatisfação da imagem corporal através do Teste de escala de silhuetas para adultos.

Observando a figura 2, no qual apresenta a percepção corporal das participaram, do número total da amostra (n=40), 33 (82,5%) não obtiveram uma boa percepção corporal, enquanto que 7 (17,5%) conseguiram obter uma boa percepção corporal, ou seja, responderam adequadamente qual era a figura na escala de percepção que representava seu IMC atual de acordo com o IMC real.

Figura 2. Percepção corporal das participantes através do Teste de escala de silhuetas para adultos.

Os dados do questionário de Qualidade de Vida no Climatério – Sintomas de Menopause Rating Scale (MRS) considerou que no domínio somato-vegetativo, as participantes ficaram entre a sintomatologia ausente e leve, 50% e 40%, respectivamente. Quanto ao domínio psicológico a maioria ficou com a sintomatologia ausente, com 57,5%. No domínio urogenital, 92,5% das participantes classificou com sintomatologia ausente. Enquanto isso, nenhum domínio registrou a sintomatologia severa.

Tabela 3. Avaliação do questionário de qualidade de vida no climatério – sintomas de Menopause Rating Scale (MRS).

DISCUSSÃO

No presente estudo, buscou-se verificar a percepção da imagem corporal em mulheres que estavam na fase climatérica ou na própria menopausa com o seu atual quadro corpóreo. Utilizando de uma escala de percepção de imagem corporal para adultos, que associa a variável IMC, vimos que 82,5% não obtiveram uma boa percepção de sua própria imagem, pois de acordo com esta, a maior parte da amostra não soube apontar qual realmente é o seu corpo real, bem como estão insatisfeitas com seus corpos pelo excesso de peso tanto na relação da silhueta atual com a que gostaria de ter como a relação da silhueta atual com a que considera a ideal.

Em contrapartida (LIMA, 2009) em um estudo concretizado com as acadêmicas da 3ª idade adulta da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), utilizando de 21 participantes com idades entre 45 a 55 anos, buscou estudar os aspectos da imagem corporal em mulheres na menopausa integradas a um programa anual de educação para o envelhecimento para a 3ª idade adulta da UFAM, utilizando de uma escala de auto percepção de bem-estar e também de uma avaliação da capacidade física percebida, assim constatou que a imagem corporal dessas acadêmicas encontrava-se positiva, não corroborando com esse estudo, talvez por não utilizar uma escala de silhuetas.

Entretanto, apoiando esse estudo (MIRANDA, et al, 2012) verificou a prevalência de insatisfação corporal em universitários de diferentes áreas de conhecimento, bem como a relação com sexo e com estado nutricional, utilizando de escala de silhuetas para adultos, resultou que na maioria dos indivíduos de ambos os sexos foram classificados como insatisfeitos (76,6%) com sua imagem corporal. Um estudo (FERRARI, 2012) que também corrobora com este, em relação à insatisfação da imagem corporal pelo excesso de peso, no qual participaram 236 universitários e que objetivou verificar a associação entre a percepção da imagem cor­poral e os estágios de mudança de comportamento para atividade física em acadêmicos de Educação Física, resultou que 54,1% das mulheres estão insatisfeitas com o seu peso, mas vale salientar que nesse estudo foi realizada apenas a relação da silhueta considerada atual com a ideal, diferenciando desse estudo que também relacionou a silhueta considerada atual e a que gostaria de ter.

Analisando o parâmetro antropométrico, o IMC, verificamos que a média para o IMC real das participantes desse estudo foi de 27,38 kg/m² (±5,00) sendo a amostra classificada como sobrepeso corporal, contradizendo com um estudo realizado com 200 mulheres climatéricas, de 40 a 65 anos, (Gallon e Weder, 2012) que objetivou associar a qualidade de vida com o estado nutricional da mulher climatérica no qual obteve uma média de IMC de 30,1 kg/m² sendo caracterizada como obesidade grau I. Através de um estudo descritivo (Borges, et al, 2014) que caracterizou o estudo do perfil antropométrico e clínico associados à qualidade de vida em mulheres no climatério, verificou que dentre a sua amostra (n=340) com idade entre 40 e 65 anos, apresentou 36,2% das participantes com sobrepeso e 29,4%, com obesidade, apoiando este estudo.

Os resultados do questionário MRS em relação à qualidade de vida no climatério consideraram que no domínio somato-vegetativo (falta de ar, suores ou calores, mal estar no coração, problemas com sono, problemas articulares e musculares), as participantes ficaram entre a sintomatologia ausente e leve, 50% e 40%, respectivamente, diferentemente num estudo (Gallon e Weder, 2012) que obtiveram nesse domínio a sintomatologia moderada (36,5%) e severa (34,5%).

Quanto ao domínio psicológico (estado depressivo, irritabilidade, ansiedade e esgotamento físico e mental) a maioria ficou com a sintomatologia ausente, com 57,5%. Não corroborando com esse estudo (Rocha, et al, 2014) buscou identificar o perfil sociodemográfico e antropométrico e comparar a qualidade de vida de mulheres climatéricas com as classificações da CA (circunferência abdominal) e o IMC, obteve nos resultados que tanto o domínio psicológico como nos demais domínios, somato-vegetativo e urogenital, se classificaram como sintomatologia moderada.

No domínio urogenital (problemas sexuais, problemas urinários, ressecamento vaginal), 92,5% das participantes classificou com sintomatologia ausente. Se contrapondo com Gallon e Weder, 2012 que apresentou 64% das pacientes com sintomas de severidade.

Os resultados encontrados e a análise dos estudos citados confirmam que as participantes deste estudo não estão com baixa na qualidade de vida no climatério ou na menopausa, tão pouco, estão muito acima do peso corporal, indicando que a insatisfação corporal e a má percepção da imagem corporal podem ser provenientes da grande cobrança da busca pelo corpo perfeito amplamente inserido pelos meios de comunicação.

CONCLUSÃO

Concluímos que a percepção da imagem corporal nas mulheres em estágio de climatério ou menopausa encontra-se negativa e insatisfeita pelo excesso de peso. Também foi verificado que as participantes não estão com baixa qualidade de vida no climatério, pois não apresentaram nos domínios sintomatologia severa. Todavia, a média de IMC real não estava demasiadamente elevada, visto que a maioria das participantes realiza algum tipo de atividade física.

As participantes não reconhecem seus corpos como realmente são, e escolheram uma figura na escala de percepção corporal maior do que são na realidade. Sugere-se a elaboração de intervenções voltadas a trabalhos de aceitação corporal, trabalhando aspectos psicológicos, de maneira que as participantes percebam como realmente são e contribuindo para alcançar uma melhor qualidade de vida, sem levar tanto em conta o que a mídia e a sociedade colocam como “padrão de beleza”, mas como será alcançada a saúde mental e física dos indivíduos.

REFERÊNCIAS

BORGES, R. Dourado, et al. Caracterização do perfil antropométrico e clínico associados à qualidade de vida em mulheres no climatério. Anais do 2ºEncontro Internacional de Pesquisadores: esporte, saúde, psicologia e bem-estar. Edição1–Ano Edição–2014. Tipo de Suporte – INTERNET–Editor (a) EDITORA UNIMONTES. Disponível em: http://eipse.com.br/upload/Anais_ONLINE.pdf

BOSI, M.L.M.; et al. Auto percepção da imagem corporal entre estudantes de nutrição: um estudo no município do Rio de Janeiro. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v.55, n.2, p.108-13, 2006.

BRASIL, Ministério da Saúde do. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes. 1ª Edição. Série C. Projetos, Programas e Relatórios. Brasília – DF: Editora do Ministério da Saúde, 2011.

FERRARI, E. P., et al. Associação entre percepção da imagem corporal e estágios de mudança de comportamento em acadêmicos de educação física. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2012, 14(5):535-544.

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INFLUÊNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS PARA OS NÍVEIS DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE DE ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL DA ESCOLA MUNICIPAL NERASI MENIN CALZA

Jozias Fortunato1

Aluísio Menin Mendes1

Rodrigo Poderoso de Souza2

Ana Carolina Gleden Poderoso2

Rogerio Caldeira3

 

1Instituto Federal do Paraná (IFPR).

2Universidade Norte do Paraná (Unopar).

3Universidade Federal do Paraná (UFPR).

 

RESUMO

Introdução: Os jogos e brincadeiras são inerentes aos seres humanos. Atividades como correr, saltar, lançar, empurrar, puxar, dentre várias outras, trouxeram inúmeros benefícios para os indivíduos que delas se apropriaram ao longo do tempo. No contexto escolar esse conteúdo pode ir muito além do aspecto “recreativo”, pois, propõem várias práticas corporais que podem conduzir os alunos a um bom acervo motor, afetivo e cognitivo, fazendo com que se desenvolvam e se tornem adultos saudáveis. Objetivo: O mesmo objetiva, analisar a influência dos Jogos e Brincadeiras para o desenvolvimento das capacidades físicas relacionadas à saúde destes escolares. Metodologia: Caracteriza-se como estudo experimental, quantitativo e descritivo, realizado entre abril e setembro de 2016, com uma amostra de 64 alunos, sendo 29 meninos e 35 meninas ambos da rede pública municipal de ensino de Palmas – PR. Utilizou-se para mensurar as capacidades físicas relacionadas à saúde, a bateria de testes do Projeto Esporte Brasil (PROESP – BR 2012), os instrumentos de coleta de dados foram os testes de flexibilidade: sentar e alcançar sem banco de Wells, força/resistência muscular localizada: nº de abdominais em 1 minuto – Sit-up, aptidão cardiorrespiratória: teste de corrida ou caminhada de 6 minutos e para composição corporal: utilizou-se o índice de massa corporal (IMC). Conclusão: Houve melhora em alguns componentes relacionados à saúde. Em contrapartida, não houve melhora em outros, podendo estes, estar relacionado com variáveis que fogem do controle desta pesquisa, interferindo negativamente nos resultados destes componentes. Desta forma, sugerem-se mais estudos a respeito desse tema, com um controle mais rígido de algumas variáveis.

Palavras – chave: Jogos e Brincadeiras. Educação Física Escolar. Aptidão Física.

INTRODUÇÃO

Jogos e Brincadeiras no contexto escolar, para muitos, palavras que remetem somente a diversão, sem nenhum benefício por trás de sua temática. Este pode ser um ponto que o trabalho poderá desmistificar; o entendimento de que através deste conteúdo não se consegue educar, que são meras práticas sem nexo algum. No entanto, sabe-se através da literatura histórica que desde os primórdios da humanidade todos os seres, aprenderam e se desenvolveram também através de Jogos e Brincadeiras onde tinham que correr, saltar, esquivar, chutar, receber, empurrar, puxar e lançar. (DUMITH; SILVEIRA, 2010). Portanto estas são algumas atividades inerentes da humanidade. Sendo assim, acredita-se que os Jogos e Brincadeiras, dentro do ambiente escolar, podem proporcionar esse tipo de aprendizado, fazendo com que a criança se divirta realizando-as e ainda beneficie-se de uma manutenção fisiológica adequada para sua formação através dessas práticas orientadas pelo profissional de Educação Física Escolar.

Dentro deste viés, nota-se que são poucos os conhecimentos que os leigos têm em relação aos Jogos e Brincadeiras, sendo este, um conteúdo da Educação Física Escolar que as crianças adoram. Não entendendo os fins destas práticas, muitas vezes professores de sala de aula usam esse apreço da criança pela Educação Física como forma de castigá-la, suprimindo a sua participação nas aulas.

Diante disso, sabe-se que o professor que trabalha com Jogos e Brincadeiras, bem como outros conteúdos de sua prática, deve ter argumento forte para defender a participação do aluno na mesma. Pois se ele não realizar a aula, o professor estará privando o mesmo de várias práticas corporais que provavelmente irão repercutir de forma negativa em seu processo de desenvolvimento. Cabendo ai um diálogo entre esses dois profissionais, para que aja um consenso sobre as reais importâncias dos Jogos e Brincadeiras como conteúdo da Educação Física e como ele pode interferir de maneira positiva ou não na aptidão física relacionada à saúde dos escolares, bem como no seu rendimento em sala de aula.

Os Jogos e Brincadeiras, são capazes de trazer vários benefícios para os escolares, portanto, a escola que oportunizar essas práticas corporais como conteúdo programático da Educação Física, estará incentivando o desenvolvimento psicossocial, psicomotor e afetivo de seus alunos. Sendo assim, dentro do contexto escolar esse conteúdo não é caracterizado somente como atividades de diversão, pois, vai além do quesito motor da criança e invade outras esferas de desenvolvimento. O mesmo apresenta-se também como forma de fortalecer a interação da Educação Física com a criança, onde, proporciona-o um momento vivido e mais lembrado da sua infância, podendo possibilitar ações preventivas através do lúdico contra ameaças à integridade física, social e emocional enquanto pequeno cidadão tornando-o assim mais saudável.  (CORDAZZO; VIEIRA, 2008; AWAD, 2010).

No que se refere a um indivíduo saudável, com uma boa Aptidão Física (AF) relacionada à saúde, sabe-se que atualmente as crianças que não brincam adequadamente, parecem ser mais suscetíveis a desenvolverem patologias degenerativas em idade adulta. Sendo assim, as práticas corporais dos Jogos e Brincadeiras, podem contribuir para uma vida fisicamente mais ativa, pois, se a criança está motivada a praticar as atividades propostas dentro das aulas de Educação Física, tem-se a possibilidade de adquirir hábitos saudáveis de vida e levar esses para a fase adulta. Porém, o contrário é verdadeiro, se os alunos não conhecem os Jogos e Brincadeiras, bem como outros conteúdos da Educação Física e não tem o gosto pela aula, provavelmente serão adultos não adeptos aos exercícios físicos. (GUERRA et al., 2003; DARIDO; RANGEL, 2011).  Em consonância com essa ideia, salientam Dumith e Silveira, (2010, p. 07), que “ao mesmo tempo em que crianças saem da escola sabendo muito pouco sobre o movimento, também saem fazendo quase nada de exercícios”.

Através desses apontamentos, pressupõe-se que esse conteúdo da Educação Física Escolar, pode conter em sua essência uma forma adequada de desenvolver as capacidades físicas que norteiam a aptidão física relacionada a saúde. Entretanto, o mais importante é que pode ser de uma forma divertida e prazerosa, levando os alunos a adquirir o hábito de se exercitar ao longo de sua vida. Deste modo, o presente estudo tem por objetivo, analisar se os Jogos e Brincadeiras terão influência positiva no desenvolvimento das capacidades físicas relacionadas à saúde dos escolares. Justificando-se este estudo, pelo fato de que os Jogos e Brincadeiras, no contexto da Educação Física Escolar podem ser um meio de fácil utilização e acesso aos professores desta área e pode ser realizado em diferentes espaços. Podendo também, proporcionar aos outros profissionais da Educação uma visão de que este conteúdo não é somente uma mera diversão e entretenimento para as crianças. Mas, que dentro deste são trabalhados vários aspectos que, de uma forma divertida, o profissional de Educação Física Escolar, consegue proporcionar de forma unificada vivências instrucionais psicomotoras, afetivas e cognitivas como descrito pela Taxionomia de Bloom que salienta os fins instrucionais inerentes à educação nas três esferas já mencionadas. (BLOOM,1972[1] apud FERRAZ et al., 2010). Tudo isso, para que continuamente estes alunos se desenvolvam e se tornem indivíduos mais saudáveis.

Diante do exposto, isto nos remete a tentar compreender se os Jogos e Brincadeiras contribuem na melhora das capacidades físicas que permeiam a aptidão física relacionada à saúde. Esse é um apontamento que o presente trabalho irá procurar responder. Sendo assim, acredita-se que este estudo poderá ser importante, uma vez que buscará descobrir se este conteúdo da Educação Física é capaz de desenvolver essas capacidades físicas por um período curto de tempo.

JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Os Jogos e Brincadeiras são considerados patrimônio cultural da humanidade, pois, sabe-se que desde a antiguidade os seres humanos jogam e brincam, vestígios disso que ficaram gravados nas cavernas em pinturas rupestres que comprovam este fato. (DARIDO; RANGEL, 2011; DARIDO; SOUSA JUNIOR. 2013). Além disso, brincar é um direito que a criança tem entendido pelo mundo todo e reconhecido, no Brasil também está explícito no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sendo elencado como um dever dos governantes proporcionar essa situação a todas as crianças e adolescentes. (BRASIL, 2014).

Como conceito, os Jogos e Brincadeiras consistem em várias práticas corporais que organizadas, auxiliam a vida social, afetiva, cognitiva e psicomotora de toda a criança, desta forma, contribui para o desenvolvimento global da mesma. A literatura salienta que estas práticas, devem buscar suprir as necessidades ou estados de carências em que muitas vezes as crianças passam, podendo contribuir para uma melhor qualidade de vida das mesmas. (MELHEM, 2012).

Sendo assim, os Jogos e as Brincadeiras, independente da sua modalidade, são uma imensa fonte de estímulo para o desenvolvimento das crianças, descobertas de habilidades, potencialidades bem como manutenção da saúde. (CORDAZZO; VIEIRA, 2008; CORDAZZO, et al. 2010; GOMES, 2012). Portanto, quando conceituados separadamente os Jogos e Brincadeiras, temos as seguintes definições: o Jogo caracteriza-se pela presença de regras, tem um início e um fim, tem um objetivo, pode-se envolver dois ou mais jogadores, existir um vencedor e um perdedor, deve ser interativo, ou seja, seus integrantes podem se comunicar entre si. Desta forma, é uma atividade que exige tanto do aspecto psicomotor, afetivo e social caracterizando o mesmo como uma ferramenta educacional no ambiente de ensino. (NICOLAU, 1994; KISHIMOTO, 1996; VELASCO, 1996; ALMEIDA; SHIGUNOV, 2000; AWAD, 2010; MELHEM, 2012).

Já a Brincadeira, conceitua-se como uma atividade que caracteriza-se pela espontaneidade de quem participa, não tem um tempo pré-definido para terminar e começar, pode ou não existir um ganhador, as regras podem ser modificadas a qualquer momento, tem muito a presença da ludicidade, pode ser classificadas de várias formas, ex.: brincadeiras de cooperação, integração, sociabilização, inclusão dentre várias outras, podem ser utilizadas com vários fins, seja ele educacional, motivacional ou de manutenção da saúde. (FREIRE, 2002; KISHIMOTO, 2002; SILVA; FARIAS et al., 2010; AWAD, 2010).

No que tange o aspecto de atividades físicas estarem relacionadas com a saúde, segundo Civitate, (2012, p. 5), “existe uma antiga e interessante polêmica sobre os resultados do trabalho lúdico a nível de crianças e adolescentes”. Pois, nesta fase dos 7 a 10 anos aproximadamente, estes, estão passando pelo processo de formação de sua personalidade, definirão aí se eles irão interiorizar o desejo pela atividade física ou não. Portanto o brincar é um recurso que pode auxiliar no desenvolvimento das potencialidades e as habilidades destes. Através de atividades lúdicas evidenciadas por Jogos, Brincadeiras e Brinquedos, que proporcionam o prazer e intrinsecamente informações que contribuam para o desenvolvimento da saúde. Podem também levar ao aperfeiçoamento das habilidades físicas das crianças e consequentemente outras necessidades como psicomotoras, sociais e culturais. (CORDAZZO, et al. 2010; AWAD, 2010). Nessa perspectiva:

Incentivar a criança desde os primeiros anos de vida a praticar e participar de atividades físicas (especialmente os jogos e atividades recreativas), é motivo pelo qual, isso se torna um dos melhores investimentos que se pode fazer para promoção da saúde de futuros adultos, pois, os benefícios são muitos, inclusive o desenvolvimento social, emocional, corporal e mental, sem contar o organizacional. (RAMPAZZI; GUARIZI; SOUSA, 2012).

Desse modo, no contexto da educação dentro da escola, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), selecionam práticas da cultura corporal que têm presença marcante na sociedade brasileira como os Jogos e Brincadeiras, cuja as aprendizagens favorecem a ampliação das várias capacidades, interação sociocultural, possibilidades de lazer, promoção e manutenção da saúde pessoal e coletiva. Sendo assim, se empregados de forma lúdica, tornam-se uma chance de desenvolvimento cognitivo no qual a criança experimenta, expõe, inventa, aprende e atribui habilidades. Além de incitar a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, proporcionam o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e atenção. (BRASIL, 1997; BETTI; ZULIANI, 2002; OLIVEIRA; HACKBART, 2013).

Seguindo esta linha de pensamento, é preciso levar em conta que a atividade corporal é fundamental na vida da criança e as diferentes competências com as quais as crianças chegarão e sairão da escola são determinadas pelas experiências corporais que terão oportunidade de vivenciar. Neste sentido, se não puderam brincar, conviver com outras crianças, explorar diversos espaços, provavelmente suas competências serão restritas. Deste modo, para um bom desenvolvimento do aluno, deve-se privilegiar o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, com Jogos e Brincadeiras de variados tipos e atividades de auto testagem. Portanto, é função da instituição de ensino em proporcionar as crianças um tempo maior em contado com esses conteúdos, bem como a ludicidade. (BRASIL, 1997; BETTI; ZULIANI, 2002; GOMES, 2012; VIRGILIO, 2015).

Para complementar o que dizem os estudiosos da educação, cabe salientar que esta função da escola está explicita também na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), onde todas as crianças tem direito de aprendizagem como conviver, brincar, participar, explorar, comunicar e conhecer-se, através da cultura corporal de movimento. Outro ponto que deve-se destacar é que segundo PCN’s, os Jogos e Brincadeiras fazem parte dos conteúdos do 1° ao 5° ciclo de educação básica, desde as simbólicas até as regradas, sendo que em alguns ciclos esse conteúdo se apresenta com outros nomes como: Recreação, Práticas Corporais alternativas e etc. Porém, todas com os mesmos objetivos. (BRASIL, 1997; BRASIL, 2015).

APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE

Segundo Gallahue e Ozmun (2005, p. 284), “a resistência aeróbia, a força muscular, a resistência muscular, a flexibilidade das articulações e a composição corporal são componentes da aptidão física relacionada à saúde”. Portanto, a aptidão física relacionada a saúde é algo transitório, que não está diretamente ligado a habilidade atlética, ou alto nível dessas variáveis, visa a melhora e manutenção dos níveis adequados à saúde. Neste sentido, este tipo de aptidão é resultante de atividade física regular e estas atividades trazem benefícios às crianças, seus componentes são importantes para redução de doenças crônicas e melhora no desempenho das mais variadas atividades. (GALLAHUE; CLELAND, 2008; CORBIN1; PANGRAZI, 2003 apud HULSHOF, 2012; NIEMAN, 2011).

No que diz respeito a esta fase, denominada de segunda infância, que abrange dos 7 aos 12 anos de idade, apresenta rápidos ganhos de aprendizado e performance de habilidades motoras. Algo natural pois passam por grandes transformações decorrentes do crescimento e desenvolvimento. Inclusive é importante considerar que há aspectos relacionados à saúde física, afetiva e intelectual do ser humano. Portanto, no aspecto físico abrange-se as habilidades motoras e sensoriais que a criança necessita desenvolver para sobreviver e adaptar-se com saúde. No quesito relacionado as capacidades motoras, nota-se que a melhora constante das mesmas, significa a aquisição da sua independência e a capacidade de se adaptar a fatos sociais. (GALLAHUE; CLELAND, 2008; CORDAZZO; VIEIRA, 2008; GOMES, 2012; SILVA; DOUNIS, 2014).

Conforme se observa, cabe salientar aqui, que existem períodos sensíveis para se desenvolver estas capacidades físicas com maior aproveitamento. A aptidão cardiorrespiratória (resistência aeróbica) tende a melhorar na faixa etária entre 18 e 20 anos. No quesito força muscular, os períodos de maior aumento da força em crianças é contínuo, porém, por volta dos 12 anos em meninos o aumento e considerável, já em meninas por volta dos 15 anos de idade. Resistência muscular, os meninos tendem a obter melhoras ano a ano como as meninas, porém, as meninas os superam por um período curto entre 10 e 11 anos, justamente pelo fato de entrarem na puberdade mais cedo. A flexibilidade em meninos começa a declinar por volta dos 10 anos de idade e em meninas, por volta dos 12 anos. (CLARKE, 1975 apud GALLAHUE; OZMUN, 2005; NIEMAN, 2011; VIRGILIO, 2015).

RESISTÊNCIA AERÓBICA

Também denominada de resistência aeróbia. Capacidade física, onde, quando se realiza um exercício por um longo período de tempo, o organismo obtém oxigênio suficiente para queima oxidativa de substâncias energéticas através do funcionamento do coração, dos pulmões e do sistema vascular caracterizando-se como resistência aeróbica. Sendo assim, os sistemas cardiovascular e respiratório fornecem oxigênio em uma atividade prolongada, capaz do indivíduo realizar numerosas repetições exigindo uso considerável desses sistemas. Normalmente, com variações de métodos o treinamento dessa valência, leva-se em média geral de 3 a 5 meses para desenvolver-se com uma frequência semanal de duas vezes por semana. (WEINECK, 2003; GALLAHUE; OZMUN, 2005; GALLAHUE; CLELAND, 2008; NIEMAN, 2011).

Em crianças e adolescentes, deve-se notar o período sensível desta capacidade física, pois cabe salientar aqui, que as estimativas de resistência aeróbica, são tênues em crianças pequenas, pois, podem atingir índices elevados de resistência aeróbica semelhantes aos adultos quando corrigidos por peso corporal. Existe uma tendência para melhores valores em meninos do que meninas. Nas meninas o nível estabiliza por volta dos 12 anos de idade. Os meninos continuam a melhorar até os 16 anos. Estes níveis tanto em meninas quanto meninos, tendem a permanecer após estes períodos sensíveis. Neste sentido, estudos relatam que até os 12 anos de idade, as atividades para melhora dessa aptidão, devem ser de cunho lúdico e prazeroso através de brincadeiras de correr, dançar, pular e até nadar se possível. (MALINA; BOUCHARD, 2002; GALLAHUE; CLELAND, 2008; VIRGILIO, 2015).

FORÇA / RESISTÊNCIA MUSCULAR

Força, componente da aptidão física relacionada à saúde referenciada pela capacidade de um músculo ou grupo muscular exercer força máxima contra uma resistência. Resistência Muscular, capacidade de um músculo ou grupo muscular exercer força por determinado período contra uma resistência que é inferior a resistência máxima que você é capaz de mover. Crianças que na escola através de Jogos e Brincadeiras, realizam flexões de cotovelo em atividades ou mesmo no solo, flexões de cotovelo em suspensão na barra fixa e abdominais, estão de fato realizando trabalho de Força e Resistência Muscular, porém através da ludicidade. Estas são atividades que podem levar as crianças a aprender os gestos técnicos para se realizar testes que podem ser utilizados para mensurar o nível dessas capacidades em crianças, tornando o resultado mais fidedigno. (MALINA; BOUCHARD, 2002; GALLAHUE; OZMUM, 2005; NIEMAN, 2011; VIRGILIO, 2015).

Em relação aos ganhos de Força muscular ambos os gêneros obtém ganhos iguais até os 12 anos de idade, porém meninas tendem a melhorar por volta dos 14 anos. Já a resistência muscular na infância, meninos e meninas apresentam níveis semelhantes até os 12 anos de idade, porém, grandes aumentos nos meninos acontecem dos 12 aos 16 anos, as meninas não apresentam ganhos satisfatórios sem treinos depois dos 12 anos. Tendo em vista que um grande percentual do público feminino é menos ativo que o masculino. (MALINA; BOUCHARD, 2002; GALLAHUE; CLELAND 2011; VIRGILIO, 2015). Para um bom treinamento de força e resistência muscular, deve-se estabelecer os tipos de exercícios, duração, frequência e intensidade dos mesmos. Com crianças e adolescentes uma sequência de exercícios rotineiros seria além de desagradáveis, desestimulantes, a criança não é adulto em miniatura, portanto se difere quantitativamente e qualitativamente dos mesmos. (CLAPAREDE, 1934 apud WEINECK, 2003). Elas não precisam de um motivo, mas querem simplesmente se divertir. Portanto, deve-se planejar o treinamento com a maior criatividade de exercícios lúdicos e eficazes. Pois, para uma criança que não faz nada relacionado a força/resistência muscular significativamente nos reportando, de 2 ou 3 vezes na semana exercícios de força e resistência fariam bem à saúde da mesma, em 12 a 16 semanas já teria um resultado interessante. Levando em consideração que o treinamento de força e resistência lúdicos e planejados, poderiam auxiliar na proteção das articulações, pois aumenta a estabilidade nas mesmas, permitem um crescimento mais adequado devido ao fato de que o tecido muscular exige que a estrutura óssea se calcifique mais rápido para adaptação do novo nível de força, o bom condicionamento da região abdominal das crianças, evita que as mesmas venham a sofrer com problemas de desvios posturais na coluna vertebral,  afim de evitar lesões em diferentes práticas de exercícios dentro das aulas de Educação Física e em seu dia a dia. (NORRIS, 1998; RHEA, 2009; LIMA, et al., 2014).

FLEXIBILIDADE

No que tange essa valência física, seria a capacidade que as articulações móveis do corpo tem de realizar amplitude máxima adequada de modo irrestrito em toda a amplitude de movimento, para inclinar, estender, torcer e girar. Sobre as características de ganho de flexibilidade em crianças, as meninas tendem a ser muito mais flexíveis do que meninos devido a produção de hormônios que facilitam a extensibilidade dos tecidos moles do corpo, mas, a falta de atividade física na infância e adolescência, podem fazer com que isso se reverta e com o passar da idade isso se torne um problema. Portanto, a flexibilidade em crianças obtém um rendimento estável dos 5 aos 8 anos de idade, após isso diminui-se um pouco até os 12 anos de idade em ambos os gêneros, após essa idade constata-se ganhos ainda até os 18 anos. Depois a flexibilidade declina em ambos os gêneros se não forem estimuladas em práticas corporais. Porém, as meninas tem um declínio até os 12 anos somente, se sobressaindo sobre os meninos em todas as idades. (MALINA; BOUCHARD, 2002; GALLAHUE; OZMUN, 2005; ACHOUR JUNIOR, 2009; MINATTO, 2010; GALLAHUE; CLELAND, 2011; VIRGILIO, 2015). Um programa de treinamento de flexibilidade requer no mínimo 2 ou 3 vezes na semana, para que tem obtenham ganhos satisfatórios e notáveis em 5 ou 6 meses, lembrando que para essa valência física seria necessário trabalhos de alongamentos todos os dias para otimizar os ganhos em menos tempo. (ACHOUR JUNIOR, 2009; BARBANTI, 2010; NIEMAN, 2011; MILLER, 2015).

COMPOSIÇÃO CORPORAL

Ao longo do tempo, ficou conceituada composição corporal como: a proporção de gordura que o corpo tem, em relação a massa muscular e os outros tecidos do corpo humano. Portanto, quando se estuda um determinado público como as crianças, deve-se pensar que elas estão em constantes alterações, físicas, psíquicas e biológicas e podem ter maiores níveis de gordura do que seus semelhantes. Porém, o que se nota hoje é que as crianças estão com muito mais gordura que seus semelhantes há 20 anos, fato preocupante na sociedade atual. Crianças ativas apresentam menos gorduras em todas as idades, crianças obesas são as que não se movimentam na mesma intensidade e frequência. Através da composição corporal em crianças, pode-se detectar vários riscos de doenças ligadas ao coração, vasos sanguíneos e pulmões, fazendo com que se planeje uma estratégia de prevenção destas doenças. (WEINECK, 2003; GALLAHUE; OZMUN, 2005; GALLAHUE; CLELAND, 2011; NIEMAN; 2011; VIRGILIO, 2015). Avaliação da Composição corporal é de fácil realização, pois é necessário coletar somente o peso e altura do indivíduo ou realizar uma mensuração de espessura de dobras cutâneas, quando analisada em crianças e adolescentes, podem predizer o aparecimento de mais doenças como: diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, hiperlipidemia, certos tipos de câncer, dor lombar e artrite degenerativa. (GUEDES; GUEDES, 2006; GUEDES, 2007; MILLER, 2015; VIRGILIO, 2015).

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho caracteriza-se, como um estudo experimental, quantitativo e descritivo, realizado entre os meses de abril a setembro de 2016, com uma amostra de 64 alunos de ambos os gêneros, sendo 29 meninos e 35 meninas da rede pública municipal de ensino em Palmas – PR. Para escolha da escola participante do trabalho, primeiramente foi realizado um sorteio, onde foram colocados os nomes de todas as escolas municipais da cidade em uma urna. Assim sendo, a professora da disciplina de trabalho de conclusão de curso foi quem retirou da urna o nome na escola. O estabelecimento de ensino sorteado foi a unidade Escola Municipal Nerasi Menin Calza onde foi realizado o trabalho. Em um segundo momento, apresentado a intenção de realizar o trabalho para a diretora da escola bem como para professora da disciplina de Educação Física, onde ambas autorizaram a realização do trabalho. Depois, foi salientado para a professora que não seria necessário todos os alunos da escola participar. Pois, para participar do trabalho, seria utilizado os alunos que se enquadrassem em alguns critérios: 1° fossem alunos que tivessem de 7 a 10 anos de idade e que são da mesma turma; 2° Que estivessem devidamente matriculados e que não tivessem nenhum problema de saúde que os impedisse de realizar atividades físicas.

Após isto foram participantes da pesquisa 4 (quatro) turmas da escola sendo todas dos 3º anos os quais a professora ministra aula de Educação Física. Diante disso, foram colocados os nomes das turmas participantes em uma urna para saber através de sorteio quais seriam grupo controle (GC) e quais grupo experimental (GE). Este sorteio foi feito novamente pela professora da disciplina de trabalho de conclusão de curso. Os quais ficou da seguinte maneira: 3° ano “D” e “C” foram sorteadas como GC e 3° ano “A” e “B” GE, respectivamente. Desta maneira, o GC ficou realizando somente as aulas de Educação Física da professora da escola, enquanto o GE realizou o programa de Jogos e Brincadeiras 2 (duas) vezes por semana durante 5 (cinco) meses. Foi realizado um pré–teste com ambos os grupos e um pós–teste com os mesmos após a aplicação prática do trabalho. Feito isto, foi realizado uma análise individual em cada um dos grupos para observar se os Jogos e Brincadeiras tiveram influência na aptidão física relacionada à saúde do GE e qual foi o resultado do GC que contou somente com as aulas de Educação Física regular. Foi utilizado para mensurar as capacidades físicas relacionadas à saúde o protocolo de testes utilizados no observatório denominado Projeto Esporte Brasil – 2012 (PROESP – BR 2012), os instrumentos de coleta de dados foram os seguintes testes:

Flexibilidade (Sentar-e-alcançar): utiliza-se como material fita métrica e fita adesiva. Orientação é que se estenda uma fita métrica no solo. Na marca de 38 centímetros desta fita coloque um pedaço de fita adesiva de 30 centímetros em perpendicular. A fita adesiva deve fixar a fita métrica no solo. O sujeito a ser avaliado deve estar descalço. Os calcanhares devem tocar a fita adesiva na marca dos 38 centímetros e estarem separados 30 centímetros. Com os joelhos estendidos e as mãos sobrepostas, o avaliado inclina-se lentamente e estende as mãos para frente o mais distante possível. O avaliado deve permanecer nesta posição o tempo necessário para a distância ser anotada. Serão realizadas duas tentativas. Anotação: O resultado é medido em centímetros, a partir da posição mais longínqua que o aluno pode alcançar na escala, com as pontas dos dedos. Registram-se os resultados com uma casa após a vírgula. Para a avaliação será utilizado o melhor resultado de cada avaliado.

Força/Resistência abdominal (sit-up). Material: colchonetes e cronômetro. Orientação: O sujeito avaliado se posiciona em decúbito dorsal com os joelhos flexionados a 45 graus e com os antebraços cruzados sobre o tórax. O avaliador, com as mãos, segura os tornozelos do estudante, fixando os pés ao solo. Ao sinal o aluno inicia os movimentos de flexão do tronco até tocar com os cotovelos nas coxas, retornando a posição inicial (não é necessário tocar com a cabeça no colchonete a cada execução). O aluno deverá realizar o maior número de repetições completas em 1 (um) minuto. Anotação: O resultado é expresso pelo número de movimentos completos, realizados em 1 minuto.

Aptidão Cardiorrespiratória (corrida/caminhada dos 6 minutos). Material: Local plano com marcação do perímetro da pista. Trena métrica. Cronômetro e ficha de registro. Orientação: Divide‐se os alunos em grupos adequados às dimensões da pista. Informa‐se aos alunos sobre a execução dos testes dando ênfase ao fato de que devem correr o maior tempo possível, evitando piques de velocidade, intercalados por longas caminhadas. Durante o teste, informa‐se ao aluno a passagem do tempo 2, 4 e 5 minutos (“Atenção: falta 1 minuto”.). Ao final do teste soará um sinal (apito) sendo que os alunos deverão interromper a corrida, permanecendo no lugar onde estavam (no momento do apito) até ser anotada ou sinalizada a distância percorrida. Anotação: Os resultados serão anotados em metros com uma casa após a vírgula.

Medida do Índice de Massa Corporal (IMC). Orientação: É determinado através do cálculo da razão (divisão) entre a medida de massa corporal total em quilogramas (peso) pela estatura (altura) em metros elevada ao quadrado. Anotação: A medida é registrada com uma casa após a vírgula. Todos os dados coletados são comparados aos indicadores de saúde referenciados pelo PROESP – BR 2012. O protocolo foi escolhido por ser de fácil acesso aos professores de Educação Física, bem como, não necessita de materiais sofisticados para sua realização e por possuir tabelas com referenciais embasados em dados de escolares do Brasil todo. É um protocolo que pode ser utilizado para avaliar os padrões de crescimento corporal, estado nutricional, aptidão física e desempenho esportivo de crianças e adolescentes. (GAYA, 2012).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após o período de tempo de aplicação das atividades (5 meses), com período de uma semana de férias/recesso. Analisamos os dados a seguir.

A tabela 1 descreve a amostra deste estudo, 64 escolares de ambos os gêneros com faixa etária entre 7 a 10 anos, todos avaliados no ano de 2016. Destes 29 (45%) do gênero masculino (M) e 35 (55%) gênero feminino (F).

Tabela 1: Percentual total da amostra estratificada por Gênero.

Quando analisado por grupos, temos os seguintes dados a respeito do Grupo Experimental (GE) dos 33 alunos que caracterizavam o mesmo, 17 estudantes (52%) do gênero masculino e 16 estudantes (48%) do gênero feminino como mostra a tabela 2:

Tabela 2: Tabela estratificada por gênero da amostra dos grupos experimental e controle.

Já o Grupo Controle (GC) apresenta a seguinte proporção de alunos por gênero, dos 31 alunos totais, 12 (39%) masculino e 19 (61%) composta pelo gênero feminino, como mostra a tabela 2 acima.

No gráfico 1, observa-se os resultados do trabalho realizado com o grupo Experimental, participante do estudo. Deste modo, fica explícito o que ocorreu com os níveis das capacidades físicas, após cinco meses de intervenção com Jogos e Brincadeiras.

Gráfico 1: Grupo Experimental em Zona de Risco (ZR) Pré e Pós -teste; Flexibilidade em Zona de Risco FLEX (ZR), Força/ Resistência Abdominal Zona de Risco FOR/ RES. AB (ZR), Resistência Aeróbica Zona de Risco RES, AR (ZR), Índice de Massa Corporal Zona de Risco IMC (ZR). Grupo Experimental (GE), FONTE: (FORTUNATO, 2016).

No gráfico 2, observam-se os escores obtidos nas capacidades físicas do Grupo Controle após o mesmo período, porém que realizou a programação normal das aulas de Educação Física, com vários conteúdos ministrados pela professora da disciplina.

Gráfico 2: Grupo Controle em Zona de Risco (ZR) Pré e Pós teste; Flexibilidade em Zona de Risco FLEX (ZR), Força/ Resistência Abdominal Zona de Risco FOR/ RES. AB (ZR), Resistência Aeróbica Zona de Risco RES, AR (ZR), Índice de Massa Corporal Zona de Risco IMC (ZR). Grupo Controle (GC). FONTE: (FORTUNATO, 2016).

Devido a escassez de trabalhos sobre a influência de Jogos e Brincadeiras para a aptidão física relacionada à saúde com aplicação de testes motores, serão confrontados alguns dados de pesquisas relacionadas a idade dos escolares e capacidades físicas mensuradas, em relação aos resultados do pré-teste dos Grupos Experimental e Controle.

Desta maneira, quando analisada a capacidade física flexibilidade no Grupo Experimental (GE) nota-se que no pré-teste 27% dos alunos mensurados encontravam-se na zona de risco à saúde em relação ao grupo controle (GC) que participaria das aulas de Educação Física normal, onde 32% dos alunos enquadravam-se na ZR referenciado pelo PROSP-BR 2012. Para força e resistência muscular os dados apontam que no pré-teste existiam 30% classificados com ZR para o GE, já o GC contou com 58% da amostra classificados na ZR conforme os escores do protocolo de testes. Para Resistência Aeróbica os resultados do GE no pré-teste foi o seguinte, 6% enquadrando-se em ZR. Em contrapartida no GC pode-se notar que 16% encontravam-se na ZR no pré-teste. Os resultados do IMC do GE avaliado no pré-teste foi de 9% dos alunos em ZR. Ao contrário do GC que ficou com os escores negativos classificados em 29% do grupo em ZR.

Estes apontamentos sobre o estudo demonstram alguns dados de alta prevalência de crianças em zona de risco parecidos aos de Pereira et al. (2011), os mesmos avaliaram a aptidão física voltada à saúde de 69 crianças, de 7 a 11 anos, de ambos os gêneros, da cidade de Santa Maria – DF, onde encontraram níveis baixos de flexibilidade em 47,8%, força/resistência muscular 34,8% e IMC em 17,4%.

Em outro estudo feito por Strassburger e Borges (2001), que avaliaram a aptidão física relacionada à saúde e desempenho motor de 72 crianças, de 7 a10 anos, de Marechal Cândido Rondon – PR encontrou 56,6% destas em zona de risco à saúde para flexibilidade, para força/resistência muscular localizada 21,4%, resistência aeróbica 40%. Estes resultados também se mostram parecidos aos de Tornquist et al. (2013), que avaliou 626 crianças, entre 8 a 10 anos, em Santa Cruz do Sul – RS, onde foi detectado que em relação ao IMC cerca de 28,0% encontram-se em ZR à saúde, do mesmo modo que para flexibilidade 66,9%, força/resistência muscular localizada 57,0% e resistência aeróbica 62,8% ou seja, um percentual preocupante.

Em uma pesquisa feita por Werk et al. (2009), realizada em Campo Grande – MS, com 280 crianças, de 7 a 10 anos com alguns testes relacionados à saúde notou-se que para IMC o valor coletado foi de 33,24% encontrava-se me ZR, força e resistência abdominal em 23,83% e em relação a flexibilidade em 20,0% da amostra que se enquadrou como ZR.

No estudo epidemiológico transversal, de base escolar, realizado por Pelegrini et al. (2011), conduzido com 7.507 escolares (4.114 meninos e 3.393 meninas), de sete a dez anos de idade das cinco regiões brasileiras (Norte, Nordeste Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Traz alguns dados ainda mais assustadores sobre a aptidão física relacionada à saúde de escolares. No quesito flexibilidade analisando média geral cerca de 55,5% encontram-se na ZR, força e resistência muscular com 74,5% dos avaliados e a resistência aeróbica em 83,2%.

Outro estudo interessante é o de Burgos et al. (2012), onde avaliaram 1.664 escolares em Santa Cruz do Sul – RS. Obtiveram os seguintes dados: IMC ficou estratificado em 26,7%, abaixo dos índices saudáveis, 49,8% para flexibilidade, 48,0% para resistência aeróbica e 33,3% na força e resistência localizada.

Diante disso, pode-se notar que os trabalhos citados da literatura estão demonstrando que em diferentes regiões do país as crianças entre 7 a 10 anos estão cada vez mais susceptíveis a alguns tipos de doenças, por estarem com níveis inadequados de aptidão física relacionada à saúde.

Neste sentido, agora veremos o que realmente aconteceu com o grupo Experimental e Controle após cinco meses. No que se refere a capacidade física flexibilidade, notou-se no GE, que após a intervenção com Jogos e Brincadeiras houve uma melhora nos níveis de 12%, pois, o pós – teste indicou 15% da amostra em ZR. Em contrapartida o GC que realizou aulas de Educação Física com outros conteúdos, teve uma melhora nos níveis de 6% ficando sua amostra 26% em ZR. Desta forma, cabe salientar aqui que segundo Achour Junior (2009, p. 46), quando se trabalha flexibilidade no ambiente escolar este deve ser aplicado no mínimo duas vezes na semana, necessário pelo menos 15 minutos para que se obtenha o menor ganho em cinco ou seis meses de aplicação juntamente com a aula normal. Todo o dia dentro da escola deveria existir um programa de alongamento depois do recreio, pois, as crianças estariam aquecidas e seria muito mais fácil atingir níveis ótimos do com poucas aulas de Educação Física. (GUISELINI, 1996; ACHOUR JUNIOR, 2009).

Quanto a Força/Resistência muscular abdominal, quando analisado o GE neste aspecto, notou-se que houve uma melhora de 9% dos níveis inadequados da amostra. Em contrapartida parece que as aulas de Educação Física com outros conteúdos se mostram mais eficientes neste aspecto, uma vez que o GC teve uma excelente melhora de 26% nos escores fazendo com que após cinco meses 32% da amostra se qualificassem em ZR à saúde.

Para Resistência aeróbica têm-se os seguintes resultado o GE no pós – teste ficou com escore final de 12% da amostra em ZR, ou seja, deixando a desejar neste aspecto, uma vez que houve um aumento de 6% que estavam na ZS que baixaram a classificação para ZR. O GC não foi diferente, pois, teve um aumento de 13% da amostra que saiu da ZS para a ZR no pós – teste. Bastos (2015) em seu trabalho relata que alguns resultados devem ser interpretados com cautela, pois, há variáveis que podem interferir de maneira negativa nos testes, tais como: condições climáticas, faltas dos alunos, tempo de aula, algumas normas do professor (vestimenta adequada), dentre outras. Desta forma, ao realizar um trabalho, estas são algumas condições que fogem do controle da pesquisa e desta forma podem interferir nos resultados de uma pesquisa.

Fatores como direcionamento de conteúdo pode influenciar nos resultados da pesquisa da seguinte maneira: quando trabalhamos, por exemplo, com Jogos e brincadeiras essas atividades, são de predominância anaeróbica, pois, as crianças correm em alta velocidade e depois param por períodos variáveis. Desta forma, pode comprometer o resultado de aptidão cardiorrespiratória por exemplo. (PAIVA, 2015). Nesta mesma linha de raciocínio, o pesquisador ao trabalhar com capacidades físicas com crianças, deve ter uma atenção muito especial. Pois, existem períodos ótimos de aplicação de estímulos para cada capacidade e se forem estimuladas antes ou depois destes períodos, os resultados não serão iguais aos que encontraria com aplicação de estímulo no período certo. (WERK et al., 2009; BURGOS et al., 2012; PAIVA, 2015).

Em relação ao IMC parece que nenhuma das duas intervenções tanto do GE quando GC teve diferenças positivas significantes para os alunos da amostra. Pois, o GE teve um aumento de 6% da amostra que saiu da ZS e foi para a ZR no pós – teste, ficando com cerca de 15% da amostra em ZR. Já o GC teve uma melhora de 3% da amostra que saiu da ZR e foi para ZS ficando com escore final de ZR em 26% da amostra. Estes dados nos remetem a acreditar no que dizem os autores Guedes (1999), Miranda (2006) e Guedes (2007), quando relatam que as aulas de Educação Física são mais completas e eficazes, quando trabalhadas com vários conteúdos e não somente priorizar um, pois, muitas das vezes o estímulo dado por um determinado conteúdo, não é o suficiente para causar uma adaptação positiva na criança, por isso deve sempre proporcionar novos conteúdos com estímulos diferenciados e que sejam eficazes. Ainda em estudo de Silva et al. (2012), realizado com crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, salientam que ao analisar o IMC, deve-se ter uma preocupação com alguns pontos de corte que irá usar dos protocolos. Pois, alguns trazem como o PROESP-BR o escore como Zona Saudável (ZS) e Zona de Risco (ZR). Mas, não necessariamente a criança avaliada estará em ZR se avaliada em períodos menores que 5 meses, pois, ao longo do ano a criança cresce e se desenvolve muito rapidamente.  Desta forma ao se realizar o teste, ela pode ser classificada em ZR pelo simples fato de ganhar altura muito rapidamente e outras mudanças internas que acontecem com a maturação da criança.

CONCLUSÃO

Conclui-se que houve uma melhora nas capacidades físicas mensuradas (Flexibilidade e Força/Resistência muscular) após intervenção, porém, também não houve melhora em outros escores (Resistência aeróbica e IMC), pois, o estudo traz muitas variáveis como: números de aulas por semana, tempo da aula, estações do ano e suas variações térmicas, regras impostas aos alunos pelo professor, doenças, falta de assiduidade, duração da aula, aplicação de estímulo fora de período sensível, aulas em sala de aula e etc. E que diante disso, fogem do controle da pesquisa como mencionado no trabalho acima.

Portanto, isso nos remete a dizer que um conteúdo como os Jogos e Brincadeiras, assim como outros, pode sim trazer inúmeros benefícios para os escolares, mas, se for trabalhado isoladamente por um período de tempo de 5 meses como foi o trabalho, pode não surtir efeito positivo para algumas capacidades físicas. Sendo assim, se associarmos este conteúdo as aulas de Educação Física, pode trazer muito mais benefícios aos escolares.

Diante do exposto, fica claro o dever de priorizar mais aulas de Educação Física durante a semana. E fazer com que elas sejam ricas em vários conteúdos, para que possam proporcionar estímulos mais eficazes e duradouros. Assim sendo, mesmo que os resultados não tenham atingidos o esperado inicialmente, é importante dar continuidade ao trabalho, até o desenvolvimento e a maturação destes escolares, permitir-lhes que interessarem-se também por outros conteúdos da Educação Física que são apropriados a sua faixa etária e desse modo, se tornem adultos saudáveis e educados.

Assim sendo, sugerem-se mais estudos a respeito da interferência do conteúdo Jogos e Brincadeiras não só em relação à aptidão física relacionada à saúde, mas, também direcioná-los a respeito dos seus possíveis benefícios para os aspectos sócio-afetivo e cognitivo. E sugere-se também, que se tenha mais controle de algumas variáveis, para que os resultados da pesquisa tenham menos interferências.

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ALTERAÇÕES TERMOGRÁFICAS EM JOGADORES DE FUTSAL APÓS UMA SESSÃO DE TREINAMENTO TÉCNICO

Fábio Júnior da Silva, Rafael Magalhães Carvalho dos Santos, Elielbson Santos de Souza, Weberti Veloso Mendonça, Noeme Alves de Morais, Ricardo Alexandre Rodrigues Santa Cruz

Universidade Estadual de Roraima (UERR)
Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física e Esportes (GEPEFE)

RESUMO

O estudo teve como objetivo verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico. A amostra foi composta por 13 atletas de futsal (16,6±1,38 anos) da categoria Sub-17. Foram coletados termogramas do quadríceps e isquiotibiais dos jogadores contralateralmente antes e após uma sessão de treinamento de fundamentos técnicos com ênfase na condução, drible, passes e chute. Para a coleta das imagens termográficas utilizou-se uma câmera da marca Flir® Systems, modelo TG – 165, com detector Lepton®, e precisão de 1,5%, ≤0,01ºC de sensibilidade. O teste T de student foi utilizado para comparar as diferenças nos momentos pré e pós treinamento, com nível de significância de p <0,05. Os resultados dos termogramas apresentaram variações com diminuição da temperatura de -0,2°C do lado direito e de -0,3°C no lado esquerdo do quadríceps, -0,4°C do lado direito e -0,3°C do lado esquerdo para os isquiotibiais após os esforços curtos dos atletas ao executarem fundamentos do futsal. O presente estudo nos permite concluir que houve uma redução na temperatura do quadríceps e isquiotibiais dos atletas após a sessão aguda de treinamento. Pode-se concluir ainda, que a termografia é um método sensível para detectar a intensidade do treinamento e sistemas energéticos predominantes, observado principalmente pelas alterações da temperatura da musculatura ativada.

Palavras-chave: Termografia; Treinamento; Futsal

 

ABSTRACT

The study had as objective to verify the thermographic changes of futsal athletes after an acute session of technical training. The sample consisted of 13 futsal athletes (16.6 ± 1.38 years) of the ander-17 category. Thermograms were collected from the quadriceps and hamstrings of the players contralaterally before and after a technical fundamentals training session with emphasis on driving, dribbling, passing and kicking. A Flir® Systems model TG-165, with Lepton® detector and 1.5% accuracy, ≤0.01ºC sensitivity, was used to collect the thermographic images. Student’s T test was used to compare differences in pre and post training moments, with a significance level of p <0.05. The results of the thermograms presented variations with a decrease in the temperature of -0.2°C on the right side and -0.3°C on the left side of the quadriceps, -0.4°C on the right side and -0.3°C on the left side for the hamstrings after the athletes’ short efforts while executing futsal fundamentals. The present study allows us to conclude that there was a reduction in the quadriceps and hamstrings temperature of the athletes after the acute training session. It can also be concluded that thermography is a sensitive method to detect the intensity of training and predominant energy systems, observed mainly by the changes in the temperature of the activated musculature.

Key Words: Thermography; Training; Futsal

INTRODUÇÃO

A termografia é um método utilizado para registrar padrões térmicos do corpo, de forma não invasiva, sem contato com o avaliado e sem emissão de radiação (MARINS et al., 2015). É uma técnica que consiste no monitoramento da temperatura corporal do individuo em tempo real, gerando um perfil térmico através da divisão do corpo em regiões de interesse (CUEVAS et al., 2014).

Fernandes et al. (2016) indicam que essa técnica pode ajudar na compreensão das ocorrências de alterações na temperatura da pele, fornecendo relevantes informações relacionadas à eficiência do sistema termorregulatório em diferentes fases do exercício.

Meira et al. (2014) apontam que os sensores das câmeras termográficas (termógrafos) utilizando radiação infravermelha geram os termogramas, que são imagens com base na quantidade de calor emitido na superfície do corpo. Os termogramas apresentam uma palheta de cores que possibilita identificar as diferenças de acordo com as variações de temperatura, como por exemplo, o azul informa baixa temperatura, o vermelho aponta alta temperatura e o preto indica o espaço de ar, podendo assim realizar um acompanhamento da temperatura e suas variações (HILDEBRANDT, 2010; RASCHNER; AMMER, 2010).

No campo esportivo o uso da termografia pode trazer bons resultados, pois a mesma possibilita diagnósticos de riscos e lesões, tendo em vista que os treinamentos e competições provocam altos níveis de estresse na musculatura dos atletas (CÔRTE e HERNANDES, 2016).

Nesse contexto, torna-se importante monitorar as alterações termográficas em atletas, avaliando os processos inflamatórios gerados nos músculos após sessões de treinamentos ou jogos, evitando dessa forma possíveis lesões causadas pelo desgaste, os quais podem alterar diversos processos fisiológicos e metabólicos com impacto direto na geração de calor.

No treinamento esportivo, Neves e Reis (2014) indicam que os termogramas obtidos por imagens específicas nas regiões corporais de interesse se constituem em importante ferramenta para auxiliar técnicos, preparadores físicos e fisioterapeutas na quantificação e recuperação da carga de trabalho em modalidades esportivas individuais e coletivas.

O futsal é um desporto coletivo, de cooperação/oposição que apresenta alta intensidade em suas ações, sendo caracterizado por estímulos/pausas e movimentos em diversas direções, exigindo dos atletas um alto desempenho físico-motor (SANTA CRUZ et al., 2014).

É uma modalidade esportiva que exige dos atletas ações simultâneas de ataque e defesa em espaço reduzido da quadra,  com acelerações e desacelerações, sprints curtos e rápidos, que resultam em uma recuperação incompleta dos sistemas energéticos (SANTA CRUZ et al., 2016).

No futsal o controle dos aspectos físicos, técnicos e táticos intervenientes durante os jogos torna-se um fator decisivo para a performance da equipe, e monitorar alguns desses aspectos durante as partidas pode ser um ponto chave para a comissão técnica (SANTA CRUZ et al., 2013).

Santos et al. (2017) ressaltam que as respostas termográficas agudas causadas pelas ações na musculatura de maior envolvimento nesse esporte, a comparação contralateral entre os segmentos corporais antes e após os esforços e a compreensão do impacto da prática do futsal sobre o sistema termorregulador ainda não foram descritas. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico.

 

MÉTODOS

Amostra

O estudo foi realizado com 13 atletas do sexo masculino, integrantes de uma equipe de futsal da categoria da categoria Sub-17 com idades compreendidas entre 15 e 17 anos. Os atletas realizavam entre duas e três sessões de treinamentos semanais, com duração variando entre 60 e 90 minutos e participavam de competições escolares.

Cuidados Éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma Universidade local sob o protocolo nº 1.801.214. Os membros da comissão técnica e os responsáveis legais dos atletas assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, no qual foram informados sobre os procedimentos e objetivos do estudo, bem como os possíveis riscos e benefícios do experimento. Os atletas assinaram um termo de assentimento livre e esclarecido antes do início da pesquisa.

Desenho Experimental do Estudo

Antes das avaliações serem realizadas os atletas foram instruídos a não consumir bebidas cafeinadas ou estimulantes quatro horas antes; não utilizar hidratante corporal na superfície da pele nas últimas seis horas; não usar medicamento 24 horas antes; não realizar exercícios físicos vigorosos no período de 24 horas que antecedeu o treinamento; não massagear, pressionar, esfregar ou coçar a pele dos membros inferiores em nenhum momento até que estivesse completado todo o exame termográfico.

Avaliações antropométricas

A massa corporal foi mensurada utilizando-se uma balança eletrônica, com precisão de 0,1 kg, e a estatura foi determinada em um estadiômetro portátil, com precisão de 0,1 cm, de acordo com os procedimentos descritos por Guedes. A mensuração do percentual de gordura foi realizada com auxílio de adipômetro, avaliada por meio da técnica de espessura do tecido celular subcutâneo. A gordura corporal relativa foi estimada pelas equações de Slaughter.

Coleta das imagens termográficas

Em uma sala previamente preparada com climatização de 22°C foram realizadas as imagens termográficas (termogramas). Para que ocorresse um equilíbrio térmico e aclimatação os atletas permaneceram por 10 minutos na sala, antes que se iniciasse o processo de aquisição das imagens. Foi utilizado um termógrafo da marca Flir® Systems, modelo TG – 165, com detector Lepton®, e precisão de 1,5%, e 0,01°C de sensibilidade.

O atleta permaneceu em uma posição anatômica diante do avaliador, em cima de uma plataforma de 10cm a uma distância de 2 metros da câmera, para a medição de quatro imagens termográficas nas regiões anterior (quadríceps) e posterior (isquiotibiais) da coxa dos lados direito e esquerdo. Foi realizada a identificação da temperatura das áreas de interesse em °C, para comparação dos momentos pré e pós treinamento técnico, sendo feita a análise contralateral da incidência de calor entre os segmentos corporais.

Protocolo do Treinamento Técnico

A sessão de treinamento técnico foi caracterizada pela execução de ações técnicas de condução, drible, passe e chute com intervalos de recuperação de 30 segundos entre cada ação. A realização dos fundamentos seguiu a seguinte sequência por duas vezes:

  • Condução da bola em linha reta na distância de 15 metros no regime de ida e volta com duração de um minuto;
  • Dribles com bola entre cones, separados por uma distância de dois metros, com percurso total de 10 metros, em regime de ida e volta com duração de um minuto;
  • Passes rasteiros curtos (5 metros), médios (10 metros) e longos (20 metros), com os atletas em duplas frente a frente e duração de um minuto por tipo de passe;
  • Chutes ao gol, com a bola parada na marca de 10 metros em relação a trave. Cada atleta realizou 10 chutes com a máxima força possível.

Análise Estatística

Para verificar a normalidade dos dados coletados nos termogramas foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk. Os dados são apresentados em estatística descritiva com média e desvio padrão. A diferença entre as médias da temperatura dos músculos antes e após a sessão de treinamento técnico foi testada pelo teste t-Student para amostras pareadas. Foi adotado um nível de significância p < 0,05. As análises foram realizadas utilizando-se o pacote estatístico SPSS versão 13.0.

RESULTADOS

            Os resultados referentes a idade, massa corporal, estatura e percentual de gordura dos atletas estão descritos na tabela 1.

Tabela 1. Caracterização geral dos atletas.

Legenda: Kg – Quilogramas; cm – centímetros; % – percentual.

A tabela 2 apresenta os valores médios e desvio padrão da temperatura dos músculos dos membros inferiores (quadríceps e isquiotibiais) dos lados direito e esquerdo dos jovens atletas antes e após a sessão de treinamento técnico de futsal.

Tabela 2. Temperatura dos músculos dos membros inferiores de jovens atletas de futsal.

O objetivo do presente estudo foi verificar as alterações termográficas de atletas de futsal após uma sessão aguda de treinamento técnico. Arnaiz et al. (2014) apontam que o uso da termografia revela a resposta térmica ao treinamento, tornando-se uma das áreas mais promissoras do processo de controle e monitoramento do desgaste muscular, sendo capaz de prever os músculos que serão ativados em função dos esforços que os atletas realizam.

DISCUSSÃO

Os resultados encontrados após a sessão de treino com ênfase nos aspectos técnicos do jogo, apontaram reduções na temperatura dos músculos dos atletas quando comparados com os termogramas na condição pré-treino. Os termogramas apresentaram variações com diminuição da temperatura de -0,2°C do lado direito e de -0,3°C no lado esquerdo do quadríceps, -0,4°C do lado direito e -0,3°C do lado esquerdo para os isquiotibiais.

Pode-se perceber, mesmo que não tenha sido constatada diferença estatisticamente significativa, que o treinamento dos fundamentos técnicos do futsal de forma intervalada, com estímulos de um minuto em cada série e recuperação de 30 segundos entre os exercícios de condução da bola em alta velocidade entre distâncias de 15 metros no regime de vai e vem, dribles consecutivos entre cones de forma sinuosa, passes acelerados com variações de distâncias e uma sequencia de chutes promoveu um ajuste térmico específico, com redução na temperatura local dos músculos dos membros inferiores dos jogadores.

Esses resultados, estão alinhados com os apontamentos de Cuevas et al. (2014) em que esclarecem que a redistribuição do sangue da pele para a região do músculo ativo é inibida por uma maior necessidade de perda de calor interna, e que indivíduos expostos a esforços constantes e prolongados, sofrem um aumento na temperatura corporal média, enquanto os indivíduos expostos a esforços intermitentes máximos, realizados em curto período de tempo, sofrem uma diminuição na temperatura corporal média.

Diferente dos achados do presente estudo, Santos et al. (2017), encontraram aumentos da temperatura da musculatura dos membros inferiores de jovens atletas de futsal após uma partida simulada. Os resultados mostraram variação de 0,5°C para os isquiotibiais e aumento significativo (2,7°C) para a temperatura do quadríceps após a partida. Quando comparadas, as regiões de interesse dos membros dominantes e não dominantes, verificou-se maior percentual (51,2%) de incidência de focos de calor na coxa dominante.

Um estudo semelhante foi realizado por Morais et al. (2017) que avaliaram por meio da análise termográfica os esforços de 17 jogadoras do sexo feminino pertencentes a seleção roraimense infanto-juvenil antes e após uma partida de voleibol. Foram coletados termogramas do bíceps, tríceps, quadríceps e isquiotibiais das atletas. Os resultados apresentaram variações nos termogramas de 0,8°C no lado direito e 0,7°C no lado esquerdo do bíceps, 0,7°C e 0,8°C para o tríceps direito/esquerdo respectivamente. Nos músculos dos membros inferiores, a avaliação termográfica revelou maiores variações para a musculatura do quadríceps após a partida, com valores de 1,5°C para o lado direito e 1,1°C para o lado esquerdo. Os músculos isquiotibiais dos lados direito e esquerdo apresentaram aumentos de 0,7°C.

Outro estudo com modalidade coletiva, foi conduzido por Bandeira et al. (2014) que avaliaram o impacto de jogos e treinamentos em atletas de rúgbi, analisando diversos grupos musculares. Foram realizados termogramas 48 h pós-treino e 48 h pós-jogo para avaliação da temperatura da pele nos músculos de interesse. Os pesquisadores coletaram imagens do tronco e das coxas, nas incidências anterior e posterior. Os resultados indicaram uma tendência de aumento de temperatura nos músculos avaliados com amplitude de diferença de temperatura entre 0,2ºC e 0,8ºC.

Os estudos de Santos et al. (2017), Morais et al. (2017) e Bandeira et al. (2014) evidenciaram que em modalidades coletivas, o volume total do jogo acarreta em aumento substancial na temperatura muscular, pois se configura como uma atividade aeróbia pelo tempo de duração total das partidas.

Corroborando com os resultados do presente estudo, Chudecka e Lubkowska (2012) avaliaram a temperatura da pele de atletas de voleibol, antes e após uma sessão de treinamento físico, em que os resultados evidenciaram ter ocorrido uma diminuição na temperatura da superfície dos membros superiores dos atletas.

Reforçando a hipótese que exercícios curtos e intensos tendem a diminuir a temperatura local dos músculos, Hidebrandt et al. (2012) investigaram as características térmicas do exercício aeróbio e anaeróbio em bicicleta estacionária em doze homens ativos (26,0 ± 2,7 anos) que realizaram exercício anaeróbio (5 minutos, 80rpm, 90% FCmax) e exercício aeróbio (45 minutos, 80rpm, 60% FCmax) sob condições termo-neutras. As imagens termográficas foram realizadas antes e logo após as duas condições de exercício na musculatura do quadríceps. Os autores constataram um aumento na temperatura da pele (0,7 °C) após o exercício aeróbio e uma diminuição (-1,5 °C) após o exercício anaeróbio.

CONCLUSÃO

Pode-se concluir que o treinamento de fundamentos técnicos de condução, drible, passe e chute em alta intensidade promoveu reduções na temperatura da musculatura dos membros inferiores dos atletas participantes do estudo. Concluímos ainda, que a termografia é uma ferramenta fidedigna para avaliações de equilíbrios térmicos e alterações de calor da pele nos atletas de futsal, podendo ser utilizada por técnicos e preparadores físicos para diagnósticos e acompanhamentos dos esforços promovidos pelos treinamentos físicos, técnicos e táticos.

  

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AVALIAÇÃO DA FLEXIBILIDADE DA CADEIA POSTERIOR PRÉ E PÓS MANIPULAÇÃO GLOBAL DE PELVE EM DISFUNÇÕES ILIOSACRAS DE MULHERES COM LOMBALGIA CRÔNICA

José Fernando Baumgartner Maciel

Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Cascavel – PR, Brasil.

Roberto Luiz Werlang Roncato

Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Cascavel – PR, Brasil.

Rodrigo Poderoso de Souza

Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR) Cascavel – PR, Brasil.

 

Resumo: A dor lombar afeta 70-80% da população adulta em algum momento da vida, sendo considerada uma das alterações musculoesqueléticas mais comuns na sociedade atual. A lombalgia crônica é definida como dor persistente na região lombar por mais de três meses. Verificar se a manipulação global de pelve em disfunções iliossacras melhora a flexibilidade de mulheres com lombalgia crônica. Este estudo foi caracterizado como um ensaio clínico transversal não controlado com avaliador independente, composto por 21 mulheres com lombalgia crônica. Na primeira etapa da pesquisa as voluntárias responderam o questionário com seus dados pessoais para identificação de fatores de risco. A segunda etapa foi composta pela fleximetria da coluna lombar, teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril e teste de sentar e alcançar. Na terceira etapa foi realizada a manipulação global da pelve, após isso todos os testes foram reavaliados. A análise estatística deu-se por meio do teste Shapiro Wilk e o Teste t Student pareado, com significância de p<0,05. Nos resultados do inclinômetro, houve significância (p=0,0483) com um aumento médio de 3,24º na inclinação de tronco, no teste de encurtamento, o resultado foi significativo para o MID com um p=0,0034, e aumento médio de 4,19º, já para o MIE o aumento médio de 2,71º não foi significativo, o teste de sentar e alcançar apresentou p=0,0001, com um aumento médio de 1,95 cm de alcance. A manipulação global da pelve é eficaz na melhora da flexibilidade da cadeia posterior de mulheres com lombalgia crônica.

Palavras – chave: Dor lombar; Flexibilidade; Manipulação osteopática.

Abstract: Lower back pain affects 70-80% of adult population at some point in life, and it is considered one of the most common musculoskeletal disorders in actual society. Chronic low back pain is defined as persistent pain in the lower back for over three months. To determinate whether the overall handling of pelvis dysfunctions iliosacras improves flexibility of women with chronic low back pain. This study was characterized as clinical cross uncontrolled independent appraiser, composed of 21 women with chronic low back pain. In the first stage of the research volunteers answered a questionnaire with personal informations to identify unique factors. The second stage was composed by a lumbar spine fleximetry test, a shortening test of the hip’s extensor muscles also sit and reach test. In the third stage was held global manipulation of the pelvis, after all, those tests were reassessed. Statistical analysis was performed by using the Shapiro Wilk and test t Student paired with a significance level of p <0.05. Results of the inclinometer data showed significant (p=0.0483) with an average increase of 3.24° in the inclination of the trunk, shortening the test, the result was significant for the MID with a p=0.0034, and an average increase of 4.19º, since the MIE to the average increase of 2.71° was not significant, the sit and reach test showed p=0.0001, with an average increase of 1.95 cm range. The global manipulation of the pelvis is effective in improving the flexibility of the posterior chain of women with chronic low back pain.

Key-words: Low back pain; Flexibility; Osteopathic manipulation.

INTRODUÇÃO

A dor lombar afeta 70 a 80% da população adulta em algum momento da vida, mais frequentemente na sua fase economicamente ativa, sendo considerada uma das alterações musculoesqueléticas mais comuns na sociedade atual, se mostrando assim uma das principais razões para aposentadoria por incapacidade total ou parcial (ANDRADE; ARAÚJO; VILAR, 2005). Segundo Licciardone et al (2013), a lombalgia crônica é definida como dor persistente na região lombar por mais de três meses. A dor lombar crônica pode ser causada por doenças inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, defeitos congênitos, debilidade muscular, predisposição reumática, sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais entre outras. Entretanto, frequentemente a dor lombar crônica ocorre devido a um conjunto de causas, como por exemplo, fatores sócio-demográficos (idade, sexo, renda e escolaridade), comportamentais (fumo e baixa atividade física), exposições ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho físico pesado, vibração, posição viciosa, movimentos repetitivos) e outros (obesidade, morbidades psicológicas) (SILVA; FASSA; VALLE, 2004). Segundo Riberto et al (2011), cerca de 10% das pessoas apresentam lombalgia crônica. Maneck e MacGregor (2005) afirmam que essa forma da dor é a mais incapacitante devido aos impedimentos físicos e efeitos psicológicos causados pela mesma.

A coluna vertebral forma o eixo ósseo do corpo e está constituída de modo a oferecer resistência, mas também flexibilidade necessária à movimentação do tronco, permitindo movimentos entre as diversas partes do tronco, e dando fixação a numerosos músculos (DANGELLO; FATTINI, 2007). A região lombar faz parte do complexo lombopélvico, descrito na literatura como “centro”, uma denominação devida ao fato de que é nessa região que o centro de gravidade está posicionado, e onde a maioria dos movimentos é iniciada (REINEHR; CARPES; MOTA, 2008).

Segundo Briganó e Macedo (2005), a mobilidade lombar é menor em pacientes que apresentam lombalgia, se comparados com indivíduos saudáveis. Konin (2006) relata que a mobilidade lombar também diminui à medida que o indivíduo envelhece. Emiliani Junior e Tanaka (2002) afirmam que a perda da mobilidade lombar e pélvica estão frequentemente associadas ao quadro de lombalgia.

Segundo Ignachewski et al (2010), pode-se definir flexibilidade como sendo a capacidade de uma articulação se mover por uma grande amplitude de movimento, ela é considerada relevante para a execução de movimentos simples ou complexos, para o desempenho desportivo, para a manutenção da saúde e para a preservação da qualidade de vida.

Macedo e Briganó (2009) referem-se ao tratamento da lombalgia como complexo e minucioso, quando comparado à maioria dos tratamentos, e apontam a fisioterapia como um recurso essencial para a reabilitação do paciente. Observam-se recursos variados capazes de permitir intervenção direta sobre a dor, incapacidade e qualidade de vida. Entre as técnicas de intervenção estão terapia manual, cinesioterapia, eletrotermoterapia, fisioterapia aquática, reeducação postural, manipulação osteopática, acupuntura.

A forma mais comum da manipulação espinhal é um impulso de alta velocidade e baixa amplitude, conhecido como thrust. A manipulação espinhal por sua própria natureza é uma forma mecânica para chegar aos tecidos da coluna vertebral (PICKAR, 2002). Segundo Giles e Muller (1999), a manipulação espinhal tem como alguns de seus objetivos o tratamento de pacientes com dor cervical, lombar ou pélvica, sendo um procedimento terapêutico utilizado frequentemente por fisioterapeutas especializados em Osteopatia. Citam também que a manipulação espinhal em alguns trabalhos tem maiores resultados nas síndromes dolorosas crônicas da coluna, que os da acupuntura e tratamentos medicamentosos. E que, portanto a terapia manual tem como objetivo promover o retorno à função normal dos pacientes por meio de técnicas com as mãos, sobre o corpo do mesmo.

Como a perda de mobilidade esta relacionada com o quadro de dor lombar crônica, este trabalho busca encontrar um método que ajude a aumentar a flexibilidade destes indivíduos, assim o objetivo foi verificar se a manipulação global de pelve em disfunções iliosacras aumenta a flexibilidade de mulheres com lombalgia crônica.

METODOLOGIA

Este estudo foi caracterizado como um ensaio clínico transversal, não controlado, com avaliador independente. A presente pesquisa contempla os critérios éticos para pesquisa com seres humanos atendendo aos requisitos fundamentais da Resolução 196/6 com parecer de aprovação No. 004/2011-CEP (ANEXO I), de 23 de fevereiro de 2012, com período de vigência até novembro de 2013 (ANEXO II). A população escolhida para este estudo foi de indivíduos com lombalgia crônica. A amostra foi composta por 21 indivíduos, do sexo feminino, com idade entre 18 e 30 anos, que apresentam dor lombar por mais de 3 meses, de forma ininterrupta, aumentando aos esforços, caracterizando assim dor lombar de causa mecânica. Foram incluídos no estudo indivíduos que apresentaram dor lombar por mais de 3 meses sem irradiação para membros inferiores (MMII), com idade compatível com o estudo e presença de disfunção biomecânica na articulação iliosacra.

Critérios de não inclusão e exclusão

Ser hiper móvel; discrepância de MMII; histórico de traumatismo craniano; lesões osteomusculares em outras articulações há menos de 6 meses; doenças reumáticas clinicamente diagnosticadas; história de cirurgia no tronco e membros inferiores; amputação parcial ou total de membros; gravidez; presença de déficits neurológicos.

Procedimentos metodológicos

Este estudo foi desenvolvido no Centro de Reabilitação Física (CRF) do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste, no Laboratório de Recurso Terapêuticos Manuais em Ortopedia, no período de julho a novembro de 2013.

Após o convite e o esclarecimento acerca dos objetivos e procedimentos do estudo, as voluntárias responderam um questionário com os dados pessoais para identificação de possíveis fatores exclusivos. Para caracterizar dor lombar crônica, a paciente teria que apresentar dores lombares com mais de 3 meses de duração. Após serem incluídas no estudo, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido no. 004/2011-CEP.

As avaliações foram realizadas por avaliadores independentes: Fleximetria da coluna lombar, teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril e teste de sentar e alcançar.

A fleximetria da coluna lombar foi obtida com o paciente em ortostatismo, realizando uma flexão de tronco, o inclinômetro manual foi posicionado em L1 (vértebra lombar), isolando assim a coluna lombar (Figura 1).

Figura 1 – Fleximetria da coluna lombar

Na sequência foi realizado o teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril, segundo Joshua (2006), o qual afirma que o teste apresenta uma confiabilidade intra-examinador com CCI de 0.87, e foi realizado com o paciente em decúbito dorsal. O examinador palpou a espinha ilíaca póstero-superior (EIPS) ipsilateral ao mesmo tempo em que realizou uma flexão passiva do quadril, quando a EIPS se moveu posteriormente, o movimento foi interrompido e realizada a mensuração, colocando-se o inclinômetro manual acima da patela. O teste foi realizado em ambos os MMII (Figura 2).

Figura 2 – Teste de encurtamento dos músculos extensores de quadril

Após a realização destes testes foi verificada a medida da flexibilidade da cadeia posterior por meio do teste de sentar e alcançar (Banco de Wells), no qual o avaliado estava descalço e assumiu a posição sentada, de frente para o aparelho, com os pés embaixo da caixa, joelhos completamente estendidos e com os pés encostados contra a caixa. O avaliador apoiou os joelhos do avaliado na tentativa de assegurar que permanecessem estendidos durante o movimento. Os braços estavam estendidos sobre a superfície da caixa, com as mãos colocadas uma sobre a outra. Para a realização do teste, o avaliado, com as mãos voltadas para baixo e em contato com a caixa, estendeu a frente ao longo da escala de medida, procurando alcançar a maior distância possível, com movimento lento e sem solavancos. Foram realizadas três tentativas, em que para cada uma delas a distância foi mantida por aproximadamente um segundo, sendo considerado o melhor valor alcançado (POLLOCK; WILMORE, 1993), conforme Figura 3.

Figura 3 – Teste de sentar e alcançar

Na sequência, para verificar se existe disfunção e qual é o lado da lesão foi realizado o teste de Gillet, que segundo Ricard (1998), é realizado com o paciente em pé, de frente a uma parede sobre a qual repousa as mãos. O terapeuta coloca seus polegares, um sobre a EIPS de um lado e o outro sobre a base sacra do mesmo lado. Continuando, pede-se ao paciente que flexione seu quadril e seu joelho até 120°. Se o polegar ilíaco não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado do ilíaco, é que existe uma fixação do ílio. Se o polegar sacro não descer quando o paciente flexiona o membro inferior do lado oposto, é que existe uma fixação da base do sacro Figura 4 e 5).

 

Figura 4 – Teste de Gillet (posição inicial)

 

Figura 5 – Teste de Gillet (posição final)

Após esta etapa foi realizada a manipulação global de pelve, como descrita por Ricard (1998), sendo indicada para liberar ao mesmo tempo a faceta lombo-sacra, pólo inferior e superior da articulação iliosacra, com o objetivo principal de se aumentar o jogo articular. O paciente se posiciona em decúbito lateral, direito ou esquerdo, dependendo do lado da lesão, o qual fica para cima. O terapeuta posiciona a mão do paciente sobre o músculo peitoral em leve rotação de tronco, leva o membro inferior que está para cima em flexão até o nível da articulação iliosacra (EIPS). Em seguida o terapeuta posiciona seu joelho sobre o joelho do paciente para realizar o kick (movimento em direção ao solo, realizado com extensão do joelho do terapeuta). O antebraço caudal do terapeuta se posiciona sobre a articulação iliosacra, seguindo a forma da crista ilíaca, o braço cefálico do terapeuta repousa sobre o peitoral e aumenta a rotação do tronco do paciente até o nível de L5 (vértebra lombar). Em um segundo momento o braço do terapeuta que repousa sobre a articulação iliosacra é tracionado para cima e para o corpo do terapeuta. Mantendo essas três reduções o terapeuta realiza o movimento de kick para abrir a articulação iliosacra de maneira simultânea nas três direções (Figura 6). Nos casos em que a primeira tentativa de correção não foi eficaz, uma nova manipulação foi efetuada.

Imediatamente após a manipulação todos os testes foram reavaliados.

Figura 6 – Manipulação global de pelve

Análise estatística

Avaliou-se a distribuição de normalidade das variáveis numéricas utilizando-se o teste de Shapiro-Wilk pelo Software SPSS 15.0. Depois foi aplicado o Teste t Student pareado com significância de p<0,05, pelo mesmo software.

RESULTADOS

Os dados referentes à idade, peso e altura das voluntárias podem ser visualizados na tabela 1.

TABELA 1Estatística descritiva para as variáveis idade, peso e altura.

Idade(anos) Peso(Kg) Altura(cm) Sexo Feminino (n)
Média 21,48±2,38 60,24±6,97 1,66±0,06 21

Referente aos resultados do inclinômetro, apresentaram significância (p=0,0483) com um aumento médio de 3,24º na inclinação de tronco (Figura 7).

Figura 7 – Fleximetria da coluna lombar

*houve significância

Com relação ao teste de encurtamento, o resultado foi significativo para o MID com um p=0,0034, e aumento médio de 4,19º (Figura 8), já para o MIE o aumento médio de 2,71º não foi significativo (Figura 9).

Figura 8 – Teste de encurtamento MID

Figura 9 – Teste de encurtamento MIE

*houve significância

Os resultados do teste de sentar e alcançar (Banco de Wells) foram significativos (p=0,0001), com um aumento médio de 1,95 cm de alcance (Figura 10).

Figura 10 – Banco de Wells

*houve significância

Em todos os testes foi observada uma distribuição normal dos valores encontrados tanto no pré como no pós manipulação pelo teste de Shapiro-wilk.

DISCUSSÃO

Os resultados do presente estudo relacionados ao Banco de Wells, teste de encurtamento do membro inferior direito e fleximetria da coluna lombar se mostraram significativos, comparando o pré com o pós manipulação. Indo ao encontro do que dizem Zatarin e Bortolazzo (2012), que avaliaram 21 mulheres assintomáticas, sendo 11 no grupo experimental (GE) e 10 no grupo controle (GC), as quais também foram submetidas à manipulação global da pelve, apresentando um resultado significativo para o aumento da flexibilidade da cadeia posterior avaliada pelo Banco de Wells e teste de elevação do membro inferior estendido. Com isso se pode perceber que a melhora é encontrada não apenas em indivíduos com lombalgia, mas também naqueles sem sintomas relacionados.

Segundo Macêdo et al (2008), os quais avaliaram 64 pacientes de ambos os sexos, também houve aumento significativo da flexibilidade da cadeia posterior após intervenção com manipulação articular.

Estudos como de Lampe (2005) e Fox (2006) também mostram que existe um aumento da extensibilidade dos isquiotibiais pós intervenção manipulativa, os quais em seus trabalhos associaram a técnica de manipulação com técnicas de energia muscular para isquiotibiais e alongamento ativo para isquiotibiais, respectivamente, observando que os grupos que receberam a técnica manipulativa obtiveram um maior aumento da extensibilidade comparados com os grupos que receberam as técnicas acima citadas isoladamente.

No estudo de Faitão e Fernandes (2011), também foram evidenciados resultados positivos no aumento da flexibilidade da coluna lombar após manipulação articular, os quais avaliaram 20 indivíduos com lombalgia crônica, divididos em dois grupos, 10 no grupo placebo e 10 no grupo experimental, avaliados pelo índice de Schober.

A melhora na flexibilidade pode estar relacionada aos efeitos neurofisiológicos da manipulação articular, que ocasionam a diminuição da atividade do motoneurônio alfa no metâmero correspondente ao local da aplicação da manipulação articular. Esse impulso, segundo Ricard (2005), gera também um estiramento da cápsula articular e dos músculos monoarticulares, com objetivo de liberar aderências articulares e restaurar a amplitude de movimento articular fisiológica, havendo uma inibição da musculatura monoarticular por via reflexa, que contribui para a restauração do movimento, já que estes músculos também são responsáveis por manter a articulação em disfunção.

Sugere-se para estudos futuros utilizar um grupo controle, também utilizar um grupo no qual só realiza o posicionamento da manipulação, sem realizar o thurst, para assim minimizar a chance do aumento ocorrer por aprendizado e também confirmar que é a manipulação que ocasionou o aumento.

CONCLUSÃO

Pode-se concluir com este estudo que a manipulação global da pelve é eficaz no aumento da flexibilidade da cadeia posterior de mulheres com lombalgia crônica.

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